terça-feira, 1 de julho de 2008

JUNO


Jason Reitman, Diablo Cody e Ellen Page fazem o filme independente do ano
21/02/2008
Érico Borgo

A história de Juno (2007) é simples: uma menina esperta acidentalmente engravida de seu melhor amigo, na única noite que passaram juntos. Ela decide entregar o bebê para adoção - e inicia uma convivência com o casal que vai adotá-lo enquanto segue com sua vida cotidiana, agora complicada pela barriga que cresce.

Diablo Cody, roteirista-sensação do momento, blogueira, ex-stripper, ex-operadora de tele-sexo, é dona de um estilo invejável. Os diálogos da menina Juno (Ellen Page) são espertíssimos, ácidos, com uma linguagem elaborada (que a legenda nacional destrói sem qualquer dó) e ao mesmo tempo inocente. Material excepcionamente bom, com um notável equilíbrio entre drama e comédia - e perfeito para o estilo do cineasta Jason Reitman, que havia mostrado as mesmas qualidades em sua estréia no cinema, no igualmente afiado Obrigado Por Fumar.

Juno é um filme de personagens. A história não tem grandes emoções ou surpresas (bom, tem uma) e nem tem a intenção de ser assim. A relação da personagem com o mundo é o que torna o filme memorável.

Obviamente, esse tipo de estrutura, que deixa a responsabilidade nos ombros dos protagonistas, exige um elenco à altura - e Reitman foi extremamente feliz na seleção do seu. Começando por Ellen Page (a Kitty Pryde de X-Men 3). A menina está simplesmente perfeita como Juno MacGuff, transformando aquelas linhas escritas por Cody em suas. E está em ótima companhia: J.K. Simmons (o J.J. Jameson de Homem-Aranha), Allison Janney (The West Wing), Michael Cera (Superbad), Jennifer Garner (Alias) e Jason Bateman (O Reino)... não há um só elo fraco na corrente e todos parecem partilhar do particular senso de humor da roteirista e do diretor. Sem falar em Olivia Thirlby, que vive a melhor amiga de Juno e dispara as melhores frases do filme.

Particularmente, acredito que o longa só erra ao fazer um juízo errado do "nerd moderno", representado ali por Mark (Bateman). Diablo Cody pode entender perfeitamente o universo feminino, mas faltou uma certa paciência com o pobre Mark - uma coisa que só entende quem, como ele, sofre com reclamações a respeito da pilha de gibis, o volume com que escuta Sonic Youth e precisa assistir ao seu "gorezinho" querido tarde da noite (sim, tomei as dores dele). Mas, novamente, é algo meramente particular, que não prejudica o todo.

Reitman acerta a mão também na trilha sonora - clássicos como Kinks e Buddy Holly dividem espaço com nomes alternativos da cena atual, como Belle & Sebastian e Cat Power, e tem até um Velvet Underground ali pro deleite dos fãs. Sinceramente, nunca imaginei que ouviria a voz de Maureen Tucker, que canta "I'm Sticking with You", na tela grande. A música, aliás, representa a direção da trilha. Tem um "quê" de canção de ninar - perfeito.

Sem exagero, Juno é o tipo de filme que eu gostaria de assistir toda semana. Sensível, honesto, inteligente e bacana como poucos. Um filme sobre comunicação, entendimento e escolhas. Uma nova pérola da cinematografia independente norte-americana, com uma pitada de esquisitice, um jovem herdeiro de Wes Anderson - e esse é o melhor elogio em que eu consigo pensar.

http://www.omelete.com.br/cine/100011029/Juno_.aspx

sábado, 28 de junho de 2008

"E ele me faz tão beeeem..."

"... que eu também quero fazer isto por ele...".


Ele me encontrou
Eu tava por aí
Num estado emocional tão ruim
Me sentindo muito mal...

Perdida, sozinha
Errando de bar em bar
Procurando não achar
Oh Yeah! Yeah!...

Ele demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem...

E Ele me faz tão bem!
E Ele me faz tão bem!
Que eu também quero
Fazer isto por ele...

Alex: o cara mais certo das minhas horas incertas. Meu amigo-irmão. AMO!!! Muito e cada vez mais!!! - se é que isso é possível. :)
O mundo precisa de mais almas assim (quem o conhece sabe o que estou querendo dizer)!!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Festa do interioooor!!!

"Fagulhas
Pontas de agulhas
Brilham estrelas
De São João..."

Tinha feito um pacto com Nandy de que, ao estilo "What happens in Vegas, stays in Vegas", não iria resenhar sobre o nosso São João em Senhor do Bonfim. Mas, pelo visto, o blog já criou vida própria; ontem mesmo me pediram para começar a rascunhar as histórias desses cinco dias de festa do interior. Sorry, Nanduca, mas não posso deixar meus leitores na mão, né? Fiz um juramento no dia da formatura, poxa! hahahaha
Como foram muitos os "eventos", quero contar as artes desse povo que bebeu água ("... que passarinho não bebe, que tubarão não naaaada"), com calma. Siiiiiiiiiiiiim! Muita calma nessa hora! Vou ficar devendo o texto inteiro, mas, por enquanto, vocês já podem ir matando a curiosidade (ou a saudade) a partir das fotos.
"Quer vir mais eu? Vamo! Quer ir mais eu? Bora!"...


Forró do Sfrega, Tropa de Elite no 1º dia de "combate": Deínha, Nandy, Amanda, eu, Elias, Iberle e Manu - as figuras made in Ibotirama mais animadas desse São João!

... horas depois, no show do Jammil: as meninas e eu ... "de tanque cheio" e já começando a esboçar (involuntariamente!) uma expressão facial de piriguete, o que inclusive se intensificaria na imagem abaixo (que decadência! risos)!

Quintino Braga, o bendito fruto entre a mulherada no Sfrega! E a gente deu pouca risada com essa pessoa?! Aliás, na família Braga só tem figura, a começar por Daiane, passando por Camila e terminando na avó, que é uma peça. Adorei!

E aí, Bragakids? O Sfrega hoje vai ser BOOOMBA ("Para dançar isso aqui - é bomba!...")? Eita, que eu fui longe, agora! hehehe

À direita, Nelsão de Abaíra, o Geninho do nosso São João (incrível como só aparecia no final "do capítulo", nas condições mais deploráveis - epa! abafa! kkk). Thanks, amigo Nelson, pelas lições impagáveis de bebedeira e de forró. "Valeu, boi!"(risos)

As vaqueiras, Nandy e Mandica (se vocês vissem como essa produção toda ficou depois da chuva que deu no 2º dia do Sfrega!...). Com o tanto de mulher que foi nesse São João, só "operando", mesmo, na base do laço. Por falar nisso... Rapaz, pense numa mulher ruim! Essa é Amanda. Que lição de vida! Olha, quando crescer, quero ser igual! (risos) Brincadeira (é sempre bom avisar, pois há quem não entenda piadas!)!

