A cada dia fico mais besta em ver como nos comunicamos sem usar uma só palavra. Sabe, o que vai, volta.
É impressionante - pode observar! - que quando você tem um sentimento por alguém, geralmente aquela pessoa desenvolve o mesmo por você. Ela percebe o seu sentimento, mesmo que você não diga uma palavra. Veja: quantas vezes você virou e viu alguém te observando?
Palavras são acessórios. O fundamental é o pensamento.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 28 de julho de 2013
Gikovate, um sonhador
Cara, eu amo Gikovate!
Tem gente que vê um monte de problemas nas falas dele, mas pra mim é perfeito.
Mas ele é um idealista no âmbito das relações, tanto quanto eu.
Sim, porque o sexo como vemos por aí é exaustivo. É guerra dos sexos, quem pode mais, quem seduz mais gente, quem parte o maior número de corações. Não gosto. Nem tenho coração para me envolver nessa trincheira.
No meu mundo ideal, as pessoas trocariam carinho, em primeiro lugar. Trocar afeto não quer dizer amor, compromisso. Não, não... As pessoas simplesmente se curtiriam não importando o vínculo.
Sabe, eu olharia para o Joãozinho, sentiria atração, uma coisa boa, e a gente transaria, se acarinharia, se curtiria sem a necessidade de querer mostrar que é mais que o outro. E acho que assim concluiríamos o nosso momento sem nada a reparar. Porque jogando, usando uns aos outros, acabamos carentes. E é a carência a mãe das cobranças, das mágoas e demais ligações emocionais negativas.
Eu gostaria de ter sido jovem em um mundo assim, de só love, só love...
domingo, 7 de julho de 2013
quinta-feira, 4 de julho de 2013
"Eu quero ir embora, eu quero dar o fora..."
Porque tá faltando alegria aqui, sabe?
Tô sentindo aquele vazio e deslocamento de quando um lugar fica estreito.
Até o trabalho está sem sentido.
Isso me faz pensar que muita coisa a gente faz mais para provar que pode que por desejo de verdade.
Ai, bosta!... :(
Tô sentindo aquele vazio e deslocamento de quando um lugar fica estreito.
Até o trabalho está sem sentido.
Isso me faz pensar que muita coisa a gente faz mais para provar que pode que por desejo de verdade.
Ai, bosta!... :(
Sentimentos demais
É o que eu sempre tive. Odeio. Ninguém merece ter uma existência tão vulnerável assim.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Simpatia virtual
Brincando de piolho nas redes sociais, acabei estabelecendo algumas simpatias. É tão estranho gostar de quem a gente não conhece, né?
terça-feira, 25 de junho de 2013
Gordura para queimar
Minhas amigas mais próximas dizem que eu sou boa de perdão. "Nem tanto, mestre".
Eu não sou amiga de minha melhor amiga na época da escola. Nem inimiga. Ela me desapontou, eu sofri, superei, digo, hoje, que gosto dela, tenho boas lembranças, mas não vejo motivos para continuar a amizade. O namorado dela, que também era meu amigo, nesse processo de rompimento, pediu mil vezes para eu me reaproximar. Não sentia vontade. É que, olhando para trás - e quando a gente se magoa revisar e fazer flashbacks é inevitável -, nunca senti que ela fosse realmente minha amiga. Como eu era amiga dela, empurrei com a barriga. E a porra estourou. E eu fui forçada a encarar os fatos. Não foi maldade dela, mas sofri e não teve jeito de voltar a me iludir sobre isso.
Love will keep us together - O sofrimento deixa marca. Conheço gente que, quando se decepciona, corta a relação de vez. No mercy. Mas, como diz a canção, é o amor que nos junta. Pelo menos no meu caso. Só assim para superar o medo de cair do cavalo novamente. Soa piegas, mas que posso dizer? Porque quando a decepção bate na porta - e todo relacionamento próximo descamba, em algum momento, nesse esgoto chamado desapontamento -, é a afeição que faz o coração esquecer, ou pelo menos acreditar que ainda vale a pena. Pensar que a pessoa gosta mesmo de você é determinante. Se essa certeza desaparece, quase impossível retomar.
