Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 31 de maio de 2009
Ponto de luz
Doença Mental
quarta-feira, 20 de maio de 2009
O Vôo da Canarinha

A amarelinha nos deixou na última sexta-feira. Calma! Graças a Deus, ela está vivíssima, de corpo e espírito, como sempre! Apenas trocou SalCity pela Cidade Maravilhosa - que vidinha chata, hein, pessoa? Local mais apropriado para uma malandra não há (quem conhece a figura, sabe! hahaha).
Vou sentir muita saudade, mas tô muito feliz por minha amiga. Inteligentíssima, gente boa pacas, ela vem cumprindo a profecia que fez para si mesma quando botou, há anos, na sua descrição em um site de relacionamentos, o Poeminha do Contra, de Mário Quintana:
"Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho"
Mari me lembra um tempo bom, lá por volta de 2002-2003, no qual a gente fazia coisas divertidas de adultos mas sem a pressão da vida adulta. Coisas de criança, também, como a ida à Igreja Universal do Reino de Deus, que só podia ser invenção, mesmo, de dona Mariana! hahaha... Oh, ainda lembro da amarelinha, sentada na cadeira do auditório de Biologia, que nem criança pequena, esperando ansiosamente o resultado de um prêmio PIBIC ao qual ela concorria. "Ô, Brito, se acha que rola d´eu ganhar esse computador?". The sweetest thing.
O Rio de Janeiro tá com sorte! ;)
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Amicizia
A reunião aconteceu há 3 meses, quando Samantha (de cinza) veio da Itália para alguns dias de férias. Entretanto, seguindo a nossa tradição terceiro mundista, a foto só veio a baila agora (risos). Pois é, doutora Samantha está com a moral e não está sabendo. Até que a ragazza conseguiu agregar uma boa parte da galera, isto é, se considerarmos que ela nos convidou às vesperas do Carnaval. Claudinho e eu tivemos presenças virtuais, comparecemos via Embratel.PS.: Ô Ingrid, abre esses olhos, pô! rsrs
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O.B. servações
Radicalismo
Às vezes as pessoas nem estão de todo erradas, mas o radicalismo do ponto de vista acaba botando todo o discurso a perder. Vejam a entrevista dessa feminista. Um amontoado de opiniões extremistas!
Nelson tinha razão: elas querem transformar a mulher num macho mal-acabado.
Por que não eu?!
Gostaria que meu pai tivesse tido o mesmo insight do pai da Bundchen, há 15 anos:
"Gisele, quem tem personalidade tem nariz grande. Você tem muita personalidade.”
Por que não eu?! [2]
Alosa foi para Washington DC e New York, de graça, diz ele que a trabalho. Nem Cláudio, o mais bem-sucedido entre nosotros hasta o momento, teve tal regalia - Claudinho, tô mentindo? Alguém lá no TM já te pagou passagem para qualquer lugar desses?
Hoje à noite, terei um cara a cara com Alá. Perguntarei, na lata: "O que Alosa tem que não tenho, poooxa!"
Mas, pra variar, apesar da minha indignação com a sorte da fraude, botei o sorriso de mãe de miss na cara assim que vi a fotinho dele em frente a Estátua da Liberdade, todo empacotadinho, que nem um charuto cubano... "Se me acaba el argumento y la metodología, cada vez que se aparece frente a mí tu anatomía...". Shakira me entende!... :P
Pró-Atividade
Estava dando uma olhada nos classificados sexuais, enquanto fazia hora, e me deparei com o seguinte anúncio: "Maurício, dou de graça, só para homens". Achei isso o cúmulo da pró-atividade e, por que não?, da caridade. Baixo-astral, sem dúvida, mas audacioso. Agora ficou faltando um dado essencialíssimo aí, que não é o telefone. Mentes poluídas, podem matutar à vontade a respeito.
PS.: Há meses fiz a pergunta e até hoje ninguém me esclareceu o que quer dizer "abafadinha"! Humpf!...
Bompreço, más línguas
Outro dia, na fila do Bompreço, uma senhora muito simpática [que, inclusive, me cedeu o lugar na fila] comentou o seguinte, ao ler a chamada para a matéria da gravidez da namorada de Dado Dolabella: "É ter muita coragem, é pedir para ser mãe solteira! Onde essa moça está com a cabeça?!". Gente, Dado tá queimadíssimo!! E sabe o que é pior: ele está tão queimado, que até anda ofuscando a má fama da ex, Luana Piovani. Caramba, quando sua fama é tão ruim que ninguém nem se lembra mais de esculhambar uma barraqueira como a Piovani, quer dizer que o treco tá feio mesmo! Fim de feira, como diria Leão Lobo!
Por falar nisso, inicio, aqui, uma campanha pela mudança do nome "Bompreço". É muita baixaria de uma vez só: aquele mercado já é um roubo, tem uma fila que é quilométrica e nonstop, não tem empacotador, o saco é mega vagabundo e ainda por cima se chama "Bompreço"! Eu saio de lá moralmente arrasada. Saudade do tempo em que ia ao Carrefour, viu!
Uma questão de talento
Tenho uma teoria sobre a prostituição ["tenho uma teoria" sempre me remete a cara de desespero de Guto quando começo uma conversa com essa frase! hahaha], ou melhor, sobre ser prostituta. Eu nunca acreditei que alguém pudesse viver nessa condição sem querer isso. Você pode até entrar involuntariamente no ramo e no caso de ter sido seqüestrada por alguma rede de tráfico de mulheres, justifica-se permanecer ali, afinal encontra-se sob pressão. Mas a maioria, na boa!, fica porque gosta - não entendo muito bem como é possível gostar disso, mas há quem curta. Suspeito, por causa de alguns casos sobre os quais já escutei, que tenha a ver com um certo descolamento entre a personalidade e o próprio corpo, como se alma e matéria funcionassem de forma independente uma da outra.
Esse era o caso de Marilyn Monroe, pelo que já li. Dizem que, numa determinada época antes da fama, passou a ganhar a vida fazendo strip-tease. Um cliente, então, pediu para que ela fizesse uma performance particular num quarto de hotel. Chegando lá, o sujeito quis o "show" completo, claro, e ela topou. Disse que aquilo - sexo - não significava nada para ela e que por isso não viu motivos para não fazer o programa com o sujeito e pegar a grana.
Ainda assim, mesmo teorizando sobre a questão, continuo não entendendo; fico maravilhada e intrigada com o desprendimento dessa mulherada... Tem gente para tudo neste mundo... Mais surpreendente do que quem é indiferente ao próprio corpo, é quem gosta que estranhos se utilizem dele. É o caso de Gabriela Leite, a líder da grife Daspu, que hoje em dia é prostituta aposentada. Ela, ao que parece, curtia muito ser puta. Seu caso não foi de necessidade. Not at all!... "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabrieeela...".
