O ser humano, se tiver 5% de maldade na cabeça e souber que A e B não se dão, ao mínimo sinal de "sucesso" de uma das partes vai lá provocar a outra, quem sabe dando a sorte de ser o pombo correio da nova, o primeiro a ver a cara de surpresa, constrangimento ou mesmo raiva do desafeto do sortudo da vez.
Isso não cola comigo, a não ser que eu ainda sinta, estime, em algum grau, a criatura. E fico retada com o correspondente não solicitado, que teve a intenção de tentar me aborrecer, me testar. Para que mais você vai dar notícias que não me interessam sobre gente que está fora da minha vida? Coisa de espírito de porco. Da única vez que me peguei fazendo isso - porque não foi premeditado -, pedi desculpas, fiquei realmente sentida.
Falei em "sucesso" lá em cima porque tudo depende do ponto de vista. O que é sucesso? Para mim, no fundo da alma e quase aos 40 anos, é ser sábio para a vida, é ser boa pessoa, ética e de valores, porque a gente sabe que manter uma essência amorosa e flexível, com tanta paulada que a gente leva da vida, é difícil, é pra quem é vocacionado, para quem realmente tem algo para dar. Ter todas as condições para aflorar amorosidade é fácil; quero ver ser maltratado e ter a grandeza de insistir em ser grande, não se apequenar. Dessa gente eu tenho inveja. Na próxima encarnação, troco fácil minha ansiedade e memória afetiva de elefante, típica de um ascendente em Câncer, por uma alma "sussa" de surfista. Pois bem, quando eu me afasto de alguém, pode ter certeza que é por um desses dois motivos: a) descobri que me envolvi com gente pobre de espírito, mesquinha, que não tem nada a oferecer a ninguém; b) descobri que o afeto era unilateral, que não contava, que fui confundida com um saco sem fundo. No segundo caso, é até possível eu me importar ainda com o que foi feito da pessoa, embora ache um pouco difícil, especialmente depois de muito tempo, porque eu tendo a não gostar do que me maltrata. Mas no primeiro caso, bicho... Alguém que eu classifico como pobre de espírito, na minha cabeça, é alguém que já é perdedor simplesmente pelo fato de ser quem é. Tem gente que já é o próprio castigo, que no fundo sabe que não vale muita coisa, apesar de conseguir enganar bonito um monte de gente, inclusive as boas.
E engana porque tem um monte de gente que acha, de verdade, que ser bem sucedido é, acima de tudo, ter grana e fama. Os suicidas do showbizz parecem não concordar muito com essa hipótese, né? Faltava o primordial e isso pouca gente tem, realmente, a oferecer. Enfim, se você se importa com a sorte de quem você despreza, ou você não despreza tanto assim, ou dinheiro e fama são o primordial na vida para você.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 24 de junho de 2017
Segundas oportunidades
Se o mundo fosse meu, os sinceramente arrependidos teriam sempre uma segunda chance. O caso é que a vida é meio Jogos Vorazes, meio filme de Woody Allen, na melhor das hipóteses, onde qualquer absurdo pode acontecer, onde tudo é aleatório, fora do nosso controle ou mesmo merecimento em algumas ocasiões.
Uma amiga minha está agradecida por ter surgido uma oportunidade na vida dela que julga ser uma segunda chance de aproveitar algo que, da primeira vez, ela não teve olhos para perceber.
Minha tia, que já foi muito ruim nessa vida, mas perdeu muita coisa em um período recente de dez anos, parece que também encontrou uma segunda chance. Ela, que foi uma peste quando era executiva de uma multinacional, temida pelos funcionários, encontrou vocação e amor na docência, já na terceira idade. Quem diria, hein?
A vida é surpreendente e às vezes melhor do que a gente merece.
Será que vale a pena?
Acabei de ler uma matéria muito boa, muito foda da Piauí. Aliás, no Brasil, na minha opinião, só essa revista arranca elogios. A gente tem o Intercept, o Nexo e a Pública, mas é diferente. A Piauí, além de ser um projeto brasileiro, de apurar muito bem as histórias, sabe contá-las, sabe apresentar um personagem.
Tá certo que nada se faz sozinho, portanto é leviano dizer que a revista é boa porque só tem repórteres geniais. Dá pra ver que existe uma certa estrutura e também trabalho de equipe ali. Coisa bem feita dificilmente sai de apenas duas mãos. Uma coisa que me ressinto, aliás, no jornalismo baiano é isso: a solidão na rotina produtiva e falta de orientação da reportagem, que se vira nos 30 diariamente. Bem, mas voltando à Piauí, é fato que ela conta com bons repórteres.
