sábado, 21 de fevereiro de 2009

Com a palavra, dona Camille!...

Entrevista Camille Paglia
Ode à loucura apaixonada

A intelectual americana da cultura pop diz que o cenário
atual é desanimador, a não ser por um único e espetacular
fenômeno: a cantora baiana Daniela Mercury


Juliana Linhares

Misa Martin

"Madonna está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que parecem garras"

Sempre colocada nas listas dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea e das maiores vocações para provocar encrencas, a crítica americana Camille Paglia, 61, durante anos teve como ícone máximo a cantora Madonna, de quem exaltou a ousadia e a criatividade em dezenas de artigos. Aí, desencantou-se – hoje a considera "patética". O posto de musa inspiradora, porém, não ficou vago: Camille elegeu para ocupá-lo a cantora baiana Daniela Mercury, que conheceu através de DVDs que a atingiram "como um raio". Autora de cinco livros, entre eles Personas Sexuais, uma obra popularizada pelas conexões entre arte clássica e cultura pop, Camille tirou alguns dias de folga na Universidade das Artes, na Filadélfia, onde dá aula de ciências humanas e mídia, para passar o Carnaval em Salvador e, enfim, conhecer Daniela. Antes de cair na folia pagã, falou a VEJA.

Quando a senhora esteve na Bahia, no ano passado, ganhou um pacote de DVDs de Daniela Mercury e, desde então, tem escrito entusiasmados artigos sobre ela. O que a impressionou tanto?
A sensação que tive quando vi os DVDs foi de ter sido atingida por um raio. Comecei a pesquisar freneticamente sobre ela, inclusive em vídeos no YouTube. Vi que, no começo, quando apareceu, se assemelhava a uma corsa. Hoje, é uma tigresa. Ao vê-la cantando, eu me dei conta de como andei entediada com a música americana na última década. Foi justamente a época em que Madonna perdeu a pegada. Já escrevi sobre isso, mas faço questão de repetir: fiquei chocada com aquela loucura apaixonada acontecendo ao ar livre no Brasil, enquanto nós, fãs da música americana, ficávamos presos como ovelhas anestesiadas no curral comercial de shows de estádio, caros e cheios. Sem falar nas nossas canções, que são enlatadas e só se seguram por truques de computador. A Daniela surge como uma grande explosão. Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop, mas possui outra dimensão incrível que Ma-donna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia. É bem verdade que a cultura dos imigrantes italianos, da qual Madonna surgiu, se desintegrou com o passar do tempo. Eu também sou produto dessa cultura e lamento que tenha sobrado tão pouco, fora as citações vulgares em Família Soprano.

Durante décadas, a senhora escreveu artigos elogiando Madonna, a quem considerava "a verdadeira feminista". Depois, mudou de opinião. O que aconteceu?
Ela está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas. Para Madonna, consultar a cabala é como ir ao terapeuta. Não é uma crença religiosa, é um modo de lidar com seus problemas psicológicos. E não é coincidência que a criatividade dela tenha decaído. Além disso, ela está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que lembram garras. Não me parece uma sexualidade realmente autêntica, é muito conceito, muito planejamento mental. Ela deveria meditar sobre sua grande influência, Marlene Dietrich, com quem viveu algo muito triste. Madonna quis fazer um filme sobre Marlene, que ainda estava viva, reclusa em Paris. Marlene não quis. Não permitiu que ela a interpretasse, por considerá-la muito vulgar. Madonna se casou com um homem dez anos mais novo e começou a lutar para parecer uma menininha. Quanto tempo vai continuar com isso?

"Angelina Jolie está no topo da sua performance. Ela deveria gastar tempo estudando arte em vez de tentar provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: ‘Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa’"

A separação dela ajudou ou atrapalhou?
Eu achava Guy Ritchie um cara decente e continuo achando. Depois da separação, todo mundo esperava que ele voltasse a desfilar com loiras pernudas, o tipo de mulher com quem saía antes de se casar. Até agora, não apareceu nenhuma foto de Ritchie com outra mulher. Já Madonna quer dar o troco e mostrar que continua desejada, mas só parece desesperada ao sair com homens como Alex Rodriguez (jogador de beisebol) e agora o modelo brasileiro. Ele é muito bonito, diria magnífico, mas o caso é patético. Acho bom que mulheres mais velhas tenham namorados mais jovens. Mas tem de existir química, um entendimento na relação entre os dois. No caso de Madonna, o rapaz parece um gigolô e faz com que ela fique ridícula.

E Angelina Jolie? Com a mistura de imagem sensual, filhos em série e trabalho voluntário, a senhora acha que ela atingiu o ponto de equilíbrio entre mulher fatal e santa, ou é simplesmente esquisita?
Eu fico triste com o que está acontecendo com Angelina Jolie. Ela é uma atriz maravilhosa. Fiquei muito impressionada com sua atuação em um filme inspirado na história da modelo Gia Carangi. O problema com Angelina é que, ao atingir o ápice do estrelato, as pressões ficaram muito fortes e ela passou a fazer um jogo de esconde-esconde esquisito. Normalmente, eu desaprovo atores que se passam por militantes políticos. Tudo bem aparecer ocasionalmente em um evento beneficente, mas eles não devem partir para cruzadas. Uma exceção é o Bono Vox. Acho interessante ver que, conforme vai envelhecendo, dedica sua energia às questões políticas. Mas Angelina ainda está no topo da sua performance. Ela deveria gastar o tempo estudando arte em vez de ficar tentando provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: "Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa".

Quem é, atualmente, a mulher famosa que encarna o poder da feminilidade sem cair nos excessos de futilidade?
Gosto muito de Kate Winslet. Ela estava maravilhosa em Titanic. Passados doze anos e tantas pressões, olho para ela e vejo alguém que formou uma família e ao mesmo tempo é extremamente produtiva como artista. Após Titanic, que foi um tremendo sucesso comercial, ela não começou a agir como as atrizes de Hollywood, que só topam atuar em produções suntuosas. Em vez disso, fez filmes de baixo orçamento, pequenos, obscuros. Ela tem a postura das atrizes inglesas, que é considerar a arte mais importante do que virar celebridade.

Mas Kate Winslet não está no mesmo nível de popularidade que Madonna ou Angelina. Existe alguém com o apelo delas que tenha feito bons trabalhos, sem derrapar no comportamento pessoal?
Infelizmente, estamos em um período de declínio das grandes estrelas. Eu acho que a última estrela de grande dimensão, vinda de Hollywood, foi Sharon Stone, com o estonteante Instinto Selvagem. Eu pensava que Angelina fosse ocupar esse papel. Mas ela não quis, então acabou. Nem me lembro da última vez que fui ao cinema. Em vez disso, estou aqui me deleitando com um DVD de Louise Brooks, num filme de 1929.

Como estudiosa de história antiga, a senhora acha que o presidente Barack Obama poderia ser equiparado a Adriano, que saiu da periferia do Império Romano e o revigorou, ou Constantino, o imperador convertido, que selou o começo do fim?
Não sei. O governo dele começou há muito pouco tempo. Barack Obama pode ser um presidente bem-sucedido, ou pode virar prisioneiro de um Senado à romana. Além disso, muitos imperadores romanos foram vítimas da colaboração entre a aristocracia e os militares. Veremos se Obama vai ter a habilidade de controlar o aparato governamental de maneira a impor sua vontade diante um Congresso muito independente.

O império americano está em declínio?
É difícil responder a essa pergunta, porque não tenho certeza se o chamaria de império. Os romanos impuseram a sua civilização, bem como os ingleses, no auge do império britânico. O que os caracteriza como império é o controle político e comercial de boa parte do mundo. Eu diria que os Estados Unidos, desde a sua ascensão ao topo do mundo após a I Guerra Mundial, exerceram principalmente um imperialismo cultural, através da exportação dos filmes de Hollywood e de marcas como Coca-Cola e McDonald’s. Quanto ao uso do poderio militar americano no exterior, o que ocorreu no Vietnã e no Iraque foi uma tentativa equivocada de fazer o que se achava correto, em resposta ao que pareciam ser grandes ameaças. Em nenhum dos dois casos existia a ideia prévia de que iríamos nos tornar ocupantes permanentes. Ambas as situações também propiciaram um significativo aumento do poder presidencial. O Poder Executivo usa o Exército sem consultar os demais poderes e sem que o Congresso aprove uma declaração oficial de guerra.

"A feminilidade americana hoje é louca, é ‘superconceituada’. Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays"

É possível o país estar economicamente fraco e militarmente forte?
Sim. Mas a questão não é tão simples. Os americanos que se opuseram à invasão do Iraque ficaram enfurecidos porque bilhões de dólares arrecadados via impostos foram jogados fora. Houve um desperdício obsceno do nosso dinheiro. Ele deveria ter ido para a área social, para o sistema de saúde, para infraestrutura, em nosso próprio país. O governo Bush foi muito esbanjador. Bush gastou em excesso, e a eficiência dos principais organismos governamentais parece ter piorado. Foi inesperado, porque republicanos em geral têm responsabilidade fiscal, enquanto os democratas são os imprudentes, propensos a gastar em excesso na área social. Bush deixou o Partido Republicano em ruínas. Sou uma grande ouvinte de programas de rádio (nos EUA, ultraconservadores) e notei que há anos começaram a criticar o governo Bush.

Onde estão, à esquerda e à direita, as grandes ideias para enfrentar a crise econômica, fora os sucessivos planos de estímulo?
Há um enorme caos acontecendo em Washington, com a aprovação de gastos que não temos dinheiro para bancar. Mas, na minha opinião, está havendo, sim, um embate feroz de ideias. Os republicanos desaprovam o pacote de estímulo de Barack Obama porque acreditam que o governo não deve espalhar tanto dinheiro e que a melhor maneira de acelerar a economia é reduzindo impostos e aumentando o poder de compra dos cidadãos. Os democratas sustentam que devemos auxiliar quem está com problemas agora e que o governo deve exercer controles maiores, de maneira mais parecida com o modelo europeu.

Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo "Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue". Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?

As mulheres perdem com isso?
Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é "superconceituada". Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Crazy little thing called MÃE


E eis que após algumas decepções, essa semana tive algumas boas surpresas com gente que já sabia ser da melhor qualidade, mas não imaginava que tanto assim. :)
Minha mãe também me surpreendeu por esses dias. Mais uma vez, sua sabedoria instintiva me deixou boquiaberta.
Falarei dela, a seguir, mas na verdade falarei de todas as mães. Eita classe danada, sô! Acho que junto com a barriga, as mulheres [infelizmente não todas] ganham também alguns poderes mágicos. Só isso explica.
A minha mãe é uma figura. Por vezes, ela também é irritante. Mas apesar disso, nos damos muito bem. Ela não é uma mulher muito inteligente, mas é altamente instintiva. É uma boa mãe que "age certo por métodos tortos". Sobram-lhe generosidade, capacidade de proteção e intuição para conduzir as filhas. Uma vez, minha irmã, em sua fase de aprontar na adolescência, entrou bufando na cozinha, exclamando: "Minha mãe é a única pessoa a quem nunca consigo enganar!". hehe...
Pena [pra gente] que as previsões de dona Jô nunca parecem muito lógicas aos olhos da sua própria cria. Mas o fato é que são incrivelmente certeiras. Talvez porque soam a maluquice de uma cabeça neurótica de dona-de-casa, a gente nunca ouve os conselhos da mamma. Pra azar nosso. Ô!... Ela sempre diz, com um ar cansado de quem insiste em nos avisar mais por desencargo de consciência que por esperança de que possa impedir o pior: "As vidas de vocês seriam muito melhores se me ouvissem mais". Eu mesma acabei de escrever que seus conselhos são certeiros, mas vou ignorar o próximo que ela me der, achando que é invenção da cabecinha dela, coisa de quem vê muita novela e lê Danielle Steel. [risos] E vou me ferrar novamente por não ter seguido a indicação materna [e vou me arrepender novamente de não tê-la escutado...]. E la nave vá!...