Acho que nunca vou entender essa galera... Mas há algo de bom nisso: tenho agora mais um elemento para continuar implicando com a Capitu escrita por Manoel Carlos, em "Laços de Família". :D
É, tô vendo que o meu mal é querer ser indivíduo demais nesse mundo louco, de sentimentos frouxos e condutas banalizadas!... :(
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Caeiro
Mas não penso nele |
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Omissão e Aceitação
"Senhor, dai-me coragem para mudar o que pode ser mudado, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra."
Uma das situações mais difíceis da vida adulta é se deparar com uma injustiça e não poder fazer nada a respeito. Infelizmente, essas situações não são raras. E o pior, até que a punição chegue ao vilão da história, demora-se muito tempo, às vezes mais que o tempo de uma vida. Até lá, é preciso aceitar, por mais que a impunidade [momentânea] nos doa.
Mas muita atenção na diferença entre aceitar e ser omisso. Aceitar pressupõe deixar o fato se desenvolver por si só, na falta de condições de resolvê-lo sozinho; ser omisso é ser covarde, é ser indiferente diante de uma situação na qual cabia perfeitamente uma intromissão sua.
A aceitação é um processo muito difícil para a esmagadora maioria dos seres humanos. Talvez porque mais do que nunca vivemos numa sociedade cujo pilar é a crença de que somos responsáveis por tudo o que nos acontece e que estimula a fantasia do controle. Dos BBBs aos celulares com GPS, tudo leva a crer que estamos no comando, de modo absoluto. Que ilusão. Ilusão essa, aliás, que serve muito bem a uma sociedade de consumo como a nossa.
Uma boa parte da humanidade ocidental passa por crises em relação a essa idéia de controle, em algum ponto da vida, geralmente em torno dos 50 ou dos 60 anos de idade. A chegada da velhice, com as primeiras grandes limitações físicas e a proximidade da morte, nos faz perceber que não somos tão potentes e que temos, sim, limites de ação. A minha crise veio muito mais cedo, aos 20 anos, e culminou na minha ida, no início deste ano, a um centro religioso indiano para aprender sobre meditação. Falei sobre isso com uma amiga que, para a minha surpresa, topou a aventura. O curso foi bem interessante e fazê-lo com a tal amiga foi bom para estreitar laços. Não consegui exatamente o que queria, mas ganhei algo de que precisava.
Chego agora no ponto que desejava: numa das aulas, o professor falou sobre a importância de sermos um observador desapegado. O tema, que a princípio parece simples, gerou a maior polêmica dentre todos os ensinamentos do curso.
Claro, só poderia! É que ser um observador desapegado vai de encontro com a nossa cultura do "make it happen" e a nossa moral cristã. As pessoas questionavam o professor: "Quer dizer que se uma velha com uma criança estão mendigando na rua, devo fingir que não é comigo?". Minha amiga ficou confusa com a idéia. Ela dizia: "Juli, isso é impossível para mim! Se alguém te sacaneia ou se você está sofrendo, eu, como amiga, tenho que fazer alguma coisa. Acho que sou mundana demais", resmungava.
O professor cortou um dobrado para explicar seu ponto de vista, e eu sentia que a resistência do povo era tão forte que eles simplesmente não queriam entender [porque a explicação foi bem clara]. Aliás, nem deveria me surpreender com isso. É incrível a resistência que as pessoas têm em absorver ensinamentos que divirjam dos seus conceitos. Tem gente que é tão cabeça dura, que a idéia vem, bate com toda força mas cai pro lado, coitadinha!...
Por "observador desapegado" entenda-se o comportamento de aceitar o mundo como ele é, de fluir com a corrente da vida. Num estágio mais avançado, você simplesmente não sofre nem se apega porque não mais deseja. Essas religiões orientais, assim como o kardecismo, pelo pouco que conheço, entendem o sofrimento como uma oportunidade, ou de pagar um mal feito no passado e se livrar do carma ou de desenvolver uma habilidade que o fará um ser humano mais preparado para a vida. Por esse motivo o professor insistia nesse ponto. O pessoal não entendeu que não havia ali uma apologia a permissividade ou a indiferença, mas um convite à mudança de visão a respeito do sofrimento - algo difícil nesse momento de ode ao hedonismo em que vivemos, no qual, mais que em qualquer outra época, sofrer virou coisa de otário, como se uma vida sem sofrimento fosse possível. Ai, ai... Como bem disse Pessoa, "quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor".
Por último, já vencido pelo cansaço, apenas aconselhou: "Siga seu coração".
Se pensarmos bem, o coração é um juiz de grande valia. Não é fácil decidir racionalmente. As pessoas têm medo de seguir seus sentimentos, mas na minha opinião, somos muito mais passíveis de engano agindo através da mente. Separar aceitação de omissão não é bolinho! Ouvir o coração é fundamental nessas horas.
Eu venho de uma família passional, neste sentido. Cresci sendo ensinada a ajudar, a não ser indiferente ao sofrimento alheio. Minha mãe, por exemplo, uma vez deixou de fazer a minha roupa da apresentação anual da academia de dança para fazer a da vizinha, amiguinha de minha irmã, que tinha uma mãe alcoólatra e estava passando por uma fase conturbada em casa.
Para mim, esse tipo de dilema é sempre custoso, desgastante. Odeio passar por isso! Pior, odeio não poder corrigir uma injustiça! Mas c´est la vie. O sofrimento é sempre uma oportunidade, e eu tenho aproveitado os casos do tipo, que vem me ocorrendo nos últimos tempos, para desenvolver na prática aquilo que defendo na teoria.
Há uns dois anos e pouco, estive numa saia-justa ética. Tudo começou quando fui checar meu resultado num concurso público federal. Estava eu passando as páginas do pdf, quando meu olho bateu em cima do nome de um conhecido dos tempos da escola. Olhei para cima e vi o que não queria ter visto [não ao menos para ficar na condição que fiquei, entre a cruz e a espada]: o fulano havia se classificado nas vagas para deficientes!!
A indignação subiu na hora. Os pensamentos começaram a surgir como raios. Tentei dar o benefício da dúvida, tentei não pensar mal do sujeito [para o meu próprio bem, inclusive], mas esse tipo de atitude casava muito bem com o comportamento do fulaninho nos tempos do colégio. Desde aquela época, ele já dava mostras do seu egoísmo e da sua elasticidade de caráter. Tentei acreditar que talvez ele tivesse sofrido um acidente e tivesse sendo verdadeiro. Cheguei a checar a história com três amigas em comum e nenhuma sabia dizer algo a respeito [elas sabiam que não havia acidente, deficiência, mas não quiseram se comprometer]. Isso só me fez ter certeza do óbvio: ele estava tentando pegar a vaga através de uma fraude. A mãe dele é médica. Meu pensamento foi de que talvez ela conhecesse o médico do tal órgão e já estivesse com tudo arranjado. Se isso fosse verdade, ficaria duplamente triste, pois sempre tive simpatia pela mãe desse rapaz.
