"O horror de estragar (a imagem do objeto amado) é ainda mais forte que a angústia de perder".
"Ao chorar, quero impressionar alguém, pressioná-lo (´Veja o que você faz de mim'). Talvez seja - e geralmente é - o outro que se quer obrigar desse modo a assumir abertamente sua comiseração ou sua insensibilidade; mas talvez seja também eu mesmo: me faço chorar para me provar que minha dor não é uma ilusão: as lágrimas são signos e não expressões. Através das minhas lágrimas, conto uma história, produzo um mito da dor, e a partir de então me acomodo: posso viver com ela, porque, ao chorar, me ofereço um interlocutor empático que recolhe a mais "verdadeira" das mensagens, a do meu corpo e não a da minha língua: ´Que são as palavras? Uma lágrima diz muito mais´". (Schubert)
"Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum".
"O coração é o órgão do desejo (o coração se dilata, falha, etc., como o sexo), tal como ele é retido, encantado, no campo do Imaginário".
"Ela aprecia mais meu espírito e meus talentos que esse coração, que entretanto é meu único orgulho [...] Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber - meu coração só eu o tenho". (Werther)
"A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras".
"Te darei mais do que me dás, e assim te dominarei".
"Procuro me fazer mal, expulso a mim mesmo do meu paraíso, me empenhando em procurar em mim imagens (de ciúme, de abandono, de humilhação) que me podem ferir; e, aberta a ferida, eu a sustento, e a alimento com outras imagens, até que uma outra ferida venha desviar a atenção".
"Sou ´uma bola de substância irritável'. Não tenho pele (a não ser para as carícias)". (Freud)
"A resistência da madeira não é a mesma segundo o lugar onde enfio o prego: a madeira não é isotrópica. Nem eu; tenho meus "pontos fracos". Só eu conheço o mapa desses pontos, e é por ele que me guio, evitando, procurando isso ou aquilo, segundo condutas exteriormente enigmáticas; eu gostaria que esse mapa de acupuntura moral fosse distribuído aos meus novos conhecidos (que, de resto, poderiam utilizá-lo também para me fazer sofrer mais ainda)". (R.H.)
"A preocupação amorosa implica num desgaste que força o corpo tanto quanto um trabalho físico". (Werther)
"O mundo está cheio sem mim, como na Naúsea; ele brinca de viver atrás de uma vidraça; o mundo está num aquário; vejo de perto e entretanto separado, feito de uma outra substância; me abandono continuamente fora de mim mesmo, sem vertigem, sem névoa, na exatidão, como se estivesse drogado. 'Oh, quando essa magnífica natureza, aí exposta diante de mim, me parece tão fria quanto uma miniatura envernizada...'" (Sartre)
"Sou demais, mas, duplo luto, aquilo do que estou excluído não me atrai".
"Quando Albert a abraça pela cintura esbelta um arrepio lhe corre por todo o corpo". (essa é em homenagem a Ingrid, que se impressiona com o fascínio dos homens pela cintura feminina)
"Há pessoas que nunca se apaixonariam se nunca tivessem ouvido falar de amor". (La Rochefoucauld)
"O mundo me deve tudo de que preciso. Preciso de beleza, do brilho, da luz, etc.". (Wagner)
Muito bom, não?
O curioso é que me identifiquei com as reflexões de Barthes e seus "convidados". Alguém que sabe da minha hipocondria dirá que é o hábito de relacionar-me a qualquer descrição de sintomas. Mas penso que não. Sou um ser apaixonado, mas o problema é que meu objeto de amor não é palpável: a vida. (mentira, que eu gosto, mesmo, é mais de mim do que dela. haha)
Mas essa releitura fragmentada de Werther me deu um insight: Alosa e eu somos o amor romântico aplicado ao terreno da amizade. Ele é meu Charlotte e eu, sua Werther: eu o idealizo, eu exalto as qualidades dele, ele mal sabe que eu existo, tenho obsessão em expressar essa minha dor de cotovelo... Outro dia ouvi no rádio uma canção que me fez lembrar de nós dois (não, não é "Entre tapas e beijos" do meu conterrâneo Leonardo, mas leiam devagar, que é pra degustar a poesia):
Que eu vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo"
Só o Molejão entende os meus profundos sentimentos!... Ai, ai...
Juliana, concordo com Gri: você é otima!
ResponderExcluirGostaria de vê-la lendo Ovídio e fazendo uma relação com sua outra paixão, Claudio. Aí nem Belo salva.."Eu quero mais, um pouco mais.."
Ah, até eu to espantada com a força de meu presente. Como diz Daneil, rumo à primeira divisão!
Bjos
Nandy,
ResponderExcluirObrigada pela visita. Eu até atenderia o seu pedido, mas Ovídio, o Wando da Antiguidade, é demais pra mim. Barthe já foi o máximo da pieguice amorosa, o meu limite nesse campo.
Quanto a essa dita paixão por Cláudio, não tire as outras por você. Porque usted y él são mais ou menos como aquele casal de "Tatuagem", que "pega, esfrega, nega, mas não lava". Tá querendo enganar a quem desviando a atenção para mim, hein?
Pois é, o espantalho é (mais) uma prova de que só te dou boas dicas, embora vc sempre faça pouco delas! Pergunta Parmalat: "Tomou?" Da próxima vez, bote mais fé no que eu digo, viu! :)