NOTA: ontem, pensando sobre isso, sobre o porquê de nunca ouvirmos os conselhos que nos dão, Medrado, via rádio, me respondeu. Ele começou a falar sobre conselhos e disse que a seu ver, ninguém ouve ninguém; que quando alguém pede um, espera que a outra pessoa lhe diga algo que confirme a sua opinião.
Incrível como isso sempre acontece comigo: estou pensando cá com os meus botões sobre um assunto e, de repente, alguém completamente estranho começa a falar sobre a minha questão, como se soubesse o que estou pensando. Bizarro. [risos]

Ok, todas as mães são mais ou menos assim, "bruxas". Mais OU menos - eis o diferencial. Minha mãe me impressiona por ser mais, bem acima da média. Acho que já comentei por aqui, mas várias vezes já fiquei passada ao ver como aquilo que ela dizia, e eu julgava ser um absurdo, tinha mesmo fundamento. Poucas vezes a vi errando nas impressões à primeira vista que tem das pessoas. Dá até medo.
Acho que deve ser uma questão de fé e religiosidade. Alguém que entende do riscado já me disse que ela é uma pessoa muito protegida espiritualmente. Tudo de minha mãe é oração. É um tal de "vamos entregar nas mãos de Deus". Até tiro sarro da cara dela, dizendo que o "andar de cima" não é a Bolsa de Valores e que portanto ela não precisa ficar tanto assim no pé do Altíssimo para conseguir as coisas. Mas tenho mudado de opinião: quem não chora pra Ele, não mama aqui nessa terra! hehe...
As mães são realmente poderosas! A conexão espiritual que conseguem estabelecer com as suas crias é coisa digna de estudo científico. Quando tiver os meus filhos, quero fazer algumas coisas diferentes do que minha mãe fez comigo, mas gostaria muitíssimo de ter o mesmo dom de proteger e antever meus filhos que a minha velha tem. Até porque os anos 20 do século 21 não serão tão pacatos como os anos 80/90 do século passado, né. Só contando mesmo com um terceiro olho para se dar bem nessa história!...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"As telenovelas moldaram o Brasil"

Revista Época

Alberto Chong

Economista do BID afirma que a novela ajudou o país a aceitar o divórcio e a criar famílias menores

Martha Mendonça

Qual é o verdadeiro impacto das telenovelas nos lares brasileiros? Segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as tramas exibidas na TV nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. As pesquisas, coordenadas pelo economista Alberto Chong, analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela TV Globo entre 1965 e 1999 nos horários das 19 horas e das 20 horas. Nessa amostragem, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros - o que suavizou o tabu do adultério. Para Chong, a telenovela é um excelente canal de difusão de programas sociais, como prevenção à aids e direitos das minorias. Ele deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

QUEM É
Economista nascido em Lima, no Peru. Tem 45 anos e mora em Washington, nos Estados Unidos

O QUE FEZ
Desde 2000, trabalha como pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

O QUE PUBLICOU
As pesquisas Novelas e fertilidade: evidências do Brasil, com Suzanne Duryea, do BID; e Televisão e divórcio: evidências de novelas brasileiras, em parceria com Eliana Ferrara, economista da Bocconi University

ÉPOCA - De que forma as telenovelas influenciaram a sociedade brasileira?
Alberto Chong - Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores. Há, de forma recorrente, a crítica à religião, ao machismo e ao consumo de luxo e a ideia de que a riqueza e o poder não trazem felicidade. A família está no centro dessas transformações. As novelas são um instrumento muito poderoso na formação de um modelo bastante específico de família: branca, saudável, urbana, bonita, consumista - e pequena.

ÉPOCA - Vem daí a explicação para a influência das novelas na queda da taxa de fertilidade?
Chong - Sim. A família pequena é uma imposição da produção, que tem limitações de elenco. Para que a história aconteça, são necessários pelo menos cinco ou seis núcleos. Então nenhum pode ser grande demais. Por um tempo essa família tão reduzida era irreal. Com o tempo, porém, a repetida exposição desse perfil influenciou fortemente na preferência por menos filhos e pelo custo financeiro mais baixo dessa escolha. Ao longo dos anos, essa queda na taxa de fertilidade foi caindo mais em áreas alcançadas pela televisão do que em áreas que não recebiam o sinal.

ÉPOCA - As mulheres são o público principal das novelas. Elas são mais influenciáveis por esse tipo de conteúdo?
Chong - Uma das ideias mais disseminadas pelas novelas, em todos os tempos, é, certamente, a emancipação feminina, junto com a entrada da mulher no mercado de trabalho. A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama - mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias.

ÉPOCA - No Brasil, de acordo com o IBGE, vem das mulheres a maior parte dos pedidos de divórcio. Quanto as novelas contribuem para isso?
Chong - Estudar o Brasil sob esse ponto de vista é interessante, porque os casos de divórcio aumentaram dramaticamente nas últimas três décadas. Estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984 para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano. Nosso estudo avança na hipótese de que os valores da televisão, mais precisamente das novelas, contribuíram de fato para esse aumento, principalmente a partir do momento em que no Brasil há um alcance desse tipo de programa como em nenhum outro país. A novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas. Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual. A mudança é positiva. A simples possibilidade do divórcio dá às mulheres a chance de igualdade de gênero no casamento e na distribuição do trabalho, dentro e fora de casa. Também diminui a violência doméstica, os homicídios e suicídios.

ÉPOCA - Há algum período da história das novelas no Brasil em que essa influência no comportamento tenha sido mais ou menos forte?
Chong - Acredito que as novelas tenham tido um impacto mais poderoso quando começaram a ser veiculadas em massa. O que corresponde aos anos 70, principalmente, muito mais que nos anos 90 ou nos dias de hoje. O público, aos poucos, vai se acostumando aos temas e à forma como a trama acontece. A audiência naquele tempo também era muito maior, refletindo-se na influência. Mas é fato que existe um efeito cumulativo e é sobre ele que focamos nossos estudos.

ÉPOCA - A padronização dos valores, de comportamentos e ideais que a televisão introduz é negativa?
Chong - É uma questão de perspectiva. As novelas, em especial da TV Globo, impõem um estilo de vida moderno e urbano que diminuiu as taxas de fertilidade e aumentou as de divórcio. Isso pode ser visto de forma positiva por um grupo e de forma negativa por outro.

ÉPOCA - O brasileiro é o povo mais influenciado por novelas na América Latina?
Chong - Não há evidências concretas em relação a isso, visto que não temos um estudo do impacto das novelas latinas como temos do caso brasileiro. Acredito que no México haja também certa influência, assim como em argentinos, peruanos ou venezuelanos. Mas é indiscutível que no Brasil haja um fenômeno bastante particular não só nos valores e personagens que as telenovelas nacionais retratam, mas também na maneira com que elas são feitas - o ritmo, o tipo de diálogo, tudo é muito marcante e característico. A esse respeito, eu não ficaria surpreso se o impacto das novelas no Brasil fosse mais forte que em outros países.

ÉPOCA - Há como comparar a influência da novela no Brasil com a do cinema na sociedade americana?
Chong - Existem indicações claras de que os filmes americanos têm enorme impacto naquela sociedade. A questão da violência, por exemplo, é alvo de muitos estudos recentes. Mas acredito que essa influência tenha características próprias, e não há como fazer uma comparação com as novelas no Brasil.

ÉPOCA - Pode-se dizer que, no Brasil, a novela é o melhor canal para a difusão de ideias sociais?
Chong - Sim, acredito que seja o mais eficaz. Por isso esses estudos são tão importantes para os países em desenvolvimento. Nas sociedades em que a alfabetização é relativamente baixa e a leitura dos jornais é limitada, a televisão desempenha um papel crucial na circulação das ideias. A televisão tem influência enorme em países como o Brasil, onde ainda há forte tradição oral. Nosso trabalho sugere que os programas orientados para a cultura da população local têm o potencial de atingir uma grande quantidade de pessoas com muito baixo custo e, portanto, poderiam ser usados por políticos para transmitir mensagens sociais e econômicas importantes - sobre aids, educação, direitos das minorias etc. Estudos recentes feitos por psicólogos sociais realçam o papel dos meios de comunicação, rádio e telenovelas em particular, como uma ferramenta para a prevenção de conflitos. A nossa investigação sugere que esse instrumento funciona na formação das mais variadas políticas de desenvolvimento e deve ser aproveitado.

Oração de Santo Expedito


Para quem está com um problema de difícil solução, essa é uma boa oração. Ensinaram-me assim: você reza para Santo Expedito, depois segue a oração com um Pai Nosso e uma Ave Maria, e isso por treze dias. Se não funcionar, dê uma pequenina pausa e continue por mais 13 dias.
Bem, segue o texto da oração a Santo Expedito:

"Meu Santo Expedito das Causas Justas e Urgentes, socorrei-me nesta hora de aflição e desespero. Intercedei por mim junto ao Nosso Senhor Jesus Cristo! Vós que sois um santo guerreiro, vós que sois um santo dos desesperados, vós que sois o santo das causas urgentes, protegei-me, ajudai-me, dai-me força, coragem e serenidade. Atendei ao meu pedido: [faça seu pedido]. Ajudai-me a superar essas horas difíceis, protegei-me de todos que possam me prejudicar, protegei a minha família, atendei ao meu pedido com urgência. Devolvei-me a paz e a tranqüilidade. Serei grato pelo resto da minha vida e levarei seu nome a todos que têm fé. Muito obrigado meu Santo Expedito!"

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Obrigado por insistir

Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer. Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem? Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência? Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!
“Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.”
“Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.”
“Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.”
“Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.”
“Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava. Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?”
“Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.”
“Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.”
Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo.