O sangue foi todo pra cabeça. O fulano é um mauricinho, filho da classe média alta, que teve e tem todas as oportunidades de estudo; era só se esforçar que conseguiria o mesmo resultado através do próprio esforço. É aquela coisa: o brasileiro não dá um pingo de valor ao mérito, ao trabalho duro; "ser foda" é conseguir as coisas na malandragem, na base da "esperteza". Será que algum dia as pessoas, neste País, vão se tocar que o "ser ou não ser foda" está nos meios que se usa e não nos fins alcançados?!... E é como digo, três listas, para mim, são sagradas: a de transplante, a de vestibular e a de concurso. Tem gente que vende até o carro e larga o emprego para investir nisso, poxa!...
Os dias foram passando, a história foi crescendo na minha cabeça e a minha raiva foi subindo cada vez que pensava no assunto. Eu queria denunciar o caso, mas isso me causaria problemas pessoais, pois arrumaria uma meia dúzia de inimizades com gente que foi meu amigo de infância, praticamente. Que fazer?
No auge da ansiedade, escrevi a um amigo advogado e foi ele quem conseguiu me acalmar. Acho que meu amigo percebeu o tamanho da minha indignação e, num pensamento inspirado, me tranqüilizou com o seguinte argumento: "Mesmo que ele ou a mãe conheça alguém lá, vai ser difícil ele ser admitido não sendo deficiente de verdade. Diria que quase impossível. Se ele entrar, alguém, uma hora, vai descobrir e ele vai ser posto para fora de lá".
Foi assim que consegui largar o osso, finalmente. Eu nem sei que fim levou essa história e nem quero saber. Aliás, para que saber tanto? Só para passar raiva? Sempre me pergunto o que Deus quer de mim nessas situações. Só pode ser testar meu autocontrole, minha paciência. Tarefa nada fácil para a minha pessoa. Como diz a letra daquela canção do Coldplay, "a parte mais difícil é deixar rolar e não tomar partido". "It really breaks my hearrrt...".
Às vezes bancar o justiceiro é um risco incalculado e que tem um alcance que a gente nem imagina, a princípio. Mas em certas ocasiões nada paga a sensação de dever cumprido, apesar dos riscos.
Minha irmã que está morando no exterior quase se deu mal desmascarando uma criatura perigosa que estava pegando o dinheiro de uma turma de brasileiros. Ela poderia estar até morta agora, mas como a pessoa não tem um pingo de juízo na cabeça, não contou até três e, assim que descobriu a vigarice, pôs a boca no mundo. De quebra, acabou ajudando um monte de gente a se livrar de uma criatura dissimulada, desonesta, sanguessuga [o termo anda banalizado, mas essa criatura é uma psicopata, definitivamente!]. Depois disso, essa turma de brasileiros ficou muito amiga da minha irmã, que havia acabado de chegar naquele país; sabiam que muita gente boa se omitiria numa situação dessas, por medo. Nunca disse isso a minha irmã para não botar lenha na fogueira, já que a criatura não tem muita noção do perigo [risos], mas fiquei com um orgulho retado dela por conta disso.
Na época do colégio, eu me dava bem com todo mundo, mas não ia nem um pouco com a cara de um certo professor [não vou dizer de que matéria, pois ele virou estrela da área dele, então...]. Desde o 1º ano, eu falava ao pessoal da minha turma: "Ei, prestem atenção que esse professor é um falso e, além disso, uma fraude". Tirando uma amiga nada impressionável e a minha melhor amiga na época, ninguém mais botava fé na minha opinião. As pessoas não costumam ver além das aparências e como o fulano era do tipo brincalhão, a galerinha se deixava levar por isso, apostava que o sujeito era gente boa. Com o tempo, cansei de "pregar sozinha no deserto" e lavei as mãos.
Meus olhos são pequenininhos mas são atentos. Sou da teoria de que as entrelinhas, os pequenos gestos, revelam a verdadeira personalidade. Eu só ficava observando o movimento. Eu percebi que esse professor vigarista estava causando intriga entre dois professores que eram compadres, quase irmãos. Um deles, deslumbrado com a ascensão desse fulano, começou a debandar para o outro lado, abandonando o ex-grande amigo e virando o melhor amigo do outro. Até o jeito de dar aula da criatura chucky ele começou a copiar. Era patético! O cachorro e o dono. Gostava dele, até porque é uma pessoa de bom coração, mas me matava ver a sua absoluta falta de personalidade. E também a ingratidão para com o outro amigo [e se tem uma coisa que dói na alma é traição de amigo!]. Como sabiamente disse Cláudio, uma vez, "é muita falta de referência".
Uma coisa que havia reparado no jeito desse professor antipático lecionar é que ele não ensinava zorra nenhuma. Ele não sabia explicar, era péssimo de esquema, mas era brincalhão e elaborava provas difíceis. Daí vinha a falsa fama de que era um professor retado, muito competente: o aluno aprendia não por causa dele, mas por causa do livro e do conhecimento prévio de que a prova seria difícil, o que forçava quem quisesse passar a estudar muito. O que passei a fazer? Simplesmente pensava na morte da bezerra à vontade, enquanto ele falava, e "tomava aulas particulares" com o livro, que era ótimo.
Numa das provas, fui a única a tirar uma nota azul. Ele quis argumentar que não falhara mas sim a turma, me usando como argumento, tipo, "se Juliana conseguiu tirar a nota, vocês também poderiam; a aula foi a mesma para todos". Eu pedi a palavra. Acho que ele pensou que eu iria agradecer a menção elogiosa e criticar a turma, mas aconteceu o contrário. Desmascarei o método dele na frente de todo mundo - com educação, claro, mas essas coisas não contam muito para o ser criticado. Ele ficou vermelho e parou de falar. Seguiu a aula.
