Quando eu tinha quinze anos, queria muito ir pra Disney. Enchi o saco de meu pai, que não estava nem aí, e sofri. Hoje, nem penso mais nisso e, pra falar a verdade, seria o último lugar onde eu iria hoje em dia. Com o tempo, a gente esquece, com os anos, a gente muda.
Então por que as pessoas ficam cobrando congruencia o tempo todo? O tempo parou, por acaso? Se a gente parar pra pensar, não faz sentido.
O caso é que isso nos poda na expressão. Não posso dizer, por exemplo, que quero ter uma casa branca no campo, muito mesmo, porque se não acontecer, vou ser considerada uma coitada.
Ledo e Ivo engano. Vou provar: de quantas coisas você desistiu ao longo da vida e de quantas delas você realmente se ressentiu? É raro.
Tá vendo? Não faz sentido. Mais um caso de "o que os outros vão dizer" nos fazendo fazer sacrifícios ao nada.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 12 de julho de 2017
domingo, 9 de julho de 2017
Tá ligado?
Minha mãe levantou a sobrancelha quando soube que uma atriz global largou a Medicina para ser atriz. Vocação, expliquei. Não adianta nada ir contra a própria natureza.
Bem, ela deu sorte. Porque só fazer o que gosta não basta. Amor com amor se paga, sacou?
O problema de apostar é que às vezes a gente não sabe direito o que está envolvido. A gente só vai enxergar mais para frente, quando tiver uma visão mais ampla. Mas, daí, paciência. Acho que é mais coerente estar ciente do que vai perder do que exatamente do que pode ganhar. De resto, é a vida.
Bem, ela deu sorte. Porque só fazer o que gosta não basta. Amor com amor se paga, sacou?
O problema de apostar é que às vezes a gente não sabe direito o que está envolvido. A gente só vai enxergar mais para frente, quando tiver uma visão mais ampla. Mas, daí, paciência. Acho que é mais coerente estar ciente do que vai perder do que exatamente do que pode ganhar. De resto, é a vida.
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Revolucionário é ser natural
No meu grupo de pesquisa acadêmica, há três grupos: os de 30 e tantos; os de 20 e tantos; os de 20. Desses três, o mais fechado, por incrível que pareça é o dos mais novos. São as pessoas menos simpáticas [só com quem interessa] e que agem como se fossem os fodões. Ok, Renato Russo já cantava "não sou tão criança a ponto de saber tudo", portanto talvez essa arrogância faça parte mesmo do jeitão de quem está chegando no mundo [embora não me lembre de ter sido assim]. Quanto mais a vida vai te desafiando, menos certeza [e prepotência] você cria. Bem, isso funciona para quem tem lucidez, coisa que nem todo mundo ganha conforme vai envelhecendo, infelizmente.
Em todas as faixas, a minha impressão é de que é pior estar entre as pessoas se você é mulher. Minha sensação é a de que se você é um cara, basta você chegar e ficar como quiser, inclusive imóvel, que ainda haverá quem se preocupe se você está se sentindo bem ou não. Quando você é uma mulher, é obrigada o tempo todo a seduzir as pessoas, ou nem vai contar para elas. Tive essa epifania ontem enquanto estava no grupo de pesquisas. Ficaria eu tão preocupada em agradar If I were a boy, Beyonces? E quer saber? Foda-se. Começo a achar que o ato mais feminista, mais revolucionário que pode vir de uma mulher é se permitir ser como quiser. Essa ainda é a prerrogativa dos homens.
segunda-feira, 3 de julho de 2017
Beauvoir
Se eu já gostava do (pouco) que li sobre Simone de Beauvoir, depois de ver no Youtube uma entrevista dela a um canal francês, em 1975, fiquei mais admiradora ainda dela. Que clareza e articulação de pensamento!
Bem, basicamente ela fala muita coisa que as feministas hoje defendem, que as mulheres já se conscientizaram (pelo menos uma parte da classe média). Em termos de conteúdo, não há novidade para alguém vivo em 2017. Mas vale sempre ressaltar que ela apontava isso desde 1949. Se hoje já dá treta, imagine há quase 70 anos. Coitada! Calculo o que não deve ter escutado...
Há duas coisas, que passam quase despercebidas diante do restante do conteúdo feminista da entrevista, que chamaram a minha atenção. A primeira delas é o valor que Beauvoir dá à experiência de leitoras do seu clássico, "O Segundo Sexo". Parece que ela só se convenceu, realmente, de sua própria tese depois de todo esse reforço das mulheres, que lhe escreveram relatando suas histórias, algumas com medo de serem descobertas pelos maridos. Ela mesma faz uma confissão bonita, já que é tão raro esse nível de autopercepção e mea culpa, de que nunca, antes dos 40 anos, havia se tocado da opressão masculina porque justamente conseguiu escapar dos espaços que promovem esse tipo de violência contra a mulher.