E essas coisas não nascem de uma hora para outra. Tem que ter havido uma construção. Eu me dou melhor com uma das minhas irmãs do que com a outra. Na idade adulta as duas se equivalem, mas, no tempo em que todo mundo vivia na mesma casa, uma me sacaneava e a outra tinha alguns momentos em que era generosa. E torcia/torce por mim. Não preciso dizer quem é mais fácil de desculpar quando pisa na bola. Enfim, meus caros, toda relação, no fundo, funciona na base do "me abraça que eu te abraço". Na vida como no coração, não existem almoços grátis. ;)
sábado, 22 de junho de 2013
Material Love
Deve ser pecado mesmo, mas, de vez em quando, me pego totally in love com algumas aquisições materiais.
Há alguns meses, foi com o dual chip. Agora é uma mochila da Kipling. É bizarro ficar assim, boba, por coisas, mais do que acontece com pessoas. Mas é compreensível: botam na cabeça da gente esse lance de perfeição, e é mais fácil mesmo encontrar isso em objetos que em pessoas.
Há alguns meses, foi com o dual chip. Agora é uma mochila da Kipling. É bizarro ficar assim, boba, por coisas, mais do que acontece com pessoas. Mas é compreensível: botam na cabeça da gente esse lance de perfeição, e é mais fácil mesmo encontrar isso em objetos que em pessoas.
Os outros são os outros e só
Cada vez mais me convenço de que a opinião dos outros é só coisa dos outros e não me diz respeito.
O modelo imposto - porque é mesmo - não me contempla. Foi-se o tempo em que eu achava que tinha que dar conta de mil coisas. Não é a minha. Na verdade, não preciso disso. Era todo um esforço para ficar em paz com o olhar do outro. Mas não vale a pena, na moral. Como diz Nilton Bonder, chega de fazer sacrifícios ao nada. Melhor deixar a alma ser imoral mesmo.
O modelo imposto - porque é mesmo - não me contempla. Foi-se o tempo em que eu achava que tinha que dar conta de mil coisas. Não é a minha. Na verdade, não preciso disso. Era todo um esforço para ficar em paz com o olhar do outro. Mas não vale a pena, na moral. Como diz Nilton Bonder, chega de fazer sacrifícios ao nada. Melhor deixar a alma ser imoral mesmo.
domingo, 16 de junho de 2013
Signos de Ar
Eu detesto gente de signo de ar. Não é um critério de muita credibilidade para não gostar de alguém, mas eu me permito. Jorge Vercilo fez uma música sobre essa turma aérea - ambos se merecem. Não é a pessoa em si, claro, mas o tipo de personalidade que me desagrada. São muito teóricos para o meu gosto, ainda que apresentem uma teoria mais linda que a outra.
Sabe, eles abrem a boca e eu sei que o que dizem é o que pensam, mas muitas vezes não o que sentem. Eles não sabem o que sentem, essa é a questão. Autistas em relação ao próprio coração. Veja: acreditar não é sentir. No entanto eles acham que uma coisa é também a outra. Tente questioná-los sobre essa diferença e não vão saber o que fazer. Vão teorizar. Não tenho paciência. Gosto de gente sincera, conectada com os sentimentos, de pé no chão. Por isso, apesar das queixas generalizadas, tenho toda a paciência do mundo com escorpianos.
Gêmeos - Superficiais e escorregadios.
Libra - Falsos, gostam de tirar uma vantagem.
Aquário - O inferno são os outros. Adoram dar conselhos que eles mesmos não são capazes de seguir.
Sabe, eles abrem a boca e eu sei que o que dizem é o que pensam, mas muitas vezes não o que sentem. Eles não sabem o que sentem, essa é a questão. Autistas em relação ao próprio coração. Veja: acreditar não é sentir. No entanto eles acham que uma coisa é também a outra. Tente questioná-los sobre essa diferença e não vão saber o que fazer. Vão teorizar. Não tenho paciência. Gosto de gente sincera, conectada com os sentimentos, de pé no chão. Por isso, apesar das queixas generalizadas, tenho toda a paciência do mundo com escorpianos.
Gêmeos - Superficiais e escorregadios.
Libra - Falsos, gostam de tirar uma vantagem.