Uns dois anos depois, na aula final desse professor bonzinho que perdeu a amizade do outro professor, estávamos somente duas colegas, o professor e eu, e o nosso mestre nos fez uma confidência: essa minha crítica foi assunto de todo conselho de classe daquele dia em diante. O tal professor vigarista sempre tocava no assunto, com amargura: "Porque tem aluno nessa escola que diz que eu não dou aula direito!...". Detalhe: o sujeito nem sabia que eu existia antes desse episódio, mas daquele dia em diante, passou a me tratar com uma simpatiaaa, embora quisesse afogar minha cabeça num tanque de água, isso sim!... O professor injustiçado e eu já rimos disso. Muito! Não só daquela vez, mas em outras ocasiões nas quais nos encontramos [a última vez foi em 2004, mais de cinco anos depois do fim da escola]. Os olhinhos dele brilhavam de satisfação. O professor nunca me agradeceu formalmente por isso - e nem precisava -, mas eu sentia no jeito dele o "obrigado" implícito. Não só fiz justiça para os meus colegas, naquele dia, como havia feito para ele também - e, olhe, corria risco e nem sabia, pois se precisasse da criatura chucky para alguma situação de conselho de classe, estaria superferrada! Fiz, sem nem ter a intenção, aquilo que esse professor queria fazer, mas por questões éticas não podia. Bem, minha mania de meter o bedelho onde não fui chamada, dessa vez, serviu para lavar a alma de alguém. Uma vez na vida não me queimei em vão! :D
No final do terceiro ano, a máscara daquele cidadão "de bem" caiu. Ele aprontou uma com a turma, de modo que os alunos que ele calculava que não passariam no vestibular perdessem de ano (para não sujar a boa reputação dele, pode?). Só que a galera descobriu a tempo. Hoje a minha turma sabe que aquele sujeito não é massa, o tiozinho legal, como queria nos fazer crer... Acho que preciso criar uma coreografia do "Eu não te disse?".
Quando a gente é novinho faz dessas coisas, mas depois de uma determinada fase, a idade não mais nos protege, e você tem que escolher suas causas como um adulto. Fica até ruim para a nossa cara ficar comprando briga a torto e a direito, fala a verdade!
Situações como a da colega de trabalho que "dá" para o chefe e sobe na hierarquia vão ser corriqueiras, e não é possível nem justo perder o emprego que custou tanto - e foi mérito! - para posar de paladina da justiça e da verdade, toda vez que se deparar com uma injustiça como essa. Não se trata de cinismo ou de culto à indiferença. É questão de confiar na vida e eleger as brigas que realmente valem a pena. As máscaras, um dia, caem. Sempre caem. Como dizem por aí, "a justiça tarda mas não falha". Essa pessoa, que a princípio é "a esperta", está cavando sua própria cova. Nem todo chefe vai querer "comê-la", o cargo de chefia costuma ser rotativo e a juventude não dura para sempre. O que essa criatura vai fazer quando não puder mais se utilizar da "arma secreta"? Esse menino que fraudou no concurso, mesmo, é um exemplo disso. Sempre passou de ano, no colégio, colando. Quando fez vestibular, nem na primeira fase da Federal passou. Quando saiu da faculdade, bem, essa fase dispensa descrições. Que esperteza a dele, né? Como ele se deu bem na vida!... :P
Enfim, é tão bom ver o destino dando o troco sem a gente ter que sujar as próprias mãos!... Não é questão de jogar praga ou de desejar o mal do próximo, não. É a lei da vida, ou como gosta de dizer a minha mãe, é a lei do retorno. Djalma Argollo - se não me engano, ouvi isso dele - tem uma frase que é supimpa: "O mal é como uma compra de cartão de crédito: você faz hoje, mas pode esperar que um dia a fatura disso chega".
Ser um observador desapegado é um exercício de fé, esforço de compreensão e paciência.
Na dúvida, como disse o professor, siga seu coração. Ele sempre sabe o que é melhor para gente, por mais bobo que isso possa soar. Tudo que precisa saber já está dentro de você.
Ou melhor, aproveitando que estamos próximos do Dia das Mães, se encare como se fosse seu próprio filho. Se você fosse mãe de você mesmo(a), puxaria sua orelha por ter agido assim? Ficaria orgulhoso de você por ter agido assado? Pense nisso.
sábado, 2 de maio de 2009
Liga dos Injustiçados
Sabem qual é o verdadeiro nome de Gretchen? Maria Odete Brito de Miranda. Pois é, nome de bibliotecária. Quem diria... Uma vez, comentei tal dado com meu pai [detalhe: ele não suporta Gretchen!], e ressaltei a presença do "Brito" na certidão de nascimento da "cantora". O velho, que não vale 1 centavo, disparou, na lata: "Minha filha, abafe o caso! A família já não dá o que preste e você ainda quer anexar essa criatura à nossa árvore genealógica?!". Ô, pai, Gretchen é também um ser humano, poxa! Embaixo do silicone bate um coração. Pega leve...Gretchen é uma artista deveras injustiçada. Assim como Magal. Assim como Ronnie Von. Assim como Xuxa.
Foram visionários. Incompreendidos, isso sim!, por estarem à frente do seu tempo.
Gretchen, por exemplo, antecipou o fenômeno da globalização. Quando todo mundo cantava ou em inglês ou em português, Gretchen fazia a Torre de Babel em suas letras. Era um tal de misturar francês com português com espanhol com inglês... Sem dúvida, a primeira artista poliglota do Brasil - e com amortecedores!
Magal foi o primeiro metrossexual que vi na vida. Feminino, sim, mas nem um pouco gay, como o Ney Matogrosso. Para começar, ele nunca cantou nada como "Telma, eu não sou gay". Metrossexual: homem que é mais enfeitado que 90% das mulheres, mas, ainda assim, jura que dá no couro com elas. Ninguém deu valor a Magal. Precisou aparecer o Beckham pra todo mundo respeitar o movimento. Tsc, tsc... Alosa, terá sido racismo?
E o que dizer do Ronnie? Anos antes da guarda compartilhada virar algo habitual e dos homens invadirem a cozinha, o Bonitinho já estava lá, na jovem e van guarda [Ronnie é de "Von" guarda]! Ai, Ronnie!... Tava até comentando com as meninas, ontem: só compro a "G Magazine" em duas ocasiões: se Leão Lobo ou Ronnie Von for a capa.
Xuxa é uma guru de short curto, né? Veja ou leia "O segredo" e verás que tudo se resume a uma frase muy famosa da lôra: "Querer, poder e conseguir", ou como diz a letra de "Lua de Cristal": "Tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar". Enfim, você, fã de "O Segredo", poderia ter poupado seu tempo e o seu real ouvindo os conselhos da Rainha. Ninguém quis escutar a moça... É nisso que dá a falta de humildade!
Mas, pra mim, top of the tops é Wando. Nunca saberei ao certo porque a fórmula ainda não existe, mas tenho certeza de que o Viagra feminino, quando existir, vai ser, por assim dizer, a tradução química para toda a extensa e sedutora discografia de Wando [Uando ou Vando? Dilema!...]. Não, peraí, Wando é o precursor das campanhas de lingerie, apimentadíssimas nos anos 90! Antes de "Duloren" sonhar em fazer anúncios mega provocantes, Wando já cutucava a libido da mulherada e incendiou as paradas com "Fogo e Paixão". Wando é "o" cara - e tenho dito!
Fiel!!!
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Frase(s) da Semana
"Uma mulher só precisa de quatro animais na vida: uma raposa no armário, um tigre na cama, um Jaguar na garagem e um burro para pagar tudo isso."
