sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Meu guri


Enfim, nasceu Maria Luísa Campos de Andrade. Nome lindo, aliás, cuja escolha eu apoiei totalmente. Luísa é "luz" e tomara que o nome chame isso mesmo. Segundo o último boletim que chegou a mim, via dona Jô - tenho que tomar cuidado com a minha mafiosíssima mamma atendendo aos meus telefonemas! -, a garotinha é calminha, não chora nada. Eu não disse!? Já chegou santa!
Olha a cara da tia, na foto, sorrindo de orelha a orelha!... Acho que nem o prêmio da Telesena faria isso com ela, nem um beijo de Rick Martin, quem sabe. Ohhhhh! Como cantava Simony, "É tão lindo!"...
Vou fazer um segundo elogio: Malu é linda, tem um rostinho super bem feito, os olhinhos rasgados. Doutor Marcus vai ter é trabalho daqui a alguns anos. Já me imagino, em 2022, perguntando se ela conhece o Rodolfinho, filho de uma amiga minha que estuda na mesma escola que ela, ao que responderá: "Conheço. Pessoa muito boa!". (Ingrid e Fernanda entenderam a interna, não? hahaha)
O terceiro é sobre a pontualidade. Bebês se atrasam muito, até os de cesariana, mas nossa amiguinha chegou apenas 31 minutos depois da hora marcada, às 8h31 do último dia 05, medindo 48 cm e pesando um pouco mais de 3 kg. (Tá vendo, Ingrid, até a sobrinha é mais pontual que a tia!)
Gri é a primeira tia da turma; Alosa foi o primeiro tio. Sinta, a seguir, o que é ter o corpo fechado, até num contexto como esse:
- Alosinha é a cara do tio, a cópia - não é à toa que o chamo de Alosinha.
- Pensa que o menino levou o nome do pai? Não, é André Augusto, o primeiro nome, claro, em homenagem ao tio-padrinho.
- Quem paga a pensão é o pai, mas quem tem mais acesso ao menino é o tio, que é irmão da mãe.
A irmã deu a Alosa o seu Júnior, isso sem ele mover uma palha. Quem se deu mal nessa foi a minha amiga Karine, La Incondicional, que vai ter que esperar, pelo visto, até que o namorido resolva querer ter um outro Junior na vida.
É mole? Não é, simplesmente é Alosa, que faz fraude até com o filho dos outros!... Tsc tsc...
Ingrid não vai ter nenhuma dessas regalias, vai ser mais uma tia normal nesse mundo. Aposto que uma grande tia!!! Aliás, ela já é meio minha tia, de Fernanda e de Cláudio, ou melhor, nossa professora Girafales, a quem resmungamos "Olha ele(a)! Olha ele(a)!" quando o bicho pega, e ela sempre acaba tendo que dar jeito na nossa bagunça, aturar o nosso mau gênio. (risos)

PARABÉNS, Gri!!! Saúde e vida longa à pequena!


PS: Desculpe, Gri, mas não resisti em mandar uma foto que Renata pôs no Orkut para a minha irmã mais velha, cobrando um sobrinho. Duas irmãs na casa dos 30 e nada?! Assim não dá!...
OBSsencial: Benício, o segundo filho de Angélica, nasceu no dia do 25º aniversário de Ingrid. Joaquim, no meu 25º aniversário. Angélica, se estiver passando por aqui, yo te pregunto: qual é seu caso com a gente?! Ah, outro dado essencialíssimo: Huck nasceu exatamente um ano antes que minha irmã mais velha (e ele tem dois filhos e eu, ainda nenhum sobrinho! :( ). A astrologia é uma fraude! Humpf!

domingo, 4 de novembro de 2007

Frase da semana


"Ele me bota pra cima e pra baixo, em menos de um minuto".

De uma certa assessora de comunicação residente na Graça sobre um ex-jornalista de A Tarde, atualmente em São Paulo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

¡Que nivel de hombre!


Há alguns meses, comentei com Ô Ingrid que vi uma transmissão do Festival de Viña Del Mar, e que uma chilena (provavelmente) pagou um micaço com Brian Adams: disse que sabia cantar "When you´re gone" (critério para que a pessoa subisse ao palco), mas não sabia uma só frase da canção e ainda berrou no microfone e começou a agir que nem doida, por fim tentou agarrar o cantor, enquanto ele se limitou a dar risada (fazer o que, né?). Gri ficou aliviada de não sermos, os brasileiros, os únicos sem-noção da América Latina. Eu nunca pensei isso, sempre achei que o latino traz o ridículo no sangue - graças a Deus! É a nossa patente cultural. Aliás, falando a sério e indo mais longe nesse parecer, somos ridículos porque somos apaixonados. Há algo de extremamente romântico na América Latina, e que se perdeu há muito no resto do mundo. O desenvolvimento pressupõe um império da racionalidade. Sob esse ponto de vista, acho que trazemos no sangue a vocação para o subdesenvolvimento, temos esse instinto primitivo que é a intensidade no sangue, não há remédio. Na melhor das hipóteses, creio, levaremos mais 500 anos para, a exemplo dos europeus, adestrar o bárbaro que existe dentro de nós.
É impossível não ser sentimental ao cubo sendo hispano hablante. Uma língua que usa a exclamação no início e no final da frase e tem termos fortes como "Te quiero" (ou seja, não é só um sentimento, como "Te amo", mas uma posse, um desejo imbutido), só poderia dar nisso. A falta de senso de humor também contribui para essa passionalidade (mas o excesso disso, como vemos em nosso próprio país, também não ajuda muito). hehehe

Pegando os famosos como amostras, vemos que definitivamente não estamos sós. Luciano Pavarotti, cantor de ópera da elegante Itália, era a personificação do termo "bonachão". A própria Ingrid já havia comentado que a mexicana Thalia é doidinha (realmente é, segundo o que vi num vídeo que peguei na internet). Acho que os hermanos são mais formais, à primeira vista, porém mais calorosos e dramáticos, num segundo momento, que os brasileiros.
Chato, a propósito, esse negócio de sermos um país a parte na América Latina. A colonização portuguesa foi péssima também sob esse aspecto, estamos ilhados, mesmo na América do Sul. Bem, tento me consolar com o fato de falarmos a língua mais bonita do mundo, "a última flor do lácio", e de sermos o pedaço de terra mais original dos últimos 500 anos.

Esbarrei com um vídeo do cantor Luis Miguel, outro dia, no You Tube. O que vi foi totalmente de encontro à primeira (e única) impressão que tive dele. LM, para mim, era aquele cara sério, vestido de smoking, que canta boleros, entre eles "La Barca", tema que uniu Edson Celulari e Claudia Raia. Achava a voz dele sensacional (tanto é que, se não me engano, foi o único latino a gravar em Duets, de Frank Sinatra, com direito a elogio de "a voz"), mas não gostava de ouvir seus cds: as interpretações me soavam engessadas e sem alma. (Nossa, a minha irmã do meio adora esse cd "Romance", ela era obcecada por "La barca"; eu sei letra desse bolero por osmose, aprendi muito antes até de aprender o verbo "ser" em espanhol!)
De formal, "El Rey Sol" não tem é nada, pelo contrário: o cara é muito extrovertido, interage com a platéia nas apresentações e dança todo desengonçado no palco, o que me fez simpatizar de cara com a pessoa ("jejeje"). Não é um artista para se ouvir o disco, é o tipo que mostra a que veio no palco quando reage ao público.
Descobri que Luis Miguel, ou Micky, é, na verdade, cantor pop (a série de boleros, "Romance", é exceção em seu repertório, acho que foi algo para marcar a entrada na fase adulta); que é bem mais novo do que eu pensava (tem só 37 anos); que não surgiu no meio artístico já adulto mas com 12 anos; que não é mexicano de nascimento mas portoriquenho.
Ah, não poderia deixar de citar: Luismi - outro apelido dele entre os fãs - é mais um a confirmar a minha teoria de que o sucesso estrondoso tem relação com uma origem familiar problemática. O cantor tem uma das histórias mais misteriosas e turbulentas do showbiz da AL: a mãe foi alcoólatra e desapareceu em meados dos anos 80; ele destituiu o pai do cargo de empresário, na adolescência, e parece que foi pela obsessão dele que o filho é o que é; demorou quase 17 anos para reconhecer uma filha que teve aos 19 anos com uma namorada; e tem uns tios que, vira e mexe, falam besteiras (mentiras, provavelmente) sobre ele na mídia.
Já namorou, ainda, meio mundo, de Salma Hayek a princesa Stephanie, passando por Thalia e Gabriela Sabatini, até Mariah Carey. Disseram que essa teve aquele colapso de 2001 por causa do término do namoro com ele, o que MC nega - quem daria o gosto? mas eu, no lugar dela, entraria também em crise (risos).
O sujeito é conhecido como um dos artistas mais generosos da música latina. Entretanto foge do comprometimento mais que o diabo da cruz. Teve filho só agora mas não casou com a namorada - típico de quem cresceu por conta própria e detesta perder o controle sobre si mesmo.
Ser latino é, mesmo pertencendo à nata, le gustar la bagacera!
Luismi curte uma esculhambação, e fiquei fã! Se bem que:

"Yo para querer
No necesito una razón
Me sobra mucho,
Pero mucho corazón..."

(Né não, Alosa?... Tem que ser, pois você nem tchum pra mim. Olha, "no llames corazón lo que tú tienes"... Alosa é a minha Sibéria!)

Com vocês, alguns vídeos do "Sol do México":

1 - Aos 12 anos, cantando "Dos enamorados". Muy fofo (olha a roupa de Power Ranger e os movimentos de quadril! hahaha)! LM confirma mais duas das minhas teorias: quem é muito bonito quando pequeno, dificilmente mantém o nível de beleza na idade adulta, e algo acontece aos 12 anos (pelo menos comigo, Xuxa, Mel Gibson, Britney e Luismi).

2 - LM começa a cantar "La Barca", se surpreende com o público, que canta mais alto que ele, resolve se divertir com a gafe e improvisa um karaokê.

3 - As origens pop. Quem diria que o vozeirão se pôs a serviço de canções como "Ahora te puedes marchar", "Isabel", "La chica del bikini azul", "Sol, arena y mar" e "Cuando calienta el sol"?! A classe é uma característica anti-humana, definitivamente. A qualidade da filmagem é ruinzinha, mas dá pra levar. O cabelo tá esquisito, né? Mais uma das minhas teorias comprovada por Luismi: cabelo bonito e fama são conflituosos - ou um, ou outro. Luismi apareceu nos concertos em Las Vegas com um visual a la Nelson da Capetinga, que vôtecontá!... Él es lo más!...

4 - Em Viña Del Mar, em 1994, cantando um dos seus sucessos pop - "Será que no me amas?". Pela maluca que "cantou" com Brian Adams e pelo vídeo a seguir, concluo que o festival deve ser interessante. Vou dar um pulo lá qualquer ano desses.

5 - Durante a turnê "Romance", com vinte e poucos anos e guapíssimo, cantando "La media vuelta". Será o visual Zorro um elemento de reforço da pegada de cabrón latino?! No lo sé, pero Nandy Bragaboysomovimentoésexy deu o seguinte parecer após ter assistido o vídeo: "Realmente, devo incluir Luis Miguel no time de Rick Martin and Diego Torres. Que pegada!". Fernandinha, o seu mal é que você nunca vai por mim! tsc tsc... Em homenagem a usted e a Cacau Baixaria, a letra do bolero:

"Te vas porque yo quiero que te vayas
A la hora que yo quiera te detengo,
Yo sé que mi cariño te hace falta
Porque quieras o no
Yo soy tu dueno"

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

E os meus cabelos... Quanta diferença!




Se alguém tinha dúvidas de que o dinheiro traz felicidade, mire-se no exemplo desta mulher de A TARDE! A de cima, que a de baixo é da era pré-prosperidade (humm, esse verde da roupa é bem sugestivo, não? vou incorporá-lo na minha mandinga de fim de ano).
Não dá pra visualizar bem? Sorry, é que a felicidade alheia dói, e como este é um blog que preza pelos sentimentos humanos, até os mais mesquinhos, ampliamos o registro da fase "barril".
Naquela época, companheira comia a gororoba do 3.0, esperava o Cabula VI na Estação da Lapa, não tinha máquina digital e nem porta-caneta na mesa. Era mais uma operária padrão do Brasil, só não usava macacão azul ("bad, bad life, no presidence for you").
É só você querer êêê - Mas eis que de repente, não mais que de repente, tudo mudou na vida da camarada, e sem nenhum artifício Tabajara nem "talentos" à mostra ("rátátá..."), tudo na mais perfeita legalidade e mérito: ela entrou pro A Tarde, agüentou firme meia dúzia de malucos fixos, assinou carteira, comprou automóvel zero km e virou repórter de Política.
Eu posso dizer com orgulho: esse blog foi o primeiro a apontar a virada da companheira, com o tal almoço de dois dígitos, e eu fui a primeira a dizer que ela passaria no teste de A Tarde. Lembro como se fosse ontem: estávamos as duas no ônibus e eu lhe garanti: "Companheira, eu estou sentindo a vibração a favor e quando é assim, é batata!" (Ingrid sabe muito bem disso, pois já levei muita questão de concurso na base do "terceiro olho", só não tem funcionado muito bem com os números da loteria, mas é uma questão de ajuste).

Falando no assunto, recebi uma mensagem de Pereira no Orkut. Apesar da seca em Brasília (e da derrota do Vitória no último final de semana - o espantalho dormiu no ponto e eu estava sentindo a vibração de que isso ia ocorrer), ele era só alegria. Justificou a boa adaptação a Brasília com as experiências prévias em Itabuna e São Paulo.
Mas a gente sabe a resposta verdadeira a essa inusitada felicidade no Planalto Central: ela vem do contra-cheque Falamansa ("hahaha, mas eu tô rindo à toa"). Brasília é que nem jogador de futebol: tem que ter espírito de piriguete pra encarar e precisa rolar muita grana no meio pra poder durar - a mentira só confirmou a adequação do nosso futuro diplomata ao ambiente palaciano! Bravo, Pê! By the way, Ronaldo, o "felômeno", continua na capital? Freud explica: menino que cresce no interior, cresce com o recalque de nunca ter achado o seu fim de mundo no mapa, na aula de geografia. Óóó!... Sorry, periferia, mas nem todo mundo nasce numa cidade tão destacada que foi até resposta do quiz de "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado".


Mas voltando ao assunto, como dizia o meu mestre, Nelson Rodrigues, "O dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro". E eu cumpro a minha missão cármica de completar as frases de Nelsão: "... e é o ponto de interseção dos sorrisos da esquerda e da direita na política". Crianças, vale a pena escovar bem os dentes, o click da vitória pode ser seu!... PS: Alosa nunca foi ao dentista. Será sinal de predestinação?! Aliás, a fraude faz jus ao apelido: é o único que causa inveja nos colegas sem ter arredado o pé de Salvador! Ingrid é que é a santa e é Alosa quem recebe as bençãos?! CPI no céu, urgente!

Alosa, vou interromper a "greve" pra te perguntar: cadê aquela bicha maravilhosa que fazia curso com a gente no XVIII? Tô pensando nele há um tempão.
Aliás, o senhor vem atrapalhando diretamente e indiretamente o meu sono há semanas: primeiro me conta que uma conhecida largou o emprego (e eu fiquei 3 noites sem dormir: a primeira imaginando uma bolsa na Europa, a segunda imaginando um emprego no eixo Rio-São Paulo e a terceira pensando que talvez tivesse conquistado um salário fenomenal. isso não se faz! da próxima vez que for falar do sucesso de um conhecido, favor não deixar espaço para conjecturas - e crises de insônia); depois não adivinha que eu quero notícias da biba e me deixa no vácuo.
Alosa, desculpe aí, mas eu tenho que ser sincera: não se engane que você tem alma de capataz, meu amigo! Eu vou ser sua personal Castro Alves, e quando você estiver saindo do trabalho, vou gritar pra todo mundo ouvir:

"Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço, Albatroz!
Albatroz! dá-me estas asas"

Droga! Nem assim eu consigo prejudicar Alosa! Ele pode alegar que eu vim do teatro...

domingo, 21 de outubro de 2007

Eu quero uma assinatura!




Ah, eu fiquei fã da Caras argentina! Olha como o texto é bem feitinho. E os hermanos adoram uma história de coração partido, ao contrário dos brazucas que curtem uma boa ostentação. A Caras do vizinho é quase um diário oficial do casa-separa dos famosos.
E é incrível como todo mundo que importa sai de Santa Fé. Esse estado é uma espécie de Bahia da Argentina (cof! cof!).
Separei dois perfis. Vejam só:


"Mi matrimonio está en crisis"
Dady Brieva se confiesa

Había corrido durante más de una hora. “Siempre es bueno hacer un alto”, dijo agitado. Interesante paralelismo entre la necesidad de su ritmo cardíaco y el de su vida emocional. “Ando con una crisis matrimonial —confiesa Rubén Enrique Brieva (51), y el humor, que es su esencia, se cuela irreverente—. Tenemos la relación en el sanatorio, pero no hay muerte todavía.” Dady y Guadalupe Evelia Duarte (49) se conocieron a principios de los años 70, cuando compartían el mismo banco en el aula de la escuela secundaria de María Selva, en Santa Fe. Largos fueron los años de insistencia hasta que la muchacha dijo que sí. Después de cinco años de noviazgo, la pareja contrajo nupcias el 9 de noviembre de 1979. Por ese entonces, Dady anunciaba: “Evelia es la mujer de mi vida”.Luego de 28 años, la afirmación es otra: “Es muy difícil sostener un amor durante toda la vida”. Sin duda, más aun si es la vida de un hombre mediático. “El matrimonio es un trabajo de 24 horas. Cuando el éxito toca la puerta, uno comienza a poner energías en otras cosas. Jugar en las grandes ligas tiene un precio, porque el tiempo siempre termina pasando la factura. Las exigencias obligan a establecer pactos: ‘Vos cuidá de los chicos, yo traigo la plata a casa’. Pero eso no es suficiente.” Dady habla del doble filo de la fama en plena situación de incertidumbre. “El hombre mediático consigue las entradas para los espectáculos, vacaciones de canje, visitas a la isla de CARAS, y otras tantas cosas que anestesian cualquier problema. Pero cuando eso se acaba y llega el momento de la intimidad, esa misma fama que endulza es la culpable de todos los problemas.”Fue durante 1998, cuando Dady -subido al suceso de Los Midachi- debió abandonar Santa Fe, para radicarse en Buenos Aires. “Esa distancia generó varios conflictos. En estos diez años atravesamos varias idas y vueltas, crisis de las que siempre volvimos –afirma-. Hace diez años que la estamos remando. Uno hace lo que puede para salvar la situación, comprás una casa en un country, hacés un viaje, pero...”.En el proceso de “acomodar” las piezas, Dady prioriza el cuidado de sus hijos, testigos cercanos de esta historia: Bruno (18) y Franco (14). “No me genera culpa ni preocupación. La separación entre los padres es una realidad constante en los colegios. En la situación que sea, Evelia y yo tratamos de tener presencia. Jamás me dejaría influenciar o aconsejar, porque somos muy respetuosos de los espacios personales en mi familia. Pese a todo, los protejo, porque entiendo que la paternidad es mucho más que una relación conyugal.”Haber salido de tantas crisis supone cierta sabiduría para sortearlas. Pero, ¿qué pasa esta vez? “Hace como cien años que hago terapia, y hubo tiempos en los que tuve dos psicólogos. Pero en este caso la solución no tiene que ver con eso. Mas allá que no creo en la terapia de pareja, la cuestión tiene raíz en otro tema: el existencial. Tengo 51 años y siento que estoy viviendo una época de balance, de búsqueda constante de saber qué es lo que realmente quiero. Ante tantos años juntos, uno se va poniendo más viejo, más ‘choto’ y algo pelotudo. Me cuestiono muchas cosas, y sé que a ella también le ocurre lo mismo. Tal vez tenga necesidad de crecer, los chicos ya están grandes y quiera expandirse a otros caminos. Sentimos la necesidad de ir más allá del lugar en el que estábamos.”Una terapia personalizada. Dady se levanta a las 06:30. A las 07:15 ya está leyendo los diarios, antes de salir al aire con “Dady 790”, por Radio Mitre. Durante el resto del día, diagrama actividades que lo alejen del mundo. “Corro 40 kilómetros como entrenamiento para la próxima maratón de Buenos Aires. Trabajo en el guión de mi próxima película y me doy una vuelta por el stud, donde tengo dos caballos de carrera –enumera-. El trabajo siempre me ayudó a despejarme, es lo único que me produce orgasmos.”Cuánto queda del amor es el interrogante obligado. “Debemos redefinir qué es el amor, porque hay situaciones de afecto en una pareja que no necesariamente tienen que ver con lo que uno conoce como amor. Es algo así como lo que pasa con Midachi. Podemos separarnos, putearnos, pero cada vez que nos juntamos sale magia. Mi historia con Evelia ha sido muy fuerte y aguerrida, sostenida desde siempre por la lucha, sobreviviendo codo a codo. Evelia ha sido mi soporte en la vida, sin ella a mi lado no sé si hubiera podido desarrollar mi carrera. Pero luego de casi treinta años llegamos a un punto de análisis: “Qué es amor?, ¿qué es pasión?”. El afecto entre los dos no va a desaparecer. Nunca hemos sido una pareja estilo ‘Love Story’, ni tampoco fuimos Susan y Jeremy, pero fuimos buenos socios en la vida, y ella siempre supo cuidarme el arco.”




"En el amor, me gusta que me manden"
Flavia Palmiero, decidida a seducir

A simple vista, un interrogante de cuatro palabras: ¿Por qué está sola? “Por estar en las revistas no encuentro al hombre que se enamore de mi y no de una fotografía” -es su contundente respuesta-. Al final hará una confesión que abrirá el juego a la entrevista. “Me siento sola, porque la soledad va más allá de una situación. Algo que experimenté muchas veces, aun estando en pareja.” Flavia Palmiero (41) recorre los cinco sentidos de una mujer, “muy mujer” que, entregada a la conquista, asegura: “No me enamoro fácilmente, pero en esta materia, la esperanza es lo último que pierdo”.Y la vida le cantó los 40. “Hace muchísimo que deseo encontrar mi alma gemela. A esta edad cuesta mucho más entregarse, pero mantengo la ilusión de dar con el hombre que comparta mi estado de madurez, que valore como yo el hecho de formar una familia, enamorarse con todo y perder el temor al compromiso afectivo. Mi ex marido y Franco (Macri) han sido los únicos hombres fuertes en mi vida. Después, reconozco haber sido querida, pero ahora tengo la necesidad de ser yo misma la que ame fuerte. Los años me enseñaron a ser fiel a una pareja y a mis propios sentimientos. En el amor soy apasionada, y me hace feliz halagar a mi compañero, quitarme el orgullo y decirle cuánto necesito estar con él. Después de los cuarenta, deseo recobrar algo de inocencia, de credulidad afectiva.”Quiere retruco.“Recién hoy transito el camino de la conquista, porque siempre fui muy pasiva en el amor y tan sólo me he dejado seducir, conquistar, querer. Ahora, tengo ganas de desear.” Y es precisamente en el terreno del deseo donde Flavia reconoce su “lado salvaje”. “Puertas afuera, puedo llegar a ser manejadora y obsesiva, pero en el ámbito de la pasión suelo perder la conciencia. Ojo, no hablo del sexo por el sexo mismo, porque eso me aburre demasiado. Para llegar a esa instancia de intimidad, hoy debo registrar un sentimiento hacia la otra persona: amor, admiración, algo. Cuando es así, suelo no tener límites, y nada me cuesta perder la conciencia.”Dice encarar la conquista desarmada, y es entonces cuando sabe intelectualizar el momento con alguna frase espontánea que rara vez falla en el intento. No se anima a dar señales sin un ápice de seguridad, pero cuando siente esa vibración sus sentidos se despiertan y despuntan las certezas, o los tips para los interesados más sagaces.Oír. “Alguna vez me dijeron que yo reunía fortaleza y fragilidad, y me pareció un buen piropo. De un hombre me encanta escuchar la promesa que va a protegerme. Y para `esos momentos`, me gusta el jazz de fondo y algo de baile.” Oler. “Como en el hombre no me gustan los perfumes fuertes, prefiero el aroma natural de la piel, es mucho más sugerente y estimulante. La piel en crudo, el aroma a hombre al natural.” Degustar. “Puedo acompañar la pasión con un buen vino tinto, pero con la dosis justa, para no debilitar la libido.” Tocar. “Nada de texturas que no sean las del cuerpo. La piel es lo mejor que se puede llevar puesto.” Ver. “Inmediatamente cuando conozco a un hombre hago foco en su sonrisa, pero lo que más me agrada son los gestos típicos de un auténtico caballero. Con respecto a lo netamente físico, priorizo el aspecto básico y normal, porque detesto la metrosexualidad. ¡Por favor!, no se cuiden tanto que para eso estamos nosotras...”.Aunque la producción en exceso también es perjudicial para el público femenino en relación con los planes de conquista, según el manual de tácticas de Palmiero. “Los hombres están pendientes de otra cosa. Cuando creemos que se fijan en el vestido, el maquillaje y el peinado, se mueren por una mina en jeans y musculosa. Ellos son más básicos y directos de lo que suponemos. Otra cosa que me mata de los hombres: Me gusta que me pidan cosas como que me ponga una mini. Yo lo hago contenta. Si hoy tuviese una primera cita, no perdería ni un minuto en fijarme qué usar. Suelo seducir con la antiseducción. Al fin y al cabo, la naturalidad es más inteligente que la pose.”Y un ideal que guarda con claridad. “No me arrepiento de nada de lo que viví. Ahora que mis hijos están grandes, quisiera retomar una vida en pareja, volver a casarme y ser madre nuevamente. Claro –advirte– con alguien que me ayude, porque ya no estoy para levantarme por las noches.”Más que madre, una amiga. “Quiero que los chicos crezcan sabiendo que su madre es una mujer que ama, siente, es deseada y tiene vida sexual, algo que deben entender como natural. Por lo general, mi hija Juliana (18), que es muy sabia, me dice lo que debo hacer con respecto al amor. Por mi parte, sólo le aconsejo que viva el amor con libertad, eligiendo y exigiendo respeto. Pero ella es más segura que yo en la vida, nos reímos mucho cuando me carga: Jamás me casaría a los 20, como hiciste vos. Bueno, al menos sé que por el momento no seré abuela.”En su vida hubo grandes y más chicos, los hombres y el prejuicio de la edad. “Sólo quiero encontrar a un par, alguien que vibre en la misma frecuencia que yo. Y sobre cuántos años tenga no es tema de relevancia mientras ejerza el mando en la pareja. Porque debo admitir que soy una mujer machista. Como siempre me las arreglé sola en la vida, necesito un momento de relax, para apoyarme y descansar en alguien. El hombre que me gusta debe saber plantarse frente a la mujer, tomar las riendas y decidir con seguridad. Si tengo al lado a un tipo que mira ir y venir, hacer y deshacer, y dice: `¿Y yo qué hago?`, me muero. Nada me seduce menos que tener que manejar a un hombre, porque si, además de todo, debo hacer eso, mi vida se vuelve ingobernable.”

http://www.caras.uol.com.ar/edicion_1344/nota_02.htm

Os muito ricos não gargalham

Os ricos podem até chorar, mas segundo Danuzinha, os muito ricos não gargalham - será o excesso de botox?
Eu, como pobre vocacional que sou (apesar de gostar de conforto, me ofendo até os cílios com qualquer quatro portas acima de R$ 50 mil), fico vaidosa em ver que o maior sonho de consumo da nata-da-nata é brincar de ser como eu, como você. Pois é, lascados do meu Brasil, não temos dinheiro mas estamos na moda! hahaha
Confiram a matéria abaixo:

Eles não têm dinheiro no bolso nem chave da porta; não freqüentam lugares da moda nem usam roupas com grifes à mostra; não carregam malas nem passaporte. Eles não são ricos: são muito ricos
DANUZA LEÃO
COLUNISTA DA FOLHA

Os muito ricos adoram brincar de pobres. Para as férias, costumam ter uma casa simples, mas muito confortável, numa praia ainda não descoberta do Nordeste, e por nada deste mundo deixariam uma revista fotografar este paraíso.
Lá, usam bermudas velhas, camisetas desbotadas, andam descalços e só recebem os muito íntimos. Quando isso acontece, oferecem uma cachacinha local e nada lhes dá mais prazer do que uma comida muito simples, especialidade da mulher do caseiro. O casal trabalha com eles há 30 anos, usa bermuda, camiseta, anda descalço mesmo para servir a mesa e tem uma familiaridade com os patrões que só o tempo permite.
Os carros dos muito ricos costumam ser pretos, de marca indefinida e nunca do ano.

NÃO FREQUENTAM FAMOSOS TEMPLOS DE LUXO E NUNCA USAM CHAVES
Os muito ricos não ostentam; os homens mandam fazer suas gravatas e lenços sob medida no Charvet, que fica num segundo andar na Place Vendôme, endereço em Paris que só poucos conhecem, e suas mulheres têm jóias maravilhosas mas guardadas no cofre de um banco -na Suíça, de preferência-, que são usadas apenas em jantares muito privados, só entre eles. E não usam uma só roupa ou acessório que seja "identificável". Têm seus costureiros exclusivos, que só elas conhecem, e que não fazem a menor questão de aparecer nas revistas de moda, para que suas criações não sejam usadas por estrelas de cinema na noite do Oscar ou manequins e assim não sejam vulgarizadas.
Só quem faz parte desse seletíssimo mundo é capaz de identificar a origem daquele vestido, daquela bolsa ou daquele sapato. Afinal, qual a graça de usar um vestido com a grife de St. Laurent, se esse vestido não foi desenhado pelo próprio e, desde que a marca foi vendida, no ano 2000, a cada estação muda o designer?
O porta-voz da luxuosíssima Bottega Veneta declarou recentemente: "Nós nos rendemos ao prazer da nossa fantástica qualidade e mão-de-obra, e isso diz mais do que qualquer grife". Detalhe: em seus artigos não há um só sinal sugerindo de onde eles vêm.
Jamais um logotipo, jamais uma letrinha que identifique de onde saíram aquelas preciosidades. Mas quem sabe -e só quem sabe- sabe.
Os muito ricos, até por cansaço de serem ricos há tanto tempo, viajam -e vivem- à maneira deles; em altíssimo padrão, mas na maior das discrições. Não é um problema de dinheiro, claro, mas os famosos templos de luxo e riqueza não são freqüentados por quem é rico de verdade.
Um amigo meu, quando vai a Londres, fica em um hotel que é uma casa; uma casa normal, tipicamente inglesa, com poucos quartos, onde só se hospedam pessoas altamente recomendadas. Nesse hotel-casa, cada hóspede tem a chave da porta da rua; não existe portaria, conseqüentemente também não existem porteiros, e, no living -confortável, charmoso e bem inglês-, um bar com todas as bebidas, os copos apropriados, e um balde de gelo. O hóspede se serve do que quer, e anota num bloquinho o que consumiu, que será cobrado quando for pagar a conta. Ah, e nessa hotel/casa tem um gato, que está sempre passeando pela casa. Pode ser mais chique?
Outra coisa invejável dos muito ricos é que eles não usam chave; a qualquer hora que cheguem, o motorista telefona do carro, discretamente, avisando que o patrão está chegando, e um empregado estará esperando, com a porta já aberta. A arrumadeira ajudará madame a se despir, perguntará se ela deseja alguma coisa -talvez um chá-, o mordomo fará o mesmo com seu marido, eles dormirão em lençóis que, se não são trocados todo dia, serão pelo menos passados todo dia, para não marcar o rosto, e o quarto ficará na mais perfeita ordem, sem uma só peça de roupa em cima de uma cadeira.

NUNCA SÃO VISTOS NAS RUAS OU LOJAS E ADORAM DIZER QUE NÃO GASTAM
Eles nunca são vistos nas ruas, nas lojas, nas joalherias. São elas que vão até eles, muito mais prático. Vendedores levam os itens mais novos e exclusivos das coleções e, nas raras vezes em que saem -afinal, às vezes é preciso respirar um pouco de ar puro-, se entram num estabelecimento comercial são logo reconhecidos pelos vendedores; a conta vai diretamente para o escritório, e o(s) pacote(s) é(são) entregue(s) em casa, pois rico não carrega embrulho. E cuidado: se acontecer de você sair com alguém muito rico, é capaz da conta sobrar para você, pois rico não costuma levar dinheiro no bolso, nunca.
Os muito ricos adoram dizer que não gastam; aquele vestido maravilhoso é um Chanel antigo de 30 anos atrás, o outro foi comprado há 15 numa lojinha exclusivíssima no interior da Espanha, e os lençóis, discretíssimos e sempre brancos, são bordados por freiras de um convento em Portugal.
Eles não falam de moda nem de consumo, e o vinho que servem em casa é tão garantidamente o melhor que é servido em garrafas de cristal -e não se fala na origem nem de que ano é, porque não precisa. Têm vários celulares, sendo um do motorista; quando saem, de onde estiverem, telefonam para que o carro já esteja na porta e eles não precisem esperar.
Viajar, para os que são ricos há muito tempo, é simples; para isto existe a femme de chambre -arrumadeira, para os mais simples. Cada peça de roupa é embrulhada em papel de seda, cada pé de cada par de sapatos vai embalado num saquinho de flanela. As malas nunca vão cheias demais, para que nada amarrote.
A secretária vai para o aeroporto três horas antes, levando a bagagem, os bilhetes de avião e os passaportes. Despacham as malas, fazem o check-in, e o casal sai de casa, ela com uma bolsinha pequena, e o marido, sem nada nas mãos.

NÃO LEVAM MALAS CHEIAS E NÃO COMEM NADA DURANTE A VIAGEM
Chegando ao aeroporto -dependendo da distância, vão de helicóptero-, são levados não para a sala vip, com aquele amontoado de gente aproveitando para beber de graça, falando aos berros, crianças correndo e gente dormindo pelas cadeiras. A sala vip dos muito ricos é exclusiva, e nela eles desfrutam de uma paz celestial até a hora de entrar no avião, quando são os últimos a embarcar. Só viajam em classe executiva, e durante a viagem não comem nada, só bebem água.
Estou falando dos que não tem um avião particular, é claro. Aliás, avião, a não ser particular, hoje em dia só é praticamente usado pelos pobres.
Mas, se necessário, quando se instalam em suas poltronas, as mulheres costumam recusar o cobertor que a comissária de bordo oferece; tiram da bolsa uma manta de pashmina, comprada no Hermès de Paris - US$ 3.000, pelo menos-, e que dobrada é do tamanho de um lenço. Qual a mulher que se cobriria com uma manta que já foi usada por outra pessoa, mesmo que tenha sido esterilizada?
Aliás, quando você quiser saber se uma manta é mesmo de pashmina, tire seu anel e procure passá-la por dentro dele. Se não passar, é falsa.
Essas pessoas não usam dinheiro, só cartão de crédito. Para dinheiro de bolso, é só telefonar para o banco onde têm conta -na Suíça ou em Luxemburgo- e um portador levará o dinheiro ao hotel, em qualquer lugar do mundo.
Em Paris costumam se hospedar no Ritz ou no Meurice; a femme de chambre que os acompanha nas viagens desfaz a mala, põe nas gavetas as peças menores e pendura as roupas -depois de passadas, é claro. Mas quem se hospeda nesses hotéis, se não quiser, nem precisa levar sua camareira, pois nesses hotéis as coisas funcionam automaticamente; e na hora de ir embora, as malas são tão bem feitas como quando chegaram.
Eles não freqüentam os restaurantes da moda e preferem almoçar no terraço da Closerie des Lilas, onde não correm o risco de encontrar uma só pessoa que pertença ao chamado jet set; talvez cruzem com um banqueiro que conhecem há anos, que chegou de Genève naquela manhã, a negócios, e vai voltar na mesma tarde. De trem, é claro.

DORMEM EM QUARTOS SEPARADOS E NÃO TÊM AMIGOS ÍNTIMOS
Curiosamente, os muito ricos dormem em quartos separados; não saem do quarto sem estarem formalmente vestidos, e o casal se trata com a maior cerimônia. Nem sei como conseguem procriar. Não têm a menor intimidade com os empregados e não costumam ter amigos íntimos, por isso quando têm seus problemas existenciais não têm com quem se abrir, pois não costumam freqüentar analistas. Imagine, um muito rico ser visto saindo do consultório de um psi.
Não foi à toa que a imperatriz do Japão, devido ao rigor do protocolo, teve uma depressão e ficou sem aparecer nem nas cerimônias oficiais, por longos anos.
E os muito ricos, muito ricos mesmo, homens e mulheres, têm uma coisa em comum: nunca ninguém ouviu, e jamais ouvirá, um deles dando uma gargalhada.
No máximo, eles sorriem.

Muito ricos escondem renda em pesquisa

Só 14 pessoas declararam ganhar mais de R$ 50 mil/mês nas últimas entrevistas por amostra de domicílios do IBGE

Entrevistados costumam declarar somente ganhos do trabalho formal e esquecer ou até omitir os recursos vindos de outras fontes

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Os muito ricos, no Brasil, escondem tão bem sua riqueza que nem aparecem nas estatísticas oficiais. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita anualmente pelo IBGE, por exemplo, só 14 entrevistados -numa amostra de 410.241 pessoas- declararam ter rendimentos mensais superiores a R$ 50 mil.
Para ter uma idéia do quanto isso é muito pouco, ou quase nada, esses 14 entrevistados representariam um universo de 7.215 pessoas, ou 0,005% da população com mais de dez anos. Trata-se, porém, de uma amostra tão insignificante que é impossível fazer inferência estatística a partir dela.
Na mesma Pnad, o maior valor declarado entre os entrevistados foi o de um rendimento médio mensal de R$ 131,9 mil (somando todas as fontes de renda). É, sem dúvida, bastante dinheiro para um país cuja média não passa de R$ 873, mas não é, certamente, o maior rendimento verificado no Brasil.
Basta lembrar de alguns técnicos e jogadores de futebol ou artistas de televisão para ter certeza de que há bastante gente ganhando acima desse teto.

Dificuldade
Pesquisar com precisão a renda dos muitos ricos é uma dificuldade vivenciada não apenas pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas também por todos os demais institutos congêneres, mesmo dos países que são mais desenvolvidos.
Como a maioria das pesquisas de renda são feitas a partir de entrevistas, é comum os entrevistados declararem somente a renda do trabalho formal, esquecendo -ou então, até mesmo omitindo- os recursos vindos de outras fontes.
Isso vale tanto para os mais ricos -segmento em que os rendimentos do aluguel e de aplicações financeiras são significativos- quanto para os mais pobres -segmento em que os índices de informalidade são maiores e, até por esse motivo, a renda tende a apresentar variações muito significativas mensalmente.

Livro
Uma das tentativas recentes de pesquisar a riqueza dos mais ricos entre os ricos foi feita pelo economista Marcio Pochmann, que hoje ocupa o cargo de presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Ao organizar o livro "Atlas da Exclusão Social - Os Ricos no Brasil", Pochmann revelou que 5.000 famílias consideradas muito ricas -ou 0,01% do total de famílias do país- reuniriam um patrimônio que representa 46% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, o equivalente a R$ 691 bilhões em valores de setembro de 2003.
No mesmo trabalho, o pesquisador conclui também que, entre os muito ricos, 40% estão nessa confortável situação graças a heranças e que, cada vez menos, a origem de suas fortunas vem de atividades produtivas -que perdem espaço como a principal fonte de renda para os recursos vindos de aplicações financeiras, especialmente em títulos públicos.

Cansei VII

Sete é um número cabalístico. E esse recado final vai pra quem não dá valor ao afeto dos outros.

Cansei VI

Ó, vida, desculpe, mas...

Cansei V

Às vezes, até de mim mesma!

Cansei IV

De sofrer com a Bahia e com o Brasil!

Cansei III

De algumas mulheres que ainda insistem em não amadurecer, mesmo estando quase "caindo do pé"!

Cansei II

Este blog se recusa a falar de Alosa enquanto ele não der um alô.

Da série "músicas que falam por mim", meu recado via Ivete Sangalo!
E tenho dito!

E o pior é que herdei o espírito de corno goiano: quanto mais Alosa me despreza e me trai, mais ele me inspira.

Cansei

Não. Eu não aderi a essa campanha da moda. A corrupção no Brasil? Simplesmente "passei", faço a minha parte e pronto. Não vou ser eu quem vai "evangelizar" alguém - pra começar, o brasileiro é pouco chegado a uma crítica, ou melhor, a uma auto-crítica, pois pra criticar os outros!...

Eu cansei foi de ser tolerante. Porque às vezes eu sinto que ninguém reconhece meus esforços para conviver com as diferenças, mas muito pouca gente tem boa vontade com as minhas particularidades. Nesse caso, as coisas se tornam um esforço duplo pra mim: aceitar os outros e aceitar não ser aceita por eles. Isso não é justo, a longo prazo mata qualquer boa vontade.
Viver com gente diferente até um certo ponto nos enriquece, mas é muiiito tedioso e às vezes até penoso. Outro dia estava pensando que o meu expert no mundo das novelas vem em grande parte da minha falta de oportunidade de travar uma conversa consistente com 90% das pessoas que passa(ra)m na minha vida (e olha que eu tô sendo generosa nessa minha "estatística").
Com a esmagadora maioria delas eu não posso falar de literatura, de cinema, de música, de relacionamentos, do sentido da vida, fazer o meu tipo de humor ou comentar aforismos. Sobra-me, não tem jeito, a novela ou algo que valha. Ultimamente a coisa anda feia pro meu lado, nesse sentido, pois nem novela eu tenho visto. Porém pior do que lidar com gente sem conteúdo, é lidar com gente impertubável. Sabe aquele tipo que tem até cacife para travar uma conversa mais pensante e verdadeira, mas não gosta disso, não quer pensar "em problemas"? Com esses eu falo de cinema ou de seriados...
Então acaba que você passa quase o tempo todo gastando saliva com o que lhe diz pouco e não tem a oportunidade de falar do que realmente te interessa. Você até gosta da esmagadora massa de gente superficial que te cerca, mas, no fundo, isso traz uma bruta frustração pessoal, como disse acima, e como essas pessoas não te instigam muito, não há o impulso de dar atenção a elas, o que gera muita culpa pois há afeto no meio, então há também um certo "dever" de querê-las mais do que realmente quer. E aí quando gasta o seu tempo com essas pessoas, vem uma pontada de culpa de estar desperdiçando-o, de algum modo, e não estar utilizando esse precioso recurso da existência com quem realmente interessa ou com você mesmo.
Lógico que falar besteira de vez em quando é bom e tem a sua função. Mas quando isso é a sua única ponte com a maioria dos que te cercam, é de lascar. No meu caso, esse tipo de deslocamento se torna duplo. Explico: do mesmo modo que o "povão" me deixa o vazio de não poder travar uma conversa de verdade, a elite e a intelectualidade também me trazem o mesmo problema, com a diferença que a superficialidade deles vêm de um excesso de informação. Então tudo vira o que Lacan disse, o que Bergman fez, o que Rilke escreveu e a pessoa parece que perde a capacidade de elaborar um conjunto de saberes e sentidos próprios. É como ser subnutrido tendo comida à vontade. Um grande balde de água fria...
Decidi que não vou fazer mais isso comigo, não. Meu ponto de corte vai ser a fluência na conversa, a convergência de valores e de nível mental. As diferenças pesam com o passar do tempo. É bobagem negar.
Vai ser uma briga das boas. De um lado, a minha educação doméstica, de "dar atenção a gente simples". Do outro, minha falta de gosto por relacionamentos, minha pouca disposição para a sociabilidade... Aliás, eu ando meio marrenta nesse sentido. Eu não devo ficar constrangida porque gosto de pensar e da idéia de viver para ser melhor. A esmagadora maioria das pessoas que eu conheço e que não tem conteúdo, que não se aperfeiçoam "por dentro", não o fazem porque não querem. Por que eu tenho que me ajustar? É um deserviço que presto a elas (que se acomodam) e a mim (que alimento culpa injusta).
Quando eu digo que quero largar o Jornalismo, as pessoas não entendem. Eu gosto de criar e tenho o mesmo interesse por gente que eu tenho pelos animais do zoológico, é um treco bom de observar. O Jornalismo não dá muita oportunidade para criar e me faz entrar em contato com o pior lado das pessoas: a vaidade e o orgulho. Ainda por cima, paga muito, muito mal.
Pois é, tô colada nos 30 anos. Meu retorno de Saturno me cobra uma atitude meio Titãs, e eu só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder.
Gastar nossa vida com o que não nos diz nada é avareza, maldade com a gente mesmo.
Por que é tão difícil arranjar quem fale a mesma língua? Simplesmente não entendo!...
Cansei.

domingo, 7 de outubro de 2007

Proust & Nelson

Noite chata de sexta-feira. Estou sentada na sala, vendo uma novela igualmente tediosa. Toca o telefone. "Piririm, piririm, piririm, alguém ligou pra mim":

- Eu liguei porque preciso compartilhar!... - uma voz abafada me explica.

Hum... "Compartilhar"?! Eu logo penso "Oba, fofoca!", mas a pessoa do outro lado da linha é Ô Ingrid, e, vindo dela, já sei que não é nada ilegal ou imoral - no máximo, algo que engorda. : (
Era ela numa ação tipicamente ingridiana: queria que eu ligasse no programa de culinária de Nigella Lawson, uma inglesa que prepara receitas "com açúcar e com afeto". Muiiito afeto (o programa deveria ser oferecido por Sazón). E se o ingrediente ainda permitir, ela não titubiteia em acrescentar uma pitada de lirismo à ordinária e lenta arte de cozinhar.
Ingrid continua:

- Juliana, é simplesmente fan-tás-ti-co! É como ter Proust na cozinha! - elogia.

Eu não iria tão longe no entusiasmo: as comparações de Nigella não chegam nem perto do chatíssimo José de Alencar e a voz pretensiosamente sensual me lembra o estilo cafona-sexy-rouco de Paulo Ricardo (diga aí, Gri: euzinha, sim, que chego perto das comparações proustianas! :) ). Maravilha, mesmo, na minha opinião, é a capacidade infinita de Ingrid de se encantar com as coisas mais comuns da face da Terra! Não é à toa que a gente se dá tão bem. Ingrid Campos é uma das raríssimas pessoas que compartilham comigo o fascínio pelo ridículo transcendental - a diferença é que ela percebe o ridículo de forma mais racional e se impacta com maior facilidade que eu.
Diria mais: o dom de Ingrid é comparável ao de Nelson Rodrigues, com a diferença que funciona no pólo oposto ao dele. Onde o anjo pornográfico via pecado, a anja do IAPI vê a santidade.
Outro dia li que o dramaturgo carioca começou a simpatizar com Arnaldo Jabor ao vê-lo numa passeata tomando sorvete e gritando "Abaixo a fome! Abaixo a fome!". Nelson ficou encantado com tamanho cinismo e ao mesmo tempo intrigado: será que Jabor, ao segurar a casquinha, propôs o sorvete como solução para a fome no Brasil?
Aposto que Ingrid ficaria igualmente encantada, mas elogiaria: "Nossa, eu não acredito que ele se ocupou de denunciar a maior miséria que atinge o povo enquanto tomava uma casquinha de sorvete! Quem se preocuparia com a fome alheia, enquanto come, ainda mais sendo burguês?! Muito bom! Na boa, Jabor é quase uma Evita Perón!...".

É ou não é "o cããão"?! (risos)

POST nº. 100 DO BLOG!

Barthes

Canso de ir ao Berinjela e comprar livros cujos títulos (ou autores) me interessam, e deixá-los na pratileira. Resolvi "chamar para dançar", essa semana, Fragmentos de um Discurso Amoroso do nosso "saudoso" Roland Barthes. Pois é, decidi dar uma chance a um dos caras que me chatearam no primeiro semestre da FACOM. Geralmente funciona. Gosto muito mais do Umberto Eco off-Semiótica, por exemplo.
A quem possa interessar, adorei o livro, mesmo não estando in love e - pasmém! - apesar dele ser sapecado de trechos de um dos poucos livros que abandonei antes da metade por não agüentar a narrativa: Werther. Uma amiga me emprestou esse livro, há alguns anos, fazendo altas recomendações (por favor, nunca façam isso comigo, meu interesse morre no primeiro elogio, eu gosto de descobrir coisas!). Odiei. Achei bobo, exagerado, meloso... Arrrgh! Queria eu mesma atirá-lo do penhasco!
Mas nada como a sensibilidade de Barthes para desvendar o extraordinário por trás do ordinário. Estou até com vontade de dar uma segunda chance a Goethe...
Eis alguns trechos do livro:

"O horror de estragar (a imagem do objeto amado) é ainda mais forte que a angústia de perder".

"Ao chorar, quero impressionar alguém, pressioná-lo (´Veja o que você faz de mim'). Talvez seja - e geralmente é - o outro que se quer obrigar desse modo a assumir abertamente sua comiseração ou sua insensibilidade; mas talvez seja também eu mesmo: me faço chorar para me provar que minha dor não é uma ilusão: as lágrimas são signos e não expressões. Através das minhas lágrimas, conto uma história, produzo um mito da dor, e a partir de então me acomodo: posso viver com ela, porque, ao chorar, me ofereço um interlocutor empático que recolhe a mais "verdadeira" das mensagens, a do meu corpo e não a da minha língua: ´Que são as palavras? Uma lágrima diz muito mais´". (Schubert)

"Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum".

"O coração é o órgão do desejo (o coração se dilata, falha, etc., como o sexo), tal como ele é retido, encantado, no campo do Imaginário".

"Ela aprecia mais meu espírito e meus talentos que esse coração, que entretanto é meu único orgulho [...] Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber - meu coração só eu o tenho". (Werther)

"A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras".

"Te darei mais do que me dás, e assim te dominarei".

"Procuro me fazer mal, expulso a mim mesmo do meu paraíso, me empenhando em procurar em mim imagens (de ciúme, de abandono, de humilhação) que me podem ferir; e, aberta a ferida, eu a sustento, e a alimento com outras imagens, até que uma outra ferida venha desviar a atenção".

"Sou ´uma bola de substância irritável'. Não tenho pele (a não ser para as carícias)". (Freud)

"A resistência da madeira não é a mesma segundo o lugar onde enfio o prego: a madeira não é isotrópica. Nem eu; tenho meus "pontos fracos". Só eu conheço o mapa desses pontos, e é por ele que me guio, evitando, procurando isso ou aquilo, segundo condutas exteriormente enigmáticas; eu gostaria que esse mapa de acupuntura moral fosse distribuído aos meus novos conhecidos (que, de resto, poderiam utilizá-lo também para me fazer sofrer mais ainda)". (R.H.)

"A preocupação amorosa implica num desgaste que força o corpo tanto quanto um trabalho físico". (Werther)

"O mundo está cheio sem mim, como na Naúsea; ele brinca de viver atrás de uma vidraça; o mundo está num aquário; vejo de perto e entretanto separado, feito de uma outra substância; me abandono continuamente fora de mim mesmo, sem vertigem, sem névoa, na exatidão, como se estivesse drogado. 'Oh, quando essa magnífica natureza, aí exposta diante de mim, me parece tão fria quanto uma miniatura envernizada...'" (Sartre)

"Sou demais, mas, duplo luto, aquilo do que estou excluído não me atrai".

"Quando Albert a abraça pela cintura esbelta um arrepio lhe corre por todo o corpo". (essa é em homenagem a Ingrid, que se impressiona com o fascínio dos homens pela cintura feminina)

"Há pessoas que nunca se apaixonariam se nunca tivessem ouvido falar de amor". (La Rochefoucauld)

"O mundo me deve tudo de que preciso. Preciso de beleza, do brilho, da luz, etc.". (Wagner)

Muito bom, não?
O curioso é que me identifiquei com as reflexões de Barthes e seus "convidados". Alguém que sabe da minha hipocondria dirá que é o hábito de relacionar-me a qualquer descrição de sintomas. Mas penso que não. Sou um ser apaixonado, mas o problema é que meu objeto de amor não é palpável: a vida. (mentira, que eu gosto, mesmo, é mais de mim do que dela. haha)

Mas essa releitura fragmentada de Werther me deu um insight: Alosa e eu somos o amor romântico aplicado ao terreno da amizade. Ele é meu Charlotte e eu, sua Werther: eu o idealizo, eu exalto as qualidades dele, ele mal sabe que eu existo, tenho obsessão em expressar essa minha dor de cotovelo... Outro dia ouvi no rádio uma canção que me fez lembrar de nós dois (não, não é "Entre tapas e beijos" do meu conterrâneo Leonardo, mas leiam devagar, que é pra degustar a poesia):

"Diga aonde você vai
Que eu vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo"

Só o Molejão entende os meus profundos sentimentos!... Ai, ai...




sábado, 29 de setembro de 2007

Quem tem medo de Alosa Woolf?

Eu tenho! Muito!
Se você tem algo contra ele, é melhor começar a sentir também ou virar a casaca rapidinho. E tenho dito!

Já perceberam que todos os algozes de Alosa foram, aos poucos, ladeira abaixo?! "Pois é, pois é, pois é!"... O Xixi de Macaco apresenta, a seguir, uma reunião dos fatos. Leia e perceba com os seus próprios olhos, caro leitor!

Jerônimo
O que fez: queimou Alosa pro chefe.
Onde está: quem sabe?

Eliane
O que fez: não quis admitir que era vizinha de Alosa, preferiu se posicionar no lado mais elite da linha que separa Pernambués e Cabula.
Onde está: após uma temporada de poucos frutos em Sampa, voltou a trabalhar na esquerda socialista.

F. Conceição
O que fez: empurrou Alosa para uma pauta que o fez ficar mais queimado que churrasco de pobre.
Onde está: na berlinda e pode ser expulso da UFBA.

Iara
O que fez: virou a cara para Alosa quando soube que ele era o autor da tal matéria que irritou sua amiga, Aninha.
Onde está: no ostracismo.

ACM
O que fez: era o cacife do grupo que atravancava o caminho daquele outro que, historicamente, sempre apadrinhou Alosa.
Onde está: a sete palmos, para onde também levou a única oposição capaz de barrar a galera dele na Bahia.

Aninha
O que fez: torturou psicologicamente Alosa até não poder mais, por conta de uma matéria na Província.
Onde está: foi parar na chon depois que retiraram a verba de manutenção do teatro que administrava.

Alosa, diz pra mim, pra eu poder dormir tranqüila: Você vai com a minha cara?! Goste de mim, vai, que eu não mereço o seu desafeto! Pense que eu já sou mulher, brasiliense, classe média, moro longe...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A dor de cada um


Depressão e terapia

CONTARDO CALLIGARIS

Quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua dor seja reconhecida

UM DIA, ao acordar, um conhecido meu encontrou sua mulher morta, ao seu lado, na cama. À dor de perder sua amada juntou-se o choque de descobri-la já fria e a culpa atormentada por ter dormido na hora em que ela morria.No velório, muitos amigos e parentes tinham as mesmas palavras de consolação: "Ao menos, ela não sofreu", "É o melhor jeito de morrer...". Outro conhecido, anos atrás, na Flórida, perdeu sua casa e tudo o que ela continha, num tornado. Alguns dias depois, seus pais foram visitá-lo e confortá-lo; enquanto ele contemplava, com eles, os escombros de sua existência, a mãe disse: "Pelo menos você está são e salvo". E o pai: "Ainda bem que você tem seguro". São exemplos de "reavaliações" -é assim que a psicologia chama as tentativas, diante de uma catástrofe, de encontrar razões para suavizar o sofrimento do sujeito. Suspeito que, freqüentemente, as reavaliações facilitem sobretudo a vida de quem as sugere, ou seja, dos amigos e parentes que não estão muito a fim de se debruçar sobre o desespero de quem perdeu seu amor ou suas coisas. Eles se saem da embaraçosa situação de oferecer pêsames graças a um achado otimista: "Pense bem, no horror, você teve sorte".
De fato, essas intervenções são quase intoleráveis para os sujeitos que elas deveriam beneficiar. Para quem sofre, só fica uma impressão de escárnio: os outros sequer reconhecem o tamanho de sua perda, de seu dano e de seu luto.
Há especialistas em perdas, danos e luto; são os psicólogos treinados para oferecer assistência imediata às vítimas e aos próximos das vítimas de calamidades (acidentes aéreos, desmoronamentos de túneis do metrô, inundações etc).
No Brasil, conheço o Quatro Estações (http://www.4estacoes.com.br/), um instituto que treina e disponibiliza uma rede de psicólogos capazes de prestar assistência urgente em todo o território nacional, ou quase. Nos EUA, a própria Cruz Vermelha oferece um treinamento específico que qualifica os psicólogos e psicoterapeutas que ela mobiliza em caso de catástrofe. Pois bem, os especialistas em luto são, em princípio, unânimes: quem está no desespero, antes de qualquer consolação, pede que sua perda e sua dor sejam RECONHECIDAS e só depois, eventualmente, suavizadas.
Essa unanimidade encontrou recentemente uma espécie de confirmação experimental indireta. O "Journal of Neuroscience" publicou, em 15 de agosto 2007, uma interessante pesquisa de Tom Johnstone e outros. Foram constituídos dois grupos, um de 21 sujeitos diagnosticados como depressivos graves e um grupo de controle de 18 sujeitos (obviamente, não depressivos).
A atividade cerebral de todos os sujeitos foi monitorada por ressonância magnética funcional enquanto lhes era mostrada uma série de imagens, boa parte das quais foram concebidas para produzir preocupação, medo, desespero e tristeza. Os sujeitos eram também convidados a reavaliar essas imagens deprimentes, ou seja, a reinterpretá-las de maneira a suavizar ou mudar seu impacto negativo.
Deixo de lado a complexa descrição da atividade cerebral constatada nos dois grupos durante a experiência. O que importa aqui é a constatação final: os sujeitos deprimidos, aparentemente, tiveram a maior dificuldade em reavaliar as imagens negativas. Pior, a tarefa de reavaliação que lhes era pedida parecia deprimi-los ainda mais.
É possível imaginar que esta seja uma propriedade dos quadros depressivos: uma incapacidade de reavaliar positivamente o que acontece de negativo. Mas é também possível que a depressão seja aqui apenas um fator, que torna mais aguda a propensão ao desespero e impede de discriminar entre imagens e eventos aflitivos.
Seja como for, a experiência confirma o que já sabíamos: quando alguém sofre, a primeira tarefa dos próximos (e dos profissionais) não é a de consolá-lo sugerindo reavaliações, mas a de ajudá-lo a encarar seu sofrimento assim como ele é. Mais uma nota: essa constatação é também relevante na hora de administrar a necessária medicação antidepressiva.
Talvez os raros efeitos paradoxais dos antidepressivos (o paciente que "estava muito bem" e, de repente, tenta o suicídio) tenham a ver não com o fracasso, mas com o sucesso da medicação, que produziu uma melhora substancial antes que o sujeito tivesse o tempo de dizer sua dor.

ccalligari@uol.com.br

***

O texto acima é muito útil, especialmente para quem adora tirar da cartola um chavão, em momentos de crise. Não fazemos isso por mal - muito pelo contrário -, mas às vezes não falar nada é dizer tudo.
Alguém que perde uma pessoa querida pode chorar um dia, uma semana e até um mês, mas mais que isso é considerado falta de caráter, fraqueza. É que em tempos de ditadura do hedonismo, o sofrimento virou coisa de otário e quase ninguém está preparado para a visita dele (o que torna o processo duas vezes pior, pois não bastasse suportar a dor, surge o sentimento de humilhação), e pior ainda, ninguém está preparado para lidar com o sofrimento alheio.
Sou a primeira a confessar que me sinto uma autista nessas horas, apesar de entender o que se passa e querer ajudar.
A verdade é que essa cultura do self made man nos condicionou à falta de solidariedade; cada um que se vire e, se não conseguir, problema dele/a, é falta de força de vontade.
Então, da próxima vez que for a um enterro ou que o seu amigo se ferrar feio em alguma situação, ouça com atenção e, se sentir que não tem o que dizer, fique quieto/a. Se possível, faça um afago. É a minha postura habitual em velórios, por exemplo.
Quando eu tinha 15 anos, minha melhor amiga perdeu a mãe, uma semana após a avó (dois anos depois, foi a vez do pai). No enterro da mãe, optei por guardar minhas obviedades para outras pessoas, cheguei, sem lhe dizer nada, e dei um abraço forte.
É aquela coisa: fora "Eu estou muito triste com o que aconteceu" e "Eu gostaria que isso não estivesse acontecendo", tudo que se diz para consolar nessa hora é mentira. Não há consolo no modo "a" ou "b" de morrer. Morreu, uma pessoa se foi e nada ameniza o fato. Não há felicidade em tocar a vida sem alguém fundamental nela, ainda que você pudesse ter morrido também e tenha escapado disso. Morte é morte. Quem perde alguém nunca mais fica inteiro. Vive-se de felicidades possíveis para quem já não tem outro alguém. É como perder uma perna, a visão ou o seio: aprende-se a conviver bem com isso, mas não é natural, nunca vai ser confortável como nos dias em que se era inteiro. Um dia a gente melhora, mas nunca sara.
Ela entendeu o recado e respondeu apertando com muita força a minha mão. Eu também entendi o recado dela: a dor estava insuportável, embora quem a visse ali, sem derramar uma lágrima, pudesse pensar que se tratava de uma pessoa fria.
Ela e eu temos a mesma reação ao sofrimento: dar alguma leveza à situação fazendo graça.
Ela apertou minha mão mais forte ainda, ao ponto de me machucar. Eu gritei "aiii!" , e, num reflexo, fiz cara de zangada e ela deu risada de mim, repetindo o nosso número de todos os dias. Ali, eu vi que ela queria esquecer um pouco a própria miséria e aliviar o meu desconforto em estar ali. A verdade é que aquele abraço estava angustiante para as duas, precisávamos mesmo da sagaz saída pela tangente que ela improvisou.
Ter atitude faz a diferença até nessas horas.


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

El piropo


Você sabe o que é um piropo? Pois é, eu também não sabia até ontem. A tal palavra quer dizer "cantada", na língua dos hermanos.

O tema veio à tona na aula de espanhol, por acaso, e foi bem revelador sobre os instintos do povo da sala. Foi quase uma sessão de psicodrama, nunca mais nos olharemos da mesma forma (risos).

Percebi, por exemplo, que meu excesso de sinceridade me prejudica. Falta-me aquela delicada hipocrisia feminina, de sorrir para tudo e para todos, mesmo que esteja uma droga. Isso eu não herdei da minha mãe, que casou com o meu pai mesmo achando uó as cartas que ele lhe escrevia (velho, nenhuma mulher merece coisas do tipo "Você não é produto da Shell, mas tem algo mais"! os textos de punho próprio deveriam ter integrado a campanha do desarmamento. acho que nas relações amorosas não existem duas "criptonitas" melhores que as declarações cretinas e, na convivência sob o mesmo teto, o grito grotesco de "Tem gente!").
Bem, mais uma vez, saí como "a" mulher insensível. Injustiça. É o contrário: o excesso de sensibilidade frente a algo muito ruim é que me deixa de mau humor (normal. o mundo e eu temos divergências estéticas seríssimas!). E em se tratando de romance, não existe meio termo: ou funciona ou não, ou melhor, ou encanta ou é um balde de água fria. Pense nos filmes românticos: ou eles são bons ou ruins, nunca vi quem gostasse mais ou menos de "E o vento levou" ou de "Diário de uma paixão".
Um piropo é como o Domingão do Faustão: é popular há anos, mas ninguém sabe por que ainda insistem em algo que, quase unanimemente, é considerado desagradável, apelativo, o supra-sumo da falta de criatividade e de charme.
Fora que ainda tem um quê de papo de telemarketing, é aquela conversa ensaiada a fim de agregar mais um "cliente". A não ser que o "alvo" seja dado ao deslumbre fácil ou ao cinismo sentimental, não vai querer algo pessoal com alguém que tem uma abordagem tão impessoal. Um bobo que seja natural é mais atraente. De tudo, de tudo, você dá risada e o cara ganha sua simpatia.