Aquário - O inferno são os outros. Adoram dar conselhos que eles mesmos não são capazes de seguir.
domingo, 7 de abril de 2013
Autoatendimento
Cada vez mais tenho orado, mas, paradoxalmente, cada vez menos acredito no poder da oração para nos conduzir a um estado externo. Ou talvez eu tenha entendido mal. Explico: dizem que a gente pode conseguir graças por causa da oração. Mas acho que orar só faz isso porque muda o nosso estado interno.
Eu acho que Deus fez o nosso mundo como quem programa um computador: há uma inteligência em torno disso, mas não há um envolvimento. Ação e reação, tudo acontece de forma automática, sem que aquela inteligência nem tome nota da sua existência. Mas que botões apertar (e como?) para fazer o programa funcionar como a gente deseja?
Eu acho que Deus fez o nosso mundo como quem programa um computador: há uma inteligência em torno disso, mas não há um envolvimento. Ação e reação, tudo acontece de forma automática, sem que aquela inteligência nem tome nota da sua existência. Mas que botões apertar (e como?) para fazer o programa funcionar como a gente deseja?
quinta-feira, 28 de março de 2013
Sorteados no amor
A gente cresce achando que todo mundo vai se casar. Mas o casamento nasceu um negócio, por isso abrangia quase todo mundo. Por amor acho mais difícil. É mais fácil eu nunca me casar do que casar com qualquer um. Ou eu acabaria com o pobre ou comigo mesma, o que me levaria a tomar aversão dele de qualquer jeito. Sou mesmo uma rebelde-passiva.
Mas é tão difícil acontecer um encontro de verdade, uma parceria para a vida. Acho 90% dos casais ao meu redor sem graça. Tão frios um com o outro que a impressão dada é que só foram adiante por medo de morrerem sozinhos na madrugada. Um corpo frio ao lado, na cama, para dar socorro no meio da noite. Uma masturbação terceirizada uma vez por semana. Se não houvesse o escuro e o silêncio (e a vergonha social) nunca se juntariam.
Sorte para quem o amor veio. E ainda tem gente que joga o "bilhete premiado" na lixeira.
Mas é tão difícil acontecer um encontro de verdade, uma parceria para a vida. Acho 90% dos casais ao meu redor sem graça. Tão frios um com o outro que a impressão dada é que só foram adiante por medo de morrerem sozinhos na madrugada. Um corpo frio ao lado, na cama, para dar socorro no meio da noite. Uma masturbação terceirizada uma vez por semana. Se não houvesse o escuro e o silêncio (e a vergonha social) nunca se juntariam.
Sorte para quem o amor veio. E ainda tem gente que joga o "bilhete premiado" na lixeira.
"Já decidi que o dinheiro não vai pagar a minha paz"
Ninguém notou, mas essa semana eu tirei o jornal A TARDE do meu perfil do Facebook. Nada aconteceu. Apenas quis deixar claro para a sociedade - pode ser só para mim mesma, que é quem interessa - que aquele emprego, embora pague as minhas contas - e eu lhe seja grata por isso -, não me define. Porque sou muito mais do que isso, sabe? Eu sou aquilo que me "cutuca" aonde quer que vá para fazer o melhor; que "conversa" comigo enquanto estou no ônibus; que pede, quase exigindo, para fazer diferente; que reza por alguém que nem sabe disso; ou que, na banda B, deseja que o lerdo da fila do self service engasge com a azeitona. Eu tenho a minha importância e uma movimentação que acontece independentemente das minhas máscaras sociais.
Achou piegas? Mas é fato. Percebo uma tendência das pessoas em transferir o seu valor próprio para o cargo que ocupam (ia dizer dinheiro que ganham e capacidade de consumo, mas nem todos chegam lá, a exemplo de nós, que trabalhamos com jornalismo). Então você pode ser um fracasso na sua vida pessoal, se for famoso em sua área, ninguém vai te dizer nada. Mesmo quem for te questionar, vai fazer invejando. E você, sabendo disso, vai se esconder atrás da sua posição social.
