segunda-feira, 15 de março de 2010

O meu, o seu...o nosso

Outro dia estava passeando por um site de relacionamento quando me deparei com uma comunidade sobre um filme de que gosto muito: "As Pontes de Madison". Um dos tópicos de discussão dizia respeito, como não poderia deixar de ser, a uma das cenas-chave do filme de Clint Eastwood, quando Francesca, acompanhada de seu marido, vê, no carro à sua frente, Robert, fotógrafo forasteiro com quem teve um romance de quatro dias enquanto a família viajava. Ele faz sinal para ela, que sabe que, se não for naquela hora, nunca mais o verá. Ela faz menção de que vai abrir a porta (e o espectador torce ardorosamente por isso!), mas, em nome de outras pessoas queridas (marido e filhos), desiste e o vê partir. E o pior: Francesca ainda tem que fazer esforço para segurar o choro e, assim, não deixar o marido perceber - e estranhar -  o seu sofrimento. Francesca sabia que se havia uma chance desse amor ser bonito para sempre era não vivendo-o. Não por causa de Robert nem por nada relacionado aos dois propriamente, mas porque a culpa de deixar marido bacana e filhos adolescentes para trás estragaria qualquer chance de felicidade. No fim, ela perderia ambos, Robert e a família. Preferiu dividir-se em duas: em vida para eles; na morte, com ele (Os filhos, que após a morte dela tiveram acesso a essa história através de uma carta deixada especialmente para eles, ficaram emocionados com a renúncia materna, mas levante a mão quem acredita que eles a perdoariam se ela tivesse ido com ele. E assim caminha a humanidade!...).
Lindo filme. Tenho vontade de ler o livro.
"Corta!"

Vamos deixar o drama amoroso deste casal de lado. O que me instiga nessa história é a escolha de Sofia, oops!, de Francesca. Até que ponto é legítimo brigar pela própria felicidade? Quando devemos renunciar em casos em que a felicidade de terceiros está em jogo também? Como diria o Gikovate, se você é egoísta ou generoso, não precisa pensar sobre essas questões, mas se você deseja ser justo, you´re in trouble, baby!

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