Não tem o tal papagaio de pirata?! Pois é, Nandy conseguiu foi arranjar uma lôra (?!) de pirata pra se pendurar nela nessa foto. Fazer o quê, né, Fernandinha?! Tem gente, nessa vida, que é de uma solidããão!... hahaha

"Cara safado, cara zueira, só gosta mesmo é de mulher tranqueira. Mulher direita o cara não quer. Fica com raiva e até briga com a mulher. Eu já quis me mudar pro meu amor, mas a cachaça me pegou, e a farra agora é meu lugar..."

"Simbora beber, simbora prum bar, simbora beber, vamo simbooooora...". "Meninos, eu vi!"... A vida realmente melhora muiiiiiiiiiiiito depois do terceiro copo de cerveja! kkkkk

Foto clássica da galera no apê, minutos antes de descer pra praça. À esquerda, Paulo & Paulinha, a minha dupla sertaneja favorita nesse São João! risos

O bom de ser pobre é que a gente não se aperta! Engarrafou? Bora fazer um book no acostamento! hahaha

Foram “tantas as emoçõõões”, que achei melhor separar os “causos” por categoria. Confira o resultado, logo abaixo.
“And the Oscar goes to...” (risos)


Best Quotes:


1 - “Se eu me perder, me ligue!” (Nelson, fazendo um apelo, por escrito, a quem pudesse ter consciência por ele, enquanto ele perdia a própria com a bebida)

2 - “Nem pense que você vai encontrar o seu ‘denominador-comum’ no Sfrega!” (Quintino, jogando água na fogueira dos “últimos românticos” da Praça de Senhor do Bonfim)

3 - “É por isso que gosto de ´Cavaleiros´ (do Forró): não fica falando de amor, só fala de cachaça” (Manu, em momento de dor-de-cotovelo aguda)

4 - “Me senti numa cama de massagem de tanto que ela tremia” (depoimento de Elias, sobrevivente de uma noite inteira, no mesmo colchão, com Iberle - debilitadíssima após um porre federal no último dia de Sfrega)

5 - “Guto, acabei de ver TODOS os seus amigos descendo para a praça!” (Daiane, botando pressão total pra arrastar o povo pra praça – já vazia -, no último dia de São João)


Grandes Revelações:


1 - “Mas quando o vocalista chama o nome do músico, no palco, dá uma animada. Eu mesmo ficava todo empolgado!” (Nelson, recordando os tempos em que foi o Riquelme de uma pequena banda de forró)

2 - “Eu já dei autógrafo... E não menti quando escrevi ´Obrigada pelo carinho’ para a fã!” (Mais revelações de Nelson sobre a curta carreira de saxofonista)

3 - “A paciente que já se deu melhor com Gutão foi uma menina surda” (Nelson, desta vez fazendo confidências sobre a vida alheia)

4 - “Gutão é viciado em palavra-cruzada. Fica um tempão pensando na resposta, mas no fim sempre dá uma olhada no fundo” (Nelson – O Bocão, parte II)

5 - “Olha o som do meu gueto aí!” (Paulo, emocionado ao ouvir a “pancadinha” - gênero que nasceu em Pernambués - tocando na “concentração” do último dia do Sfrega)


Estratégias Bizarras:


1 – Iberle improvisando, diante da câmera de Amanda, uma coreografia para o forró “Água que passarinho não bebe”, do "Aviões do Forró". Detalhe: pela primeira vez na história, dançou-se forró com os braços (?!).

2 – O plano infalível de Quintino para estar mais próximo ao público feminino, no último dia de Sfrega: acompanhar as amigas ao banheiro, e dançar forró com as moças que estavam na porta do WC.
"Quando morrer, me enterre num cabaré, num quarto de cachaça, rodeado de mulher".

3 – Ao ver uma briga de duas garotas na saída do Sfrega (com direito a joelhada!), Quintino Varella subiu o cartão vermelho e bateu na mesa: “Vocês estão ridículas brigando desse jeito!”. Coração puro o desse rapaz: apesar da pochete na cintura de uma delas, ele acreditou realmente que se tratava de uma desavença entre irmãs.

4 – Amigo Nelson resolveu abraçar totalmente a filosofia do “Não reclame; faça diferente”, na segunda metade do São João. Na falta de mulher interessante na praça – dizia ele -, foi “à luta” na calçada da porta de casa mesmo. Num dos dias, ao sair da praça de moto-táxi, ainda tirou onda com a cara dos rapazes que ficaram: “Vou para a Comercial Oliveira, que lá eu acho coisa melhor”.
Como canta Chico, “...falou, tá falado. Não tem discussão”.

5 – A temperatura meia-boca da cerveja, no primeiro dia do Sfrega, também fez o sangue de Manu esquentar. A moça tomou medidas extremas, a fim de conseguir cerveja gelada: “Eu vou processar vocês!”, ameaçou a bacharel em Direito.


sábado, 14 de junho de 2008

"Sex and the city" e o consumismo


Há anos ouço falar de “Sex and the city”. O hype sobre a famosa série americana começou naquelas revistas de mulherzinha, como “Claudia” e “Nova”, passando pela publicidade e pelos colegas "antenados". Pois bem, a primeira vez que consegui pôr os olhos no quarteto foi em Brasília – era transmitida pelo Canal 21. Achei o primeiro ano muito caricato; dali em diante, a qualidade cresce muito.

Particularmente, como mulher, na época, de 20 e alguns anos, fiquei especialmente curiosa em ver o que podia esperar aos 30 – muitas já me disseram que a vida melhora à beça depois que a gente entra nessa idade. Fiquei um tanto frustrada com as angústias de Carrie, Miranda, Charllote e Samantha. Mulheres muito seguras profissionalmente, mas socialmente frágeis, como se nunca tivessem saído da High School.

Eis aí o meu ponto sobre a série: ela aproxima todas as mulheres pelas situações e algumas vezes pelas emoções das personagens, mas peca pela superficialidade e o consumismo exacerbado. De certo modo, há um esvaziamento do feminismo em “Sex and the city”.

Ok, até mesmo a papa do assunto, Camille Paglia, admitiu que o movimento feminista pecou exatamente em ignorar as necessidades femininas de dedicar-se aos filhos e de ter um companheiro. E é certo também que, num mundo de uma liberdade tão sufocante, onde a construção da persona não está condicionada, a rigor, a instituições, o tema da intimidade torna-se do interesse de todos. É discutindo que as pessoas vão separando o que é aceitável ou não para elas mesmas (tenho lá minhas dúvidas sobre isso, mas como dizem os italianos da Globo, vá bene!).

As mulheres de “Sex and the city” vivem infelizes – ou menos felizes do que poderiam – porque tudo gira em torno delas mesmas. Estar envolvido com outros não é só uma questão de socialização ou caridade, mas é uma necessidade de fazer a vida ter sentido fora dela mesma, ou como dizia a vovó, de não botar todos os avos numa cesta só. Há tantas coisas interessantes que poderiam ter sido abordadas, mesmo o cenário sendo New York e a série nunca poder ser, claro, um “West Wing”. SATC vende a mulher cosmopolita e inteligente. Certo, elas são. Mas uma inteligência aplicada muito localmente. Isso não ajuda as mulheres. Pelo contrário, reforça um tipo de infantilidade consumista da qual a classe média urbana precisa se desapegar.

