Tudo é questão de objetivo - você pode ser o último dos rápidos ou o vencedor dos lentos.
Millôr Fernandes
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
terça-feira, 13 de abril de 2010
Frase Da Semana
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Justin Bieber
Das duas, uma: ou eu cresci e perdi a compreensão do que é ser uma adolescente fascinada por carinhas de boybands, ou eles realmente estão cada vez mais jovens e com cara de nada.
Pois é, blame Canada.
Pois é, blame Canada.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
S.O.S. Twitter
Socorroooooooo!...
Alguém, aí, barre as celebridades do Twitter. Tá um saco! Elas não sabem fazer outra coisa que não twittar pedidos vazios de ajuda para o Rio e retwittar mensagens do tipo.
Sinta o drama:
"Gente , vamos ser companheiros e solidarios com nosso Rio de Janeiro...Força e uniao gente!!!"
(@SabrinaSatoReal)
Não, não e não. Sabrina Sato e engajamento social são como sorvete e farinha: uma mistura indigesta.
(É nessas horas que a gente dá valor - ô!... - aos assessores de imprensa, que barram bizarrices do tipo vindas de seus assessorados!... Os assessores são a Santé intelectual dessa gente - e tenho dito!)
Alguém, aí, barre as celebridades do Twitter. Tá um saco! Elas não sabem fazer outra coisa que não twittar pedidos vazios de ajuda para o Rio e retwittar mensagens do tipo.
Sinta o drama:
"Gente , vamos ser companheiros e solidarios com nosso Rio de Janeiro...Força e uniao gente!!!"
(@SabrinaSatoReal)
Não, não e não. Sabrina Sato e engajamento social são como sorvete e farinha: uma mistura indigesta.
(É nessas horas que a gente dá valor - ô!... - aos assessores de imprensa, que barram bizarrices do tipo vindas de seus assessorados!... Os assessores são a Santé intelectual dessa gente - e tenho dito!)
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Dia do Jornalista
"O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter."
Claudio Abramo
Roda Baiana Rules!
Olha, eu adoro escutar a Metrópole. Claro que, como toda programação, há faixas mais "quentes" e outras mais "mornas". A das 12h às 15h é maaaaara!... "Roda Baiana", apresentado por Jonga Cunha, Fernando Guerreiro (aquele que defendeu Alosa de 'vocês-sabem-quem'. hahaha...) e André Simões é divertido à beça.
Outro dia, morri de rir com uma sacanagem que eles fizeram com o entrevistado do dia, ninguém menos que Jesus Sangalo. No meio da conversa, jogaram a bomba: "Jesus, e a Fera Gorda?". Saia-justíssima, que nem a cirurgia bariátrica amenizou. Que fez Jesus? Não sei se ele perdoou os apresentadores 70 x 7, mas deu seu jeito de sair pela tangente, como quem peida no elevador e olha pra cima pra ver se vai chover ou não. "Ah, foi uma experiência linda em minha vida!...". ("Aham, Cláudia, senta lá!...")
Ontem, o programa entrevistou uma diretora de arte, a Vera Hamburger. A artista falou de cinema, de televisão, e fez uma observação interessante sobre os cenários de teledramaturgia: é aquela realidade que não existe (a parede sem uma mancha, o sofá sem nenhum furinho, uma organização só), mas que tem ar de realidade para quem a vê. Só lembrei de Lídia Brondi, em "Meu bem, meu mal". Ela fazia papel de pobre nesta novela, e além de andar impecável, superfashion, sua casa era tão bacaninha que até tinha um telefone que tava na moda na época - 1990. Eu, abelhuda desde pequena, ficava reparando nos pertences da moça da novela das oito. Especulava, cá com os meus botões, que isso não podia, afinal, eu tinha até andado de avião (coisa muy chique naquela época - te mete!), e a Lídia Brondi, que fazia papel de pobre, tinha o telefone da moda e eu ainda com o meu velhão, ora, ora!...
Assistam o Roda. De segunda a sexta, das 13h às 14h, na 101.3 FM.
Setaro lança livro
Lançamento do livro de André Setaro, "Escritos sobre cinema", em 3 volumes, dia 13 de abril, às 20 horas, Cinema do Museu.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Bandeirante
Caaaaalma! A moça continua na Rede TV. E em Rondônia. O título faz alusão ao pioneirismo bandeirante, podemos dizer, de nossa amiga Elen Vila Nova (mais Vila Nova do que nunca. Ô!...), que, em nome do amor, saiu "cortando mato" de Salvador a Vilhena. E, claro, como um amor e uma cabana não rendem happy end a ninguém que se preze, a repórter aceitou o desafio Sebrae de fazer TV em "matas pouco desbravadas". O fruto dessa empreitada está logo acima, no prêmio de "personalidade em evidência" de Rondônia, que ela carrega nas mãos.
Um grande amor, a realização profissional e a pele boa. O que mais Elenita pode querer da vida?! Ai, ai...
terça-feira, 30 de março de 2010
Não Se Reprima
O sonho acabou e não foi na padaria, não, meus caros!
O armário dos enrustidos está menos apertado por esses dias: Ricky Martin (finalmente) revelou que é homossexual! (Agora só falta Gugu Liberato assumir o "pintinho amarelinho" - será que Ricky se inspirou nele para ter filhos por inseminação? Que alergia à "fruta", meu pai!)
Ô Ingrid deve estar desolada. Muchisimo, por supuesto. Ricky não é chegado em bacalhau. Um sacrilégio desses em plena Semana Santa é um tanto indigesto, vamos combinar ...Ohhhh ... Quem tivesse visto a santa devorando um temaki batizado com o nome do cantor portorriquenho, como eu vi no ano passado, entenderia a minha preocupação. Ô Ingrid... Pra comer Ricky, agora mais que nunca, só indo na temakeria do Red River. :(
Fico pensando se a confissão foi motivada por um estágio emocional mais maduro do artista ou pela decadência de sua carreira. Bem, se ele vier à Bahia fazer show, nos próximos meses, mataremos a charada.
