
Amanhã estréia mais uma novela de Manoel Carlos, "Viver a Vida". Por motivos de força maior, o primeiro capítulo talvez seja um dos poucos que conseguirei ver. Bem, quem sabe, se Deus quiser, dessa vez eu me livro desse vício! (risos)
Gosto das tramas do autor não só porque são agradáveis de ver, mas porque me suscitam reflexões sobre a vida - outro vício do qual quero também me livrar (risos).
A primeira vez que Maneco me pôs pra pensar, de verdade, foi em "Por Amor" - na minha opinião, essa foi a última história "redonda" dele, apesar de não ter dado muito ibope. "História de Amor" foi a melhor. Meu Deus, como adorava aquela novela!...
As novelas de MC sempre estão centradas na figura da mãe. A maternidade, pelo que tenho visto, é uma tarefa das mais árduas - se não a mais -, mas é um ótimo escudo para as loucuras de algumas mulheres. Se "por amor" as pessoas perdoam toda e qualquer transgressão, imagine se esse amor for de mãe?! Quem é louco de contestar uma mãe bem-intencionada?! Por isso mesmo, a meu ver, há de se ter muito cuidado com esse tal "amor de mãe".
Primeiro porque por mais que a mãe seja imensamente e sinceramente amorosa, antes de qualquer coisa, ela também é gente, e isso pressupõe a existência de interesses próprios. Segundo, o amor pressupõe respeito, e, sendo assim, cabe a uma boa mãe respeitar as escolhas de sua prole, por mais que lhe doa - vixe, essa parte deve ser difííícil!
As mães de Manoel Carlos sempre me pareceram uma crítica ao comportamento no fundo egoísta das mães.
Afinal, qual é o direito que alguém que ama outro tem sobre o objeto do seu amor? Quem tem o poder de definir o que faz a felicidade do outro que não a própria pessoa?
Manoel Carlos, ao que me parece, concorda com Nelson Rodrigues: "No amor, só temos direito àquilo que o outro nos quer dar". Como legítimo pisciano, o pai das Helenas parece sonhar com um mundo de relações nobres entre as pessoas (embora já tenha ouvido falar que ele não é nenhum doce de coco). Quem dera todo mundo fosse traído e se comportasse de maneira elegante como Virgínia (Angela Vieira).
Em nome do amor, os personagens de Manoel Carlos atropelam seus seres mais queridos. Na referida novela, por exemplo, Helena (Regina Duarte) chega ao cúmulo de afastar o filho recém-nascido do pai, Atílio (Antonio Fagundes), cujo maior sonho, aliás, sempre foi se tornar pai. Para que a filha não sentisse a frustração de não poder ter um filho biológico, a mãe deu seu próprio filho e impôs um luto desnecessário ao amor de sua vida. Sinta a loucura da pessoa, uma criatura muito boa por sinal!
Não sei se notaram, mas eis aí uma outra coisa interessante de se destacar: o amor materno não é algo tão espontâneo assim. Entre a filha adulta e o que acabou de nascer, Helena privilegiou seu amor mais antigo. Enfim, a afeição também é uma questão de construção.
Se a gente avançar mais um pouquinho na linha manequiana, veremos quão absurda era Capitu (Giovanna Antonnelli). Se ela queria dar conforto à família, não seria melhor vender aquele apartamentão e comprar algo mais humilde, e usar o dinheiro restante para algo mais edificante? De onde ela tirou que faria melhor à família se prostituindo (o que implicaria até em risco de vida)? Talvez tenha sido até uma crítica ao materialismo, ao consumismo...
Egoísmos à parte, é inegável, tanto na tela como na "selva", a força desse sentimento que parece nos unir. Certas atitudes, certas "coragens" que tomamos ao longo do caminho, só mesmo sendo "por amor"!
That´s all, folks! Daqui a 23 horas estará no ar "Viver a Vida". Vamos ver, desta vez, qual será a reflexão que dr. Maneco nos trará!
Gosto das tramas do autor não só porque são agradáveis de ver, mas porque me suscitam reflexões sobre a vida - outro vício do qual quero também me livrar (risos).
A primeira vez que Maneco me pôs pra pensar, de verdade, foi em "Por Amor" - na minha opinião, essa foi a última história "redonda" dele, apesar de não ter dado muito ibope. "História de Amor" foi a melhor. Meu Deus, como adorava aquela novela!...
As novelas de MC sempre estão centradas na figura da mãe. A maternidade, pelo que tenho visto, é uma tarefa das mais árduas - se não a mais -, mas é um ótimo escudo para as loucuras de algumas mulheres. Se "por amor" as pessoas perdoam toda e qualquer transgressão, imagine se esse amor for de mãe?! Quem é louco de contestar uma mãe bem-intencionada?! Por isso mesmo, a meu ver, há de se ter muito cuidado com esse tal "amor de mãe".
Primeiro porque por mais que a mãe seja imensamente e sinceramente amorosa, antes de qualquer coisa, ela também é gente, e isso pressupõe a existência de interesses próprios. Segundo, o amor pressupõe respeito, e, sendo assim, cabe a uma boa mãe respeitar as escolhas de sua prole, por mais que lhe doa - vixe, essa parte deve ser difííícil!
As mães de Manoel Carlos sempre me pareceram uma crítica ao comportamento no fundo egoísta das mães.
Afinal, qual é o direito que alguém que ama outro tem sobre o objeto do seu amor? Quem tem o poder de definir o que faz a felicidade do outro que não a própria pessoa?
Manoel Carlos, ao que me parece, concorda com Nelson Rodrigues: "No amor, só temos direito àquilo que o outro nos quer dar". Como legítimo pisciano, o pai das Helenas parece sonhar com um mundo de relações nobres entre as pessoas (embora já tenha ouvido falar que ele não é nenhum doce de coco). Quem dera todo mundo fosse traído e se comportasse de maneira elegante como Virgínia (Angela Vieira).
Em nome do amor, os personagens de Manoel Carlos atropelam seus seres mais queridos. Na referida novela, por exemplo, Helena (Regina Duarte) chega ao cúmulo de afastar o filho recém-nascido do pai, Atílio (Antonio Fagundes), cujo maior sonho, aliás, sempre foi se tornar pai. Para que a filha não sentisse a frustração de não poder ter um filho biológico, a mãe deu seu próprio filho e impôs um luto desnecessário ao amor de sua vida. Sinta a loucura da pessoa, uma criatura muito boa por sinal!
Não sei se notaram, mas eis aí uma outra coisa interessante de se destacar: o amor materno não é algo tão espontâneo assim. Entre a filha adulta e o que acabou de nascer, Helena privilegiou seu amor mais antigo. Enfim, a afeição também é uma questão de construção.
Se a gente avançar mais um pouquinho na linha manequiana, veremos quão absurda era Capitu (Giovanna Antonnelli). Se ela queria dar conforto à família, não seria melhor vender aquele apartamentão e comprar algo mais humilde, e usar o dinheiro restante para algo mais edificante? De onde ela tirou que faria melhor à família se prostituindo (o que implicaria até em risco de vida)? Talvez tenha sido até uma crítica ao materialismo, ao consumismo...
Egoísmos à parte, é inegável, tanto na tela como na "selva", a força desse sentimento que parece nos unir. Certas atitudes, certas "coragens" que tomamos ao longo do caminho, só mesmo sendo "por amor"!
That´s all, folks! Daqui a 23 horas estará no ar "Viver a Vida". Vamos ver, desta vez, qual será a reflexão que dr. Maneco nos trará!
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