Meu trabalho é mais ou menos relacionado com educação. Querendo ou não, estou em constante contato com os "educadores". Coloco a palavra entre aspas porque, a meu ver, o que temos hoje em dia, no Brasil, não é educação mas "educação" mesmo. É uma educação de brincadeira, de uma qualidade mais frágil que papel e que está anos luz do que deveria ser uma educação ao menos razoável (nem quero entrar, aqui, no sonho da educação de excelência!...). Olha, justiça seja feita, a culpa nem sempre é do governo. Conheço professores bem pagos que são uma lástima, uma vergonha para o sistema educacional! Bem ou mal remunerados, arrisco chutar que uns 80% dos professores brasileiros são muito mal formados. Nosso problema é sobretudo de formação individual e não exatamente de má vontade do governo ou dos próprios docentes com o seu trabalho. Do que adianta o sujeito ser bem pago ou bem intencionado se ele não tem autocrítica e não investe no auto-aperfeiçoamento?!
Já vi gente que inclusive ensina em universidade pública, é mestre, com uma dicção péssima, erros de português gritantes (inclusive de pontuação) e o raciocínio mais raso do que uma piscina de formiga. Sabe aquele tipo de criatura que galgou cargos, títulos universitários (essa é a parte da história que me agride!) e ganhos financeiros mas que não se melhorou em nada?! Pois é, isso existe e não é raridade, infelizmente. Pagar bem a essa gente, esperando retorno para a sala de aula, é jogar dinheiro no lixo!
A vaidade impera - e esvazia! - por todo canto. Ok, esse é o espírito da nossa época - creio que mais do que em qualquer outra anterior -, mas certas áreas da atividade humana não podem prescindir do idealismo e de mentes desenvolvidas, ora! A educação é uma delas, assim como o jornalismo, a medicina e o direito.
A partir disso, desenvolvi a crença de que antes de qualquer investimento financeiro pesado em "material humano", precisamos - e com urgência - de uma reforma de valores Brasil afora. Não sei como isso poderia se dar, mas é o passo fundamental para a revolução dessa nação, a meu ver.
Mais do que de dinheiro, precisamos desenvolver a consciência!! "Ligeiro, ligeiro, ligeiro!..."
***
A primeira metade do meu ensino foi em escola pública. Quando digo isso, o povo já grita "Ah, mas isso foi em Brasília", como se estivesse falando de Beverly Hills. Escola pública é escola pública, ora bolas. A minha sorte é que, até aquela época, a classe média freqüentava as escolas públicas brasilienses (uma década depois, essa mesma classe média se afastaria do ensino público irritada com as constantes greves de professores que atrapalhavam as férias do verão). A minha escola, em particular, teve um bom insight: criou algo chamado APM (Associação de Pais e Mestres), uma contribuição à parte, paga pelos pais, para que a direção não dependesse do governo para fazer as melhorias necessárias.
Mesmo assim, quando cheguei em Salvador, tive que correr um pouco atrás para alcançar o nível da turma - e olha que estudei em cooperativa, em colegiozinho de bairro!
Essa cooperativa nasceu para ser uma alternativa mais acessível aos bons colégios da época, mas o projeto se desvirtuou feio pelo caminho. Era uma estrutura tão mambembe, que até para construir o alambrado da quadra de esportes, tivemos que bolar e trabalhar num evento para arrecadar dinheiro. Tudo ali, dos ventiladores à quadra de esportes, foi esforço coletivo dos alunos. Apesar do aprendizado humano que tive nessa escola, me arrependo de ter feito o segundo grau lá. Gostaria de ter tido mais informação naquela época e ter feito meu segundo grau no Cefet. Dormi no ponto...
O que faz a diferença, mesmo, é o interesse individual. Minha irmã do meio, por exemplo, fez até a 8ª série em colégio público e um segundo grau de segunda categoria e se formou em Engenharia pela Federal. Mamãe tem um ditado ridículo mas altamente verdadeiro: a necessidade ensina o sapo a pular.
Eu ainda não consegui nada materialmente relevante com o meu estudo, mas diga se eu parei de estudar?! Continuo rata de sala de aula (nem que seja de um mero curso de espanhol), torrando dinheiro com livros (para a tristeza de minha mãe que acha que eles só servem para entulhar a casa). Antes de ser uma ferramenta de ascensão, a educação sempre foi um VALOR pessoal. No meu caso, foi, acima de tudo, uma tábua de salvação. Sem isso, a vida não teria tido muita graça para mim, certamente já teria morrido de tédio.