Mulherada, cá entre nós, é um desperdício imenso um moreno desse quilate ser gay, né? Ou não. Como diz um amigo meu, há sempre alguém aproveitando. hahahaha... La vie en rose. :P
O armário dos enrustidos está menos apertado por esses dias: Ricky Martin (finalmente) revelou que é homossexual! (Agora só falta Gugu Liberato assumir o "pintinho amarelinho" - será que Ricky se inspirou nele para ter filhos por inseminação? Que alergia à "fruta", meu pai!)
Ô Ingrid deve estar desolada. Muchisimo, por supuesto. Ricky não é chegado em bacalhau. Um sacrilégio desses em plena Semana Santa é um tanto indigesto, vamos combinar ...Ohhhh ... Quem tivesse visto a santa devorando um temaki batizado com o nome do cantor portorriquenho, como eu vi no ano passado, entenderia a minha preocupação. Ô Ingrid... Pra comer Ricky, agora mais que nunca, só indo na temakeria do Red River. :(
Fico pensando se a confissão foi motivada por um estágio emocional mais maduro do artista ou pela decadência de sua carreira. Bem, se ele vier à Bahia fazer show, nos próximos meses, mataremos a charada.
Mulherada, cá entre nós, é um desperdício imenso um moreno desse quilate ser gay, né? Ou não. Como diz um amigo meu, há sempre alguém aproveitando. hahahaha... La vie en rose. :P
sábado, 20 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Amor Fati
Há uma época na vida em que queremos o mundo. Fazemos planos audaciosos, somos competitivos, tentamos a todo custo controlar os fatos, nos fiamos na razão (contraditoriamente, por vezes caímos aos pés de nossa vaidade, de nosso orgulho ferido - logo de nossas emoções mais baixas). Queremos, não raro desde cedo, é ter, ostentar, ganhar, enfim, gastamos boa parte da nossa existência correndo, sem nem saber pra quê, atrás de coisas mundanas e trabalhando pelo reconhecimento alheio. Ok, um pouco disso tudo é imprescindível, mas a proporção que isso ganha em nossas vidas é exagerada. Trata-se de uma generalização, mas o triste é ver que as pessoas preferem ter razão, "sair por cima", a serem felizes.
A vida é dividida entre a parte material e a espiritual. Dividida é apenas um modo de dizer, pois está tudo entrelaçado, na verdade.
Poucos nascem dando atenção às coisas do espírito; geralmente a espiritualidade nasce da dor, das dificuldades da vida adulta. E poucos, dentre os que exercitam esse lado, lidam bem com a fé, de fato. Muita gente, quando descobre o "outro prato da balança", volta a desequilibrá-la, o que é igualmente uma pena.
Outro dia uma amiga me disse que lhe faltava fé. Eu confessei a ela que, apesar de pensar muito em Deus, justamente por isso achava que também me faltava fé. Se realmente acreditasse, não me comunicaria tanto com Ele mentalmente - o que denuncia minha ansiedade, a falta de confiança na sabedoria da vida - e apenas deixaria as coisas acontecerem. Há até um trecho na Bíblia que fala mais ou menos sobre isso - a despeito da questão sobre a sua veracidade, eis um livro muito útil para se entender o ser humano. "Olhai os lírios do campo".
Não bastaria somente agir, estar no presente, e aceitar o resultado? Às vezes penso que essa mania de controle é mais inútil, mas muito mais mesmo, do que supõe a nossa vã filosofia. O que parece uma perda hoje pode se revelar um ganho amanhã. Quem garante que no nosso desejo está a chave para a felicidade?
"Amor Fati". "Ame o seu destino". Afinal, como me disse uma vez alguém, tudo que nos aconteceu fez de nós o que somos, e não há como se amar sem amar seu próprio destino, o que inclui também o seu fardo (eis outra tradução dessa expressão, a propósito). No final das contas, ao amar o seu destino, mesmo que não tome consciência disso, estará tornando-se automaticamente mais forte do que ele e a vida, que até então era um grande ringue de luta, começará a ganhar ares de aventura.
segunda-feira, 15 de março de 2010
O meu, o seu...o nosso
Outro dia estava passeando por um site de relacionamento quando me deparei com uma comunidade sobre um filme de que gosto muito: "As Pontes de Madison". Um dos tópicos de discussão dizia respeito, como não poderia deixar de ser, a uma das cenas-chave do filme de Clint Eastwood, quando Francesca, acompanhada de seu marido, vê, no carro à sua frente, Robert, fotógrafo forasteiro com quem teve um romance de quatro dias enquanto a família viajava. Ele faz sinal para ela, que sabe que, se não for naquela hora, nunca mais o verá. Ela faz menção de que vai abrir a porta (e o espectador torce ardorosamente por isso!), mas, em nome de outras pessoas queridas (marido e filhos), desiste e o vê partir. E o pior: Francesca ainda tem que fazer esforço para segurar o choro e, assim, não deixar o marido perceber - e estranhar - o seu sofrimento. Francesca sabia que se havia uma chance desse amor ser bonito para sempre era não vivendo-o. Não por causa de Robert nem por nada relacionado aos dois propriamente, mas porque a culpa de deixar marido bacana e filhos adolescentes para trás estragaria qualquer chance de felicidade. No fim, ela perderia ambos, Robert e a família. Preferiu dividir-se em duas: em vida para eles; na morte, com ele (Os filhos, que após a morte dela tiveram acesso a essa história através de uma carta deixada especialmente para eles, ficaram emocionados com a renúncia materna, mas levante a mão quem acredita que eles a perdoariam se ela tivesse ido com ele. E assim caminha a humanidade!...).
Lindo filme. Tenho vontade de ler o livro.
"Corta!"
Vamos deixar o drama amoroso deste casal de lado. O que me instiga nessa história é a escolha de Sofia, oops!, de Francesca. Até que ponto é legítimo brigar pela própria felicidade? Quando devemos renunciar em casos em que a felicidade de terceiros está em jogo também? Como diria o Gikovate, se você é egoísta ou generoso, não precisa pensar sobre essas questões, mas se você deseja ser justo, you´re in trouble, baby!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Faz de Conta
Não respondo teus e-mails, e quando respondo sou ríspido, distante, mantenho-me alheio: FAZ DE CONTA QUE TE ODEIO.
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.
Martha Medeiros
Te encho de palavras carinhosas, não economizo elogios, me surpreendo de tanto afeto que consigo inventar, sou uma atriz, sou do ramo: FAZ DE CONTA QUE TE AMO.
Estou sempre olhando pro relógio, sempre enaltecendo os planos que eu tinha e que os outros boicotaram, sempre reclamando que os outros fazem tudo errado: FAZ DE CONTA QUE EU DOU CONTA DO RECADO.
Debocho de festas e de roupas glamurosas, não entendo como é que alguém consegue dormir tarde todas as noites, convidados permanentes para baladas na área vip do inferno: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO QUERO.
Choro ao assistir o telejornal, lamento a dor dos outros e passo noites em claro tentando entender corrupções, descasos, tudo o que demonstra o quanto foi desperdiçado meu voto:FAZ DE CONTA QUE EU ME IMPORTO.
Digo que perdôo, ofereço cafezinho, lembro dos bons momentos, digo que os ruins ficaram no passado, que já não lembro de nada, pessoas maduras sabem que toda mágoa é peso morto: FAZ DE CONTA QUE EU NÃO SOFRO.
Cito Aristóteles e Platão, aplaudo ferros retorcidos em galerias de arte, leio poesia concreta, compro telas abstratas, fico fascinada com um arranjo techno para uma música clássica e assisto sem legenda o mais recente filme romeno: FAZ DE CONTA QUE EU ENTENDO.
Tenho todos os ingredientes para um sanduíche inesquecível, a porta da geladeira está lotada de imãs de tele-entrega, mantenho um bar razoavelmente abastecido, um pouco de sal e pimenta na despensa e o fogão tem oito anos mas parece zerinho: FAZ DE CONTA QUE EU COZINHO.
Bem-vindo à Disney, o mundo da fantasia, qual é o seu papel? Você pode ser um fantasma que atravessa paredes, ser anão ou ser gigante, um menino prodígio que decorou bem o texto, a criança ingênua que confiou na bruxa, uma sex symbol a espera do seu cowboy:FAZ DE CONTA QUE NÃO DÓI.
Martha Medeiros
quinta-feira, 11 de março de 2010
"Estátua!"
Acabamos de comemorar o famoso Dia da Mulher, na última segunda, 08 de março. Quando mais nova, talvez por implicância devido ao fato da data ofuscar um pouco o meu aniversário, dizia que só ia comemorar esse dia quando criassem também o Dia do Homem, que esse negócio de data comemorativa é uma espécie de atestado de perdedor/explorado (um amigo gaúcho tira sarro da minha cara até hoje, todo dia 08/03, por conta dessa minha máxima).
Entendo a importância dessas datas, pois se há alguma chance de fazerem alguma reflexão sobre esses temas é quando eles são comemorados (ou vai ver que não, afinal quem é dado a reflexão a faz espontaneamente e não precisa de uma ocasião imposta para isso). O que me chateia, e cada vez mais, é ter que parar tudo, interromper meu ritmo, pra entrar na onda. Soa a imposição, pois queira ou não a pessoa é atravessada pelo clima criado em torno dela. (Quem mora em Salvador pode, por exemplo, ignorar o Carnaval? Acho que não. Quer coisa mais deprimente do que estar lascado e ter que fingir alegria no feriado de final de ano? A pessoa fica duas vezes na pior: pelo motivo concreto que tem para isso e por estar no extremo oposto ao clima de suposta felicidade dessa época do ano.)
Sinto-me em meio àquela brincadeira de criança chamada "estátua", na qual os participantes em movimento são obrigados a ficar paralisados assim que é dado um comando. "Estátua! É Dia das Mães: vá comprar um presente e almoçar no domingo com a sua velha. Ah, e não esqueça de ser legal, afinal é o dia dela". Como um típico sol de casa 8, hipocrisia, superficialidade não são muito o meu forte; não tenho muita paciência para exercer tais "ofícios".
Sei que isso faz parte da vida em sociedade, mas a depender da época em que a intervenção é feita, que chateia, chateia, viu. Ou não. Seria injusta se não admitisse que, em meia dúzia de ocasiões, essas datas (digo, os feriados) que por vezes nos soam vazias de signifcado me salvaram a pele, quer do cansaço físico, quer do esgotamento emocional, ou me livrou de um prazo que não vinha muito a calhar, ou de gastar mais dinheiro, ou me ajudou a ganhar um dinheiro, ou mesmo me proporcionou um tempo de diversão que não teria tão cedo se não fosse por isso.
Cara. Coroa. Não dá pra negar que tudo tem dois lados.
Entendo a importância dessas datas, pois se há alguma chance de fazerem alguma reflexão sobre esses temas é quando eles são comemorados (ou vai ver que não, afinal quem é dado a reflexão a faz espontaneamente e não precisa de uma ocasião imposta para isso). O que me chateia, e cada vez mais, é ter que parar tudo, interromper meu ritmo, pra entrar na onda. Soa a imposição, pois queira ou não a pessoa é atravessada pelo clima criado em torno dela. (Quem mora em Salvador pode, por exemplo, ignorar o Carnaval? Acho que não. Quer coisa mais deprimente do que estar lascado e ter que fingir alegria no feriado de final de ano? A pessoa fica duas vezes na pior: pelo motivo concreto que tem para isso e por estar no extremo oposto ao clima de suposta felicidade dessa época do ano.)
