Na verdade, eu não acredito em felicidade mas em alegria, que diferentemente da felicidade - esta é um estado imaginário, como bem disse o Barão Vermelho numa canção -, é uma atitude constante. Há coisas que ajudam a melhorar ou a piorar a existência humana - não há como negar -, mas do que adianta possuir boas circunstâncias se não se tem o dom/determinação de ser alegre, de ver com bons olhos e ânimo o mundo?...Aliás, ter tudo deve ser um veneno para a alma, tanto quanto deve ser não ter nada. Ambas as situações levam à indiferença, ao tédio, e o tédio é uma teia da qual é muito difícil sair, por vezes.
Bom 2007, amigos!!!
Olha o passarinho!
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Pela primeira vez na história, sentimo-nos infelizes por não sermos felizes e interpretamos a felicidade como obrigatória
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A REVISTA "The Economist" dedicou o seu número de fim de ano ao único tema que apaixona as sociedades modernas: a felicidade. Pena que as conclusões da "Economist" não sejam propriamente felizes. Vivemos mais. Vivemos melhor. Mas, apesar de tudo, as sociedades ocidentais não se sentem mais felizes do que nossos antepassados.
Entendam: a "Economist" não nega que os ricos são mais felizes do que os pobres. O problema está no interior do clube afortunado. A nossa riqueza não se traduz necessariamente em maior felicidade. Vamos chorar?
Um momento, por favor: chorar não resolve a questão; e as respostas da "Economist", também não. Para a revista britânica, o problema está na natureza insaciável da natureza humana: atingimos um patamar material de satisfação e começamos logo a invejar o próximo.
Talvez seja. Mas a melhor resposta ao paradoxo da felicidade moderna encontra-se em livro de Darrin McMahon -um tratado de 500 páginas que é, opinião pessoal, o livro do ano. O título é expressivo: "The Pursuit of Happiness: A History from the Greeks to the Present" (a busca da felicidade: uma história dos gregos ao presente). E a tese de McMahon é singular: o nosso conceito de felicidade seria ininteligível para nossos antepassados.
A diferença começa logo na palavra: como acontece em todas as línguas indo-européias, "felicidade" envolve uma dimensão de sorte, às vezes de destino, como aliás acontece com o prefixo latino "felix", que construiu o termo em português, ou espanhol, ou italiano.
Por outras palavras: para nossos antepassados, a felicidade era algo que acontecia e não um produto de nossas vontades. Verdade que Sócrates inaugurou uma sensibilidade "racionalista" que procurava depositar nas mãos dos homens a possibilidade de suas próprias virtudes. Mas mesmo Sócrates e seus herdeiros entenderam sempre que a sorte tinha uma palavra decisiva em nossos arranjos e desarranjos.
Foi o Iluminismo continental do século 18 a quebrar seriamente essa herança: não apenas a herança helênica que concedia à sorte um papel de relevo; mas também a herança medieval, para quem a felicidade humana, literalmente, não residia neste mundo. Se o projeto iluminista se define por um traço comum, talvez seja por essa emancipação do conceito de felicidade de mãos divinas para mãos humanas.
Hoje, no meio da afluência ocidental, nós esquecemos os ensinamentos dos antigos e acreditamos que a felicidade depende exclusivamente de nós. Mais: pela primeira vez na história, sentimo-nos infelizes por não sermos felizes e interpretamos a felicidade como um projeto individual e obrigatório. Darrin McMahon propõe uma experiência: comparem as fotografias de hoje com as fotografias de nossos avós. A principal diferença está no sorriso: nós sorrimos por obrigação e convenção; eles limitam-se a olhar para a lente.
Não existem fórmulas. Mas existem conselhos. O primeiro é regressar aos clássicos e deixar que a sorte também tenha uma palavra em nossos destinos. E o segundo é aliviar a cláusula totalitária de ser feliz. Na noite de Réveillon, acreditem, não é obrigatório sorrir para o retrato.























