domingo, 8 de fevereiro de 2009

Brasil: o inferno [do consumidor] é aqui!

Sábado passado fiz minha "boa ação" da semana levando a "véia Quaker" para dar um passeio no Shopping Barra. Claro, fomos para o circuito preferido da minha "caríssima mamma": as lojas de departamento. Eu poderia falar mal da escolha pop[ular] da minha genitora, mas seria hipocrisia da minha parte, já que o "quarteto fantástico" [C&A, Marisa, Riachuelo, Americanas e, eventualmente, a Renner] faz parte do meu circuito de compras há tempos. Apenas, ao contrário de minha mãe, vou para coisas mais, digamos, objetivas e não sinto nenhum prazer em ficar vendo artigos de cama, mesa & banho. Aliás, vi uma coisa bizarrinha nesse dia: uma família inteira se deliciando com almofadas e cortinas, como quem admira a Monalisa no Louvre. Eu, hein!...
Aproveitei a caridade filial para procurar artigos específicos que andam fazendo falta no meu guarda-roupa. À certa altura, passeando entre as araras [e me esbarrando com várias mulheres à procura como eu], questionei minha presença [e o meu desgaste] nesse tipo de loja popular. Se a gente pensar bem, nas lojas "normais" você encontra muita coisa boa e às vezes pelo mesmo preço e sem ter de passar pela fauna de consumidores desesperados e araras entulhadas e muitas vezes decepcionantes das LDs [lojas de departamento] da vida. Sendo assim, o que a minha pessoa estava fazendo ali, na Riachuelo? Why, my Lord?! What´s the meaning of life, anyway?
Enquanto dona Jô farejava pechinchas pela loja, eu refletia sobre o assunto cá com os meus botões. Acho que cheguei a boas conclusões sobre o tema e sobre as razões que me levam a ser esse tipo de consumidora, além, claro, das minhas inegáveis tendências sadomasoquistas e do fato delas estarem nos quatro cantos da cidade, o que aumenta a tentação. Take a look:

1) Esse tipo de loja fornece um tipo de serviço fundamental, para o qual não há preço [para as outras coisas, existe cartão de crédito]: o conforto psicológico de que nada ali custa mais do que dois dígitos. Siiiim, você pode abraçar a peça de roupa sem medo de ser feliz, ao contrário do que acontece nas lojas comuns nas quais você se afeiçoa ao produto e, em seguida, o expele porque fica sabendo [e toma susto] o preço dele! Não é porque o capitalismo se encontra numa fase agressiva que você, consumidor, não merece respeito ao seu "pudor monetário", né? Ora, ora!...
2) Você acredita em milagre? Um lugar off-igreja muito eficiente para mostrar a um ateu que Deus existe é a loja de departamento. Sim, porque estando em meio a uma tonelada de gente e diante de tanta coisa porcaria, achar o que preste é produto da intervenção divina. Uma das "revelações" que as LDs me proporcionaram se deu via Gabriela Fonseca. Eu duvidava que alguém pudesse ser fashion vestindo as coisas de lá... Isso até conhecer Gabi. Digo mais: isso até acompanhá-la em algumas compras na C&A. Fiquei pasma! Irmãos, isso existe, sim: você pode ser fashion vestindo roupa barata! "Meninos, eu vi!".
Naquele sábado mesmo, achei uma blusa de bolinhas da hora. A numeração era pequena e fiquei em dúvida se caberia, se deveria levá-la. Minha mãe foi curta e grossa: "Pega! Pega logo, que achar coisa bonita por aqui é raro e peça assim some rápido!". Obedeci o conselho materno [e me dei bem, que a blusa ficou massa, além de ter custado baratíssimo].
3) Escolher o que quer que seja nas LDs requer apurado bom senso, boa visão e muita perseverança. Não é tarefa para principiantes e espíritos fracos. Não mesmo! Quantas vezes, nas araras dessas lojas, você não se depara com uma boa idéia mal-executada [roupa com um pano fuleiro ou com uma costura mal-acabada, por exemplo]? Que atire a primeira pedra quem nunca largou uma peça com o coração partido por ela ter defeito ou ser de material peba!
4) Comprar nas LDs é um grande exercício de paciência, humildade e de auto-afirmação. A experiência é densa, profunda, e vai da escolha do que comprar à fila quilométrica. Esses famosos chiliquentos mudariam de vida se passassem um mês freqüentando a C&A. Sandálias da Humildade pra Dieckmann e pro Clodovil?! Mandem-nos procurar o que calçar numa LD. Ou infartariam de vez ou ficariam mansinhos da Silva. Éééé!... Olha como o esquema é de selva: Acreditam que uma mulher, na fila, quis passar a perna na minha mãe quando viu a blusa de bolinhas?! Ela queria trocá-la por outra do mesmo modelo mas roxa. Eu cheguei a tempo e fui enfática com a pessoa: é MINHA! Troco, não! "Perdeu, playboy!". hehe

Enfim, além de artigos pessoais para consumo, as lojas de departamento nos ofertam algo que não sai na conta: cenas da "vida como ela é".