Nesse mesmo sentido, e porque vinha pensando muito sobre isso ultimamente, gostei da segunda observação, na qual ela diz que é difícil um homem realmente ser feminista porque simplesmente algumas situações lhe são estranhas, não fazem parte da vivência deles. Um homem tem dificuldade de perceber, por exemplo, o medo de uma mulher de andar sozinha à noite. Só uma mulher sabe do alívio que é olhar para trás, numa rua escura, e perceber que o passo acelerado é de outra mulher. Os homens não têm o medo da violência sexual que ronda as mulheres, feias ou bonitas, crianças ou velhas. Eles nunca vão entender a dimensão desse pavor.
E onde quero chegar com isso? Eu acho que devemos apontar a falta de empatia, sim, mas não podemos exigir que os outros nos compreendam na integralidade, porque cada ser humano é dono de um repertório bem limitado. Se você faz parte de uma minoria, seu repertório vai ser menos compartilhado ainda. Não tem jeito, muitas vezes a gente só compreende experimentando. Se fosse possível internalizar apenas ouvindo os outros, não precisaríamos viver tanto, passar por tanta coisa. Abrindo, aqui, um parenteses, aconteceu há alguns dias uma coisa comigo nesse sentido. Quando falava de uma determinada situação com um amigo que fazia parte dela, pontuando que houve injustiça, ele nunca reconhecia, dava aquele velho cala a boca do tipo: "Não sei por que ficaram sentidos com isso. Acontece o tempo todo". Por quê? Porque, provavelmente, reconhecer que houve injustiça com uns, na cabeça dele, significava que não era merecedor de ter sido poupado da situação injusta. E não havia nada a ver uma coisa com a outra. Ter sido poupado de uma injustiça não quer dizer que, necessariamente, sua posição seja injusta e privilegiada. É injusta e privilegiada só se você estiver fora dos critérios que justificam ter sido poupado. Havia gente assim na situação em questão, mas não era o caso dele. Bem, eu havia me resignado, pensando que era a típica situação em que a pessoa, no fundo, acha que é mimimi seu apenas pelo fato dela nunca ter sentido aquilo na carne. No fundo, a classe média, em especial, adora pensar que só se fode quem de algum modo mereceu isso. Pois bem, o tempo passou e o conjuge dele quase passou por uma situação parecida com a minha. Ele, me relatando a situação, fez indiretamente um pedido de desculpas, dizendo que a criatura era "igual a mim, que não era de puxar saco, etc", enfim, que éramos o tipo de gente cuja integridade às vezes joga contra. Ou seja, precisou acontecer o mesmo com alguém que lhe afetava diretamente para a figura ampliar a percepção da situação da qual eu me queixei, sair do ego e exercitar a empatia. E olha que é alguém que eu sei que gosta muito de mim. Então, o que esperar de um estranho? É contar com a sorte, na boa. Djamila Ribeiro cita muito, aliás, uma frase genial de Beauvoir (que as feministas de Facebook acham que é dela) sobre feminismo, mas que serve para muitas outras discussões: "Se a questão feminina é tão absurda, é porque a arrogância masculina fez dela uma querela (disputa), e quando as pessoas querelam, não raciocinam muito bem".
Enfim, precisamos lutar pelo impossível, pelo ideal, claro, mas tendo consciência das limitações. Quase sempre, a gente é o que pode, não o que quer e às vezes a gente está muito distante sequer de compreender que devemos querer essa mudança. A consciência não chega ao mesmo tempo e da mesma forma para todo mundo. Não se nasce consciente, torna-se consciente. É um trabalho de uma vida inteira.
PS: Tem uma terceira coisa que ela fala ao entrevistador e que é muito legal, que é quando ele diz que essas cenas clássicas de opressão no casamento se aplicam mais à América Latina que à França, o que ela desmente citando a experiência da irmã dela na periferia de Paris. É isso, nem todo mundo tá no mesmo tempo apesar de compartilhar o mesmo espaço. Há gente, em lugares do Brasil, ainda vivendo no século 19. Não estamos todos no século 21. Até isso é um privilégio.
Enfim, precisamos lutar pelo impossível, pelo ideal, claro, mas tendo consciência das limitações. Quase sempre, a gente é o que pode, não o que quer e às vezes a gente está muito distante sequer de compreender que devemos querer essa mudança. A consciência não chega ao mesmo tempo e da mesma forma para todo mundo. Não se nasce consciente, torna-se consciente. É um trabalho de uma vida inteira.