Sinto-me em meio àquela brincadeira de criança chamada "estátua", na qual os participantes em movimento são obrigados a ficar paralisados assim que é dado um comando. "Estátua! É Dia das Mães: vá comprar um presente e almoçar no domingo com a sua velha. Ah, e não esqueça de ser legal, afinal é o dia dela". Como um típico sol de casa 8, hipocrisia, superficialidade não são muito o meu forte; não tenho muita paciência para exercer tais "ofícios".
Sei que isso faz parte da vida em sociedade, mas a depender da época em que a intervenção é feita, que chateia, chateia, viu. Ou não. Seria injusta se não admitisse que, em meia dúzia de ocasiões, essas datas (digo, os feriados) que por vezes nos soam vazias de signifcado me salvaram a pele, quer do cansaço físico, quer do esgotamento emocional, ou me livrou de um prazo que não vinha muito a calhar, ou de gastar mais dinheiro, ou me ajudou a ganhar um dinheiro, ou mesmo me proporcionou um tempo de diversão que não teria tão cedo se não fosse por isso.
Cara. Coroa. Não dá pra negar que tudo tem dois lados.
Manual de Telejornalismo
Gente, esculhambaram com os jornalistas de TV! Vejam esse link do Youtube "ensinando" a qualquer pessoa como fazer uma matéria de telejornalismo. Podre! (risos) O que nossa ex-teacher, Leila, diria disso? hehehe...
Post em homenagem a Elen Vila Nova, a outra aniversariante da semana.
Post em homenagem a Elen Vila Nova, a outra aniversariante da semana.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Me virando nos 30!!!
Pois é, na última segunda-feira, "trintei", como diz Mirandinha - outra que daqui a alguns dias vai entrar para o clube das balzaquias; ela que me aguarde! hahaha... 30 anos, vida tão estruturada quanto uma pintura cubista, fazendo aniversário em plena segundona. Confesso que pensei que a "hora da virada" seria meio kruguiana, que surtaria e sairia correndo até o Alabama, como Forrest Gump. Não foi assim - pelo contrário. De mim, definitivamente, espero qualquer coisa. :P
Não sei se é porque ainda estou em meio a euforia dos tapinhas nas costas, beijinhos na bochecha e votos de um grande ano (amém, amém, amém!...), mas tô gostando dessa história. Sinto-me mais independente que aos 18, mais estreante na sociedade que aos 15 anos. Aos 30, você sabe o que fazer. E não é porque está convicta disso. Trata-se de algo palpável: o fator experiência. Em 3 décadas de vida, há um chão, uma estrada, e isso gera algum nível de segurança. Não há mais motivo para ficar dando tanta satisfação aos outros; é até meio ridículo.
***
***
Um amigo figurinha me ligou. Entre felicitações e risos, fomos "parar no divã". Confessou-me o receio de cruzar a linha dos 30. Perguntei o motivo. "Rugas não pode ser, afinal 'preto, quando pinta, 3x30', né!". Ele riu, e disse que considera os 30 anos a sua meia idade, já que, com tantas doenças e catástrofes, ninguém vai viver mais de 60. Bem, nunca pensei nisso. Sinceramente nunca. Olhe só: minha vó passou por várias catástrofes pessoais e financeiras e teve uma vida cuja única diversão foi Silvio Santos, e ainda assim viveu 84 anos. Tudo bem que minhas novelas não ficam muito na frente de Seu Sílvio, mas por que euzinha haveria de viver menos que ela?
Pelos meus cálculos, já se foi 38% de minha existência (baseado em minha avó, acho que dá pra esticar essa vida até os 80...). Poderia ficar desesperada, mas fiquei foi feliz da vida. "Amigo, a essa altura, não há mais tempo da gente dar errado nessa vida!", disse, eufórica, a ele. Talvez só eu tenha comprado essa teoria - a julgar pelo silêncio do outro lado da linha (risos) -, mas penso assim ("Sigam-me os bons!"): até os desdentados, vagabundos e loucos se casam e têm filhos, então a chance de não sobrar pra mim, pra todos nós, é irrisória, menor do que a de não pegar dengue. Enfim, formar família é como envelhecer: boa parte da turma fatalmente vai chegar lá. E todo mundo que tem filho melhora de vida, nem que seja só um pouquinho, até por uma questão de necessidade. Come on, guys! George Clooney só foi dar certo depois dos 35! Ah, tá no papo! (risos)
***
Uma amiga me disse que sente que, nesta etapa da vida, temos menos oportunidades. Sinceramente não acho. O que muda dos 20 para os 30 é que a gente aprende a separar melhor o ideal do real; se ilude menos e vive mais. O que a gente faz, aos 20 anos, é muito mais delirar do que sonhar. E é claro que sem o quilo de ilusões que carregávamos há dez anos atrás, a realidade poderá parecer menor, mais restrita. Mas não é isso, não; você é quem andou ganhando lucidez e até aprendeu a efetivamente sonhar.
***
Confesso que espero por acontecimentos. Enquanto isso, vou tentando criar a festa no meu apartamento. ;) Vou me "virando nos 30", e, com fé, tudo dará certo (nem que seja no final )- nunca pensei que uma frase do Domingão do Faustão fosse descrever um momento tão especial da minha vida! hahaha
domingo, 7 de março de 2010
Sisters
Sempre que chega o Dia Internacional da Mulher, procuro fugir do discurso de vitimização que a data invoca. Não que estejamos com a vida ganha, mas creio que as mulheres já mostraram a que vieram e as dificuldades pelas quais passamos não são privilégio nosso: injustiça e violência são para todos. Temos, ainda, o grande desafio de conciliar as atividades domésticas com a realização profissional, e precisamos, naturalmente, da parceria do Estado e da parceria dos parceiros: ser feliz é um trabalho de equipe. Mas não vou utilizar o 8 de Março para colocar mais água no chororô habitual. Prefiro aproveitar a data, esse ano, para fazer um brinde à nossa importância não para a sociedade e nem para a família, mas umas para as outras.
