quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Depois do amor

Uma amiga minha tem o ex-namorado mais sem noção da face da Terra (não preciso dizer que é o meu ex favorito dela, e olha que ela tem vários, hehe). É o famoso maluco de bom coração.
Eles terminaram muito antes de eu conhecê-la - e isso faz quase uma década -, e na ocasião ela criava uma cadela que eles pegaram durante o namoro. Dividiam a guarda e, por isso, ainda se falavam. A cachorra morreu faz pouco tempo. Acha que ela se livrou dele? Que nada, a avó materna dela faleceu e lá estava ele, com filha a tira colo, herança do último relacionamento, dando toda a assistência à família.
Isso me lembra um amigo meu. Nosso contato começou com uma paquera, que não evoluiu, mas mesmo assim, até hoje, quando algo importante acontece a ele, de repente eu recebo um whatsapp. É engraçado porque às vezes eu até questiono o que aquela notícia tem a ver comigo, mas talvez ele só queira que eu saiba. Lembro que, na época, mesmo eu claramente vendo que o flerte inicial nunca ia evoluir, contando as histórias à minha terapeuta, ela comentava que o engraçado era que, apesar da gente não ter nada, ele me tratava como namorada.
Eu acho que algumas coisas extrapolam o desejo de ser um casal. Algumas pessoas continuam despertando o sentimento de serem uma base pra gente mesmo depois de tudo. Por isso, continuamos na insistência de mantê-las em nossas vidas. É uma grande homenagem.

Feminicídio

Na mesma semana em que a lei Maria da Penha completou 12 anos, 4 feminicídios aconteceram em pontos diferentes do país.
Um amigo meu, homem de bom coração, criticou uma das vítimas, que era independente financeiramente mas ficou tolerando os abusos do marido.
Cada caso é um caso, portanto vou falar de modo geral, da minha impressão a partir dos casos que já vi, li e da minha própria educação como mulher. A questão é que o buraco é bem mais embaixo.
Dinheiro é um fator importantíssimo para que as mulheres possam sair desse tipo de abuso que pode culminar em feminicídio, mas, pra mim, o fator crucial nesta equação é a (des)educação de meninas. E de meninos, mas como somos nós que morremos, a urgência na mudança é nossa, para que a gente saiba reconhecer e abandonar essas circunstâncias.
Mulheres não são coitadas, mas equivocadas em suas relações. Esse equívoco por vezes custa as suas vidas. São dois a meu ver os erros de compreensão: achar que seu autovalor está atrelado ao fato de ter (e manter a qualquer custo) parcerias, o que produz dependência emocional; que precisam sempre perdoar, aceitar as pessoas "como elas são", o que atrapalha que deem nomes às coisas e detona o amor próprio. Mas e se elas são cretinas e abusivas? O perdão nunca deveria vir na frente da nossa dignidade. Olhe os homens: ninguém dá mais ou menos valor a eles por conta de serem casados, bons amigos ou pais presentes; nem são estimulados a tolerar, muito pelo contrário.
Demorei décadas para retirar, sem culpa, quem não me trata bem da minha vida. Eu, que não sou das mais melosas, que não sou das mais frágeis, mas tinha guardadas em mim essas duas premissas que tanto me foderam a vida. Perdi muito tempo com quem não devia, em todos os âmbitos das relações afetivas. Hoje procuro ser melhor nos meus relacionamentos e busco pessoas melhores, que não precisam ser perfeitas, apenas me respeitarem. Regra de ouro na vida: quem é incapaz de reconhecer minha humanidade é impróprio para estar na minha vida íntima. Mas ensinam às mulheres que é virtude ser capacho.
Precisamos educar melhor as meninas. Abuso é o contrário do amor, não tem nada a ver "com o jeito dele". Amor não é luta, não deve ser um calvário; o que é bom pra gente apenas flui. Quem faz uma vez, se não fizer um trabalho interno, faz de novo. Coisas assim, que apelam à racionalidade, precisam ser ensinadas às meninas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reflexoes desimportantes I

