domingo, 31 de agosto de 2008

Birth girl


Pois é, em 04/09/1981, nascia aquela que é quase uma santa de devoção na casa de Ingrid Campos: Beyoncé Knowles-Z!
Em homenagem a cantora por esse dia tão feliz (aproveite, my dear, enquanto o teu saturno não está retornando, o que vai acontecer a partir de outubro do ano que vem! boooo!...), matamos dois coelhos com uma cacetada só: lembramos o aniversário da diva pop e provamos que realmente Beyoncé desceu de cabeça para baixo em uma de suas turnês! Pois é, quem duvidava," se lenhou, véio"! Porque no XDM, a regra é clara, Galvão: a gente "aumenta mas não inventa"!

La mentira

O título desse post te soou a de novela mexicana? Pois se você fez essa associação, chegou quase lá, porque eu vim mesmo falar de novela. Tava, agora há pouco, lendo o texto da Bia Abramo na Folha. A crítica foi em cheio numa questão que venho observando há muito tempo, nas tramas globais. Take a look: "'Beleza Pura' tinha médicos e médicas dermatologistas e clínicas de saúde, e dizia-se que discutiria a obsessão contemporânea pela beleza. Discutiu coisa nenhuma".
Houve uma época, antes de Dr. Sampaio me dar 1 x O com o e-mail do Jornal da Mídia - o que ele negaria, se estivesse lendo isso aqui! -, na qual recebia os boletins de apresentação das novelas. Com freqüência, os textos tentavam vender a nova trama como uma história com conteúdo, que veio a acrescentar ao público. "Coisa nenhuma".
Essa obrigatoriedade de ser responsável socialmente, como diria minha prima Fernandinha, é "meio paia". A gente sabe que os empresários não estão nem aí para o progresso social, que eles fazem isso para ganhar pontos, o dito "capital simbólico". "Beleza Pura" discutiu o quê? "Belíssima" discutiu o quê? "Celebridade" fez o quê? Como diria o Zé Galinha, ô, Rede Globo, "tá mangando di eu?". Uma coisa é a Faber Castel dizer que vai plantar árvores, mas a Globo querer me convencer de que ela mesma vai criticar aquilo que é o pilar do seu sucesso: a fogueira das vaidades? Como diria o time do Casseta & Planeta, "fala séééério". Certas afirmações deveriam vir acompanhadas de Sonrisal.
Existem autores e autores, nesse sentido. Gilberto Braga é o mais completo nessa categoria, a meu ver. Seus personagens, de cabo a rabo, defendem uma tese clara sobre a alma humana. A propósito, JEC tem tudo para ser seu sucessor ("A sucessora"! hahaha).
Outros, como Manoel Carlos e Benedito Ruy Barbosa, dizem mais nas entrelinhas que naquilo a que se propõem discutir abertamente. Aprendi mais com as Helenas e os coronéis através do que estava implicito neles que com as frases que os autores colocavam nas bocas de seus personagens.
Glória Perez não costuma muito discutir personalidades mas cenários. Eu, pelo menos, tenho tal sensação.
Um sujeito que ninguém dá nada por ele, cujas novelas sempre fornecem bom material para reflexão, é o Lombardi. Ok, já estou vendo os tomates sendo lançados em mim! hehe... Mas é verdade. Com alguma atenção, além de várias referências pop, o telespectador identificará nas novelas de Lomba discussões interessantes acerca da família, das relações amorosas e das representações do masculino e do feminino.
Foi em "Perigosas Peruas", por exemplo, que comecei a relativizar minha até então adoração cega a imagem da mulher independente, ou melhor, auto-suficiente. A vida de Leda era glamourosa, mas tinha lá os seus vazios, que não eram menores do que os da dona-de-casa Cidinha (aliás, ela, no geral, me parecia mais feliz que a outra). Gosto do tipo de herói que o Humberto Martins interpretou em "Quatro por Quatro". Bruno fez parecer fácil o grande dilema do homem do séc. 20/21: ser muito macho e, ao mesmo tempo, cultivar a sensibilidade. Bruno ia "para debaixo do edredom" com metade do Rio de Janeiro, mas ao contrário dos garanhões padrões, tinha respeito pelas mulheres da trama, inclusive por sua filha pré-adolescente.
Lombardi também gosta muito de brincar com essa concha de retalhos que é a família moderna nos grandes centros urbanos brasileiros. Em pelo menos três novelas, ele discutiu esse tema "pais biológicos x pais de criação".
De quebra, é um romântico assumido. Gostava muito, por exemplo, da mocinha de Viviane Pasmanter em "Uga! Uga!" (ok, ok, meio caminho estava andado só por ser Viviane a intérprete! hehe). Olha só que gracinha a história de amor dela e de Baldochi:

"Baldochi, mais conhecido por Bernardo, é um ex-tenente da marinha que tem uma vida alucinante e foge constantemente de bandidos que ameaçam sua família. Ele é dado como morto pela família e pela noiva que ele abandonou na igreja para salvar a vida deles.
Sua noiva, Maria João, era uma mulher delicada e apaixonada por Baldochi, mas com o tempo e a notícia de sua morte, ela perde o interesse pela vida e praticamente toda sua feminilidade, vivendo sempre amargurada.
Maria João mora com seu pai e com um irmão que ela cuida como se fosse um filho, e esse é um segredo da trama que é revelado quando Baldochi retorna. O irmão de Maria na verdade é filho dela com Baldochi". (fonte: Wikipedia)

Era muito legal: secretamente, Maria João comprava os tais livrinhos românticos, que Baldochi escrevia pensando nele e nela como heróis. Enquanto os lia, Maria João fazia o mesmo, sem nem desconfiar que era seu ex-noivo que escrevia as historinhas, e pensando nela. Nota de rodapé: o próprio Lombardi já escreveu esses livros tipo "Sabrina", "Julia", antes de ir para a Globo. Tirou sarro de si mesmo, pelo visto! (risos)
Pois é, por incrível que pareça, Lombardi é um dos autores mais românticos do horário nobre global. O mal é essa mania meio gay de expor os atores quase pelados em cena, principalmente os galãs... Acho que é coisa de ex-rapaz magro, que se projeta em seus atores saradões, assim como desconfio que o tema "paternidade" lhe toque tanto porque ele mesmo fez mil tratamentos até conseguir ter Renato, seu filho mais velho.
Enfim, se você conseguir abstrair esse tipo de detalhe, vai ver que se trata de um autor sensível e inteligente. In Lombardi, I trust. Quer dizer, eis um autor que cumpre o que promete. ;)


PS.: Por falar em novela mexicana, pensando bem, tô ficando velha. Sou do tempo em que as mocinhas das novelas da Televisa eram virgens, e o sinal de que deixaram de ser era a camisola caída no chão! E os tiros de revólver?! Gente, uma seqüência dessa não durava menos que 3´30´´ - 3 minutos só para que a bala cenográfica chegasse até o outro ator! hahahaha... Saudades do tempo em que a falta de recursos garantia "la canastrice". A modernidade fez muito mal às novelas latinas. Yo lo protesto! :(
Ah, eu confesso: tô na seca de assistir novela mexicana! Se brincar, até "Chispita", a essa altura do campeonato, eu encaro! (risos) Na minha tv não pega SBesTeira, então nunca mais assisti uma. :( A última "Juego de la vida".
Sei que vocês vão querer me bater depois disso, mas acho os pares românticos das novelas dos chicanos muiiiito melhores que os nossos (e o par central é o coração de uma telenovela, não tem para onde correr)! Passionalidade faz toda a diferença. Não são que nem esses romances das produções nacionais, totalmente "água de bidê" - trad.: devagar e sem força -, pra usar, aqui, a expressão da grande Isabel do Vôlei. Dizem que os casais das novelas globais não dão liga porque o público não gosta da ética, da bondade extremada dos personagens "do bem". Na minha opinião, o que falta é intensidade e até um pouco de ridículo. Se o mocinho e a mocinha se apaixonam, logo também se desejam, e o desejo é um impulso ridículo. Como fazer um romance sem ridículo? Nem eu nem Nelson Rodrigues entendemos um treco desse! Ora, pois, pois...
E não só eu penso assim, não. Uma vez, conversa vai, conversa vem, descobri que algumas muchachas descoladas de 2000.1 se amarravam na versão da Televisa de "Zorro". Eita, que a gente descobre é coisa do povo, viu! hehe...