O caso é que esse tipo de gente corresponde a 5% da gama de jornalistas do mercado. Mas e aí? Vale a pena ser jornalista mesmo não pertencendo à nata? Sempre me perguntei isso, percebendo que uma boa parte da galera de assessoria meio que fica de olho comprido na redação, imaginando que deve ser melhor, mais emocionante. E é, mas é apenas a outra face de uma mesma cilada.
Sinceramente, depois de 17 anos nesse mercado, eu fico cada vez mais convicta de que sucesso depende mais de temperamento e relacionamento do que de talento. Qualquer carreira bem sucedida vai depender do nível de obsessão em construí-la e de ter os contatos certos. Só isso elimina uns 80% dos candidatos ao estrelato, para dizer o mínimo. As pessoas, sabiamente, privilegiam outras partes da vida que, muitos dizem por aí, é uma só. A parte do puxa saquismo e das amizades convenientes é mais fácil, tem muita gente com esse perfil por aí, infelizmente, e isso corresponde a pelo menos 15% dos que continuam no páreo rumo à glória.
Mas então por que tanta gente tenta e persiste, já que na primeira década - eu espero - a maioria saca que não vai ser o próximo Caco Barcellos, o próximo Bob Fernandes? Porque além da identificação, que eu não vou falar sobre isso aqui porque é uma coisa óbvia, existe a projeção.
Eu tiro por mim. Não me identifico com o Jornalismo, mas, pensando analiticamente, talvez tenha parado nisso por uma questão de projeção. O jornalista é atento, é rápido e é desinibido, três coisas que nunca fui. Mas gostaria de melhorar isso e acho que essa carreira me ajudou bastante, apesar de, claro, não ter feito milagres porque não se muda a essência. Mas eu só me toquei disso quando, encontrando pela primeira vez em 15 anos com um ex colega de faculdade, ele pontuou que eu estava muito mudada, que não se ouvia a minha voz na Facom e que agora estava mais falante.
Ou seja, nem tudo na vida vai servir para lhe dar confirmação das suas habilidades. Algumas coisas simplesmente vão ter a função de lhe tirar da sua zona de conforto e lhe desafiar.
Eu, de minha parte, se pudesse, teria umas cinco carreiras em uma vida só, mas isso dependeria de ter um vigor, uma estrutura financeira e um tempo que eu não tenho. Mas adoro aprender. Adoro, adoro, adoro. Sou curiosa. Essa é, talvez, a minha única identificação com o jornalismo.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
No armário
Vou pegar a gíria gay para falar de algo que percebo que acontece muito: o silenciamento dos sentimentos. Agora mesmo elogiam um colega por emitir um comunicado sobre a demissão tosca dele sem falar mal do empregador. Mas e se ele quisesse fazer isso? E daí? É o sentimento dele, a história dele, ora. Mas nunca permitem a gente falar sobre nada. Somos obrigados a nos tratar como produtos, não como gente, como experiências.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
Morre um panda...
... Toda vez que eu descubro que há assuntos que me tocam muito e esses são evitados por meus amigos mais próximos. Acho que sou uma mente doente, que gosta de olhar certos aspectos da vida que todo mundo dá dez reais só pra evitar.
Solidão existencial, mas, enfim, é a vida. 😒
Solidão existencial, mas, enfim, é a vida. 😒
sábado, 3 de junho de 2017
Clarificando
Estou gostando do mestrado em Comunicação e ando até orgulhosa da relevância das pesquisas que andam sendo produzidas aqui na Bahia. 👏👏👏
Mas está ficando cada vez mais claro que, apesar de eu gostar de Comunicação, de Jornalismo, não é meu meio, eu não me identifico com os valores, com as pessoas, com o tipo de vaidade. É hora de mudar de barco.
Mas está ficando cada vez mais claro que, apesar de eu gostar de Comunicação, de Jornalismo, não é meu meio, eu não me identifico com os valores, com as pessoas, com o tipo de vaidade. É hora de mudar de barco.
quinta-feira, 1 de junho de 2017
Meritocracia, o apego nacional
Acho difícil a gente se livrar do mito da meritocracia. É porque afeta o ego de quem não está no lado desvantajoso da história admitir que há desvantagem. Tem que ter um controle do ego que não é o comum. As pessoas costumam ler que se há desvantagem pra alguém, há vantagem pra outros, pra si, e isso tira o brilho da trajetória pessoal. Ninguém gosta de se ver ajudado. Todo mundo gosta de se pensar como o foda. Isso não existe, não como regra.
quarta-feira, 31 de maio de 2017
Orange is the new white
A gente segue a vida tentando ser boa e não arruma nem resfriado. Esse povo que mata e fica famoso sempre arranja quem casa, já reparou?
