
"Balão,
Cai, cai,
Balão,
Aqui na minha mão
Não cai, não,
Não cai, não,
Cai aqui na minha mão"
Nossos diplomas, por esses dias, caíram das nossas mãos. Como dizia um certo personagem de novela, foram parar na chon. Culpa do STF.
Necessidade de formação superior à parte, fica o gosto amargo de perder uma conquista de classe, de ver um retrocesso. Queda do diploma, queda da nossa auto-estima profissional, do nosso poder enquanto categoria. Antes nunca houvesse sido obrigatório.
Interessada em debater o "rojão" lançado pelo Supremo, liguei para Ingrid White Fibe (ou Frite Bife, para quem tiver dificuldade de pronunciar). O. Ingrid Simpson matou a charada, como sempre, e disse que o problema da resolução é que vai dar a oportunidade para os patrões explorarem ainda mais a nossa já exploradíssima força de trabalho. Aposto, nem Lucélia Santos gostaria de estar no nosso tronco, agora. A seguir, cenas dos próximos capítulos.
Não creio que a queda do diploma vá atingir os veículos, mas acho que vai ser a brecha para aumentar a esculhambação nas empresas, nos órgãos do governo, nos chamados "cargos de confiança".
Escolhemos uma profissão que está, ao mesmo tempo, entre as piores e as melhores do mundo. Nos demos mal porque nos formamos na época de crise das empresas jornalísticas. Algo está podre no reino da Dinamarca quando até o NY Times se encontra com a corda no pescoço. Por outro lado, temos um mundo de opções para explorar, e até nem precisamos de patrão, a bem da verdade.
A escrita é um ofício lindo porque quem escreve tende a melhorar seu talento com o tempo (e o seu valor profissional); a velhice não significa perda da capacidade laboral. Além do mais, é uma atividade possível mesmo a quem não está no mercado. Carlos Drummond de Andrade foi funcionário público e isso não o impediu de construir uma das mais importantes trajetórias da literatura nacional. Nelson Rodrigues produziu muita coisa boa dentro e principalmente fora da redação de jornal. Martha Medeiros é uma das mais conhecidas cronistas da atualidade e escreve da sala de casa. Seu Carlos, mais conhecido entre nosotros como o santo que agüenta Nandy em casa há mais de duas décadas, trabalhou por anos e anos como bancário e hoje publica seus romances. Davi é um poeta dos bons mesmo sem nunca ter publicado um livro de poemas. Julia escreve roteiros mesmo trabalhando com idiomas para sobreviver. Ingrid faz algumas das melhores críticas sobre o mundo pop mas nunca teve nada disso publicado. Conheço muita gente que está no mercado de comunicação e não anda produzindo, "de carteira assinada", nada de muito relevante. E aí, quem está melhor na fita? Essas coisas são muiiiito relativas.
Vivemos na era dos blogs. Assim como acontece com a música (um exemplo é o fenômeno Calypso), hoje é possível ganhar fama nacional sem estar vinculado a uma grande empresa do ramo. Noblat é um exemplo. Ok, você vai dizer que ele já era conhecido. E o que dizer do "Te dou um dado?"? Começou como uma brincadeira de três amigos blogueiros e virou um hit do jornalismo de fofocas, e até já ganhou um espaço no UOL.
Quem tem competência, se estabelece, como diz o ditado. Quem tem um ideal cravado na alma não precisa de "circunstâncias apropriadas" para fazer acontecer o seu sonho. Vivemos numa época "líquida", inconsistente - fazer o quê? Temos que nos acostumar com a nossa condição de descartáveis. Não faço aqui um convite ao cinismo ou ao pessimismo. Apenas não é aconselhável esperar um movimento "de fora". Século 21 começa nos exigindo atitude. So here we go!... É difícil mas não impossível.
Sim, tenhamos fé e iremos "pular esta fogueira". Como diz aquela "filósofa", Mariah Carey, "they can try, but they can´t take that way from me". Nascemos e viveremos para contar, quaisquer que sejam as circunstâncias!
PS.: Caro engravatado do Supremo, mamãe realmente faz uma das melhores comidas que já provei (a opinião de quem já filou o almoço daqui de casa endossa tal parecer), mas um diploma do SENAC, de comida mexicana ou algo do tipo, faz falta às vezes, sabia? Olha lá o que o senhor está ajudando a produzir! Depois não reclame de jornalismo arroz-com-feijão nesse país, viu?
