quarta-feira, 29 de abril de 2009

Guerra Fria é realmente coisa do passado

Por essa Ronald Reagan com certeza não esperava: ver um dos ícones da beligerância americana, o ator Mel Gibson, fraquejando diante da Rússia. Ou melhor, da cantora [e há quem diga ex-prostituta] Oksana Grigorieva [Oksana? Rosana?... "Como uma deusaaaa você me mantéééém..."].
É bem verdade que Mel já vinha sendo derrotado pelas armas russas em estado líquido [vodka], mas não suspeitava que também fraquejaria com as sólidas. Tsc, tsc.
Ah, falando sério, fiquei triste com Mel. Depois de tudo que Robyn, a ex-mulher, já agüentou dele [lidar com um alcoólotra por 30 anos não é para qualquer um!], ela não merecia que ele saísse por aí desfilando com uma qualquerzinha. Cada um sabe de si, mas, superficialmente analisando, faltou consideração da parte dele. Caberia aí uma "quarentena" pós-divórcio. Ficou implícito que ele estava com essa moça antes do pedido formal.
Quanto a essa Oksana, não está passando mal, de jeito nenhum. Ô!... Cá aqui entre nós, eis um coroa que super vale a pena [tenho essa opinião desde que ele ainda era trintão e fez aquele filme "Eternamente Jovem"!]; uma raridade mesmo em Hollywood. Além de Mel ser um dos homens mais ricos e famosos dos EUA, tem a fama de beijar muiiito bem - palavra de várias atrizes que já contracenaram com ele, entre elas a lésbica Jodie Foster [costumava me divertir horrores vendo "Maverick"!!] e a veterana Diane Keaton. Será que ele ainda vai arriscar um 8º filho com essa inha aí? Hummm...
Quanto a mim, só fico feliz pela confirmação de Mel da sua preferência por morenas! Apesar de insensível, ele continua, ao menos, inteligente. :D
Mas Robyn não merecia. Tadinha!... Poxa, Mel!... :(

sábado, 25 de abril de 2009

Obama é o cara!

Só espero que o novo presidente dos EUA não faça nada decepcionante, a exemplo do que Lula fez em 2005. Mas se ele pisar na bola e conseguir ser charmoso como Bill, talvez ainda continue achando que é o cara, apesar disso [nada se compara ao cínico imbecil do Lula! O "caríssimo" presidente, no episódio do Mensalão, ficou visivelmente desconcertado, mas não como quem foi desapontado e sim como quem foi pego no flagra. Nem mentir sabe!...].
Enquanto nada de ruim acontecer, continuarei empolgadíssima com o governo Obama!!
"YES, WE CAN!!!"
[Lembram dessa frase, em "O professor aloprado"? Sherman costumava devorar o pote de M&Ms enquanto repetia, junto com a tv, esse bordão, dito à exaustão por um guru da boa forma. Era um pouquinho só diferente: "Yes, you can!".]

Isn´t she lovely?



Suri Cruise fez 3 anos dia 18. E como a dona deste blog é fã da mãe dela e mais ainda da própria garotinha [além de ter tido, claro, sua fase Top Gun/Coquetel, na pré-adolescência!], fica aqui uma singela lembrança.
Ó que coisa mais fofa, mais gostosa!... Ainda chama Tom de "Papai Cruise". Ela não é adorável?
[Deus, por favor, manda aí um sobrinho ou vou acabar sendo influenciada por uma certa personagem da reprise das duas da tarde. hehe]

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Até tu, Santorus?

Declaro que acabei de deixar o fã-clube informal de Mr. Santoro. Um ator que dá esse cartaz todo a Fernanda não merece o meu aplauso - e tenho dito!

Já que você falou como marcou sua passagem em Cuba, agora quase nove anos depois de sua passagem pela Bahia, para as gravações de “Abril Despedaçado”, o que te vem à memória quando falamos disso?
Cara, passei quatro meses direto aí na Bahia, sem sair daí para nenhum outro lugar. Fiquei em um lugar chamado Ibotirama. Foi uma imersão muito grande, então aquele lugar ainda existe, mora dentro de mim. Tive uma experiência fantástica, nadei muito no Rio Francisco. Foi muito interessante. As pessoas que eu conheci desse lugar eram pessoas conectadas com a natureza. Lembro de ter aprendido muita coisa boa. Todos lá, nem digo só da produção do filme, nos ajudaram a fazer o filme.
(Rodrigo Santoro, em entrevista ao jornal A Tarde, de 24/04/2009)

domingo, 12 de abril de 2009

Menino Maluquinho


Entre as inúmeras roubadas que entrei nessa existência, via Alosa, a menos pior delas atendia pelo nome de Carlos Petrovich - ou apenas Petrô. Foi no verão de 2002/03 que Alosa e eu nos juntamos aos bons para abaixar a média da optativa oferecida pela Escola de Teatro, às sextas-feiras, capitaneada por Sir Petrovich.
Em meia-dúzia de palavras, para quem por acaso não souber de quem se trata, Petrô foi ator de Glauber Rocha, um dos fundadores do Teatro dos Novos e no plano espiritual, filho de Ogum. Um ator nos palcos e na vida. Não me refiro a falsidade ou coisa do tipo. Não foi isso que quis dizer. Aliás, eis um defeito do qual passava longe - sofria, pelo contrário, de sinceridade crônica e aguda. Sabia e gostava, isso sim!, de reinventar a realidade, o cotidiano. De cara, foi nos incentivando a fazer o mesmo:
- Mudem! Comecem pela maneira de tomar banho - aconselhava e depois exemplificava: Pra quê começar de cima para baixo? Comece de baixo para cima, esfregue-se de um jeito diferente!...
Petrô tinha uma implicância séria comigo. Não, não era bem isso. Petrô gostava de me provocar. Para ser mais exata ainda, adorava provocar qualquer um que lhe desse brecha, como se quisesse nos ajudar a desenvolver a capacidade de improvisação.
Lembro de um caso, de um colega de classe malandro, daquele tipo que só pela foto do RG você já identifica o "tipo psicológico" do cidadão. Pois bem, após ter matado o primeiro mês de aula inteirinho, alegando problemas de trabalho, o cidadão veio direitinho uma semana e na seguinte, chegou quase na metade da aula. Detalhe: nosso professor odiava impontualidade. Sabe o que a criatura disse? Que estava atrasado de qualquer jeito, e tinha duas opções: sair sem café da manhã ou se atrasar mais cinco minutos - contagem dele - e tomar café, e que ele priorizou fazer a tal refeição para estar justamente mais disposto no restante da aula. Petrô passou-lhe o sabão na frente da turma, mas seus olhos denunciavam o orgulho que, no fundo, sentia do pupilo. "Ah! Um talento desses no teatro!..." é o que aposto que se passava na cabeça dele, isso sim!
Não tive semelhante sorte. Pelo contrário: ele pegava bastante no meu pé!
Um dia, cheguei atrasada. Acordei com uma cólica de lascar o cano. Ele veio me questionar, com cara de zangado. Eu contei o que havia se passado. Ele simplesmente apontou pra mim e exclamou, diante de toda a sala:
- Tá vendo aí! Tá vendo aí! Não conhece o próprio corpo!
Um dia, quase provocou uma saia-justa entre mim e uma colega. Primeiramente, ele me botou numa sinuca de bico. A colega ao lado, simpática, me auxiliou. Nem tive tempo de me virar para agradecer, e ele foi logo exclamando:
- Tá vendo aí! Neeem agradece!
A tal moça me defendeu e foi aí que ele sossegou.
Por último, fui sugerir algo que não me recordo exatamente, e ele comentou:
- Ela tem nome de imperador! Olha como ela é autoritária!
Poxa, começo a pensar que ele não ia, realmente, com a minha cara! :( Não, peraí que ele me fez um elogio, uma vez: disse que eu era atenta aos outros e valorizava as falas de meus colegas nas minhas próprias falas. Também gostou do plano de vida que tracei para mim, no nosso exercício final da disciplina [belo plano, mas pena que ele ainda não se concretizou! :D]. Petrô, aliás, tinha uma "superstição": a de que as coisas só acontecem na nossa vida quando fixamos uma data para isso, quando botamos prazo para que elas se concretizem.
Petrô também dava muita importância à sedução e à família.
Como grande parte dos homens sensíveis, do teatro, ele dava muito valor à figura feminina. Até nos indicou umas leituras a respeito. Contou, várias vezes, as artimanhas de moleque que usou para seduzir a esposa, Vanda Machado.
Uma vez, discursou longamente sobre a importância do perfume. Por fim, sobrou para moi cheirar a barba dele. Pode?! Com Petrô, podia tudo! Ô!... No final do semestre, ao comparar minha nota com a de Alosa, fiquei brava ao ver que a pessoa havia passado com meio ponto a mais que eu na média. Pensei, chateada, cá com os meus botões: "Poxa vida, Alosa não fez nada e eu até tive que cheirar a barba da criatura!...".
Admirava à beça a relação afetuosa que tinha com o neto. Sua relação com essa criança, a julgar pelo que contava em sala, era das mais estreitas. Deveria ser uma delícia para o menino ter um avô como Petrô. Pense aí: de um lado, o garoto tinha por perto alguém com ampla vivência, muita coisa para transmitir, uma grande visão de vida; do outro, um velho com alma de criança, que falava de igual para igual com ele e que, acima de tudo, tinha verdadeira adoração pelo pequeno.
Quando o nobre ator morreu, há quase quatros anos, pensei no neto. A grande perda naquele momento, a meu ver, era do neto do falecido. Teria sido valioso para o menino tê-lo por perto na puberdade e na época da faculdade, pelo menos.
Não saberia dizer se Petrô intuía que lhe faltava pouco tempo de vida, mas era inegável a importância que dava à tarefa de transmitir sua experiência aos mais novos. Pouco aprendemos de teatro na disciplina. Pouco nos exercitamos nessa arte. Mas ele gostava de ensinar e queria sinceramente nos preparar, de algum modo, para a vida. Há algum tempo li uma frase de um autor indiano, que me remeteu aos quatro meses de convivência semanal com aquele professor de teatro, e dizia algo mais ou menos assim: "É impossível ser infeliz estando no presente. A infelicidade vem quando estamos com a mente ou no passado ou no futuro". O objetivo de Petrô, naquela disciplina, era justamente o de despertar as duas condições básicas para que alguém viva plenamente o presente, feliz consigo mesmo: estar consciente e ter comprometimento.