Visões
Um colega, gente gentil, comentou que parou de dar parabéns às pessoas no Facebook porque acabava caindo no vazio de parabenizar gente que ele não via há séculos. Entendo. A pessoa se sente até meio falsa.
Mas eu tenho outra visão dessa mesma situação. Eu dou parabéns a todo mundo, só não pra quem tranca a página para recados ou quem realmente não tem significado. Da esmagadora maioria dos meus contatos, eu gosto. Tem gente que eu não vejo há muito tempo. Justamente por isso, dou os parabéns, aumento o coro do "Feliz Aniversário": faço tão pouco por aquelas figuras, que as felicitações são uma das poucas oportunidades.
Mas eu tenho outra visão dessa mesma situação. Eu dou parabéns a todo mundo, só não pra quem tranca a página para recados ou quem realmente não tem significado. Da esmagadora maioria dos meus contatos, eu gosto. Tem gente que eu não vejo há muito tempo. Justamente por isso, dou os parabéns, aumento o coro do "Feliz Aniversário": faço tão pouco por aquelas figuras, que as felicitações são uma das poucas oportunidades.
domingo, 28 de maio de 2017
Sagitário
Amo o signo de Sagitário, mas ele traz um problema: muitas vezes, sagitarianos acreditam que os fins justificam os meios, pois os fins interessam muito. Aliás, por isso se equilibra bem com Gêmeos (os meios). Outros pares do zodíaco significam (na minha interpretação, ao menos):
- Áries (eu) - Libra (outro): A difícil arte de amar.
- Touro (estabilidade) - Escorpião (intensidade): O equilíbrio dos prazeres.
- Gêmeos (meios) - Sagitário (fins): Tudo vale a pena, SE a alma não é pequena.
- Câncer (intimidade) - Capricórnio (sociedade): Razão e Sensibilidade
- Leão (ego) - Aquário (grupo): É dando que se recebe.
- Virgem (prática) - Peixes (fé): A fé sem razão fica cega e a razão sem fé, louca.
- Áries (eu) - Libra (outro): A difícil arte de amar.
- Touro (estabilidade) - Escorpião (intensidade): O equilíbrio dos prazeres.
- Gêmeos (meios) - Sagitário (fins): Tudo vale a pena, SE a alma não é pequena.
- Câncer (intimidade) - Capricórnio (sociedade): Razão e Sensibilidade
- Leão (ego) - Aquário (grupo): É dando que se recebe.
- Virgem (prática) - Peixes (fé): A fé sem razão fica cega e a razão sem fé, louca.
Fazer atenção
Como dizem os parisienses, é preciso fazer atenção. As pessoas levam as máximas espirituais muito ao pé da letra, quando na verdade são ideais que apenas alguns iluminados vão alcançar.
É o caso dessa história de que a gente tem que se resolver por dentro, se bastar. Sim, temos que caminhar neste sentido, porque ninguém vai assumir a tarefa da nossa felicidade, não há nem condição. Quanto mais nos fortalecemos por dentro, menos vulneráveis seremos ao externo. Faça isso mesmo, é uma excelente direção. Mas a eficácia dessa atitude tem limite, ninguém se basta em si mesmo, até porque só somos em relação ao outro. Vá você tentar manter-se firme no seu centro em meio a guerra e em meio a um ambiente em que tudo flui. Será a mesma coisa? Claro que não. Portanto, não saia por aí mentindo pra si mesmo e jogando missões impossíveis nas costas dos outros. Apenas.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Caso Ticiana
É chocante ver como o dinheiro pode insensibilizar um ser humano. Mas sabe o que mais me entristece nesse caso? Saber, ter quase certeza, que vários amigos e conhecidos da Facom seriam iguais ou piores nas mesmas circunstâncias.
domingo, 21 de maio de 2017
O que nos faz valorizar o bem?
Estou lendo agora (e deveria continuar fazendo isso, mas quero escrever antes que esqueça) um texto de psicologia social que fala do ego e da identidade. O texto diz que as nossas motivações vêm mais de dentro. Então posso supor que o que faz uma pessoa querer ser boa é a tendência à culpa, que vem quando não atingimos nossas idealizações sobre nós mesmos. O texto diz que para determinado grupo de pessoas, a recompensa está no controle e no destaque. Essas pessoas não estão interessadas em competência e boa perfomance. Interessante, porque elas ignoram o eu contanto que recebam atenção da sociedade. Isso esclarece muita coisa, muita gente.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Indiferença aguda
Graças a Deus (já era hora!), começo a dar menos importância ao que os outros acham de mim e a querer entender os outros. Acho que isso tem a ver com a proximidade dos 40, com a consciência que meu tempo é finito, que a juventude tá quase me dando adeus e que não há sentido em me desgastar com frivolidades. Isso me faz, curiosamente, mais generosa (de não me meter tanto nas questões dos outros) e também mais egoísta (estou menos inclinada a me preocupar com os outros).