As personagens são ótimas, mas preferia que a série fosse “Women and the city”. E por mulheres, entenda-se as de verdade, as que não necessitam de Manolo´s, Prada e do aval da Vogue para serem reconhecidas como fabulosas!

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Os Normais retorna a Globo

Globo faz novas séries e retoma ‘Normais’

A cúpula da Globo está tentando dar uma mexida na programação da emissora, cuja audiência vem caindo. Encomendou vários novos programas a autores e diretores. Alguns deles são para a grade que colocará no ar no segundo semestre e estão sendo levados à toque de caixa e em caráter sigiloso.
Pela primeira vez nos últimos anos, a Globo mudou o processo de criação interna. Antes, a emissora promovia um encontro anual em que autores e diretores apresentavam suas criações. Agora, é a própria cúpula que faz a encomenda, de acordo com aquilo que julga melhor para cada horário.
Entre os novos projetos para o segundo semestre estão um programa estrelado por Cláudia Jimenez e outro por Letícia Spiller. Com o nome provisório de "Nada Fofa", o projeto que envolve Spiller tem a assinatura dos roteiristas Alexandre Machado e Fernanda Young, de "Os Normais". Por sua vez, o diretor de "Os Normais", José Alvarenga Jr., desenvolve em sigilo um seriado com roteiristas baseados em São Paulo: Marçal Aquino e Fernando Bonassi. Está em gestação também um seriado adolescente.
Já "Os Normais" deverá ter uma nova e última temporada no segundo semestre de 2009. A Globo encomendou a Alvarenga, que rodará em janeiro o segundo longa-metragem, que produza material extra. A idéia é exibir quatro episódios logo após o filme sair nos cinemas.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1106200804.htm

domingo, 8 de junho de 2008

You´re simply the bests!


E, assim sendo, este post dispensa legenda e comentário! :)

sábado, 7 de junho de 2008

Para o alto e avante!


Detesto futebol e, sendo assim, não torço para nenhum time.
Mas como este site gosta de apoiar quem está por baixo - nossa exceção é Alosa, always suuuuceeeesso! -, abraçamos, desde ontem, o Esporte Clube Bahia como nosso time oficial em 2008! (clap! clap! clap!)
O "Trio Maravilha" (o técnico Arturzinho, o XDM e o Superman) vai levantar essa bola até a Primeira Divisão (esperamos que, pelo menos, o time não vá cair outra vez! :( ). E tenho dito!
Algumas más línguas dirão que torço, na verdade, para um um certo torcedor muito especial, made of wood, mas é mentira, seu Ratinho! Trata-se apenas, digamos, de caridade futebolística. :)
(Ingrid, nossa amizade não é um episódio de Karatê Kid, mas chegou a hora da verdade: a família Campos vai continuar me recebendo, mesmo torcendo, agora, para o tricolor? Quero ver se você é essa cristã toda! Rai ai... risos. Licomeno, amigo, amigo!... hehe)

Hino Oficial do Clube
Arranjo: Agenor Gomes
Autor: Adroaldo Ribeiro Costa

Somos a Turma Tricolor,
Somos a voz do campeão,
Somos do povo o clamor,
Ninguém nos vence em vibração!

Vamos, avante, esquadrão!
Vamos, serás o vencedor!
Vamos, conquista mais um tento!
Bahia, Bahia, Bahia!
Ouve esta voz que é teu alento!
Bahia, Bahia, Bahia!

Mais um! Mais um, Bahia!
Mais um, mais um título de glória!
Mais um! Mais um, Bahia!
É assim que se resume a tua história!


Teoria da Conspiração

Obama, em momento "É o Tchan", com eleitores americanos: "Tá todo mundo querendo me passar a mão".

Pensando bem, Barak Obama é o presidente ideal, neste momento de crise da maior potência mundial: se tudo continuar dando errado na economia dos EUA, um presidente democrata, negro, jovem, de ascendência muçulmana e criado no exterior será o sujeito perfeito para a elite Wasp xingar! (risos)

Ó paí ó, Alosa! Os afrocompanheiros da Bahia não fazer nada?! Ahhhhhhhh!... :(

---> Barack Hussein Obama Jr... Durma com um barulho desse!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Que peeena...

Ele morreu e eu nem pus nada sobre, aqui. Estou falando do cineasta americano Sidney Pollack, que faleceu no final de maio.
Pollack é o diretor de três filmes que adoro: "O nosso amor de ontem"; "Entre dois amores"; "Totsie". Achei simpático o remake que fez de "Sabrina". Deve ser porque adoro Harrison Ford... Acho que vou fazer uma forcinha pra ver o último filme desse diretor, "O melhor amigo da noiva". Também gosto muito do astro principal desse filme, Patrick Dempsey, e minha irmã disse que é divertido... É, acho que vou ver.
Abaixo, segue um texto de Setaro sobre Pollack.

Pollack: cinema feito para o prazer


O câncer, implacável, fez desaparecer, segunda passada, Sydney Pollack (1934/2008), diretor americano possuidor de uma grande filmografia, ainda que irregular. Pollack é o tipo de realizador que faz bons e eficientes filmes sem, contudo, detonar, neles, uma poética singular, uma marca registrada que o faça um cineasta maior. Mas impossível não lhe reconhecer alguns êxitos. Pessoalmente, o seu melhor filme, no sentido afetivo e não crítico, é Meu amor de ontem (The way we were, 1973), com Barbra Streisand e Robert Redford, filme que se passa no período da caça às bruxas do senador Joseph McCarthy. Pollack, aqui, soube tratar o melodrama com finura, engenho e arte, delicadeza. Alguns críticos querem reduzí-lo a mero artesão, a um eficiente diretor dramático, mas, a se verificar a sua folha corrida cinematográfica, há a pescar obras que estão bem acima da média, a começar mesmo de um de seus primeiros filmes: Esta mulher é proibida (This property is condemned, 1966), com Natalie Wood, Robert Redford, o o western ecológico Mais forte que a vingança (Jeremiah Johnson, 1972), com, novamente, Redford. Gostava de se associar a um ator ou atriz e fazer star vehicule (Redford, Streisand...). Em 1968, um drama intenso, cuja ação transcorre na época da Depressão, fez notar em Pollack um diretor afinado com o contemporâneo em A noite dos desesperados (They shoot horses, don't they?, 1969), porque há, neste filme, uma espécie de paráfrase entre a Depressão dos anos 30 e a depressão (mal estar da civilização) da sociedade americana na década de 60 em meados de seu decurso. Trata-se de um concurso infernal de danças no qual as pessoas que se candidatam literalmente morrem no salão de tanto dançar na disputa pela reta final para ganhar alguns trocados a fim de matar a fome. Jane Fonda tem neste filme um dos melhores desempenhos de sua carreira - talvez seu Oscar por Klute, o passado condena, tenha sido um prêmio atrasado para They shoot horses, don't they?

Outro filme de Pollack que gosto imensamente é Entre dois amores (Out of Africa, 1986), com Meryll Streep, Robert Redford, que se passa na África com partitura admirável de John Barry. Pelo visto, não se pode ignorar assim Pollack ou remetê-lo a um rótulo simplista de mero artesão. Ele foi mais do que isso. E há um thriller que marcou quando do seu lançamento: Três dias do Condor (Three days of Condor, 1975). E a comédia Tootsie, com Dustin Hoffman? Pollack sabia que estava fazendo produtos para o mercado, mas tinha uma competência invulgar para dar ao espectador o prazer do cinema construído dentro de suas convenções clássicas, a exemplo de A firma, baseado em best-seller de John Gisham. Gosto também de um rigoroso thriller que fez em 1974: The Yakuza, com o grande Robert Mitchum. Não é qualquer filme, convenhamos.

Mas não vou fazer neste post uma prospecção filmográfica. Apenas lembrar Pollack pela sua morte e lhe dar o valor que merece. Nunca esteve à altura de nomes mais artísticos, por assim dizer, como Robert Altman, os fratelli Coen, Scorsese, Coppola, Clint Eastwood. Faltava-se um universo ficcional próprio e uma marca registrada, um estilo fecundante que viesse a irrigar um mundo particular que lhe era inexistente. Mas sabia, com eficiência dramática indiscutível, dar vida a um roteiro, fazê-lo filme, emocionar e divertir. O cinema, para Pollack, era, antes de tudo, um espetáculo.

http://setarosblog.blogspot.com/2008/05/pollack-cinema-feito-para-o-prazer.html

quinta-feira, 5 de junho de 2008

That´s amore!

Daqui a uma semana, exatamente, será o Dia dos Namorados. Dados do CVV: é o dia com o maior número de ligações. Ohhhhh!... :(
Mas a meia-dúzia que freqüenta esse endereço, aqui, é forte. Ainda assim, resolvi tomar precauções e antecipar o post em homenagem a data. Das duas, uma: ou isso vai previnir uma dupla deprê, num dia que é deprê pra muita gente; ou o chororô vai começar uma semana antes. hehe

Jovem, ficou pra baixo com tal lembrança?! Ahhhhhh!... :( Pior que agora nem Cicarelli nem Márcio Garcia estão no ar pra te "salvar"! "E agora, José?" (risos)


Dedico o texto de Drummond para:

Cláudio e Nandy,
Gabriel e Ana Paula,
Emerson e Mariana,
Tio Zé e Tia Carol,
Jorge e Ana Carolina ("in memorian"),
Batman e Maíra,
Albino e Linda,
Ari e Amandinha,
Henrique e Luciana,
Bráulio e Paulinha,
Abutre e Viviam,
Barreto e Talita.
Para os meus pais, que completam 37 anos de casados dia 12/06!!!


NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Conselho de um velho apaixonado


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou
um presente: O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...


Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!


Carlos Drummond de Andrade

Não desfazendo do grande poeta (um dos poucos de que gosto, by the way), Djavan (de quem não gosto, by the way), resumiu tudo isso numa linha: "Isso é amor. Invade, e fim".
Tá dito!

domingo, 1 de junho de 2008

Ensaio sobre a abundância



E para não dizerem que eu só falei de "Caras", aqui nesse blog, agora vou falar de "Bundas". Ou melhor, da bunda propriamente dita. Por esses dias, tive momentos de epifania envolvendo a dita "paixão do brasileiro", e embora uma amiga minha diga que minhas epifanias só servem para abaixar meu moral, acho que, dessa vez, será de utilidade para toda uma nação. Ou não...


Sempre achei que só existiam três classificações envolvendo a região glútea: bundão, lordose e sem nada (ou chulado/a). Na minha visão, os bundões eram artigos raros, assim como as orelhas aderentes. A maioria das mulheres consideradas bundudas tinha era lordose. Rita Cadilac? "Lordose!". Gretchen? "É lordose!". Carla Perez? "Caso descarado de lordose forçada!".


E sendo assim, mais uma vez me senti portadora de uma verdade da qual poucos haviam, também, se dado conta. (Como podem ver, nem sempre a inveja mata; às vezes ela ajuda na produção de teorias quase científicas. risos)


Até que um dia desses, durante um alongamento, um milagre de transformação instantânea aconteceu diante dos meus olhos. A professora ajeitou a postura de uma das alunas, e eis que os glúteos da até então mulher chulada apareceram. Pensei cá com os meus botões: "Então é assim que acontece? Ohhhh!...".


Minha teoria sobre a lordose foi por água a baixo; pra dizer o mínimo, ficou bastante comprometida (mas continuo a achar que o caso de Carla é de lordose! humpf!).


Petrô já havia me dado essa pista, mas achei que fosse erro de avaliação do ancião dos palcos. Uma vez, comentou sobre a bunda retraída das alunas de São Lázaro (será que ele quis dizer que elas tinham cifose???). Virou, ainda, para uma aluna, e perguntou, na cara dura: "Minha filha, você é aluna de Psicologia?", ao que, na defensiva, a garota respondeu: "Não está vendo que eu sou chulada, Petrô?!". (É cifose - aposto! Ajeite essa coluna, mocinha, e verás o milagre acontecer!)


E assim sendo, passei dias contestando a aparência de chulados e chuladas que avistava por aí. Fiquei firme na teoria de que não há pessoa chulada; existe é quem tenha a postura ruim demais.


Lógico, isso não excluiu da face da Terra os reais chulados. Nunca esqueci de uma professora de Desenho que tive na Escola Parque. Descendente de orientais, a mulher era reta de todos os ângulos. Até hoje, quando ouço a letra daquele pagode, "Pode vir de frente, vir de lado e de costas...", lembro dela.


E é óbvio que você, ser do sexo masculino que está lendo esse texto, vai preferir continuar torto a ser um homem bundudo, que, cá entre nós, isso é feio e esquisito pra caramba!...


Mas eis que minha mea culpa com as mulheres ditas bundudas ( o que eu dizia que era lordose) foi por água abaixo - ou, no mínimo, ficou "aguada" -, depois de outro momento de epifania.
Uma colega, na aula de espanhol, estava escrevendo no quadro negro, quando o Despeito Futebol Clube entrou em campo e fez o gol do esclarecimento. Percebi que, na verdade, ela não tinha a bunda grande; o que ajudava a dar esse aspecto eram as pernas finas dela. Ou seja, se a pessoa tiver um pinguinho de bunda e as pernas não forem grossas, fica parecendo que ela tem um bundão, e, sendo assim, é mais difícil para uma mulher de pernas grossas se destacar pelo tamanho dos glúteos (é, Carlinha não tinha saída, mesmo: ou induzia a lordose, ou ia ganhar fama de desbundada!...).

J-Lo, Beyoncé e a Mulher Melância subiram no meu conceito, imediatamente, em especial a última. A M.M. tem pernas duas vezes mais grossas que as do jogador Roberto Carlos e ainda assim ganhou fama pelo tamanho anormal do bundão. Seguindo a minha teoria da espessura das pernas, o que ela conseguiu é quase uma "missão impossível". Não consigo pensar em anomalia similar, neste país!

A Melância é uma fenômena da abundância. Tá aí uma bunda que merece a capa de "Caras"! (risos)

domingo, 25 de maio de 2008

Tele Visions

Há muito penso em fazer umas curtas sobre tv, aqui, mas nunca faço. Vou tentar fazer isso agora. Verei no que vai dar... Quem não gosta de observações fúteis, favor jogar a perna pra frente e dar um passo pra trás (e sair dessa página).