"Ama o teu proximo - e se ele for alto, moreno e bonitão será muito mais fácil."
"Eu mesma escrevi a história. É sobre uma menina que perdeu a reputação e jamais sentiu falta dela."
"O que conta não são os homens em minha vida, mas a vida em meus homens."
"Claro que meu amante pode confiar em mim. Eu disse a ele que centenas já confiaram."
"O casamento é uma grande instituição, mas eu não estou preparada para as instituições."
"Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má, sou melhor ainda."
"Entre dois males, escolho sempre aquele que nunca experimentei."
"Quando as mulheres erram, os homens vão atrás."
“Nunca amei ninguém do jeito que amo a mim mesma.”
"Mulher é como um chá: nunca se sabe o quão forte ela é até colocá-la na água quente."
"Sua mãe devia tê-lo jogado fora e ficado com a cegonha."
"Os homens não conseguem olhar para um par de seios e, ao mesmo tempo, pensar."
A importância de saber cativar
Segue um trecho de "O pequeno príncipe", que achei muito oportuno postar aqui. Olha, as misses podem até serem leitoras de um livro só, mas elas sabem escolher!
Então a raposa apareceu. "Bom dia", disse a raposa. "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar." "Eu sou uma raposa", disse a raposa. "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste". "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada". "O que significada isso – cativar?" "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços". "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas sem você me cativar então nós não precisaremos um do outro". A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse: "Por favor cativa-me." "O que eu devo fazer para cativar você?" perguntou o Pequeno Príncipe. Você deve ser muito paciente". disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia." Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele – "Oh!" disse a raposa. "Eu vou chorar". "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse". "Adeus", disse o Pequeno Príncipe. "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa".
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Guerra Fria é realmente coisa do passado
É bem verdade que Mel já vinha sendo derrotado pelas armas russas em estado líquido [vodka], mas não suspeitava que também fraquejaria com as sólidas. Tsc, tsc.
Quanto a essa Oksana, não está passando mal, de jeito nenhum. Ô!... Cá aqui entre nós, eis um coroa que super vale a pena [tenho essa opinião desde que ele ainda era trintão e fez aquele filme "Eternamente Jovem"!]; uma raridade mesmo em Hollywood. Além de Mel ser um dos homens mais ricos e famosos dos EUA, tem a fama de beijar muiiito bem - palavra de várias atrizes que já contracenaram com ele, entre elas a lésbica Jodie Foster [costumava me divertir horrores vendo "Maverick"!!] e a veterana Diane Keaton. Será que ele ainda vai arriscar um 8º filho com essa inha aí? Hummm...
Quanto a mim, só fico feliz pela confirmação de Mel da sua preferência por morenas! Apesar de insensível, ele continua, ao menos, inteligente. :D
Mas Robyn não merecia. Tadinha!... Poxa, Mel!... :(
sábado, 25 de abril de 2009
Obama é o cara!
Só espero que o novo presidente dos EUA não faça nada decepcionante, a exemplo do que Lula fez em 2005. Mas se ele pisar na bola e conseguir ser charmoso como Bill, talvez ainda continue achando que é o cara, apesar disso [nada se compara ao cínico imbecil do Lula! O "caríssimo" presidente, no episódio do Mensalão, ficou visivelmente desconcertado, mas não como quem foi desapontado e sim como quem foi pego no flagra. Nem mentir sabe!...].Enquanto nada de ruim acontecer, continuarei empolgadíssima com o governo Obama!!
"YES, WE CAN!!!"
[Lembram dessa frase, em "O professor aloprado"? Sherman costumava devorar o pote de M&Ms enquanto repetia, junto com a tv, esse bordão, dito à exaustão por um guru da boa forma. Era um pouquinho só diferente: "Yes, you can!".]
Isn´t she lovely?


Ó que coisa mais fofa, mais gostosa!... Ainda chama Tom de "Papai Cruise". Ela não é adorável?
[Deus, por favor, manda aí um sobrinho ou vou acabar sendo influenciada por uma certa personagem da reprise das duas da tarde. hehe]
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Até tu, Santorus?
Já que você falou como marcou sua passagem em Cuba, agora quase nove anos depois de sua passagem pela Bahia, para as gravações de “Abril Despedaçado”, o que te vem à memória quando falamos disso?
Cara, passei quatro meses direto aí na Bahia, sem sair daí para nenhum outro lugar. Fiquei em um lugar chamado Ibotirama. Foi uma imersão muito grande, então aquele lugar ainda existe, mora dentro de mim. Tive uma experiência fantástica, nadei muito no Rio Francisco. Foi muito interessante. As pessoas que eu conheci desse lugar eram pessoas conectadas com a natureza. Lembro de ter aprendido muita coisa boa. Todos lá, nem digo só da produção do filme, nos ajudaram a fazer o filme.
(Rodrigo Santoro, em entrevista ao jornal A Tarde, de 24/04/2009)
domingo, 12 de abril de 2009
Menino Maluquinho

Em meia-dúzia de palavras, para quem por acaso não souber de quem se trata, Petrô foi ator de Glauber Rocha, um dos fundadores do Teatro dos Novos e no plano espiritual, filho de Ogum. Um ator nos palcos e na vida. Não me refiro a falsidade ou coisa do tipo. Não foi isso que quis dizer. Aliás, eis um defeito do qual passava longe - sofria, pelo contrário, de sinceridade crônica e aguda. Sabia e gostava, isso sim!, de reinventar a realidade, o cotidiano. De cara, foi nos incentivando a fazer o mesmo:
- Mudem! Comecem pela maneira de tomar banho - aconselhava e depois exemplificava: Pra quê começar de cima para baixo? Comece de baixo para cima, esfregue-se de um jeito diferente!...
Petrô tinha uma implicância séria comigo. Não, não era bem isso. Petrô gostava de me provocar. Para ser mais exata ainda, adorava provocar qualquer um que lhe desse brecha, como se quisesse nos ajudar a desenvolver a capacidade de improvisação.
Lembro de um caso, de um colega de classe malandro, daquele tipo que só pela foto do RG você já identifica o "tipo psicológico" do cidadão. Pois bem, após ter matado o primeiro mês de aula inteirinho, alegando problemas de trabalho, o cidadão veio direitinho uma semana e na seguinte, chegou quase na metade da aula. Detalhe: nosso professor odiava impontualidade. Sabe o que a criatura disse? Que estava atrasado de qualquer jeito, e tinha duas opções: sair sem café da manhã ou se atrasar mais cinco minutos - contagem dele - e tomar café, e que ele priorizou fazer a tal refeição para estar justamente mais disposto no restante da aula. Petrô passou-lhe o sabão na frente da turma, mas seus olhos denunciavam o orgulho que, no fundo, sentia do pupilo. "Ah! Um talento desses no teatro!..." é o que aposto que se passava na cabeça dele, isso sim!