Cuidado com o amor

Danuza Leão


Quem ama não mata, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou


O amor é maravilhoso, não é? É, responde a humanidade em coro. Mas por que será que as pessoas mudam de personalidade quando apaixonadas?
Um homem ao lado da mulher que ama é outra pessoa, alguém que nem a própria mãe seria capaz de reconhecer. Ele é capaz de dizer que não acha a menor graça em Angelina Jolie, que quem ama é sempre fiel e que para ele só existem duas coisas que realmente importam: ela -em primeiro lugar- e o time pelo qual torce.
Se você encontrar esse mesmo homem com dois amigos num bar, vai descobrir que se trata de outra pessoa, só pelo som das gargalhadas -que, aliás, serão muitas. Mas quando você chegar, fique certa de que o assunto vai mudar e o assunto vai ficar mais sério.
Quem ama se transforma em uma pessoa diferente, com outros gostos e outras opiniões, pelo menos quando estão juntos. E aquela mulher que quando ouvia os primeiros compassos de uma música animada começava a mexer o corpo e a cantarolar a letra, hoje em dia, quando ouve o primeiro acorde fica surda, perde a memória e nem pensa nas lembranças que a música traz. E ele, que se apaixonou exatamente porque ela mexia não só o corpo mas também o gelo do copo de uísque com o dedo, agora diz "vê se maneira na bebida"; e quando olha para aquela mulher austera, não entende por que a vida já foi tão melhor.
Você já foi à praia com seu namorado, claro. Quando o romance começou, ele brincava e atiçava seus ciúmes com elogios às gostosas que passavam; e você ria, no máximo lhe dava um beliscão leve e amoroso, tão segura estava do seu amor. Agora, se encontrar uma revista de mulher pelada no carro, é capaz de ficar de tromba por uma semana. Você conseguiu transformá-lo num marido, e se transformou numa esposa, e por nada no mundo faria um "strip" para ele, como já fez; certas coisas não são para serem feitas de aliança no dedo.
Tente ir a um restaurante com um casal apaixonado: é praticamente impossível, pois o mundo deles é outro, e nele não há lugar para pessoas normais. Os assuntos são completamente diferentes dos que quando estão sozinhos, e sobretudo as opiniões. Casais costumam votar no mesmo candidato, e poucas mulheres seriam capazes de declarar que vão votar em Gabeira, se o voto dos maridos vai para Crivella. Raras, eu diria.
Vá com seu marido a um show em que as mulheres aparecem com os seios de fora. Nervoso ele vai ficar -todos ficam-, mas depois do primeiro momento (e do seu primeiro olhar para ele), lembrará que você virou "a patroa" e vai ficar com cara de quem está olhando uma paisagem. Mas faça uma experiência e proponha irem a uma praia de nudistas: um homem das cavernas vai surgir de dentro daquele que te encantava quando passava a mão nas suas pernas no carro, no meio do trânsito. Mas quando ela vai almoçar com duas amigas, na segunda caipirinha volta a ser a mulher divertida que era antes, e que não é mais; não quando está com ele.
Onde foi parar esse homem? Onde foi parar aquela mulher que vivia feliz e risonha, que não queria nada da vida a não ser ficar com ele, agarrada, apaixonada? Quem ama não mata -não com uma faca ou com um revólver-, mas costuma fazer desaparecer a pessoa que conheceu e por quem se apaixonou, o que é uma forma de matar. Ou mata a si próprio.

Coração Sertanejo


"Cada um de nos compõe a sua historia, cada ser em si
Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz"
("Tocando em frente", de Almir Sater e Renato Teixeira)



Pequi, gueroba, Cora Coralina, rio Araguaia e música sertaneja. Não importa quando e onde, sempre vão me remeter ao velho e distante Goiás e no ser que personifica toda essa herança goiana: meu pai. Não consigo lembrar de alguém que goste mais de ser goiano que o Seu Adilson!
Aliás, é ouvir música sertaneja e só conseguir lembrar do velho. Digo a ele que quando morrer, a moda sertaneja não vai poder existir por no mínimo uns 15 anos. É realmente impossível ouvir esse gênero musical sem lembrar de meu pai. Gosta tanto disso que até o nome dessa que vos escreve foi retirado de uma canção sertaneja (bonitinha, até, a letra, mas o refrão!... Sai de baixo! Argh!) - até ele ter resolvido comemorar meu nascimento colocando um dos discos caipiras para tocar, estava decidido que me chamaria Carolina (é um nome com "prazo de validade" maior que Juliana, mas eu adoro "J". Pense no maior homem que já viveu: Jesus. No traidor mais famoso: Judas. No povo mais rico: Judeus. Na maior potência tecnológica: Japão. O Beatle mais famoso: John Lennon. A roqueira mais popular: Janis Joplin. A atriz mais popular dos últimos tempos: Julia Roberts. O whisky mais famoso: Johnnie Walker... Jota é "a" letra! Eme é outra boa letra...).
Quando ouvi "Milionário & Zé Rico" ("Você me pede na carta que eu desapareeeeeeeça, que eu nunca mais te procuuuuure e pra sempre te esqueeeeeça!...") na trilha de "A Favorita", quase tive um troço! Nada mais a cara de meu pai que essa dupla! Nossa, minhas irmãs e eu sofremos pouco com Seu Adilson, nas viagens de carro Brasília-Salvador-Brasília, ouvindo essas coisas!? "...
Mas o tempo cercou minha estraaaaaaaada, e o cansaço meeeeeeeeeeeeeeee dominooooouuuu, minhas vistas seeeeeeeeee escureceeeeeeeram, e o final da corrida chegooooou". Olha, apesar de não gostar das vozes de Zezé Di Camargo e Xororó, graças a existência de duplas como as deles, essas viagens ficaram um pouco mais suportáveis. Só por essa informação, dá para ter uma idéia da "trilha sonora" das nossas road trips! (risos)
"Pantanal" e "Cabocla" contribuem para esse revival meu. "Pantanal", aliás, me lembra a época que minha prima Valéria deixou Goiânia para passar uns meses aqui com a gente, em Salvador. Eu queria ver "Rainha da Sucata" (ainda tenho esperança que Claudinho vá me levar, um dia, para conhecer o Boqueirão! hahaha), ela, "Pantanal", claro. Era uma briiiga!... Ô caboclinha custosa, sô!...
Eu nem tô acompanhando direito a novela que lançou Cristiana Oliveira, mas de vez em quando, dou um pulo na sala só pra escutar Almir Salter cantando "Chalana" ("Ah, chalana, sem querer, tu aumentas minha doooor, nessas águas tão sereeeenas, vai levaaaando o meu amooor. E assim ela se foiiii, nem se despediu de miiiiiim. A chalana vai sumindo na curva lá no rio. E se ela vai magoada, eu bem sei que tem razão. Fui um fraco, eu feri o seu pooooobre coração") ou "Tocando em frente". Lindaaas!
Se a gente reclama que a música que ele tanto gosta é pura dor de corno, berrada por uns carinhas com cara de índio e de voz estarrachada, Adilson retruca: "Pelo menos tem melodia, poesia! E essas músicas de Carnaval, que letra têm?". Scheeelp!... Eu também gosto de canções mais dramáticas, mas não precisa apelar tanto, né, pai! :)


sábado, 30 de agosto de 2008

Quote of the week

"Os homens que eu amo, amo para sempre. Gosto muito do Giane e sou coerente. Não entendo alguém que casa, tem filhos, separa e no dia seguinte diz: odeio esse homem".
(Marília Gabriela)

---> Realmente, é "muito" difícil amar o Gianecchini!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A Lua Me Disse


Diretamente do meu baú esotérico... Por acaso a descrição abaixo te lembra a minha pessoa, Elenita ou Ivete Sangalo? Cartas à Redação! (risos) Eu acho fantástico ser um centauro na emoção. O mundo tá se acabando, a gente tá se ferrando, mas ainda conseguimos tirar bom-humor da cartola e muitas liçoes filosóficas da situação. Como disse um astrólogo dos bons, "todas as coisas mais engraçadas, bizarras, fora do comum e esquisitas que eu posso imaginar ocorrem quando temos um centauro por perto".

Socialmente, você é ingênuo e desconhece totalmente diferenças verdadeiras entre os seres humanos. Reage aos outros como se fossem parte de você; a sua tendência é misturar-se e fundir-se com os outros. Você precisa, e quer, fazer tudo com todos, e é aberto e amistoso como um cãozinho. Tem um agudo senso profético e inspiracional. Está sempre em busca de alguma coisa, inquieto e muitas vezes sem persistência.
Suas impressões sensoriais são nítidas e mais precisas do que em quase qualquer outro signo; assim, seu julgamento é perspicaz. Mas você precisa aprender a pensar antes de falar.
A sua mente não gosta de confusão e rejeita qualquer coisa que seja irrelevante em relação ao que está em causa. Mas, quando você se concentra, é sobre uma única coisa, a ponto de parecer ter uma mente estreita. Agitado, mental e fisicamente, precisa de atividade e exercício físico. Tem necessidade de andar em liberdade e gosta de esportes, tanto participando como assistindo.
Suas tendências para o psíquico e o oculto são fortes, e você é mais sensível do que faz supor sua atitude livre e vigorosa. É um professor ou um pregador nato, com talento para religião, filosofia, poesia e música. Gosta de ajudar os outros.
Você tem um alto grau de independência, necessidade de liberdade e uma tendência a ser um pouco brusco. Precisa contrabalançar o descuido e a negligência com tato e consideração.
A Lua em Sagitário no mapa de um homem pode indicar casamento tardio, celibato ou que ele é um galanteador. Também pode significar a calvície precoce. No mapa de uma mulher, pode tomá-la demasiado independente ou até libertina.
A sua mãe — ou assim lhe parece — vivia sua própria vida e o deixava bastante por sua conta, mas proporcionava generosamente o que achava que você precisava.
Cantora de ópera Joan Sutherland, esquiador Dick Button, físico Albert Einstein, cantora Mariah Carey, atriz Jennifer Aniston, ator Al Pacino, apresentadora Oprah Winfrey, ator Gael García Bernal, cantor Fred Mercury.
(
Curso Básico de Astrologia: Princípios Fundamentais - Vol. 1 : MARION D. MARCH & JOAN MCEVERS)

Nota de rodapé sobre a cegueira

Há dias não tô enxergando bem. É muito estranho não enxergar direito. Muito mesmo.
Meu "drama" é com o olho direito. O olho esquerdo é bacana comigo - prova de que a esquerda nem sempre é rebelde, do contra.
O caso é que depois que tive conjuntivite, o tal olho direito nunca mais foi o mesmo. Meninos e meninas, cuidado com essa tal de conjuntivite, viu!... Acho que perdi alguma visão nessa história, ou melhor, a nitidez da visão. Aliás, eis o porquê d´eu não querer morar de novo em Brasília nem a pau: no ano em que fiquei lá, além de ter amargado o inverno mais frio dos últimos anos, tive um ano extremamente improdutivo, enterrei minhas duas avós, fiquei dependente de remédio para o nariz e ainda me arrombei com essa conjuntivite virótica, que prejudicou minha visão direita desde então.
Aliás, meu ouvido esquerdo, segundo a otorrino, está "no limite" ("Hein?!... Vitrola!...". Lembram desse comercial da velha surda? haha). Socorro!... Ou não!... Peraí: será que isso me habilita... Deixa pra lá, nem vou continuar a frase, que com certas coisas não se brinca, sob o risco de um anjo %@## passar na hora e dizer um infeliz "Amém". Não está mais aqui quem pensou!