* Na boa, não tem seriado que empolgue nessa tv a cabo. Quero dizer, entre os lançamentos. Ugly Betty é lançamento? Porque se for, pode ser considerado uma exceção. Aliás, Salma Hayek realmente bota pra lá! Duvidei, a princípio, que ela fosse fazer algo bom em cima da novela colombiana. Mas fez. E a danada conseguiu americanizar a história sem descaracterizá-la muito. Eu acho que o núcleo da empresa colombiana era muito melhor, mais agitado, embora a versão americana não o tenha comprometido. E dos chefes, Armando, da versão colombiana, é o melhor. Não gosto de Daniel Meade.
A família da Betty americana é que ficou muito mais legal. Hilda (irmã) e Justin (sobrinho) são ótimos personagens!

* Desperate tem um elenco ótimo, excelentes histórias, mas já cansei dos mesmos personagens. Gosto de Lynnete, mas mesmo assim...
Na verdade, acho que perdi o fôlego. Não consigo acompanhar mais que 2 temporadas do mesmo seriado.

* O que o GNT tem de legal, o Multishow tem de chato. A última que o canal aprontou foi uma série bizarra chamada "As pegadoras". Pode um treco desse?
Do GNT, claro, gosto muito do "Saia Justa", embora ache Maitê um saco. Argh!... O programa ficou melhor ainda depois que começou a ser seguido de "Os Normais".
Gosto muito do "Happy Hour", e apesar de preferir Astrid no comando, gostei de terem escolhido a Lorena Calábria. Só acho que deveriam apostar em temas voltados para comportamento. Quem agüenta uma hora de conversa sobre hepatite?! Ah, isso é lindo em termos de capital simbólico, mas um porre de assistir!
Não gosto dos programas de culinária e o do Renato Machado é o fim (porque ele, em si, já é o fim da picada!).
Uma série que tem passagem bem discreta pela programação do GNT é "Mulher Solteira Procura". Já vi uns episódios bem legais. A música da abertura - "Um homem pra chamar de seu" - me lembra o bilhetinho que Salvatore enviou pra Luize, numa aula de Impresso. Ela ficou olhando, meio desanimada com a oferta... (risos) Salvatore é comédia!

* E não é que Elen acabou me prestando um favor? Por causa da série dela no Futura, acabei prestando mais atenção no canal. O programa do Janine, que passa logo em seguida e fala de ética, é massa. Mas o meu preferido é "Passagem para...", com Luís Nachbin. Recomendo! É exibido todos os dias, às 23 horas, e mostra uma videorreportagem de Nachbin sobre um país. Dura só meia horinha, mas é muito legal. Semana passada exibiram programas sobre a ilha de Santa Lucia, sobre a República Dominicana... O apresentador tem um bom texto, boas observações... Vale a pena ver.

* Não existe o anti-herói? Pois é, Luciana Gimenez é a anti-apresentadora. Como fala besteira e é desengonçada, meu Deus!... O pior é que funciona. Outro dia, estava com Christian Pior na rua. Deparou-se com um produto biodegradável, ficou maravilhada (como se tivesse visto um tigre branco) e pediu a CP que o comprasse. Acho que, na cabeça dela, essa palavra era invenção da agência que cuida da conta da Bombril.

* Eu sei que o canal é o uó do borogodó, mas o caso é que eu amo o E!. A Sky liberou e depois fechou, de novo. Isso não se faz! :X

* Não gostei da nova novela das seis. Muito pesada e sem brilho pro horário, que combina com sol, com comédia, como era o caso de "Cabocla" e "Desejo proibido". Por falar nisso, dali tirei duas conclusões:
- Grazi é a futura Ana Paula Arósio;
- Alguém precisa avisar pra Fernanda Vasconcelos que ela é péssima, apesar de gracinha (é a nova Priscila Fantin: carismática pero canastrona).

* Gosto de "Beleza Pura". Não é fantástica - e novela não precisa ser -, mas é a conta certa pra prender a atenção por uma hora, nesse horário. O casal principal é simpático, o elenco jovem é bacana, Zezé Polessa é sempre um acerto em se tratando de comédia, Ísis Valverde tá muito bem (Rakelli é engraçada!), mas como nem tudo é perfeito, Carolina Ferraz está apagadíssima como vilã da trama.

* Reconciliei-me com "Duas Caras". Vocês vão me dar razão: não deu pra botar fé numa novela em que a mocinha perde a virgindade com o vilão bem no dia em que enterrou os pais. Que é isso?!!! Vazei. Mas eis que voltei, sei lá porquê.
Confesso que até a "estética Rua Augusta" da novela me feriu no começo. Mas hoje eu aprecio. Outro dia, pela primeira vez, vi uma figurante com o cotovelo preto, cabelo feio e os pneus de fora da camisa. Que evolução, hein, Alosa, ter o povão na tv? E agora, tá simpatizando um pouquinho mais com tio Aguinaldo? hehe
Tem coisas que só A.S. faz na tv. Tipo o quê? Gastar cena pra se auto elogiar. Outro dia, alguns personagens estavam falando maravilhas de "Tieta", dizendo que foi a primeira novela, após o fim da Ditadura, a pôr nudez no ar e coisa e tal. Ai, ai!... risos

* Tadeu Schmidt é um repórter criativo, tem um texto engraçado. Às vezes ele pega pesado nos comentários, mas acho que a "homarada" gosta.

* O que é Casemiro na Aratu?! No comments! Até a luz do "Bahia Meio-Dia" lhe era mais favorável. CN, um conselho: ou você pinta o seu cabelo de castanho (e a luz ruim não será mais um problema) ou volta pra TV Bahia, querido!

* Confesso que não prestei muita atenção no Jony Torres, na TV Bahia (nem em qualquer outra emissora), mas já percebi que o moço tem jogo de cintura. Outro dia vi um pedacinho do jornal, e reparei que ele segurou bem um close demorado em sua face, durante o qual ele corria um grande risco de ficar com cara de idiota, ao vivo. Muiiito bem! hehe

* Que rasgação de seda braba é essa entre a Ana Maria Braga e o elenco da Globo? Ela limpa a barra dos que estão em baixa no momento, e eles lembram que o programa dela existe, aos telespectadores da noite. Até Ronaldo, o Guloso, pongou na fase Sônia Abrão de AMB.
Outro dia, a personagem de Carolina Ferraz disse que adora a Ana Maria. Fala sério! Quem faz maldade com criança e até mata, vai parar em frente a tv pra prestar atenção em receita de bolo? Forçação total!