Martha Medeiros

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Clube dos Corações Partidos

"Os afetos são como os impérios. Desaparecendo a ideia sobre o qual estão construídos, também eles desaparecem."
(Milan Kundera)

"O coração é uma coisa frágil. É por isso que somos tão vigorosos em protegê-lo, que o abrimos tão raramente, e é por isso que significa tanto quando o fazemos. Alguns corações são mais frágeis que outros. Mais puros, de algum modo. São como cristais num mundo de vidro; até mesmo o modo como eles se estilhaçam é bonito".
(De algum programa da tv a cabo)


Estava eu lendo o blog de uma garota. Seu último post falava sobre decepção. Dizia assim: "É ruim pra caramba se decepcionar com alguém que a gente gosta. Mas decepções decorrem do fato de esperarmos algo de alguém. Não precisa ser muito; o básico já é suficiente. Esperar consideração, atenção, carinho??! Cuidado! Alta probabilidade de quebrar a cara! É melhor esperar atos nobres de si mesmo, esqueça o outro...". Mais uma [decepção], mais uma [criatura decepcionada]. Ela termina seu momento "Muro das Lamentações" assim: "... receba o que de bom oferecer como uma surpresa positiva e não como uma atitude coerente com a situação de vocês. É o conselho que me dou nesse momento".
Os decepcionados [principalmente "as" decepcionadas] são figurinhas fáceis no nosso dia-a-dia. Nesse clube, aliás, eu tenho carteirinha VIP. Um dia, sem exagero algum, ainda morro disso [ou mato alguém por isso]. Brincadeiras à parte, um dia, isso sim, fico esperta e ainda me livro disso!... Eis um estresse da vida para o qual não tenho mais tolerância. De verdade. Não tenho mais coração para repetir a dose [faria qualquer coisa para impedir isso, se fosse possível]. A essa altura do campeonato, desenvolvi verdadeiro trauma, tenho pavor a esse tipo de situação. Um tiro no pé me doeria menos. Mais uma vez, e eu não me afeiçôo a mais ninguém nessa vida. Juro.
Ver tanta gente de coração partido por expectativas quebradas com namorados, sócios, amigos, parentes, etc, me gera uma dúvida instantânea: quem sobrou para partir o coração de tanta gente assim?! Há uma galeeera no mundo padecendo do mesmo mal!
Sei lá, tem quem chora demais, mas há quem possua uma capacidade acima da média de desiludir os outros. E o pior: a gente quase nunca desconfia que eles sejam assim. Aliás, desconfiar até desconfia, mas prefere acreditar que o que há de melhor ali está guardado para poucos e selecionados. Esse é o problema. "A vida não é um filme, você não entendeu...". "Parece mas não é", pessoalmente falando, está fora do meu vocabulário de agora em diante; é um conceito que está, para mim, limitado àquela propaganda do DENOREX, popular na minha infância. Vou parar de supor, de esperar, e me prenderei apenas ao que vejo.
Rilke tinha toda e absoluta razão: "A alma humana é uma floresta escura". Ô!... Então dá licença que vou ali comprar uma lanterna e uma bússola pra mim, por segurança.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana

"Tudo tem que ser bem de leve para eu não me assustar e não assustar os que amo. Pedem-me pouco, pedem-me quase nada. O terrível é que eu tenho muito para dar e tenho que engolir esse muito e ainda por cima dizer com delicadeza: obrigada por receberem de mim um pouquinho de mim."

Assim falou Clarice Lispector!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Brasil: o inferno [do consumidor] é aqui!

Sábado passado fiz minha "boa ação" da semana levando a "véia Quaker" para dar um passeio no Shopping Barra. Claro, fomos para o circuito preferido da minha "caríssima mamma": as lojas de departamento. Eu poderia falar mal da escolha pop[ular] da minha genitora, mas seria hipocrisia da minha parte, já que o "quarteto fantástico" [C&A, Marisa, Riachuelo, Americanas e, eventualmente, a Renner] faz parte do meu circuito de compras há tempos. Apenas, ao contrário de minha mãe, vou para coisas mais, digamos, objetivas e não sinto nenhum prazer em ficar vendo artigos de cama, mesa & banho. Aliás, vi uma coisa bizarrinha nesse dia: uma família inteira se deliciando com almofadas e cortinas, como quem admira a Monalisa no Louvre. Eu, hein!...
Aproveitei a caridade filial para procurar artigos específicos que andam fazendo falta no meu guarda-roupa. À certa altura, passeando entre as araras [e me esbarrando com várias mulheres à procura como eu], questionei minha presença [e o meu desgaste] nesse tipo de loja popular. Se a gente pensar bem, nas lojas "normais" você encontra muita coisa boa e às vezes pelo mesmo preço e sem ter de passar pela fauna de consumidores desesperados e araras entulhadas e muitas vezes decepcionantes das LDs [lojas de departamento] da vida. Sendo assim, o que a minha pessoa estava fazendo ali, na Riachuelo? Why, my Lord?! What´s the meaning of life, anyway?
Enquanto dona Jô farejava pechinchas pela loja, eu refletia sobre o assunto cá com os meus botões. Acho que cheguei a boas conclusões sobre o tema e sobre as razões que me levam a ser esse tipo de consumidora, além, claro, das minhas inegáveis tendências sadomasoquistas e do fato delas estarem nos quatro cantos da cidade, o que aumenta a tentação. Take a look:

1) Esse tipo de loja fornece um tipo de serviço fundamental, para o qual não há preço [para as outras coisas, existe cartão de crédito]: o conforto psicológico de que nada ali custa mais do que dois dígitos. Siiiim, você pode abraçar a peça de roupa sem medo de ser feliz, ao contrário do que acontece nas lojas comuns nas quais você se afeiçoa ao produto e, em seguida, o expele porque fica sabendo [e toma susto] o preço dele! Não é porque o capitalismo se encontra numa fase agressiva que você, consumidor, não merece respeito ao seu "pudor monetário", né? Ora, ora!...
2) Você acredita em milagre? Um lugar off-igreja muito eficiente para mostrar a um ateu que Deus existe é a loja de departamento. Sim, porque estando em meio a uma tonelada de gente e diante de tanta coisa porcaria, achar o que preste é produto da intervenção divina. Uma das "revelações" que as LDs me proporcionaram se deu via Gabriela Fonseca. Eu duvidava que alguém pudesse ser fashion vestindo as coisas de lá... Isso até conhecer Gabi. Digo mais: isso até acompanhá-la em algumas compras na C&A. Fiquei pasma! Irmãos, isso existe, sim: você pode ser fashion vestindo roupa barata! "Meninos, eu vi!".
Naquele sábado mesmo, achei uma blusa de bolinhas da hora. A numeração era pequena e fiquei em dúvida se caberia, se deveria levá-la. Minha mãe foi curta e grossa: "Pega! Pega logo, que achar coisa bonita por aqui é raro e peça assim some rápido!". Obedeci o conselho materno [e me dei bem, que a blusa ficou massa, além de ter custado baratíssimo].
3) Escolher o que quer que seja nas LDs requer apurado bom senso, boa visão e muita perseverança. Não é tarefa para principiantes e espíritos fracos. Não mesmo! Quantas vezes, nas araras dessas lojas, você não se depara com uma boa idéia mal-executada [roupa com um pano fuleiro ou com uma costura mal-acabada, por exemplo]? Que atire a primeira pedra quem nunca largou uma peça com o coração partido por ela ter defeito ou ser de material peba!
4) Comprar nas LDs é um grande exercício de paciência, humildade e de auto-afirmação. A experiência é densa, profunda, e vai da escolha do que comprar à fila quilométrica. Esses famosos chiliquentos mudariam de vida se passassem um mês freqüentando a C&A. Sandálias da Humildade pra Dieckmann e pro Clodovil?! Mandem-nos procurar o que calçar numa LD. Ou infartariam de vez ou ficariam mansinhos da Silva. Éééé!... Olha como o esquema é de selva: Acreditam que uma mulher, na fila, quis passar a perna na minha mãe quando viu a blusa de bolinhas?! Ela queria trocá-la por outra do mesmo modelo mas roxa. Eu cheguei a tempo e fui enfática com a pessoa: é MINHA! Troco, não! "Perdeu, playboy!". hehe

Enfim, além de artigos pessoais para consumo, as lojas de departamento nos ofertam algo que não sai na conta: cenas da "vida como ela é".

***

Falando sério, não creio que existam coisas muito piores no planeta Terra do que ser consumidor no Brasil. Impossível! No máximo, uma meia dúzia de coisas como os dentes dos ingleses, as guerras na África e os presidentes americanos com filhos [depois de Bush Jr., entendi a supertição americana com presidentes pais de meninas e também porque nos filmes de Hollywood só se fala nas primeiras-filhas e nunca nos primeiros-filhos. É que os filhos dos presidentes podem crescer um dia, se eleger às custas do nome do pai e fazer um monte de besteiras dentro e fora do país, por mais ou menos oito anos, deixando uma crise mundial como legado. Chego a pensar que Deus escreveu certo por linhas tortas quando explodiu o avião de John-John... Pô, mas ele era supergato!... Dá-lhe Obama e Michelle, que de macho, para Casa Branca, só levaram mesmo o cachorro!].
Se a empresa for de telefonia, boa morte pra você, meu chapa! Problema com empresa desse tipo é que nem dengue: uma hora você também pega, nem se preocupe em evitar!... Essa que vos escreve foi mais uma que passou raiva com a TeleMÁ, recentemente. Aliás, eu pensava que precisava, mas não preciso de eletrocardiograma: vi, na prática, que meu cuore tá fortinho!
Vou contar como acabei dando um "tchau" à "Oi". Há seis meses, me ofereceram um plano que parecia ser muito vantajoso. Sou desconfiada com essas coisas, mas minha mãe e a empresa me pilharam tanto que cedi. Na hora de assinar o contrato, perguntei mil vezes ao vendedor se poderia voltar, sem cobranças, para o antigo plano, a hora que quisesse. Ele jurou as mil vezes que sim, que não haveria problema. Essa hora chegou e eu me deparei com a seguinte chantagem: ou pagava R$300 de multa ou teria que ficar até junho de 2009. Detalhe: se na época do vencimento você não chiar, eles renovam automaticamente. Isso consta na parte traseira da página 3 do contrato, em letras pequeninas. São bandidos da pior espécie! Fiquei injuriada e reclamei pra atendente. Do que adianta manter o cliente contrariado?! Pra quê mentir?! Você ganha o dinheiro e perde a credibilidade da marca. Burrice. Só podia ser coisa de espanha mesmo!... Há algumas semanas, derrubaram a tal multa. Corri para "voltar às origens". Ofereceram-me mundos e fundos, mas o trauma não permitiu que caísse em tentação. Estou com um pé na GVT. E aí, o crime compensa? Acho que não. Não a longo prazo.
Da próxima vez, só assino depois do vendedor falar com a minha câmera! Só assim para consumir seguramente no Brasil! Só assim!...