Sem mais o que dizer sobre essa marcante figura do cenário artístico baiano, apenas me resta puxar, aqui, um VIVA PETRÔ!!! - porque na minha mente e na de tantos outros que o conheceram, sua lembrança permanecerá por muito tempo ainda vivíssima, tanto ou mais que a sua colorida personalidade.

sábado, 11 de abril de 2009

Milagres

Post dedicado à Ingrid, à Luize e à Julia.
Na foto, Jorge Amado, que apesar de comunista, nunca deixou de crer em milagres. Homem cuja fé, aliás, inspirou a letra abaixo.

"Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os Deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar"
[Milagres do Povo - Caetano Veloso]*

"Para quem acredita, nenhuma palavra é necessária; para quem não acredita, nenhuma palavra é possível".
[Dom Inácio de Loyola]

"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre."
[Einstein]


Outro dia, numa palestra intitulada "Cura x Milagre", a expositora, uma médica, afirmou que não existem milagres e sim cura. Ela falou de doenças, sua causas e soluções, usando casos que atendeu em consultório como exemplos. A médica defendeu a teoria nada inédita de que a doença é sinal de algo maior e geralmente surge quando a gente perde o alvo, ou melhor, se perde do nosso self. Exemplos: dor nas articulações, nos joelhos, teria a ver com submissão, humilhação e autoritarismo; dor de garganta, com coisas não ditas; problemas de estômago, com tristezas acumuladas e reprimidas. E por aí vai.
Assim sendo, na identificação da perda de si mesmo estaria a cura de várias enfermidades, o que de milagre não teria nada, a seu ver, uma vez que a solução não viria do acaso, mas sim da recomposição da "trilha" que nos leva de volta a nós mesmos.
Em meio a explanação, a doutora deu uma definição para a palavra "pecado" que, garanto, para mim vai se tornar inesquecível. Ela contou à platéia que, na verdade, significa "perda do alvo". Assim, quando Jesus curava um enfermo e lhe dizia "Vá e não pequeis", ele não ordenava à criatura que não mais errasse [eis a palavra "pecado" no sentido que nós conhecemos], que vivesse em santidade, mas que não mais se perdesse de si mesma. Eu achei isso tocante, belo, e muito mais condizente com a figura de Jesus que eu tenho na minha mente.
Ontem mesmo assisti a cinebiografia de Maria Madalena. Ela foi uma mulher sofrida, traída e usada por algumas das pessoas de quem gostava. Em meio a algumas situações de sua vida, se encontrava, por acaso, com João Batista, por quem sentia uma simpatia instintiva. No primeiro encontro, ele a convidou para que se juntasse a ele e a seus seguidores. Ela recusou. Depois, o primo de Jesus sempre lhe perguntava se ela estava bem, o que Maria respondia afirmativamente, mesmo que fosse mentira. João Batista insistia: "Tem certeza que encontrou o que procurava?". Ela se calava porque sentia, no seu íntimo, que não, que havia se perdido de si mesma. Houve épocas em que até viveu muito bem, como quando morou no palácio de Herodes e era amante de um general por quem nutria um amor verdadeiro e vice-versa. Mas no fundo não era feliz. Daí veio aquela cena que todo mundo conhece, a que Jesus expulsa seus demônios. Por demônios, podemos entender o ódio que ela nutria pelos seus malfeitores, a sede de vingança, a vontade de ser amada por um homem, enfim, tudo aquilo que a movia mas que a fez se perder de si mesma, da sua essência, e que não lhe fazia bem. "Vá e não pequeis". Ela, ao que parece, não voltou a pecar, mas não se foi. Fiel como um cão, seguiu Jesus até o fim.

Quando era pequena, não acreditava em Deus. Achava que Ele era um amigo imaginário dos adultos, quase como as minhas bonequinhas de papel eram minhas amigas. Como nunca botei muita confiança nos discursos de minha mãe, mulher de fé fervorosa que adorava me falar - ou melhor, me amedrontar - de um tal Deus proprietário de um caderninho no qual tudo que eu havia feito constava, aí mesmo que me custava acreditar nesse chefe do universo, uma espécie de Rambo cósmico, precursor de Stallone e cia.
A rejeição era tão forte que não suportava nem entrar na igreja. Toda segunda-feira, minha mãe ia à missa, à noite, e, antes disso, acendia uma vela na capela. Adorava acender a tal vela, mas dava no pé e voltava para o carro assim que ela ia rumo à igreja. Meu pai tentou até me levar à catequese, mas eu apenas comia o lanche do início da aula e me mandava. O velho desistiu, claro. Não era vantajoso para ele acordar sábado cedinho só para eu tomar café da manhã pela segunda vez no dia. Na cruzada em prol da minha alma, ainda tinha minha vizinha, Glória, mais ou menos da minha idade, que tentava me arrastar para a missa matinal, domingo após domingo, da qual eu fugia mais que o Diabo da cruz! Lembro-me de uma cena patética: eu presa pelos braços à cabeceira da cama de minha mãe enquanto Glória me puxava pelas pernas para ir à missa. Não foi comigo que a pequena Glória fez jus a seu nome e alcançou a glória de arrebanhar mais uma alma perdida para o Senhor. :D
A parte curiosa é que, intuitivamente, sabia que estava perdendo com isso. Não falo de religião, de freqüentar igreja ou de fazer primeira comunhão. Não, não. Eu perdia por não crer; queria ter fé! Minha prima Fernandinha sempre foi, a despeito de qualquer coisa, uma pessoa de muita fé. Ela sempre falou de Deus de uma forma muita vigorosa, convicta, e isso desde muito pequenininha. Eu achava aquilo bonito demais, me impressionava com o fervor do discurso dela, mas não conseguia sentir o mesmo.
Hoje eu tenho fé, mas como quase tudo em minha vida, isso não me veio de mãos beijadas. Muito pelo contrário. Batalhei por cada centímetro dela, por mais de 20 anos. E valeu a pena. É a maior ferramenta de um ser humano, o maior presente que se pode ganhar na vida. A fé te dá a serenidade para enfrentar o que for [vide Ô Ingrid! :P]. Só vivendo isso para saber do que estou falando.
Mas mesmo antes da criatura aqui se unir ao Criador, a figura de Jesus já me dizia muita coisa [aliás, as pessoas nunca me entendiam quando dizia que não sabia se Deus existia mas que acreditava muito em Jesus Cristo. Era um tal de "Como pode?! Ou acredita nos dois ou em nenhum, ora!"]. Para começar, nunca vi nele aquela criatura linear nas emoções, zen, que as pessoas vêem. Jesus, pra mim, sempre foi muito humano. Digo humano no melhor sentido da palavra, claro. Jesus se zangava com as pessoas [os fariseus que o digam!], tomava partido ["Quem nunca pecou que atire a primeira pedra!"] e até resmungou, ao carregar a cruz ["Pai, por que me abandonaste?"]. Aliás, sempre sacava da cartola esse argumento quando minha mãe vinha com aquelas frases by Bíblia Sagrada, tentando me forçar à perfeição. hihihi...
Falando sério, sinto muito que muita gente, ainda que com as melhores intenções, insista nessa abordagem errada dos ensinamentos bíblicos. No que se mata a humanidade do seu interlocutor, mata-se, de quebra, a credibilidade do próprio discurso.
Minha sorte é que, apesar de ser uma extremista [basta dizer que quando saí do Farol de Itapuã, fui parar no Farol oposto, o da Barra! hehehe], sempre soube aproveitar a parte boa das experiências e discursos ruins. Eu não me disvirtuei apesar do discurso desastroso de minha genitora na tentativa de me pôr no caminho do bem e da fé. Eu apenas sempre soube respeitar a minha humanidade. O que Jesus diz é o ideal, é a meta final. Responder ao mal com o bem [o famoso "dar a outra face"], por exemplo, é o comportamento ideal. Mas quero ver aquele que, ao ser sacaneado, não vai sentir o impulso de revidar, na mesma moeda! Claro, com um pouco de calma, a pessoa prejudicada vai se livrar da idéia de vingança, vai chegar a sábia conclusão de que isso não é o melhor a ser feito, que o revide não leva ninguém a lugar algum que seja bom. Mas, a princípio, vingar-se é o que quase todo mundo vai desejar fazer.
A evolução interior de um ser humano, para mim, é comparável aos aprendizados básicos da infância: quando uma criança aprende a escrever, espera-se que em 10 anos, ela esteja escrevendo em sua língua com perfeição ou o mais próximo disso, mas até lá, erra-se um monte. Um bebê que dá os seus primeiros passos, eventualmente cai, tropeça, mas um dia estará correndo, andando perfeitamente. É preciso não perder de vista o ideal, fazer o máximo para atingi-lo, mas é preciso reconhecer e respeitar os próprios limites. O contrário disso é o orgulho, é a vaidade, e a principal lição do Cristo tem justamente a ver com amor, humildade e solidariedade. Pequenos e consistentes passos rumo à virtude são mais valiosos que grandes rasgos de "perfeição moral" que mais têm de exibicionismo que de perfeição e de evolução espiritual. Como dizem os italianos, chi va piano, va sanno e va lontano. A parte dos meus genes que vem de Minas acredita plenamente nisso.
Só não vale usar essa de "respeitar a própria humanidade" como desculpa para cometer transgressões que facilitem a realização de desejos pessoais, para satisfazer caprichos. Isso não é humanidade; é esperteza, egoísmo, cinismo, isso sim! Muiiita calma nessa hora, minha gente. Nunca o tal do "orai e vigiai" foi tão necessário quanto em nossa época. Muito cuidado com as idéias que se vai comprar. Vivemos num tempo no qual "tudo é relativo". Para todo mal que se queira fazer, haverá uma boa desculpa para isso, uma idéia engenhosa - porém falsa - que a valide. É como a história do funcionário público corrupto que defende seu erro dizendo que se ele não roubar, outro o fará, e que, portanto, troca-se apenas o sujeito da ação.
Tive um insight sobre isso lendo "Lolita". O professor começa a narrativa justificando o seu "amor" pela garotinha através da História. Humbert Humbert argumenta que em determinadas culturas, as meninas se casam com 9, 12 anos, e que até pouco tempo atrás, no mundo ocidental, isso acontecia sem que qualquer homem que se casasse com uma menina fosse classificado de doente ou amoral. Ou seja, se até para a pedofilia conseguem arrumar um bom argumento... Ficou claro, agora, o meu ponto de vista sobre a tal "verdade relativa"?
Enfim, muito cuidado com as ações e especialmente com os pensamentos, a origem de tudo! Cuidado para não pecar, isto é, para não perder o alvo, para não se desligar de si mesmo! A vida passa muito rápido, hoje em dia, e é muito fácil viver, agir inconscientemente.