PS: Tem uma terceira coisa que ela fala ao entrevistador e que é muito legal, que é quando ele diz que essas cenas clássicas de opressão no casamento se aplicam mais à América Latina que à França, o que ela desmente citando a experiência da irmã dela na periferia de Paris. É isso, nem todo mundo tá no mesmo tempo apesar de compartilhar o mesmo espaço. Há gente, em lugares do Brasil, ainda vivendo no século 19. Não estamos todos no século 21. Até isso é um privilégio.
Mas caramba!...
Se for parar pra pensar, 70% do sofrimento da gente vem do olhar dos outros. Tenha dó, viu? Por que o ser humano é carente assim? Arre!...
domingo, 2 de julho de 2017
Fade in
O tempo desbota tudo, ao ponto de, às vezes, a gente ter dificuldade de lembrar ou de reconhecer as imagens do passado. Já até comentei aqui que às vezes sinto que, dentro da minha própria vida, certas passagens são como memórias de outra encarnação.
Percebi isso na foto desse blog, que mal dá para ver a minha cara. Confirmei com as imagens que Talita enviou no zap da época da faculdade, há uns 15 anos.
A vida é um rio, tudo passa e nunca um homem se banha duas vezes na mesma água. São tantos os banhos, que às vezes fica até difícil saber por qual ponto da margem já passamos, hehe.
sexta-feira, 30 de junho de 2017
A gente pressente
Eu acho que a gente sabe mais sobre a nossa vida do que percebemos. Não vou entrar em detalhes, mas me lembro de dois momentos da minha infância, em que eu era pequena mesmo, e me arrepiei com duas coisas que pessoas falaram de brincadeira, sem nem se dar conta, mas que eu pressenti na hora que aquilo se realizaria na minha vida. Eu já sabia? Acho que até mesmo sem saber.
Pensei nisso olhando a foto de um ex colega meu de trabalho com a mulher dele, com quem ele está há algum tempo. Ele estava no auge da beleza quando o conheci, não tinha quem não desse em cima dele, era algo impressionante. Mas eu percebia que, a despeito de beleza física, ele tendia a se encantar por um tipo específico de mulher, que é exatamente o tipo de mulher que ele casou. Ele já farejava, acho, com que tipo de mulher ele ficaria. Eu, por exemplo, sempre gostei do tipo aplicado, gentil e quieto, moreno do cabelo liso. Enfim, acho que a gente não forma essas imagens na cabeça à toa; são premonições.
domingo, 25 de junho de 2017
Os que nos enxergam
Amor é bom, mas ser visto é tão bom quanto e, se brincar, é até mais raro. Quase nunca vão ter olhos para você, espontaneamente, mas quando isso acontece, é mágico. Gente que lhe olha, que lhe compreende.
Surpreendentemente, das poucas vezes em que isso aconteceu, foi com gente estranha. Até entendo, em parte, a falta de curiosidade dos próximos: o dia a dia tira a visão e, de quebra, nos torna um pouco parte deles; convém não questionar.
A última pessoa que me abordou com revelações quase me fez chorar. O que foi, não vou contar aqui, né? Se a profecia se realizar, o mundo vai saber. :)
sábado, 24 de junho de 2017
"Você viu Fulano/a?"
O ser humano, se tiver 5% de maldade na cabeça e souber que A e B não se dão, ao mínimo sinal de "sucesso" de uma das partes vai lá provocar a outra, quem sabe dando a sorte de ser o pombo correio da nova, o primeiro a ver a cara de surpresa, constrangimento ou mesmo raiva do desafeto do sortudo da vez.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.
Segundas oportunidades
Se o mundo fosse meu, os sinceramente arrependidos teriam sempre uma segunda chance. O caso é que a vida é meio Jogos Vorazes, meio filme de Woody Allen, na melhor das hipóteses, onde qualquer absurdo pode acontecer, onde tudo é aleatório, fora do nosso controle ou mesmo merecimento em algumas ocasiões.
Uma amiga minha está agradecida por ter surgido uma oportunidade na vida dela que julga ser uma segunda chance de aproveitar algo que, da primeira vez, ela não teve olhos para perceber.
Minha tia, que já foi muito ruim nessa vida, mas perdeu muita coisa em um período recente de dez anos, parece que também encontrou uma segunda chance. Ela, que foi uma peste quando era executiva de uma multinacional, temida pelos funcionários, encontrou vocação e amor na docência, já na terceira idade. Quem diria, hein?
A vida é surpreendente e às vezes melhor do que a gente merece.