Claro que é bom desenvolver uma habilidade e poder viver dela, ser reconhecido. Nada contra ganhar dinheiro - quero deixar beeem claro. Mas gosto de ter a oportunidade de viver outras experiências, de seguir o meu ritmo, ou seja, de escolher. Sou adulta e, claro, nem tudo que eu quero me convém. Mas que diabos eu faço nessa Terra se nem ao menos luto pelo maior quinhão de dignidade que me é possível?! Já tentei e não rola me "maquinizar".
Ao contrário do que diz Tim Maia, eu nasci para o trabalho. Mas não nasci para sofrer. Eu descobri que a vida é muito mais que vencer.
A gente anda se sacrificando muito por amor à carreira (quiçá por "amor" ao status dela) e principalmente por medo (no fundo é isso). Será que vale a pena?
Cresci achando que valeria, mas já penei tanto nessa área, que a conclusão a que cheguei é que estou em primeiríssimo lugar. Aliás, essa é uma questão interessante: vir em primeiríssimo lugar é mais difícil que qualquer outra coisa. No mercado as regras estão mais ou menos ali. Para "ser" há de se empenhar uma vida inteira em se descobrir. Quem encara a fera? Meia dúzia de doidos.
Um dos segredos do bem viver é ter carinho com a gente mesmo, como de mãe para filho. Se o seu pimpolho não fica bem na escola, sofre bullying, você vai deixa-lo lá só porque é a melhor da cidade? Acho que não. O bem estar dele vem primeiro. Mas muita gente faz isso com o trabalho. Que triste. Acho mesmo. Sacrifício ao nada, como diz Nilton Bonder.
Ser workaholic não é bonito. Assim como poder comer muita porcaria só porque não tem tendência para engordar ou como comprar coisas das quais você não precisa para ter uns trecos "de última geração". A questão é que quase não há mais espaço para ser diferente disso. Você tem que brigar e não só externamente. Os "rounds" mais violentos são internos: se você não se adapta ao esquema máquina, começa a se achar problemático e preguiçoso.
Pois eu quero viver de outro jeito. Quero ser produtiva, mas não amanhecer e anoitecer no trabalho, inclusive aos finais de semana e feriados. Eu quero ter o direito de executar as tarefas no meu próprio ritmo. Afinal, sou uma pessoa e não de ferro. É meu direito ter o meu estilo respeitado; o importante é o resultado e o comprometimento.
Não concordo com o que fazem com o trabalhador brasileiro. Esse esquema não é para mim. Minha vida não é o que acontece antes e depois do trabalho. Essa atividade é que faz parte da minha vida, o que eu faço tem que estar a serviço de quem sou.
Achou piegas? Mas é fato. Percebo uma tendência das pessoas em transferir o seu valor próprio para o cargo que ocupam (ia dizer dinheiro que ganham e capacidade de consumo, mas nem todos chegam lá, a exemplo de nós, que trabalhamos com jornalismo). Então você pode ser um fracasso na sua vida pessoal, se for famoso em sua área, ninguém vai te dizer nada. Mesmo quem for te questionar, vai fazer invejando. E você, sabendo disso, vai se esconder atrás da sua posição social.
Claro que é bom desenvolver uma habilidade e poder viver dela, ser reconhecido. Nada contra ganhar dinheiro - quero deixar beeem claro. Mas gosto de ter a oportunidade de viver outras experiências, de seguir o meu ritmo, ou seja, de escolher. Sou adulta e, claro, nem tudo que eu quero me convém. Mas que diabos eu faço nessa Terra se nem ao menos luto pelo maior quinhão de dignidade que me é possível?! Já tentei e não rola me "maquinizar".
Ao contrário do que diz Tim Maia, eu nasci para o trabalho. Mas não nasci para sofrer. Eu descobri que a vida é muito mais que vencer.
A gente anda se sacrificando muito por amor à carreira (quiçá por "amor" ao status dela) e principalmente por medo (no fundo é isso). Será que vale a pena?
Cresci achando que valeria, mas já penei tanto nessa área, que a conclusão a que cheguei é que estou em primeiríssimo lugar. Aliás, essa é uma questão interessante: vir em primeiríssimo lugar é mais difícil que qualquer outra coisa. No mercado as regras estão mais ou menos ali. Para "ser" há de se empenhar uma vida inteira em se descobrir. Quem encara a fera? Meia dúzia de doidos.