Assistindo em DVD ao delicado filme Caramelo, produção franco-libanesa do ano passado, tive a sensação boa de confirmar que o tempo passa, os filhos crescem, os corações se partem, mas as amigas ficam. Como todos os filmes que abordam a amizade e a solidão intrínseca de toda mulher, Caramelo nos consola valorizando o que temos de melhor: a nossa paixão, a nossa bravura (“sou mais macho que muito homem”) e o bom humor permanente, mesmo diante de tristezas profundas.
No filme, elas são cinco: a amante de um homem casado, a que tem pavor de envelhecer e por conta disso se submete a situações humilhantes, a garota muçulmana com casamento marcado que precisa esconder do noivo que não é mais virgem, a enrustida que se sente atraída por outras mulheres e a senhora que desistiu de investir no amor para cuidar da irmã mais velha, que é mentalmente perturbada. Todas diferentes entre si e todas iguais a nós: mulheres conflituadas, mas que podem contar umas com as outras em qualquer circunstância.
Recentemente recebi por e-mail um texto anônimo, em inglês, que falava justamente sobre isso: precisamos de mulheres a nossa volta. Amigas, filhas, avós, netas, irmãs, cunhadas, tias, primas. Somos mais chatas do que os homens, porém, entre uma chatice e outra, somos extremamente solidárias e companheiras de farras e roubadas. Esquecemos com facilidade as alfinetadas da vida e temos sempre uma boa dica para passar adiante, seja a de um filme imperdível, de uma loja barateira ou de uma receita para esquecer da dieta. Competitivas? Talvez, mas isso não corrompe em nada a nossa predisposição para o afeto, a nossa compreensão dos medos que são comuns a todas, a longevidade dos nossos pactos, o nosso abraço na hora da dor, a nossa delicadeza em momentos difíceis, a nossa humildade para reconhecer quando erramos e a nossa natureza de leoas, capazes de defender não só nossos filhotes, mas os filhotes de todo o bando.
Aprendemos a compartilhar nossas virtudes e pecados e temos uma capacidade infinita para o perdão. Somos meigas e enérgicas ao mesmo tempo, o que perturba e fascina os que nos rodeiam. Brigamos muito, é verdade: temos unhas compridas não por acaso. Em compensação, nascemos com o dom de detectar o sagrado das pequenas coisas, e é por isso que uma amizade iniciada na escola pode completar bodas de ouro e uma empatia inesperada pode estimular confidências nunca feitas. Amamos os homens, mas casadas, mesmo, somos umas com as outras.
(Martha Medeiros, Jornal de Sta Catarina - 7/03/2010)
(Martha Medeiros, Jornal de Sta Catarina - 7/03/2010)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
"Alô, Santa Catarina!..."
Em frente a figueira centenária de Florianópolis. Dizem que se deve dar a volta em torno dela. Como típicas turistas, fizemos isso, mas não nos pergunte o que acontece de bom (ou não!) quando alguém dá a volta na tal árvore! risos

Ponte do centro de Floripa. Pense num povo que andou até não agüentar mais... fomos nós neste dia! E ainda tivemos fôlego para cometer a "tabarelice" de meter as mãos nesse canhão sujo. Tsc, tsc, tsc...
Acima, Santo Antônio de Lisbôa. Lugar um tantinho afastado do centro, mas com uma bela vista e bons restaurantes especializados em marisco (que é a estrela gastronômica, digamos, do estado). O Carnaval daí é meio famoso na cidade (mas, pessoalmente, acho imbatível o do centro de Floripa, em especial o bloco do Marisco que, inclusive, me deixou aliviada num aspecto: descobri que existe, também, muita gente sem noção no sul do Brasil!hahaha).
Na foto mais abaixo, imagem da Praia da Lagoa (fica perto da famosíssima Joaquina). A água é fria como a do Rio, e as montanhas também lembram um pouco a paisagem carioca, mas, como bem definiu Luize, sem tanto glamour (aliás, quer "glamour artificial"? dê um rolê em Jurerê! nunca vi tanto luxo num lugar só!!!). Tá vendo esse céu nublado? Balela! O sol estava era queimando tudo! Voltei negona de SC; peguei em cinco dias o bronze que nunca adquiri durante um ano inteiro de praia em Salvador...Voltando à vaca fria, esse lugar da foto é supertranqüilo, relax, apesar de ser composto, em quase sua totalidade, de banhistas argentinos (risos). Uma coisa me impressionou: até as pessoas gordas que circulavam por lá eram duras, de pele firme (em Jurerê Internacional - não me agüento com o nome dessa praia! -, até o rapaz com síndrome de down tinha barriga tanquinho. unbelievable!...). Fiquei melancólica ao compará-las com os banhistas do Porto da Barra, onde todas as bundas - mesmo as dos mauri e das patis - são moles. Será culpa do dendê? Humm... Mistério!...

Em frente ao castelo do Beto Carreiro World, em Balneário da Penha. O parque é bacana, mas, pelos poderes de Greyskull, esse look psicodélico é de lascar, digno, inclusive, da parada gay! hahaha... Quero fazer uma denúncia aqui: Beto Carreiro mentiu pra gente! No site diz que o parque fecha às 21h, mas, na prática, fecha as portas duas horas antes.
Pense numa idéia (refrescante) de jerico! Permanecemos mais de uma hora na fila pra ficar rodando, nesse treco, dentro da água. Dããã!...


