quinta-feira, 11 de março de 2010

"Estátua!"

Acabamos de comemorar o famoso Dia da Mulher, na última segunda, 08 de março. Quando mais nova, talvez por implicância devido ao fato da data ofuscar um pouco o meu aniversário, dizia que só ia comemorar esse dia quando criassem também o Dia do Homem, que esse negócio de data comemorativa é uma espécie de atestado de perdedor/explorado (um amigo gaúcho tira sarro da minha cara até hoje, todo dia 08/03, por conta dessa minha máxima).
Entendo a importância dessas datas, pois se há alguma chance de fazerem alguma reflexão sobre esses temas é quando eles são comemorados (ou vai ver que não, afinal quem é dado a reflexão a faz espontaneamente e não precisa de uma ocasião imposta para isso). O que me chateia, e cada vez mais, é ter que parar tudo, interromper meu ritmo, pra entrar na onda. Soa a imposição, pois queira ou não a pessoa é atravessada pelo clima criado em torno dela. (Quem mora em Salvador pode, por exemplo, ignorar o Carnaval? Acho que não. Quer coisa mais deprimente do que estar lascado e ter que fingir alegria no feriado de final de ano? A pessoa fica duas vezes na pior: pelo motivo concreto que tem para isso e por estar no extremo oposto ao clima de suposta felicidade dessa época do ano.)
Sinto-me em meio àquela brincadeira de criança chamada "estátua", na qual os participantes em movimento são obrigados a ficar paralisados assim que é dado um comando. "Estátua! É Dia das Mães: vá comprar um presente e almoçar no domingo com a sua velha. Ah, e não esqueça de ser legal, afinal é o dia dela". Como um típico sol de casa 8, hipocrisia, superficialidade não são muito o meu forte; não tenho muita paciência para exercer tais "ofícios".
Sei que isso faz parte da vida em sociedade, mas a depender da época em que a intervenção é feita, que chateia, chateia, viu. Ou não. Seria injusta se não admitisse que, em meia dúzia de ocasiões, essas datas (digo, os feriados) que por vezes nos soam vazias de signifcado me salvaram a pele, quer do cansaço físico, quer do esgotamento emocional, ou me livrou de um prazo que não vinha muito a calhar, ou de gastar mais dinheiro, ou me ajudou a ganhar um dinheiro, ou mesmo me proporcionou um tempo de diversão que não teria tão cedo se não fosse por isso.
Cara. Coroa. Não dá pra negar que tudo tem dois lados.

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