Enfim, espero voltar a ver a luz do dia, plenamente, em breve - isto é, se minha oftalmo largar de preciosismo e resolver "liberar o Tonho" (leia-se: minhas lentes de contato e uma receita para um óculos de grau). Ok, meu grau é inferior a 3, portanto é algo administrável, mas nem por isso deixa de me encher o saco. Desde sempre odiei ter que dar "jeitinhos" para as coisas funcionarem. Por que a gente tem que ficar gastando energia com coisas pequenas, se já temos as grandes para nos ocupar? Tenho horror a descarga que precisa mexer no pininho, de televisão que precisa levar tapa, de microondas que só liga se você programar, cancelar e programar... Eu sou extremamente classe média, o que significa uma vida de acesso a tudo - Graças a Deus! -, mas com uma série de condicionais no meio. Então minha revolta é que o meu próprio corpo me condena a tratá-lo como mais um dos objetos nos quais tenho que dar um jeitinho para funcionar. Ahhhh, quem merece isso??!! "Eu não matei Joana D´Arc!..."

Já pensei em fazer a tal cirurgia de correção da visão. Mas o caso é que eu tenho uma amiga que é muito espírito de porco, a quem infelizmente dou muito ouvido, que me disse que não é porque a chance de dar errado é irrisória que ela não existe (e citou o caso de um amigo dela, que usou Roacutan e entrou pras estatísticas de fracasso ínfimas do remédio - 2%). Amarelei.
Enquanto não deixo o estado "amarelo manga" e tomo coragem pra cirurgia, vou amargando horas de espera no consultório da oftalmo (que é ótima, mas conveeeeersa com os pacientes que é um negócio sério!), gastos com lentes, cegueiras eventuais e etc, etc... Quem sabe, um dia não escrevo um ensaio sobre?

Juliana "Saramago" ou "Miss Magoo" - como queiram! hehehe

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Atalhos

"Cultivar rosas verdadeiras é difícil. Pode-se comprar das de plástico. Não vão te enganar, mas enganarão os vizinhos".
(Osho)



Estava lendo uma dessas revistas de fitness, há alguns meses, e de repente comecei a ficar preocupada: as publições quase não incentivam mais a mudança física através dos exercícios físicos; há um encorajamento descarado ao uso de laser e outros métodos rápidos.
Claro que não sou contra o laser ou qualquer outro tipo de recurso que venha a facilitar a nossa vida. O problema é quando o uso é indiscriminado e leva ao comodismo das soluções rápidas.
Se fosse cirurgiã plástica, não faria uma lipo em quem quer perder apenas dois, três quilos. Qual é? É muita falta de vergonha (e de juízo)! Vá malhar, poxa!...
Resolvi pesquisar, por curiosidade, um desses procedimentos e encontrei um arquivo. Nele, estava lá uma matéria com dona Deborah Secco (que "novidade"! Zzzz...). Eu já sabia que ela devia usar laser na face. É só lembrar que no início da carreira, a pele dela era horrível e hoje D.S. exibe uma cútis de bebê. Mas fiquei chocada em saber que ela é puro laser. Laser na bunda, laser na perna, laser na face, laser pra previnir estrias, laser para combater celulite, laser pra ficar com a pele firme, laser pra tirar tatuagem, laser, laser, laser... Ufa! Ali, a estética estava 100% cuidada, mas e a saúde? Tá querendo enganar a quem? Ela mesma confessou a repórter que fazia esses tratamentos porque detestava malhar e adorava comer porcaria.

Sinal dos tempos. Vivemos a era do imediatismo. Ninguém agüenta amargar nem 30 minutos de frustração e espera. Óbvio, ninguém gosta de sofrimento, mas são justamente esses perrengues que a gente passa na vida para chegarmos onde queremos que esculpem o nosso espírito. Perdão aos imediatistas, mas vocês estão perdendo as melhores classes da escola da vida (as mais saborosas vitórias ou, na pior das hipóteses, as mais valiosas desilusões). Pena que alguns ainda encarem a espera e a luta como humilhação e ofensa às suas nobres pessoas. :( É uma pena que muita gente boa não consiga ver o óbvio: que ser vitorioso tem mais a ver com a sua postura diante das circunstâncias que necessariamente com as conquistas ou derrotas provenientes delas. Einstein já dizia: "Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso".
Se a geração dos anos 80 foi rotulada de "Coca-Cola", poderíamos nos classificar de geração "Pudim". Hoje em dia, ao menor sinal de dificuldade, as pessoas desistem do que querem e pegam o que estiver mais a mão. Por isso vemos tantas meninas de classe média se prostituindo, meninos traficando e cada vez mais jovens pobres roubando. Perdem o melhor da festa, que é justamente ralar, às vezes até ficar sem esperanças, para conseguir algo. Depois que o sufoco passa, não há sensação melhor do que a vitória frente ao obstáculo vencido. É disso, dessa resiliência, que os nossos pais, tios, avós se orgulham. Acho que os nossos contemporâneos não vão ter as mesmas histórias de superação para contar, infelizmente, porque o mérito virou quase artigo de brechó, antiquário. A malandragem nunca esteve tão em voga.
Ser pobre hoje e ontem, a meu ver, só tem duas diferenças: a) A pouca resistência à frustração, estimulada pela cultura da velocidade; b) O acréscimo considerável de itens na lista de desejos, o excesso de "tem que..." para que alguém possa "existir" socialmente. Nem o interior mais escapa desse consumismo insano!...
Ressinto-me da falta de idealismo, da valorização obtusa das conquistas materiais. Fico pasma que não tenham ao menos critério próprio nas escolhas de vida. Escolha errado, mas pelo menos escolha por algum motivo racional ou ao menos pessoal, carambola!
Por falar nisso, acho engraçado é que tem gente que fala mal à beça de concurso público, mas esse é um dos poucos caminhos que exige algum esforço das pessoas, hoje em dia. Pode existir uma fraude aqui ou acolá, mas a aprovação em concursos é quase uma façanha olímpica (aproveitando a conexão com Beijing... hehe): é só Deus, a sua caneta e o seu conhecimento. É mérito puro. Se o cargo vai ser excitante ou não, aí são outros quinhentos. Mas passar num concurso é uma conquista, uma questão de mérito; exige o esforço, a paciência e a fé do cidadão, sem dúvidas.

La Secco deu as caras em mais uma publicação de fitness, esse mês. Está feliz da vida com os resultados que tem obtido fazendo esforço pela primeira vez na vida. Tá certo, ela está freqüentando aulas de pilates, e como já as fiz, garanto que não é maromba das fortes, não (na verdade, digo que o pilates é o oásis dos fujões da academia: não deixa o corpo moído e traz ótimos resultados). Mas como dizia uma propaganda antiga, "isso não importa, o que importa é que o Banco Real dá dez dias sem juros no cheque especial".
Deborah está se sentindo toda-toda com o seu empenho em prol de um corpo definido. Pois é, ainda que haja controvérsias, nada dignifica mais o homem (e a mulher) do que o trabalho!... Dá-lhe Deborah! (risos)...

Olha, que fique bem claro - caso interesse a alguém - que a minha implicância histórica com Deborah Secco não se estende a toda a pessoa da atriz. Na verdade, aposto que é uma moça gentil e tal, mas eu tenho um problema sério com gente que só age por impulso. Isso não é viver intensamente mas histericamente! E ainda tem mané que se deslumbra com isso: "Ah, Beltrano(a) vive intensamente!". Poupe-me! Não tá vendo que a criatura tá inventando moda, querendo chamar atenção?! Duvido que uma trouxa de roupa pra lavar não dê jeito nessa "intensidade"... O engraçado é que a gente nunca vê essa "intensidade" toda revertida para o bem do próximo, é sempre para fins egoístas, para alimentar a vaidade - do tipo que esconde uma baixa auto-estima fortíssima. Olha, não conte comigo para dar ibope a esse tipo de ser! Sou sereníssima, tolerante à beça, mas nesse ponto, sou implicante mesmo, e a falta de bom senso me impacienta sobremaneira. Exibicionismo e porralouquice eu só aceito de quem é, em contrapartida, divertido e/ou autêntico. Sorry, Deborah, mas, no seu caso, faltou a outra parte! :)~

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"Se joga, Silviooooô!"

"Com você eu não casaria, mas faria outras coisas".

Silvio Santos, apresentador, brincando com a modelo Núbia Oliver no "Programa Silvio Santos".

