quarta-feira, 6 de junho de 2018

Às vezes a gente percebe que é feito de carne e osso

Duas amizades minhas estão quase surtando por causa de amores não correspondidos. Uma delas está perto mesmo de um surto psicótico, o que me deixou bem triste quando soube; foi quase inacreditável. O que mais me assusta é que é gente até então equilibrada, sensata, mas que não tá conseguindo mais controlar a situação, lidar com os próprios sentimentos. Amor, assim como o ódio, é tóxico. Por isso mesmo, pela potência da coisa, não é pra resistir, é pra aceitar. E aceitar não quer dizer valorizar, dar atenção, dar vazão em alguns casos. É como perder o braço ou o pai: não se controla, só nos resta conviver com o fato mesmo. Aceitar e não "lutar por" ou "lutar contra".
Mas somos tão pressionados a vivermos como se fossemos de ferro, que esquecemos que somos feitos de carne, como dizia Freud. Pire aí, as pessoas estão adoecendo porque estão amando, estão surtando porque não sabem o que fazer com os próprios sentimentos, estão abaladas porque não se amam e não aguentam que o outro também não. Que louco, rei!...
Se sofrer é a merda das merdas, há pelo menos algo bonito que às vezes resulta disso: a gente se humaniza ao atravessar essas portas. A gente entende mais os outros quando sente na própria carne.

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