Ser generosa custa muito. Mas, paradoxalmente, acho que, para muitas pessoas, custa mais cuidar da própria vida (e isso não é ser egoísta, pois esse tipo de sujeito quer, na verdade, que os outros se encarreguem das coisas que deveria cuidar sozinho). Não é o meu caso. Eu tendo a fazer, e por qualquer um, aquilo que entendo que tá na minha mão e que a pessoa precisa de mim. Raramente vou ceder em algo se eu entender que é pura preguiça de quem me solicita. Serei muito grosseira se resolver me fazer de cabide da sua bolsa enquanto andamos no shopping ou se me mandar buscar água na geladeira quando está mais perto dela do que eu e não está fazendo nada de importante nem está doente. Isso é egoísmo, é humilhar o outro, é querer folgar às custas dos outros. Tenho ódio mesmo. E, creio, não costumo fazer isso com os outros; evito.
Mas existe um tipo de generosidade que não custa nada e que, particularmente, gosto de praticar: de dar dicas e articular pessoas e situações. Se eu sei que você está procurando emprego e vejo uma vaga compatível, o que me custa avisar? Se eu sinto que duas pessoas combinam, por que não apresentá-las? A vida é trabalhosa para quase todo mundo, eu sei, mas fico triste porque vejo que a maioria das pessoas nem a isso se disponibilizam. Não custa nada, ainda mais em tempos de redes sociais, quando duas linhas já resolvem o caso. O que fazer quando a moda é a pura indiferença? Não sei e não quero saber, viu? Enquanto a resposta não cai no meu colo, vou cuidando do meu jardim.
Ser generosa custa muito. Mas, paradoxalmente, acho que, para muitas pessoas, custa mais cuidar da própria vida (e isso não é ser egoísta, pois esse tipo de sujeito quer, na verdade, que os outros se encarreguem das coisas que deveria cuidar sozinho). Não é o meu caso. Eu tendo a fazer, e por qualquer um, aquilo que entendo que tá na minha mão e que a pessoa precisa de mim. Raramente vou ceder em algo se eu entender que é pura preguiça de quem me solicita. Serei muito grosseira se resolver me fazer de cabide da sua bolsa enquanto andamos no shopping ou se me mandar buscar água na geladeira quando está mais perto dela do que eu e não está fazendo nada de importante nem está doente. Isso é egoísmo, é humilhar o outro, é querer folgar às custas dos outros. Tenho ódio mesmo. E, creio, não costumo fazer isso com os outros; evito.
Mas existe um tipo de generosidade que não custa nada e que, particularmente, gosto de praticar: de dar dicas e articular pessoas e situações. Se eu sei que você está procurando emprego e vejo uma vaga compatível, o que me custa avisar? Se eu sinto que duas pessoas combinam, por que não apresentá-las? A vida é trabalhosa para quase todo mundo, eu sei, mas fico triste porque vejo que a maioria das pessoas nem a isso se disponibilizam. Não custa nada, ainda mais em tempos de redes sociais, quando duas linhas já resolvem o caso. O que fazer quando a moda é a pura indiferença? Não sei e não quero saber, viu? Enquanto a resposta não cai no meu colo, vou cuidando do meu jardim.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Visão além do alcance!
Modéstia à parte, eu sei reconhecer potenciais. Pena que ninguém me escuta. Gente, não é porque eu não sei o que fazer da minha vida que não vejo direito as de vocês. :(
Há umas duas semanas, fui no show de um colega que eu não via, muito menos tocando, faz dez anos. No final, além de ficar surpreso de me ver ali, ele lembrou das coisas que dizia a ele, naquela época, quando me apresentou à namorada. "Amor, essa é Juliana. Ela foi uma das pessoas que mais insistia pra eu gravar quando eu morava em Salvador". Poxa, fiquei feliz em ouvir aquilo. Ganhei meu dia. Eu enchia o saco mesmo dele, mas a criatura só se convenceu quando recebeu um elogio público do ídolo na música.
Mas boa parte das pessoas não analisa esse tipo de informação, porque a opinião, se não tiver segundas intenções, é informação e às vezes pode ser da boa. Pena, pena, pena...
Há umas duas semanas, fui no show de um colega que eu não via, muito menos tocando, faz dez anos. No final, além de ficar surpreso de me ver ali, ele lembrou das coisas que dizia a ele, naquela época, quando me apresentou à namorada. "Amor, essa é Juliana. Ela foi uma das pessoas que mais insistia pra eu gravar quando eu morava em Salvador". Poxa, fiquei feliz em ouvir aquilo. Ganhei meu dia. Eu enchia o saco mesmo dele, mas a criatura só se convenceu quando recebeu um elogio público do ídolo na música.
Mas boa parte das pessoas não analisa esse tipo de informação, porque a opinião, se não tiver segundas intenções, é informação e às vezes pode ser da boa. Pena, pena, pena...
9 verdades e uma mentira
Salvatore fez a melhor lista, contando só babados com celebridades. Mas, apesar de abalada, farei também a minha lista de 9 verdades e uma mentira. Segura na percussão!
1- Já me convidaram para ser backing vocal de uma banda de forró
2- Troquei uma ideia com Collor, quando ele ainda era presidente
3- Assisti uma autópsia
4- Fui surpreendida por Alexandre Borges, enquanto estava distraída
5- Meu pai produziu show de Roberto Carlos
6- Minha mãe bateu a porta de casa na cara de Luiz Gonzaga
7- Ganhei um prêmio de melhor escultura no colégio
8- Fui sorteada 3 vezes no Show da Xuxa
9- Tenho pavor de galinha ou de qualquer animal que bique
10- Sei jogar tarot
domingo, 9 de abril de 2017
Pra debaixo do tapete (ou botando a culpa no espelho pela imagem refletida)
Faz alguns dias eu terminei "Os 13 porquês", série da Netflix que fala sobre bullying e suicídio. Há uma galera em campanha contra a série, dizendo que induz ao suicídio, e uma outra pirando na batatinha, fazendo projeções em cima da personagem. Ambos estão equivocados a meu ver.
Não sei o que se passa na cabeça de quem se suicida, pois nunca tentei isso, embora já tenha pensado sobre. Mas imagino que a pessoa está imersa na dor. Guardadas as proporções, deve ser como um dente que dói demais, e você acaba arrancando em meio do desespero.
A série é real. Eu achei. Muita gente fica com a impressão de que Hannah não tinha motivos para se suicidar, que muita gente supera, mas a série justamente trabalha isso: as coisas podem bater diferentemente, a depender da personalidade de quem recebe a pancada, do contexto da vida dessa pessoa. Temos personagem que sofre e reage (Jessica); que sofre e tenta se matar, mas depois reage (Skye); que sofre e se mata (Hannah); que sofre e fica reativo com palavras (Clay); que sofre e quer atirar em todo mundo (Tyler... na segunda temporada, isso deve ser abordado); que finge que não sofre (Alex e Justin); que sofre e tenta reparar o erro (Sheri); e que nunca sofre porque é egoísta demais pra isso (Bryce). Enfim, tem para todos os gostos e tipos de personalidade. E também mostra o sofrimento de quem ficou e sofreu muito com a morte dela. Quem não teve vontade de chorar com a cena em que Clay, na imaginação dele, conversa com ela no dia da festa, ou quando chora debaixo do chuveiro, ou com a mãe dela encontrando-a morta na banheira, ou na outra cena em que quase abraça o sapato que a filha usou no baile da escola? De cortar o coração, sem dúvida.
O único problema, apontado por uma amiga psicóloga, foi não ter mostrado nenhuma história em que a pessoa, com ajuda, conseguiu dar a volta por cima, embora a proposta ali seja claramente criar empatia com quem se mata, porque estigmatizamos e falamos muito mal de quem passa por tal sofrimento. A série é pra quem está fora e não dentro do problema. Talvez eles pudessem ter mudado o final, com Hannah tentando, mas não conseguindo se matar, se curando com ajuda das pessoas e de profissionais. Ficou faltando apontar saídas, embora esse não seja claramente o propósito dessa produção.
Gente que sente demais, mais sensível, é realidade em nossa sociedade. Só que o que impera, na prática, é a racionalidade. E como será que é sofrer num contexto desse, em que nem quem trabalha com saúde mental muitas vezes está disposto a se desapegar do deus da racionalidade, das respostas prontas que podem não caber a todos? Lógico que ninguém decide por ninguém, mas atitudes podem colaborar para engatilhar certas ações extremas. Efeito borboleta. As pessoas nem deveriam levar isso tanto para o pessoal, porque se estamos nesse mundo, é claro que temos efeito sobre os outros. As pessoas mais próximas, especialmente os pais, são os piores nesse sentido e muitas vezes não ajudam quem sofre não por não estar vendo, mas por preferir não encarar os fatos e a culpa que pode advir deles, por pura autoproteção. Foda. Não há invisibilidade maior do que não ser visto por quem você mais quer a atenção.