Com você, Silvio, eu faria exatamente o contrário! hahahaha

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Poeminha da noite

Dedicado aos nossos atletas - aos que, aliás, conseguem tal proeza no Brasil.

"A humanidade possui quatro coisas
Que não são úteis no mar -
O leme, a âncora, remos
E o medo de afundar".
(Antonio Machado)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"Grandes poderes, grandes responsabilidades"

Ontem, uma amiga minha de muitos anos veio me entregar seu convite de formatura. Conversa vai, conversa vem, ela contou que o irmão tá passando por uma fase profissional muito ruim. O rapaz fez vestibular pra um curso cujo mercado de trabalho é super restrito, e hoje, já formado, está amargando um tempo na "geladeira". Fiquei bastante sentida quando soube que ele está mal desse jeito e até me senti um pouco culpada. Deu em mim uma sensação mezzo Peter Parker diante da morte de Tio Ben, tive aquele pensamento (que não serve pra nada mas é inevitável) de que podia ter evitado o desastre. Pode parecer um exagero, mas se formar e não conseguir emprego é, para um jovem, um grande desastre. Eu avalio o que ele está passando, como a auto-estima deve estar baixa...
O irmão de minha amiga sempre me deu mais moral que ela ("pra variar!"... risos). Quando foi a vez dele escolher um curso universitário, eu já estava quase no final do meu - meio em crise, por sinal. Ele me contou seus planos, quis saber minha opinião e eu fiquei com receio de dizer o que realmente achava sobre a escolha dele. Duas situações são desconfortáveis à beça quando se trata de emitir uma opinião: externá-la a alguém que nunca põe fé nas coisas que você fala; externá-la a alguém que leva muito a sério tudo que você fala.
Muitas vezes, dar um conselho é desaconselhável não pela qualidade dele mas pela falta de preparo de quem o recebe para ouvir aquela informação. Enfim, a responsabilidade não se limita a veracidade/coerência do que será dito, mas é uma questão, também, de avaliar a conveniência do ato.
O rapaz em questão, por motivos de estranha origem, dá crédito ao que digo (se bem que nunca fui de dar conselho a ele. Seus planos são tão mirabolantes que eu, ao invés disso, caio na gargalhada. Ele é um figura, talvez por isso mesmo eu tenha ficado triste). Senti que aquela seria uma escolha muito infeliz, mas fiquei em cima do muro. Fui covarde, admito, mas tive meus motivos. Fiquei com receio, na ocasião, de soar pessimista e ser acusada de ter jogado areia no sonho do outro. Naquela altura, eu já tinha amargado umas experiências bem ruins, de quando meti meu bedelho na vida dos outros, e não tava a fim de me desgastar em nome desse meu complexo de Joana D´Arc. Já fui muito da filosofia "enquanto eu estiver te enchendo o saco é porque quero o seu bem, quando me calar, é porque não tô mais nem aí"; hoje ainda sou um pouco assim, mas só com pessoas muito queridas e em algumas circunstâncias especiais.
Modéstia à parte, eu também ponho fé nas minhas avaliações, raramente minha intuição falha. Lembro que quando me mudei pra Salvador, fui sacaneada, semanas antes, pela minha melhor amiga da quadra e da escola. Após anos de amizade, simplesmente a figura passou a me ignorar por causa de uma "forasteira". Havia chegado uma menina de Recife, na escola, que por ser bem bonita passou a chamar toda a atenção dos meninos (e da minha amiga, que queria ser mais popular pongando nela). Antes de ir embora, disse-lhe: Você vai apresentar a escola toda pra ela, que vai passar a te ignorar assim que ficar popular. Dito e feito. Três meses depois, no auge do meu verão soteropolitano, recebo a carta da tal amiga, contando, toda magoada com a fulaninha, que as coisas haviam acontecido como eu disse. Quem vê cara, não vê coração. Como dizem os italianos, confiar é bom, não confiar é melhor ainda. Foi trocar a amiga certa pela duvidosa... Toooooooooooma!
Em outra ocasião, avisei a meu amigo que não colocasse o nome do filho de Jean Patrick. Disse: Rapaz, cê tá procurando sarna pra se coçar (porque ele é o maior machista!). Meu amigo me respondeu: "Que nada, Julinha! Jean Patrick é nome europeu, de doutor!". Tá!... Sei!... Anos mais tarde, quem foi o primeiro gay a ganhar um reality show? Jean! E quem é o personagem gay cujo bordão é "Olha a faca!"? Patrick! "Eu quis dizer, você não quis escutar...". Quem avisa, amigo é, já diz o ditado. hahaha
Uma vez, no curso de espanhol, Gabri cismou que as duas ripongas da sala não eram amigas mas lésbicas. Eu disse: Gabinho, mulher de sandália de couro costuma dar mais que chuchu no brejo! Elas não são lésbicas - pelo contrário. Ele cismou que eram sim. No semestre seguinte, veio a redenção de Gabinho, ocasionada por um acontecimento, em sala, do qual não me recordo mais. Eu não disse?! risos
Sexto sentido - Ter uma intuição acima da média pode ser um fardo. :P
Na relação com os outros, às vezes eu me sinto uma ave de rapina. Sabe aquela coisa de você ter uma certeza tão funda, mas tão funda dentro de você (embora não consiga prová-la), de que algo vai acontecer? Pois é, eis o meu caso. É ruim ver a pessoa lá, toda pimpona, e você já sabendo que aquilo que lhe traz felicidade vai dar bode. Não é que eu queira, não se trata de jogar praga. Simplesmente eu enxergo os sinais, é como olhar para o céu e ver que vai chover. Qualquer que seja a escolha, não há sossego: se eu conto o que acho, me sinto mal por estar sendo "pessimista"; se não conto, fico agoniada que nem Patrick Swayze em "Ghost", tentando avisar Demi Moore do sócio-assassino.
O inverso também acontece, embora com menos freqüência. É igualmente ruim ver uma pessoa zanzando, sem rumo, tendo todas as ferramentas para arrebentar presas na cintura, sem conseguir enxergar isso.
Às vezes chego a considerar que nos sabotamos não exatamente com medo do poder, mas com receio de não agüentar a responsabilidade que vem com ele.
E a pior situação de todas é não poder nem responsabilizar os outros quando a corda arrebenta do seu próprio lado, quando quem se dá mal é você mesma. Eu me ferro quase sempre por teimosia, dificilmente sou pega de surpresa. É triste quando isso acontece. Você fica pensando: Por que diabos não me protegi, se já sabia? Eu sei: é a maldita da esperança. Quando digo isso, muita gente contesta, mas hoje eu sei que só força e/ou atitude não bastam. Há de se ter estratégia para conseguir as coisas na vida.

Fico refletindo sobre a responsabilidade que temos com os nossos afetos.
Qual é a melhor escolha: a harmonia ou a verdade?
(Eu, pessoalmente, sempre acabo pendendo para a verdade, mas tenho aprendido a preservar a harmonia, em alguns casos)

Como canta o Skank, "Eu queria insistir, mas o caminho só existe quando você passa", e dar conselhos é quase sempre tão útil quanto lavar o cabelo sete vezes num dia, valendo por uma semana inteira. Arrependi-me um pouco de não ter seguido grande parte dos conselhos que recebi de minha mãe (aliás, mãe é um caso curioso: por mais absurdo que seja o palpite, definitivamente elas têm o poder de adivinhar o que vai acontecer com a gente. incrível!... A minha parece uma bruxa, de tão certeira. Já desisti de contestar suas certezas sem sentido. Hoje, quando estou prestes a abrir a boca e dizer "Você pirou?", saco a humildade do bolso e fico quieta. Geralmente o que ela diz se concretiza. Ô boca!...), mas eu precisava ver com os meus olhos. Só seria real assim. A vida é como uma telenovela: ler o resumo não satisfaz a curiosidade; nem ler o roteiro do capítulo resolve o problema; o barato está em ver como as coisas acontecem, em assistir a história no ar.
Por falar em mãe, a primeira vez que pensei a sério sobre isso foi vendo "Por Amor". Lembram que Helena deu até o filho recém-nascido para que a filha não passasse pela dor de ter que saber que o bebê morrera e que havia ficado estéril no parto? É duro assistir quem a gente gosta sofrer, é difícil adquirir esse sangue frio. É uma tarefa e tanto aprender a não se meter. É preciso aceitar que cada um passa pelo que tem que passar (eu ainda não aprendi muito bem essa lição, e tenho sentimentos conflitantes sobre isso. O caso é que nem todos os atos movidos "por amor" são éticos ou simplesmente amorosos).
Como disse Santo Agostinho, "quem ama, zela" (a palavra que significa "zelo", em latim, também significa "ciúmes" e alguns fazem essa tradução da frase de Agostinho, o que é incorreto). Se você tem o poder de amar, vai se sentir com poder para cuidar. O amor quase sempre infantiliza, esse é que é o problema. Se você ama, muito possivelmente você vai querer poupar sua criatura amada de tudo que possa trazer sofrimento, desgosto, pra ela. Todo ser amado tem três anos de idade na cabeça de quem ama. A gente esquece que entre o nosso sentimento e a realidade, existe um mundo. Que a pessoa, aliás, pode se defender sozinha. Que, como uma criança de um ano precisa tropeçar e até se machucar pra conseguir aprender a andar, quem a gente ama precisa às vezes chorar e se ferir para crescer, e até mesmo para sentir o gostinho de ser e estar na vida.
A caridade está, mais que na advertência, na solidariedade pós-"pancada". O ombro é sempre a melhor oferta que podemos fazer a alguém que estimamos.