Maria, Lucia e Julia trazem mais classe, mas Mariana, Luciana e Juliana são mais vivazes. Quando se chamam as primeiras, imaginam-se senhoras; sobre as últimas, jovens.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

intuição

Intuição é coisa séria.
Um exemplo bobo: precisava, dia desses, comprar tinta de cabelo. Passei numa farmácia, a loja mais próxima de minha casa, e cada tubo custava 25 reais. Fiquei muito tentada a comprar e resolver logo essa demanda, mas me bateu um pensamento de que era melhor ir nas Americanas do shopping. Deixei as tintas na farmácia - que saudade da rede Santana! -, fui no shopping depois e encontrei a mesma tinta por quase a metade do preço.
Poderia dar inúmeros exemplos de quando a intuição me avisou.
Dizem que as mulheres têm uma capacidade maior de intuir. Eu acho que é uma meia verdade. Não acho que essa capacidade seja diferente para homens e mulheres, mas acho que damos mais crédito ao que não podemos provar, mas sentimos. E nos permitimos mais conexões emocionais. Quando você se envolve, está conectado com alguém, as intuições sobre a pessoa aparecem. É por isso que mães acertam tanto.

sábado, 28 de julho de 2018

Fallaste corazón!



Quando você é independente, aquele tipo que, apesar da dor, dá um jeito de seguir em frente, importunando o mínimo possível os outros, há um efeito colateral nisso, que é as pessoas te tratarem como se você não fosse humana e não tivesse sentimentos. Mas se há pessoas que, apesar da intimidade, preferem te tratar como se fosse de ferro e não de carne e osso, é melhor se retirar. É impossível relacionar-se sem ser vista como gente que é.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Cada um por si

Dois amigos meus se separaram. Vou chamar o que tomou a iniciativa de Pessoa A e a outra figura de Pessoa B.
A saiu do relacionamento alegando mil razões e culpando B por um monte de coisas. B não entendia como A podia se sentir tão infeliz, se tudo que fazia era por amor, para agradar. Ficou um tempo em desespero, ficava importunando A com perguntas e súplicas, mas, por fim, seguiu a vida e, cá entre nós, está indo bem, para meu orgulho. A também cuidou da vida, mas, aparentemente, com menos sucesso, já que, ao ver B vivendo bem sem sua pessoa - a dor mais clássica ao final de paixões -, não aguentou e ofereceu amizade (visando a colorida, claro). B, ainda com sentimentos fortes, cedeu, apesar da razão lhe avisar que não seria uma boa ideia. Pelo silêncio de B ultimamente, deu merda.
No meu estilo papo reto, eu falei a B que se a A gostasse, não teria ido embora, não teria batido a porta de forma tão veemente. Sentir carinho não é amar, embora amar implique em sentir carinho. A está simplesmente cozinhando em banho maria B, pra assegurar que se algo der errado nesse sonho de liberdade, vai ter pra onde voltar (a ilusão é achar que as coisas não mudaram desde então).
Amo A, mas o seu egoísmo nessa situação me deu certeza de uma coisa que já suspeitava: no "amor" (porque esse estágio é para poucos, a maioria vive de paixão), cada um quer saber de si, mesmo que isso custe ao outro. Tá anotado, pode deixar. Só não sei que nível de entrega é possível fazer quando se vê essa parte dura da realidade.
Tem uma coisa que não falei a B, que não é fácil de perceber nesse tipo de situação. A pode estar se vingando. A palavra certa não é exatamente vingança. É mais um desleixo, uma falta de cuidado com o outro que advém de uma mágoa. É como se o fato de alguém ter me maltratado me liberasse de ser decente e ter consideração por essa pessoa. B errou, mas achando que tava fazendo o bem. A tá jogando pra cima. Quando os humilhados resolvem se exaltar, saia de baixo!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Medo do conflito