* Na seção "Em baixa, Em alta", de uma dessas revistinhas de R$2, Ricardo Macchi foi destaque... Do "Em baixa", claro. Olhem só: "EM BAIXA: A interpretação de Ricardo Macchi em Caminhos do Coração. O eterno cigano Igor mostrou que continua inexpressivo e destoa do time de bons atores da novela de Tiago Santiago".
Pessoal, é nessa última frase que reside o drama da crítica a Macchi. Minha mãe assiste essa porcaria e a novela tem um ou outro ator competente; o elenco é uma bomba. Ou seja, pra ele conseguir destoar dentro de um elenco sofrível, é porque o treco tá feio mesmo. Tão feio que o crítico da coluna resolveu subir o nível do restante dos atores para que RM não ficasse tão mal na fita.
E depois dizem que a Imprensa não tem coração. Na Facom, faziam muito pior com a gente. Tinha o hábito de ler, quando precisava permanecer à tarde na faculdade, aqueles trabalhos que ficavam jogados na colegiado e que os alunos nunca buscavam. Rapaz, era cada comentário de professor... Teve uma menina que recebeu o seguinte feedback, mais ou menos escrito assim, de uma professora de Oficina de Comunicação Escrita: "O conjunto dos seus trabalhos ficou aquém do restante da turma". Ela escreveu algo mais, que dizia, pra resumir, que a menina escrevia muito mal. Detalhe: quem cursa oficina, claro, é calouro, e a garota estava no 3º ou 4º semestre. O comentário foi tão bruto que, sete ou oito anos mais tarde, aindo lembro. A menina, hoje, trabalha em veículo, tá direitinha na profissão. Sorte da professora que ela é cristã, porque se fosse outra, mandaria um portifólio com um bilhetinho sarcástico do tipo: "Uma das maiores empresas jornalísticas do Nordeste acha que eu escrevo bem, ao contrário da senhora".
Tá certo que a vida é dura, que às vezes vai ser assim mesmo, mas os professores da Facom não tinham, de modo geral, nenhum preparo para lidar com os alunos, boa parte deles ainda adolescentes. Professores como essa fulana deveriam ser enquadrados, na boa! Muita falta de respeito...

* Já prestaram atenção ao estranhíssimo fenômeno do BBB? Conforme os números da Globo, a cada ano a audiência sobe, assim como a arrecadação e a participação do público. Mas, ao que parece, a cada ano, o impacto pós-casa é menor, também. Os participantes das primeiras edições tiveram mais repercussão que esses últimos. Não sei se é o desgaste, porque não é mais novidade, ou se os grupos eram mais heterogêneos e interessantes...

* A aparência, ou a falta de boa aparência, dos ingleses, nos programas que assisto e que são produzidos por lá, me dá agonia! Pode parecer frescura minha, mas eles têm um aspecto nojento, mesmo.
A paranóia perfeccionista dos americanos sempre me incomodou. Sei lá, é algo tão cuidado que soa muito artificial; parecem todos uns bonecos de plástico. Ver seriado americano, sob esse aspecto, é como andar no Porto da Barra: é impossível esbarrar com algum abdômen que não seja gomado. É bonito de ver, claro, mas a depender, não passa disso; é uma beleza sem alma, sem atitude. No caso dos homens, o importante, pelo menos na minha opinião, é não parecer almofadinha demais. É a diferença, por exemplo, entre ver Brad Pitt dentro e fora da tela. No cinema, ele é bem mais sensual, não só por causa do personagem, da história, mas pelo figurino, que é mais largadão, por causa do cabelo, que não tá tão alinhadinho. No tapete vermelho, o excesso de zelo com a aparência prejudica a masculinidade. Eu, particularmente, sou fã de belezas naturais, despojadas. Não gosto de nada que seja gritantemente produzido.
Os ingleses incomodam justo pelo oposto. Olha, eu até achei charmoso quando vi um seriado inglês pela primeira vez, e o galã tinha sobrancelhas coladas e dentes levemente amarelados e desalinhados (além de ser branco que nem um peito de frango assado - normal, já que os ingleses são very pálidos, mesmo). Mas já vi que o sujeito tinha os dentes mais alvos do R.U., depois dos membros da família real.
Pra que se preocupar com terrorismo, se existe uma população com uns dentes horríveis daqueles no próprio país? A odontologia inglesa parou no século 19, só pode...
Voto em Ronnie Von para Primer Minister. Só assim pra esse povo ficar bonitinho! hehe

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Uma questão de interpretação

Essa semana foi a semana das boas interpretações, pra mim.
A primeira foi a comentadíssima cena de Laura Cardoso em "Duas Caras". Que atriz é aquela?!!! Se fosse estrangeira e tivesse acabado de chegar ao Brasil e ligado a televisão na Globo, naqueles dia e horário, pensaria que estava vendo um depoimento da vida real. De arrepiar, sem dúvida!
A segunda, na verdade, foi um reencontro com Carlos Gardel. "Muita (c)alma nessa hora". Artista, principalmente cantor, no meu gosto, tem que ter paixão. Gosto de Bossa Nova, mas é por essas e outras que nunca vai ser dos ritmos que mais aprecio. É muito aguado. Falta fogo que esquente a água do caldeirão. Sabe aquela coisa bem dramática, meio toureiro, meio cara de dor de barriga? (risos)
Pois é, Gardel tem uma voz razoável, mas sabe compensar isso com muita emoção. Luís Miguel que não me escute (risos), mas "El día que me quieras" é muito mais bonita na voz do argentino. Que na verdade é uruguaio. E é dele, também, uma das melhores histórias de amor que já vi (Gardel & Baires). Tem uma frase dele que a-do-ro: "Nasci, aos três anos, em Buenos Aires". Muito lindo, não é?
Pois é, e não é que "topei" com "Por una cabeza", na net, essa semana? A canção só emociona porque é ele quem canta. É lindaaa, um deleite pra quem gosta de interpretações viscerais! Tanto é que é trilha de uma das cenas mais marcantes do cinema: o tango, no restaurante, em "Perfume de Mulher".
O caso é que parece, mesmo, que essa tal "Lei da Atração" existe (risos). Zappeando, ontem, encontrei esse filme sendo exibido.
É impressionante como nunca tenho a mesma visão sobre a história. Aliás, se já ouvi algo verdadeiro nessa vida foi aquela frase que diz que é impossível se banhar duas vezes na mesma água. Vi o filme aos 12 anos e uma década e meia depois, ele sempre me diz algo diferente. Não é o único. Isso acontece até quando escuto, de novo, meus antigos discos do Menudo (Vixe!... Me entreguei!hehehe).
O que me impactou, dessa vez, foi a sede de vida, a intensidade do personagem de Pacino. Isso sempre ficou evidente, obviamente, mas foi diferente dessa vez. Essas coisas mudam de acordo com a sua maturidade e estado de espírito. Normal.
Duas seqüências me impressionaram. Uma delas é quando o capitão (Al Pacino) vai fazer um test drive de uma Ferrari. Ele dirige em alta velocidade, e então o carro é parado por um guarda. Charles (O´Donnel) está apavorado. O coronel, cego, não move os olhos, claro, o que poderia ser um grande problema. Pede que o garoto deixe a situação nas mãos dele. É tão carismático, vivaz e seguro que desvia a atenção do guarda de tudo isso. Por último, o sujeito o elogia: "Garoto, seu velho está em ótima forma". Detalhe: o coronel está com um pé na cova; na seqüência seguinte, não se agüenta em pé e cai duas vezes no meio da rua.
A vida, parece, é um vagão que seguiu viagem sem ele, o passageiro, desde que ficou cego. Na despedida de Charlie, o coronel fica tateando o rosto dele por um longo instante. Lógico, não se trata de atração nem vontade de decorar os traços do novo melhor amigo. O toque na pele lisa do rapaz é como sentir a juventude outra vez, ou como diz Bial em "Filtro Solar", é como sentir o poder e a beleza da juventude. (Já conversei com diversos velhinhos sobre a velhice e uma coisa notei: envelhece razoavelmente bem quem não faz lá tanta questão de ter poder. Pra quem é viciado nisso, a velhice é o Juízo Final, o pior dos castigos. Perde-se a potência do corpo, o poder de atração, de comando social - principalmente laboral, e às vezes até o familiar -, enfim, é um exercício de humildade para o qual, definitivamente, o materialista séc. 21 não nos prepara)
A outra é bem, bem intensa. O coronel aponta uma arma para Charlie, na tentativa de assustá-lo e fazê-lo deixar o quarto, para que possa se suicidar. Na flor da idade, o adolescente não entende. Ele mesmo está tentando salvar o resto da sua vida, pois se meteu numa grande confusão antes de passar essas horas com o militar cego. Na compreensão de Charlie, o que importa é sobreviver, não importa como. Pergunta ao coronel como pode fazer isso com a sua vida, ao que ele responde: "Que vida, Charlie?! Que vida?!". Os dois extremos da alma humana, cara a cara: a apatia e a intensidade, invertidas, por assim dizer, nos corpos de um jovem e de um velho.
E então, nessa hora, se tirassem o áudio da fala de Al e colocassem, no lugar, "Por una cabeza", diria que o intérprete do cego estava cantando o tango. Aliás, a canção foi extremamente bem escolhida, pois fala de um sujeito que tem compulsão tanto por corridas de cavalos quanto por mulheres. Se arruína por conta disso, mas são duas paixões, como dizem os americanos, larger than life. Diante delas, não há muito o que fazer. O personagem de Pacino - maravilhoso, como sempre, mas dessa vez anormalmente excelente, até mesmo em se tratando dele - tem compulsão pela intensidade - ainda que ela culmine no ato de dar fim a própria vida.
Lindo! Lindo! Lindo!... O coronel de Al Pacino é simplesmente excepcional!
Ahhh!... Esses italianos!... (risos)