Como diz Mãe Stella de Oxóssi, a cabeça de uma pessoa faz dela um rei. Acreditar é parte fundamental da equação - e tenho dito! Ainda que a vontade de desistir seja uma tentação por vezes, não acreditar diminui mais ainda as nossas chances na vida - palavra de quem já fez a experiência.
Já vi gente que inclusive ensina em universidade pública, é mestre, com uma dicção péssima, erros de português gritantes (inclusive de pontuação) e o raciocínio mais raso do que uma piscina de formiga. Sabe aquele tipo de criatura que galgou cargos, títulos universitários (essa é a parte da história que me agride!) e ganhos financeiros mas que não se melhorou em nada?! Pois é, isso existe e não é raridade, infelizmente. Pagar bem a essa gente, esperando retorno para a sala de aula, é jogar dinheiro no lixo!
A vaidade impera - e esvazia! - por todo canto. Ok, esse é o espírito da nossa época - creio que mais do que em qualquer outra anterior -, mas certas áreas da atividade humana não podem prescindir do idealismo e de mentes desenvolvidas, ora! A educação é uma delas, assim como o jornalismo, a medicina e o direito.
A partir disso, desenvolvi a crença de que antes de qualquer investimento financeiro pesado em "material humano", precisamos - e com urgência - de uma reforma de valores Brasil afora. Não sei como isso poderia se dar, mas é o passo fundamental para a revolução dessa nação, a meu ver.
Mais do que de dinheiro, precisamos desenvolver a consciência!! "Ligeiro, ligeiro, ligeiro!..."
***
A primeira metade do meu ensino foi em escola pública. Quando digo isso, o povo já grita "Ah, mas isso foi em Brasília", como se estivesse falando de Beverly Hills. Escola pública é escola pública, ora bolas. A minha sorte é que, até aquela época, a classe média freqüentava as escolas públicas brasilienses (uma década depois, essa mesma classe média se afastaria do ensino público irritada com as constantes greves de professores que atrapalhavam as férias do verão). A minha escola, em particular, teve um bom insight: criou algo chamado APM (Associação de Pais e Mestres), uma contribuição à parte, paga pelos pais, para que a direção não dependesse do governo para fazer as melhorias necessárias.
Mesmo assim, quando cheguei em Salvador, tive que correr um pouco atrás para alcançar o nível da turma - e olha que estudei em cooperativa, em colegiozinho de bairro!
Essa cooperativa nasceu para ser uma alternativa mais acessível aos bons colégios da época, mas o projeto se desvirtuou feio pelo caminho. Era uma estrutura tão mambembe, que até para construir o alambrado da quadra de esportes, tivemos que bolar e trabalhar num evento para arrecadar dinheiro. Tudo ali, dos ventiladores à quadra de esportes, foi esforço coletivo dos alunos. Apesar do aprendizado humano que tive nessa escola, me arrependo de ter feito o segundo grau lá. Gostaria de ter tido mais informação naquela época e ter feito meu segundo grau no Cefet. Dormi no ponto...
O que faz a diferença, mesmo, é o interesse individual. Minha irmã do meio, por exemplo, fez até a 8ª série em colégio público e um segundo grau de segunda categoria e se formou em Engenharia pela Federal. Mamãe tem um ditado ridículo mas altamente verdadeiro: a necessidade ensina o sapo a pular.
Eu ainda não consegui nada materialmente relevante com o meu estudo, mas diga se eu parei de estudar?! Continuo rata de sala de aula (nem que seja de um mero curso de espanhol), torrando dinheiro com livros (para a tristeza de minha mãe que acha que eles só servem para entulhar a casa). Antes de ser uma ferramenta de ascensão, a educação sempre foi um VALOR pessoal. No meu caso, foi, acima de tudo, uma tábua de salvação. Sem isso, a vida não teria tido muita graça para mim, certamente já teria morrido de tédio.
Como diz Mãe Stella de Oxóssi, a cabeça de uma pessoa faz dela um rei. Acreditar é parte fundamental da equação - e tenho dito! Ainda que a vontade de desistir seja uma tentação por vezes, não acreditar diminui mais ainda as nossas chances na vida - palavra de quem já fez a experiência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário