Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
Toda forma de amor
(Oh, my God, acabei de assistir "Os descendentes". Quero me casar com o personagem de George Clooney!!! Vou escrever para a Dilma Bolada requisitando a minha Bolsa-Clooney.)
Há quatro meses fui convidada a participar de uma dinâmica piscoterapêutica chamada Constelação Familiar. Minha psicoterapeuta é holística e traz de vez em quando esse tipo de curso pra cá. Eu sempre fico desconfiada dessas coisas, mas a curiosidade - e a vontade de andar pra frente - me faz embarcar nessas experiências. Digo que gostei. E muito. Foi um intensivão sobre as relações humanas. Eu vi gente cinquentona, casada, bem empregada e com filhos chorar por não ter sido amada por papai e mamãe. Diria que 80% dos casos apresentados tem essa origem.
Tive vários insights durante a experiência. Aprendi coisas muito boas que aos poucos abordarei aqui. Um dos ensinamentos que ganhei lá, repetido à exaustão pela coordenadora da atividade, é de que há várias formas de amar. É amor até aquilo que não parece amor. Marisa, a especialista em constelações, dizia em alguns casos constelados: "Está tudo certo entre o seu pai e a sua mãe. Você é que está criando um problema onde não existe. E mais: vai levar esse problema para as próximas gerações. E tudo isso sem um pingo de necessidade".
É isso aí: teimamos nos achismos e arrastamos o mundo ao nosso redor junto.
Comprei o livro de Alexey Dodsworth, "Os seis caminhos do amor", porque, antes de tudo, eu sou stalker desse cara. rs... Bem, além de falar de um tema tão importante, a obra é divida em três perspectivas que, para mim, não poderiam ser mais satisfatórias: filosofia, psicologia e astrologia. (Ele é o máximo, gente! rs)
Explico qual é a abordagem do livro: existem seis tipos de amor e seremos mais felizes com alguém que veja o amor pelo mesmo prisma que a gente. São eles:
Pragma - amor conveniente
Ludus - amor jogador
Eros - amor carnal
Agape - amor compassivo
Philia - amor amizade
Pathos - amor paixão
Cara, confesso, eu entendo perfeitamente o que ele quer dizer - na verdade, os gregos -, mas tenho dificuldade em aceitar eros e ludus como tipos de amores. Para mim são modos de interação, o que é bem diferente. Porque nessas duas modalidades não há uma personalização, não há um contato íntimo. Troque a pessoa - não fará diferença - e a ação será a mesma. A circunstância é o que dá prazer. Quem é eros e/ou ludus muitas vezes mal lembra o nome das pessoas com quem se envolveu.
Alguém pode dizer que no Agape há a mesma despersonalização. Creio que não. Agape, na minha visão, é um transbordar. Você faz por todos, mesmo por gente que não lhe é íntimo, porque cada pessoa, independentemente, é relevante para você só por existir.
Mas é importante, também, não supervalorizar nenhuma forma. Todas possuem as suas vantagens e desvantagens, como bem demonstra Alexey. E, enfim, apresentamos boa parte delas, em maior ou menor proporção, embora seja impossível reunir todas e ser completo. Por isso, talvez, tenhamos tanta necessidade do outro.
É engraçado que, enquanto lia sobre os tipos, tive um insight: venho atraindo gente que justamente é forte nos tipos de amores que tenho dificuldade em manifestar. Sempre me chateio por estar recebendo "o pedido trocado". Mas agora vejo claramente que Deus anotou direitinho. É o que eu preciso, por hora, para aprender certas habilidades que não só me servirão no amor, como na vida.
To wish or not to wish
Essa é a questão.
Sei lá, eu vejo muita gente ficar mal por causa de desejos que custam a se concretizar. Especialmente na minha idade, 30, quando já não somos tão jovens.
Eu me incluo nisso, mas acho que vou mais além nessa angústia porque tem dias em que duvido do que desejo. Talvez isso seja bom, por um lado. Me ajuda a tirar um pouco do peso que um desejo antigo costuma ter, embora me crie uma suspeita sobre mim mesma por não estar desejando algo de fato. Não dizem que para estar vivo é preciso desejar? Se bem que, desconfio, devemos trocar esse verbo por "experimentar". Como diz o genial Joseph Campbell, não precisamos de um sentido para a vida, mas de experiências que nos façam sentir vivos. Minha questão é que pra mim ainda é difícil experimentar sem que haja junto um sentido. Um dia supero isso, com fé em Jah.
Quem espera sempre cansa?
Um livro que li essa semana discute a questão da esperança, que é um desejo impotente, na visão do autor, já que quem espera pouco tem a fazer para que aquilo se concretize.
Mas o autor reconhece a importância da esperança para a vida humana e, por fim, fala algo que traduz o que penso sobre esse dilema já faz algum tempo: "Você pode ter o sonho, mas o sonho não pode ter você".
Minha terapeuta me diz que o que nos resta é caminhar. É melancólico, mas é verdade. A gente nunca sabe o que nos espera. O que nos resta é caminhar, viver, e até sonhar. Temos que estar aqui independentemente do que nos aconteça, pois se há uma chance, ela só vai surgir se estivermos em movimento. Isso é ter um sonho. Geralmente quando o sonho nos tem, paramos no meio do caminho se ele não se concretiza. E sabe por que nos paralisamos? Porque nos magoamos. (Sentir raiva não é tão ruim se pensarmos que poderíamos estar magoados ao invés disso. Com a mágoa, "sentamos à beira do caminho". A raiva nos ajuda a fazer alguma coisa, e pode ser até construtiva se tivermos um pouco de sabedoria.)
A generosidade salva
Por essas coincidências do dia-a-dia, estava navegando pelo Facebook dois dias antes de começar a ler o livro, e me deparei com um video cujo títudo é "A única coisa que nos magoa é a esperança", de uma lama budista. A teoria dela é que só nos magoamos porque esperamos algo. E, realmente, a esperança sem maturidade pode fazer muito estrago. A solução anti-mágoa que ela oferta é a generosidade. O problema é que essa não é uma possibilidade para todos. Não serei generosa na minha afirmação, mas tem gente que não leva o mínimo talento para ser generoso. E a cultura ainda não ajuda, daí já viu.
Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"? Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.
Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"? Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
A máquina
Eu não sei vocês, mas me canso às vezes dos estímulos das redes sociais. No Facebook, por exemplo, me sinto uma professora de pré-escolar com um monte de alunos ao redor esperando por um elogio aos desenhos que acabaram de fazer. O Twitter me informa, mas mesmo assim sou sobrecarregada de informações atualizadas em segundos. No Facebook a moda são as causas. Não que eu as ache sem importância - pelo contrário -, mas aquilo dá angústia. É tanta coisa com a qual se importar que você acaba sem vontade de se integrar ao coro dos engajados. De fato não consigo ir além do click do mouse. Mão na massa que é bom... Ai, que culpa!
Essa é uma sociedade de muito barulho, como as redes sociais podem atestar. A começar por nossas mentes tagarelas, terminando no trio elétrico em fevereiro. As pessoas acham ótimo o barulho incessante. E acreditam, equivocadamente, que isso quer dizer vitalidade. Só não percebem o efeito colateral disso: o histerismo e a dispersão.
Não é assim em todo o canto do mundo. Isso é coisa das Américas - para ser mais exata, dos Estados Unidos da América, que nos transmitiu esse "vírus".
Estava lendo um livro ("Educar para o consumo") da cientista política e educadora Cássia D´Aquino e da terapeuta familiar Maria Tereza Maldonado. Há muita coisa interessante, mas um trecho destacou-se por ter traduzido uma sensação que tive quando fui para fora do País (por favor, não é espírito de colonizado; há muita coisa que achei melhor aqui do que lá). Segue:
Maria Tereza - Tem que ser hiperativo? Entupir-se de coisas e de atividades para não pensar, não estar consigo mesmo nem com os outros em silêncio criativo? Isso revela o medo do vazio, do tédio, da falta de substância...
As crianças na França me impressionaram: elas são ativas, mas não saem derrubando tudo nem berrando. Vi, então, que dá para ser feliz na infância de um modo mais zen. Elas são muito curiosas. Perguntam tudo aos pais, observam. Frequentam museus desde cedo, e não fosse pela beleza de ver os grupinhos escolares, tão novinhos e concentrados, nem as notaríamos.
Mas a mídia europeia não é tão estridente como a da América. Ligue em um canal francês, por exemplo, e vai se sentir assistindo a missa de domingo.
Inconsciência - O resultado do que acontece no "novo mundo" (minha interpretação) é que, como as pessoas vivem estressadas no mental, pouco entram em contato com os seus próprios sentimentos. Cansam de tanta atividade cerebral, e se consolam consumindo (bens, sensações, relacionamentos, etc). Quando a doença chega são pegos de surpresa. Claro, não ouvem o corpo, as próprias emoções!
Confesso que ando nesse dilema.
Eu gosto, por exemplo, das opções que a cidade me oferece, mas não aguento mais viver correndo. Simplesmente assumo que não tenho natureza para isso; sou lenta, meu timing é outro. Mas parece que não tenho muita opção morando em uma cidade grande. Meu grande desafio vai ser sair dessa "cama de gato"... E aprender a viver bem mesmo querendo algo diferente do que me ensinaram que era o certo e no qual, sobretudo, já estou viciada, apesar de ter plena consciência de que isso me agride. #contrafobiaexistencial
O ser humano não nasceu para ser máquina. Sinto isso, todos os dias, na minha própria carne.
Essa é uma sociedade de muito barulho, como as redes sociais podem atestar. A começar por nossas mentes tagarelas, terminando no trio elétrico em fevereiro. As pessoas acham ótimo o barulho incessante. E acreditam, equivocadamente, que isso quer dizer vitalidade. Só não percebem o efeito colateral disso: o histerismo e a dispersão.
Não é assim em todo o canto do mundo. Isso é coisa das Américas - para ser mais exata, dos Estados Unidos da América, que nos transmitiu esse "vírus".
Estava lendo um livro ("Educar para o consumo") da cientista política e educadora Cássia D´Aquino e da terapeuta familiar Maria Tereza Maldonado. Há muita coisa interessante, mas um trecho destacou-se por ter traduzido uma sensação que tive quando fui para fora do País (por favor, não é espírito de colonizado; há muita coisa que achei melhor aqui do que lá). Segue:
Maria Tereza - Tem que ser hiperativo? Entupir-se de coisas e de atividades para não pensar, não estar consigo mesmo nem com os outros em silêncio criativo? Isso revela o medo do vazio, do tédio, da falta de substância...
As crianças na França me impressionaram: elas são ativas, mas não saem derrubando tudo nem berrando. Vi, então, que dá para ser feliz na infância de um modo mais zen. Elas são muito curiosas. Perguntam tudo aos pais, observam. Frequentam museus desde cedo, e não fosse pela beleza de ver os grupinhos escolares, tão novinhos e concentrados, nem as notaríamos.
Mas a mídia europeia não é tão estridente como a da América. Ligue em um canal francês, por exemplo, e vai se sentir assistindo a missa de domingo.
Inconsciência - O resultado do que acontece no "novo mundo" (minha interpretação) é que, como as pessoas vivem estressadas no mental, pouco entram em contato com os seus próprios sentimentos. Cansam de tanta atividade cerebral, e se consolam consumindo (bens, sensações, relacionamentos, etc). Quando a doença chega são pegos de surpresa. Claro, não ouvem o corpo, as próprias emoções!
Confesso que ando nesse dilema.
Eu gosto, por exemplo, das opções que a cidade me oferece, mas não aguento mais viver correndo. Simplesmente assumo que não tenho natureza para isso; sou lenta, meu timing é outro. Mas parece que não tenho muita opção morando em uma cidade grande. Meu grande desafio vai ser sair dessa "cama de gato"... E aprender a viver bem mesmo querendo algo diferente do que me ensinaram que era o certo e no qual, sobretudo, já estou viciada, apesar de ter plena consciência de que isso me agride. #contrafobiaexistencial
O ser humano não nasceu para ser máquina. Sinto isso, todos os dias, na minha própria carne.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Nem tudo que reluz é ouro (ou golpe, ou futilidade, ou folheado)
Desde que fiquei sabendo que a colega de Facom Ticiana Villas-Boas vai se casar com um milionário tenho ouvido - e principalmente lido - muitas coisas. O engraçado é que todas elas se resumem a apenas duas frases:
1) Ela é interesseira porque está casando com um cara feio e rico.
2) Ela é deslumbrada com a high society paulistana.
Dá para perceber uma boa dose de inveja nesses comentários. Mais do que a dor de cotovelo coletiva que o casamento da figura com o rei da carne suscita, me espanta o deslumbramento de todas essas pessoas com os signos do sucesso que Ticiana apresenta. Pois é, até "segunda ordem", são apenas signos. O buraco do sucesso é muito mais embaixo, e nunca saberemos, ao certo, o quão bem-sucedida ela, ou Mendigo de Curitiba ou o Eike Batista é ou deixa de ser.
Acho que nem ela tem plena consciência do que é a vida dela. Quem tem? Ainda estamos no meio do caminho, com muita água para rolar debaixo da ponte.
De minha parte, não me impressiono porque, apesar de toda a pompa, acho Ticiana "gente como a gente".
Não acredito nesse primeiro ponto. Não creio que ela está se casando por interesse. Acho que até falta senso de realidade a quem diz isso. Basta olhar ao redor. A associação homem feio e mulher bonita é clássica. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido nem o suficiente para gerar Jesus Cristo.
Olhem os nossos genitores, e digam: geralmente as mães são muito mais bonitas que os pais, não é? E eles sempre foram, são e provavelmente serão uns duros pela vida inteira. O mau gosto feminino é quase biológico. Fato. Minha tia tem uma conhecida em Brasília cujo marido é a cara de seu Madruga, mas ela insistia que ele era a cópia do José Mayer na época daquela novela "Laços de Família".
Enfim, Ticiana fez uma escolha bem dentro da linha de normalidade.
Além do mais, que atire a primeira pedra quem nunca se relacionou com alguém porque a pessoa enchia a bola, tratava bem para caramba. É assim, na base do carinho e da generosidade, que muitas mulheres acabam se casando com homens que à primeira vista não são atraentes.
O mais comum é, muito tempo depois, a pessoa se tocar que não tinha nada a ver com a figura e que tampouco tinha um grande amor por ela. "Movidos pela carência" - já vi mil vezes esse filme. Obviamente, a chance de acabar mal é grande, mas às vezes as pesquisas não traduzem o resultado final da eleição. Ela pode ser muito feliz com ele, apesar de todas as probabilidades dizerem que não. Quantas coisas em que a gente não botava fé acabam se revelando melhores que o esperado?
Se ela é deslumbrada com o poder, a alta sociedade e a fama? Eu me chocaria se não fosse assim. E, afinal, o que é ser deslumbrado? Por muito menos já vi o povo se iludindo e, como diz a minha mãe, "subindo no tijolo para fazer discurso". É mais fácil você localizar esse tipo de atitude quando a situação é óbvia. Mas quanta gente não é deslumbrada com um cargo, com o próprio conhecimento, com um "gol" aqui e acolá? Facebook tá aí para comprovar.
O que eu teria para falar dessa situação toda é que ela - arriscando aqui um palpite - faz as coisas mais por impulso que com o coração, realmente. Mas eu acho que nem isso é um problema, já que demonstra reagir rápido quando a coisa não termina bem, como foi o outro casamento.
Por essas e outras, continuo sem entender qual é o problema de Ticiana querer se casar com um milionário ou com qualquer outro que não ofereça perigo a integridade dela. Aos que acham algo de errado nisso, don´t worry, ´cause ela parece ter altos e baixos na vida como todos nós. Apenas a "vitrine" é mais bonitinha, mas o interior da loja parece o mesmo de qualquer jovem adulto de 30 anos que vive dando cabeçada por aí tentando achar o seu rumo.
Nessa situação toda, me limito a me divertir com os comentários nos sites de "notícia". Não me aguentei com uma criatura que comparou o noivo a Christian Grey, protagonista de "50 tons de cinza", e com a confusão que fizeram chamando-o de "rei do frango", que é o título do ex-marido de uma socialite famosa por participar de um reality show. A-do-rei! hahahaha
1) Ela é interesseira porque está casando com um cara feio e rico.
2) Ela é deslumbrada com a high society paulistana.
Dá para perceber uma boa dose de inveja nesses comentários. Mais do que a dor de cotovelo coletiva que o casamento da figura com o rei da carne suscita, me espanta o deslumbramento de todas essas pessoas com os signos do sucesso que Ticiana apresenta. Pois é, até "segunda ordem", são apenas signos. O buraco do sucesso é muito mais embaixo, e nunca saberemos, ao certo, o quão bem-sucedida ela, ou Mendigo de Curitiba ou o Eike Batista é ou deixa de ser.
Acho que nem ela tem plena consciência do que é a vida dela. Quem tem? Ainda estamos no meio do caminho, com muita água para rolar debaixo da ponte.
De minha parte, não me impressiono porque, apesar de toda a pompa, acho Ticiana "gente como a gente".
Não acredito nesse primeiro ponto. Não creio que ela está se casando por interesse. Acho que até falta senso de realidade a quem diz isso. Basta olhar ao redor. A associação homem feio e mulher bonita é clássica. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido nem o suficiente para gerar Jesus Cristo.
Olhem os nossos genitores, e digam: geralmente as mães são muito mais bonitas que os pais, não é? E eles sempre foram, são e provavelmente serão uns duros pela vida inteira. O mau gosto feminino é quase biológico. Fato. Minha tia tem uma conhecida em Brasília cujo marido é a cara de seu Madruga, mas ela insistia que ele era a cópia do José Mayer na época daquela novela "Laços de Família".
Enfim, Ticiana fez uma escolha bem dentro da linha de normalidade.
Além do mais, que atire a primeira pedra quem nunca se relacionou com alguém porque a pessoa enchia a bola, tratava bem para caramba. É assim, na base do carinho e da generosidade, que muitas mulheres acabam se casando com homens que à primeira vista não são atraentes.
O mais comum é, muito tempo depois, a pessoa se tocar que não tinha nada a ver com a figura e que tampouco tinha um grande amor por ela. "Movidos pela carência" - já vi mil vezes esse filme. Obviamente, a chance de acabar mal é grande, mas às vezes as pesquisas não traduzem o resultado final da eleição. Ela pode ser muito feliz com ele, apesar de todas as probabilidades dizerem que não. Quantas coisas em que a gente não botava fé acabam se revelando melhores que o esperado?
Se ela é deslumbrada com o poder, a alta sociedade e a fama? Eu me chocaria se não fosse assim. E, afinal, o que é ser deslumbrado? Por muito menos já vi o povo se iludindo e, como diz a minha mãe, "subindo no tijolo para fazer discurso". É mais fácil você localizar esse tipo de atitude quando a situação é óbvia. Mas quanta gente não é deslumbrada com um cargo, com o próprio conhecimento, com um "gol" aqui e acolá? Facebook tá aí para comprovar.
O que eu teria para falar dessa situação toda é que ela - arriscando aqui um palpite - faz as coisas mais por impulso que com o coração, realmente. Mas eu acho que nem isso é um problema, já que demonstra reagir rápido quando a coisa não termina bem, como foi o outro casamento.
Por essas e outras, continuo sem entender qual é o problema de Ticiana querer se casar com um milionário ou com qualquer outro que não ofereça perigo a integridade dela. Aos que acham algo de errado nisso, don´t worry, ´cause ela parece ter altos e baixos na vida como todos nós. Apenas a "vitrine" é mais bonitinha, mas o interior da loja parece o mesmo de qualquer jovem adulto de 30 anos que vive dando cabeçada por aí tentando achar o seu rumo.
Nessa situação toda, me limito a me divertir com os comentários nos sites de "notícia". Não me aguentei com uma criatura que comparou o noivo a Christian Grey, protagonista de "50 tons de cinza", e com a confusão que fizeram chamando-o de "rei do frango", que é o título do ex-marido de uma socialite famosa por participar de um reality show. A-do-rei! hahahaha
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Dos mestres com carinho
O tempo passa, mas a memória dos grandes mestres permanece. Alguns ensinamentos ficam - geralmente sem relação com as disciplinas - para a vida inteira. Mas o caso é que nem tudo que ficou foi um ensinamento (não, ao menos, politicamente correto. rs). Separei algumas frases de meus professores. Vocês poderão perceber porque me tornei esta grande alma (cof, cof, cof).
"Seus salientes!" - Maria Luiza, minha professora de educação física do primário, quando a gente furava a fila do lanche. "Saliente" foi a primeira palavra que procurei no dicionário.
"Para a natureza, o que interessa é a mistura das raças; quanto mais mestiça, menos doença tem a pessoa" - Bira, professor de biologia.
"Limpar a bunda com papel higiênico é só lixa-la; não limpa nada" - Antenor, professor de matemática.
"Quem faz duas coisas ao mesmo tempo não faz nenhuma bem" - ele, de novo.
"Vocês não têm que comemorar 15 anos, não; têm que comemorar a primeira trepada" - Patrícia, a professora de história da 7ª série.
"Neném, se você tem 17 anos e se acha feio, tem algum problema mental" - Fernando Eleodoro, professor de português.
"Estamos na merda sem mistura" - ele, again.
"Feliz 2000 para vocês. Não, não contei errado, não. Para mim 1999 já é um ano perdido" - Fernandinho.
"Neném, cuidado para não ficar escravo de uma porrada de coisa que você não precisa. O negócio funciona assim: você ganha dinheiro, e compra. Vai atrás de mais dinheiro para comprar mais coisas, e quando abre os olhos, trabalha só para sustentar essas coisas" - Fernandinho [2].
"A tecnologia não é boa, nem má, nem neutra" - André Lemos.
"Seus salientes!" - Maria Luiza, minha professora de educação física do primário, quando a gente furava a fila do lanche. "Saliente" foi a primeira palavra que procurei no dicionário.
"Para a natureza, o que interessa é a mistura das raças; quanto mais mestiça, menos doença tem a pessoa" - Bira, professor de biologia.
"Limpar a bunda com papel higiênico é só lixa-la; não limpa nada" - Antenor, professor de matemática.
"Quem faz duas coisas ao mesmo tempo não faz nenhuma bem" - ele, de novo.
"Vocês não têm que comemorar 15 anos, não; têm que comemorar a primeira trepada" - Patrícia, a professora de história da 7ª série.
"Neném, se você tem 17 anos e se acha feio, tem algum problema mental" - Fernando Eleodoro, professor de português.
"Estamos na merda sem mistura" - ele, again.
"Feliz 2000 para vocês. Não, não contei errado, não. Para mim 1999 já é um ano perdido" - Fernandinho.
"Neném, cuidado para não ficar escravo de uma porrada de coisa que você não precisa. O negócio funciona assim: você ganha dinheiro, e compra. Vai atrás de mais dinheiro para comprar mais coisas, e quando abre os olhos, trabalha só para sustentar essas coisas" - Fernandinho [2].
"A tecnologia não é boa, nem má, nem neutra" - André Lemos.
sábado, 13 de outubro de 2012
Embriagado de amor!
São tantos os beijos, que Feliptcho fica zonzo! hahahaha... Vai fugir da tia assim que aprender a caminhar!
Just a little respect
Percebo que uma das coisas mais difíceis nas relações interpessoais é ter respeito pelo outro. A gente sempre está pronto a menosprezar as escolhas alheias, esquecendo que para a gente também não é fácil, assim como não deve ser para o outro.
Agora mesmo estou p. da vida com alguém. Na minha opinião, falta uma qualidade importante a pessoa. Mas ao mesmo tempo fico brava comigo por ficar brava com ele. Por que deveria atender a minha expectativa? E, a bem da verdade, nunca se sabe o que se passa com a pessoa. Mas a partir das nossas próprias vivências sabemos, se tivermos alguma humildade, que sempre tem uma explicação.
O negócio é saber como negociar o meu desejo com o do outro. Difícil... Como saber, também, que não está se desrespeitando?
Eu participei de uma atividade que me fez atentar para a importância do respeito. Por enquanto, tenho apelado para a teoria do "tudo tem uma explicação". Quando souber realmente como sentir isso por todo mundo, posto aqui - promessa de escoteiro.
Agora mesmo estou p. da vida com alguém. Na minha opinião, falta uma qualidade importante a pessoa. Mas ao mesmo tempo fico brava comigo por ficar brava com ele. Por que deveria atender a minha expectativa? E, a bem da verdade, nunca se sabe o que se passa com a pessoa. Mas a partir das nossas próprias vivências sabemos, se tivermos alguma humildade, que sempre tem uma explicação.
O negócio é saber como negociar o meu desejo com o do outro. Difícil... Como saber, também, que não está se desrespeitando?
Eu participei de uma atividade que me fez atentar para a importância do respeito. Por enquanto, tenho apelado para a teoria do "tudo tem uma explicação". Quando souber realmente como sentir isso por todo mundo, posto aqui - promessa de escoteiro.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
A inspiração
Não sei se já contei, mas ganhei meu nome numa inspiração súbita de meu pai, ao ouvir a faixa "Juliana", de Sérgio Reis. Música triste (e de refrão ruim, embora goste da introdução dela), preferia que fosse um samba... Bem, mas poderia ser pior se me chamasse Juliana por causa de "Domingo no Parque". hehehe
Olha aí a letra:
Nestas mal traçadas linhas
As palavras não são minhas
Quem escreve é o coração
Mesmo de você ausente
Sua imagem está presente
Mas aumenta a solidão
Está carta é mais feliz
Vai fazer o que eu não fiz
Que é ficar em suas mãos
Não quero pedir resposta
Não se deixa quem se gosta
E por isso canto assim
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar
A saudade é muito grande
E por onde quer que eu ande
Em você vivo a pensar
Eu sinto o cheiro de mato
Quando beijo seu retrato
Dá vontade de chorar
Juliana tão brejeira
Será sempre a primeira
A ter os carinhos meus
Muito embora tão distante
Não te esqueço um só instante
Porque fui dizer adeus
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar
Olha aí a letra:
Nestas mal traçadas linhas
As palavras não são minhas
Quem escreve é o coração
Mesmo de você ausente
Sua imagem está presente
Mas aumenta a solidão
Está carta é mais feliz
Vai fazer o que eu não fiz
Que é ficar em suas mãos
Não quero pedir resposta
Não se deixa quem se gosta
E por isso canto assim
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar
A saudade é muito grande
E por onde quer que eu ande
Em você vivo a pensar
Eu sinto o cheiro de mato
Quando beijo seu retrato
Dá vontade de chorar
Juliana tão brejeira
Será sempre a primeira
A ter os carinhos meus
Muito embora tão distante
Não te esqueço um só instante
Porque fui dizer adeus
Juliana, Juliana
Eu prometo pra semana
Vou ai pra te buscar
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Amizades
"Ter um amigo, na vida é tão bom ter amigos...", já cantava Didi. A vida é, sobretudo, uma jornada absolutamente solitária, mas os encontros, quando acontecem, fazem toda a diferença e são uma delícia. São a cereja em cima do bolo.
Quando era criança sonhava em ter amigos que nem em filme americano. Sabe aqueles que nascem e crescem juntos? Mas eu não sou filha de uma cidadezinha do interior. Logo cedo, peguei estrada, meus amigos de infância se espalharam pelo Brasil (como quase todas as famílias de Brasília, naquela época). Os amigos de adolescência se foram também, outros idem, e de repente eu percebi que as pessoas passam. Vale o momento. Nada é garantido. As pessoas às vezes precisam ir. Às vezes elas se vão de corpo presente, geralmente quando a gente confunde gentileza com amizade e se decepciona ao sacar que nos sorriam por simpatia (com o tempo vc aprende que amigo é quem muda o "lead" da sua vida e se interessa pelo seu bem-estar).
Às vezes a gente coloca expectativa em cima de alguém e essa pessoa, apesar de realmente nos estimar, é menor do que a gente imaginava. E há casos - esses são os meus preferidos - em que você não dava nada por aquela criatura - até meio que antipatizava - e ela cresce no seu conceito em um momento de adversidade.
O mais bacana é quando alguém te estima tão profundamente que conhece o seu tempo e o respeita. Isso é massa! A pessoa não te julga porque sabe que, naquele momento, você precisa passar por aquilo, não tem condições de fazer melhor, mas um dia vai acertar.
Mas melhor mesmo é quando a gente se transforma em amigo de si mesmo. Não há amizade mais necessária na vida. E mais gostosa. E mais produtiva. E mais árdua de conquistar. É essa a amizade que, espero, todos os meus um dia conquistem.
Quando era criança sonhava em ter amigos que nem em filme americano. Sabe aqueles que nascem e crescem juntos? Mas eu não sou filha de uma cidadezinha do interior. Logo cedo, peguei estrada, meus amigos de infância se espalharam pelo Brasil (como quase todas as famílias de Brasília, naquela época). Os amigos de adolescência se foram também, outros idem, e de repente eu percebi que as pessoas passam. Vale o momento. Nada é garantido. As pessoas às vezes precisam ir. Às vezes elas se vão de corpo presente, geralmente quando a gente confunde gentileza com amizade e se decepciona ao sacar que nos sorriam por simpatia (com o tempo vc aprende que amigo é quem muda o "lead" da sua vida e se interessa pelo seu bem-estar).
Às vezes a gente coloca expectativa em cima de alguém e essa pessoa, apesar de realmente nos estimar, é menor do que a gente imaginava. E há casos - esses são os meus preferidos - em que você não dava nada por aquela criatura - até meio que antipatizava - e ela cresce no seu conceito em um momento de adversidade.
O mais bacana é quando alguém te estima tão profundamente que conhece o seu tempo e o respeita. Isso é massa! A pessoa não te julga porque sabe que, naquele momento, você precisa passar por aquilo, não tem condições de fazer melhor, mas um dia vai acertar.
Mas melhor mesmo é quando a gente se transforma em amigo de si mesmo. Não há amizade mais necessária na vida. E mais gostosa. E mais produtiva. E mais árdua de conquistar. É essa a amizade que, espero, todos os meus um dia conquistem.
domingo, 10 de junho de 2012
Pessoal
Outro dia eu e alguns colegas jornalistas estávamos falando de uma colega que foi morar em São Paulo. Alguém contou que ela está escrevendo para a Folha Universal. Pausa geral, interrompida pelo seguinte comentário:
- É, eu entendo. Ela precisa pagar as contas.