Um dos segredos do bem viver é ter carinho com a gente mesmo, como de mãe para filho. Se o seu pimpolho não fica bem na escola, sofre bullying, você vai deixa-lo lá só porque é a melhor da cidade? Acho que não. O bem estar dele vem primeiro. Mas muita gente faz isso com o trabalho. Que triste. Acho mesmo. Sacrifício ao nada, como diz Nilton Bonder.
Ser workaholic não é bonito. Assim como poder comer muita porcaria só porque não tem tendência para engordar ou como comprar coisas das quais você não precisa para ter uns trecos "de última geração". A questão é que quase não há mais espaço para ser diferente disso. Você tem que brigar e não só externamente. Os "rounds" mais violentos são internos: se você não se adapta ao esquema máquina, começa a se achar problemático e preguiçoso.
Pois eu quero viver de outro jeito. Quero ser produtiva, mas não amanhecer e anoitecer no trabalho, inclusive aos finais de semana e feriados. Eu quero ter o direito de executar as tarefas no meu próprio ritmo. Afinal, sou uma pessoa e não de ferro. É meu direito ter o meu estilo respeitado; o importante é o resultado e o comprometimento.
Não concordo com o que fazem com o trabalhador brasileiro. Esse esquema não é para mim. Minha vida não é o que acontece antes e depois do trabalho. Essa atividade é que faz parte da minha vida, o que eu faço tem que estar a serviço de quem sou.
domingo, 24 de março de 2013
"Eu fico triste...Alegre!"
Outro dia, conferindo meu backup, me deparei com essas imagens do São João 2008.
50% das fotos são impublicáveis, pois estava com cara de bêbada. Essa foto aí, a primeira, então, tá a cara da decadência. Sabe aquela coisa "bêbado, velocidade 5 - o início da deprê"?! Repare no bico. hahaha
(Vendo essas fotos, gostei de ver como estava bem fisicamente. Bendito pilates! Mas não foi só isso. Nesses dias eu estive feliz. Isso faz taaanta diferença!)
50% das fotos são impublicáveis, pois estava com cara de bêbada. Essa foto aí, a primeira, então, tá a cara da decadência. Sabe aquela coisa "bêbado, velocidade 5 - o início da deprê"?! Repare no bico. hahaha
(Vendo essas fotos, gostei de ver como estava bem fisicamente. Bendito pilates! Mas não foi só isso. Nesses dias eu estive feliz. Isso faz taaanta diferença!)
quarta-feira, 20 de março de 2013
Sentimentos fugitivos
Ai, velho, eu tô chegando no limite com esse deslocamento. Isso aqui não me pertence, já mais que deu. Eu quero fugir, trocar de nome, mudar de rosto até. Quem sabe bater a cabeça na pedra e perder a memória. Seria perfeito. Quando eu for, quero esquecer isso aqui. De verdade. Em especial o jornalismo e uma boa parte das pessoas que conheci por causa dele.
Na próxima encarnação, vou botar duas cláusulas, escritas no capslock, na zorra do contrato:
1. Quero viver uma vida estruturada, em que eu não sofra tanto para obter o mínimo;
2. Quero vir entre amigos.
Na próxima encarnação, vou botar duas cláusulas, escritas no capslock, na zorra do contrato:
1. Quero viver uma vida estruturada, em que eu não sofra tanto para obter o mínimo;
2. Quero vir entre amigos.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Teologias alternativas
A segunda-feira de Carnaval chegou com o anúncio da renúncia do Papa. Subitamente passei a gostar mais dele que do antecessor. Renunciar é humano. Demasiadamente humano para um homem de mais de 85 anos. Há de ter coragem.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Sobrinhos
Moça, se alguém disser que você corre o risco de ficar pra titia, sorria e diga "amém". Ô coisa boa!... Se eu pudesse, encomendava uns 10 sobrinhos.
Como tive o azar de não ter irmãs parideiras, estou arrecadando pimpolhos de amigos, ao redor do mundo inclusive.