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Quando o erro atinge seu bolso e a sua dignidade de consumidor, menos mal. Pior é quando te produz danos palpáveis e na saúde. Vi hoje, na Globo, o caso de uma cirurgia plástica feita por um pediatra.
Amigos, cuidado com os profissionais de saúde! O código de ética deles permite que exerçam atividades na área sem que tenham especialização para tanto, contanto que se responsabilizem por quaisquer erros ["hahaha"! Piada de muito mau gosto, né!... Eis uma raça que sabe se proteger de processos!].
Eu já passei por isso e senti na pele a humilhação de ser passada para trás assim, na cara dura, por um picareta.
Minha irmã e eu fizemos tratamento ortodôntico com uma "ortodontista" famosa em Brotas, entre 93 e 2000. Os anos se passaram e nada do dente ficar no ponto [até hoje eles precisam de aparelho, mas tenho um trauma tão grande desse treco, que nem se as vacas da Índia cantarem em coro o hino do Brasil, ponho aquele trombolho novamente!]. A picareta ainda nos dava bronca por não "usarmos corretamente". Lógico que há pelo menos cinco anos já vinha fazendo muito barulho junto aos meus pais; direto reclamava da falta de qualidade da "doutora" em questão. Era uma briga me fazer pular da cama, um sábado por mês, para ir lá. Meu pai sempre voltava do consultório puto da vida comigo. Mas era aquela coisa: todo mundo botava e tirava o aparelho e a gente lá, com aquilo apodrecendo na boca. Tinha mesmo que estar bronqueada [admito que fico insuportável quando perco o respeito por alguém]. Quem merece ter "boca de lata" em plena adolescência?! Ela botou cada coisa na gente que dava dó, e eu via o olhar de pena dos colegas da escola. Só nunca coloquei aquele externo. Aquilo neeem a pau, e havia dito isso a ela! Mas na parte interna, a criatura fazia miséria. Minha boca vivia cortada, machucada.
Meu pai nunca leva a sério as reclamações dos filhos. Acho que é por isso que até hoje me incomoda muito falar algo seriamente sem que respeitem a minha fala, ainda mais se for alguém próximo. Meu pai argumentava que se ela se dizia profissional, uma hora teria que dar um jeito - e um fim - no tratamento. Até que no ano novo do milênio, dei um superchilique - estágio de revolta no qual odeio chegar! - sobre isso na praia, e minha mãe resolveu ceder à minha pressão. Fomos numa especialista indicada por uma amiga. Fizemos todos os exames e a mulher ficou horrorizada com o que a colega havia feito com os dentes da gente. Minha irmã, inclusive, nunca foi caso ortodôntico, mas de cirurgia ortogonal [a coitada tem o maior complexo de ter saído de aparelho fixo nas fotos da formatura. Ela nem olha o álbum, de raiva]. Meu chilique veio como uma salvação para ela, aos 44´do 2º tempo. Ela por pouco não perdeu o direito de fazê-la pelo plano; o cirurgião teve que correr contra o tempo, senão seriam mais de R$ 7 mil só em pinos que precisam ser postos na boca [era uma grana preta, naquela época: um Ford Ka custava um pouco mais, R$ 10 mil].
Entramos na justiça contra essa barbeira e esperamos um resultado até hoje. Ainda vou fazer a festa às custas da desonestidade dessa fulana! Ô, se vou!... Para vocês verem como são as coisas, descobri, levantando a ficha da dita cuja no Conselho, que ela era apenas graduada, sem qualquer especialização, e mais, que ela poderia sim ser ortodontista sem o título.
O "melhor" do caso ficou por conta da colega que atestou a incompetência da picareta de Brotas: após nos ter dito que não poderia dizer o que pensava na justiça por uma questão de ética profissional, ela recebeu uma graninha da acusada e foi depor a favor dela no processo. É mole?! Essa pessoa não conseguia olhar pra gente no dia da audiência no fórum, de tanta vergonha. A minha amiga da época do colégio, que havia nos indicado ela e que foi também a nossa testemunha no processo, ficou revoltada e largou o tratamento, apesar de adorar o trabalho da orto e de simpatizar com ela. Mas olha a lei do retorno, aí, em ação: essa doutora que ajudou a outra hoje não pode mais exercer a profissão por causa de uma lesão no braço. Não que deseje isso a ela [deve ser péssimo ter LER] e verdade seja dita, trata-se de uma ótima profissional, portanto é uma pena que ainda tão jovem não possa mais trabalhar, mas é como se diz no Espiritismo: a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!
NÃO CONFIEM CEGAMENTE NESSA GENTE SÓ PORQUE FAZEM CARA DE SÉRIOS E VESTEM JALECO!!! PROTEJAM-SE! PESQUISEM AS QUALIFICAÇÕES DESSES CIDADÃOS!!! Visita ao conselho regional da profissão, Google e opiniões de outros pacientes são itens imprescindíveis na escolha, sempre!!!

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Felizmente, há competência em meio ao caos ético. A Fapex foi show de bola comigo essa semana!
Semestre passado, me matriculei no Espanhol, mas desisti. A coordenadora, Iara Lobo, me prometeu um bônus para esse semestre. Fui na secretaria, há um par de dias, armada até os dentes de provas de nossas conversas. Não precisei tirar nada, além da minha identidade, do bolso. Dona Iara havia mandado um e-mail avisando ao pessoal da matrícula sobre o meu bônus. Tava lá o meu direito garantido, seis meses depois!
Os espanhas da telefonia deveriam aprender un poquito com a galera da Extensão em Espanhol da UFBA, viu!

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Mas sabe que tipo de consumidor é o fim da picada? Artista drogado. Enchem de dinheiro o bolso do traficante e depois vão desfilar "pela paz" nas ruas do Rio. Rai, ai... Santa hipocrisia, Batman!...


quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Woman On Top



Post dedicado a meu amigo-irmão Alex, fã da mais nova musa de Paglia - Daniela Mercury - e um dos cabras menos machistas que conheço.

Esse tópico vai abordar o poder feminino. Bem, não gosto muito da expressão. Provavelmente porque não gosto da palavra "poder", ao menos no sentido usualmente empregado, que é o de alguém subjugado a outro alguém. Além da idéia ser desagradável, esse poder terceirizado é uma fábula: só existe porque o dominado crê que o seu dominador tem algo de especial. Gosto do poder quando ele significa domínio sobre si mesmo - ainda assim, com algumas restrições. Ah, isso sim é legal!
É desse tipo de poder feminino que falarei no texto a seguir.

Terminei de ler, há poucos dias, "Vamps e Vadias", de Camille Paglia [não se deixem impressionar pelo título, que o conteúdo é beeem mais light do que esse faz parecer]. Numa dessas vontades súbitas que me acometem, me aborreci com o escasso material sobre a acadêmica americana e ícone [polêmico] do feminismo, na internet, e resolvi encomendar um livro seu.
Antes de entrar no assunto propriamente, acho que valem alguns comentários sobre Paglia. Não sei se lembram disso, mas há uns 13 meses mais ou menos, postei uma entrevista, em inglês, dela para a Playboy americana, publicada em 1995. Fiquei de traduzir, mas bateu, pra variar, aqueeela preguiça [olhem nos posts de dezembro de 2007].
Na entrevista e no livro, o que se vê é uma mistura de pensadora com astro pop. Camille é rock´n´roll: seu meio de comunicação com o público é o barulho. Alguns acham que o seu "som" é original, é o máximo; outros, um lixo, um ruído. Aparando algumas arestas do seu discurso "espetaculoso", compro suas teorias.
O que mais me deixa feliz quando me deparo com gente como ela é a ousadia em sair do clichê, ainda que às vezes, no intuito de chocar, ela diga umas coisas "nada-a-ver". Mas faz parte do pacote. Ser original sem posar de excêntrico é quase uma missão impossível. Só alguém que quer ser diferente pode dizer algo diferente.
Senti-me unida a ela pelo "trauma" de ser incompreendida e "vítima" de patrulha ideológica e lulus histéricas. Adorava [e adoro] minhas coleguinhas de escola, mas uma coisa que me deixava uma arara era a "profundidade" das opiniões nos debates realizados em sala. Sei que sou um tanto veemente, digamos, quando decido defender um ponto de vista, mas certas opiniões deveriam ser proibidas, assim como os narizes-de-cera são no Jornalismo. Haja saco!... O que me incomoda não é o conteúdo da opinião, mas a falta de conteúdo de quem a reproduz, aposto!, quase sempre sem refletir um pingo sobre o que disse. Se você perguntar "Por quê?", a criatura se embanana para responder...
Lembro de um debate específico sobre o aborto. Sou contra o aborto, mas defendi abertamente minha posição pró-legalização. Por um motivo óbvio: com ou sem isso, eles vão continuar acontecendo - nem mais nem menos, creio, e os estudos confirmam a hipótese. Então, se inevitavelmente uma vida vai se perder, por que não salvar a outra [da mãe], propiciando a mulher que o faça com alguma segurança? Quem se ferra nessa são as mulheres pobres, que apelam ou para chumbinho [em casos extremos de desgosto com a gravidez] ou para Citotec. As meninas não quiseram compreender meu ponto de vista e vieram com aqueles argumentos óbvios mas que não contribuem em nada com o crescimento e esclarecimento da questão. Nessas horas, faço das palavras de WG as minhas: "Eu não preciso concordar com você, mas pelo menos me convença". Uma amiga, mãe adolescente de uma menina de 2 anos, vendo meu isolamento, ao final do debate comentou mais ou menos assim: "Ou elas são ignorantes ou são hipócritas. Só quem passou por isso sabe: o primeiro pensamento de todo mundo que engravida sem poder ter a criança é o aborto. Depois, com calma, você desiste, até porque a família te apóia e você relaxa e começa a gostar da idéia de ter o bebê". É nessas horas que a gente percebe como honestidade intelectual faz falta, viu...
Lógico, tem mulher que é cruel, ruim mesmo, que tira o feto como quem tira uma unha encravada, mas penso que para a maioria é uma experiência muito ruim, psicologicamente falando. Faz quem se encontra numa situação extrema, eu acho. Uma pessoa que aborta já está suficientemente punida pela própria consciência; não precisa de mim ou do Estado para lembrá-la do que fez. É uma situação sem comparação, mas vou forçar um paralelo com o soldado que vai para a guerra. Depois de ter visto a morte de perto e ter matado um monte de gente, vale mandá-lo para a cadeia, ou o inferno que viveu já não é suficiente?! Lógico que dentro da guerra há os sanguinários que se alistam justamente para isso. Eu não tenho a pretensão de ter minha opinião ovacionada, claro, mas é inegável que uma coisa que é única não existe, ou seja, que uma única resposta para a questão - quando não se trata de ciências naturais - é essencialmente errada, está fadada à lata de lixo.
Particularmente, tenho problemas com idealizações e, por tabela, com quem vive em cima delas. Mesmo quando eu nego a realidade, faço questão de conhecê-la e ter em mente como ela é - até para não sofrer com expectativas frustradas. Falta de Ar no mapa astral?! Falta de imaginação?! Falta de paciência para viver "no mundo da imaginação"?! Pode ser. Na verdade, apesar de ter o hábito da "vida como ela é", creio apenas que algumas idealizações são úteis e outras não.
No discurso de Camille Paglia vi o que eu julgo uma sincera vontade de detonar com certas idealizações sobre a condição feminina que de nada fortalecem as mulheres. Pelo contrário: as fragilizam, as tornam histéricas e personas não gratas na arena social, que usam a sua agressividade não para libertar a mulher, mas para coagir a mulher e o homem.
"Vamps e Vadias" foi, de certo modo, um alívio intelectual. Eu sempre me senti deslocada dentro do tema "feminismo" porque nem concordo com a visão conservadora nem com essa atual, essa pseudoemancipação. Ainda não chegamos lá. "Eu não vi nada; eu não percebi nada" [by Serafim... Adivinha para quem ele disse isso? Ganha um doce quem acertar! haha]