Não era nem para alguém entender coisa nenhuma.
Ela é uma jornalista; ela tem uma habilidade de apuração e escrita que está aí para ser vendida.
Às vezes fico puta com esse personalismo da profissão. Ninguém critica um engenheiro sobre o uso que será feito da usina que ele construiu. Nem o contador pela empresa a qual presta serviço. Eu acho que falta uma visão objetiva e profissional sobre a própria atividade. Claro, tudo tem limite. A meu ver, os limites do jornalista são o bom gosto e a verdade. Um bom profissional, mesmo na Folha Universal, vai saber cumprir com essas duas exigências. Mas, de resto, você é um profissional, bicho. E as pessoas têm que respeitar isso. Jornalista se acha tão intelectual, tão herói de sei lá o quê, que nem se organiza enquanto classe. Já viu jornalista em greve? Pois é.
Sei lá, essa cobrança ideológica é um saco. E tenho dito!
- É, eu entendo. Ela precisa pagar as contas.
Não era nem para alguém entender coisa nenhuma.
Ela é uma jornalista; ela tem uma habilidade de apuração e escrita que está aí para ser vendida.
Às vezes fico puta com esse personalismo da profissão. Ninguém critica um engenheiro sobre o uso que será feito da usina que ele construiu. Nem o contador pela empresa a qual presta serviço. Eu acho que falta uma visão objetiva e profissional sobre a própria atividade. Claro, tudo tem limite. A meu ver, os limites do jornalista são o bom gosto e a verdade. Um bom profissional, mesmo na Folha Universal, vai saber cumprir com essas duas exigências. Mas, de resto, você é um profissional, bicho. E as pessoas têm que respeitar isso. Jornalista se acha tão intelectual, tão herói de sei lá o quê, que nem se organiza enquanto classe. Já viu jornalista em greve? Pois é.
Sei lá, essa cobrança ideológica é um saco. E tenho dito!
sábado, 26 de maio de 2012
Felizpe!
Olha só que lindo é o meu gordinho!!! Essa foto tem um mês, ele estava com três meses de idade. O macacão do Vitória fui eu quem deu, mas espero que ele evolua e migre para outra nação rubro-negra.
É impressionante como cada tempo deles é uma conquista. Acho que nenhuma experiência, como a de ter um bebê, nos dá mais dimensão de como viver é uma luta. Os três primeiros meses de gravidez são a faixa de risco de aborto. Depois você fica ansioso para a barriga chegar aos seis meses, quando o bebê já tem condições de sobreviver fora da barriga da mãe. Quando nasce você respira aliviado. Mas daí vem o primeiro trimestre no qual cada choro e barulho do bebê é uma ameaça - será que ele está passando bem?
O primeiro trimestre de Felipe não só confirmou que ele veio para ficar, mas também fez cair por terra a minha esperança de ganhar um parente sério, respeitável. Vejam a expressão (de malandro) do mini cidadão. É fato: nasce uma fraude! Mais uma para a minha vastíssima coleção. Enfim, vou me divertir muito às custas dessa figura nos próximos anos. hehe...
Agora, pais e tios, me digam uma coisa: depois de um bebê saudável, tem coisa melhor que um bebê risonho? É massa demais!
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Intimidade é uma merda
Se tem uma coisa que detesto na vida social é saber demais sobre as pessoas. A frase pode soar prepotente, mas todo mundo passa por isso com quem tem mais intimidade (isto é, há de se ter uma dose de bom senso, que opinião todo mundo tem, mas algumas pessoas simplesmente não conseguem fazer uma boa ponderação). E quando você sabe muito sobre os potenciais e limitações de alguém e isso te põe em saias justas!? O ideal é ocultar as más impressões, mas às vezes isso pode causar um prejuízo. E daí, como fazer? Como sair da situação sem magoar alguém? Se você tenta ser legal, vai passar raiva se aquilo que você espera acontecer. Se corta o mal pela raiz, sente-se culpado por não ter sido legal. De fato, intimidade é uma merda!
segunda-feira, 30 de abril de 2012
O bom versus o correto
Pense nas escolhas da sua vida. Em muitas delas houve tensão entre o que é "bom" para você e o que é "correto" fazer, duas qualidades que quase nunca andam juntas em se tratando de situações da vida. Escolher entre o bom e o correto é desgastante porque sempre vamos deixar algo que é fundamental para trás (sim, é aquela história do urgente sempre passando por cima do importante). Durante muito tempo, dei prioridade ao correto em detrimento do bom. Mas estou começando a fazer o movimento inverso. Sabe como é: estou envelhecendo, e começo a apreciar as coisas que me vêm facilmente, sem cansar essa carcaça que começar a ficar cansada pelo tempo de uso.
No fundo, a opção pelo correto vem da falta de fé, basicamente. Não acreditamos que ficaremos bem se não seguirmos as regras ou que as pessoas supostamente atingidas pela falta de correção não sobreviverão a isso. Mas veja bem, fazer o correto é mesmo uma boa saída, desde que haja algum "bom" nela. Se nada de bom houver, é furada. E daquelas.
Como água para chocolate - Quando não há nenhum bom na alternativa e a gente, às vezes por preguiça e covardia, opta pelo correto, aos poucos, vamos contaminando a escolha feita e, inconscientemente, começamos a colaborar para tornar o correto incorreto e sermos forçados e buscar de novo o bom. É como aquele filme "Como água para chocolate". A protagonista fez o que era correto, e não se casou com o seu amor, mas passou a vida transformando o correto - ato de cozinhar e servir a família - em incorreto - a tristeza que passava através dos alimentos por não ter feito o que era bom para ela.
Sei lá, quando a gente é mais novo, com tempo para gastar, se submete a essas coisas achando que a recompensa vai vir. Na minha idade, sei que ela pode não vir e ainda me causar perda de tempo, frustração. Melhor garantir a satisfação no presente mesmo, que não há tempo a perder fazendo sacrifícios ao nada.
(Paz aos que vêm de longe!)
