domingo, 13 de setembro de 2009

Felicidade à milanesa

Como legítima filha da rainha Yemanjá, sei que posso viver sem qualquer coisa, menos sem a presença do mar!

Há 9 meses, quando soube da notícia de que me mudaria para a Barra, não me emocionei muito. Claro, é sempre bom ser surpreendida positivamente pelo destino, já que nunca imaginei que, pelas mãos de meus pais, poderia algum dia sair de Itapuã, lugar ao qual pareciam ser tão apegados. É óbvio que morar próxima de tudo também me deixou satisfeita e que estar pertinho da casa de minhas amigas me animou. O que quero dizer é que a Barra, em si, não me emocionava muito. O bairro, para mim, tinha clima de inferninho.
Havia tirado a sorte grande e nem sabia!...
Na Barra, não só encontrei comodidade, espiritualidade e "braguidade" (risos), como encontrei beleza. Meus olhos, desde então, agradecem. Digo, sem afetação mas porque é verdade, que moro no melhor lugar de Salvador. Quer prova? Atrás de mim, o Corredor da Vitória. À minha esquerda, uma mega Perini e o Largo da Graça. Se eu descer a rua, caio no Porto. Atravessando a rua, estou no Hospital Português. Se descer na segunda à esquerda, vou parar no Jardim Brasil, e se desço a ladeira, estou quase no Shopping Barra. De quebra, meus vizinhos são fofos, e o vizinho é brasiliense e bancário, como meu pai.
Lembro que a primeira vez que cheguei em casa, na Av. Princesa Isabel, sorri para uma imagem que muito me agradava: estudantes voltando para casa. Aquilo, sim, tinha a ver comigo! Em Itapuã, o que eu andava vendo, ultimamente, eram pessoas com jeito de marginais. Não me levem a mal. O bairro, apesar de ser distante de tudo, em um passado não muito distante foi um lugar bonito e tranqüilo. As invasões e o tráfico de drogas conseguiram transformar um ambiente antes solar em um território obscuro, sujo, desagradável.
Talvez não tivesse me emocionado com a mudança porque não conhecia o melhor lugar do bairro: o Porto da Barra.
Como era uma completa forasteira no bairro, tive que começar a explorar com os meus próprios pés o local. Literalmente. No início, minhas caminhadas eram por aquele trecho do Castro Alves-Campo Grande-Ladeira da Barra. Sempre amei o Campo Grande, e poder andar em plena tarde de domingo por ali, passando pelas árvores do Corredor da Vitória, me deixou superempolgada.
Mas a grande paixão ainda estava por vir. Numa tarde da primeira quinzena de janeiro, depois de muito meu pai insistir, fui à famosa praia do Porto da Barra. Desci a Princesa Isabel toda desconfiada, preparada para ver gays se pegando, turistas alisando mulheres vulgares, enfim, esperava ver a baixaria. Mas, por outro lado, pensei que a praia não devia ser assim, ou do contrário, meus pais, tão conservadores, não a frequentariam.
Aquilo era o paraíso, isso sim! Eu pensava que Jaguaribe era a melhor praia, mas nem se compara ao Porto! Primeiro, que o estilo da praia, com exceção da extensão da areia, me lembra de algum modo o Rio de Janeiro. Segundo, que o mar é uma delícia: quente, sem algas, sem pedras, e sem ondas. Descobri que já faz parte da Baía de Todos os Santos - essa baía, a meu ver, é uma das provas de que Deus existe! Ô mar bonito! Que visão! Mar imenso, uma beleza sem fim nem descrição!... Terceiro, o Forte de Santa Maria dá uma vista fantástica; qualquer dia, vou passar a tarde inteira sentada ali. Quarto, que todo mundo está naquele lugar: os gringos, os negros, as periguetes, as famílias, as patricinhas, os populares. Uma festa!
Às vezes a coisa foge do controle. Foi o caso do último feriado de 7 de Setembro. Aquilo ali virou um Piscinão de Ramos! Hilário! hahaha... Outro dia, tinha uma mulher muito gorda, mas nem aí para as trezentas celulites de sua bunda (tão nem aí que estava usando fio dental. Eis a legítima musa do "Todo enfiado"!hahaha). Muito figura! Minha mãe, coitada, é que não gostou muito de uma coisa: do biquini da pessoa. É que ela havia comprado um igual; a sorte foi que havia ido à praia com outro biquini. Ia ser ridículo as duas que nem um par de jarros. hahaha... Aliás, a praia tem isso de bom: você vê cada exemplo inspirador de auto-estima...
Eu amo a orla da Barra, sou fascinada pelo mar do Porto! De verdade. Sempre que dá, caminho por lá. Qualquer oportunidade, e lá vou eu dar uma espiadinha na praia do Porto, naquela animação que nunca pára, naquela areia que nunca está vazia. Meus sábados são mais felizes desde que moro aqui. Tomo sol, mergulho no mar, me sujo de areia, dou um giro no calçadão, me divirto com as figuras que aparecem e, se der vontade, ainda me lambuzo com Chicabon. hehehe

Posso dizer, ainda que isso pareça piegas, que encontrei naquele mar o porto seguro de mi alma! Ando feliz com a natureza como só me lembro de ter sido quando criança. :)

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