sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Claudio´s Day



Dia 09 de janeiro é aniversário de meu amigo Claudio Leal. Segundo a sua Revolução Solar para os próximos 12 meses e a numerologia da data, esse será um ano muito favorável para os relacionamentos e o lazer! Uhuuuuu!... hahaha
Nossa, o tempo passa muito depressa! Outro dia mesmo esse rapazinho tinha apenas 18 anos e, diziam as mais diversas línguas de 2000.1, mantinha um romance com uma estudante de Enfermagem. Lembro de ter achado tal informação - a primeira que tive a seu respeito - bem kitsch, na época! [risos]... Mas é incrível como ele não mudou nada! Mantém as mesmas tiradas debochadas de sempre, o mesmo cabelo, a mesma roupa [risos] e, graças a Deus, o mesmo espírito camarada [vixe, isso soou que nem aquela música de "A Praça é Nossa": "A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim..."!hahaha]. Claudio é alguém que não hesito em chamar de amigo, até porque já me deu algumas provas bem contundentes de amizade. Sim, sim, eis uma pessoa que honra o próprio sobrenome. Cacau é realmente le[g]al!!! "Entããão", Claudinho, "sabe, turururu, eu gosto muito de vocêêêê, oh yeah!" [by Juju Bochecha]... Joyeux anniversaire, ma cherie!!!!!!!

Feliz Aniversário

A conversa passava dos quinze minutos quando Pereira me disse, abruptamente: "Claudio". Longo silêncio. "Hoje é meu aniversário". Notem que ele usou apenas cinco palavras para exprimir um sentimento mais fundo. A alma infantil do meu amigo pedia, implorava, um presente dentro do sapatinho exposto na janela.
Foi há um ano atrás. Neste 16 de julho, volta a aniversariar e tudo isto o cansa e esfalfa. Juliana Brito, doce espírito espinhoso, costuma afirmar que uma nuvenzinha negra sempre o acompanha. Nasceu assim, e provo. Pereira era um bebê tão reacionário que esperou 48 horas para saber se a queda da Bastilha era mesmo irreversível.
Afeito a polêmicas, quem acompanha nossas discussões pensa que somos inimigos. De fato, somos inimigos da coletividade, de qualquer multidão. Mas, ao contrário de mim, Pereira ficaria contra a execução de Maria Antonieta. Enquanto abomino a queima de Joana D'Arc, ele delira ao imaginar o fogo lambendo o nariz da heroína. Em Nuremberg, Pereira não esperaria a pena de morte. Tomaria o veneno de Goering feito danoninho. De colher.
Com o passar do tempo, esta personalidade temerária tornou-se vagabunda e lamentável. Eu e ele matamos o tempo em baianas de acarajé, bibliotecas deficitárias, na leitura de jornais indignos e a falar mal dos outros, inclusive de você que me lê. Nada o anima mais do que comprar pão em delicatessen. Sem ter o que fazer, acompanhei-o numa ida à Padaria Favorita, a Daslu do trigo importado: "O melhor pão da cidade, segundo a revista Veja".
Pereira pediu uma dúzia - dá três de presente a mendigos da região - e me estimulou a comprar também (falávamos muito mal de algum roqueiro). Comi dois pães franceses a caminho do ponto de ônibus. "Então, então? Não é bom?", perguntou-me. A massa não tinha gosto de nada, entretanto me lembrei daquele telefonema de 16 de julho: o menino voltava a implorar um elogio. Que não faço pelo amigo? O melhor pão da cidade! O melhor pão da cidade! Fui cuspindo pelo caminho.
Claudio.



Um comentário:

  1. Minha gente, agora que eu reparei: Riachão colou total em ÔÔÔÔ Ingrid; mal triscou em Cláudio! Uhuuuuuu!...

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