Deus só quer, a meu ver, uma coisa da gente: positividade, o que se traduz por pensamentos, palavras e ações de boa qualidade, verdadeiros, construtivos, de preferência, que reflitam também positivamente na vida do próximo. Algo próximo daquela frase de Gonzaguinha, batidíssima em Orkuts e MSNs: "Fé na vida, fé no homem, fé no que virá".
Há uns 15 anos, assisti, no Programa de Amaury Jr., uma entrevista com uma figura ligada à Igreja Católica. O sujeito dizia que, na verdade, o terceiro segredo de Fátima, que o Vaticano guardava até aquele momento a sete chaves, era mais ou menos isso, e se referia ao fato de que Deus não faz questão alguma que tenhamos uma religião. Ele apenas quer que pratiquemos o bem, que sejamos cristãos na alma. Está certo que ter Amaury Jr. como fonte tira um bocado da credibilidade da coisa [risos], mas acredito que seja esse mesmo o conteúdo do terceiro segredo e não aquela bobagem sobre o atentado contra João Paulo II.

Quando pequena, ia freqüentemente à casa de minha vizinha, Renatinha, na 11, pegar emprestado os livros, produzidos para o público infantil, que contavam histórias da Bíblia. Fantásticos! Grandes exemplos de conduta, de coragem, de persistência no "alvo". Belos milagres movidos pela fé dos homens.
Apesar das idéias da doutora da palestra terem sentido para mim, acredito na cura tanto quanto no milagre. Eu penso que milagres existem, sim. Mas, claro, eles não se originam exatamente do nada. Eles vêm da fé humana, da força da mente dos homens que crêem e que tudo pode tornar realidade a partir disso. E isso não quer dizer que é preciso necessariamente se encontrar ou algo do tipo para haver um milagre. Às vezes, a cura, ou melhor, o milagre, vem justamente da capacidade de se perder em Deus, no todo, no sentimento puro, por vezes inexplicável, e forte da fé. Os orientais mesmo dizem que o estado de plenitude tem justamente a ver com o não ser, com a capacidade de se livrar do ego e se fundir ao todo. Aliás, é muito ocidental essa crença de que tudo tem que ter uma razão, uma lógica, uma conexão egóica.
Eu sigo acreditando em milagres. Viver é um grande milagre. Eu mesma experimentei, há muito pouco tempo, o meu milagre fundamental - como, então, não acreditar em milagres?


* Ahhh, eu vou fazer uma declaração de amor, aqui: Eu amo a Bahia! Obrigada, meu Deus, pelo milagre de ter me tornado baiana [ou melhor, por ter me curado de ser brasiliense - brincadeira! hehe]!

Eles são as verdadeiras fifis!

Fofoqueiros, sim senhor
Estudo mostra que os homens passam mais tempo falando da vida alheia do que as mulheres

Motivo Para 58% das pessoas entrevistadas, a fofoca funciona como fator de integração e aceitação no grupo

Fofocar é um dos traços mais intrínsecos da personalidade humana. Maldoso ou engraçado, não há quem nunca levou adiante um disse-que-disse. E as mulheres sempre ganharam a fama de mexeriqueiras. Mas um levantamento da empresa mundial de pesquisas OnePoll, realizado com cinco mil pessoas, mostrou que os homens gastam mais tempo cuidando da vida alheia: 76 minutos por dia. Entre os assuntos masculinos preferidos estão histórias sobre amigos bêbados, colegas da época de escola e a garota sexy do trabalho. As mulheres perdem 52 minutos diários para comentar sobre outras mulheres, se queixar de sexo e apontar quem está acima do peso. Para eles, não há melhor lugar para fofocar do que o escritório. E 33% ficam felizes com isso. Nem o sexo, para 31% dos homens, é tão importante quanto a fofoca. Enquanto isso, elas elegem o lar como local perfeito para destilar um veneno e, em 50% dos casos, debater detalhes da vida íntima.

Para 58% dos entrevistados, a fofoca funciona como fator de integração e aceitação no grupo. Essa característica de promover a integração é real, diz a psicóloga Catarina Tanaka, professora da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná, que defendeu a tese de doutorado A Psicologia Social da Fofoca, na PUC de São Paulo. "É um fenômeno que une em torno de um assunto em comum", diz ela. "Também é percebida como uma atividade relaxante, quando feita em tom de brincadeira." Catarina afirma que há mais fofoca durante crises econômicas. Surgem os comentários sobre o que pode acontecer na empresa e, ao mesmo tempo, os funcionários buscam uma válvula de escape para as tensões. Falar do outro é uma saída e talvez por isso os homens estejam futricando além da conta. "Quanto às mulheres, com até triplas jornadas de trabalho, sobrou menos tempo", diz a professora.

Aos que se animaram em contar a última, um aviso: a fofoca pode ter um lado destrutivo e arruinar reputações. "Historicamente, a inveja é a principal motivação do boato. Há pessoas que não se conformam que o outro seja feliz", diz o ator Cacau Hygino, autor do livro Fofoca - essa simpática palavra e suas consequências imprevisíveis, lançado em novembro. Para Hygino, a fofoca acaba virando contra o fofoqueiro: "As pessoas observam que aquele indivíduo só sabe falar mal dos demais. Acabam duvidando do que ele diz e se afastam." Dentro dos limites e com leveza, porém, ela diverte

terça-feira, 7 de abril de 2009

Brilho pela ausência

Myrna não se chama Rosana, mas "as coisas que me diz, me levam alééém". Sem ela, "ai de nós"!
Myrna, para quem não sabe, é o "lado feminino" de Nelson Rodrigues, que respondia a correspondência sentimental de leitores de jornal, nos anos 40. A coletânea das melhores cartas e respostas leva o nome de uma das mais marcantes frases de Myrna: "Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo".
Vejam, abaixo, uma pequena amostra de "doutora Myrna" em ação:
"Creio que, das cartas que tenho recebido, a de Jandira é uma das mais interessantes. Ela explica, às primeiras palavras, a natureza do seu drama: 'Brigo muito com Adalberto. E só acho, verdadeiramente, graça nele na sua ausência.' Aparentemente, o caso de Jandira é extraordinário. Uma mulher que prefere o bem-amado longe! E, no entanto, este é um caso bastante comum. Nós sabemos que todos os homens amam, inclusive os esquimáus. Dentro dessa quantidade tremenda – quantos homens cultos, inteligentes, interessantes? Uma minoria irrisória. O que existe, multiplicado por não sei quanto, é o namorado ou noivo ou esposo desinteressante. Chegamos, então, a um ponto crucial: que deve fazer a mulher de um cidadão nessas condições? Não nos cabe nem mesmo o direito de desejar que o chamado homem desinteressante desapareça. Porque assistiríamos a um espetáculo tenebroso: o súbito despovoamento do mundo."
Trecho de "Não Se Pode Amar e Ser Feliz ao Mesmo Tempo"

McFlagra

Sabem quem promoveu a maior agitação na praça de alimentação do Shopping Barra, hoje? Uziel Bueno. O apresentador do programa "Na Mira" [TV Aratu] parou no McDonalds e foi reconhecido pelos funcionários do fast food e por alguns telespectadores que lanchavam no local. Foi um tal de sacar o celular com câmera para tirar uma foto com o rapaz... Uziel não se fez de rogado: sacou seus óculos escuros, pra sair bem "gatcheeenho" nas pics!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Je suis desolè!