Enquanto trabalho no computador, fico ouvindo palestras do YouTube. Um dos canais usuais é o da Cidade da Luz. Semana passada, Medrado pegou um tema legal de abordar: medo do conflito. Não há relacionamento humano próximo sem isso. Mas certas pessoas detestam ter uma conversa sobre coisas desagradáveis na relação. Não entendem que, sem isso, não é possível ser melhor, embora num primeiro momento seja desagradável. Mas vai ver não querem investir, é algo que pra elas não têm valor...
E esse sempre foi meu dilema. Se eu falo, sou gente ruim; se não falo, também sou gente ruim. Sobre isso aí, um parentese antes de continuar, de uma coisa que acho intrigante, pra não dizer sem noção: até entendo quem se aborrece com a DR quando a iniciativa parte da gente, mas nunca entendi quem provoca a zorra e acha ruim quando você responde. Quem desce pro play tem que estar preparado ou então melhor nem querer saber. E é bom, a depender, estar atento. Mesmo palavras desagradáveis podem te fornecer informação importante, pistas para você melhorar. Sempre lembro de Julia Roberts que, ao ser recusada para um teste, pedia feedback a quem a avaliou. Diante do constrangimento de alguns, ela argumentava: "me diz, eu preciso saber o que foi pra poder melhorar". Não sei se ela é humilde, mas que ela é esperta, é. Eu tenho essa filosofia, pra dentro e pra fora. Se alguém me diz algo, vou refletir a respeito, nem que seja horas depois, sozinha com os meus botões, com a cabeça mais fria. Se for uma pessoa cuja avaliação respeito, vou refletir com mais atenção ainda. E também dou minhas opiniões com seriedade, sobre amigos ou desafetos. Não vou fazer a cega por gostar muito de alguém nem vou dizer coisas que sei que são mentiras sobre alguém de quem não gosto só pra magoar. Eu vejo a crítica como informação, não gosto de quem inventa coisas só pra rebaixar o outro.
Mas voltando à vaca fria, as pessoas simplesmente querem que você engula os sapos e siga como se nada tivesse acontecido, achando tudo maravilhoso (nível Jardim de Infância). Sem sangue nas veias, sem senso crítico, sem expectativas. Assim tá fácil, né? Quem não quer? Por toda minha vida foi assim, acho que por muita necessidade de pertencer a certos espaços e a certos grupos que visivelmente não tinham a ver comigo. Perdi tempo que poderia ter gasto buscando algo mais adequado. Enfim, growing pains...
Um amigo meu aquarianamente não entendia essa minha angústia. Para ele, se está me fazendo sofrer falar ou não, é porque, de algum modo, já estou sozinha na situação. Então pra que se preocupar se o outro vai se aborrecer e vai embora se ele não está preocupado comigo? Ele tinha/tem razão. Aliás, Medrado falou a mesma coisa. Meninos e meninas, essa dica é importante; tomem nota.

terça-feira, 17 de julho de 2018

No me puedes dejar así

Que boca!

 Que sorriso!
 Qué guapo!!!!

Que charme!

