quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Panthéon e as mulheres

Logo na fachada, o primeiro sinal: "Aos grandes homens, a pátria os reconhece." No templo republicano não há democracia entre os sexos. Só duas mulheres figuram entre os homenageados.

No andar das criptas, por exemplo, só lembro de ter visto Marie Curie. No mais, nos deparamos com os grandes. Isso mesmo: artigo definido masculino no plural.
Alguém pode alegar machismo da História, mas eu não concordo que este seja o impedimento principal, ainda que se constitua em um fato. Penso como Camille Paglia, para quem a diferença básica de status entre os sexos se dá, a priori, porque as mulheres não têm a mesma predisposição à obsessão que os homens. 
Essa ideia da pesquisadora americana me faz lembrar de uma palestra gravada de Contardo Calligaris. Ele pontuou o espírito de aventura dos homens. No meio do encontro, uma psicóloga infantil, na platéia, pediu a palavra, e comentou que só uma menina, dentre as que passaram por seu consultório, se interessou em arrumar o exército de brinquedo que ela tinha lá. E mesmo assim foi pra dar "Bom dia!" aos soldados. Já os meninos... Segundo a psicóloga, quase todos se interessam por esse tipo de entretenimento. 
Se é instintivo ou cultural, não há como dizer. Meu palpite é que a cultura conte aí uns 30%. Há mistérios sobre a testosterona que ninguém conhece.
O engraçado é que, se por um lado eles comandam a ação na esfera pública, elas, quando dão pra se meter nesse espaço, parecem valer por 20 homens. E, curiosamente, a história do Panteão começa justamente com uma mulher muito da arretada (ou pelo menos bastante crente), sim, senhor: Santa Genoveva.
Explico: quando os Bárbaros estavam invadindo os quatro cantos da Europa, Paris quase entrou nesta rota. Com medo, vários homens parisienses fugiram, mas Genoveva persistiu e confiou na oração para livrar a cidade-luz dos invasores. Deu certo. Ela virou, anos mais tarde, padroeira da cidade, e ganhou uma igreja enorme, que é o atual prédio do Panteão, transformado em tal após a Revolução Francesa. Irônico, não?
Apesar da pouca inclinação natural a grandes obras públicas, eu penso que, de qualquer forma, falta valorizar mais a participação feminina na História. Joana D´Arc, por exemplo, poderia ser a 3ª a entrar no Panteão. Seria uma homenagem mais que justa.

Maison Balzac

Essa é a "vista aérea" da casa do escritor Balzac, em Passy. Por fora, ela é muito simpática e tem um jardim agradável, com algumas cadeirinhas nas quais você pode sentar e conversar com os amigos. Dentro é tudo tão velho que você tem até medo de pisar. Confesso que os dois primeiros ambientes me deixaram entediada (neste tipo de museu é comum eles enrolarem colocando fotos e informações pouco substanciais sobre os amigos e parentes da personalidade tema do local). O bacana é quando começa mesmo a viagem por Balzac e sua obra.
Pode parecer bobo, mas eu gostei de passear no escritório dele, apesar da escuridão do local. Fico pensando em como deveria ser especial (ou não) trabalhar como escritor em uma época em que a grande maioria fazia trabalhos braçais (sabe, eu sonhava com isso quando pequena, mas, no fundo, ainda tenho muita esperança de ver a Máquina do Tempo existir antes de eu morrer. Já pensou que fantástico poder ver o passado em tempo real?).
Balzac vivia endividado, e por isso trabalhava muito. Em uma carta à amante, reclama de trabalhar mais de 15 horas por dia. Veja que pessoa dramática (risos):
Outra coisa bacana no museu são as amostras de alguns trabalhos corrigidos pelo próprio autor. Abaixo, uma das páginas das quais falo. Vi outras muito mais rabiscadas que essa, mas muito mais mesmo. Uma curiosidade: ao que parece, Balzac não tinha muito fôlego como revisor. As primeiras páginas de um manuscrito eram muito corrigidas. Já nas partes finais, poucas correções (me identifiquei totalmente!).
Por fim, a galeria de desenhos dos personagens de suas obras. Até então, deu para aproveitar o museu mesmo sem nunca ter lido o autor, mas nesta seção, confesso que fiquei triste comigo mesma. Deve ser muito mais divertido quando já se leu tudo, porque daí dá pra comparar a sua imaginação com os desenhos revisados pelo próprio autor.
Fizeram algo semelhante com o apartamento de Victor Hugo na Place des Vosges, mas, pessoalmente, achei a casa de Balzac infinitamente mais simpática. Ambas são gratuitas. Bem, só por isso, acho que já vale a pena visitá-las (risos).