Peter Parker. Pois é, dos super-heróis, o Superman é meu preferido. Se eu fosse escolher um super-herói para casar, seria ele. Clark é lindo, um doce, um gentleman. É muito fofo quando ele deixa Lois pensar que conseguiu o furo de reportagem sozinha (cavalheirismo é algo tão belo quanto raro. Ahhh!... Coisa difícil é achar um homem que seja gentil sem ter algum interesse envolvido na questão!...Viva Clark Kent! hehe). Christopher Reeve no papel... Que charrrrme!... Reeve, mesmo paralisado naquela cadeira de rodas, era de uma magnitude espantosa!
Se me perguntarem com qual me identifico mais, não vou poder responder a Mulher Maravilha. Ela é muito diva, nada a ver. Acho minha personalidade beeem Peter Parker. Ele não é dos meus preferidos, mas não acho a similaridade ruim, não. Quem dera, aliás, que eu tivesse a mesma facilidade que ele para cruzar a cidade, pois o trânsito de Salvador tá pééééssimo! - e tenho dito! hahaha

domingo, 17 de agosto de 2008

Bahia e Dorival Caymmi - a canção da partida

Que lindo, Cau!...

*****

Claudio Leal

Era a cerimônia do adeus. Em 10 de agosto de 2006, o Teatro Castro Alves, em Salvador, reencontrava o compositor Dorival Caymmi (1914-2008). Onze anos de ausência. Com o Prêmio Jorge Amado de Literatura e Arte, a Bahia oficial pedia desculpas ao soteropolitano da rua do Bângala, depois de anos de hostilidades do ex-governador Antonio Carlos Magalhães.

O estremecimento da amizade veio em 1971, quando Caymmi vendeu a casa a ele doada pelo governo baiano. Em 1968, fixara residência por poucos meses no Rio Vermelho. Mas a teia de compromissos o tragava para o Rio de Janeiro, onde voltou a morar. Houve quem visse nisso o desejo do artista de guardar distância moderada do seu universo mítico.

Veja também:
»Morre o compositor Dorival Caymmi aos 94 anos

Numa interpretação rasteira, o político baiano entendeu a mudança como uma renúncia à baianidade. Brios feridos, trocaram petardos. Caymmi, fino trato, cravou: "Conheci Antonio Carlos no tempo em que ele apenas servia cafezinho a Odorico Tavares".

Odorico, diretor dos Diários Associados na Bahia, amigo do músico e protetor do jovem jornalista ACM. Em 2000, iniciou-se a reaproximação. Desfazer de mal em câmera lenta. Contrariando arraigado princípio, Toninho estendeu a mão. O Prêmio Jorge Amado, em agosto de 2006, selará as pazes oficiais.

As rusgas de três décadas se resumiam ao andar de cima. A Bahia real continuava a tremer de encanto pelas canções praieiras e pelos sambas sacudidos. Caymmi, Jorge Amado, Odorico, Carybé e Pierre Verger formam o quinteto da fundação afetiva e cultural da "Cidade da Bahia". Geração pioneira na assimilação das heranças africanas nas artes.

Assim que se anuncia o retorno de Caymmi, aos 92 anos, essa província utópica dos cinco revolve a mente. Os baianos se esmeram para honrar o que seria a despedida final.

Em 9 de agosto, o obá de Xangô do terreiro do Axé Opô Afonjá desembarca no Aeroporto 2 de Julho. "Água da Bahia...", balbucia Caymmi ao reidratar-se. "As minhas músicas falam de uma Bahia autêntica e diferente de todos os Estados", define. Em dois dias, despede-se da cidade com o filho Danilo e seus netos - a maior parte do tempo em silêncio, contemplando através da janela do carro a Salvador moderna e as curvas ancestrais da São Salvador.

Inúmeras cidades morreram desde a partida de Dorival para o Rio, em 1938. O velho transparece aceitar as mudanças: não há por que "perdoar" os desvios da urbe reacriada e idealizada em suas músicas.

Toma o tradicional sorvete da Ribeira no Palácio de Ondina. Em 11 de agosto, a poucas horas do retorno, mãos entrelaçadas, reza na igreja do padroeiro dos católicos baianos. "Tenho fé em Senhor do Bonfim da Bahia", declara no reecontro com a divindade invocada em O que é que a baiana tem?, São Salvador e Você já foi à Bahia?.

Mas os bois ultrapassam a carroça. De volta ao Teatro Castro Alves, na véspera da ida à Colina Sagrada.

Na entrega do Prêmio Jorge Amado, cerca de 1.500 pessoas gramam discursos de burocratas antes da entrada do mestre da música popular. Sob os acordes da Canção da Partida, Dorival Caymmi vai ao proscênio, numa cadeira de rodas. Segue-se uma rara aclamação no histórico espaço do teatro brasileiro. Durante quinze minutos, a platéia o aplaude de pé.

Silencioso e comovido, Caymmi põe a mão no peito. O filho Danilo o acaricia. Ali perto, Zélia Gattai. Dorival recobra a voz rouca para entoar as palavras finais dos versos da Canção da Partida. Coração em tropel.

"Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer"

Pela manhã, ao acordar, ele se enternecera com o mar azul. Mar azul da Bahia. À noite, no Castro Alves, a cada aplauso estridente, Caymmi e os baianos intuíam a verdade de Cole Porter: morre-se um pouco cada vez que dizemos "adeus".



Terra Magazine

Aloshima, mon amour!


"Ele é meu time de futebol
Ele é meu domingão de sol
Ele é meu esquema
Ele é meu concerto de rock'n roll
Nação, minha torcida gritando gol
Meu Leblon*-Ipanema"


* Em homenagem a Manoel Carlos, nosso ídolo!


Ah, gente, Alosa é meu orixá! De vez em quando, tenho que fazer umas "oferendas" pra ele no blog, ué!...hehehe

Ser dona de si

DANUZA LEÃO


E pensa que não há nada melhor do que poder fazer exatamente tudo o que quer, na hora em que quer

TEM DIAS que você acorda que sei lá. Não aconteceu nada que te aborrecesse, nenhum problema à vista, tudo bem em todos os sentidos -os normais- e você está péssima. Para começar, não consegue levantar da cama, e nela ficaria o dia inteiro, a vida inteira, a troco de nada. A cabeça está ruim, o analista está viajando, os amigos estão fazendo coisas, não têm tempo nem competência nem paciência para ouvir você -e, no fundo, ouvir o quê, se nem você mesma sabe o que dizer? Fica pensando: o que poderia acontecer agora para sair desse estado ridículo -porque a depressão sem razão é quase ridícula, mas a gente só sabe disso depois que ela passa-, com tanta gente sofrendo por razões sérias e você sem nenhuma. E o pior é que quando se está nesse estado nunca se pensa que ele vai passar. E pensar em viver assim a vida toda, realmente não dá. É uma agonia, quem sabe entrando num chuveiro as coisas melhoram? E a força para levantar e tomar um banho? Já cansou de ouvir falar que sair e andar um pouco é tiro e queda, mas se vestir, botar um tênis e ver o dia bonito, o céu azul e as pessoas alegres, correndo, rindo, é tudo que não se quer. Se pelo menos estivesse chovendo, fazendo frio, mas não: está um dia maravilhoso, e assim não dá. Botar um CD nem pensar, ligar a TV também não, é quase uma dor física no peito, é claro, que dói mais que uma pedra no rim, pois para essa você sabe que há remédio. O jeito é continuar no fundo das cobertas tentando não pensar em nada, e na verdade não pensando, e tão triste que não consegue lembrar um só momento de alegria e felicidade que já tenha tido, e achando que a vida não tem solução. E será que tem? O dia vai passando, nada melhora, e você não faz rigorosamente nada para tentar sair dessa. Para não morrer de fraqueza, pega na geladeira uma gelatina, essa pelo menos escorrega pela garganta sem precisar nem mastigar. Mas a vontade de viver é sempre mais forte, e já à tarde, com a cabeça funcionando melhor, resolve que vai melhorar. Começa devagar: levanta da cama, enche a banheira com uma água bem quentinha e toma um banho sem pressa; depois se veste, põe um suéter bacana, se maquia -muito importante- vai para a sala e começa a olhar em volta. Tem uma casa bonita, exatamente como queria, e importante: nenhum eletrodoméstico está com defeito, tudo está funcionando, o que é uma benção dos céus. E começa a bater uma certa fome, sinal de que as coisas estão melhorando. Mas fica quietinha, esperando; e umas duas horas depois decide -porque isso é uma questão de decisão- que chega, não vai ficar assim não. Pega a bolsa e vai a um restaurante de que gosta, pede uma caipirinha da fruta mais alegre que existe, o caju, e depois uma carne sangrenta com farofa e batata frita, tudo que evita 360 dias por ano. E pensa que não há nada melhor do que poder fazer exatamente tudo o que quer, na hora em que quer, que tem o direito de às vezes cair em depressão e não ter que dar satisfações a ninguém, nem à amiga nem ao analista, e que isso é a coisa mais importante deste mundo. Porque ser livre para ser feliz, ou até infeliz, é um privilégio que todos devem ter.

danuza.leao@uol.com.br

sábado, 9 de agosto de 2008

Minha Tia

Aproveitando que segunda, 25/08, é aniversário da minha tia e que ela foi professora por muitos anos, publico, aqui, minha "redação de volta às férias", intitulada "Minha tia"! hihi

***

É uma terça-feira, tarde da noite. Chego na casa da minha tia. Ela está vendo “Big Brother”, e não há surpresa nisso. Toda edição, lá vai ela comprar o tal pacote da Sky. Torna-se praticamente a sucursal do programa em Salvador. E ai de quem cair na besteira de perguntar algo sobre o BBB! Ela, que certamente viu tudo, fará questão de contar os casos nos mínimos detalhes e defenderá seu ponto de vista com unhas e dentes. Naquela noite, teceu elogios rasgadíssimos a Mariana Felício. Ao final do fervoroso resumo da trajetória da moça no programa, tentou amenizar o próprio entusiasmo com a atração global: “Para mim, como educadora, o Big Brother é um estudo e tanto!”. Ã-hã!... Sei!... risos


A casa de minha tia é uma espécie de QG. Todos os amigos dos filhos passam por ali: aqueles que conheceram seus meninos no colégio, os amigos da faculdade... O bonito é que agora eles levam, também, seus filhos.