Não tive semelhante sorte. Pelo contrário: ele pegava bastante no meu pé!
Um dia, cheguei atrasada. Acordei com uma cólica de lascar o cano. Ele veio me questionar, com cara de zangado. Eu contei o que havia se passado. Ele simplesmente apontou pra mim e exclamou, diante de toda a sala:
- Tá vendo aí! Tá vendo aí! Não conhece o próprio corpo!
Um dia, quase provocou uma saia-justa entre mim e uma colega. Primeiramente, ele me botou numa sinuca de bico. A colega ao lado, simpática, me auxiliou. Nem tive tempo de me virar para agradecer, e ele foi logo exclamando:
- Tá vendo aí! Neeem agradece!
A tal moça me defendeu e foi aí que ele sossegou.
Por último, fui sugerir algo que não me recordo exatamente, e ele comentou:
- Ela tem nome de imperador! Olha como ela é autoritária!
Poxa, começo a pensar que ele não ia, realmente, com a minha cara! :( Não, peraí que ele me fez um elogio, uma vez: disse que eu era atenta aos outros e valorizava as falas de meus colegas nas minhas próprias falas. Também gostou do plano de vida que tracei para mim, no nosso exercício final da disciplina [belo plano, mas pena que ele ainda não se concretizou! :D]. Petrô, aliás, tinha uma "superstição": a de que as coisas só acontecem na nossa vida quando fixamos uma data para isso, quando botamos prazo para que elas se concretizem.
Petrô também dava muita importância à sedução e à família.
Como grande parte dos homens sensíveis, do teatro, ele dava muito valor à figura feminina. Até nos indicou umas leituras a respeito. Contou, várias vezes, as artimanhas de moleque que usou para seduzir a esposa, Vanda Machado.
Uma vez, discursou longamente sobre a importância do perfume. Por fim, sobrou para moi cheirar a barba dele. Pode?! Com Petrô, podia tudo! Ô!... No final do semestre, ao comparar minha nota com a de Alosa, fiquei brava ao ver que a pessoa havia passado com meio ponto a mais que eu na média. Pensei, chateada, cá com os meus botões: "Poxa vida, Alosa não fez nada e eu até tive que cheirar a barba da criatura!...".
Admirava à beça a relação afetuosa que tinha com o neto. Sua relação com essa criança, a julgar pelo que contava em sala, era das mais estreitas. Deveria ser uma delícia para o menino ter um avô como Petrô. Pense aí: de um lado, o garoto tinha por perto alguém com ampla vivência, muita coisa para transmitir, uma grande visão de vida; do outro, um velho com alma de criança, que falava de igual para igual com ele e que, acima de tudo, tinha verdadeira adoração pelo pequeno.
Quando o nobre ator morreu, há quase quatros anos, pensei no neto. A grande perda naquele momento, a meu ver, era do neto do falecido. Teria sido valioso para o menino tê-lo por perto na puberdade e na época da faculdade, pelo menos.
Não saberia dizer se Petrô intuía que lhe faltava pouco tempo de vida, mas era inegável a importância que dava à tarefa de transmitir sua experiência aos mais novos. Pouco aprendemos de teatro na disciplina. Pouco nos exercitamos nessa arte. Mas ele gostava de ensinar e queria sinceramente nos preparar, de algum modo, para a vida. Há algum tempo li uma frase de um autor indiano, que me remeteu aos quatro meses de convivência semanal com aquele professor de teatro, e dizia algo mais ou menos assim: "É impossível ser infeliz estando no presente. A infelicidade vem quando estamos com a mente ou no passado ou no futuro". O objetivo de Petrô, naquela disciplina, era justamente o de despertar as duas condições básicas para que alguém viva plenamente o presente, feliz consigo mesmo: estar consciente e ter comprometimento.
sábado, 11 de abril de 2009
Milagres
Post dedicado à Ingrid, à Luize e à Julia.Na foto, Jorge Amado, que apesar de comunista, nunca deixou de crer em milagres. Homem cuja fé, aliás, inspirou a letra abaixo.
"Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os Deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar"
[Milagres do Povo - Caetano Veloso]*
"Para quem acredita, nenhuma palavra é necessária; para quem não acredita, nenhuma palavra é possível".
[Dom Inácio de Loyola]
"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."
[Einstein]
Assim sendo, na identificação da perda de si mesmo estaria a cura de várias enfermidades, o que de milagre não teria nada, a seu ver, uma vez que a solução não viria do acaso, mas sim da recomposição da "trilha" que nos leva de volta a nós mesmos.
Em meio a explanação, a doutora deu uma definição para a palavra "pecado" que, garanto, para mim vai se tornar inesquecível. Ela contou à platéia que, na verdade, significa "perda do alvo". Assim, quando Jesus curava um enfermo e lhe dizia "Vá e não pequeis", ele não ordenava à criatura que não mais errasse [eis a palavra "pecado" no sentido que nós conhecemos], que vivesse em santidade, mas que não mais se perdesse de si mesma. Eu achei isso tocante, belo, e muito mais condizente com a figura de Jesus que eu tenho na minha mente.
Ontem mesmo assisti a cinebiografia de Maria Madalena. Ela foi uma mulher sofrida, traída e usada por algumas das pessoas de quem gostava. Em meio a algumas situações de sua vida, se encontrava, por acaso, com João Batista, por quem sentia uma simpatia instintiva. No primeiro encontro, ele a convidou para que se juntasse a ele e a seus seguidores. Ela recusou. Depois, o primo de Jesus sempre lhe perguntava se ela estava bem, o que Maria respondia afirmativamente, mesmo que fosse mentira. João Batista insistia: "Tem certeza que encontrou o que procurava?". Ela se calava porque sentia, no seu íntimo, que não, que havia se perdido de si mesma. Houve épocas em que até viveu muito bem, como quando morou no palácio de Herodes e era amante de um general por quem nutria um amor verdadeiro e vice-versa. Mas no fundo não era feliz. Daí veio aquela cena que todo mundo conhece, a que Jesus expulsa seus demônios. Por demônios, podemos entender o ódio que ela nutria pelos seus malfeitores, a sede de vingança, a vontade de ser amada por um homem, enfim, tudo aquilo que a movia mas que a fez se perder de si mesma, da sua essência, e que não lhe fazia bem. "Vá e não pequeis". Ela, ao que parece, não voltou a pecar, mas não se foi. Fiel como um cão, seguiu Jesus até o fim.
Quando era pequena, não acreditava em Deus. Achava que Ele era um amigo imaginário dos adultos, quase como as minhas bonequinhas de papel eram minhas amigas. Como nunca botei muita confiança nos discursos de minha mãe, mulher de fé fervorosa que adorava me falar - ou melhor, me amedrontar - de um tal Deus proprietário de um caderninho no qual tudo que eu havia feito constava, aí mesmo que me custava acreditar nesse chefe do universo, uma espécie de Rambo cósmico, precursor de Stallone e cia.