No fundo, a opção pelo correto vem da falta de fé, basicamente. Não acreditamos que ficaremos bem se não seguirmos as regras ou que as pessoas supostamente atingidas pela falta de correção não sobreviverão a isso. Mas veja bem, fazer o correto é mesmo uma boa saída, desde que haja algum "bom" nela. Se nada de bom houver, é furada. E daquelas.
Como água para chocolate - Quando não há nenhum bom na alternativa e a gente, às vezes por preguiça e covardia, opta pelo correto, aos poucos, vamos contaminando a escolha feita e, inconscientemente, começamos a colaborar para tornar o correto incorreto e sermos forçados e buscar de novo o bom. É como aquele filme "Como água para chocolate". A protagonista fez o que era correto, e não se casou com o seu amor, mas passou a vida transformando o correto - ato de cozinhar e servir a família - em incorreto - a tristeza que passava através dos alimentos por não ter feito o que era bom para ela.
Sei lá, quando a gente é mais novo, com tempo para gastar, se submete a essas coisas achando que a recompensa vai vir. Na minha idade, sei que ela pode não vir e ainda me causar perda de tempo, frustração. Melhor garantir a satisfação no presente mesmo, que não há tempo a perder fazendo sacrifícios ao nada.
(Paz aos que vêm de longe!)
sábado, 21 de abril de 2012
Eu comi Ricky!
Não costumo falar de minhas experiências pessoais neste blog, mas hoje vou começar com uma confissão: eu comi Ricky sábado passado. E devo dizer que foi ótimo, uma delícia mesmo, mais do que esperava, babies!
Bem, achei que só a Ana Carolina poderia ficar chateada comigo por isso, já que há um bom tempo anda espalhando que comeu a Madonna. Mas contei o ocorrido a Ô Ingrid, e ela pareceu não ter gostado nadinha do meu relato:
- É, na minha vez ele não veio tão avantajado assim. - comparou a santa, com ar de desdém.
Amizade abalada? Tomara que não, pois tô pensando em dar umas mordidas em Ricky em breve.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Data de validade
Há uns oito anos atrás, quando me formei, tive a estúpida ideia de participar do trainee da Votorantim. Penúltima etapa, a primeira presencial, hora de ficar de frente com Gabi, ou seja, com a head hunter do grupo. Nunca esqueci dela: toda de preto, roupa sem corte, sem expressão e altamente objetiva. Um homem sem pinto ou mulher-tanque, como eu chamo - típico da geração dela.
Fiz alguns contatos com os candidatos que conheci lá e mantivemos alguma conversação enquanto durou o Orkut. Mas o que ficou de lembrança desse evento, além da inveja da pele perfeita de Fernanda Palhares, sem um poro sequer (risos), foi a pergunta da head hunter da Votorantim: qual o seu prazo de validade? A gurizada de vinte e pouquíssimos anos não soube responder a pergunta, e eu tampouco lembro o que disse a ela, mas deve ter sido algo inexpressivo, assim como foi a minha participação naquele dia. A galera entendeu que a validade era profissional, mas a mulher nos perguntava o que nos motivava. Qual o seu prazo de validade? O que é tão vital pra você que, na falta, te tornaria um produto vencido? Hoje eu responderia: aprendizado. Sem aprender, eu perco a minha validade, minha razão de ser, sou um ser impróprio para o consumo social, laboral, da vida.
Pois é, reflita e pergunte-se: qual é o seu prazo de validade?
domingo, 15 de abril de 2012
Dia do Jornalista
O Dia do Jornalista foi comemorado em 7 de abril e com atraso - involuntário, preciso dizer - deixo aqui os parabéns para todos os amigos que fazem parte da profissão. Sim, a classe merece os parabéns MESMO. Poucos trabalham tanto, ganhando tão pouco e com tanta boa vontade como os jornalistas.
Dúvidas e conflitos pessoais à parte, a profissão me deu experiências muito bacanas, que contribuíram para o meu aprimoramento como pessoa, inclusive.
Uma das mais intensas foi a de um acidente, no Dia das Crianças do ano passado, na Ilha de Itaparica. Até hoje não se sabe direito o que aconteceu para que o caminhão invadisse a festa que um lojista promovia para a criançada. Mas ver as crianças sendo transportadas de helicóptero, outras chorando a morte de alguns coleguinhas, e principalmente o monte de sandalhinhas das vítimas no chão, amontoadas, varridas como se nada tivesse acontecido, foi uma experiência e tanto que sei que vou lembrar por muito tempo.
Também tive boas experiências jornalísticas no plantão noturno, que me deram "a real", como dizem, sobre a fragilidade da vida. Veio a chuva, e alguém teve a casa desmoronada e ficou soterrado. Isso acontece direto quando chove, cheguei a cobrir uns quatro casos desse em um mês. Sorte minha que ninguém morreu nas coberturas que fiz.
Local também foi uma lente e tanto. Adorei fazer matérias sobre questões femininas, religiosas e raciais. Ajudou-me a pensar sobre muita coisa e me levou a eventos que eu nunca escolheria ir, espontaneamente, mas que adorei ter vivenciado. A greve da PM da Bahia, apesar da canseira, foi uma experiência interessante, também.
Pois é, isso é o mais bacana da profissão: ir a lugares nunca cogitados e aprender mais sobre o ser humano. São dois motivos fortes para seguir essa profissão, não é mesmo?
Fotos: Fernando Vivas
segunda-feira, 9 de abril de 2012
LOCAL...
Local é como é conhecida a editoria de cidade, no jornal A TARDE. É um nome perfeito, de certo modo, porque a editoria em questão é um local mesmo de gente boa, que eu tive o prazer de conhecer nessa temporada 2011-2012 na redação. Galerinha muito especial!
Não liguem para as expressões, que isso foi no amigo secreto de Natal, já de madrugada, e estávamos todos cansados e bêbados. hehehe... Eu não apareço porque sou a autora da foto. :)
Não liguem para as expressões, que isso foi no amigo secreto de Natal, já de madrugada, e estávamos todos cansados e bêbados. hehehe... Eu não apareço porque sou a autora da foto. :)
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Sobre o amor
"Às vezes eu sinto tanto amor dentro de mim que até machuca, uma vontade de abraçar o mundo, não sei se você me entende. Daí passo um dia na faculdade e me lembro exatamente os motivos que me fizeram entender que quase ninguém nesta vida merece seu melhor lado. E retomo meu hábito de desprezar as pessoas em vez de amá-las."
