Nunca li a biografia de Winston Churchill, ex primeiro ministro do Reino Unido, mas adoro as frases de efeito dele. De ouvir dizer, admiro o vigor e a força mental dele diante de uma das épocas mais turbulentas do século 20. Tem que ter o espírito de um cavalo de corridas mesmo. Separei duas para compor esse post:
"As três coisas mais difíceis são: guardar segredo, tolerar injustiça e utilizar o tempo".
"Um homem faz o que precisa - apesar das consequências pessoais, apesar dos obstáculos, perigoso e pressões - e isso é a base de toda a moralidade humana".
Antes de falar do que eu quero falar, quero fazer uma ressalva aqui: não é que eu ache bobagem tudo que está acontecendo, todos os novos comportamentos, pelo contrário. Me preocupa não estarem fazendo o caminho de volta com essas ideias, não estarem problematizando elas também. O entusiasmo cego é que me incomoda.
Eu acho ótimo que a gente esteja se importando com os nossos sentimentos. Acho mesmo, porque eu sempre fui sentimental e tive muita dificuldade de ter essa minha característica acolhida. Saindo dos personalismos, é importante desconstruir as hipocrisias. Quando todo mundo finge que não sente nada, abre-se a porta para a violência, para a dor e a falsidade. Mas a gente pode construir uma vivência só baseada nisso? Porque às vezes fazer o melhor para todo mundo nem é fazer o certo, nem é fazer o que é mais fofo, nem o que a gente queria; é fazer o que tem que ser feito e que se engula o choro enquanto não atravessamos o inferno.
Bem, apenas posso pensar o mundo a partir da minha própria vivência, do meu próprio repertório. Eu digo que não. Gosto muito de ser alguém capaz de sentir, de ter empatia, mas amo a racionalidade que ganhei nos últimos oito anos, quando fiz terapia. Eu não estaria viva para escrever agora se não fosse por isso, eu não teria sabido lidar com as provações e as angústias. Eu não saberia me forçar a caminhar pelo inferno até chegar num lugar melhor. Por isso, acho que é importante a gente reconhecer emoções, mas não podemos parar nelas. Eu conheço muita gente boa que acha que bandeira social, por exemplo, é terapia em grupo. Que porque sofreu na carne, pensa que todo mundo tem que ouvi-la, concordar com ela, mas não é assim que a banda toca. Políticas dependem de coração, de ideais, de doação, mas muito também de estratégias, de sangue frio, de racionalidade em momentos decisivos.
E é nesse ponto que surge a minha questão: com essa onda de "abra seu coração" e "mostre-se como for", ainda vão sobrar os bons que serão capazes de fazer o que tiver que ser feito em tempos difíceis? Ou essa raça está entrando em extinção? Meu medo é que isso fique nas mãos dos psicopatas da vida, que terão coragem, mas nenhum coração. Aliás, nem faço questão exatamente de coração, de bondade, mas pelo menos de ideais e de valores, enfim, de alguma ambição de grandeza, de legado.