E ninguém canta em espanhol melhor que ele! <3

Eu adoro Luís Miguel! Lindo desde sempre e até hoje, canta melhor que (quase) todo mundo, é canastrão, super carismático (só é meio Ivete Sangalo, confia na fidelidade dos fãs e há séculos não grava nada que preste). Minha versão preferida dele é a dos anos 90. O homem tava no auge da beleza e com toda a energia em cima do palco. Um deus, ave maria!... Até hoje, quando vejo, tenho microinfartos!...
Pois bem, um belo dia tô eu lá na Netflix, de bobeira, e vejo que naquele dia vai estrear a série sobre a vida dele. Temos que ver, né? Saudade de Micky, mi amor, hehe... Lá fui eu acompanhar essa série (e se tornou meu vício nos últimos três meses, meu e da América Latina inteira, o que ressuscitou a carreira dele by the way).
"Luis Miguel - La Serie" foi autorizada pelo cantor e conta com informações extraídas de entrevistas feitas com ele. Quem o conhece, diz que a Netflix contou a verdade, mas, claro, é dramaturgia, algumas coisas são floreadas. E é, ainda, o que ele resolveu contar, a versão dele dos fatos. Por exemplo, o pai dele foi transformado em um vilão da Disney, mas quem o conheceu disse que, apesar dele ter sido muito pior do que a série quis mostrar, era um tipo muito carismático, inteligente, a alma da festa quando queria. Vendo fotos, ele tem a maior cara de boa praça, não tem a expressão de Seu Madruga quando o Chaves apronta do Lusito Rey da ficção. Algumas coisas negativas sobre Luís Miguel foram até citadas, mas muito por cima. Exemplos: que o pai dava algo parecido com cocaína para ele ter pique para trabalhar sem parar quando era pré-adolescente; que o pai obrigava a esposa a fazer coisas que ela não queria e a empurrou para um cara importante no México para alavancar a carreira do menino; que Luís Miguel era mulherengo e consumia cocaína na adolescência, dando a entender que quando ele mudou de empresário, parou com certas condutas por influência de Hugo Lopez, um tipo de homem oposto ao pai-psico dele. Foi curiosa a eleição dele dos fatos de destaque na série porque foi uma seleção bem afetiva. A carreira foi um pano de fundo para mostrar quem foi emocionalmente importante para ele nos primeiros dez anos da carreira, tempo em que, realmente, muita, muita coisa aconteceu.
Outra coisa que é queimação de filme e só apareceu no finalzinho, prometendo ser destaque na próxima temporada, é o abandono parental. Luis Miguel foi péssimo com a filha mais velha e, ainda hoje, há rumores de que faz o mesmo com os dois filhos menores. A relação com a mais velha foi a típica: ele engravidou uma amiga colorida, não assumiu a menina (ficou dando como desculpa o fato de que poderia ser do namorado dela), a moça, que vinha de uma família rica e famosa, ficou quieta e só quando uma namorada gente boa o pressionou, ele foi conhecer a guria, que deixou de ver assim que esse namoro terminou, só retornando o contato com a filha 11 anos mais tarde, quando a mãe dos outros dois filhos insistiu.
Na escolha dos pares amorosos, ele continuou tendo esse critério afetivo (tem que filtrar mesmo, porque se for mostrar todo mundo, vai render por baixo umas cinco temporadas, hehe). Falou da primeira relação importante dele com uma pessoa que foi de fundamental apoio durante o turbilhão do rompimento com o pai e também da mulher que ele classificou, em entrevista aos roteiristas, como o "amor da sua vida", a pessoa que "só de olhar, já se entendiam", uma moça que ele conhecia desde a infância, que foi seu primeiro amor e a relação mais longa dele, que chegou a pedi-la em casamento; foi a figura que esteve ao lado dele em momentos decisivos e dramáticos. Parece que ela não queria visibilidade para o relacionamento (não precisava, pois vinha de uma família muito poderosa) e que ela não aguentou mais o assédio das mulheres em cima dele e resolveu terminar. Ela já está casada com um sujeito há 13 anos (o que virou piada no México, do tipo "A pessoa desiste de Luis Miguel pra casar com alguém que não chega na unha"). Elegantemente, ela agradeceu o carinho dele ao se lembrar dela assim, mas ficou desconfortável com o assunto. Eu ficaria também pelo meu marido. Tadinho de Sérgio Mayer, hehe...
Olha, Luis Miguel jovem é um dos cinco homens famosos de quem eu gostaria de ser até a toalha, só pra dar uma roçadinha. Portanto, acho louca qualquer uma que tenha resolvido, nos anos 90, romper o relacionamento com ele. Se Érika/Issabela Camil é sensível às energias, deve ter sentido a indignação de toda a América Latina nos últimos seis domingos. Até eu, que sei separar personagem da vida real, tive vontade de gritar com ela: "es Luis Miguel, coño!". Hehe... Mas, resumidamente, o que me pareceu é que Erika, desde o começo, ficou se sabotando, botando dificuldade em coisas que não precisavam ser tão difíceis, querendo antecipar o medo dela de não dar certo, com medo de ser engolida pela magnitude da fama dele. Se era pra ser, queimou-se o cartucho. O medo de amar dela foi forte. Esqueça que se tratava de um cantor famoso. Quantas vezes, diante de algo potencialmente muito especial, a gente se sabota?
Não seja Érika na vida... Ou melhor, não seja Luis Miguel, porque se ela fez assim provavelmente ele a deixou insegura desde o começo. Sou fã, mas sinto que ali deve ser galinha até a raiz do cabelo e homem assim não tem mulher que mude, pois simplesmente ninguém muda por causa dos outros.

domingo, 8 de julho de 2018

Genial

Deus tem o melhor contrato de marketing da Terra: quando tudo dá certo, o mérito é dele; quando dá errado, é culpa do ser humano mesmo. Também quero um assim.

domingo, 1 de julho de 2018

Não entro em clube que me aceita

Tenho um amigo que se separou e que me assustou muito, a princípio, pela resistência em aceitar. Não faz tanto tempo assim que ele se separou, mas tá tentando ter autoestima, tocar a vida. Tá difícil - naturalíssimo -, mas ele persiste em superar.
Infelizmente, nem todo mundo tem essa visão e há quem passe anos insistindo em algo que até as formigas sabem que vai dar em nada. Tem nome pra isso, aliás, dois nomes que geralmente andam bem juntinhos: baixa autoestima e carência.
Tem gente que passa a vida inteira nessa: negligencia quem lhe corresponde e vive focando em quem não tá nem aí. Eu já fui dessas, muito recentemente tomei tenência (em processo ainda). Isso é falta de amor próprio, gente. E por mais que o outro colabore (e às vezes até tire proveito) com essa falta de amor próprio, é a gente que se coloca nessa situação. E, vamos admitir, não tem condições de dar valor a quem não se dá valor. Dói ver isso, mas o amor vem de dentro.