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Falando sério, não creio que existam coisas muito piores no planeta Terra do que ser consumidor no Brasil. Impossível! No máximo, uma meia dúzia de coisas como os dentes dos ingleses, as guerras na África e os presidentes americanos com filhos [depois de Bush Jr., entendi a supertição americana com presidentes pais de meninas e também porque nos filmes de Hollywood só se fala nas primeiras-filhas e nunca nos primeiros-filhos. É que os filhos dos presidentes podem crescer um dia, se eleger às custas do nome do pai e fazer um monte de besteiras dentro e fora do país, por mais ou menos oito anos, deixando uma crise mundial como legado. Chego a pensar que Deus escreveu certo por linhas tortas quando explodiu o avião de John-John... Pô, mas ele era supergato!... Dá-lhe Obama e Michelle, que de macho, para Casa Branca, só levaram mesmo o cachorro!].
Se a empresa for de telefonia, boa morte pra você, meu chapa! Problema com empresa desse tipo é que nem dengue: uma hora você também pega, nem se preocupe em evitar!... Essa que vos escreve foi mais uma que passou raiva com a TeleMÁ, recentemente. Aliás, eu pensava que precisava, mas não preciso de eletrocardiograma: vi, na prática, que meu cuore tá fortinho!
Vou contar como acabei dando um "tchau" à "Oi". Há seis meses, me ofereceram um plano que parecia ser muito vantajoso. Sou desconfiada com essas coisas, mas minha mãe e a empresa me pilharam tanto que cedi. Na hora de assinar o contrato, perguntei mil vezes ao vendedor se poderia voltar, sem cobranças, para o antigo plano, a hora que quisesse. Ele jurou as mil vezes que sim, que não haveria problema. Essa hora chegou e eu me deparei com a seguinte chantagem: ou pagava R$300 de multa ou teria que ficar até junho de 2009. Detalhe: se na época do vencimento você não chiar, eles renovam automaticamente. Isso consta na parte traseira da página 3 do contrato, em letras pequeninas. São bandidos da pior espécie! Fiquei injuriada e reclamei pra atendente. Do que adianta manter o cliente contrariado?! Pra quê mentir?! Você ganha o dinheiro e perde a credibilidade da marca. Burrice. Só podia ser coisa de espanha mesmo!... Há algumas semanas, derrubaram a tal multa. Corri para "voltar às origens". Ofereceram-me mundos e fundos, mas o trauma não permitiu que caísse em tentação. Estou com um pé na GVT. E aí, o crime compensa? Acho que não. Não a longo prazo.
Da próxima vez, só assino depois do vendedor falar com a minha câmera! Só assim para consumir seguramente no Brasil! Só assim!...