Esse da foto é Corentin, ou Titou, um napolitano nascido em 20 de janeiro. Ele é filho de minha amiga Ayu, que conheci em Paris há dois anos quando foi morar com o pai dele, Vincent.
[Quando assisti "Indochina", aos 14 anos, nunca imaginei que teria um sobrinho franco-indonesiano. hahahaha]
Mas lógico que rolam uns estresses nessa atividade. Felipinho ganhou um smart baby de mim e de meu pai de aniversário. Fiquei sabendo que ele só deixa encostar no possante umas duas garotinhas do condomínio (que safado!). Senti ciúmes. Não estou preparada para lidar com as periguetes dando em cima de meu sobrinho.
Como tive o azar de não ter irmãs parideiras, estou arrecadando pimpolhos de amigos, ao redor do mundo inclusive.
Esse da foto é Corentin, ou Titou, um napolitano nascido em 20 de janeiro. Ele é filho de minha amiga Ayu, que conheci em Paris há dois anos quando foi morar com o pai dele, Vincent.
[Quando assisti "Indochina", aos 14 anos, nunca imaginei que teria um sobrinho franco-indonesiano. hahahaha]
Mas lógico que rolam uns estresses nessa atividade. Felipinho ganhou um smart baby de mim e de meu pai de aniversário. Fiquei sabendo que ele só deixa encostar no possante umas duas garotinhas do condomínio (que safado!). Senti ciúmes. Não estou preparada para lidar com as periguetes dando em cima de meu sobrinho.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Me manche?
O dia da saudade foi essa semana. Refleti em voz alta no Facebook que não sinto saudade. E não sinto mesmo. Podem culpar meu Urano na casa 4, mas graças a Deus se existe um mal em mim é ter a mente no futuro. Nada de passado.
Não que tenha sido ruim. Acho que tive uma vida melhor do que posso perceber. Mas é que tenho um pouco da filosofia de Alice, do filme Closer. "Se você ainda ama, não deixa". Em qualquer situação é assim que funciona. E já que tudo foi gasto, não há por que voltar atrás. Algumas vezes a decisão de ir embora não vem de nós. Mas o tempo enterra tudo. E eu sei disso desde pequena. Desde que deixei Brasília. E digo mais: nada é como antes quando se retorna. Por isso mesmo não vale a pena voltar.
Tudo passa. As lembranças ficam. Mas algumas já estão bem distantes agora, e parecem pertencer a uma vida anterior.
Hoje, na festa de Yemanjá, fiquei me questionando o que vou levar da Bahia quando for embora daqui. Acho que esse vai ser sempre um lugar ao qual vou gostar de voltar. Mas acredito que novamente não vou sentir saudade. Não se eu for para um lugar com natureza. Acho que vou levar apenas a priorização da qualidade de vida.
Acho que nasci para ser andarilha e não pertencer a lugar nenhum. É isso.
Não que tenha sido ruim. Acho que tive uma vida melhor do que posso perceber. Mas é que tenho um pouco da filosofia de Alice, do filme Closer. "Se você ainda ama, não deixa". Em qualquer situação é assim que funciona. E já que tudo foi gasto, não há por que voltar atrás. Algumas vezes a decisão de ir embora não vem de nós. Mas o tempo enterra tudo. E eu sei disso desde pequena. Desde que deixei Brasília. E digo mais: nada é como antes quando se retorna. Por isso mesmo não vale a pena voltar.
Tudo passa. As lembranças ficam. Mas algumas já estão bem distantes agora, e parecem pertencer a uma vida anterior.
Hoje, na festa de Yemanjá, fiquei me questionando o que vou levar da Bahia quando for embora daqui. Acho que esse vai ser sempre um lugar ao qual vou gostar de voltar. Mas acredito que novamente não vou sentir saudade. Não se eu for para um lugar com natureza. Acho que vou levar apenas a priorização da qualidade de vida.
Acho que nasci para ser andarilha e não pertencer a lugar nenhum. É isso.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
"Dá a César o que é de César..."
"... E a Deus o que é de Deus.""
Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.
... Ou não.
Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:
- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!
Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.
Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...
Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
"Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.
Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.
Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.
Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas. Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.
Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.
... Ou não.
Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:
- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!
Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.
Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...
Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
"Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.
Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.
Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.
Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas. Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.
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