Como os nossos pais

Outro dia vi um vídeo de Jim Carrey discursando numa formatura sobre a questão da vocação. Basicamente, ele falou duas coisas que me chamaram a atenção: que ele identificava no seu pai o mesmo talento que ele tem, mas o pai preferiu fazer escolhas mais pragmáticas; e que justamente o fato do pai ter sido pragmático e ter se dado mal fez ele tomar um rumo não pragmático, mas vocacional. "Se é para viver uma vida instável, que seja por algo de que goste", foi mais ou menos o que ele disse.
Lembrei na hora de meu pai. Acho que escolhi o Jornalismo não só porque gostava de ler e escrever, mas para resgatar uma vocação que meu pai tinha e nunca exerceu por preferir a segurança. Que, hoje eu vejo, era a dele e não a minha. Acho que meus sobrinhos vão ter que resgatar isso, não eu. hehe...

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Amor e sexo


Acho que todo mundo cresceu ouvindo que homens sabem separar amor de sexo. Basta dar uma olhada ao redor para ver que, apesar de toda a liberação, para as mulheres ainda não é assim, e, portanto, é meio difícil de acreditar que eles realmente operem tão racionalmente, compartimentando as coisas. 
O caso é que uma série de conversas tem me dado a real de que isso não é lenda, acontece de verdade. Amigos apaixonados por seus pares dizem que vão buscar sexo na rua como quem vai na academia, como uma necessidade fisiológica e que, inclusive, na comparação com o/a "pegante" do dia, ficam até mais apaixonados por quem dividem a vida. E eu senti que essa afirmação foi sincera. Me sensibilizou, me deixou reflexiva, mas não me convenceu 100%. O caso é que algo ainda me cheira a esperteza e egoísmo nesse discurso, na maioria das vezes que o ouço. Primeiro, se é tão natural, tão explicável assim, por que isso causaria transtornos emocionais caso o/a parceiro/a também praticasse a mesma infidelidade? Porque eu aposto que não seria encarado racionalmente como eles mesmo encaram o próprio comportamento. Outra coisa, mesmo admitindo sexo casual como uma necessidade fisiológica, há gradações e limites. Por exemplo, é muito diferente ter sexo com alguém por algumas horas e nunca mais ver a criatura de ter um caso. Quando se sente necessidade de vínculo com outra pessoa, algo não está rolando direito no casal. Outra coisa que ninguém discute é o descompasso de libido dentro de um casal. Como resolver? E se você der azar de gostar muito de sexo e amar uma pessoa pouco a fim disso?
Isso não quer dizer que eu seja contra, apenas não acho positivo nesse contexto. Do jeito que as coisas ainda funcionam, essa separação serve quase sempre muito bem a quem não se vincula (já falamos sobre isso aqui) e a quem não tem muito bom caráter (que, em alguns casos pontuais, pode até gostar de quem está traindo, mas é um gostar duvidoso a meu ver; se gostasse pra valer, admitiria a liberdade, também, do outro lado). Essa cisão psíquica seria interessantíssima num ambiente mais maduro. Imagine o quanto seria mais fácil a vida se as pessoas pudessem se aproximar das outras sem ter esse peso do relacionamento, de corresponder a sentimentos, só por atração, por escolha de passar alguns momentos juntos. O meu problema é que a maioria é imatura e homens, especialmente, tendem a tratar mulheres, nessas circunstâncias, como um buraco pra enfiar o pinto, como a mulher número 50 que comeu, por mais que nem ele admita. Eu posso abrir mão de ser amada, mas nunca de ser respeitada. Afinal, uma coisa não muda: sou um ser humano e tenho sentimentos. 

terça-feira, 19 de junho de 2018

Fuga e dependência

Rossandro Klinjey fala umas coisas fortes nesse vídeo, nem todas tão verdadeiras, mas provocam uma reflexão.

sábado, 9 de junho de 2018

Eu quero é que faleça!