Isso sem contar os sobrinhos – alguns deles criados dentro da sua casa -, que também começam a freqüentar o apartamento com a terceira geração. Ela mesma ainda não realizou o sonho de ter um neto, então acho que os “netos tortos” vão quebrando esse galho, por enquanto. Mas ainda que os tivesse, acho que não faria diferença no trato com aqueles que não são de seu sangue.
É muita gente em torno dela - e sempre cabe mais um!


Um dia, vendo as fotos de algumas das suas "netas adotivas”, observou que uma delas ficava, digamos, aquém das outras no quesito beleza. Comentou, daquele seu jeito espontâneo e único: “Olha, elas vão crescer juntas e isso vai dar problema. Eu me preocuuuupo!”, e deixou a foto sob a mesa, saindo, em seguida, com a testa um pouco franzida. Hilário! Que figura ela é!...


No sofá dela, muita gente já se conheceu, já chorou as pitangas da separação, já perguntou o que fazer em situação tal, já comemorou a boa nova. Minha tia não é tão procurada à toa: ouve com atenção, sempre tem algo a dizer e se mostra sinceramente envolvida com a questão alheia. Acolher é o seu maior dom. Ô!... Brinco que minha tia tem “Complexo de Mulher Maravilha”. Se alguém lhe conta um problema e ela sente que pode mexer seus pauzinhos, “veste a capa” e move céus e terra, quer você tenha lhe pedido ou não. E apesar de ser uma mulher de atitude, é incapaz de ser indelicada ou invasiva. É incrível como tem consideração pelos outros!... Eu admiro!


Quando o filho mais velho passou num vestibular em Minas, o coração apertou. Acho que ela desejou tão forte que ele retornasse, que um mês depois, o garoto ligou e confessou que queria voltar à Bahia. A mãe foi bater na sala do reitor da UCSal, que ficou meio atônito com aquela senhora baixinha mas simpatizou tanto com o empenho dela, que liberou a transferência.
O filho ficou morrendo de vergonha, apesar de feliz à beça com a volta pra casa. Eu bem o entendo: também já fui “vítima” dos pedidos emotivos de minha tia. A gente fica sem saber onde enfiar a cara! risos

Ela é extremamente sensata, é prática, mas quem bate o martelo, no final, é o coração. É pura passionalidade, sua expressão por vezes é inflamada! hehe... Certa feita, na época em que tinha um cargo importante na Secretaria da Educação, foi com muita má vontade receber Luís Eduardo Magalhães - nunca gostou de ACM. “Minha tia, a senhora é louca de ficar de cara feia pro filho de ACM?!”. Ela foi com essa intenção mas se desarmou diante da gentileza e da simplicidade com que foi abordada pelo filho de Toninho Malvadeza. Toque no nome do filho do ex-governador e prepare-se para uma enxurrada de adjetivos positivos.

É uma delícia ouvi-la sobre os tempos em que foi professora e atuou na Secretaria. É história da Bahia pura (neste sentido, meu ex-chefe, Sampaio, também é um bom papo)! Tão prazeroso quanto, é ouvi-la comentar as fotos das viagens que fez com meu tio. Já vi os álbuns umas três vezes, mas se ela se esquece de que já os mostrou e quer fazê-lo mais uma vez, não recuso. Felizmente ela sabe contar uma história! E vai falando dos lugares, segue pelos hotéis e navios, adentra nas amizades que fez... De repente, você (e ela!) se sente lá.


Numa dessas sessões, vimos tantas fotos que acabamos nas de sua juventude. Adorou lembrar como era “ajeitadinha de corpo”, “uma graça” (isso é sempre um consolo, quando se é uma senhora roliça de 60 e alguns anos! todas adoram falar essas coisas, fazer auto-elogio! haha).
Ela realmente era uma moça bonita e tinha cara de espevitada. Nessa hora, meu tio entrou quarto. Sempre circunspecto, dessa vez ele interveio na conversa: “Na verdade, você era uma bonequinha!”. Ahhhh!... O amor existe e ele é belo mesmo após quase 40 anos juntos!


Mas as melhores histórias que minha tia conta são sobre o pai dela. Ela foi uma dessas mulheres sortudas por terem tido um pai amigo, numa época em que o modelo patriarcal era inflexível. Toda vez que leio os textos de Lya Luft sobre o pai, lembro de minha tia. É a mesma admiração...Ela sempre se emociona quando lembra dele. Esse tipo de relação pai-filha é bem legal de se ver.


O pai dela já era bem maduro quando conheceu sua mulher - a mãe dela -, 20 anos mais nova. Viveu para a esposa e morreu um pouco depois que ela faleceu. O velho, pelo jeito, tinha uma visão interessante do casamento. Dizia que a mulher deveria ser muito bem tratada, pois dava a um estranho o que tinha de mais precioso: seu corpo (época em que a mulherada casava virgem, né) – para o sexo, para a reprodução e ainda no cuidado com a casa. A seu ver, o homem não dava a mulher nada de tão especial em troca, ao menos nada além do que deu a tantas outras. Quando minha tia me contou isso, claro, fiquei impressionada com esse pensamento um tanto a frente do tempo, isto é, se considerarmos que esse homem nasceu bem no início do século, no interior do Brasil, sua visão do feminino é fantástica... Adoro essas histórias de gente idosa que foi avant garden!


Foi olhando para minha tia que realmente me convenci de que mulheres podem ser meninas, ainda que tenham idade para serem avós. Mesmo já estando com todo aspecto de uma senhora de 60 e alguns anos, há algo na expressão dela que por vezes me lembra a de uma menininha. Seu sorriso é ainda muito vivo, e eu acho isso sensacional (nada mais belo que senhoras e senhores que sorriem como jovens!). Eis aí uma dica valiosíssima para combater o envelhecimento: a vitalidade! Minha tia, mesmo tendo tido uma vida tão movimentada e tendo passado por tanta coisa, ainda é uma pessoa inocente, que sempre pensa o melhor dos outros, que sempre procura ser útil a quem está ao seu redor.


A minha teoria para tal "fenômeno" é que se trata de uma pessoa muito amada: pelos pais, pelos irmãos, pelos sobrinhos, pelo marido, pelos filhos, pelos amigos dos filhos, pelos vizinhos, pelos ex-colegas de trabalho, etc. Teve muita sorte na vida, e pra ela é quase um ato involuntário ser generosa e afável com as pessoas. Poderia muito bem ter uma atitude oposta. Já vi muita gente afortunada (assim como muita gente de passado sofrido) usar isso para diminuir os outros. Ela, pelo contrário, é solidária, e eu acho isso muito bacana.


Enfim, minha tia não seria minha tia se não fosse a sua capacidade acima do normal de agregar pessoas. Admiro muito isso nela. Aliás, nunca vi alguém com menos de 40 anos chamando-a pelo nome. É tia, de sobrinhos de sangue e de vários outros de consideração. Sou, orgulhosamente, um deles.

Obrigada, minha tia, pela acolhida e pelo exemplo de vida! :)

Sobre o meu pai Arthur

"Seu olho verde faiscava de brabeza ou transbordava
de afeto. O rumor de seu passo no corredor botava o
meu mundo em ordem. Sua risada era aberta e franca,
seu abraço era cálido, sua alegria, generosa"

Nesta coluna homenageio meu pai Arthur, que morreu quando eu tinha 35 anos, e de quem, 35 depois, ainda recordo todos os dias, pelo seu legado de carinho, justiça, integridade e proteção, que até agora me dá força quando preciso dela (preciso muitas vezes). As propagandas em torno do Dia dos Pais, se irritam pela comercialização (para quem deseja isso) em torno do afeto, servem de lembrete a quem anda esquecido do seu pai.

Então tenho lembrado com mais intensidade do meu, que era severo e terno. Seu olho verde faiscava de brabeza ou transbordava de afeto. O rumor de seu passo no corredor botava o meu mundo em ordem. Sua risada era aberta e franca, seu abraço era cálido, sua alegria, generosa. Tinha momentos de melancolia, em que fitava um ponto distante longo tempo sem falar. Seu amor pela família foi talvez seu traço mais marcante. Ensinou-me o nome das árvores do jardim e os cuidados com elas, para que dessem frutas doces. Transmitiu-me a noção do sagrado das coisas e das pessoas. Gostava de tranqüilidade, meu pai Arthur. Recusou sistematicamente os convites para deixar nossa pequena cidade e assumir cargos importantes. Era atento e compreensivo, ajudou fugitivos da II Guerra, levava cobertores ou remédio aos pobres, aconselhava amigos e desconhecidos que vinham lhe pedir orientação. Lembro-me do que relatou alguém que o procurou em casa, e ele, interrogado sobre sua vasta biblioteca, apontou os livros e disse com simplicidade: "Eles são meus amigos".