Na escadaria da Catedral Metropolitana de Floripa. Nessa hora, estávamos filando as explicações do guia de um grupo de argentinos. Um deles, muito tempo depois que já estávamos na cola do grupo, percebeu e perguntou se conhecíamos o guia. hehe... Igreja bonita, com ar-condicionado e bancos acolchoados. Muy chic! :P
Ponte do centro de Floripa. Pense num povo que andou até não agüentar mais... fomos nós neste dia! E ainda tivemos fôlego para cometer a "tabarelice" de meter as mãos nesse canhão sujo. Tsc, tsc, tsc...
Acima, Santo Antônio de Lisbôa. Lugar um tantinho afastado do centro, mas com uma bela vista e bons restaurantes especializados em marisco (que é a estrela gastronômica, digamos, do estado). O Carnaval daí é meio famoso na cidade (mas, pessoalmente, acho imbatível o do centro de Floripa, em especial o bloco do Marisco que, inclusive, me deixou aliviada num aspecto: descobri que existe, também, muita gente sem noção no sul do Brasil!hahaha).
Na foto mais abaixo, imagem da Praia da Lagoa (fica perto da famosíssima Joaquina). A água é fria como a do Rio, e as montanhas também lembram um pouco a paisagem carioca, mas, como bem definiu Luize, sem tanto glamour (aliás, quer "glamour artificial"? dê um rolê em Jurerê! nunca vi tanto luxo num lugar só!!!). Tá vendo esse céu nublado? Balela! O sol estava era queimando tudo! Voltei negona de SC; peguei em cinco dias o bronze que nunca adquiri durante um ano inteiro de praia em Salvador...Voltando à vaca fria, esse lugar da foto é supertranqüilo, relax, apesar de ser composto, em quase sua totalidade, de banhistas argentinos (risos). Uma coisa me impressionou: até as pessoas gordas que circulavam por lá eram duras, de pele firme (em Jurerê Internacional - não me agüento com o nome dessa praia! -, até o rapaz com síndrome de down tinha barriga tanquinho. unbelievable!...). Fiquei melancólica ao compará-las com os banhistas do Porto da Barra, onde todas as bundas - mesmo as dos mauri e das patis - são moles. Será culpa do dendê? Humm... Mistério!...
"Eu bebo, sim, e estou vivendo. Tem gente que não bebe e está morrendo... Eu bebo, sim!". E nem bebooo - essa é a parte mais ridícula da coisa. Um drink e já fico pra lá de Marrakesh, ou, neste caso, de Tijuana. Barzinho mexicano muito legal de Floripa! Terminamos a noite em outro lugar, o Floripa Bar, ao som de samba-rock, ritmo que parece ser bem apreciado pela turma "barriga-verde". Esses bares ficam, a propósito, num lugar bacanérrimo da capital catarinense, que agrega vários barzinhos, restaurantes e lojas da moda, chamado Lagoa da Conceição. Se for a Floripa, não deixe de visitá-lo (até porque, ao contrário do que acontece em Salvador, voltar é muito tranqüilo, pois durante toda a madrugada, de hora em hora, circula o "pernoitão")!
Em frente ao castelo do Beto Carreiro World, em Balneário da Penha. O parque é bacana, mas, pelos poderes de Greyskull, esse look psicodélico é de lascar, digno, inclusive, da parada gay! hahaha... Quero fazer uma denúncia aqui: Beto Carreiro mentiu pra gente! No site diz que o parque fecha às 21h, mas, na prática, fecha as portas duas horas antes.
Pense numa idéia (refrescante) de jerico! Permanecemos mais de uma hora na fila pra ficar rodando, nesse treco, dentro da água. Dããã!...
Se quiser sair bem na foto do parque, sugiro não gritar "uhuuu" quando estiver no brinquedo! hehe... Pelo menos dessa vez Ingrid teve um bom motivo para estar de olhos fechados, né?... Na frente, a prima catarinense, senhorita Rubia, nossa ilustre guia dentro do parque! Aliás, a sucursal joinvillense da família Campos foi muito, muito bacana com a gente durante esses 7 dias em que andamos por SC. Saudade danada, em especial, de Oliver!... (espero que o escroto do petshop esteja pegando mais leve com o hairstyle dele!) ;)
Guerra & Paz - e eu mediando isso tudo (risos). Dizem que uma viagem fortifica a relação de amizade. Se suas amigas ainda te fazem passar vergonha, então, nada mais é capaz de abalar! hahaha...
Vista aérea de Balneário Camburiú (abaixo, o mar de Laranjeiras. Saudadona de comer churros na praia!... :( ).
Após um passeio de teleférico, tcharam!, fomos parar no Parque Unipraias. Esta foto foi tirada no mirante, ponto alto pra caramba do parque, de onde dá pra ver até a torre de BCW (pra quem tem fobia de altura, ninguém pode dizer que não fui corajosa durante a viagem!). Mais uma vez, filamos as informações dadas pelo guia de algum grupo de turistas! (risos)... Se for até lá, não deixe de andar no Youhooo! e de ir no Parque de Aventuras (uma hora dessas, tomo coragem e completo o circuito inteiro de arvorismo só pra passear de tiroleza no final! hehehe).
Pra quem gosta de tranqüilidade, esporte e natureza (e churros!), Santa Catarina é o lugar!
(dizem, inclusive, as más línguas do New York Times que o verão de Floripa está mais up que o de Ibiza e de Punta del Leste; estava bombando tudo e nem sabia! - cof, cof, cof!... Vai ver "coisas esotéricas" me levaram até lá. :P)
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A lealdade das mulheres
CONTARDO CALLIGARIS
NA TARDE de quinta-feira passada, estive no Presídio Feminino do Butantã, situado na rodovia Raposo Tavares, longe do bairro paulistano do Butantã.
Aconteceu assim: antes do fim de ano, Wagner Paulo da Silva, que eu não conhecia, me escreveu explicando que ele organizava um grupo de leitura regular para detentas desse presídio. O grupo (mais ou menos 25 mulheres) tinha discutido uma de minhas colunas; quem sabe eu me dispusesse a proporcionar um "encontro com o autor"?
