domingo, 18 de janeiro de 2009

Alosa & Eu


"A vida e o amor ao lado do pior amigo do mundo"
Alosa, em versão canina, fazendo cara de "Ó pra isso, Juli!"

Outro dia estava lendo uma resenha sobre o filme “Marley & Eu”. Adorei! Lembrei-me dos tempos em que tinha uma casa cheia de cães. Só quem tem ou teve um totó em casa sabe o quanto que esses pequenos seres podem se tornar especiais para a gente, para a nossa família. Eu tive uma bruta sorte com os meus bichanos.
Ah, dá um trabalho da zorra, mas ter bicho é bom demais! Eles são desordeiros, eles são interesseiros, eles são brincalhões e são sensíveis. É incrível a capacidade que o bicho tem de identificar quando o dono está precisando daquela lambida, daquela arranhadinha no pé. O bicho retribui o carinho que você lhe dá, o que nem sempre ocorre entre humanos. Camila, a daschund zero que viveu por 14 anos e meio aqui em casa, sem dúvida é a mais especial de todos. Chorei três dias seguidos quando ela morreu, coisa que não aconteceu nem quando minha avó faleceu. Acontece que a vó era alguém que eu via esporadicamente, muito de vez em quando mesmo. Camila foi minha companhia por mais da metade da minha vida, até então. Sinto muita, muita saudade dela. Coração – como a chamava quando ninguém nos via [risos] – é insubstituível. Por que ela morreu?! VACA! [risos... Não liguem não, que ela e eu sempre fomos “entre tapas e beijos”]
Dentre os meus amigos, há alguns com alma de cão. Não levem a mal tal comparação. Trata-se de um elogio. Como disse Milan Kundera, os cães são o nosso elo com o Paraíso. Na verdade, eu daria tudo para ser menos complicada e ter alma de cão; tem gente que acha o máximo ser caótica, que enche a boca para se dizer complexa [geralmente, esses não são; fingem ser porque vêem glamour nessa imagem – santa ignorância!...], mas eu acho um saco, não vejo a mínima graça nisso!
Os cachorros são sempre felizes, se divertem com qualquer coisa. Eles perdoam fácil, mas têm dignidade [faça uma crueldade com um e veja se ele vai te dar moral! Só chega perto novamente se você sinalizar que mudou de humor, que vai tratá-lo bem]. Comem e dormem bastante e sem culpas. É divertido vê-los tremendo diante da bacia de água, na hora do banho. Topam tudo por um carinho e não tem um pingo de constrangimento de pedir. Nunca se esquecem de se espreguiçar quando acordam. Sabem ser leais. Tem na coleira seu melhor amigo; adoram passear. São lindos. São malandros. Seus focinhos são geladinhos. São crianças de quatro patas!
Ninguém que eu conheça tem mais alma de cão que Alosa. Aliás, há sim: Val tá pau a pau com o filho de Pernambués, mas essa é outra história e, além do mais, Val não é jornalista, o que faz muita diferença. Essa leveza que encontro na companhia de André, só sinto igual quando leio “Caras”. hahaha
Eu conheci dr. Alosa há uns oito anos, junto com a turma dele da Facom, na disciplina de Impresso. Antes disso, na verdade, já havia batido um papo com ele. Trabalhava no G Barbosa e era aluno de Semiótica. Externou sua preocupação com a disciplina. Pensei, cá com os meus botões: “Ihhh, esse é o tipo de cidadão que WG adora reprovar”. Mas André passou. Nos próximos anos, esse tipo de “milagre”, vindo de Alosa, não mais me chocaria. Já ouviu falar em corpo fechado? Pois é, eis um caso agudo...
Posso dizer que o conheço desde a época em que era branco [by Cláudio Leal]. A primeira vez que realmente o percebi em Impresso foi quando fez uma reportagem sobre um terreiro e levou não lembro o quê de lá para o laboratório, o que rendeu um esporro daqueles de Elias [“Mas tu tá doido?! Leva essa macumba pra lá, rapaz!”]. Alosa ficou batido, coitado... hahaha
Depois disso, entramos na pesquisa de Carmem juntos. Foi uma época muito boa da vida. Subíamos aquela ladeira infeliz do Calabar e conversávamos à beça sobre novelas e sobre o futuro, tomávamos aquele chá de maçã que Solange [a empregada de Carmem, com quem Alosa brigou, no final!haha] trazia e, por fim, até fizemos um curso de informática, juntos, que foi engraçado à beça. Passei minha primeira grande raiva com essa criatura ali: paguei quase o dobro que ele pelo curso. Grrr...