Ilustração Atômica Studio


Era também exigente, meu pai Arthur. Aborrecia-se com meu boletim invariavelmente medíocre, porque eu não gostava de estudar: queria ficar em casa, lendo em meu quarto ou debaixo de alguma árvore, e achava as regras de disciplina da escola antes cômicas do que respeitáveis. Além de negligente na escola, em casa não conseguia ser a menina prendada que minha mãe desejava.

Não podia competir com suas sobrinhas ou filhas de amigas, num tempo em que ser prendada era importante (para mim, era bobagem): meus bordados saíam tortos, minha incapacidade de arrumar a cama era patética, meu horror à cozinha era vergonhoso, eu respondia mal à minha mãe, ou lhe mostrava a língua. Era um desastre, e me sentia assim. Quando as queixas de mãe e professores se tornaram excessivas, ele me pôs num internato. "Para o seu bem", ele disse. Não esqueço a dor daquele dia e dos outros, nem a minha gratidão quando, dois meses depois, em uma visita, anunciei que se ele não me tirasse dali eu morreria, e ele me levou para casa. Por essa, e tantas outras coisas, dediquei-lhe especialmente um de meus livros, dizendo: "A meu pai Arthur, para quem eu não era só uma criança: eu era uma pessoa". Ainda falo com ele, recorro a ele em minhas aflições, pedindo que, como fez em vida, me ajude em minhas trapalhadas. (Não sei como, mas ele ajuda.)

Nele, antecipando o Dia dos Pais que se aproxima, homenageio todos os pais que não vão ter o carinho dos filhos pequenos ou adultos, nem um telefonema alegre, nem um almoço ruidoso, nem mesmo um recado. Homenageio os pais que ficarão sozinhos fingindo que não faz mal, que filho é assim mesmo, que a vida é assim. Não é assim. Em meu pai Arthur, homenageio os pais que não puderam estar sempre junto de seus filhos porque, longe, precisavam garantir o seu sustento; que foram relegados quando não tinham mais dinheiro ou saúde; criticados quando quiseram buscar alguma felicidade; ou que, sem entender, foram declarados dispensáveis e desimportantes.

Não posso esquecer aqui aqueles pais que perderam um filho ou filha, na dor que não se cura com nada. Mas penso também nos pais alegres, nos pais carinhosos, nos pais protetores, parceiros, guerreiros, nos pais que têm sorte, e que nesse dia especial receberão abraços, telefonemas, torpedos, churrascos, conversas, sorrisos ou mesmo um bilhete em letra infantil – como aqueles que tantas vezes, na minha distante infância, deixei no bolso do paletó ou no prato do café-da-manhã de meu pai Arthur.

Lya Luft é escrito

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

De Pernambués para o mundo


Alosa, cê tá em baixa, viu! "Quem te viu, quem te vê", meu amigo! Até a "cretina", sua ex-vizinha de Pernambués, "tá bombando tudo" e você aí, no 0x0 do ponto de vista midiático. Tsc tsc tsc...


Leia a entrevista de Claudinho com Kret e aprenda como se faz, ô, rapaz!

Sexta, 8 de agosto de 2008, 08h00 Atualizada às 01h48

Leo Kret: "Quero ser presidenta do Brasil"

Claudio Leal

Notícia da Bahia: Leo Kret, a "danada", entrou para a política. "Dançarina do povo", a transexual mereceu verbete da Desciclopédia, a Wikipédia de araque. Numa agressão aos fatos, apresentam a baiana como Léopold von Schëiber Kretzwald. Cruz!

Provem o contrário, mas ela não é madame de mentir: dorme e acorda "mulher". E samba que samba.

Perguntem por Leo Kret nos subúrbios e pontos de ônibus de Salvador. Ouvirão uma resposta: "Leo Kret, a cretina?". Pois então, ela mesma. Nascida no bairro de Pernambués, virou dançarina de bandinhas chués até afinar o rebolado no grupo de pagode Saiddy Bamba. Sabe lá de onde vem o "y".

Há divergências quanto à grafia do nome. Leocrete, Leokrety, Leo Cret. Dúvida cretina, ora. Nas eleições 2008, assina-se Leo Kret (PR) - candidata a vereadora de Salvador. Deseja ver seu nome artístico no painel da Câmara.

Nos comícios do deputado federal ACM Neto (DEM), postulante à Prefeitura da capital baiana, a transexual se tornou a principal atração. Recebe mais aplausos do que o neto do ex-senador Antonio Carlos Magalhães. Pudera: além de discursar, Leo Kret tem estatura superior à do democrata, rebola para a multidão, trisca o chão quando assim pedem, chicoteia os cabelos e, respirou?, ainda dá suas cantaroladas.

Sensação da campanha baiana, Ela, a danada, a "cretina", afirma se inspirar no ex-ministro da Cultura Gilberto Gil. Com todo o respeito, pretende dividir-se entre a arte e a vida pública. "Continuaremos dançando", avisa, nem aí para a opção final de Gil.

Kret é a musa inspiradora do "Melô do beabá". O pagodeiro provoca e atiça a odalisca transmudada: "A fechação vai começar.../ Eu vou mostrar para você o meu mais novo beabá". Basta isso para Leo Kret - de novo, perdão, a "cretina" - jorrar suor:

"A... vocês vão ter que me aturar


E... porque eu sou quase uma mulher


I... vocês vão ter que me engolir


O... eu sou Leo Kret 'a melhor'


U... eu gosto da cor azul"


"O que é Leocrete, em termos de morfologia?", indaga o jornalista Pablo Reis, biógrafo informal desse hurricane de média proporção. "Um capítulo à parte no gongorismo visual que é a figura leocretiana está em sua sempre visível marquinha de biquíni. É uma linha esbranquiçada que desenha uma parábola nas laterais da cintura até o cóccix, denunciando uma tanguinha mínima, popularmente conhecida como fio-dental."

No subúrbio ferroviário e na península de Itapagipe, à beira da Baía de Todos os Santos, virou heroína das noites de pagode. As mães da ex-Tradicional Família Baiana tremem quando vêem seus filhos imitarem Leo Kret, num rebolado "trans". Nada assustador, sugere a letra do Saiddy Bamba:

"Quiu


Ela já se descobriu


Quiu quiu quiu


É Leo Kret do Brasil"


No comício na Praça João Martins, no bairro de Paripe, cerca de duas mil pessoas foram ver a transexual ao lado de ACM Neto. Fotografias dos dois já circulam em sites de humor.

- Léozinha é emblemática no atual espírito do tempo: alegorizando um tipo de política e de sexo (a tal da desconstrução dos gêneros e das orientações sexuais heteronormais do passado) que não passam de uma alegre esculhambação! - define o antropólogo baiano Roberto Albergaria.

Para Albergaria, a "Lady Boy" simboliza o circo da política baiana depois da morte do ex-senador ACM. A direita se une ao PT, os órfãos de ACM a Leo Kret. Identidades se diluem. "Aliás, as pesquisas dizem que mais da metade da população da nossa cornolândia não se interessa nadinha por eleição e quejandas embromações", arremata o antropólogo.

Por ter dançado a música "Bicha", a "danada" enfrentou a patrulha do Grupo Gay da Bahia (GGB). Consideraram a letra ofensiva. "Descaradinho, não adianta se encubar/ Todo mundo aqui já sabe/ Que você não é chegado à fruta". Crente em sua costela de Adão, ela venceu as resistências dos militantes. "Leo Kret dançando contra toda uma onda de preconceito e discriminação", gaba-se.

Em entrevista a Terra Magazine, a dançarina faz uma revelação de estremecer a República. A depender dos ventos eleitorais, Cristina Kirchner e Michelle Bachelet podem ganhar uma nova amiga:

- O povo, que me levou a ser candidata a vereadora, com certeza me levará a ser candidata à presidente... Imagina eu, Leo Kret do Brasil, a primeira presidenta transexual?

A Bahia de Ruy Barbosa, Marta Rocha, Irmã Dulce, Glauber Rocha e Caetano Veloso, também embarcou no mundo Leo Kret.

Nada mais educado do que ouvi-la.

***

Terra Magazine - Dá pra falar de seu sucesso nos comícios baianos?
Leo Kret - Tá sendo um arraso! (risos)

Começou no bairro de Paripe, certo?
Começou em Paripe e está penetrando em toda a Bahia e em alguns lugares do Brasil. Porque eu trabalho com uma banda. Agora, em Paripe, foi um comício que teve. Segundo os jornais, houve duas estrelas: eu, Leo Kret do Brasil, e mais uma personagem política, (o radialista Raimundo) Varela. Nem o ACM Neto foi citado.

É mesmo?
É... Quando nós chegamos, havia poucas pessoas e aí lotou a praça pra ver Leo Kret do Brasil, a danada! (risos)

E por que você escolheu ACM Neto pra ser seu prefeito?
Nós tínhamos uma formação política antes do convite que foi feito por uma pessoa do PR. Isso foi numa convenção partidária, não foi Leo Kret que escolheu. A convenção do DEM, PR e outros partidos que decidiu. Uma pessoa jovem e tudo mais.

Você tem simpatia por ele?
Claro, temos simpatias. Ele está defendendo as bandeiras dos GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), dos artistas, e tem as propostas dele pra cidade. Ninguém pode negar a herança política que ele herda. Pode haver resistências, mas ninguém pode negar.

