"Os afetos são como os impérios. Desaparecendo a ideia sobre o qual estão construídos, também eles desaparecem."
(Milan Kundera)
"O coração é uma coisa frágil. É por isso que somos tão vigorosos em protegê-lo, que o abrimos tão raramente, e é por isso que significa tanto quando o fazemos. Alguns corações são mais frágeis que outros. Mais puros, de algum modo. São como cristais num mundo de vidro; até mesmo o modo como eles se estilhaçam é bonito".
(De algum programa da tv a cabo)
Estava eu lendo o blog de uma garota. Seu último post falava sobre decepção. Dizia assim: "É ruim pra caramba se decepcionar com alguém que a gente gosta. Mas decepções decorrem do fato de esperarmos algo de alguém. Não precisa ser muito; o básico já é suficiente. Esperar consideração, atenção, carinho??! Cuidado! Alta probabilidade de quebrar a cara! É melhor esperar atos nobres de si mesmo, esqueça o outro...". Mais uma [decepção], mais uma [criatura decepcionada]. Ela termina seu momento "Muro das Lamentações" assim: "... receba o que de bom oferecer como uma surpresa positiva e não como uma atitude coerente com a situação de vocês. É o conselho que me dou nesse momento".
Os decepcionados [principalmente "as" decepcionadas] são figurinhas fáceis no nosso dia-a-dia. Nesse clube, aliás, eu tenho carteirinha VIP. Um dia, sem exagero algum, ainda morro disso [ou mato alguém por isso]. Brincadeiras à parte, um dia, isso sim, fico esperta e ainda me livro disso!... Eis um estresse da vida para o qual não tenho mais tolerância. De verdade. Não tenho mais coração para repetir a dose [faria qualquer coisa para impedir isso, se fosse possível]. A essa altura do campeonato, desenvolvi verdadeiro trauma, tenho pavor a esse tipo de situação. Um tiro no pé me doeria menos. Mais uma vez, e eu não me afeiçôo a mais ninguém nessa vida. Juro.
Ver tanta gente de coração partido por expectativas quebradas com namorados, sócios, amigos, parentes, etc, me gera uma dúvida instantânea: quem sobrou para partir o coração de tanta gente assim?! Há uma galeeera no mundo padecendo do mesmo mal!
Sei lá, tem quem chora demais, mas há quem possua uma capacidade acima da média de desiludir os outros. E o pior: a gente quase nunca desconfia que eles sejam assim. Aliás, desconfiar até desconfia, mas prefere acreditar que o que há de melhor ali está guardado para poucos e selecionados. Esse é o problema. "A vida não é um filme, você não entendeu...". "Parece mas não é", pessoalmente falando, está fora do meu vocabulário de agora em diante; é um conceito que está, para mim, limitado àquela propaganda do DENOREX, popular na minha infância. Vou parar de supor, de esperar, e me prenderei apenas ao que vejo.
Rilke tinha toda e absoluta razão: "A alma humana é uma floresta escura". Ô!... Então dá licença que vou ali comprar uma lanterna e uma bússola pra mim, por segurança.
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