Da série "Pardón, periferia", minha irmã e Camila Pitanga, em Paris! Estou com inveja, desolada! :P
[Reparem como a global é bem mais bonita sem maquiagem do que produzida]

domingo, 5 de abril de 2009

Cinderela Baiana


Por Juju Balangandãs
Enviada especial do "Over Night"

"Ah-há! Uh-hu!... Ô Julia eu vou comer o seu bolo!"

Não só comi o bolo [que estava uma delííícia!], como ainda peguei o buquê!!! Rá, rá!... Será que isso funciona?! Bem, o arranjo tem até o dia 13 de junho para mostrar a que veio, do contrário, o Santo Antônio vai para o congelador! hahahaha

Dona Julia Lima casou ontem pela segunda vez - com o mesmo noivo, é bom esclarecer. A cerimônia foi "pra baiano ver". Depois de dizer "sim" em português de Portugal, Julia veio, como dizem, "contrair matrimônio" no Brasil, diante da família e dos amigos - mera desculpa para usar dois vestidos. Eu estava na lista. Fui, aliás, de carona com a madrinha, miss Elen Vila Nova. Uma carona cheia de arte, by the way, cujos detalhes são proibidos para maiores de 18. Antes disso, tive um pré-festa que, nas palavras de minha irmã, após ouvir meu relato, foi um pesadelo. Para dizer o mínimo, até a zorra do lápis de olho sumiu; minha mãe, que havia viajado pela manhã, levou o dito cujo. Detalhe: quando é que minha mãe se maqueia, pelo amor de J.C.?! Tsc, tsc, tsc... Nessas horas, me questiono: por que nada na minha vida pode se dar de um jeito convencional, sem trapalhada, sem sufoco, hein? "Peço a ajuda dos universitários". :P
Chegamos ao casório, em Piatã. A cerimônia foi num espaço de festa. Nada de igreja, dois espaços, duas "viagens" dos convidados. Uma benção simbólica e, pronto, feeeesta. Quer saber? Assim é muito mais charmoso [isto é, dentro do que é possível nesse calor infernal... Caramba, fez calor na noite da festa!...]. No exterior, o povo casa discretamente, digamos. Aqui no Brasil, a gente faz essa coisa espalhafatosa, com igreja, clube e mais não sei o quê. Esse foi um casamento light: poucos convidados, tudo ocorrendo num mesmo espaço. Gostei. Se um dia casar, vou copiar o modelito da cerimônia.

Por falar em modelito, tivemos uma sósia da Ana Maria Braga por lá. Alguém me perguntou: "O que ela faz aqui?". Eu respondi: "Minha pergunta seria diferente: cadê o Louro José, que não veio?". Queria que a festa tivesse durado até o amanhecer, só pra ver se ela também gosta de gritar "Acoooorda, mininooooo!".

Comédia! Aliás, só tinha comédia naquela festa.
A começar pela madrinha, Elenildes María, que ficou dirigindo as fotos da noiva com o noivo. Era um tal de "Amiga, faça pose de revista Caras! Tipo, cara de quem tá casando com um milionário em comunhão de bens e não assinou acordo pré-nupicial". hahaha... No final, Elenita ensaiou uma homenagem ao amor e à pátria que agora abriga o casal, cantando "Corazón partío". Senti alívio, sabe? Temia que ela puxasse a Macarena ou algo do tipo. Já pensou!? :D
Foi muito legal ver gente que não via há muito tempo. Gente que não via, se brincar, há cinco anos - a começar pela noiva e sua família. Foi massa reencontrar Galba, por exemplo!! Pô, maior saudade daquela peste!... Ter visto Val [ao meu lado, na foto] foi supimpa!!! Sempre é. Mas ontem foi mais. Sabe aquela coisa de você perceber o quanto estava com saudade só quando encontra com a pessoa? Pois é. Adoro essa criatura, e de graça! Ainda descobri outro igual, Diego [o que está com Julia, no lado direito da foto], meu novo amigo de infância, um caso raro de amor à primeira vista [assim como aconteceu com Val]. Dei muita risada também com Tâmara [a de vestido roxo, ao fundo]. Ela me contou umas histórias dela dignas de "Os Normais", muito engraçado! Gente alto-astral, com senso de humor, é tuuuudo!... Vi Casé, mas ele nem me reconheceu. Fiquei batida. O povo me disse que eu estava muito diferente, realmente, mas poxa, francamente... :(

A noiva não mudou muita coisa, apenas está mais branca. A primeira vez que ouvi a sua voz, na festa, foi na hora dos votos. Nossa, o timbre estava diferente, encorpado. Eu fiquei pensando na mudança, conjecturando sobre a possível absorção do sotaque lusitano e coisa e tal. Mas conforme o champagne foi descendo, a velha Julia foi ressurgindo, em alto e bom som. Ô!... O noivo é figura, muito boa praça. Cheguei lá, e ele foi logo me saudando. Ou intimidando, ainda não sei ao certo! rsrs... "Pois então você é a Juliana que fica 4 horas no MSN com a minha mulher, enquanto eu fico sem nada pra fazer, é?!". Beeeem, não é bem por aí, gajo... No final, ainda deu o recado: "Vê lá o que você vai escrever naquele seu blog, viu?"... Tenho que pedir proteção federal, sabe? Escrever no blog virou atividade perigosa. Ou devo apelar para a liberdade de imprensa? Cartas à Redação.

Resgate

Gostaria de fazer um apelo aqui. Por favor, membros da As Greja Católica, devolvam Ingrid Bittencourt, oops!, Ingrid Campos à sociedade!! Há uns quatro finais de semana, não consigo falar com a minha amiga. Ela está sempre em reunião, quando não viajando. O máximo que consigo, agora, é barganhar um almoço, uma vez por semana, com ela.
Papa, "na boa", ponha um fim a esse seqüestro consentido!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Já pra pira!


Olha, Ticiana Villas-Boas, depois que foi pra São Paulo, tá num maucaratismo com a minha pessoa, viu!... Primeiro, dividiu a câmera com Leão Lobo, (ex) muso deste blog. Agora, aparece toda fanfarrona em "Caras" [ah, se ela tivesse pisado na Ilha ou no Castelo!...] e, ainda por cima, ao lado de Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiilvia!
Péssima ela! Tá boa de sentar na pira!! Queime no mármore do inferno, ô, misera!!! Grrrr... :P

domingo, 29 de março de 2009

Campanha da Fraternidade 2009

Após ver várias fotos horrendas de minha pessoa pelos Orkuts da vida [e de outras pessoas nada fotogênicas, em outros Orkuts], tive o insight divino de lançar aqui no blog a minha versão da campanha da fraternidade 2009. Amigos, almas fraternas, me batam, me xinguem, me joguem na parede e até me chamem de lagartixa, mas pelo amor de J.C. não botem foto ruim minha na internet. Na moral, na moral, no more fotos depreciativas, ok? Vamos exercitar o amor ao próximo, hã?... Tenham misericórdia com os irmãos menos afortunados diante do espelho e/ou câmera, que sempre perdem o timing na hora de olhar o passarinho! [porque de comentários maledicentes a gente pode até escapar pela esquerda, mas contra fatos fotográficos, não há argumentos!!!]