Sim, eu tô na vibe Clodovil: se não me trata bem, eu quero mais é que faleça! (risos)
Cansei de conciliar, de engolir sapo em nome do conjunto. Quem quer, faz por onde.

Cada vez mais acredito que generosidade a gente só deve ter com quem é maduro ou com desconhecidos, que a generosidade só faz sentido para causas sociais. Ser humano é, geralmente, muito FDP.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mais uma portaria deste blog

De agora em diante, será feito o que tiver que ser feito, sem se importar em ser compreensiva com os outros.
Grata. De nada.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Às vezes a gente percebe que é feito de carne e osso

Duas amizades minhas estão quase surtando por causa de amores não correspondidos. Uma delas está perto mesmo de um surto psicótico, o que me deixou bem triste quando soube; foi quase inacreditável. O que mais me assusta é que é gente até então equilibrada, sensata, mas que não tá conseguindo mais controlar a situação, lidar com os próprios sentimentos. Amor, assim como o ódio, é tóxico. Por isso mesmo, pela potência da coisa, não é pra resistir, é pra aceitar. E aceitar não quer dizer valorizar, dar atenção, dar vazão em alguns casos. É como perder o braço ou o pai: não se controla, só nos resta conviver com o fato mesmo. Aceitar e não "lutar por" ou "lutar contra".
Mas somos tão pressionados a vivermos como se fossemos de ferro, que esquecemos que somos feitos de carne, como dizia Freud. Pire aí, as pessoas estão adoecendo porque estão amando, estão surtando porque não sabem o que fazer com os próprios sentimentos, estão abaladas porque não se amam e não aguentam que o outro também não. Que louco, rei!...
Se sofrer é a merda das merdas, há pelo menos algo bonito que às vezes resulta disso: a gente se humaniza ao atravessar essas portas. A gente entende mais os outros quando sente na própria carne.

sábado, 2 de junho de 2018

O que não tem remédio

... Remediado está, já dizia alguém, provavelmente a vizinha.
Quanto mais eu vejo, mais certeza eu tenho que não tem jeito, não: o ser humano é egoísta; como disse a entidade pra José Medrado, não é à toa que só se coça pra dentro (risos). Há um pouco de amargura nessa minha frase, mas já foi mais. Tá mais pra constatação mesmo. É uma das coisas que a gente precisa aceitar, embora seja amargo pra burro, a fim de não morrer de desgosto com falsas expectativas. É como aceitar que a vida não te deve nada e que tudo que nos acontece é um tanto aleatório.
Eu hoje não acredito mais (majoritariamente) em certas coisas. Algumas desonestidades eu já aceitei que estão banais. Mas algumas delas eu lamento mesmo que tenham sido naturalizadas, não por uma questão moral, mas por uma questão estética da vida. Nobreza de alma é um treco que enfeita a vida. Olhar pra trás e ver que se agiu com o coração (ser egoísta tá longe disso), que houve mesmo mistura com os outros, com a sua comunidade, com os seus, com o seu tempo. Mas também aprendi que, num mundo em que cada vez mais se estimula o exibicionismo, quantidade e não qualidade ditam o ritmo. E não dá pra fugir da realidade. E só vai ser generoso quem realmente tem isso na essência, apesar de tudo conspirar contra.

sábado, 19 de maio de 2018

O que é bom é facinho

Esse texto, de Ivan Martins, foi um divisor de águas na minha compreensão sobre a vida. O que for pra ser da gente pode até nos exigir energia e coragem, mas nunca insistência, humilhação. Vai chegar quando tiver que chegar.