A rejeição era tão forte que não suportava nem entrar na igreja. Toda segunda-feira, minha mãe ia à missa, à noite, e, antes disso, acendia uma vela na capela. Adorava acender a tal vela, mas dava no pé e voltava para o carro assim que ela ia rumo à igreja. Meu pai tentou até me levar à catequese, mas eu apenas comia o lanche do início da aula e me mandava. O velho desistiu, claro. Não era vantajoso para ele acordar sábado cedinho só para eu tomar café da manhã pela segunda vez no dia. Na cruzada em prol da minha alma, ainda tinha minha vizinha, Glória, mais ou menos da minha idade, que tentava me arrastar para a missa matinal, domingo após domingo, da qual eu fugia mais que o Diabo da cruz! Lembro-me de uma cena patética: eu presa pelos braços à cabeceira da cama de minha mãe enquanto Glória me puxava pelas pernas para ir à missa. Não foi comigo que a pequena Glória fez jus a seu nome e alcançou a glória de arrebanhar mais uma alma perdida para o Senhor. :D
A parte curiosa é que, intuitivamente, sabia que estava perdendo com isso. Não falo de religião, de freqüentar igreja ou de fazer primeira comunhão. Não, não. Eu perdia por não crer; queria ter fé! Minha prima Fernandinha sempre foi, a despeito de qualquer coisa, uma pessoa de muita fé. Ela sempre falou de Deus de uma forma muita vigorosa, convicta, e isso desde muito pequenininha. Eu achava aquilo bonito demais, me impressionava com o fervor do discurso dela, mas não conseguia sentir o mesmo.
Hoje eu tenho fé, mas como quase tudo em minha vida, isso não me veio de mãos beijadas. Muito pelo contrário. Batalhei por cada centímetro dela, por mais de 20 anos. E valeu a pena. É a maior ferramenta de um ser humano, o maior presente que se pode ganhar na vida. A fé te dá a serenidade para enfrentar o que for [vide Ô Ingrid! :P]. Só vivendo isso para saber do que estou falando.
Mas mesmo antes da criatura aqui se unir ao Criador, a figura de Jesus já me dizia muita coisa [aliás, as pessoas nunca me entendiam quando dizia que não sabia se Deus existia mas que acreditava muito em Jesus Cristo. Era um tal de "Como pode?! Ou acredita nos dois ou em nenhum, ora!"]. Para começar, nunca vi nele aquela criatura linear nas emoções, zen, que as pessoas vêem. Jesus, pra mim, sempre foi muito humano. Digo humano no melhor sentido da palavra, claro. Jesus se zangava com as pessoas [os fariseus que o digam!], tomava partido ["Quem nunca pecou que atire a primeira pedra!"] e até resmungou, ao carregar a cruz ["Pai, por que me abandonaste?"]. Aliás, sempre sacava da cartola esse argumento quando minha mãe vinha com aquelas frases by Bíblia Sagrada, tentando me forçar à perfeição. hihihi...
Falando sério, sinto muito que muita gente, ainda que com as melhores intenções, insista nessa abordagem errada dos ensinamentos bíblicos. No que se mata a humanidade do seu interlocutor, mata-se, de quebra, a credibilidade do próprio discurso.
Minha sorte é que, apesar de ser uma extremista [basta dizer que quando saí do Farol de Itapuã, fui parar no Farol oposto, o da Barra! hehehe], sempre soube aproveitar a parte boa das experiências e discursos ruins. Eu não me disvirtuei apesar do discurso desastroso de minha genitora na tentativa de me pôr no caminho do bem e da fé. Eu apenas sempre soube respeitar a minha humanidade. O que Jesus diz é o ideal, é a meta final. Responder ao mal com o bem [o famoso "dar a outra face"], por exemplo, é o comportamento ideal. Mas quero ver aquele que, ao ser sacaneado, não vai sentir o impulso de revidar, na mesma moeda! Claro, com um pouco de calma, a pessoa prejudicada vai se livrar da idéia de vingança, vai chegar a sábia conclusão de que isso não é o melhor a ser feito, que o revide não leva ninguém a lugar algum que seja bom. Mas, a princípio, vingar-se é o que quase todo mundo vai desejar fazer.
A evolução interior de um ser humano, para mim, é comparável aos aprendizados básicos da infância: quando uma criança aprende a escrever, espera-se que em 10 anos, ela esteja escrevendo em sua língua com perfeição ou o mais próximo disso, mas até lá, erra-se um monte. Um bebê que dá os seus primeiros passos, eventualmente cai, tropeça, mas um dia estará correndo, andando perfeitamente. É preciso não perder de vista o ideal, fazer o máximo para atingi-lo, mas é preciso reconhecer e respeitar os próprios limites. O contrário disso é o orgulho, é a vaidade, e a principal lição do Cristo tem justamente a ver com amor, humildade e solidariedade. Pequenos e consistentes passos rumo à virtude são mais valiosos que grandes rasgos de "perfeição moral" que mais têm de exibicionismo que de perfeição e de evolução espiritual. Como dizem os italianos, chi va piano, va sanno e va lontano. A parte dos meus genes que vem de Minas acredita plenamente nisso.
Só não vale usar essa de "respeitar a própria humanidade" como desculpa para cometer transgressões que facilitem a realização de desejos pessoais, para satisfazer caprichos. Isso não é humanidade; é esperteza, egoísmo, cinismo, isso sim! Muiiita calma nessa hora, minha gente. Nunca o tal do "orai e vigiai" foi tão necessário quanto em nossa época. Muito cuidado com as idéias que se vai comprar. Vivemos num tempo no qual "tudo é relativo". Para todo mal que se queira fazer, haverá uma boa desculpa para isso, uma idéia engenhosa - porém falsa - que a valide. É como a história do funcionário público corrupto que defende seu erro dizendo que se ele não roubar, outro o fará, e que, portanto, troca-se apenas o sujeito da ação.
Tive um insight sobre isso lendo "Lolita". O professor começa a narrativa justificando o seu "amor" pela garotinha através da História. Humbert Humbert argumenta que em determinadas culturas, as meninas se casam com 9, 12 anos, e que até pouco tempo atrás, no mundo ocidental, isso acontecia sem que qualquer homem que se casasse com uma menina fosse classificado de doente ou amoral. Ou seja, se até para a pedofilia conseguem arrumar um bom argumento... Ficou claro, agora, o meu ponto de vista sobre a tal "verdade relativa"?
Enfim, muito cuidado com as ações e especialmente com os pensamentos, a origem de tudo! Cuidado para não pecar, isto é, para não perder o alvo, para não se desligar de si mesmo! A vida passa muito rápido, hoje em dia, e é muito fácil viver, agir inconscientemente.