Piccina de conhecimento

Após meses desconectada, voltei a dar uma olhada na programação do Futura aos domingos. Fui dar uma espiada na série "Nota 10", apresentada por duas vezes pela nossa amiga Elen Vila Nova. Sabia que veria a nova temporada, já sem Elenildes Maria e com um novo apresentador. Fiquei chiando, do outro lado da tv, antes de iniciar o programa: "Poxa, deveriam ter convidado Elen novamente! Por que trocar de apresentador?! Blábláblá". Desculpe, amiga, mas mudei de idéia assim que vi o novo rosto da série. Eles têm é olho clínico! Uma ótima substituição! Parabéns à produção! Que carisma o deste menino! Quanta competência! rsrs... Alexandre Piccini, eis o nome do hombre. Ele é uma graça, tem cara de filhote de pastor alemão! Nem parece que vai fazer 35 anos [sim, já levantei a ficha do cidadão no Google. Temos muito a ver. Impressionante! Veja só: ele é Piccini e eu sou de Peixes - peixe de piccina, que tal? hehe]. A série está numa temporada muito interessante, com ótimo conteúdo. Por isso, não me liguem mais por volta das 13h, aos domingos, ok? hehehe

O canal é bacana. Fato. Quando vejo o que a Globo faz no Futura e na GNT, lamento que tenha deixado seu canal aberto nesse estado. O povão merecia mais. A Globo poderia ser melhor... Tudo é dinheiro, dinheiro, dinheiro. Que é bom e necessário, tá certo!, mas não deveria ser tudo nessa vida.
"Ética", apresentado pelo Janine no Futura, é massa. Eu adoro os debates filosóficos desse programa. Hoje, mesmo, estava discutindo a questão da liberdade. Assim como vale a pena ver o "Passagem para...", apresentado pelo Nachbin [um homem inteligente, que inclusive já namorou Ana Paula Padrão, minha conterrânea!]... O do México, por exemplo, é bala!
Viver é expandir horizontes e o sentido de se comunicar é alargar a visão. A tv é justamente a oportunidade de pessoas sem grana, como eu, "ganharem o mundo sem sair do lugar" [lembram da canção do Cidade Negra? "E o pensamento é o fundamento/Eu ganho o mundo sem sair do lugar/Eu fui para o Japão com a força do pensar/Passei pelas ruínase e parei no Canadá..."]. O Futura faz isso. Mas ainda não de graça. É nesse sentido que a internet me faz ter esperança. Quem sabe, um dia veremos a verdadeira democracia comunicacional "no ar"?!

domingo, 22 de março de 2009

Curtas e Grossas


Essa semana foi agridoce. Meus dias foram maaara, mas o Brasil perdeu Clodovil Hernandez[zzz...]. Clô era, aliás, um dos musos deste blog. "Qué voy hacer se Clodovil se fue?". Pois é, eis o meu vazio. Fica aqui registrada, como homenagem, uma das frases mais emblemáticas de Clô, frase que deveria ser copiada, a propósito, na capa da agenda Arte & Papel: "Meu amorrrr, tem que ter carááááter!!". Clô deveria saber que, no Brasil, quem pensa assim corre o sério risco de ter um AVC...

Seguindo na esteira da fama, venho agora com uma notícia bom-bássss-ti-ca. Frageis corações, saiam da frente do monitor. Lá vai: Ô Ingrid comeu Rick!!! Yeah!!! "She bangs! She bangs!". Eu testemunhei a cena e fiquei impressionada com a voracidade da Santa. Diz ela que ele é gostoso. Saldo da empreitada: 20 Ave Maria e 30 Pai-Nosso para redimir-se do pecado.

Não satisfeita, Santa Gri quase me intimou a convidá-la para comer pequi na minha casa [confesso que fiquei constrangida com tal pedido]. Estou pensando no assunto. Fico preocupada com a integridade dos envolvidos. Comer pequi é uma tarefa complicada, geralmente quem come pela primeira vez ou não sabe fazer direitinho, ou fica com medo ou não gosta muito da coisa, acha nojento e tal. Particularmente, eu não sei o que é isso. Em Goiás, a gente praticamente nasce com o pequi na boca. Bem, amigos baianos, se um dia se depararem com um pequi pela frente, sigam as instruções de quem tem mais de duas décadas de experiência na coisa: vocês podem pôr na boca e chupar ou simplesmente passar o dente de leve. Quase ninguém suga, a maioria raspa com jeitinho. Só não vale morder. Pelo amor de Deus, sem mordidas, hein!... É que o caroço amarelinho é cheio de espinhos por dentro.
Alosa, por falar nisso, você já comeu pequi? ["Comi"] Gostou do pequi? ["Gostei"]... Se não, eu vou enfiar pequi no céu da sua boca. Mas e aí? Chupa toda? Se for pra deixar no prato, não te ofereço, não, viu, negão!... Arroz com pequi é o que há!!

Por falar em pratos off-cozinha baiana, outro dia experimentei esse tal de temaki. Que comida ruiiiiim [fora que paguei altos micos tentando pegar os pedaços com os palitinhos]!!! O meu veio com uns peixes crus dentro [aaaargh!]. Treco vivo, quase me mordeu! Aff!!... Não é à toa que a raça que inventou isso é amarela!

Por falar nisso, hoje fui para mais um concurso. Na sala, metade dos comunicólogos de SalCity. Ô curso de gente magrela e pálida!! Aposto que todos ficaram na UTI neo-natal quando nasceram! Eu, hein... É difícil para mim - pessoa atlética e bronzeada - entender essas coisas, sinceramente.

Por falar em UTI, sugiro que Fernandinha ou troque de sobrenome ou de garganta. Que tal Fernanda Lovelace, em homenagem à Garganta [de crise] Profunda? Eita garganta problemática! Coitada da minha amiga!...

Sá comé: Há três meses moro na Barra. É, subi na vida [literalmente! Ô lugar para ter ladeira, meu Pai!], finalmente. Agora que estou na área, virei uma espécie de agregada sem noção de sitcom da casa de Fernanda [mais precisamente, um mix dos personagens de Seinfeld], portanto, ando por dentro dos fatos.

Pois é, dia desses, estava lá no apê das Braga Girls e vi Fernandinha com uma presilha de borboleta no cabelo. Fiquei conjecturando sobre a mensagem semiótica do prendedor. Será que ela quis dizer que Madame Butterfly [ou Bovary, para ser mais exata] c´est moi? Ou será que ela quis sinalizar sua transformação de Pollyana Moça em mulher ABSOLUTA, a exemplo da musa piauiense SteFHany [ainda que seu carro zero não seja nenhum Crossfox mas um mero Palio vermelho - "... não uso espelho pra me penteaaaar"]? Ou foi simplesmente uma referência à canção de Mariah Carey [nesse caso, cuidado, Fernandinha, que ela gravou isso enquanto se divorciava de Tony Motolla!]? No lo sé, no lo sé.

Assim como Bon Jovi teve dificuldades para desvincular a vida amorosa dos tempos de high school, Fernandinha tem de se livrar dos hábitos dos tempos do primário. O primeiro prato feito para o namorado foi justamente uma salada de frutas. Fiquei viajando na mensagem subliminar da oferta gastronômica. Não muito porque logo ouvi a voz de Xuxa "denunciando" dona Fernandinha: "Pera, uva, maçã, salada mista. Diz o que você quer sem eu dar nenhuma pista". Francamente, francamente!... Desse jeito, vou ter que chamar a Professora Helena pra te dar uma bronca, Nandy! :P

Well, well, é melhor deixar a vida do povo em paz. Gera o maior carma negativo ficar falando das ações alheias - aprendi isso na aula de ontem.
Om Shanti, irmãos!!!

Mudando de assunto, há um casal de mendigos, no Corredor da Vitória, que vem me emocionando muchísimo por esses dias. É muito amor, é um cariiiiinho que vocês não têm noção!!!... Eles ficam na metade do corredor, deitados num colchão. Outro dia, ela estava dormindo e ele estava lá, fazendo altos carinhos na cabeça dela. O problema é que a gente já sabe que "two become three" logo, logo. Dá vontade de passar por eles com uma plaquinha: "O amor é lindo, mas usar criancinha para pedir esmola na rua é muito, muito feio. E-viii-te [by Fanta]!! Usem camisinha!".

Por falar em carma e mendigo, me ajudem a tirar o m.d.c. dessa situação: toda vez que uma criança pobrezinha me pede para comprar uma daquelas casquinhas da Mc, entro no maior dilema. Metade de mim quer dar o tal sorvete porque ao contrário do que a classe média pensa, pobre também é gente e deseja coisas. Criança e doce são duas coisas quase inseparáveis. Fico com pena, quero dar o tal sorvete. Por outro lado, sorvete, doce, quando não há boas condições de higiene, produzem cáries. A criança feliz de hoje é séria candidata a banguela amanhã. Isto é, se houver amanhã. Porque ela pode morrer antes de ter tempo de perder os dentes, e então eu estaria diminuindo um pouco da miséria de sua curta existência. Ou simplesmente ela vai perder o dente com ou sem a minha ajuda... Onde fica o meu carma nessa história? Em deixar a pobre pequena pessoa menos frustrada ou em ajudá-la a ter cáries e perder os dentes?... Ah, o carma! Eis o rapa da turma esotérica! "Olha o carma, olha o carma!!! Corre, corre!!!".
Om shanti, om shanti, minha gente!... :D

Outro dia li um capítulo de uma novela de Lombardi, e me surpreendi. O cara é bom. Definitivamente. O mais comum é você ler um roteiro e sentir que o diretor melhorou muito o que estava escrito. Com ele acontece justamente o contrário. Carlos Lombardi nasceu no país errado e está na área errada. Ele deveria ser escritor e não autor de novelas e ter nascido nos EUA! Aposto que seria best-seller.

Finalmente a qualidade da teledramaturgia global está melhorando. Gostei de "Paraíso"! Gosto dessas novelas de Benedito Ruy Barbosa às seis. São ótimas inclusive para atrair um público que corre de novela: o masculino, especialmente o de mais idade. Falar do interior é sempre uma boa idéia. Por mais que o Brasil ande se tornando cada vez mais "metropolitano", muita gente tem o pé no campo. Além do mais, traz à tona um cenário social que causa certa nostalgia no povo dos grandes centros; mostra um recorte do Brasil no qual há solidariedade, simplicidade, devoção, ética, enfim, remete à memória de um mundo mais humano, definido e pacato - ou ao menos não tão "líquido" e exaustivo como o de hoje.
Aliás, finalmente BRB "saiu do armário" e resolveu assinar uma trama exibida no horário. As filhas escreveram "Cabocla"!? Mas será o Benedito!? Quem acredita nisso?!... Gosto de Eriberto Leão, mas sinto falta de Danton Mello [adoooro os irmãos Mello!]. Ele tava uma coisa em "Cabocla" [a minha favorita da sequência de remakes às seis] e em "Sinhá Moça" [prefiro Débora Falabella à Regiane Alves, embora seja fã desta também]! Ele é fofo! Pena que tanto Danton quanto Cléo Pires estejam fazendo figuração de luxo no horário das oito.... Malvino Salvador também está fazendo falta nesse elenco. hehe...

sábado, 21 de março de 2009

The Graduate

Justificar
A foto acima foi tirada na formatura de uma dupla querida minha, Gutão [para quem não conhece, o da gravatinha verde, na foto] & Amigo Nelson, no último dia 27, ali no Clube do Bahia [por falar nisso, adivinhem quem encontrei lá. HeRRRRbem! Ele mesmo, o repórter asterisco do Correio! Nosso colega jornalista não tem mais jeito. Só Jesus salva aquela alma perdida. O moço virou o John Travolta dos "Embalos de Sexta à Noite"; não perde uma formatura na cidade! Tsc, tsc].
Eu nem ia, embora quisesse muito dar um abraço nos meninos pela formatura em Odonto. Coisas de mulher: o cabelo tava um lixo; minha aparência, pálida; não tinha roupa [ou melhor, a semana havia sido tão "opressora" que nem tive tempo de buscá-la]; e a unha estava de dar vergonha. Enfim, sabe quando você quer uma coisa, mas tem certeza de que não vai rolar? Pois é.
Mas eis que Thaixxx [à minha direita] me aplicou um golpe superbaixo e eu acabei sendo convencida a ir - tive que improvisar um look fiesta latina em meeeia hora [fiquei brincando com Nandy que tinha que tocar salsa na festa pra combinar com o meu vestido!hehe]! Ó vida!... Mas super valeu a pena sair de casa! Todas as pessoas queridas estavam lá: Mandica, Nandy, BruBrown, Guto, Nelson [que me esnobou legaaaal, mas tudo bem! :D], Thaís, Camila [a primeira-dama da nossa mesa], Mônica, Daiane, etc. Fora algumas "participações especiais" que deram o que falar [e do que rir!].
Ah, foi massaaaaaa!!! Parabéns, rapazes!!!!! :)

PS.: Tenho certeza que o Grupo Molejo se inspirou nas minhas poses fotográficas para compor aquele trecho "Pode quebrar o pescocinho pro lado. Vai, vai, vai, vai...". hahaha... Quem tiver uma foto minha com o corpo ereto, ganha um milhão! :P
A propósito, lanço aqui outro desafio Sebrae: alguém conhece algum amigo de Guto que seja normal? Pelo que vi na festa de formatura, non c´é!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Com a palavra, dona Camille!...

Entrevista Camille Paglia
Ode à loucura apaixonada

A intelectual americana da cultura pop diz que o cenário
atual é desanimador, a não ser por um único e espetacular
fenômeno: a cantora baiana Daniela Mercury


Juliana Linhares

Misa Martin

"Madonna está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que parecem garras"

Sempre colocada nas listas dos grandes nomes da intelectualidade contemporânea e das maiores vocações para provocar encrencas, a crítica americana Camille Paglia, 61, durante anos teve como ícone máximo a cantora Madonna, de quem exaltou a ousadia e a criatividade em dezenas de artigos. Aí, desencantou-se – hoje a considera "patética". O posto de musa inspiradora, porém, não ficou vago: Camille elegeu para ocupá-lo a cantora baiana Daniela Mercury, que conheceu através de DVDs que a atingiram "como um raio". Autora de cinco livros, entre eles Personas Sexuais, uma obra popularizada pelas conexões entre arte clássica e cultura pop, Camille tirou alguns dias de folga na Universidade das Artes, na Filadélfia, onde dá aula de ciências humanas e mídia, para passar o Carnaval em Salvador e, enfim, conhecer Daniela. Antes de cair na folia pagã, falou a VEJA.

Quando a senhora esteve na Bahia, no ano passado, ganhou um pacote de DVDs de Daniela Mercury e, desde então, tem escrito entusiasmados artigos sobre ela. O que a impressionou tanto?
A sensação que tive quando vi os DVDs foi de ter sido atingida por um raio. Comecei a pesquisar freneticamente sobre ela, inclusive em vídeos no YouTube. Vi que, no começo, quando apareceu, se assemelhava a uma corsa. Hoje, é uma tigresa. Ao vê-la cantando, eu me dei conta de como andei entediada com a música americana na última década. Foi justamente a época em que Madonna perdeu a pegada. Já escrevi sobre isso, mas faço questão de repetir: fiquei chocada com aquela loucura apaixonada acontecendo ao ar livre no Brasil, enquanto nós, fãs da música americana, ficávamos presos como ovelhas anestesiadas no curral comercial de shows de estádio, caros e cheios. Sem falar nas nossas canções, que são enlatadas e só se seguram por truques de computador. A Daniela surge como uma grande explosão. Ela é a Madonna brasileira. Faz música pop, mas possui outra dimensão incrível que Ma-donna não tem: um grande conhecimento sobre folclore, sobre os grupos étnicos brasileiros e sobre a história da Bahia. É bem verdade que a cultura dos imigrantes italianos, da qual Madonna surgiu, se desintegrou com o passar do tempo. Eu também sou produto dessa cultura e lamento que tenha sobrado tão pouco, fora as citações vulgares em Família Soprano.

Durante décadas, a senhora escreveu artigos elogiando Madonna, a quem considerava "a verdadeira feminista". Depois, mudou de opinião. O que aconteceu?
Ela está patética. O que mais me espanta é esse envolvimento com a cabala. De um lado está a Madonna dos anos 80, um símbolo de rebelião contra a ortodoxia religiosa. Agora temos a Madonna pregando a cabala, catequizando pessoas. Para Madonna, consultar a cabala é como ir ao terapeuta. Não é uma crença religiosa, é um modo de lidar com seus problemas psicológicos. E não é coincidência que a criatividade dela tenha decaído. Além disso, ela está um monstro. São inacreditáveis aqueles braços grotescamente musculosos e mãos que lembram garras. Não me parece uma sexualidade realmente autêntica, é muito conceito, muito planejamento mental. Ela deveria meditar sobre sua grande influência, Marlene Dietrich, com quem viveu algo muito triste. Madonna quis fazer um filme sobre Marlene, que ainda estava viva, reclusa em Paris. Marlene não quis. Não permitiu que ela a interpretasse, por considerá-la muito vulgar. Madonna se casou com um homem dez anos mais novo e começou a lutar para parecer uma menininha. Quanto tempo vai continuar com isso?

"Angelina Jolie está no topo da sua performance. Ela deveria gastar tempo estudando arte em vez de tentar provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: ‘Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa’"

A separação dela ajudou ou atrapalhou?
Eu achava Guy Ritchie um cara decente e continuo achando. Depois da separação, todo mundo esperava que ele voltasse a desfilar com loiras pernudas, o tipo de mulher com quem saía antes de se casar. Até agora, não apareceu nenhuma foto de Ritchie com outra mulher. Já Madonna quer dar o troco e mostrar que continua desejada, mas só parece desesperada ao sair com homens como Alex Rodriguez (jogador de beisebol) e agora o modelo brasileiro. Ele é muito bonito, diria magnífico, mas o caso é patético. Acho bom que mulheres mais velhas tenham namorados mais jovens. Mas tem de existir química, um entendimento na relação entre os dois. No caso de Madonna, o rapaz parece um gigolô e faz com que ela fique ridícula.

E Angelina Jolie? Com a mistura de imagem sensual, filhos em série e trabalho voluntário, a senhora acha que ela atingiu o ponto de equilíbrio entre mulher fatal e santa, ou é simplesmente esquisita?
Eu fico triste com o que está acontecendo com Angelina Jolie. Ela é uma atriz maravilhosa. Fiquei muito impressionada com sua atuação em um filme inspirado na história da modelo Gia Carangi. O problema com Angelina é que, ao atingir o ápice do estrelato, as pressões ficaram muito fortes e ela passou a fazer um jogo de esconde-esconde esquisito. Normalmente, eu desaprovo atores que se passam por militantes políticos. Tudo bem aparecer ocasionalmente em um evento beneficente, mas eles não devem partir para cruzadas. Uma exceção é o Bono Vox. Acho interessante ver que, conforme vai envelhecendo, dedica sua energia às questões políticas. Mas Angelina ainda está no topo da sua performance. Ela deveria gastar o tempo estudando arte em vez de ficar tentando provar que é Madre Teresa ou Joana d’Arc. Minha vontade é dizer a ela: "Pare de falar e vá se concentrar em outra coisa".

Quem é, atualmente, a mulher famosa que encarna o poder da feminilidade sem cair nos excessos de futilidade?
Gosto muito de Kate Winslet. Ela estava maravilhosa em Titanic. Passados doze anos e tantas pressões, olho para ela e vejo alguém que formou uma família e ao mesmo tempo é extremamente produtiva como artista. Após Titanic, que foi um tremendo sucesso comercial, ela não começou a agir como as atrizes de Hollywood, que só topam atuar em produções suntuosas. Em vez disso, fez filmes de baixo orçamento, pequenos, obscuros. Ela tem a postura das atrizes inglesas, que é considerar a arte mais importante do que virar celebridade.

Mas Kate Winslet não está no mesmo nível de popularidade que Madonna ou Angelina. Existe alguém com o apelo delas que tenha feito bons trabalhos, sem derrapar no comportamento pessoal?
Infelizmente, estamos em um período de declínio das grandes estrelas. Eu acho que a última estrela de grande dimensão, vinda de Hollywood, foi Sharon Stone, com o estonteante Instinto Selvagem. Eu pensava que Angelina fosse ocupar esse papel. Mas ela não quis, então acabou. Nem me lembro da última vez que fui ao cinema. Em vez disso, estou aqui me deleitando com um DVD de Louise Brooks, num filme de 1929.

Como estudiosa de história antiga, a senhora acha que o presidente Barack Obama poderia ser equiparado a Adriano, que saiu da periferia do Império Romano e o revigorou, ou Constantino, o imperador convertido, que selou o começo do fim?
Não sei. O governo dele começou há muito pouco tempo. Barack Obama pode ser um presidente bem-sucedido, ou pode virar prisioneiro de um Senado à romana. Além disso, muitos imperadores romanos foram vítimas da colaboração entre a aristocracia e os militares. Veremos se Obama vai ter a habilidade de controlar o aparato governamental de maneira a impor sua vontade diante um Congresso muito independente.

O império americano está em declínio?
É difícil responder a essa pergunta, porque não tenho certeza se o chamaria de império. Os romanos impuseram a sua civilização, bem como os ingleses, no auge do império britânico. O que os caracteriza como império é o controle político e comercial de boa parte do mundo. Eu diria que os Estados Unidos, desde a sua ascensão ao topo do mundo após a I Guerra Mundial, exerceram principalmente um imperialismo cultural, através da exportação dos filmes de Hollywood e de marcas como Coca-Cola e McDonald’s. Quanto ao uso do poderio militar americano no exterior, o que ocorreu no Vietnã e no Iraque foi uma tentativa equivocada de fazer o que se achava correto, em resposta ao que pareciam ser grandes ameaças. Em nenhum dos dois casos existia a ideia prévia de que iríamos nos tornar ocupantes permanentes. Ambas as situações também propiciaram um significativo aumento do poder presidencial. O Poder Executivo usa o Exército sem consultar os demais poderes e sem que o Congresso aprove uma declaração oficial de guerra.

"A feminilidade americana hoje é louca, é ‘superconceituada’. Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays"

É possível o país estar economicamente fraco e militarmente forte?
Sim. Mas a questão não é tão simples. Os americanos que se opuseram à invasão do Iraque ficaram enfurecidos porque bilhões de dólares arrecadados via impostos foram jogados fora. Houve um desperdício obsceno do nosso dinheiro. Ele deveria ter ido para a área social, para o sistema de saúde, para infraestrutura, em nosso próprio país. O governo Bush foi muito esbanjador. Bush gastou em excesso, e a eficiência dos principais organismos governamentais parece ter piorado. Foi inesperado, porque republicanos em geral têm responsabilidade fiscal, enquanto os democratas são os imprudentes, propensos a gastar em excesso na área social. Bush deixou o Partido Republicano em ruínas. Sou uma grande ouvinte de programas de rádio (nos EUA, ultraconservadores) e notei que há anos começaram a criticar o governo Bush.

Onde estão, à esquerda e à direita, as grandes ideias para enfrentar a crise econômica, fora os sucessivos planos de estímulo?
Há um enorme caos acontecendo em Washington, com a aprovação de gastos que não temos dinheiro para bancar. Mas, na minha opinião, está havendo, sim, um embate feroz de ideias. Os republicanos desaprovam o pacote de estímulo de Barack Obama porque acreditam que o governo não deve espalhar tanto dinheiro e que a melhor maneira de acelerar a economia é reduzindo impostos e aumentando o poder de compra dos cidadãos. Os democratas sustentam que devemos auxiliar quem está com problemas agora e que o governo deve exercer controles maiores, de maneira mais parecida com o modelo europeu.

Tantos anos de pós-feminismo e as mulheres parecem continuar a viver em conflito diante de seus diversos papéis. Há solução à vista?
Não. É um dilema terrível quando as mulheres aspiram a ter filhos e carreira. E é um dilema que não afeta os homens. Não por uma questão de discriminação da sociedade, mas simplesmente porque a natureza escolheu deixar o enorme fardo da gravidez para as mulheres. Vemos nos tempos modernos uma evolução da antiga família ampliada, da grande família tribal, em que diferentes gerações viviam juntas, rumo ao modelo em que as pessoas vivem isoladas em famílias nucleares, seja mãe, pai e filho, seja mãe divorciada e filho ou mãe solteira e filho. Isso põe as mulheres sob enorme pressão para fazer coisas que antigamente eram feitas pelas parentes. Antigamente, no interior, quando uma jovem ficava grávida, ela não fazia nada. As mulheres mais velhas a dominavam e ficavam dizendo "Vá descansar, saia da cozinha. O filho que você leva aí dentro é o nosso sangue". Hoje, quanto mais bem-sucedida a mulher, mais distante ela está desse modelo comunal. Ela vive louca atrás de babá, empregada, enfermeira. Consequentemente, sofre um nível de intensidade nervosa e de exaustão sem precedentes na história. Alguém se lembra de ter tido uma avó agitada?

As mulheres perdem com isso?
Claro. A feminilidade americana hoje é estressada, é louca, é "superconceituada". Todas as mulheres querem ser a Carrie de Sex and the City. Não acho nada estranho que tantos rapazes bonitos e inteligentes não queiram se casar ou sejam gays. O máximo que uma mulher jovem e bem colocada na carreira tem a oferecer é uma instigante conversa sobre trabalho ou um empolgante almoço de negócios. É um tédio conversar com elas. Aliás, estou cansada de falar dessas mulheres. Vamos falar mais da Daniela Mercury?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Crazy little thing called MÃE


E eis que após algumas decepções, essa semana tive algumas boas surpresas com gente que já sabia ser da melhor qualidade, mas não imaginava que tanto assim. :)
Minha mãe também me surpreendeu por esses dias. Mais uma vez, sua sabedoria instintiva me deixou boquiaberta.
Falarei dela, a seguir, mas na verdade falarei de todas as mães. Eita classe danada, sô! Acho que junto com a barriga, as mulheres [infelizmente não todas] ganham também alguns poderes mágicos. Só isso explica.
A minha mãe é uma figura. Por vezes, ela também é irritante. Mas apesar disso, nos damos muito bem. Ela não é uma mulher muito inteligente, mas é altamente instintiva. É uma boa mãe que "age certo por métodos tortos". Sobram-lhe generosidade, capacidade de proteção e intuição para conduzir as filhas. Uma vez, minha irmã, em sua fase de aprontar na adolescência, entrou bufando na cozinha, exclamando: "Minha mãe é a única pessoa a quem nunca consigo enganar!". hehe...
Pena [pra gente] que as previsões de dona Jô nunca parecem muito lógicas aos olhos da sua própria cria. Mas o fato é que são incrivelmente certeiras. Talvez porque soam a maluquice de uma cabeça neurótica de dona-de-casa, a gente nunca ouve os conselhos da mamma. Pra azar nosso. Ô!... Ela sempre diz, com um ar cansado de quem insiste em nos avisar mais por desencargo de consciência que por esperança de que possa impedir o pior: "As vidas de vocês seriam muito melhores se me ouvissem mais". Eu mesma acabei de escrever que seus conselhos são certeiros, mas vou ignorar o próximo que ela me der, achando que é invenção da cabecinha dela, coisa de quem vê muita novela e lê Danielle Steel. [risos] E vou me ferrar novamente por não ter seguido a indicação materna [e vou me arrepender novamente de não tê-la escutado...]. E la nave vá!...