E por falar nesta coluna, revendo alguns textos dela - ele acaba de lançar um blog -, me deparei com um que me rendeu outra epifania: se por um lado as pessoas não me enxergam por uma ilusão de que estão fazendo isso, criada pelo egoísmo, eu também não as enxergo, sempre as vejo melhores do que são (para a minha conveniência), pela lente deformada da generosidade. Dr. Gikovate tinha razão: as duas características são farinha do mesmo saco. Segue o link: https://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/noticia/2016/07/que-tal-olhar-para-o-outro.html


Casamento e separações

2018: o ano em que todo mundo resolveu se separar, menos o Harry e a Meghan, que não estão no Canadá, mas casaram na capital do ex-império hoje.
Tomara que dure, mas, mesmo que não, o importante é que seja bom. E que aprendam com o que não foi.
A vida é assim: início, meio e fim. Pena que as pessoas achem que um casal é fusão de dois em um. Acho que é isso que estraga tudo. Não deveríamos desumanizar quem dizemos amar. Por mais tentador que seja, especialmente se você adora comédias românticas, não seja essa pessoa, senão você vai ter dois problemas ao se separar.

domingo, 13 de maio de 2018

... Ainda exista amor pra recomeçar!

Para Felipe, Luísa e Beatriz, a quem eu desejo alegria e resiliência para atravessar essa vida.

A vida bate forte.
Às vezes, bate muito forte, tanto que a gente nem acha que vai aguentar. Vez ou outra, a gente beija a lona e nem dá vontade de levantar pra poupar uma nova viagem de volta ao chão. Eu não poderia falar sobre como parar de doer, mas acho que posso falar de como aguentar. Ô!... Só eu e Deus sabemos.
Para aguentar e atravessar o desespero, é preciso se gostar, achar que você vale a pena. A gente só luta por algo que tem relevância, valor. O caso é que a maioria de nós depende muito, excessivamente do retorno externo. Não somos estimulados ao fortalecimento interno, não vemos graça nas vitórias ocultas, sem plateia. É a senha para a baixa autoestima, para o cinismo, para a descrença em si, para a vontade de desistir e até para maldade em alguns casos.
Somos seres sociais, eu também sou, mas, desde criancinha, a última palavra, a que realmente conta é a minha. Mesmo quando eu era elogiada, se aquele elogio não passasse pelo meu próprio crivo, entrava por um ouvido e saia pelo outro. Passei por muitas provações, sofri muitas decepções, passei fases duríssimas sem uma viva alma para me dar suporte - pelo contrário, nessas horas ainda descobri a indiferença de quem eu mais esperava acolhimento. Poderia ter feito muita coisa ruim, com os outros ou comigo, a partir disso, mas resisti. Resisti e persisti porque produzi uma relação de admiração comigo mesma, eu acho que valho a pena e sinto que, um dia, o que eu plantei, vou colher - e plantei coisas bonitas, eu sei. Eu ainda não tenho "resultados", mas eu tenho valores e uma coleção de boas atitudes para me orgulhar - e um diferencial: eu cuido das pessoas. Quem me tiver na vida, tem sorte. Pena que pouquíssima gente se toca disso - justamente porque as pessoas vão atrás de quem vai "agregar ao camarote", do externo, do status -, mas hoje sei que isso é problema delas, não meu (confesso que também demorei). Bato a cabeça no travesseiro e sei que ser humano eu sou, e basta por hora.
Admirar a pessoa que eu me tornei não tem a ver com perfeição. Não preciso ser só qualidades para ser digna da minha própria estima ou do amor de qualquer pessoa. Tentar de verdade, ter boa intenção e buscar o aprendizado, enfim, estar na direção da positividade já dá lastro para isso. O ótimo não pode ser inimigo do bom, sacou?
Se admirar também não tem a ver com o que os outros acham de você, porque muitas vezes isso é reflexo deles e não o resultado de uma atenção de fato a quem você é. Quantas pessoas do seu entorno realmente tem olhos pra você? Digo, gente que sabe ver sua luz e sua sombra? Pouca gente mesmo vai ter condição de te dar um feedback. Saiba filtrar, não se impressione com qualquer opinião, boa ou ruim. 
Mas ter a consciência de si não é algo rápido nem fácil. É o investimento de uma vida inteira, é a construção de uma relação de respeito, amor e paciência para consigo mesmo, a única pessoa que não rende elogios nas redes sociais nem testemunho da nossa grandeza. Integridade, nesta sociedade de hoje, não rende plateia. E é difícil ver luz interna especialmente nos momentos de dificuldade, quando tudo parece ruim, inclusive a gente. Bem, não vai ter tapinhas nas costas, mas na hora do aperto, quando você lembrar quem é você, vai sentir que um histórico assim não é de se jogar fora, muito menos no lixo. Vai ter fé em um final feliz pra essa heroína do dia a dia. Vai ter orgulho de ser você até nos piores dias.