Camille Paglia defende, em linhas gerais, que a mulher não é a vítima indefesa do homem, como o feminismo faz crer, mas que ela é na verdade, "a dona do pedaço", que apenas está condicionada a crer, culturalmente, que não é. Sabe aquela historinha do elefantinho que ignora a sua própria força? Mais ou menos isso... Ela ressalta algo bastante óbvio, mas que curiosamente poucos vêem: homem e mulher funcionam, fisiologicamente, diferentemente, portanto o olhar que a mulher deseja que o homem tenha sobre ela nunca será o desejado porque são seres com corpos distintos. [Tem uma passagem até engraçada em que ela diz que sabe exatamente como a mente de um homem funciona porque ela é lésbica e se declara totalmente solidária a eles nas suas revoltas com a emissão de "sinais confusos" por parte da mulherada.]
A mulher está, de fato, no topo porque comanda duas das três esferas das relações interpessoais: as esferas privada e sentimental, deixando, até há pouco tempo, apenas a esfera pública para o homem dominar. Paglia argumenta que a tão desejada paridade no mercado de trabalho nunca vai acontecer porque para algumas profissões a mulher não está disposta; que enquanto elas gostam dos escritórios, os homens se arriscam mais em trabalhos perigosos ou nojentos. Também alega que a Ciência não tem muitos nomes femininos porque elas carecem da obsessão, condição que julga importante para triunfar nesse meio e que é natural no gênero masculino. Há, claro, problemas nessas duas hipóteses, que de tão óbvios nem vale a pena comentar. Só para dar uma "palhinha": E a questão dos salários para homens e mulheres que exercem a mesma função? Como fica?
Vamos à parte que, a meu ver, é a mais interessante do discurso: a cultura feminista [ou antipatriarcal] como fragilizadora da mulher. Paglia defende a tese de que o feminismo agiu contra a mulher, no passado, abafando o seu lado mãe-esposa, e que atualmente continua prejudicando as mulheres ao incentivar que vivam o papel de vítima, desviando-lhes do seu verdadeiro papel: de donas das suas próprias histórias ou melhor dizendo, de deusas pagãs, numa tradução mais "poética".
O politicamente correto e a patrulha ideológica, produtos da luta feminista [e das minorias como um todo], a seu ver, serviram, até agora, para constranger a mulher que optou por um papel mais conservador [por exemplo, aquelas que largam os empregos para cuidarem da família] e também o homem, que acuado por leis e discursos inflamados, tornou-se "menos homem".
Paglia foi, para mim, na mosca, quando disse algo tão simples quanto verdadeiro: é impossível legislar a psique humana; é inviável criar leis que cubram todas as possibilidades do comportamento humano, o que faz do discurso atual do feminismo - ávido por leis de proteção e privilegios de minoria - um esforço coletivo improdutivo. O mundo é o mundo e é preciso que a mulher saiba se posicionar diante dos perigos que ele traz e que assuma a sua responsabilidade, ou melhor, os frutos do seu poder feminino - diz C.P., em linhas gerais.
Para provar o seu ponto de vista, ela compara a absorção do discurso feminista nas classes baixas e nas classes altas americanas. Nas camadas mais baixas, onde as moças crescem menos protegidas e estão mais vulneráveis às "sombras da alma humana", o discurso de vítima não pega, simplesmente porque as moças entendem que "na selva" não há tempo para pedir socorro: é preciso saber se precaver e se defender das ameaças. No que ela classifica como o "ambiente artificialmente seguro" em que crescem as moças da classe alta, o discurso cola perfeitamente, o que ela acha perigoso, pois vem criando uma geração de jovens mulheres, nos EUA, que sabem gritar, que estão paranóicas, mas são incompetentes, assim como crianças de 12 anos, para lidarem com o mundo e, claro, com o sexo.
Católica por formação e ateísta confessa [embora seja defensora das religiões], Paglia defende uma abordagem pagã da sexualidade feminina. Tal concepção retiraria as mulheres da autovitimização e as colocaria no comando, tornando-as menos reprimidas e mais conscientes de si mesmas, do poder feminino, e, claro, mais maduras e responsáveis em seus atos.

* Muito antes dessas leituras, uma vez vi um filme americano, que se passava numa universidade, cuja visão sobre o estupro me causou estranheza. A história é assim: uma caloura vai para uma festa, e lá rola um clima com um colega de universidade. Os dois vão para o quarto e começam a transar. Lá pelo meio da penetração ela muda de idéia e pede para o cara parar, no que ele desobedece. Depois disso, ela o acusa de estupro, com o total apoio dos colegas de campus. Olha, não foi gentil o que ele fez, mas não foi estupro, não. Era o caso dela dar um gelo no cidadão, mas não acusá-lo de estupro, que implica num estigma social para o rapaz acusado. Paglia fala sobre isso e eu concordo: se você chega ao ponto de deitar na cama com um homem, deve contar com a possibilidade de que ele vai querer sexo com você. Ela consentiu na penetração e depois diz que é estupro?! Quando vi esse filme, me senti uma ogra por pensar diferente do que estava ali. Até discuti o assunto com a minha irmã mais velha, que, para o meu alívio, concordou comigo. Olha, no Brasil, o apoio a ela seria zero. Eis uma das vantagens do subdesenvolvimento: a gente cresce mais realista, mais preparado, em certas coisas, para a vida. Fora que a justiça aqui é tão lenta que a impunidade nos agride menos que essa leseira do Judiciário, a depender. hehe


As Brumas de Avalon

Há alguns anos, as opiniões de Paglia não teriam me agradado tanto. Quer dizer, não sem, num primeiro momento, me causarem algum espanto.
Alguns livros têm a hora certa, na vida, de serem lidos. Assim como "O apanhador no campo de centeio", lamentei não ter lido "Vamps e Vadias" na adolescência. Teria me poupado anos de divagações sobre certos temas. Ou não... Talvez me faltasse cabeça para absorver o conteúdo, naquela idade... Ou não. [risos]
Mas nem tudo são flores. Tenho minhas críticas a Miss Paglia. Uma delas é que a mulher que ela defende como ideal, plena, é na verdade um homem com peitos grandes. Afinal, o que é a Madonna senão um homem com vulva?!
Nesse mesmo fio de raciocínio, ela argumenta que essas mulheres sofrem na sociedade e inevitavelmente em seus relacionamentos amorosos porque são fortes e destemidas demais. Em parte, concordo. Em parte, discordo dela e concordo com a sociedade e com os parceiros dessas mulheres. Deve ser esquisito namorar um "travesti" às avessas - aliás, alguns travestis são mais femininos que muito mulherão "de nascença". Eu, particularmente, digo que a feminilidade e a masculinidade têm seu lugar e devem ser preservados [palavras de quem resistiu muito até começar a assumir sua própria feminilidade]. Mulheres devem ser fortes, mas devem ser sensíveis. Homens devem ser sensíveis, mas que não percam a masculinidade. Boa parte da atração reside na diferença e no reconhecimento dos papéis clássicos de cada gênero. Eu não quero para mim um homem que tenha mais medo de baratas do que eu, ora! rsrs
Paglia admira o que chamo de "mulheres-tanque de guerra", como Hillary Clinton, Sarah Bernhardt e a prima donna do pop, Madonna. Eu até gosto delas, as admiro bastante, mas não são meu modelo feminino. Ficaria com mulheres que seguiram o "caminho do meio", como Susan Sarandon, Eva Wilma, Isabel Allende, Patrícia Pillar, e cia.
Uma mulher inteligente não precisa estar na primeira fileira, viver em combate aberto, "ser mais que o homem". O maior trunfo feminino é justamente a sutileza. Claro, se preciso for, deve-se usar a agressividade, partir para o confronto aberto, sem culpa. Mas a sabedoria feminina chega lá sem criar conflitos, sem dividir. Nossas avós, nossas bisavós eram/são mulheres muito inteligentes. Concorda comigo, dona Ingrid? :)
Hillary [que Paglia tanto adora] e Doris Day [que detesta] são apenas lados opostos da mesma moeda. Na condição de lésbica, claro, Camille vai simpatizar com a primeira, com a tribo das dominatrixes.

Mas muito antes da feminista americana e suas idéias progressistas, li um livro que me abriu a mente para o poder feminino: "As Brumas de Avalon", de Marion Zimmer Bradley. Quem não leu, leia, que vale a pena!
Para não perder o hábito, vou fazer um parêntese antes de comentar o livro.

A saga das feiticeiras de Avalon mostrou-me novas perspectivas sobre o papel da mulher. Essa questão sempre foi meio espinhosa na minha cabeça. Fui criada numa família muito conservadora, mas vivi entre amigos progressistas. Ficava entre as "mulheres-tanque de guerra" e as "mulheres-pom pom". Não conseguia vislumbrar o tal caminho do meio, aquele que conciliaria um pouco das duas.
As mais pudicas tinham um comportamento passivo demais, masoquista. Atraíam homens dominadores, o que me desanimava bastante. As mais ousadas eram igualmente desequilibradas, e muitas vezes travavam relações sádicas com o sexo oposto, o que me desanimava igualmente [acho que por isso me interesso tanto pelos casais da ficção, onde tudo pode ser como a gente idealiza!Na vida real, os casais são muito problemáticos ou sem vida, em sua maioria]. As opções eram, na minha interpretação, se ferir ou ferir o outro. Eu pensava, cá com os meus botões, que deveria haver um modo de ser livre, espontânea, sem ferir a dignidade alheia e muito menos a minha [esse é o xis da questão!...].
Lendo a série de quatro livros de Bradley, comecei a conjecturar sobre um caminho do meio através da conciliação da natureza [paganismo, numa perspectiva meio reduzida, mas é isso] sem precisar abrir mão dos princípios básicos de convivência [civilização].
Eu quero ser livre, natural, mas não uma besta-fera. Provavelmente, um dia desses vou descobrir que o meu preciosismo me fez perder muito, muito tempo, mas enquanto esse dia não chega, continuo acreditando nas atitudes e escolhas consistentes. Pois é, acabei de dar um exemplo daquilo que disse mais atrás sobre as idealizações que valem a pena sustentar. Eis uma idealização e tanto que, ao ser posta em prática, torna-se um desafio maior que os moinhos de vento de um Dom Quixote [que idealizou - e enlouqueceu - para não morrer]: ser livre sem apelar para a barbárie. Tudo é muito lindo enquanto a coisa vai bem, mas há muito sei que o verdadeiro desafio não é cultivar a virtude mas perseverar nas convicções pessoais quando o mundo nos é desagradável. Muita gente boa [e de caráter fraco] migra para "o lado negro da força" quando se frustra feio com a vida ou com alguém. Essa parte da civilização, do respeito mútuo, me interessa cultivar, em qualquer situação da minha vida, e acho que deveria ser preservada, sim, por todos nós. Impor-se a qualquer custo é para amadores. Uma coisa é tão certa como a lua: haverá sempre um idiota para tentar tirar a nossa fé no caminho. Aplicando essa máxima à "Guerra dos Sexos", a mulher lúcida deve contar com o homem [e a mulher, também] imbecil, como "a pedra no meio do caminho" de Drummond, e ter em mente o que disse o Che: "Hay que endurecir, pero sin perder la ternura jamás".
Quem disse que a fidelidade [a si mesmo/a] é coisa fácil?!