E é com isso que a sociedade não aguenta lidar, porque vivemos numa era de desapego, em que ninguém quer ter trabalho com ninguém, muito menos ser exigido. O caso é que às vezes não é preciso nada além de sinceridade, reconhecer o que está acontecendo e, se for o caso, engatar um sincero "Me desculpe". Receber um pedido de desculpas, ser visto, às vezes resolve muita coisa. Qual é o custo real disso pra quem pede? Eu tenho antipatia por essa necessidade exagerada de atenção que as pessoas demonstram atualmente, mas, inegavelmente, somos seres relacionais, precisamos também de alguma validação do nosso entorno, ainda mais na idade dos personagens. O adolescente tem um funcionamento da mente, neurológico, inclusive, que difere do adulto. Nessa idade, a gente sente quatro vezes mais. Eu só conseguia pensar, ao ver a série, que eu sobrevivi. Mente de adolescente não é mole, não.
O intuito da série foi mostrar a realidade nua e crua, para que o choque realmente fizesse as pessoas pensarem, debaterem e se colocarem no lugar. Para que as pessoas vejam o potencial por trás de cada maldadezinha diária. Para que percebam que todos possuem seus sofrimentos e justamente quem faz sofrer também sofre (o único porquê que não dá pra perdoar, na história, é o Bryce, mas o restante todo se fode na vida em algum grau e o espectador acaba criando uma certa empatia por eles); gente feliz não sacaneia os outros. Casos como o de Hannah não são à toa: o bullying tende a ter como alvo quem visivelmente é frágil e essa pessoa é atingida não só por uma questão de temperamento, mas porque quem provoca o sofrimento geralmente é importante para ela. É a conjunção do desastre, de fato. Tem gente que não sabe se proteger do mundo externo e esse é um tema a ser enfrentado pela sociedade, por mais que seja doloroso, por mais que muita gente não entenda quem é diferente. Não dá mais pra varrer essas exclusões para debaixo do tapete, a não ser que a gente assuma logo (e consiga conviver bem, o que duvido) com o fato de que apenas certas vidas importam, não todas.
Violências
Tem gente que ficou p. da vida com Hannah por ter tentado culpabilizar os outros colegas pela morte dela. Na boa, eu acho que quem disse isso, se identifica com quem fez o bullying na história, no sentido de não gostar de refletir sobre as consequências de suas ações com o próximo, de achar que cada um que se vire com suas dores.
O intuito primário da personagem, a meu ver, não foi esse. Ela quis ser vista, ser compreendida, não julgada. Se fosse uma fita com o intuito maior de se constituir em vingança, ela não teria feito ponderações aos personagens. Ela até pede desculpas, de certa forma, a Clay e confessa que gostava dele (ela poderia ter feito o que ele faz, ao ouvir as fitas: culpar ele). Ela não culpa os pais, por exemplo, que nada perceberam. Na medida do possível, já que está ferida, Hannah é justa. Só acho que ela pega pesado com Sheri, que não merecia ser colocada no mesmo balaio dos outros.
E outra: vai querer comparar um desabafo em fita, que os destinatários poderiam muito bem nem ter escutado, com as violências físicas que ela sofreu, com todo mundo querendo meter a mão nela, trepar com ela a força, ou mentindo sobre a reputação dela pra todo mundo ouvir? Tirando Alex e Sheri, ninguém ali, mesmo depois de ouvir, nem se arrependeu. A dor foi pelo medo de ser descoberto, ser visto por todo mundo como realmente é, longe do modelo de perfeição que propaga. Só quem gostava dela se compadeceu e Clay foi longe demais na culpa, mas, enfim, coisa de gente apaixonada.
A série sinaliza para uma segunda temporada, abordando dessa vez não as causas da mágoa, mas da raiva. Tyler promete fazer um Columbine, se vingando dos desafetos.
Tyler é bem diferente, porque apesar de ter sido igualmente estereotipado, ele também é violento, um idiota, com os colegas, mas é incapaz de fazer uma autocrítica. Daí entra uma diferença de gênero, de como a cultura cria meninos e meninas: ao contrário delas que precisam falar, que querem colo, que tendem a se depreciar quando não são amadas, eles partem para o ataque externo, eles tiram a diferença com agressão física. Elas jogam pra dentro; eles, pra fora.
A seguir, cenas dos próximos capítulos...
domingo, 26 de março de 2017
Tia Má somos nós
Ontem Maíra Azevedo, vulgo Tia Má, estreou o espetáculo "Tia Má com a língua solta". Um amigo meu assistiu e disse que o texto é massa, que gostou muito. Ela praticamente faz o discurso da militância e fala das vezes em que foi rejeitada, desacreditada e desestimulada.