Voltando às descobertas, vi que o professor, aquele sujeito inteligente, educado, homem sério e de família, mestre em literatura, que combina a camisa com o sapato, tem o seu lado B: ama "fútbol" e inclusive torce para o Boca Juniors (ao menos podia ser River Plate...), adora praia, considera que Hebe faz um bom programa e pensa que o piropo é o que há em termos de paquera (não só acha como ficou batido ao ver que a prática não faz o mínimo sucesso entre seus alunos... agora compreendi o famoso histerismo das argentinas! elas devem pensar, ao ver o cara se aproximando: "Deus do céu, lá vem mais um piropo!"). Se não estivesse encostada na parede, cairia para trás por conta das descobertas, mas, confesso, no fundo acho esses contrastes fan-tás-ti-cos! É puro "Apocalípticos e integrados"...
Um exemplo próximo é Ingrid, que apesar de amar Ella Fitzgerald e defender o timbre suave de Norah Jones, vê repetidamente o dvd de Beyoncé, ainda que esse contenha cenas de muito mau gosto, como a entrada da cantora de cabeça para baixo, presa pelo pé por um pano ligado ao teto. O lado B de Ingrid é um dos mais divertidos que conheço - e não estou falando da noiva de Jay-Z! (mistééério! eu sou má, não vou contaaar! guardarei tudo para a ocasião da canonização. ho!ho!ho!)

Mas o melhor da noite foi ver meu amigo Gabriel sentindo a insustentável leveza do seu caráter impecável.

Gab é e sempre foi "o" garoto legal. Já vi quem tem um gênio tão bom quanto, mas não melhor. E olha que o conheci na fase geralmente crítica, quando tinha 16 anos.
Uma vez, no italiano, o professor perguntou-lhe que coisas costumava aprontar quando era criança. Ele confessou que não fazia traquinagens. Típico italiano do Sul, ficou chocado, custou a acreditar. Gabitcho, sempre inabalavelmente simpático, deu risada e fez graça: "Pensava que meus pais podiam me expulsar de casa, só descobri que não quando entrei na faculdade. Já contei a minha irmã pequena que eles não podem expulsá-la até os 18 anos, agora é com ela".
Apesar do ar melancólico, de quem está com gripe - e quase sempre isso é verdade -, Gabinho vive num comercial de margarina ("Oh, happy day!"): a família dele é legal e unida; seu poodle é alegre e comportado; a empregada trabalha direito e só ouve Globo FM; os amigos o adoram; os colegas simpatizam com ele de cara; a namorada tem tudo a ver e é a garota mais feliz que conheço; é engraçado; o examinador mais mal-humorado do Detran o aprovou de primeira; ele não mora longe nem anda de ônibus; nunca foi assaltado; conheceu Nova Iorque "na mala" da mãe, que foi lá p/ um congresso; e o cabelo da figura é maravilhoso, liso e loiro natural. Ó paí ó: ainda dá carona para residentes em Itapuã e adjacências! Brinco dizendo que é quase um au au, de tão fofo. E ele?! Acha graça disso, claro!

Mas ontem foi diferente. E tudo por causa de um piropo...

Divididos em duplas, tivemos que encarnar o Don Juan de rua. Sempre cheia de idéias e piadinhas, a dupla de nerds travou no terreno da paquera. Escreve, rabisca, escreve, rabisca e naaaada. Mas nem tudo estava perdido: lembrei de um piropo bizarro. Chega a hora da verdade. Gabriel engasga e amarela. "É muiiito brega, não consigo ler em voz alta!", cochicha pra mim. O celular chama bem na hora e ele fica mais vermelho. Por causa do que houve c/ Renan Calheiros, não me contenho ao vê-lo assim e chamo a classe p/ observar esse fenômeno raro no País: "Existe alguém que ainda ruboriza!", comemoro. Gab volta a si e sai pela tangente apresentando um insosso "Você vem sempre aqui?". O constrangimento é geral. O professor não se conforma, ao ponto de dizer que duvidava que só tínhamos pensado tal frase. Eu sinto meu orgulho ferido, tomo o caderninho e leio a cantada de pedreiro em voz alta. "Agora sim!", deve ter pensado o professor, a julgar pelos aplausos e o sorriso. A turma também aplaudiu muito. Sorry, periferia, ficamos entre os 3 melhores (???) da noite! Eu, que sempre achei uma fraude aqueles golpes certeiros de Daniel San depois de ter apanhado à beça, começo a acreditar em viradas fantásticas...

Mas isso não foi tudo. Meu amigo entrou em nova saia-justa. Aliás, não reparem o excesso de "Gabriellll" numa aula só, é que ele é o queridinho do professor - deve ser por causa da cara de italiano, do rabo-de-cavalo e da lembrança de Gabriel Batistuta... A turma formulou em conjunto uma história. O personagem dele mente pra namorada que vai sair com o amigo e omite que vai traí-la com as amiguinhas que o sujeito vai trazer. Vem a cena final, o confronto com a namorada, que era, coincidentemente, uma das amigas e encontra com ele num bar. Gab não consegue mentir para enrolar a patroa fictícia e nem percebe que ela também ia trai-lo. "Obrigado por me avisar", diz ao colega que o alertou do corno.

Ainda bem que a sorte também vai com a cara dele: só Ana mesmo, com sua atitude self-service diante da vida, para driblar a cautela de Gabriel no campo amoroso. E ela pode dormir tranqüila que, se ele fizer algo errado, ela não vai ter trabalho para descobrir (e olha que a lábia dele até que é boa quando se trata de assuntos práticos do dia-a-dia!). Gab também deve agradecer por seu destino de classe média alta. Além de detestar esportes, não teria chances de ascender como pagodeiro, muito menos, pelo visto, pagodeiro piropo... oops!, romântico. É um agnóstico muito do abençoado, viu!...

Fim de aula, volta pra casa. Ele está pensativo, um pouco descontente. Especulo qual será a razão: acho que, pela primeira vez, meu amiguinho sentiu o gosto amargo da sua boa índole. Eu, também pela primeira vez, entendi realmente o que Nelson Rodrigues quis dizer quando afirmou que "A virtude é triste, azeda e neurastênica”.

Ser virtuoso, às vezes, é um fardo.

***

A verdade sobre o piropo é que o mal não está exatamente nele. Quero dizer, é um treco deprimente, mas tudo depende de quem o diz. Você, mulher que lê esse blog, se por acaso o George Clooney aparecer na sua frente ou o Reynaldo Gianecchini, vai fazer diferença o texto? Pode ser até a lista telefônica, fale a verdade!... É a mesma diferença, por exemplo, entre "É o amor" interpretada por Zezé Di Camargo e por Maria Bethania.
Hombres, hablen, sí, con ellas, pero con los ojos, con la sonrisa, con su cuerpo! Afinal, como canta Miltón, "tudo que cala fala mais alto ao coração...". É mais envolvente e, principalmente, seguro. Cantada é pra quem tem o dom da oratória, e se tiver o borogodó, repito, nem precisa (vide galãs de Hollywood: Rhett Butler mandou Scarlett ir se danar e, mesmo assim, por conta do seu 1kg de charme, soou a galanteio. Isso é que é ter a técnica, o mojo!... kkk). Eu tive um vizinho que não só era gato, era ainda charmoso. De boca fechada. Quando abria, meu Deus!... Ele falava coisas como "buniteza"! Ficava numa frustração brascubana ("Por que encantador, se burro? Por que burro, se encantador?"). Deveríamos vir ao mundo com um controle remoto. Nessas horas, bastaria apertar o "mute". Não que eu não fale besteira (ô!... quem fala demais sempre acaba falando muita bobagem), mas, em algum momento, também faço meu gol. Ele não. Era de matar (tanto a presença quanto a estupidez dele)!... Sorte que ele falava muito pouco.

Eu falei de charme como substituto do bom papo, mas, no final das contas, as qualidades são meros acessórios no caso de haver sentimento. Quando a mulher está a fim, ele pode ser a cara do Ronaldinho Gaúcho, ter a estupidez do meu ex-vizinho e ser pior de composição que meu pai, e ela vai achar lindo. Se a vida não fosse um absurdo e o amor, a exaltação disso, a Humanidade não teria sobrevivido nem 200 anos... Alguém discorda?
Mas uma coisa temos que reconhecer, quando o assunto é cantada: o homem de rua é o último romântico, aquele que sempre tem um galanteio p/ a sua "musa", mesmo que a visão daquela que passa por ele seja tão inspiradora quanto a do Corcunda de Notre Dame! Os pedreiros bem sabem tudo: só o amor constrói...

(Alguns dos piores piropos: http://www.felipex.com.br/div_cantadas_xavecos01.htm)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Frase do Mês

"Ela anda na moto dele usando saia".
Ingrid Campos, candidata a santa da Igreja Católica, competindo com Nelson Rodrigues no quesito "sugestões eróticas".

quarta-feira, 12 de setembro de 2007