Será que vale a pena?
Acabei de ler uma matéria muito boa, muito foda da Piauí. Aliás, no Brasil, na minha opinião, só essa revista arranca elogios. A gente tem o Intercept, o Nexo e a Pública, mas é diferente. A Piauí, além de ser um projeto brasileiro, de apurar muito bem as histórias, sabe contá-las, sabe apresentar um personagem.
Tá certo que nada se faz sozinho, portanto é leviano dizer que a revista é boa porque só tem repórteres geniais. Dá pra ver que existe uma certa estrutura e também trabalho de equipe ali. Coisa bem feita dificilmente sai de apenas duas mãos. Uma coisa que me ressinto, aliás, no jornalismo baiano é isso: a solidão na rotina produtiva e falta de orientação da reportagem, que se vira nos 30 diariamente. Bem, mas voltando à Piauí, é fato que ela conta com bons repórteres.
O caso é que esse tipo de gente corresponde a 5% da gama de jornalistas do mercado. Mas e aí? Vale a pena ser jornalista mesmo não pertencendo à nata? Sempre me perguntei isso, percebendo que uma boa parte da galera de assessoria meio que fica de olho comprido na redação, imaginando que deve ser melhor, mais emocionante. E é, mas é apenas a outra face de uma mesma cilada.
Sinceramente, depois de 17 anos nesse mercado, eu fico cada vez mais convicta de que sucesso depende mais de temperamento e relacionamento do que de talento. Qualquer carreira bem sucedida vai depender do nível de obsessão em construí-la e de ter os contatos certos. Só isso elimina uns 80% dos candidatos ao estrelato, para dizer o mínimo. As pessoas, sabiamente, privilegiam outras partes da vida que, muitos dizem por aí, é uma só. A parte do puxa saquismo e das amizades convenientes é mais fácil, tem muita gente com esse perfil por aí, infelizmente, e isso corresponde a pelo menos 15% dos que continuam no páreo rumo à glória.
Mas então por que tanta gente tenta e persiste, já que na primeira década - eu espero - a maioria saca que não vai ser o próximo Caco Barcellos, o próximo Bob Fernandes? Porque além da identificação, que eu não vou falar sobre isso aqui porque é uma coisa óbvia, existe a projeção.
Eu tiro por mim. Não me identifico com o Jornalismo, mas, pensando analiticamente, talvez tenha parado nisso por uma questão de projeção. O jornalista é atento, é rápido e é desinibido, três coisas que nunca fui. Mas gostaria de melhorar isso e acho que essa carreira me ajudou bastante, apesar de, claro, não ter feito milagres porque não se muda a essência. Mas eu só me toquei disso quando, encontrando pela primeira vez em 15 anos com um ex colega de faculdade, ele pontuou que eu estava muito mudada, que não se ouvia a minha voz na Facom e que agora estava mais falante.
Ou seja, nem tudo na vida vai servir para lhe dar confirmação das suas habilidades. Algumas coisas simplesmente vão ter a função de lhe tirar da sua zona de conforto e lhe desafiar.
Eu, de minha parte, se pudesse, teria umas cinco carreiras em uma vida só, mas isso dependeria de ter um vigor, uma estrutura financeira e um tempo que eu não tenho. Mas adoro aprender. Adoro, adoro, adoro. Sou curiosa. Essa é, talvez, a minha única identificação com o jornalismo.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
No armário
Vou pegar a gíria gay para falar de algo que percebo que acontece muito: o silenciamento dos sentimentos. Agora mesmo elogiam um colega por emitir um comunicado sobre a demissão tosca dele sem falar mal do empregador. Mas e se ele quisesse fazer isso? E daí? É o sentimento dele, a história dele, ora. Mas nunca permitem a gente falar sobre nada. Somos obrigados a nos tratar como produtos, não como gente, como experiências.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Morre um panda...
... Toda vez que eu descubro que há assuntos que me tocam muito e esses são evitados por meus amigos mais próximos. Acho que sou uma mente doente, que gosta de olhar certos aspectos da vida que todo mundo dá dez reais só pra evitar.
Solidão existencial, mas, enfim, é a vida. 😒
Solidão existencial, mas, enfim, é a vida. 😒
sábado, 3 de junho de 2017
Clarificando
Estou gostando do mestrado em Comunicação e ando até orgulhosa da relevância das pesquisas que andam sendo produzidas aqui na Bahia. 👏👏👏
Mas está ficando cada vez mais claro que, apesar de eu gostar de Comunicação, de Jornalismo, não é meu meio, eu não me identifico com os valores, com as pessoas, com o tipo de vaidade. É hora de mudar de barco.
