quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Você tem fome de quê?

Eu tô muito gorda, no nível de estar perdendo roupas já. Estou fazendo dieta. Na verdade, como não tenho muita paciência para ficar passando fome, tô cortando açúcar, industrializados e tal. E percebi que realmente o açúcar tem um papel na minha química, no meu humor. Eu fico triste sem as minhas guloseimas.

Há muito tempo tenho a teoria de que "a seco" ninguém encara essa vida. Há quem compre, quem jogue, quem ande freneticamente atrás de sexo e até quem se entretenha evitando tudo isso, se esforçando demais para ter o controle de tudo. A comida é, talvez, um dos prazeres mais democráticos. Em minha viagem de agora, para a Paraíba, vi um menino de rua pedindo guloseimas e sendo atendido pelas pessoas. Até ele pode se deliciar de vez em quando. A felicidade de um bom churros pode não ser duradoura, mas é intensa enquanto dura. <3

Quem tem fome de vida e tá de prato vazio geralmente descamba para a comida. O padrão que eu percebo (repito: que eu percebo, pois não fiz pesquisa, nem sou psiquiátrica ou psicóloga) no álcool é de gente que quer fugir de conflito, que quer se acalmar. Álcool é como uma anestesia para as dores da vida. O guloso quer afeto, quer prazer e, não tendo isso, vai se consolar com a acolhedora, saborosa e disponível comida. Tem até um termo para certas comidas, "confort food", que são comidas acolhedoras, que geralmente trazem uma memória afetiva.


A personagem da foto acima é Kate de "This is us" (em breve escrevo sobre isso). Ao contrário dos irmãos, ela não tem um conflito interno gerado a partir da família. Os pais foram ótimos com ela, mas todos nós carregamos uma alma e a dela é frágil. A vida é dura e pode ser duplamente dura para quem não aprende a ser forte. Talvez ela tenha endeusado as pessoas da família e, não se achando à altura, tenha dado início ao processo de esconder-se atrás da gordura, de buscar afeto na comida. 

Eu sempre digo que as pessoas não têm um problema porque são gordas, mas se tornam gordas porque têm um problema emocional. Não se deixa de ser gordo só com bariátrica, reeducação alimentar e academia. Ninguém engorda porque tem fome, mas porque desconta algo, uma carência de algo, na comida. Por isso que pressionar a pessoa a perder peso não funciona, pelo contrário. Isso só serve para a pessoa se afundar ainda mais. 

Uma amiga minha que é psicóloga faz acompanhamento de gente que fez bariátrica. Ela diz que é muito comum a pessoa trocar uma dependência por outra, geralmente por bebida ou sexo. 

Ou seja, folks, a vida é complicada pra caralho. Até Brad Pitt, a quem teoricamente nada falta, disse isso e não sou eu, pobre mortal, Maria Ninguém, que vou discordar. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário