sábado, 14 de junho de 2008

"Sex and the city" e o consumismo


Há anos ouço falar de “Sex and the city”. O hype sobre a famosa série americana começou naquelas revistas de mulherzinha, como “Claudia” e “Nova”, passando pela publicidade e pelos colegas "antenados". Pois bem, a primeira vez que consegui pôr os olhos no quarteto foi em Brasília – era transmitida pelo Canal 21. Achei o primeiro ano muito caricato; dali em diante, a qualidade cresce muito.

Particularmente, como mulher, na época, de 20 e alguns anos, fiquei especialmente curiosa em ver o que podia esperar aos 30 – muitas já me disseram que a vida melhora à beça depois que a gente entra nessa idade. Fiquei um tanto frustrada com as angústias de Carrie, Miranda, Charllote e Samantha. Mulheres muito seguras profissionalmente, mas socialmente frágeis, como se nunca tivessem saído da High School.

Eis aí o meu ponto sobre a série: ela aproxima todas as mulheres pelas situações e algumas vezes pelas emoções das personagens, mas peca pela superficialidade e o consumismo exacerbado. De certo modo, há um esvaziamento do feminismo em “Sex and the city”.

Ok, até mesmo a papa do assunto, Camille Paglia, admitiu que o movimento feminista pecou exatamente em ignorar as necessidades femininas de dedicar-se aos filhos e de ter um companheiro. E é certo também que, num mundo de uma liberdade tão sufocante, onde a construção da persona não está condicionada, a rigor, a instituições, o tema da intimidade torna-se do interesse de todos. É discutindo que as pessoas vão separando o que é aceitável ou não para elas mesmas (tenho lá minhas dúvidas sobre isso, mas como dizem os italianos da Globo, vá bene!).

As mulheres de “Sex and the city” vivem infelizes – ou menos felizes do que poderiam – porque tudo gira em torno delas mesmas. Estar envolvido com outros não é só uma questão de socialização ou caridade, mas é uma necessidade de fazer a vida ter sentido fora dela mesma, ou como dizia a vovó, de não botar todos os avos numa cesta só. Há tantas coisas interessantes que poderiam ter sido abordadas, mesmo o cenário sendo New York e a série nunca poder ser, claro, um “West Wing”. SATC vende a mulher cosmopolita e inteligente. Certo, elas são. Mas uma inteligência aplicada muito localmente. Isso não ajuda as mulheres. Pelo contrário, reforça um tipo de infantilidade consumista da qual a classe média urbana precisa se desapegar.

As personagens são ótimas, mas preferia que a série fosse “Women and the city”. E por mulheres, entenda-se as de verdade, as que não necessitam de Manolo´s, Prada e do aval da Vogue para serem reconhecidas como fabulosas!

Nenhum comentário:

Postar um comentário