terça-feira, 7 de abril de 2009

Brilho pela ausência

Myrna não se chama Rosana, mas "as coisas que me diz, me levam alééém". Sem ela, "ai de nós"!
Myrna, para quem não sabe, é o "lado feminino" de Nelson Rodrigues, que respondia a correspondência sentimental de leitores de jornal, nos anos 40. A coletânea das melhores cartas e respostas leva o nome de uma das mais marcantes frases de Myrna: "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo".
Vejam, abaixo, uma pequena amostra de "doutora Myrna" em ação:
"Creio que, das cartas que tenho recebido, a de Jandira é uma das mais interessantes. Ela explica, às primeiras palavras, a natureza do seu drama: 'Brigo muito com Adalberto. E só acho, verdadeiramente, graça nele na sua ausência.' Aparentemente, o caso de Jandira é extraordinário. Uma mulher que prefere o bem-amado longe! E, no entanto, este é um caso bastante comum. Nós sabemos que todos os homens amam, inclusive os esquimáus. Dentro dessa quantidade tremenda – quantos homens cultos, inteligentes, interessantes? Uma minoria irrisória. O que existe, multiplicado por não sei quanto, é o namorado ou noivo ou esposo desinteressante. Chegamos, então, a um ponto crucial: que deve fazer a mulher de um cidadão nessas condições? Não nos cabe nem mesmo o direito de desejar que o chamado homem desinteressante desapareça. Porque assistiríamos a um espetáculo tenebroso: o súbito despovoamento do mundo."
Trecho de "Não Se Pode Amar e Ser Feliz ao Mesmo Tempo"

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