"As Brumas de Avalon" conta o nascimento do cristianismo na Bretanha, ou melhor, narra o fim da cultura pagã na região, ou melhor, conta a história de Camelot sob a perspectiva feminina.
Ao invés de Deus, o povo do norte da Europa cultua uma Deusa. Existe o Merlin e ele é muito respeitado em Avalon, mas a senhora de lá é uma mulher.
O livro é tão ousado que até um ménage à trois rola lá pelo meio da trama, entre dois homens e uma mulher - Alosa deve estar salivando com essa informação, aposto! :P
As feiticeiras de Avalon atuam nos bastidores do reino, tramando quedas e ascensões, às vezes manipulando as pessoas enquanto essas se iludem achando que estão no comando ou, em outras situações, manipulando-as abertamente, em nome da Deusa.
Tudo vai relativamente bem até o dia em que Gwenhwyfar se casa com o Rei Arthur. Esse não é um velhote, mas um moço bonito, de sangue tanto real quanto pagão e primo de Lancelot. Falta a Gwen aquilo que sobra nas feiticeiras: atitude e autoconhecimento. Mas como é linda e vive se metendo em perigo, logo arruma quem lhe proteja [e se apaixone por ela]: Lancelot. Acontece que a futura Senhora de Avalon, Morgana, viu o bofe primeiro e fica morta de ciúmes dele com a rainha cristã. Entonces nem preciso narrar o estrago que esse triângulo causou ao futuro da Bretanha, não é? [risos]
O que pessoalmente destaco nessa fábula é a celebração ao paganismo e ao feminismo, tratando-os como movimentos aliados e concomitantes. Enquanto as mulheres serviram à natureza [e respeitaram os seus instintos femininos e a sabedoria que vem do ambiente natural] se mantiveram no comando. Quando Gwen, representante da civilização trazida pelo cristianismo - que enterrou as religiões pagãs, classificando-as como coisas do demônio - entra em cena, ela entrega essa liderança aos homens, de bandeja, movida pelas restrições e culpas provenientes da moral católica.
Camelot não desaparece, segundo Marion, porque houve um dia, no reino, uma rainha despudorada, como faz crer a versão mais conhecida. É justamente o contrário: é a covardia e a autorepressão dessa rainha que levam o reino ladeira abaixo, ao derrubar seu sustentáculo: a cultura pagã. Ao negar a Deusa, Gwen enterrou a liderança feminina, na região, para sempre... Ou pelo menos até Elizabeth.

Gwen é a mulher que Camille Paglia hostiliza: inconsciente de si mesma, indefesa diante dos perigos naturais da vida em sociedade, portanto, manipulável.


Homem, o sexo frágil

Bradley e Paglia parecem concordar que o mundo é das mulheres. Acontece é que, fora dos livros, nós mulheres sentimos o oposto disso na pele.
Uma das idéias que Paglia defende é de que a pornografia é boa e que é uma prova palpável do poder feminino. Ok, fazer o sexo oposto babar pode ser um tipo de poder e a idéia que temos sobre o sexo é basicamente cultural, mas eu creio que ainda num contexto liberal hipotético e ideal, a pornografia continuaria possivelmente agressiva para a maioria das mulheres. Não culpem os contos-de-fada! É que não rola de achar uma mulher em posição de frango assado algo massa. Camille não se ofende porque é lésbica e excêntrica, ora![risos]
Mas o feminismo com alma de feirante não encontrou eco à toa [o Nazismo está aí para provar que nada vem do nada]. Eu sei que as mulheres, a seu modo, também agridem e acuam os homens, mas eles são muito mais competentes que a gente quando o assunto é agressão. Nunca esqueço daquela fala de Julia Roberts, quando leva um soco do sócio de Edward, em "Uma linda mulher": "Nossa, vocês sabem como acertar uma garota! O que é, hein?! Eles ensinam isso para vocês na escola, é?!". No maxilar ou na reputação, tanto faz...
"Momento Confessionário": vivi isso na pele, há alguns meses. Um certo jornalista me mandou um postal de Paris com um casal se beijando na escada. Nos dizeres, esse recado: "Inspire-se na imagem e divirta-se um pouco". Um ano depois, me aventurei no safári da carne de Senhor do Bonfim: o Forró do Sfrega. Mandei ao amigo um link para as fotos do meu São João. Só porque me viu sandyamente abraçada a um moço de braços fortes, calças justas e pele morena, se indignou comigo: "Mas tá toda uma periguete, hein?!"... Meu querido, decida-se! [risos]
Ao ler o livro do dr. Flávio Gikovate, "Homem, o sexo frágil", me deparei com umas teorias bem interessantes sobre a intimidade do sexo oposto [o título me atraiu e, além do mais, não vou negar que me interesso pelo tema. Criada numa família majoritariamente de mulheres, inclusive entre duas irmãs mais velhas, careço de informações sobre a ala masculina. Fato!]. Uma das teorias dele é de que o machismo, o jeito agressivo de alguns homens se referirem às mulheres, é fruto da inveja e da raiva por não despertarem nas mulheres o mesmo desejo intenso que elas despertam neles, o que ocorre por meras razões fisiológicas.
Dentro dessa hipótese, ele apresenta duas observações que julgo interessantes. Uma delas é de que se a pílula emancipou as mulheres, a pornografia, por outro lado, deu a liberdade aos homens, que antes dela dependiam da "boa vontade feminina" para ver um pedaço de pele. A segunda é de que o cafajeste é um sujeito que atrai a mulherada não necessariamente pelo charme da sua malandragem. A esperteza do cafajeste está em sacar o mecanismo fundamental que dispara o desejo feminino: sentir-se desejada. É a falta de vergonha em demonstrar seu interesse pela mulher que o faz tão bem-sucedido, ponto no qual o tímido "empaca", acreditando que se fizer isso, vai estar sendo desrespeitoso. [Isso me fez pensar que talvez a pornografia masculina só faça sucesso entre os gays porque para as mulheres o que interessa é o nu masculino "personalizado", o desejo masculino provocado por ela. Hummm... :P]

***

Tema controverso e interessante, não? Eu acho!
A partir de toda essa conversa, dessas leituras, cheguei à seguinte conclusão sobre o dito poder feminino: poderia ter poupado minha visão, minha grana e o meu tempo se tivesse prestado mais atenção nas "Spice Girls" [a culpa é da Posh, que me assustava com aquele dente de ouro biiiiizaaaaarrooo!]!! hahaha



* É algo óbvio, mas é bom ressaltar: a exposição de idéias que se seguiu é fruto do meu entendimento dos textos dos autores. Quem pensar diferente, por favor, deixe um comentário.
** Na foto, a atriz Mae West, uma mulher que sempre soube como se manter no topo!

David Copperfield


"Amanhã é 23
São 8 dias para o fim do mês
Faz tanto tempo
Que eu não te vejo"
(Kid Abelha)


Depois de amanhã é que é 23, mas resolvi antecipar meu post de homenagem ao 28º aniversário de dr. Davi Lemos Mas Não Entendemos! hehe [piadinha velha de "Comunicação & Tecnologia", pero yo no resisti!]. Essa letra do Kid e o apelido que pus em Davi [David Copperfield] caíram como uma luva para a nossa amizade. Vê-lo é quase um truque de mágica, realmente [o que me leva a pensar que essa história de que "palavra é vida" não é crendice, não].
Para comemorar a data, elaborei um top 5 daquilo que é o nosso forte enquanto dupla: pagar micos!!!

TOP 5

5 - "Esperando Mamede"
Uma das coisas mais idiotas que fizemos juntos foi ter passado a tarde inteira, desesperados por causa do nosso site [ou melhor, por causa do possível zero nesse módulo!], tentando fazer contato, via e-mail, com Mamede até descobrirmos, já na hora de irmos embora, que ele estava na sala ao lado.
Aquele Campus do Canela é coisa do Diabo ou, uma coisa é certa, não vai nem um pouco com a nossa cara! Após dois anos sem vê-lo, sabem como fomos nos encontrar?! Na esquina da banca de frutas com a Caixa. Nos batemos de frente, no melhor estilo "comédia pastelão". Fica a crítica registrada: Davi poderia ser mais molinho, viu! Doeu!... risos

4 - Comunistas, "graças a Deus"
Fizemos dupla no trabalho final de "Cinema Brasileiro". Por uma leitura equivocada do professor, que entendeu que éramos anticomunistas, fomos parar na final da disciplina. Fizemos a tal prova, mas meio contrariados. O professor ficou com cara de paisagem, pediu desculpas pelo mal entendido, mas ainda assim não nos dispensou. Quem merece?!

3 - "O ET de Vargínia"
Quando fomos para o Intercom de Minas, um dia estávamos em frente ao hotel, andando e conversando, quando me distraio por dois segundo e, ao voltar à nossa conversa, percebo que Davi sumiu. "ET de Vargínia abduziu Davi?!". Hummm... A resposta veio horas depois: meu atrapalhado parceiro de viagem havia sido chamado para um jogo no Mineirão e picou a mula, na certeza de que avisar-me era coisa desnecessária. Ainda bem que sou cuca-fresca... hehe
Bizarro, também, foi o episódio em que uma mulher, cruzando com Davi na rua, adivinhou que ele é baiano só pelo caminhar, sem que ele desse uma palavra!

2 - Le Mosqué
Fomos Claudio, Davi e eu atrás de uma palestra de João Ubaldo, há exatos cinco anos, na Ilha de Itaparica. Chegando lá, o aviso: palestra cancelada. Normal. Aproveitamos para almoçar no único restaurante da redondeza, que pela quantidade incomum de moscas e a precariedade do atendimento, apelidamos sarcasticamente de "Le Mosqué". Um viadinho, com todo o jeito, se aproximou da gente. Ou melhor, dos moços que me acompanhavam. Altas miradas para o morador de Mont Serrat, que não deu bola, mas mesmo assim foi convidado pelo anfitrião da Ilha a ir numa das próximas festas de lá. Fiquei lá, tentando comer a gororoba e segurando a vela do casal. "How romantic".