Um pouco mais adiante, nos separamos. Sentia muita saudade da companhia dele, mas volta e meia nos reuníamos novamente em algum evento/disciplina/projeto. Era massa! Quer dizer, eu me reunia a Alosa. Eis um dado importante sobre a nossa relação: eu sou amiga de Alosa e não ele que é meu amigo. Alosa não me dá um telefonema!...
Claudinho brinca que sou o tipo de pessoa que, se pudesse, simularia a própria morte só para ver quem iria ao meu enterro ou não. Olha, não vou negar que a idéia já me passou pela cabeça [risos]. Alosa, claro, seria um dos mais observados. Pena que estragaria minha farsa, de qualquer jeito. Se fosse e ainda por cima se chorasse, eu não iria me agüentar e acabaria pulando detrás da árvore para lhe dar um abraço. Se não, ia lhe dar aquele esporro via Embratel ["Mas como eu morro e você não vai ao meu enterro, Alosa?! Que absurdo! Que falta de consideração! Quando eu morrer de verdade, você vai ver: toda noite, vou puxar o teu pé!"].
No começo, eu ficava chateada com essa falta de atenção dele. Muito mesmo. Afinal, passamos mais de um ano grudados. Mas depois vi que essa seria uma constante na vida, que ou aprendia a lidar com isso, ou iria sofrer muito e sempre.
Vale para o afeto a mesma regra do dinheiro: dê isso aos outros ou quando você sabe que o retorno é garantido ou, em caso de dúvida sobre isso, por sua conta e risco, já sabendo que as chances de “calote” são grandes. Não vejo isso, de dar sem receber, como falta de amor-próprio; não necessariamente. Tem gente que é egoísta, mas tem gente que é capaz de dar pouco realmente. É preciso apenas se ligar na diferença. Esse tipo de orgulho é besta; penso que afeto retido é quase tão prejudicial ao coração quanto a rejeição. Mas para ser capaz de fazer isso é preciso ter “mucho corazón” e ser maduro para se responsabilizar pela escolha. Claro, não é por qualquer pessoa que podemos agir assim. De algum modo, ela tem que te compensar e você tem que sentir que não está sendo usado/a. "Cortesia afetiva", babies.
Então, há muito decidi que no bloco do meu coração, Alosa é um dos que ganham cortesia. Cá entre nós, ele é um bom folião. Um dos melhores abraços, um grande sorriso. Uma presença e tanto “ao vivo”. E isso é tudo que espero dele e, por mim, já está de bom tamanho.
Às vezes, ele até que me surpreende. Na apresentação do meu TCC, fiquei com medo de pagar mico e não falei sobre isso com ninguém. Mas eu me saí bem e a determinada altura, fiquei chateada por não ter testemunha para aquele momento. Quem entra pela porta?! O próprio, com um sorriso de orgulho de orelha a orelha, parecendo uma mãe de miss. rsrsrs... Também foi um dos poucos que foram na minha missa de formatura. Quando resolve aparecer, Alosa sabe ser fofo!... :)
Já tivemos os nossos pega-pra-capá. Ô!... Uma vez, discuti com ele em JOL. Fiquei 30 segundos pensando em algo que pudesse ofendê-lo e ao mesmo tempo que possibilitasse a nossa reconciliação mexicana, em seguida. Chamei-o de “baiano” e ele ficou ofendido como se eu tivesse dito o pior dos xingamentos. Foi ali que percebi o quanto ele é impressionável. :D
André me deu o troco semanas depois, quando fomos para a Bienal da UNE em Pernambuco, representando o Ponto de Vista, programinha de tv que fazíamos pela Produtora Jr. Ele sabe me irritar como ninguém, tem plena consciência disso e tira partido de seu “dom” sem dó nem piedade da minha pessoa.
Dizem que essas viagens aproximam as pessoas. Voltamos brigados!
Alosa já me irritou na apresentação do vídeo, quando apareceu na frente da platéia com a camisa do Bahia [isso é lugar para desfilar com camisa de time?!]. Quase infartei.