De olhos bem abertos

Não é só nos grandes cartões postais de Paris que podemos encontrar beleza. Às vezes, em lugares pelos quais não damos nada, nos deparamos com paisagens belas.
O lugar das fotos abaixo, eu o descobri por acaso, caminhando depois da aula (fica atrás da feíssima rua do meu curso de francês, na 19eme). Mal acreditei.

Outro lugar (pessoalmente) bacana foi a Capela da Medalha Milagrosa, de Catherine Labouré. Fica em uma rua sem graça, um pouco escondida, e a fachada não é muito animadora, mas a capela é uma gracinha (só não tirei foto porque estava acontecendo uma missa no momento da minha visita).
Mesmo nos lugares icônicos de Paris, convém prestar atenção para não perder uma informação interessante. Na Champs Elysees, por exemplo, é fácil passar pela placa-homenagem a Santos Dumont e nem notá-la.

No Panteão há uma plaquinha, que é fácil de passar desapercebida, avisando o horário da visita ao topo do prédio, que é muito legal de fazer.

Enfim, regardez Paris. Vous pourriez être surpris!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Mundo cão

Odeio noticiário que explora a miséria alheia. Odeio mesmo, não gosto de assistir de jeito algum. Além de mórbido, é o tipo de coisa que não acrescenta em nada na vida das pessoas.
Por último, até vídeo no Youtube mostrando uma tal de Kelly Cyclone no necrotério o povo anda divulgando. Fala sério!...
Esse tipo de comentário sempre deixa a gente com aura de chata, eu sei. Mas realmente acho de uma pobreza de espírito tremenda dar atenção a esse tipo " notícia". E o pior é que o povo gosta, e muito.

sábado, 30 de julho de 2011

Jardim de Luxemburgo

E por falar em espaços ao ar livre, um dos mais bonitos é o Jardim de Luxemburgo, que fica nos arredores do Panteão.

Quem não tem Porto da Barra caça com "Seine" mesmo...



Bienvenue au "Paris Plage"! Até 21 de agosto vai ser isso aí: a galera esparramada em cadeirinhas, chuveiros e água potável de graça, barraquinhas de sorvete e até serviço de massagem. Como o frio aqui é uma constante, o espaço, a qualquer sol que abre em Paris, fica lo-ta-dooo!

Nos arredores de Notre-Dame

Um pouco depois da imponente Notre-Dame existe uma livraria bem simpática, especializada em literatura inglesa, a "Shakespeare and Company". No início do século passado, ela servia de abrigo para aspirantes a escritores oriundos de países de língua inglesa. A coisa funcionava assim: o futuro escritor ganhava hospedagem grátis por 3 meses (tempo de escrever sua obra) e em troca tinha que trabalhar um pouco na livraria e ler um livro por dia. Hemingway foi um desses caras.


Essa é a igreja de Julien dos Pobres. Ela é um pouco mais antiga que Notre-Dame. Dizem que sua acústica é infinitamente superior a da catedral do Corcunda, e por isso vários concertos de música clássica são realizados por lá.
 Essa é a Ponte das Artes. Aqui, vários artistas de rua se apresentam. Uma atração à parte são os cadeados depositados na ponte por casais, de modo a eternizar o amor que os une (Ohhhh!...). Mas a prefeitura não anda muito apaixonada pela ideia, segundo fiquei sabendo.

"FELIPECIDADE"

Ontem fiquei sabendo que o meu tão esperado sobrinho é realmente um sobrinho. "Felipecidade" geral na família em receber seu primeiro menino. Que fevereiro chegue logo!

A Ponte de Mirabeau

A construção em si não tem nada de especial. Minto: a construção é bem bonita, mas fica no meio do nada. Gostei muito de ver os versos do poema na lateral da ponte. Que lindo!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ô!...




Acho que a brincadeira do FB traduz o sentimento de muita gente.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ele x Ela: o princípio.