1 - Top less
No bendito congresso em BH, Raquel, colega de Facom, e eu tivemos a honra de ver um desfile de langerie do dr. Davi, que exibiu todo o seu shape num samba-canção do Esporte Clube Bahia [eu sou tão desinformada em futebol que pensei que o símbolo do clube fosse o Super-Homem simplesmente; não associei uma coisa a outra]. Não preciso dizer que Davi virou o muso da galera gay, from UCSal, da excursão, né?! hahaha... Pois é, na volta para SalvaCity, um calor da peste na estrada e lá foi Davi, novamente, fazer "exposição da figura", para delírio da ala rainbow do busú. Lembrei do episódio no hotel e brinquei: "O engraçado é que Davi tem mais cabelo embaixo que na cabeça", me referindo, claro, à barriga. Percebi o climão entre os gays, mas pensei que fosse por causa da falta de graça da piada. Seis meses depois, fazendo algo ordinário como cortar papel, lembrei do episódio e entendi o que se passou na cabeça deles. Putz!... Ô vontade de cavar um buraco e me enterrar nele!
Mas essas são coisas típicas que acontecem quando estamos em dupla. Fazer o quê?! Depois que passa, até que fica engraçado! hehe

Feliz aniversário, Davis!!!
Principalmente, feliz vidaa!!!

***

Eu realmente gosto desse rapaz, apesar de termos muito pouco em comum. Acho que é porque Davi tem duas qualidades bem raras de se ver: é idealista e não é malicioso. Davi é especial pela sua honestidade - que Deus a conserve!




terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Frase da Semana

"Veja a frase ´O Brasil não é para principiantes´. Isso supõe que a nossa malandragem nos torna especiais e só interpretáveis por especialistas. Pelo contrário: o Brasil é para amadores e principiantes. Porque pagar e corromper é muito fácil. O difícil é construir uma coletividade em que haja leis, institucionalidade. O difícil é ser moral. Ser imoral é que é para principiantes. A malandragem é uma conduta moral de uma criança de 9 anos. O difícil é crescer. Governar pagando o cara para votar comigo é que é amador. O profissional é construir um discurso que convença, é falar com o outro"

(Contardo Calligaris, psicanalista)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Alosa & Eu


"A vida e o amor ao lado do pior amigo do mundo"
Alosa, em versão canina, fazendo cara de "Ó pra isso, Juli!"

Outro dia estava lendo uma resenha sobre o filme “Marley & Eu”. Adorei! Lembrei-me dos tempos em que tinha uma casa cheia de cães. Só quem tem ou teve um totó em casa sabe o quanto que esses pequenos seres podem se tornar especiais para a gente, para a nossa família. Eu tive uma bruta sorte com os meus bichanos.
Ah, dá um trabalho da zorra, mas ter bicho é bom demais! Eles são desordeiros, eles são interesseiros, eles são brincalhões e são sensíveis. É incrível a capacidade que o bicho tem de identificar quando o dono está precisando daquela lambida, daquela arranhadinha no pé. O bicho retribui o carinho que você lhe dá, o que nem sempre ocorre entre humanos. Camila, a daschund zero que viveu por 14 anos e meio aqui em casa, sem dúvida é a mais especial de todos. Chorei três dias seguidos quando ela morreu, coisa que não aconteceu nem quando minha avó faleceu. Acontece que a vó era alguém que eu via esporadicamente, muito de vez em quando mesmo. Camila foi minha companhia por mais da metade da minha vida, até então. Sinto muita, muita saudade dela. Coração – como a chamava quando ninguém nos via [risos] – é insubstituível. Por que ela morreu?! VACA! [risos... Não liguem não, que ela e eu sempre fomos “entre tapas e beijos”]
Dentre os meus amigos, há alguns com alma de cão. Não levem a mal tal comparação. Trata-se de um elogio. Como disse Milan Kundera, os cães são o nosso elo com o Paraíso. Na verdade, eu daria tudo para ser menos complicada e ter alma de cão; tem gente que acha o máximo ser caótica, que enche a boca para se dizer complexa [geralmente, esses não são; fingem ser porque vêem glamour nessa imagem – santa ignorância!...], mas eu acho um saco, não vejo a mínima graça nisso!
Os cachorros são sempre felizes, se divertem com qualquer coisa. Eles perdoam fácil, mas têm dignidade [faça uma crueldade com um e veja se ele vai te dar moral! Só chega perto novamente se você sinalizar que mudou de humor, que vai tratá-lo bem]. Comem e dormem bastante e sem culpas. É divertido vê-los tremendo diante da bacia de água, na hora do banho. Topam tudo por um carinho e não tem um pingo de constrangimento de pedir. Nunca se esquecem de se espreguiçar quando acordam. Sabem ser leais. Tem na coleira seu melhor amigo; adoram passear. São lindos. São malandros. Seus focinhos são geladinhos. São crianças de quatro patas!
Ninguém que eu conheça tem mais alma de cão que Alosa. Aliás, há sim: Val tá pau a pau com o filho de Pernambués, mas essa é outra história e, além do mais, Val não é jornalista, o que faz muita diferença. Essa leveza que encontro na companhia de André, só sinto igual quando leio “Caras”. hahaha
Eu conheci dr. Alosa há uns oito anos, junto com a turma dele da Facom, na disciplina de Impresso. Antes disso, na verdade, já havia batido um papo com ele. Trabalhava no G Barbosa e era aluno de Semiótica. Externou sua preocupação com a disciplina. Pensei, cá com os meus botões: “Ihhh, esse é o tipo de cidadão que WG adora reprovar”. Mas André passou. Nos próximos anos, esse tipo de “milagre”, vindo de Alosa, não mais me chocaria. Já ouviu falar em corpo fechado? Pois é, eis um caso agudo...
Posso dizer que o conheço desde a época em que era branco [by Cláudio Leal]. A primeira vez que realmente o percebi em Impresso foi quando fez uma reportagem sobre um terreiro e levou não lembro o quê de lá para o laboratório, o que rendeu um esporro daqueles de Elias [“Mas tu tá doido?! Leva essa macumba pra lá, rapaz!”]. Alosa ficou batido, coitado... hahaha
Depois disso, entramos na pesquisa de Carmem juntos. Foi uma época muito boa da vida. Subíamos aquela ladeira infeliz do Calabar e conversávamos à beça sobre novelas e sobre o futuro, tomávamos aquele chá de maçã que Solange [a empregada de Carmem, com quem Alosa brigou, no final!haha] trazia e, por fim, até fizemos um curso de informática, juntos, que foi engraçado à beça. Passei minha primeira grande raiva com essa criatura ali: paguei quase o dobro que ele pelo curso. Grrr...
Um pouco mais adiante, nos separamos. Sentia muita saudade da companhia dele, mas volta e meia nos reuníamos novamente em algum evento/disciplina/projeto. Era massa! Quer dizer, eu me reunia a Alosa. Eis um dado importante sobre a nossa relação: eu sou amiga de Alosa e não ele que é meu amigo. Alosa não me dá um telefonema!...
Claudinho brinca que sou o tipo de pessoa que, se pudesse, simularia a própria morte só para ver quem iria ao meu enterro ou não. Olha, não vou negar que a idéia já me passou pela cabeça [risos]. Alosa, claro, seria um dos mais observados. Pena que estragaria minha farsa, de qualquer jeito. Se fosse e ainda por cima se chorasse, eu não iria me agüentar e acabaria pulando detrás da árvore para lhe dar um abraço. Se não, ia lhe dar aquele esporro via Embratel ["Mas como eu morro e você não vai ao meu enterro, Alosa?! Que absurdo! Que falta de consideração! Quando eu morrer de verdade, você vai ver: toda noite, vou puxar o teu pé!"].
No começo, eu ficava chateada com essa falta de atenção dele. Muito mesmo. Afinal, passamos mais de um ano grudados. Mas depois vi que essa seria uma constante na vida, que ou aprendia a lidar com isso, ou iria sofrer muito e sempre.
Vale para o afeto a mesma regra do dinheiro: dê isso aos outros ou quando você sabe que o retorno é garantido ou, em caso de dúvida sobre isso, por sua conta e risco, já sabendo que as chances de “calote” são grandes. Não vejo isso, de dar sem receber, como falta de amor-próprio; não necessariamente. Tem gente que é egoísta, mas tem gente que é capaz de dar pouco realmente. É preciso apenas se ligar na diferença. Esse tipo de orgulho é besta; penso que afeto retido é quase tão prejudicial ao coração quanto a rejeição. Mas para ser capaz de fazer isso é preciso ter “mucho corazón” e ser maduro para se responsabilizar pela escolha. Claro, não é por qualquer pessoa que podemos agir assim. De algum modo, ela tem que te compensar e você tem que sentir que não está sendo usado/a. "Cortesia afetiva", babies.
Então, há muito decidi que no bloco do meu coração, Alosa é um dos que ganham cortesia. Cá entre nós, ele é um bom folião. Um dos melhores abraços, um grande sorriso. Uma presença e tanto “ao vivo”. E isso é tudo que espero dele e, por mim, já está de bom tamanho.
Às vezes, ele até que me surpreende. Na apresentação do meu TCC, fiquei com medo de pagar mico e não falei sobre isso com ninguém. Mas eu me saí bem e a determinada altura, fiquei chateada por não ter testemunha para aquele momento. Quem entra pela porta?! O próprio, com um sorriso de orgulho de orelha a orelha, parecendo uma mãe de miss. rsrsrs... Também foi um dos poucos que foram na minha missa de formatura. Quando resolve aparecer, Alosa sabe ser fofo!... :)
Já tivemos os nossos pega-pra-capá. Ô!... Uma vez, discuti com ele em JOL. Fiquei 30 segundos pensando em algo que pudesse ofendê-lo e ao mesmo tempo que possibilitasse a nossa reconciliação mexicana, em seguida. Chamei-o de “baiano” e ele ficou ofendido como se eu tivesse dito o pior dos xingamentos. Foi ali que percebi o quanto ele é impressionável. :D
André me deu o troco semanas depois, quando fomos para a Bienal da UNE em Pernambuco, representando o Ponto de Vista, programinha de tv que fazíamos pela Produtora Jr. Ele sabe me irritar como ninguém, tem plena consciência disso e tira partido de seu “dom” sem dó nem piedade da minha pessoa.
Dizem que essas viagens aproximam as pessoas. Voltamos brigados!
Alosa já me irritou na apresentação do vídeo, quando apareceu na frente da platéia com a camisa do Bahia [isso é lugar para desfilar com camisa de time?!]. Quase infartei.
A baixaria, mesmo, aconteceu no show de Alceu Valença, no penúltimo dia. Quem já foi, sabe: esses eventos estudantis são supercansativos; você acorda cedão e volta pra casa bem tarde. No sexto dia, eu já tava quebrada! Num cantinho do ginásio, onde houve o show, vi uma galerinha encostada, dormindo. Não resisti e fui tirar uma pestana com eles, crente que ali só tinha gente morta de cansaço como eu [depois que me toquei que a galera tava chapadaça de tanta maconha. Santa inocência, Batman!rsrs... Ok, foi altamente brown da minha parte dormir no cantinho do ginásio, mas eu consigo resistir a qualquer coisa, menos ao meu sono. Se eu fosse a ricaça ingênua de novela, essa seria a oportunidade da vilã me passar a perna pedindo para assinar um documento dando-lhe plenos poderes: quando estou caindo de sono].
O povo me procurou e não me encontrou. Acordei e perguntei por eles a um segurança que estava perto de mim. O Fulano me disse que os havia visto e que tinham ido em tal direção. Levantei e fui procurar a galera no tal lugar. Nesse meio tempo, voltaram para me buscar. Séculos depois, encontrei com Alosa e as meninas do PDV. O sacana do segurança havia dito a eles que eu tinha acabado de sair de lá, carregada por dois caras. A versão era supermentirosa, claro, e todo mundo sabia disso, mas Alosa se agarrou nela com unhas e dentes!
Àquela altura, eu já estava p. da vida com a galera que tinha vindo com a gente no ônibus. Disseram-me que viajaríamos com o povo de Design da Uneb, mas viajei foi com um monte de viciados em maconha [para vocês terem uma idéia, eles fumaram todo o estoque da droga só na ida a PE. Para não passar mal no busú, fui de Salvador a Recife cheirando limão!]. Eu notei, a determinada altura do evento, que eles estavam muito eufóricos com o lugar ["a melhor maconha do Brasil"] e que corria o risco de não conseguir voltar a tempo, afinal, o ônibus era deles e eu não havia me programado para voltar de outro jeito. Percebendo isso, Alosa começou a me perturbar ["Olha, eu ouvi dizer que eles só vão voltar na segunda"]. Eu comecei a ficar nervosa. Ele, vendo que eu já estava a meio metro de perder a paciência de vez e ir tomar satisfações com aquele povo, desmentiu tudo. Mas eu já tinha perdido o meu bom humor àquela altura. Isso é um amigo ou um espírito obsessor?!!!
Vocês acham que isso foi tudo?! Ohhh, meu Pai!... Alosa me apunhalou no ônibus, na volta para casa!! Me negou três vezes e me entregou aos judeus!... Nem Jesus foi traído, assim, por uma única pessoa... Tá certo que não foi nada inteligente da minha parte falar mal do povo da Juventude Socialista dentro de um ônibus cheio deles [mas, claro, eu não sabia disso], mas Alosa, como amigo, deveria ter botado panos quentes, me defendido. Quá, quá, quá!... Ele passou pro lado inimigo, endossou o coro da maioria e ainda me entregou num episódio, ocorrido na Bienal, que piorou ainda mais as coisas. Ô raiva!... Se não tivesse tanta gente querendo me esganar ali, teria pulado no pescoço de André. Como se não bastasse, os maconheiros-socialistas roubaram os meus chinelos e a água dele enquanto dormíamos, e eu tive que voltar pra casa arrastando uma sandália - que quebrou - e uma mala pesadérrima. Só perdoei Alosa porque ele me ajudou a carregar a mala.
Enfim, é ou não é um cachorro esse meu amigo?! rsrs... Se tivéssemos a oportunidade de conviver 12 anos, certamente também escreveria as nossas memórias, "Alosa & Eu". Quem sabe até não faríamos o mesmo sucesso em Hollywood, hein?! ;)
Ai, Alosa!... Ai, como sofro! "Apesar de colher as batatas da terra, com Alosa vou até pra guerraaaa!...".