Mas está ficando cada vez mais claro que, apesar de eu gostar de Comunicação, de Jornalismo, não é meu meio, eu não me identifico com os valores, com as pessoas, com o tipo de vaidade. É hora de mudar de barco.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Meritocracia, o apego nacional
Acho difícil a gente se livrar do mito da meritocracia. É porque afeta o ego de quem não está no lado desvantajoso da história admitir que há desvantagem. Tem que ter um controle do ego que não é o comum. As pessoas costumam ler que se há desvantagem pra alguém, há vantagem pra outros, pra si, e isso tira o brilho da trajetória pessoal. Ninguém gosta de se ver ajudado. Todo mundo gosta de se pensar como o foda. Isso não existe, não como regra.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Orange is the new white
A gente segue a vida tentando ser boa e não arruma nem resfriado. Esse povo que mata e fica famoso sempre arranja quem casa, já reparou?
Visões
Um colega, gente gentil, comentou que parou de dar parabéns às pessoas no Facebook porque acabava caindo no vazio de parabenizar gente que ele não via há séculos. Entendo. A pessoa se sente até meio falsa.
Mas eu tenho outra visão dessa mesma situação. Eu dou parabéns a todo mundo, só não pra quem tranca a página para recados ou quem realmente não tem significado. Da esmagadora maioria dos meus contatos, eu gosto. Tem gente que eu não vejo há muito tempo. Justamente por isso, dou os parabéns, aumento o coro do "Feliz Aniversário": faço tão pouco por aquelas figuras, que as felicitações são uma das poucas oportunidades.
Mas eu tenho outra visão dessa mesma situação. Eu dou parabéns a todo mundo, só não pra quem tranca a página para recados ou quem realmente não tem significado. Da esmagadora maioria dos meus contatos, eu gosto. Tem gente que eu não vejo há muito tempo. Justamente por isso, dou os parabéns, aumento o coro do "Feliz Aniversário": faço tão pouco por aquelas figuras, que as felicitações são uma das poucas oportunidades.
domingo, 28 de maio de 2017
Sagitário
Amo o signo de Sagitário, mas ele traz um problema: muitas vezes, sagitarianos acreditam que os fins justificam os meios, pois os fins interessam muito. Aliás, por isso se equilibra bem com Gêmeos (os meios). Outros pares do zodíaco significam (na minha interpretação, ao menos):
- Áries (eu) - Libra (outro): A difícil arte de amar.
- Touro (estabilidade) - Escorpião (intensidade): O equilíbrio dos prazeres.
- Gêmeos (meios) - Sagitário (fins): Tudo vale a pena, SE a alma não é pequena.
- Câncer (intimidade) - Capricórnio (sociedade): Razão e Sensibilidade
- Leão (ego) - Aquário (grupo): É dando que se recebe.
- Virgem (prática) - Peixes (fé): A fé sem razão fica cega e a razão sem fé, louca.
- Áries (eu) - Libra (outro): A difícil arte de amar.
- Touro (estabilidade) - Escorpião (intensidade): O equilíbrio dos prazeres.
- Gêmeos (meios) - Sagitário (fins): Tudo vale a pena, SE a alma não é pequena.
- Câncer (intimidade) - Capricórnio (sociedade): Razão e Sensibilidade
- Leão (ego) - Aquário (grupo): É dando que se recebe.
- Virgem (prática) - Peixes (fé): A fé sem razão fica cega e a razão sem fé, louca.
Fazer atenção
Como dizem os parisienses, é preciso fazer atenção. As pessoas levam as máximas espirituais muito ao pé da letra, quando na verdade são ideais que apenas alguns iluminados vão alcançar.
É o caso dessa história de que a gente tem que se resolver por dentro, se bastar. Sim, temos que caminhar neste sentido, porque ninguém vai assumir a tarefa da nossa felicidade, não há nem condição. Quanto mais nos fortalecemos por dentro, menos vulneráveis seremos ao externo. Faça isso mesmo, é uma excelente direção. Mas a eficácia dessa atitude tem limite, ninguém se basta em si mesmo, até porque só somos em relação ao outro. Vá você tentar manter-se firme no seu centro em meio a guerra e em meio a um ambiente em que tudo flui. Será a mesma coisa? Claro que não. Portanto, não saia por aí mentindo pra si mesmo e jogando missões impossíveis nas costas dos outros. Apenas.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Caso Ticiana
É chocante ver como o dinheiro pode insensibilizar um ser humano. Mas sabe o que mais me entristece nesse caso? Saber, ter quase certeza, que vários amigos e conhecidos da Facom seriam iguais ou piores nas mesmas circunstâncias.
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