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Desilusão

Olha, ando muy desapontada com Claudinho no Terra Magazine. Pensei que nostro amico tinha ido pra São Paulo pra juntar-se aos bons e abaixar a média... Ele até que fez jus as minhas expectativas e desceu o nível, no começo, mas depois voltou a se levar a sério e a fazer jornalismo high level. Assim não pode, assim não dá, bonitinho (by FHC - Ronnie)!!!
Por falar em "Sum Paulo", acho que já posso abrir uma tenda: após ter previsto a transformação burguesa de companheira Lília há exatos um ano e meio, aqui neste batblog, acertei na mosca, again: em dezembro, disse que Eliano seria o próximo a cruzar o portal magnético do Aeroporto 2 de Julho, e a mandiga foi tão forte que até companheira Débora, que tinha planos de ir em abril passado, teve que deixar a viagem para Sampa pra mais tarde.
Lico é outro que se leva a sério. Ô!... Portanto não vou poder contar com o reforço dele para fazer Cau voltar a descer na boquinha da garrafa, jornalisticamente falando. Pra isso, teria que ser alguém que veio do teatro, do naipe de Alosa. Entretanto, contudo e todavia, esse não larga o osso (leia-se: a bocada proporcionada pela política de valorização das raízes negras, na Bahia) nem com o auxílio de um pé de cabra! (Por falar neste cidadão, Alosa, se estiver passando por aqui, te pregunto, muchacho: ¿Dónde estás, corazón?... ¿Por qué te callas, hombre?)
Mas há algo que dr. Eliano Jorge pode fazer, sim, por mim (já que ele vai me deixar sem carona, novamente, e está me devendo uma): conferir com seu Zé (o porteiro de Cau) o que anda subindo pro apartamento do bonfinense, fora a mobília contrabandeada - se é que vocês me entendem...
Quero dados inéditos, completos e bombásticos, viu, seu Eliano!

A usurpadora

Pra dona Maria Luísa não ficar com ciúmes da coleguinha do post abaixo (ambas são escorpianas, então é bom prevenir essas circunstâncias...), vou dar notícias do seu batizado, que aconteceu há uns 10 dias, no domingo das mães.

Ingrid me convidou, eu fui. Não preciso dizer que estava tudo muito bem feito. A mãe de Ingrid deveria ser dona de buffet. De verdade. A família já é ISO 9001 em receber em festas. Sou meio bicho do mato, não sou muito de casa dos outros, mas fico quase em casa na casa dessa família.
Maria Luísa, a dona da festa, é uma graça: vai com todo mundo, não chora, é ligadíssima em tudo o que acontece ao seu redor. Definitivamente, ela gosta das boas coisas da vida: de colo, de comida (!!!), de carinho, de atenção... Nem todos os bebês têm essa sabedoria instintiva, assim como nem todos os cachorros e até nem todos os velhinhos. Maluzinha já nasceu sabendo dar prioridade ao que importa. Afinal, pra que chorar se ela pode ganhar um abraço e um beijinho daqueles braços estranhos que querem lhe pegar?

Meninos, eu vi!... A família inteira está sofrendo de uma espécie de "Síndrome de Estocolmo": foram seqüestrados pela baixinha e estão todos apaixonados pela pequena seqüestradora!
O crime perfeito. Quer dizer, mais ou menos. Como diz a tia, só pelo rastro de baba que Maria Luísa deixa pela casa, até a polícia baiana desmascara fácil essa bandidinha. (risos)

Atenção, senhorita Malu: agora que é batizada, portanto oficialmente cristã, vai ter que se desapegar desses pés e dividi-los com os demais, ok? (risos)

PS: Fernandinha, viu o que você perdeu, "colega" (by Christian Pior. Não sabe quem é? "Joga no Google, bem!")?! Fique com inveja! hohoho...

domingo, 18 de maio de 2008

"Chuá, chuá, chuá, chuá..."


Drica, gatíssima: próxima estrela da Johnson & Johnson (é brincadeira, mas deveria) e musa-mirim desse blog (atenção para as orelhinhas de macaco! hehehe)!!!

Muito fofa!
LIIIINDAAAAAAA!!!!!!!!!!
(Um dia, quero fabricar uma figurinha dessa pra mim! São Longuinho, São Longuinho, se eu conseguir achar esses genes de Drica em mim, dou 3 pulinhos! risos)

Goiás com Bahia



"... e o samba ia, juro que ia...".