Acho que a fama deve estar fazendo bem para a autoestima de Maíra. Sim, ela não é esse poço de segurança. Aliás, vaidade não significa autoestima e muita gente famosa está longe de ser um poço disso. Fato. Eu trabalhei com ela por quatro anos e posso dizer algumas coisas a respeito.
O jornalismo impresso gosta de gente com aparência de intelectual, e Maíra não é intelectual, embora seja uma mulher inteligente, com experiência de vida e que tem o que dizer. Ela nunca foi valorizada (mas também não precisa forçar a barra, agora, dizendo que é uma jornalista nacionalmente premiada, porque é uma meia verdade. Tira o sapatinho e põe o pé no chão, né, Bê?...). Enfim, Maíra era a pessoa com as qualidades erradas para o meio, embora seja competente como repórter, mas, de fato, o brilho dela está no carisma, no humor, na facilidade de se comunicar com o povão sem ser popularesca, sem nivelar por baixo, levando reflexão e informação. Acho que as mulheres, especialmente, tinham carência de alguém assim.
Gosto muito da definição de Wagner Moura sobre a fama, como aquilo que você sempre foi e, de repente, todo mundo descobre que você é. Muita gente extraordinária passa a vida sem que alguém tenha olhos para ela, até que vai lá, faz e prova que tem valor. Mônica Martelli, aliás, fala muito bem disso, sobre como foi muitas vezes rejeitada antes de fazer sucesso. É por aí: o mundo tem olhos para as coisas já consagradas, já batidas, conhecidas. Por isso alguns tem uma estrada mais curta enquanto outros precisam percorrer um longo caminho para se validar. Não dá para esperar pela sensibilidade dos outros, a motivação tem que ser interna, por mais que o caminho solitário doa às vezes.
As consequências psicossociais do machismo
O jornalismo impresso gosta de gente com aparência de intelectual, e Maíra não é intelectual, embora seja uma mulher inteligente, com experiência de vida e que tem o que dizer. Ela nunca foi valorizada (mas também não precisa forçar a barra, agora, dizendo que é uma jornalista nacionalmente premiada, porque é uma meia verdade. Tira o sapatinho e põe o pé no chão, né, Bê?...). Enfim, Maíra era a pessoa com as qualidades erradas para o meio, embora seja competente como repórter, mas, de fato, o brilho dela está no carisma, no humor, na facilidade de se comunicar com o povão sem ser popularesca, sem nivelar por baixo, levando reflexão e informação. Acho que as mulheres, especialmente, tinham carência de alguém assim.
Gosto muito da definição de Wagner Moura sobre a fama, como aquilo que você sempre foi e, de repente, todo mundo descobre que você é. Muita gente extraordinária passa a vida sem que alguém tenha olhos para ela, até que vai lá, faz e prova que tem valor. Mônica Martelli, aliás, fala muito bem disso, sobre como foi muitas vezes rejeitada antes de fazer sucesso. É por aí: o mundo tem olhos para as coisas já consagradas, já batidas, conhecidas. Por isso alguns tem uma estrada mais curta enquanto outros precisam percorrer um longo caminho para se validar. Não dá para esperar pela sensibilidade dos outros, a motivação tem que ser interna, por mais que o caminho solitário doa às vezes.
As consequências psicossociais do machismo
Maíra sempre foi sensível às rejeições, que ela conta ter sofrido desde a infância. Quem nunca? Ser mulher é ser desacreditada, desestimulada o tempo todo, desde pequena, o que, se você não tomar cuidado, internaliza. Eu sei bem que minha sorte na vida foi ser antissocial, teimar mais em fazer as coisas do meu jeito do que em agradar os outros. Do contrário, estaria já a sete palmos, não suportaria tudo que já passei. Ninguém ganha esse jogo sendo mulher. Lógico, há gradações. Se você preenche os requisitos de boa fêmea, vai ser melhor tratada porque serve como mulher troféu. Mas nunca vai ter a sua humanidade reconhecida, de qualquer forma. Se você não preenche esses requisitos... Oh, meu Pai!... Deus te defenda, porque a lei dos homens, nesse caso realmente me referindo ao sexo masculino, vai te pegar de jeito e as melhores capitães do mato virão do seu próprio sexo. E eu não sou mulher?, você vai se perguntar a vida inteira, tendo como resposta apenas um eco.