Deus só quer, a meu ver, uma coisa da gente: positividade, o que se traduz por pensamentos, palavras e ações de boa qualidade, verdadeiros, construtivos, de preferência, que reflitam também positivamente na vida do próximo. Algo próximo daquela frase de Gonzaguinha, batidíssima em Orkuts e MSNs: "Fé na vida, fé no homem, fé no que virá".
Há uns 15 anos, assisti, no Programa de Amaury Jr., uma entrevista com uma figura ligada à Igreja Católica. O sujeito dizia que, na verdade, o terceiro segredo de Fátima, que o Vaticano guardava até aquele momento a sete chaves, era mais ou menos isso, e se referia ao fato de que Deus não faz questão alguma que tenhamos uma religião. Ele apenas quer que pratiquemos o bem, que sejamos cristãos na alma. Está certo que ter Amaury Jr. como fonte tira um bocado da credibilidade da coisa [risos], mas acredito que seja esse mesmo o conteúdo do terceiro segredo e não aquela bobagem sobre o atentado contra João Paulo II.
Quando pequena, ia freqüentemente à casa de minha vizinha, Renatinha, na 11, pegar emprestado os livros, produzidos para o público infantil, que contavam histórias da Bíblia. Fantásticos! Grandes exemplos de conduta, de coragem, de persistência no "alvo". Belos milagres movidos pela fé dos homens.
Apesar das idéias da doutora da palestra terem sentido para mim, acredito na cura tanto quanto no milagre. Eu penso que milagres existem, sim. Mas, claro, eles não se originam exatamente do nada. Eles vêm da fé humana, da força da mente dos homens que crêem e que tudo pode tornar realidade a partir disso. E isso não quer dizer que é preciso necessariamente se encontrar ou algo do tipo para haver um milagre. Às vezes, a cura, ou melhor, o milagre, vem justamente da capacidade de se perder em Deus, no todo, no sentimento puro, por vezes inexplicável, e forte da fé. Os orientais mesmo dizem que o estado de plenitude tem justamente a ver com o não ser, com a capacidade de se livrar do ego e se fundir ao todo. Aliás, é muito ocidental essa crença de que tudo tem que ter uma razão, uma lógica, uma conexão egóica.
Eu sigo acreditando em milagres. Viver é um grande milagre. Eu mesma experimentei, há muito pouco tempo, o meu milagre fundamental - como, então, não acreditar em milagres?
* Ahhh, eu vou fazer uma declaração de amor, aqui: Eu amo a Bahia! Obrigada, meu Deus, pelo milagre de ter me tornado baiana [ou melhor, por ter me curado de ser brasiliense - brincadeira! hehe]!
Eles são as verdadeiras fifis!
Estudo mostra que os homens passam mais tempo falando da vida alheia do que as mulheres
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Motivo Para 58% das pessoas entrevistadas, a fofoca funciona como fator de integração e aceitação no grupo |
Fofocar é um dos traços mais intrínsecos da personalidade humana. Maldoso ou engraçado, não há quem nunca levou adiante um disse-que-disse. E as mulheres sempre ganharam a fama de mexeriqueiras. Mas um levantamento da empresa mundial de pesquisas OnePoll, realizado com cinco mil pessoas, mostrou que os homens gastam mais tempo cuidando da vida alheia: 76 minutos por dia. Entre os assuntos masculinos preferidos estão histórias sobre amigos bêbados, colegas da época de escola e a garota sexy do trabalho. As mulheres perdem 52 minutos diários para comentar sobre outras mulheres, se queixar de sexo e apontar quem está acima do peso. Para eles, não há melhor lugar para fofocar do que o escritório. E 33% ficam felizes com isso. Nem o sexo, para 31% dos homens, é tão importante quanto a fofoca. Enquanto isso, elas elegem o lar como local perfeito para destilar um veneno e, em 50% dos casos, debater detalhes da vida íntima.
Para 58% dos entrevistados, a fofoca funciona como fator de integração e aceitação no grupo. Essa característica de promover a integração é real, diz a psicóloga Catarina Tanaka, professora da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, que defendeu a tese de doutorado A Psicologia Social da Fofoca, na PUC de São Paulo. "É um fenômeno que une em torno de um assunto em comum", diz ela. "Também é percebida como uma atividade relaxante, quando feita em tom de brincadeira." Catarina afirma que há mais fofoca durante crises econômicas. Surgem os comentários sobre o que pode acontecer na empresa e, ao mesmo tempo, os funcionários buscam uma válvula de escape para as tensões. Falar do outro é uma saída e talvez por isso os homens estejam futricando além da conta. "Quanto às mulheres, com até triplas jornadas de trabalho, sobrou menos tempo", diz a professora.
Aos que se animaram em contar a última, um aviso: a fofoca pode ter um lado destrutivo e arruinar reputações. "Historicamente, a inveja é a principal motivação do boato. Há pessoas que não se conformam que o outro seja feliz", diz o ator Cacau Hygino, autor do livro Fofoca - essa simpática palavra e suas consequências imprevisíveis, lançado em novembro. Para Hygino, a fofoca acaba virando contra o fofoqueiro: "As pessoas observam que aquele indivíduo só sabe falar mal dos demais. Acabam duvidando do que ele diz e se afastam." Dentro dos limites e com leveza, porém, ela diverte
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terça-feira, 7 de abril de 2009
Brilho pela ausência
Myrna, para quem não sabe, é o "lado feminino" de Nelson Rodrigues, que respondia a correspondência sentimental de leitores de jornal, nos anos 40. A coletânea das melhores cartas e respostas leva o nome de uma das mais marcantes frases de Myrna: "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo".
Vejam, abaixo, uma pequena amostra de "doutora Myrna" em ação:
"Creio que, das cartas que tenho recebido, a de Jandira é uma das mais interessantes. Ela explica, às primeiras palavras, a natureza do seu drama: 'Brigo muito com Adalberto. E só acho, verdadeiramente, graça nele na sua ausência.' Aparentemente, o caso de Jandira é extraordinário. Uma mulher que prefere o bem-amado longe! E, no entanto, este é um caso bastante comum. Nós sabemos que todos os homens amam, inclusive os esquimáus. Dentro dessa quantidade tremenda – quantos homens cultos, inteligentes, interessantes? Uma minoria irrisória. O que existe, multiplicado por não sei quanto, é o namorado ou noivo ou esposo desinteressante. Chegamos, então, a um ponto crucial: que deve fazer a mulher de um cidadão nessas condições? Não nos cabe nem mesmo o direito de desejar que o chamado homem desinteressante desapareça. Porque assistiríamos a um espetáculo tenebroso: o súbito despovoamento do mundo."
Trecho de "Não Se Pode Amar e Ser Feliz ao Mesmo Tempo"