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Quando o erro atinge seu bolso e a sua dignidade de consumidor, menos mal. Pior é quando te produz danos palpáveis e na saúde. Vi hoje, na Globo, o caso de uma cirurgia plástica feita por um pediatra.
Amigos, cuidado com os profissionais de saúde! O código de ética deles permite que exerçam atividades na área sem que tenham especialização para tanto, contanto que se responsabilizem por quaisquer erros ["hahaha"! Piada de muito mau gosto, né!... Eis uma raça que sabe se proteger de processos!].
Eu já passei por isso e senti na pele a humilhação de ser passada para trás assim, na cara dura, por um picareta.
Minha irmã e eu fizemos tratamento ortodôntico com uma "ortodontista" famosa em Brotas, entre 93 e 2000. Os anos se passaram e nada do dente ficar no ponto [até hoje eles precisam de aparelho, mas tenho um trauma tão grande desse treco, que nem se as vacas da Índia cantarem em coro o hino do Brasil, ponho aquele trombolho novamente!]. A picareta ainda nos dava bronca por não "usarmos corretamente". Lógico que há pelo menos cinco anos já vinha fazendo muito barulho junto aos meus pais; direto reclamava da falta de qualidade da "doutora" em questão. Era uma briga me fazer pular da cama, um sábado por mês, para ir lá. Meu pai sempre voltava do consultório puto da vida comigo. Mas era aquela coisa: todo mundo botava e tirava o aparelho e a gente lá, com aquilo apodrecendo na boca. Tinha mesmo que estar bronqueada [admito que fico insuportável quando perco o respeito por alguém]. Quem merece ter "boca de lata" em plena adolescência?! Ela botou cada coisa na gente que dava dó, e eu via o olhar de pena dos colegas da escola. Só nunca coloquei aquele externo. Aquilo neeem a pau, e havia dito isso a ela! Mas na parte interna, a criatura fazia miséria. Minha boca vivia cortada, machucada.
Meu pai nunca leva a sério as reclamações dos filhos. Acho que é por isso que até hoje me incomoda muito falar algo seriamente sem que respeitem a minha fala, ainda mais se for alguém próximo. Meu pai argumentava que se ela se dizia profissional, uma hora teria que dar um jeito - e um fim - no tratamento. Até que no ano novo do milênio, dei um superchilique - estágio de revolta no qual odeio chegar! - sobre isso na praia, e minha mãe resolveu ceder à minha pressão. Fomos numa especialista indicada por uma amiga. Fizemos todos os exames e a mulher ficou horrorizada com o que a colega havia feito com os dentes da gente. Minha irmã, inclusive, nunca foi caso ortodôntico, mas de cirurgia ortogonal [a coitada tem o maior complexo de ter saído de aparelho fixo nas fotos da formatura. Ela nem olha o álbum, de raiva]. Meu chilique veio como uma salvação para ela, aos 44´do 2º tempo. Ela por pouco não perdeu o direito de fazê-la pelo plano; o cirurgião teve que correr contra o tempo, senão seriam mais de R$ 7 mil só em pinos que precisam ser postos na boca [era uma grana preta, naquela época: um Ford Ka custava um pouco mais, R$ 10 mil].
Entramos na justiça contra essa barbeira e esperamos um resultado até hoje. Ainda vou fazer a festa às custas da desonestidade dessa fulana! Ô, se vou!... Para vocês verem como são as coisas, descobri, levantando a ficha da dita cuja no Conselho, que ela era apenas graduada, sem qualquer especialização, e mais, que ela poderia sim ser ortodontista sem o título.
O "melhor" do caso ficou por conta da colega que atestou a incompetência da picareta de Brotas: após nos ter dito que não poderia dizer o que pensava na justiça por uma questão de ética profissional, ela recebeu uma graninha da acusada e foi depor a favor dela no processo. É mole?! Essa pessoa não conseguia olhar pra gente no dia da audiência no fórum, de tanta vergonha. A minha amiga da época do colégio, que havia nos indicado ela e que foi também a nossa testemunha no processo, ficou revoltada e largou o tratamento, apesar de adorar o trabalho da orto e de simpatizar com ela. Mas olha a lei do retorno, aí, em ação: essa doutora que ajudou a outra hoje não pode mais exercer a profissão por causa de uma lesão no braço. Não que deseje isso a ela [deve ser péssimo ter LER] e verdade seja dita, trata-se de uma ótima profissional, portanto é uma pena que ainda tão jovem não possa mais trabalhar, mas é como se diz no Espiritismo: a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória!
NÃO CONFIEM CEGAMENTE NESSA GENTE SÓ PORQUE FAZEM CARA DE SÉRIOS E VESTEM JALECO!!! PROTEJAM-SE! PESQUISEM AS QUALIFICAÇÕES DESSES CIDADÃOS!!! Visita ao conselho regional da profissão, Google e opiniões de outros pacientes são itens imprescindíveis na escolha, sempre!!!

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Felizmente, há competência em meio ao caos ético. A Fapex foi show de bola comigo essa semana!
Semestre passado, me matriculei no Espanhol, mas desisti. A coordenadora, Iara Lobo, me prometeu um bônus para esse semestre. Fui na secretaria, há um par de dias, armada até os dentes de provas de nossas conversas. Não precisei tirar nada, além da minha identidade, do bolso. Dona Iara havia mandado um e-mail avisando ao pessoal da matrícula sobre o meu bônus. Tava lá o meu direito garantido, seis meses depois!
Os espanhas da telefonia deveriam aprender un poquito com a galera da Extensão em Espanhol da UFBA, viu!

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Mas sabe que tipo de consumidor é o fim da picada? Artista drogado. Enchem de dinheiro o bolso do traficante e depois vão desfilar "pela paz" nas ruas do Rio. Rai, ai... Santa hipocrisia, Batman!...


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