Necessidade de formação superior à parte, fica o gosto amargo de perder uma conquista de classe, de ver um retrocesso. Queda do diploma, queda da nossa auto-estima profissional, do nosso poder enquanto categoria. Antes nunca houvesse sido obrigatório.
Interessada em debater o "rojão" lançado pelo Supremo, liguei para Ingrid White Fibe (ou Frite Bife, para quem tiver dificuldade de pronunciar). O. Ingrid Simpson matou a charada, como sempre, e disse que o problema da resolução é que vai dar a oportunidade para os patrões explorarem ainda mais a nossa já exploradíssima força de trabalho. Aposto, nem Lucélia Santos gostaria de estar no nosso tronco, agora. A seguir, cenas dos próximos capítulos.
Não creio que a queda do diploma vá atingir os veículos, mas acho que vai ser a brecha para aumentar a esculhambação nas empresas, nos órgãos do governo, nos chamados "cargos de confiança".
Escolhemos uma profissão que está, ao mesmo tempo, entre as piores e as melhores do mundo. Nos demos mal porque nos formamos na época de crise das empresas jornalísticas. Algo está podre no reino da Dinamarca quando até o NY Times se encontra com a corda no pescoço. Por outro lado, temos um mundo de opções para explorar, e até nem precisamos de patrão, a bem da verdade.
A escrita é um ofício lindo porque quem escreve tende a melhorar seu talento com o tempo (e o seu valor profissional); a velhice não significa perda da capacidade laboral. Além do mais, é uma atividade possível mesmo a quem não está no mercado. Carlos Drummond de Andrade foi funcionário público e isso não o impediu de construir uma das mais importantes trajetórias da literatura nacional. Nelson Rodrigues produziu muita coisa boa dentro e principalmente fora da redação de jornal. Martha Medeiros é uma das mais conhecidas cronistas da atualidade e escreve da sala de casa. Seu Carlos, mais conhecido entre nosotros como o santo que agüenta Nandy em casa há mais de duas décadas, trabalhou por anos e anos como bancário e hoje publica seus romances. Davi é um poeta dos bons mesmo sem nunca ter publicado um livro de poemas. Julia escreve roteiros mesmo trabalhando com idiomas para sobreviver. Ingrid faz algumas das melhores críticas sobre o mundo pop mas nunca teve nada disso publicado. Conheço muita gente que está no mercado de comunicação e não anda produzindo, "de carteira assinada", nada de muito relevante. E aí, quem está melhor na fita? Essas coisas são muiiiito relativas.
Vivemos na era dos blogs. Assim como acontece com a música (um exemplo é o fenômeno Calypso), hoje é possível ganhar fama nacional sem estar vinculado a uma grande empresa do ramo. Noblat é um exemplo. Ok, você vai dizer que ele já era conhecido. E o que dizer do "Te dou um dado?"? Começou como uma brincadeira de três amigos blogueiros e virou um hit do jornalismo de fofocas, e até já ganhou um espaço no UOL.
Quem tem competência, se estabelece, como diz o ditado. Quem tem um ideal cravado na alma não precisa de "circunstâncias apropriadas" para fazer acontecer o seu sonho. Vivemos numa época "líquida", inconsistente - fazer o quê? Temos que nos acostumar com a nossa condição de descartáveis. Não faço aqui um convite ao cinismo ou ao pessimismo. Apenas não é aconselhável esperar um movimento "de fora". Século 21 começa nos exigindo atitude. So here we go!... É difícil mas não impossível.
Sim, tenhamos fé e iremos "pular esta fogueira". Como diz aquela "filósofa", Mariah Carey, "they can try, but they can´t take that way from me". Nascemos e viveremos para contar, quaisquer que sejam as circunstâncias!
PS.: Caro engravatado do Supremo, mamãe realmente faz uma das melhores comidas que já provei (a opinião de quem já filou o almoço daqui de casa endossa tal parecer), mas um diploma do SENAC, de comida mexicana ou algo do tipo, faz falta às vezes, sabia? Olha lá o que o senhor está ajudando a produzir! Depois não reclame de jornalismo arroz-com-feijão nesse país, viu?
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