O que você acha do avô dele, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães?
(risos) Era uma pessoa que era amada e odiada, né? Mesmo que algumas pessoas critiquem, era uma força política. Tanto que essa força política era chamada de "carlismo". Estavam seguindo a liderança dele.

Por que você entrou pra política?
Porque o povo pede. Toda a hora que a gente passa, o povo pede algo diferente. Os políticos que aí estão, quando se fala de política, são sempre dos jornais, dos crimes, das falcatruas... Quando a gente passa nas ruas, no meu trabalho de repórter nas TVs, com as comunidades carentes, solicitavam, pediam muito. Começaram a pedir minha candidatura. E me queriam como prefeita! Imagine!

Leo Kret prefeita de Salvador?
Ah, mas a gente vai lutar pra isso...

O que você ouve nas ruas?
Que eu sou a dançarina do povo e agora serei a vereadora do povo. Quero bater o recorde de votos da Bahia.

Você transfere voto pra ACM Neto? Vai pra todos os cantos na campanha...
Com certeza. A gente vai transferir muitos votos, sim. E a coordenação da campanha majoritária está percebendo isso. O clamor popular quando vê Leo Kret esquece as coisas negativas. A gente vai repetir o fenômeno que já aconteceu com Clodovil, e com outros artistas: Gilberto Gil, Mão Branca.

Como é que nasceu a Leo Kret?
(risos) Leo Kret surgiu nos finais de linha, nos bairros, nas populações carentes ou, como dizem aqui na Bahia, nos guetos de Salvador. Dançando com aquelas bandinhas - não pejorativamente, claro -, muitas delas de garagem, e desabrochou. Leo Kret dançando contra toda uma onda de preconceito e discriminação.

Mas de onde veio o nome "Leo Kret"?
Leo é parte de meu nome civil e "Kret" vem de cretina, de algumas coisas que as pessoas me chamavam com irreverência. Aí juntou Leo Kret.

Por que cretina?
(risos) Cretina porque a gente incorpora o personagem no palco, daquela personagem de irreverência, pra gente quebrar os tabus. A gente diz alguns versos durante os shows...

Diga um verso...
Unindo a música ao que as pessoas pensam lá embaixo. Se veste de Afrodite e fala algumas coisas. Mas a que tá cantando mais é "Leo Kret, a dançarina do povo, é a representante de fato, **024" (risos)

As pessoas te chamam de "travesti", mas você diz que se sente cada vez mais uma mulher. Como é isso?
A gente brinca com essa questão do povo. Mas, na realidade, nós somos transgêneros. Temos identidade feminina. E se a gente vai pegar as definições coletadas pelo coletivo de travestis transexuais, vai perceber que a definição de "travesti" é se transformar em alguns momentos. E a minha identidade feminina é diária. Eu durmo e acordo uma mulher. Ainda não operada, ainda não transgenitalizada. Mas eu acordo uma mulher. Se formos usar uma definição mais específica, eu seria uma transexual.

Você tem pretensão de ser, no futuro, prefeita de Salvador?
O povo, que me levou a ser candidata a vereadora, com certeza me levará a ser candidata à presidente do Brasil, né? Em breve, prefeita, deputada estadual, federal e presidente, imagino. Imagina eu, Leo Kret do Brasil, a primeira presidenta transexual?

Vai superar a trajetória de Lula, de retirante a presidente...
Com certeza. Uma homossexual, que saiu de um bairro periférico e estigmatizado, de uma cidade do Nordeste, assim como o presidente Lula, presidente do Brasil.

Se vencer, você vai continuar a dançar?
Continuaremos dançando. Seguiremos o exemplo de outros artistas como Gilberto Gil.

Mas Gil acabou optando pela carreira artística. Como você vai se dividir?
Vamos ter assim uma agenda, que vai ser definida, que concilie com as sessões. As sessões não são todos os dias, só alguns dias da semana, e os shows acontecem à noite. Dá pra conciliar bastante. Quando não der, pediremos desculpas aos nossos fãs, mas... Contaremos com a compreensão.

Quais os pedidos mais absurdos dos eleitores?
Além de pedirem pra eu dançar, a gente não ouve absurdo, absurdo, por incrível que pareça. As pessoas entendem que não estamos ali pra comprar votos, mas pra mostar as ferramentas de controle social. Temos que defender os GLBT, os artistas estigmatizados, principalmente os artistas de axé music e do pagode, que são discriminados mesmo que movimentem cifras milionárias, como a Ivete (Sangalo). Nem houve desrespeito. Houve irreverência de me chamar de "danada", de Leo Kret "cretina", nesse sentido...

Quem vai votar mais em você? Homens ou mulheres?
Agora eu não sei dizer! Porque assim: existe o público feminino do pagode, representado por mim, mas existe o público masculino que são os pagodeiros... Tá numa disputa enorme! Mas vamos ter que preparar uma pesquisa pra saber quem é que é!

Qual vai ser seu primeiro projeto?
Temos uma lei que proíbe a discriminação contra os homossexuais, de 1997. Essa lei nunca foi regulamentada. É como se não existisse aqui em Salvador. Quem discriminar, fica impune. A minha primeira lei é regulamentar essa lei e exigir que os órgãos públicos admitam homossexuais entre seus servidores. Outro projeto de lei é permitir que Leo Kret do Brasil seja Leo Kret, meu nome civil, pra que eu possa estar assim no painel da Câmara. Essa questão do parceiro/parceira de homossexuais, o sistema de previdência municipal...

Leo Kret vai revolucionar?
Vamos revolucionar. Porque não é Leo Kret dançarina. É uma comunidade por trás, viu?... Arraaaaaaasou! Adorei.

Terra Magazine


quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Meu guri, meu orgulho!!!!!!!!

Genteeee,

Quase caí para trás, agora! Fui visitar a página de "O Mago", biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais, e vi Claudinho sendo citado na seção "Opiniões". Detalhe: Cau está logo depois da moça do "Tiooooo!" em América, a atriz Cléo Pires (na visão de alguns, Cláudio está embaixo dela, isso sim - Fernanda, lembre-se que você não tem mais direito a sentir ciúmes! hahaha).
Très chic!

Usados como epígrafes da recém-lançada biografia O Mago, de Fernando Morais, os juízos críticos de Martins refletem a extensão de um fenômeno cultural. Da rejeição ao acolhimento desconfiado. Com olhar cético, o biógrafo mergulha no terreno conflituoso em que pisa o autor de O Alquimista e O Diário de um Mago.
Cláudio Leal - Terra magazine

Não acreditou? Veja: http://www.fernandomorais.com.br/opinioes.php
Veja também a entrevista com o autor, feita por nosso ilustre-ilustríssimo amigo: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2969293-EI6581,00.html

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Os outros

"Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26:41)

***

O meu último ano foi, para dizer o mínimo, estafante. Quando isso acontece e você se vê no seu limite, é natural sair em busca de respostas, a fim de acabar com toda e qualquer "nebulosidade" e poder seguir em frente. Lá fui eu em busca das minhas...
Foi em meio a esse processo que descobri a eficácia da oração e da fé... e também a importância de nos protegermos das energias ruins.
Sim, isso existe e pega! Conversei com pessoas de diferentes crenças e todas elas me disseram basicamente a mesma coisa: independentemente do caráter, se a pessoa não é positiva/ espiritualizada e não busca proteção, fica vulnerável a energias ruins.
Energia positiva ou negativa não é papo de hippie. A natureza pode provar. Quem já não viu uma planta murchar quando fica aos cuidados de certa pessoa e florescer quando recebe os mesmos cuidados de outra? Quantas vezes você pediu muito uma coisa e ela se materializou na sua vida? Quem já não viu a vida de alguém mudar radicalmente de uma hora pra outra, sem um porquê? Tudo é energia. A física tá aí para explicar isso.
Pois bem, resolvi seguir os conselhos que me foram dados e, ainda meio cética, acendi uma vela de sete dias para o meu anjo da guarda, pedindo proteção - o que já se tornou um hábito a essa altura. Meu parecer: tem funcionado!
Com base nessa experiência e nas conversas que tive sobre o tema, formei minha opinião sobre ele. Penso que, independentemente da crença (ou descrença), não custa nada rezar um Pai-Nosso antes de dormir ou acender uma vela de sete dias para o anjo da guarda (que custa baratíssimo e pode ser comprada em qualquer esquina).
A realidade é que não temos idéia de quem nos cerca - seja aqui na Terra mesmo, no Além ou na longínqua Marte -, e se bem não fizer, mal também não fará. Vejo a oração pelo seguinte ângulo: mesmo que Deus não exista, é um momento em que quem ora está pensando positivamente e jogando energia boa sobre si mesmo(a). Por que não fazer?!
Não deixe de conversar com Ele e nem com você mesmo. "Orai e vigiai": Pedir proteção nunca é demais e o exercício da auto-avaliação é fundamental para que vivamos bem, com verdade e, portanto, em paz.
E, pelo amor de Deus, a qualquer sinal de que as coisas tão desandando muito e "misteriosamente", procurem auxílio espiritual, quer seja do padre, do médium, do pastor, do babalorixá, do monge, ou seja, de qualquer um que seja espiritualizado e ético e que, portanto, poderá te ajudar.

domingo, 3 de agosto de 2008

Wanted: dead or alive!


"I´m a cowgirl, on a steel horse I ride

I´m wanted... dead or alive
Wanted dead or alive"