Soube depois que Wagner da Silva e Durvalino Peco animam há anos esse grupo de leitura para detentas do presídio do Butantã e, agora, com o apoio do Estado de São Paulo, estendem o programa a 26 penitenciárias da região metropolitana (para isso, eles promovem, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, um curso gratuito de formação de mediadores -as inscrições já estão encerradas, mas vale a pena conferir: www.fespsp. org.br/leiturativa/).
Enfim, voltando das férias, liberei uma tarde para aceitar o convite e encontrar minhas leitoras. Ficamos conversando mais ou menos duas horas, e saí de lá com algumas reflexões. Eis uma delas.
A prisão, para as mulheres, é uma punição mais severa do que para os homens, e a causa dessa diferença é um atributo feminino.
Claro, há homens leais e mulheres desleais, mas, em regra, a lealdade é uma qualidade mais feminina do que masculina. Não estou pensando na fidelidade amorosa e sexual -nesse campo, homens e mulheres são capazes das mesmas "traições". Penso numa lealdade mais fundamental, que uma comparação vai explicar facilmente.
Em dia de visita numa penitenciária masculina, a fila de mulheres (esposas, mães, filhas, irmãs) é longa: facilmente, é mais de uma visita feminina por cada preso.
Em dia de visita numa penitenciária feminina, a fila é curta e, em sua grande maioria, composta pelas mães das detentas; os homens aparecem num número irrisório. Sei lá, por 700 mulheres no presídio, uma dúzia de gatos pingados visitando. Os homens se esquecem de suas companheiras assim que as portas do presídio se fecham sobre elas. Abandonada pelo companheiro ou marido, a mulher (outra prova de lealdade) prefere duvidar de si: será que o marido nunca comparece porque ela não é, nunca foi, a mulher que ele queria?
A deslealdade masculina aparece também quando os homens são presos; eles são bem felizes de receber a visita das mulheres que voltam a cada semana, lealmente, anos a fio, mas, com frequência, se esquecem dos filhos que deixaram fora do presídio.
As mulheres presas, ao contrário, só pensam nas crianças que estão lá fora (em geral, com a avó; quase nunca com o pai). E, de novo, a lealdade com as crianças as leva a duvidarem de si mesmas: no dia em que sairão do presídio, os filhos não as reconhecerão, ou então, de qualquer forma, eles já gostam de avós, vizinhas, tutores e tutoras mais do que delas -e por aí vai.
Facilmente, as mães detentas vivem o afastamento das crianças não como consequência da punição pelos crimes que elas cometeram, mas, bem mais sofrido, como punição por elas não "merecerem" ser mães -como se os filhos estivessem longe porque elas não souberam e não saberiam ser mães.
As mulheres, qualquer criminologista sabe, agem criminosamente por razões diversas das dos homens. Em regra, matam por paixão amorosa; quando traficam ou assaltam é, frequentemente, para acompanhar o parceiro. Com isso, a prisão feminina é uma espécie de pena do talião: crimes cometidos por amor são punidos pelo sumiço dos homens amados e pelo medo da perda do amor das crianças.
Na época em que trabalhei em instituições psiquiátricas fechadas, quando o expediente terminava e estava na hora de ir embora, no fim do dia, eu era acometido por uma tristeza profunda. Acabava de compartilhar um bom tempo com os que estavam lá internados, e eis que, agora, eu ia embora, para uma casa, uma companhia, o convívio dos amigos. E eles, não; eles ficavam. A tristeza era uma espécie de culpa por abandoná-los no que era, de fato, uma desolação. Pois bem, ao sair da penitenciária do Butantã, não senti nada disso, pois não havia desolação. Não teria como fazer elogio maior à direção do presídio, à equipe que lá trabalha e às detentas que encontrei, pela resiliência de sua vontade de viver.
ccalligari@uol.com.br
FSP - 18.02.2010
Basta olhar as filas das visitas nos presídios para saber que lealdade não é qualidade masculina |
NA TARDE de quinta-feira passada, estive no Presídio Feminino do Butantã, situado na rodovia Raposo Tavares, longe do bairro paulistano do Butantã.
Aconteceu assim: antes do fim de ano, Wagner Paulo da Silva, que eu não conhecia, me escreveu explicando que ele organizava um grupo de leitura regular para detentas desse presídio. O grupo (mais ou menos 25 mulheres) tinha discutido uma de minhas colunas; quem sabe eu me dispusesse a proporcionar um "encontro com o autor"?
Soube depois que Wagner da Silva e Durvalino Peco animam há anos esse grupo de leitura para detentas do presídio do Butantã e, agora, com o apoio do Estado de São Paulo, estendem o programa a 26 penitenciárias da região metropolitana (para isso, eles promovem, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, um curso gratuito de formação de mediadores -as inscrições já estão encerradas, mas vale a pena conferir: www.fespsp. org.br/leiturativa/).
Enfim, voltando das férias, liberei uma tarde para aceitar o convite e encontrar minhas leitoras. Ficamos conversando mais ou menos duas horas, e saí de lá com algumas reflexões. Eis uma delas.
A prisão, para as mulheres, é uma punição mais severa do que para os homens, e a causa dessa diferença é um atributo feminino.
Claro, há homens leais e mulheres desleais, mas, em regra, a lealdade é uma qualidade mais feminina do que masculina. Não estou pensando na fidelidade amorosa e sexual -nesse campo, homens e mulheres são capazes das mesmas "traições". Penso numa lealdade mais fundamental, que uma comparação vai explicar facilmente.
Em dia de visita numa penitenciária masculina, a fila de mulheres (esposas, mães, filhas, irmãs) é longa: facilmente, é mais de uma visita feminina por cada preso.
