É culpa das rancheras que meu pai tocava em casa na minha infância. Certeza que é.
Meu pai passava horas, com cara de cachorro que caiu da mudança, bebericando a cerveja e sorvendo cada palavra de lamentação daquelas canções que falavam de traições, decepções e amores maiores que a vida.
Meu pai se sentia traído pelo destino. So do I. E o corno existencial dói, viu, bicho!... Ô se dói.
Ontem, numa reunião de (queridos) amigos, depois de todo mundo ter cheirado um pouco de rapé paricá, o povo soltou as emoções que estavam presas (o pó produz esse efeito). Eu, que cheguei cheia de carga emocional, precisando desabafar, tive uma epifânia de que talvez seja muito difícil encontrar escuta em 2016 porque simplesmente está todo mundo mal, como diz o título do livro da Jout Jout.
Numa determinada altura da noite, uma confissão duríssima, que fez todo mundo ficar paralisado nas cadeiras: de um estupro ocorrido há mais de 20 anos e como isso foi doloroso, porque inclusive implicou em um silenciamento da vítima por medo de ser julgada. A história dela só não terminou em suicídio porque foi salva pela irmã, que morava na Europa, e a levou para lá para fazer um aborto.
Nessa hora, tive a impressão que uma outra amiga queria fazer uma confissão e não teve coragem.
Enfim, folks, se balançar, cai trauma, dor e insatisfação dessa árvore da vida. Tá todo mundo mal e, pior, guardando isso em segredo.
Meteóro, vem nim nós, que o treco aqui embaixo tá pesado, viu, Bê?
Nenhum comentário:
Postar um comentário