Estrelas


Ó, não é foto de, não. É clic de profissional com profissional.
Só faltou Angélica aí. rsrs

sábado, 17 de janeiro de 2009

´Cause everybody´s living in a material world


"... And I, I´m a material girl"

É mentira. É mentira, seu Ratinho!
Bem, meu mapa astral me chama de pistoleira, mas até ele mesmo concorda que a minha missão nessa terra é sair da esfera espiritual e ser mais materialista. I have to learn how to be "a material girl". Tio Patinhas eu já sou [não mais que Nandy, que daí é difícil...]. Só me falta aprender a atrair o vil metal e lidar com os aspectos mundanos da matéria.

Vivemos num mundo onde tudo tem que ser revertido em vantagem material. Sabe, nem todas as vezes em que agimos assim, cultivamos uma intenção dura, pragmática ou até mesmo perversa. Por trás de desejos até ingênuos de sucesso e crescimento, esconde-se nossa alma coletiva materialista.

Conheci, fuçando o Orkut, um rapaz muito bonito [well, as "novelas" do Orkut estão bem mais interessantes que as da tv, viu?]. Quer dizer, eu o conheci, mas ele não me conhece. Até já o vi pessoalmente, indo para uma academia do bairro do Garcia [pena que não deu para ouvir a voz, mas ele tem charme. Deu um olhar de soslaio que foi show!]. A página dele é cheia de amigos [ou melhor, de amigas... Se jogar um kilo de milho, ali, não sobra é nada!]; o guapo tem até comunidade no Orkut. Também pudera: a plástica do cidadão é perfeita. Atrevo-me a dizer que é um dos rapazes mais bonitos que já vi em Salvador [fecha totalmente com o meu gosto]. Ele até que age de maneira simples diante do alvoroço que as moças fazem em torno dele [é, meus caros, tão pensando o quê?! Que essa vida de OB - "omem bjeto" - é para qualquer um?! Nananinanão!... Tem que absorver tudo, ser capaz de ir fundo na coisa! hahaha].
Quando o vi, pensei cá com os meus botões: "Esse sujeito, numa novela do Lombardi, seria um estouro, as mulheres ficariam histéricas com ele!".
O caso é que o moço em questão passa longe do meio artístico. E só porque quer. Médico recém-formado, 28 anos, ele faz o estilo roots. Adora o interior onde nasceu; adora ficar no meio do mato. De uns meses pra cá, namora. A moça, apesar de bonita, é riponga, o que já é um sinal de personalidade da parte dele, já que muitos se sentiriam inseguros em andar com uma moça que não fosse patricinha, um troféu.

Mas chega de falar do dr. Gatão [ah, já ia esquecendo de comentar: além do sobrenome Tanajura em comum, ele tem muita semelhança física com a irmã de Ticiana Villas-Boas, Mariana. Devem ser parentes distantes]. O ponto onde quero chegar é: por que toda vez que nos deparamos com um dom, não podemos apenas admirá-lo e deixar quieto? Por que sempre pensamos que ele só faz jus a si mesmo quando traz ao dono alguma vantagem material?

Outro dia, estava eu lendo um texto de um terapeuta de quem gosto muito, e me deparei com uma fala interessante para a reflexão, que era mais ou menos assim: "Na minha época [ele deve estar se referindo aos anos 60 e 70], via-se muitas moças bonitas no ponto de ônibus. Hoje em dia, elas são uma paisagem rara. Parece que as moças se tornaram menos idealistas e se deram conta de que podem tirar vantagem da sua beleza, não mais esperando o ônibus mas saindo com os rapazes que podem lhes proporcionar algum conforto".
Nem adianta os homens rirem dessa afirmação do doutor [até porque ele esqueceu de um detalhe: de uns anos para cá, as mulheres também trabalham e dirigem]. Cada dia mais, os moços andam menos desavergonhados também; estão aprendendo a tirar vantagem material das moças sem a menor culpa. Ó sina!... Não se fazem mais homens com "H", viu?...

A melhor amiga de minha irmã do meio tem duas filhas que além de lindas são espertas. Eu já me peguei sugerindo que as levasse para a publicidade. Depois me arrependi. Lembrei da história que contam sobre a modelo Fernanda Tavares. Diziam que a mãe nem permitia que brincasse muito na rua, quando criança, para que não acumulasse as famosas perebas de infância. Dando-se conta da beleza de Fernanda, a criatura já visava uma futura carreira de modelo para a filha. É mole?!... Mas fazer o quê?! Nossa cabeça está sempre voltada para a obtenção de vantagens. Eu não sei mais o que dizer sobre o tema, mas acho que se trata algo digno de uma reflexão. E coletiva.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Claudio´s Day



Dia 09 de janeiro é aniversário de meu amigo Claudio Leal. Segundo a sua Revolução Solar para os próximos 12 meses e a numerologia da data, esse será um ano muito favorável para os relacionamentos e o lazer! Uhuuuuu!... hahaha
Nossa, o tempo passa muito depressa! Outro dia mesmo esse rapazinho tinha apenas 18 anos e, diziam as mais diversas línguas de 2000.1, mantinha um romance com uma estudante de Enfermagem. Lembro de ter achado tal informação - a primeira que tive a seu respeito - bem kitsch, na época! [risos]... Mas é incrível como ele não mudou nada! Mantém as mesmas tiradas debochadas de sempre, o mesmo cabelo, a mesma roupa [risos] e, graças a Deus, o mesmo espírito camarada [vixe, isso soou que nem aquela música de "A Praça é Nossa": "A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim..."!hahaha]. Claudio é alguém que não hesito em chamar de amigo, até porque já me deu algumas provas bem contundentes de amizade. Sim, sim, eis uma pessoa que honra o próprio sobrenome. Cacau é realmente le[g]al!!! "Entããão", Claudinho, "sabe, turururu, eu gosto muito de vocêêêê, oh yeah!" [by Juju Bochecha]... Joyeux anniversaire, ma cherie!!!!!!!

Feliz Aniversário

A conversa passava dos quinze minutos quando Pereira me disse, abruptamente: "Claudio". Longo silêncio. "Hoje é meu aniversário". Notem que ele usou apenas cinco palavras para exprimir um sentimento mais fundo. A alma infantil do meu amigo pedia, implorava, um presente dentro do sapatinho exposto na janela.
Foi há um ano atrás. Neste 16 de julho, volta a aniversariar e tudo isto o cansa e esfalfa. Juliana Brito, doce espírito espinhoso, costuma afirmar que uma nuvenzinha negra sempre o acompanha. Nasceu assim, e provo. Pereira era um bebê tão reacionário que esperou 48 horas para saber se a queda da Bastilha era mesmo irreversível.
Afeito a polêmicas, quem acompanha nossas discussões pensa que somos inimigos. De fato, somos inimigos da coletividade, de qualquer multidão. Mas, ao contrário de mim, Pereira ficaria contra a execução de Maria Antonieta. Enquanto abomino a queima de Joana D'Arc, ele delira ao imaginar o fogo lambendo o nariz da heroína. Em Nuremberg, Pereira não esperaria a pena de morte. Tomaria o veneno de Goering feito danoninho. De colher.
Com o passar do tempo, esta personalidade temerária tornou-se vagabunda e lamentável. Eu e ele matamos o tempo em baianas de acarajé, bibliotecas deficitárias, na leitura de jornais indignos e a falar mal dos outros, inclusive de você que me lê. Nada o anima mais do que comprar pão em delicatessen. Sem ter o que fazer, acompanhei-o numa ida à Padaria Favorita, a Daslu do trigo importado: "O melhor pão da cidade, segundo a revista Veja".
Pereira pediu uma dúzia - dá três de presente a mendigos da região - e me estimulou a comprar também (falávamos muito mal de algum roqueiro). Comi dois pães franceses a caminho do ponto de ônibus. "Então, então? Não é bom?", perguntou-me. A massa não tinha gosto de nada, entretanto me lembrei daquele telefonema de 16 de julho: o menino voltava a implorar um elogio. Que não faço pelo amigo? O melhor pão da cidade! O melhor pão da cidade! Fui cuspindo pelo caminho.
Claudio.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009


Feliz Ano-Novo, meu povoooo!!!!!!! Que 2009 seja gostoso que nem Didigo [ai, que vontade de dar umas mordidas nesse pintinho! Mas a mãe dele é brava, tenho medo dela! hehe]! :D