21 de Abril, aniversário de Brasília. O pau comendo, no bom sentido, na Esplanada, e eu na estrada, rumo a Goiânia, com pai, mãe, cunhado e irmã mais velha, num carro com o ar condicionado quebrado (isso explica a minha "juba", logo acima).
A viagem em si, apesar do calor, foi legal. "Bebemos, comemos, levantamos e zarpamos". E como a culinária goiana é a minha favorita, não foi pouco o deleite, não. Duro foi ter que "passear" em Goiânia. O verbo da frase anterior foi um modo de dizer. Pense numa cidade abandonada, sem ninguém! O povo todo devia estar aproveitando a maratona de shows em BSB - depois falam mal da minha cidade... o despeito é algo sério, viu!(risos)
Na saída, meu cunhado, que não conhecia a capital goiana e é louco por futebol, pediu pra gente passar no Serra Dourada, casa do time do Goiás. A gente só ia dar uma olhadinha por fora, mesmo. Mas calhou do zelador de lá ser o Mário (de camisa azul - que não pegou ninguém atrás do armário), um baiano de Juazeiro que abriu um sorriso de orelha a orelha quando a gente disse que era da Bahia.
Só não pisamos no gramado porque não podia, mas de resto... O estádio é pequenininho. Bem, só tenho experiência com o Serejão (casa do Brasiliense), e esse é bem maior que o Serra, mas eu acho que os goianos fizeram algo com mais cara de estádio.
Descobri que o torcedor goiano adora um amendoim cozido enquanto confere a partida e que, possivelmente, nunca ouviu falar em lixeira ou em trazer um saquinho de casa. Mário pediu desculpas pela bagunça, mas nem precisava, claro. hehe
Enfim, foi massa. Detesto futebol, mas adoro experiências inéditas. Estar num estádio vazio, todo, todo seu, não deixa de conferir uma certa sensação de poder.
Valeu, Mário! :)

sexta-feira, 2 de maio de 2008

CHOQUE TÉRMICO

Para meu grande amigo, que anda de coração partido esses dias.

MARTHA MEDEIROS

Uma pessoa fica duas horas jogando frescobol na beira da praia sob um sol africano: 38 graus. Terminada a partida, joga as raquetes para o alto e corre para um mar de temperatura siberiana, bem ao gosto dos pingüins. Resultado: choque térmico.

Você não precisa fazer a experiência: quem já teve um grande amor e perdeu de um dia para o outro sabe como é. Você passa meses, talvez anos ao lado de alguém que aquece suas noites, que a faz queimar, derreter. Não é um forno de microondas: é seu namorado, que não precisa apertar botão nenhum para fazê-la arder, basta tocar no seu braço e temos um incêndio no quarteirão. Tudo é quente entre vocês: os olhares, os beijos e o resto, principalmente o resto. Vocês são pólvora, querosene, gasolina. Altamente inflamáveis. Imagine anos e anos nesse fogaréu, até que um dia ele telefona e diz que conheceu outra pessoa, que continua a gostar de você, mas como amiga.

Choque térmico. Você, que vivia de camiseta regata e minissaia, passa a usar blusa de gola rulê, casacão e luvas, e mesmo assim não pára de tremer. Foi-se o calor. Você nunca o viu tão frio. Ele cruza com você numa festa e a cumprimenta com ar de quem já lhe viu em algum lugar, mas não lembra onde. Você liga para a casa dele e a ex-sogrinha querida diz que está sozinha em casa. Ao fundo você escuta Aerosmith a todo volume. Ou sua sogra está resgatando a adolescência perdida ou o cretino mandou dizer que não está. Você o espera na saída do trabalho. Você impõe sua presença. Você toca distraidamente no seu braço para ver se aciona a chama, mas entre ele e uma pedra de gelo, você colocaria ele num copo de uísque. Você ameaça se matar, marca hora e local, e fica sabendo que ele reagiu bem: disse que mandaria rezar uma missa. Abominável homem das neves.

Choque térmico. Você perde o seu amor, e com ele as labaredas, as faíscas, a transpiração que a fazia tomar três banhos por dia. Agora resta a solidão, o frigorífico, as águas do Pacífico. Você se sente nua em pleno Alaska.

Você planeja fazer cinco horas de aeróbica e depois se atirar de um barco num lago congelado, um suícídio mais que simbólico. Mas eis que surge um salva-vidas de 1 metro e noventa e a cara do Leonardo di Caprio quando for adulto. Ele convida para um vinho. Oferece um cobertor. Bota lenha na fogueira. Choque térmico à vista, outra vez. Olhe pra você, já começou a suar.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Os normais

Eita seriado que faz uma faaaalta!... Rui e Vani são o casal.
O primeiro episódio, catei no Youtube. O outro, roubei do Orkut de Elen. Hilários!

Aos que não nos enxergam

Fernanda Young

Oi, eu estou bem aqui na sua frente, mas você insiste em não me ver. Tudo bem, opção sua, cada um enxerga o que quer. O problema é quando você, sem ter idéia de como sou, resolve dar a sua visão sobre mim. Talvez você não se enxergue também, antes de mais nada – e assim me tire por parecida contigo. Errando completamente. Para começar, eu faço questão de ver as pessoas ao meu redor, e isso faz toda a diferença do mundo. Percebo que todos têm algo de especial, estando aí a graça. Percebo belezas que não são minhas, estando aí o prazer.

Percebo inclusive você, parado bem na minha frente, desviando seu olhar para lá e para cá, nervoso com a minha presença, estando aí o ridículo.

Veja bem, não há o que temer em mim. Não quero nada que seja seu. E não sou nada que você também não seja, pelo menos um pouquinho.

Você não precisa gostar de mim para me enxergar, mas precisa me enxergar para não gostar de mim. Ou gostar, e talvez seja exatamente isso que você tema. Embora isso não faça sentido, já que a vida é bela, justamente, quando estamos diante daquilo que gostamos, certo?

Não vou dizer que não me irrita essa sua cegueira específica com relação a mim, pois faço de tudo para ser entendida. Por todos. Sempre esforço-me ao máximo para que isso ocorra, aliás; então, a sua total ignorância a meu respeito, após todo esse tempo, nós dois tão perto, mexe, sim, levemente, com a minha paciência.

Se for essa a sua intenção, porém, mexer com a minha paciência, aviso que anda perdendo sua energia em besteira, pois um mosquito zumbindo em meu ouvido tem um efeito semelhante. E, se me dou ao trabalho de escrever esta carta para você, é porque sei que você também não será capaz de enxergar o que há nela.

Explicando melhor: preferiria que você me esquecesse, mas até para poder esquecer você vai ter que me enxergar. Enquanto não me olhar de frente, ao menos uma vez, ao menos por um segundo, vai continuar assim, para sempre, fugindo sistematicamente da minha imagem – um escravo de mim, em fuga constante, portanto.

Pode abrir os olhos, vai ver que não sou um bicho-de-sete-cabeças. Sou bem diferente de você, como já disse, mas isso é ótimo. Sou melhor que você em algumas coisas, pior que você em outras – acontece. No que eu for pior, pode virar para outro lado; no que eu for melhor, cogite me admirar. “Olhos nos olhos, quero ver o que você faz...”* Sempre quis cantar isso para alguém. “Olhos nos olhos, quero ver o que você diz...”*

Pronto, um sonho realizado. Já estou lucrando com a nossa relação, só falta você. Basta ver o que eu posso lhe mostrar e enxergar o que eu posso ser para você.

* Trechos da música OLHOS NOS OLHOS, de Chico Buarque

Fernanda Young é escritora, roteirista e apresentadora de TV