Em dia de visita numa penitenciária feminina, a fila é curta e, em sua grande maioria, composta pelas mães das detentas; os homens aparecem num número irrisório. Sei lá, por 700 mulheres no presídio, uma dúzia de gatos pingados visitando. Os homens se esquecem de suas companheiras assim que as portas do presídio se fecham sobre elas. Abandonada pelo companheiro ou marido, a mulher (outra prova de lealdade) prefere duvidar de si: será que o marido nunca comparece porque ela não é, nunca foi, a mulher que ele queria?
A deslealdade masculina aparece também quando os homens são presos; eles são bem felizes de receber a visita das mulheres que voltam a cada semana, lealmente, anos a fio, mas, com frequência, se esquecem dos filhos que deixaram fora do presídio.
As mulheres presas, ao contrário, só pensam nas crianças que estão lá fora (em geral, com a avó; quase nunca com o pai). E, de novo, a lealdade com as crianças as leva a duvidarem de si mesmas: no dia em que sairão do presídio, os filhos não as reconhecerão, ou então, de qualquer forma, eles já gostam de avós, vizinhas, tutores e tutoras mais do que delas -e por aí vai.
Facilmente, as mães detentas vivem o afastamento das crianças não como consequência da punição pelos crimes que elas cometeram, mas, bem mais sofrido, como punição por elas não "merecerem" ser mães -como se os filhos estivessem longe porque elas não souberam e não saberiam ser mães.
As mulheres, qualquer criminologista sabe, agem criminosamente por razões diversas das dos homens. Em regra, matam por paixão amorosa; quando traficam ou assaltam é, frequentemente, para acompanhar o parceiro. Com isso, a prisão feminina é uma espécie de pena do talião: crimes cometidos por amor são punidos pelo sumiço dos homens amados e pelo medo da perda do amor das crianças.
Na época em que trabalhei em instituições psiquiátricas fechadas, quando o expediente terminava e estava na hora de ir embora, no fim do dia, eu era acometido por uma tristeza profunda. Acabava de compartilhar um bom tempo com os que estavam lá internados, e eis que, agora, eu ia embora, para uma casa, uma companhia, o convívio dos amigos. E eles, não; eles ficavam. A tristeza era uma espécie de culpa por abandoná-los no que era, de fato, uma desolação. Pois bem, ao sair da penitenciária do Butantã, não senti nada disso, pois não havia desolação. Não teria como fazer elogio maior à direção do presídio, à equipe que lá trabalha e às detentas que encontrei, pela resiliência de sua vontade de viver.
ccalligari@uol.com.br
FSP - 18.02.2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Prova Existencial
Final de semana desses, fui ao Festival de Verão. Fui pra ver o que tinha mudado em, no mínimo, seis anos que não compareço ao evento. Muito pouco mudou. Na noite em que estive lá, pelo menos, notei uma certa popularização do público. As pessoas também não mais se produzem para a festa, como acontecia bem no comecinho do FDV - vão ao shopping, se brincar, até mais arrumadas que para ver os shows.
De repente, no meio de uma apresentação de samba, avisto várias pessoas parando a própria dança para fazer uma pose para a câmera digital. Tal ato se repetiu diversas vezes durante a noite.
Sei que essas coisas acontecem desde a invenção da digital - vide Orkut -, mas achei "a paradinha" bizarra.
Fiquei pensando em mim mesma. Tenho poucas fotos. A grande maioria, tirada em algum evento, e eu junto a coletividade, perdida num mar de vários rostos.
Quer saber? Não me sinto prejudicada. Talvez seja justamente o contrário: sem o suporte da fotografia, me lembro mais ainda de tudo que me aconteceu. Eu não tenho foto do dia em que perdi meus quatro dentes da frente, no jardim da infância, num acidente com a gangorra. Não tenho foto da turminha da 5ª série, e no entanto, além dos rostos, lembro de nomes, sobrenomes e, se brincar, até da data de nascimento de cada um deles. Não tenho foto das Feiras das Nações. Não tenho uma foto bacana de meus amados cachorros que já morreram. Tenho, no máximo, uma dúzia de fotos da época da Facom. Não tenho registro de quase nada que vivi e mais de dois anos após quebrar a minha digital no Natal de 2007, essa continua sempre à espera de um (próximo) dinheiro extra para ir a conserto. Talvez essa falta de registro faça falta a meus filhos. Ou não. Eu, por exemplo, viajo tentando visualizar as histórias que minha mãe conta sobre a juventude dela.
Na verdade, freqüentemente quando vejo uma foto das antigas, me dá uma certa agonia. A imagem parece desbotada, o enquadramento quase nunca é bom, e, além dessas mesquinharias, às vezes tenho a impressão que uma foto pode engessar um momento que é mais bonito na memória ou mesmo na imaginação.
Não que seja contra a fotografia; trata-se de um recurso bem-vindo. Só acho muito estranho parar o momento diversas vezes para poses de glória. Dá-me a impressão - ou melhor, esse tipo de ação me dá uma espécie de confirmação de uma impressão - de que, em nosso tempo, está todo mundo mais preocupado em parecer que em ser, em viver. É como se, ao registrar e guardar, fôssemos dispensados de dar valor aos momentos e suas lembranças. Sinto cheiro de banalização no ar...
Opinião polêmica, bem sei. Pode ser que na velhice me arrependa. Mi amiguito Davi não concordaria comigo, certamente. David passa horas e dias olhando as mesmas fotos das festas as quais foi, dos lugares que visitou. De repente, afasta-se do computador e suspira: "Ah, como é bom ver isso e lembrar dos bons momentos!". É, talvez eu pense melhor em levar a minha digital ao conserto...
Opinião polêmica, bem sei. Pode ser que na velhice me arrependa. Mi amiguito Davi não concordaria comigo, certamente. David passa horas e dias olhando as mesmas fotos das festas as quais foi, dos lugares que visitou. De repente, afasta-se do computador e suspira: "Ah, como é bom ver isso e lembrar dos bons momentos!". É, talvez eu pense melhor em levar a minha digital ao conserto...
Assinar:
Postagens (Atom)





