Pois é, na última segunda-feira, "trintei", como diz Mirandinha - outra que daqui a alguns dias vai entrar para o clube das balzaquias; ela que me aguarde! hahaha... 30 anos, vida tão estruturada quanto uma pintura cubista, fazendo aniversário em plena segundona. Confesso que pensei que a "hora da virada" seria meio kruguiana, que surtaria e sairia correndo até o Alabama, como Forrest Gump. Não foi assim - pelo contrário. De mim, definitivamente, espero qualquer coisa. :P
Não sei se é porque ainda estou em meio a euforia dos tapinhas nas costas, beijinhos na bochecha e votos de um grande ano (amém, amém, amém!...), mas tô gostando dessa história. Sinto-me mais independente que aos 18, mais estreante na sociedade que aos 15 anos. Aos 30, você sabe o que fazer. E não é porque está convicta disso. Trata-se de algo palpável: o fator experiência. Em 3 décadas de vida, há um chão, uma estrada, e isso gera algum nível de segurança. Não há mais motivo para ficar dando tanta satisfação aos outros; é até meio ridículo.
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Um amigo figurinha me ligou. Entre felicitações e risos, fomos "parar no divã". Confessou-me o receio de cruzar a linha dos 30. Perguntei o motivo. "Rugas não pode ser, afinal 'preto, quando pinta, 3x30', né!". Ele riu, e disse que considera os 30 anos a sua meia idade, já que, com tantas doenças e catástrofes, ninguém vai viver mais de 60. Bem, nunca pensei nisso. Sinceramente nunca. Olhe só: minha vó passou por várias catástrofes pessoais e financeiras e teve uma vida cuja única diversão foi Silvio Santos, e ainda assim viveu 84 anos. Tudo bem que minhas novelas não ficam muito na frente de Seu Sílvio, mas por que euzinha haveria de viver menos que ela?
Pelos meus cálculos, já se foi 38% de minha existência (baseado em minha avó, acho que dá pra esticar essa vida até os 80...). Poderia ficar desesperada, mas fiquei foi feliz da vida. "Amigo, a essa altura, não há mais tempo da gente dar errado nessa vida!", disse, eufórica, a ele. Talvez só eu tenha comprado essa teoria - a julgar pelo silêncio do outro lado da linha (risos) -, mas penso assim ("Sigam-me os bons!"): até os desdentados, vagabundos e loucos se casam e têm filhos, então a chance de não sobrar pra mim, pra todos nós, é irrisória, menor do que a de não pegar dengue. Enfim, formar família é como envelhecer: boa parte da turma fatalmente vai chegar lá. E todo mundo que tem filho melhora de vida, nem que seja só um pouquinho, até por uma questão de necessidade. Come on, guys! George Clooney só foi dar certo depois dos 35! Ah, tá no papo! (risos)
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Uma amiga me disse que sente que, nesta etapa da vida, temos menos oportunidades. Sinceramente não acho. O que muda dos 20 para os 30 é que a gente aprende a separar melhor o ideal do real; se ilude menos e vive mais. O que a gente faz, aos 20 anos, é muito mais delirar do que sonhar. E é claro que sem o quilo de ilusões que carregávamos há dez anos atrás, a realidade poderá parecer menor, mais restrita. Mas não é isso, não; você é quem andou ganhando lucidez e até aprendeu a efetivamente sonhar.
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Confesso que espero por acontecimentos. Enquanto isso, vou tentando criar a festa no meu apartamento. ;) Vou me "virando nos 30", e, com fé, tudo dará certo (nem que seja no final )- nunca pensei que uma frase do Domingão do Faustão fosse descrever um momento tão especial da minha vida! hahaha
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