NOTA: ontem, pensando sobre isso, sobre o porquê de nunca ouvirmos os conselhos que nos dão, Medrado, via rádio, me respondeu. Ele começou a falar sobre conselhos e disse que a seu ver, ninguém ouve ninguém; que quando alguém pede um, espera que a outra pessoa lhe diga algo que confirme a sua opinião.
Incrível como isso sempre acontece comigo: estou pensando cá com os meus botões sobre um assunto e, de repente, alguém completamente estranho começa a falar sobre a minha questão, como se soubesse o que estou pensando. Bizarro. [risos]

Ok, todas as mães são mais ou menos assim, "bruxas". Mais OU menos - eis o diferencial. Minha mãe me impressiona por ser mais, bem acima da média. Acho que já comentei por aqui, mas várias vezes já fiquei passada ao ver como aquilo que ela dizia, e eu julgava ser um absurdo, tinha mesmo fundamento. Poucas vezes a vi errando nas impressões à primeira vista que tem das pessoas. Dá até medo.
Acho que deve ser uma questão de fé e religiosidade. Alguém que entende do riscado já me disse que ela é uma pessoa muito protegida espiritualmente. Tudo de minha mãe é oração. É um tal de "vamos entregar nas mãos de Deus". Até tiro sarro da cara dela, dizendo que o "andar de cima" não é a Bolsa de Valores e que portanto ela não precisa ficar tanto assim no pé do Altíssimo para conseguir as coisas. Mas tenho mudado de opinião: quem não chora pra Ele, não mama aqui nessa terra! hehe...
As mães são realmente poderosas! A conexão espiritual que conseguem estabelecer com as suas crias é coisa digna de estudo científico. Quando tiver os meus filhos, quero fazer algumas coisas diferentes do que minha mãe fez comigo, mas gostaria muitíssimo de ter o mesmo dom de proteger e antever meus filhos que a minha velha tem. Até porque os anos 20 do século 21 não serão tão pacatos como os anos 80/90 do século passado, né. Só contando mesmo com um terceiro olho para se dar bem nessa história!...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"As telenovelas moldaram o Brasil"

Revista Época

Alberto Chong

Economista do BID afirma que a novela ajudou o país a aceitar o divórcio e a criar famílias menores

Martha Mendonça

Qual é o verdadeiro impacto das telenovelas nos lares brasileiros? Segundo dois estudos recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as tramas exibidas na TV nos últimos 40 anos vêm moldando as famílias em pelo menos dois aspectos: menos filhos e mais divórcios. As pesquisas, coordenadas pelo economista Alberto Chong, analisaram o conteúdo de 115 novelas transmitidas pela TV Globo entre 1965 e 1999 nos horários das 19 horas e das 20 horas. Nessa amostragem, 62% das principais personagens femininas não tinham filhos e 26% delas eram infiéis a seus parceiros - o que suavizou o tabu do adultério. Para Chong, a telenovela é um excelente canal de difusão de programas sociais, como prevenção à aids e direitos das minorias. Ele deu a seguinte entrevista a ÉPOCA.

QUEM É
Economista nascido em Lima, no Peru. Tem 45 anos e mora em Washington, nos Estados Unidos

O QUE FEZ
Desde 2000, trabalha como pesquisador do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)

O QUE PUBLICOU
As pesquisas Novelas e fertilidade: evidências do Brasil, com Suzanne Duryea, do BID; e Televisão e divórcio: evidências de novelas brasileiras, em parceria com Eliana Ferrara, economista da Bocconi University

ÉPOCA - De que forma as telenovelas influenciaram a sociedade brasileira?
Alberto Chong - Durante o período da ditadura, os autores já viam nas novelas a oportunidade de lutar contra o sistema, apresentando novas ideias e valores. Há, de forma recorrente, a crítica à religião, ao machismo e ao consumo de luxo e a ideia de que a riqueza e o poder não trazem felicidade. A família está no centro dessas transformações. As novelas são um instrumento muito poderoso na formação de um modelo bastante específico de família: branca, saudável, urbana, bonita, consumista - e pequena.

ÉPOCA - Vem daí a explicação para a influência das novelas na queda da taxa de fertilidade?
Chong - Sim. A família pequena é uma imposição da produção, que tem limitações de elenco. Para que a história aconteça, são necessários pelo menos cinco ou seis núcleos. Então nenhum pode ser grande demais. Por um tempo essa família tão reduzida era irreal. Com o tempo, porém, a repetida exposição desse perfil influenciou fortemente na preferência por menos filhos e pelo custo financeiro mais baixo dessa escolha. Ao longo dos anos, essa queda na taxa de fertilidade foi caindo mais em áreas alcançadas pela televisão do que em áreas que não recebiam o sinal.

ÉPOCA - As mulheres são o público principal das novelas. Elas são mais influenciáveis por esse tipo de conteúdo?
Chong - Uma das ideias mais disseminadas pelas novelas, em todos os tempos, é, certamente, a emancipação feminina, junto com a entrada da mulher no mercado de trabalho. A busca do amor e do prazer pelas personagens femininas também é uma constante em qualquer trama - mesmo que ela tenha de cometer adultério, o que também é comum nas histórias.

ÉPOCA - No Brasil, de acordo com o IBGE, vem das mulheres a maior parte dos pedidos de divórcio. Quanto as novelas contribuem para isso?
Chong - Estudar o Brasil sob esse ponto de vista é interessante, porque os casos de divórcio aumentaram dramaticamente nas últimas três décadas. Estima-se que as taxas aumentaram de 3,3 em cada cem casamentos em 1984 para 17,7 em 2002, mais do que em qualquer outro país latino-americano. Nosso estudo avança na hipótese de que os valores da televisão, mais precisamente das novelas, contribuíram de fato para esse aumento, principalmente a partir do momento em que no Brasil há um alcance desse tipo de programa como em nenhum outro país. A novela é, de longe, a maior atração da TV e é veiculada pela Rede Globo, que tem mantido um domínio quase absoluto do setor por cerca de três décadas. Percebemos que, quando a protagonista de uma novela era divorciada ou não era casada, a taxa de divórcio aumentava, em média, 0,1 ponto porcentual. A mudança é positiva. A simples possibilidade do divórcio dá às mulheres a chance de igualdade de gênero no casamento e na distribuição do trabalho, dentro e fora de casa. Também diminui a violência doméstica, os homicídios e suicídios.

ÉPOCA - Há algum período da história das novelas no Brasil em que essa influência no comportamento tenha sido mais ou menos forte?
Chong - Acredito que as novelas tenham tido um impacto mais poderoso quando começaram a ser veiculadas em massa. O que corresponde aos anos 70, principalmente, muito mais que nos anos 90 ou nos dias de hoje. O público, aos poucos, vai se acostumando aos temas e à forma como a trama acontece. A audiência naquele tempo também era muito maior, refletindo-se na influência. Mas é fato que existe um efeito cumulativo e é sobre ele que focamos nossos estudos.

ÉPOCA - A padronização dos valores, de comportamentos e ideais que a televisão introduz é negativa?
Chong - É uma questão de perspectiva. As novelas, em especial da TV Globo, impõem um estilo de vida moderno e urbano que diminuiu as taxas de fertilidade e aumentou as de divórcio. Isso pode ser visto de forma positiva por um grupo e de forma negativa por outro.

ÉPOCA - O brasileiro é o povo mais influenciado por novelas na América Latina?
Chong - Não há evidências concretas em relação a isso, visto que não temos um estudo do impacto das novelas latinas como temos do caso brasileiro. Acredito que no México haja também certa influência, assim como em argentinos, peruanos ou venezuelanos. Mas é indiscutível que no Brasil haja um fenômeno bastante particular não só nos valores e personagens que as telenovelas nacionais retratam, mas também na maneira com que elas são feitas - o ritmo, o tipo de diálogo, tudo é muito marcante e característico. A esse respeito, eu não ficaria surpreso se o impacto das novelas no Brasil fosse mais forte que em outros países.

ÉPOCA - Há como comparar a influência da novela no Brasil com a do cinema na sociedade americana?
Chong - Existem indicações claras de que os filmes americanos têm enorme impacto naquela sociedade. A questão da violência, por exemplo, é alvo de muitos estudos recentes. Mas acredito que essa influência tenha características próprias, e não há como fazer uma comparação com as novelas no Brasil.

ÉPOCA - Pode-se dizer que, no Brasil, a novela é o melhor canal para a difusão de ideias sociais?
Chong - Sim, acredito que seja o mais eficaz. Por isso esses estudos são tão importantes para os países em desenvolvimento. Nas sociedades em que a alfabetização é relativamente baixa e a leitura dos jornais é limitada, a televisão desempenha um papel crucial na circulação das ideias. A televisão tem influência enorme em países como o Brasil, onde ainda há forte tradição oral. Nosso trabalho sugere que os programas orientados para a cultura da população local têm o potencial de atingir uma grande quantidade de pessoas com muito baixo custo e, portanto, poderiam ser usados por políticos para transmitir mensagens sociais e econômicas importantes - sobre aids, educação, direitos das minorias etc. Estudos recentes feitos por psicólogos sociais realçam o papel dos meios de comunicação, rádio e telenovelas em particular, como uma ferramenta para a prevenção de conflitos. A nossa investigação sugere que esse instrumento funciona na formação das mais variadas políticas de desenvolvimento e deve ser aproveitado.