O ser humano, se tiver 5% de maldade na cabeça e souber que A e B não se dão, ao mínimo sinal de "sucesso" de uma das partes vai lá provocar a outra, quem sabe dando a sorte de ser o pombo correio da nova, o primeiro a ver a cara de surpresa, constrangimento ou mesmo raiva do desafeto do sortudo da vez.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.
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