A baixaria, mesmo, aconteceu no show de Alceu Valença, no penúltimo dia. Quem já foi, sabe: esses eventos estudantis são supercansativos; você acorda cedão e volta pra casa bem tarde. No sexto dia, eu já tava quebrada! Num cantinho do ginásio, onde houve o show, vi uma galerinha encostada, dormindo. Não resisti e fui tirar uma pestana com eles, crente que ali só tinha gente morta de cansaço como eu [depois que me toquei que a galera tava chapadaça de tanta maconha. Santa inocência, Batman!rsrs... Ok, foi altamente brown da minha parte dormir no cantinho do ginásio, mas eu consigo resistir a qualquer coisa, menos ao meu sono. Se eu fosse a ricaça ingênua de novela, essa seria a oportunidade da vilã me passar a perna pedindo para assinar um documento dando-lhe plenos poderes: quando estou caindo de sono].
O povo me procurou e não me encontrou. Acordei e perguntei por eles a um segurança que estava perto de mim. O Fulano me disse que os havia visto e que tinham ido em tal direção. Levantei e fui procurar a galera no tal lugar. Nesse meio tempo, voltaram para me buscar. Séculos depois, encontrei com Alosa e as meninas do PDV. O sacana do segurança havia dito a eles que eu tinha acabado de sair de lá, carregada por dois caras. A versão era supermentirosa, claro, e todo mundo sabia disso, mas Alosa se agarrou nela com unhas e dentes!
Àquela altura, eu já estava p. da vida com a galera que tinha vindo com a gente no ônibus. Disseram-me que viajaríamos com o povo de Design da Uneb, mas viajei foi com um monte de viciados em maconha [para vocês terem uma idéia, eles fumaram todo o estoque da droga só na ida a PE. Para não passar mal no busú, fui de Salvador a Recife cheirando limão!]. Eu notei, a determinada altura do evento, que eles estavam muito eufóricos com o lugar ["a melhor maconha do Brasil"] e que corria o risco de não conseguir voltar a tempo, afinal, o ônibus era deles e eu não havia me programado para voltar de outro jeito. Percebendo isso, Alosa começou a me perturbar ["Olha, eu ouvi dizer que eles só vão voltar na segunda"]. Eu comecei a ficar nervosa. Ele, vendo que eu já estava a meio metro de perder a paciência de vez e ir tomar satisfações com aquele povo, desmentiu tudo. Mas eu já tinha perdido o meu bom humor àquela altura. Isso é um amigo ou um espírito obsessor?!!!
Vocês acham que isso foi tudo?! Ohhh, meu Pai!... Alosa me apunhalou no ônibus, na volta para casa!! Me negou três vezes e me entregou aos judeus!... Nem Jesus foi traído, assim, por uma única pessoa... Tá certo que não foi nada inteligente da minha parte falar mal do povo da Juventude Socialista dentro de um ônibus cheio deles [mas, claro, eu não sabia disso], mas Alosa, como amigo, deveria ter botado panos quentes, me defendido. Quá, quá, quá!... Ele passou pro lado inimigo, endossou o coro da maioria e ainda me entregou num episódio, ocorrido na Bienal, que piorou ainda mais as coisas. Ô raiva!... Se não tivesse tanta gente querendo me esganar ali, teria pulado no pescoço de André. Como se não bastasse, os maconheiros-socialistas roubaram os meus chinelos e a água dele enquanto dormíamos, e eu tive que voltar pra casa arrastando uma sandália - que quebrou - e uma mala pesadérrima. Só perdoei Alosa porque ele me ajudou a carregar a mala.
Enfim, é ou não é um cachorro esse meu amigo?! rsrs... Se tivéssemos a oportunidade de conviver 12 anos, certamente também escreveria as nossas memórias, "Alosa & Eu". Quem sabe até não faríamos o mesmo sucesso em Hollywood, hein?! ;)
Ai, Alosa!... Ai, como sofro! "Apesar de colher as batatas da terra, com Alosa vou até pra guerraaaa!...".

2 comentários:

  1. Anônimo12:21 AM

    Juliana!

    Não vou mentir: ando tão pra baixo que vou passar a lista de presença no meu enterro.

    E quero deixar registrado que Obama trairá nossas esperanças se não aproveitar Alosa no governo. Nem que seja na vaga de porteiro do Salão Oval.

    Amor,
    Claudio.

    PS - Aliás, a portaria do Salão Oval seria um ótimo trabalho voluntário para Ingrid.

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  2. Cacau:
    Aposto que a resposta de Alosa ao seu "devaneio" com a Casa Branca virá ao som de Sidney Magal: "Me chama que eu vouuuuuuuu" - nem que seja para ser o labrador chocolate do lar presidencial! hahaha

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