Nem sempre fui "bela, recatada e do lar". Até uns seis anos de idade, era bem wild. Vivia apaixonada e expressava meus sentimentos na maior cara de pau e sem direito a democracia. Por base nas minhas paixonites da primeira infância, entendo perfeitamente o que Tônia Carreiro quis dizer quando falou que Vinícius de Morais era capaz de qualquer baixaria para conquistar uma mulher. Eu jogava nesse time. Hehe...
Fora Rodrigo, meu vizinho "rebelde", que se escondia de mim quando eu chegava na casa dele - e eu não me abatia nem um pouco; ia tirá-lo debaixo da cama ou de dentro do armário, esconderijos batidíssimos dele, para abraçá-lo bem forte enquanto ele chorava... puro charme! -, Freddy foi minha grande paixão da infância. Só que ao contrário de Rodrigo, que era da minha idade, ele era 13 anos mais velho que eu. E morava no interior da Bahia, então só o via durante 20 dias por ano, em janeiro. Portanto, a estratégia era praticamente de guerra para chamar a atenção do moço, o mais bonito e disputado por todas as jovens, sem exagero, daquela colônia de férias. Eu, do alto dos meus cinco anos, achava que podia com elas.
É que Freddy me dava ousadia e eu achava aquilo muito natural, e ficava em busca disso o tempo todo. Mas, pensando bem, poderia não ter sido assim, né? Eu achava que ele era gente grande, mas era só um menino, um adolescente. Normal até que ele não me desse atenção. É que me achava engraçada, ria das minhas tiradas, e me considerava esperta. Também acredito que, olhando retrospectivamente, ninguém se esforçava tanto para ter ele por perto, naquela colônia, como eu, que, a despeito de ter mudado muito a partir da adolescência, quando me empolgo, equivalho a um fã-clube ambulante da pessoa. "I was born to love you, with eeeeeevery single beat of my heart...".
Eu me lembro de uma vez em que uma menina da minha idade comentava que ele era o mais bonito da colônia. Eu respondi que ele gostava de mim e ela olhou com aquela cara de "Sério?!". Eu subi de uma árvore e comecei a gritar por ele, pedindo ajuda pra descer. Ele me tirou de lá e me levou pro pátio no colo. Eu me lembro da minha cara de "Viu, bestona, como é que se faz?!" pra coleguinha. Hahaha... Ainda bem que ele me buscou, porque eu não sei como ia descer de lá.
Outra vez, eu tinha guardado a melhor roupa que havia ganho no Natal para mostrar a ele nas férias. Eu vesti a tal, passei por ele, que nem percebeu. Na minha cabeça de criança eu achava que ele tinha que ter percebido e fiquei muito chateada, fui me trancar no meu quarto. A mãe dele sacou o ocorrido e mandou ele conversar comigo. O bico só se desfez assim.
Bem, mas se eu não me dei bem naquela época - graças a Deus, porque seria pedofilia -, ganhei uma honraria que nenhuma outra gostosona daquela colônia teve: minha foto com ele, num porta-retrato, por anos figurando no quarto dele. Sei disso por causa de uma ex-namorada dele que me contou - eu já estava na faculdade.
Ê Julinha retada! Hehe...
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