Ser mulher é ser condicionada, desde bebê, a se pensar em relação ao outro, ao que ele acha de você, servindo aos outros antes de a si mesma, mas para passar a vida inteira tentando bastante e nunca sendo boa o suficiente. É inglório, é estressante, é humilhante, é desumano. Só quem passa e tem consciência (porque um monte delas prefere abafar isso, opta por se mutilar enquanto indivíduo para agradar) sabe. Os gays não saberão. Homens hétero... Para, vai!... Assim como eu nunca saberei o que é ser uma travesti, uma mulher trans. É um aprendizado de carne, de sangue e de nervos.
A sociedade precisa nos valorizar, até porque atuamos numa esfera altamente desgastante, essencial e pouco valorizada: a do cuidado. E ainda queremos ser reconhecidas como capazes de atuar em qualquer outra esfera. Queremos o direito à maternidade, que os homens sejam levados a assumir as responsabilidades deles e, no caso de mães sozinhas, que haja estrutura para elas e seus bebês. A falta de creches é umas das ações mais misóginas que um governo pode ter. Ah, sim: queremos ter o direito de não termos filhos e sermos tratadas com respeito.
Acho a fama de Maíra providencial, tanto numa microvisão, provando pra gente, do entorno dela, que tudo é possível, que coisas que nunca sonhamos podem acontecer. E numa abordagem macro, acho vital que mulheres comuns sejam valorizadas, mulheres suburbanas, com barriga +3, que cuidam de seus filhos sozinhas. Enfim, as heroínas do dia a dia precisam ser reconhecidas.
terça-feira, 14 de março de 2017
Sobre Mulheres e Dinheiro
Tenho uma prima exatamente da idade de minha irmã do meio. Ambas são bem parecidas na personalidade, até, mas diferem em uma coisa básica: carreira. Minha irmã sempre foi boa aluna, já a prima passava arrastada. As duas são tão parecidas que começaram a namorar na mesma idade. Pois é, minha irmã não se impressionou com o namorado rico e foi se formar, construiu carreira, sustenta a família. Minha prima continuou com o namorado rico, e vive uma vida, pela qual minha irmã tem que pagar, às custas do marido.
Pessoalmente, acho as duas situações inadequadas. Ninguém deveria sustentar ninguém, pois é um peso grande demais. Quem é sustentado também não vive uma boa situação porque está na dependência. Vai ficar obrigado a aceitar o que não quer porque precisa e pode perder o mantenedor a qualquer momento, afinal, toda relação pode acabar. O ideal é que homem e mulher dividam as coisas. Claro, há situações e situações. Se você é casado com alguém que dá duro e o ofício dessa pessoa não dá a mesma boa remuneração que você tem, é uma coisa. Sou contra alguém folgar enquanto outra pessoa se lasca. Isso só pode acabar em desrespeito, ressentimento. Em todos os casos, o fato é que se nenhum dos dois reclama, ninguém tem nada com isso.
Mas toda vez que o assunto surge aqui em casa, há um conflito de valores que envolve gerações e eu acho bem interessante. Minha irmã acha que minha prima é interesseira, afinal, quando namoravam, ela dava muito corno nele. E ela raramente publica fotos dos dois no Instagram. Enfim, ela acha que a fulana tá ali, "luxando", sem amar, mas pela boa vida que o marido proporciona. Afinal, sozinha, ela nunca poderia bancar a vida que tem. Minha mãe, que nunca trabalhou fora, se dói, diz que ela vive viajando porque entrou pra igreja e que o povo evangélico é corda de caranguejo e blá blá blá. Mas minha mãe, embora nunca tenha tido a responsabilidade de garantir o dinheiro, ficou com a maior responsabilidade na família: pela administração da casa, pelos cuidados com as filhas, especialmente os emocionais, oferecendo apoio emocional ao marido, que só tinha que se preocupar em trabalhar, um trabalho que ele só perderia se fizesse besteira, já que tinha estabilidade. Minha prima não tem o mesmo peso pra carregar. Bem, minha irmã é de uma geração que refuta esse modelo de mulher, que liga a falta de carreira à ociosidade, a problemas de caráter, realmente. Mas que acaba invertendo os papéis só para reafirmar poder, sem perceber o desequilíbrio.
Eu sou da mesma geração de minha irmã e também tenho dificuldade de admirar dependências. Mas vamos falar francamente e de forma mais ampla: todo ser humano gosta de moleza (vide a quantidade de homens encostados em suas mulheres que vemos hoje), mas é fácil dizer que as mulheres são parasitas quando o mercado de trabalho ainda é ruim com elas, na medida em que os piores trabalhos ainda são feitos por elas, em que são mais exigidas que os homens e ganham 30% menos. É claro que num cenário assim, esse tipo de prostituição conjugal vai ser visto como uma boa opção. E não se engane, tudo tem um preço. Gente assim paga com o amor próprio e isso não é fácil, não.
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