Um amigo meu escreveu isso no Facebook. Sempre senti assim, igualzinho, sem tirar nem pôr nada na fala dele. Reconheço essa catraca interna em mim, da qual nunca soube a senha, o que teria sido útil em alguns momentos de emergência.
É que as coisas para mim vão evoluindo aos poucos; a cautela está no meu DNA. Como os cachorros, eu cheiro e farejo antes de lamber. Conto nos dedos as vezes em que tive um sentimento forte por um conhecido - e eu só consigo agir, de fato, se estiver motivada emocionalmente. A pessoa só começa a existir pra mim com a intimidade, a proximidade, e vice-versa (por isso que o povo diz que eu sou blasé, fechada e que nunca sabe o que estou pensando). É como se a cada "quilômetro" de convivência fosse liberada uma chave. O caso é que não nasci para superficialidades; tenho necessidade de elaborar.
A situação é clássica: você engata a marcha da afeição e passa dias e anos construindo uma relação, um afeto, aos poucos vai conseguindo afrouxar as defesas e vai se mostrando, fazendo o melhor que pode para alguém que você quer bem, e aquela pessoa na qual você investiu (quase sempre) te faz cair do cavalo de um modo lamentável, que é mostrando pobreza de espírito.
Há muita gente assim no mundo, tanto que dá preguiça de se relacionar. Uma sensação de desperdício danada bate no coração. Isso me lembra uma frase que ouvi de alguém do candomblé, quando comentei que os búzios reveleram que Oxóssi é meu orixá de cabeça: "O caçador é aquele que alimenta muita gente, mas passa quase todo o tempo só, na mata". Já fiquei triste por causa disso, mas passei a viver bem melhor quando resolvi me esforçar para canalizar para mim mesma toda essa afeição.
Talvez seja isso: talvez estejamos fadados a sermos o grande amor da nossa vida, a amarmos alguém que não pode, exatamente, nos amar de volta (nesse caso, a vida é que passa a nos retribuir). E então espero que no dia em que eu conseguir construir todo esse afeto gigante por mim mesma, possa amar todo mundo, mesmo não precisando do amor de ninguém. Porque eu acho que no fundo é isso: a gente se nega a amar com medo de o outro não merecer porque somos mendigos desse outro, que queremos amar para, na verdade, suprir nossas carências, nossas necessidades de reconhecimento. É por isso que amar é tão difícil, penso eu, porque nunca é uma coisa tão pura quanto deveria ser, já chega com metas e demandas, não nasce livre, pelo contrário, é um escravo de sentimentos não ou mal resolvidos dentro da gente.
Um amigo meu escreveu isso no Facebook. Sempre senti assim, igualzinho, sem tirar nem pôr nada na fala dele. Reconheço essa catraca interna em mim, da qual nunca soube a senha, o que teria sido útil em alguns momentos de emergência.
É que as coisas para mim vão evoluindo aos poucos; a cautela está no meu DNA. Como os cachorros, eu cheiro e farejo antes de lamber. Conto nos dedos as vezes em que tive um sentimento forte por um conhecido - e eu só consigo agir, de fato, se estiver motivada emocionalmente. A pessoa só começa a existir pra mim com a intimidade, a proximidade, e vice-versa (por isso que o povo diz que eu sou blasé, fechada e que nunca sabe o que estou pensando). É como se a cada "quilômetro" de convivência fosse liberada uma chave. O caso é que não nasci para superficialidades; tenho necessidade de elaborar.
A situação é clássica: você engata a marcha da afeição e passa dias e anos construindo uma relação, um afeto, aos poucos vai conseguindo afrouxar as defesas e vai se mostrando, fazendo o melhor que pode para alguém que você quer bem, e aquela pessoa na qual você investiu (quase sempre) te faz cair do cavalo de um modo lamentável, que é mostrando pobreza de espírito.
Há muita gente assim no mundo, tanto que dá preguiça de se relacionar. Uma sensação de desperdício danada bate no coração. Isso me lembra uma frase que ouvi de alguém do candomblé, quando comentei que os búzios reveleram que Oxóssi é meu orixá de cabeça: "O caçador é aquele que alimenta muita gente, mas passa quase todo o tempo só, na mata". Já fiquei triste por causa disso, mas passei a viver bem melhor quando resolvi me esforçar para canalizar para mim mesma toda essa afeição.
Talvez seja isso: talvez estejamos fadados a sermos o grande amor da nossa vida, a amarmos alguém que não pode, exatamente, nos amar de volta (nesse caso, a vida é que passa a nos retribuir). E então espero que no dia em que eu conseguir construir todo esse afeto gigante por mim mesma, possa amar todo mundo, mesmo não precisando do amor de ninguém. Porque eu acho que no fundo é isso: a gente se nega a amar com medo de o outro não merecer porque somos mendigos desse outro, que queremos amar para, na verdade, suprir nossas carências, nossas necessidades de reconhecimento. É por isso que amar é tão difícil, penso eu, porque nunca é uma coisa tão pura quanto deveria ser, já chega com metas e demandas, não nasce livre, pelo contrário, é um escravo de sentimentos não ou mal resolvidos dentro da gente.
É como Deus quer
Recentemente, publiquei uma matéria sobre aborto. Percebi que o tema mexe com muita gente e produz opiniões muito radiciais a respeito (não me refiro só aos religiosos, como pode parecer, mas também às feministas). Eu tenho a minha própria opinião formada sobre isso, na minha visão a mais conciliatória entre os dois extremos que esse tema pode comportar. Me assusta, embora eu compreenda, quando o povo se apega a Deus para defender seu ponto de vista. Mas acho que Deus não tem ponto de vista, ou melhor, ele não quer que a gente tenha, ele quer que a gente pense, se for o caso teste e principalmente CRESÇA. Se ele quisesse certeza, não nos daria a tecnologia, a possibilidade dessas alternativas polêmicas. Enfim, penso que Deus ama o erro, do contrário não teria criado uma humanidade errante e falha.
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