Outro dia estava no metrô, quando entraram uma mulher e duas crianças de aproximadamente oito anos - um menino e uma menina. Enquanto a acompanhante distraia-se pensando provavelmente na morte da bezerra, os dois pequenos seguravam-se em um dos mastros de ferro do vagão. Começaram a conversar - em inglês, ao que tudo indica, o primeiro idioma deles. O clima esquentou e o ruivinho, tentando pôr fim, na marra, à queda de braço na qual nitidamente levava desvantagem, tentou dar uma cabeçada na face da garota. 
Ela, sem titubear, começou a fungar, como quem está por cair no choro, chamou a adulta, e para garantir que seria entendida, fez a queixa em francês, contando como havia se desenrolado a tentativa de agressão física. Puro charme daquela mocinha de cabelos castanhos e olhos azuis, a adulta deve ter suposto, assim como era evidente pra mim. Se soubesse falar francês fluentemente, teria tomado a liberdade de brincar com a pequena: "Ora, vamos, ele nem acertou direito o alvo, deixe de manha, vá, que eu vi que não doeu!". Mas, com ou sem presepada, o caso é que ela ficou uma graça de queixosa - e parecia saber perfeitamente disso. "Une femme est une femme".
O ruivinho, aparentemente sem fluência no francês e envergonhado pela denúncia pública da companheirinha, ficou cabisbaixo. Após alguns segundos, sem levantar a cabeça ainda, inclinou a franja alaranjada pra frente, de modo a fazer carinho com os cabelos na testa da amiguinha, como quem diz: "Era isso que eu queria fazer naquela hora; não quis te machucar. Me perdoa."
Nosso vagão começou a apresentar problemas, os quais ele nem parecia notar enquanto ela parecia excitadíssima com toda aquela indefinição do nosso destino. Nós saímos dele, por fim. Durante o tempo em que olhei para o lado esperando avistar o próximo vagão, ouvi a voz (aborrecida) da acompanhante adulta. Virei na direção dela e a moreninha, com cara de zangada, havia ido se sentar. Sorri ao pensar que cada sexo, desde o início, já mostra as suas habilidades inatas: enquanto eles se calam e preferem a ação (ainda que imprudente), elas dançam com as emoções e as palavras (ainda que inventadas).

The Gift

Se tem uma coisa que me dá barato é poder presentear. Tenho um espírito meio de apresentador de auditório, acho impagável o sorriso e a satisfação de alguém que recebe um presente. Até algum tempo atrás, a satisfação tinha que ser mútua (traduzindo, eu costumava dar presentes que eu pudesse pedir emprestado depois. rs). "Evoluí", e hoje o meu barato é procurar algo que seja muito parecido com a pessoa que vai receber o presente. Às vezes o processo é árduo, mas sempre vale a pena. É muito ruim presentear por presentear; quase sempre, melhor não dar nada. Poucas coisas afirmam mais a indiferença alheia que isso. O bacana do presente, muitas vezes, é saber que alguém pensou em você ao comprar o objeto ofertado.
Meu ascendente em câncer também fala alto nesse aspecto: ao dar algo a alguém, posso me infiltrar no ambiente mais íntimo dele e, mesmo que os anos passem, um dia, ainda que distraidamente, aquele objeto vai evocar a minha lembrança (por isso é bacana dar livros, pois esses abrem brecha para cartinhas-dedicatórias).

domingo, 29 de maio de 2011

Para posteridade

Eu não sou muito de fotografar. Em meio a correria, nunca me liguei em tirar foto no A Tarde.
A única que tenho - que Aguirre não me leia!hahaha - é by Kin Kin, tirada durante a Festa dos Jornalistas do Grupo JCPM, em dezembro do ano passado. 
Mirem bem este "rezistro". É aquela coisa: quem nasceu pra se lascar, não tem pra onde correr. O tema de 2010 foi "circo" (por isso estamos segurando algodão doce). O de Donaldson quase não aparece. Ari recebeu uma mega ajuda do selo do site, que praticamente "abafou o caso". Vanessa Alonso, como jornalista que se dá ao respeito (não à toa, foi premiada pelo Sebrae essa semana), não segura nada. Pra quem sobrou? Adivinha!... E, pra piorar, ainda tô quase check-to-check com o velhinho do Grupo Paes Mendonça. Tsc, tsc, tsc... (Não preciso de ninguém para queimar o meu filme. Neste quesito, sou self-made. hahaha...)


terça-feira, 24 de maio de 2011

Seul

Agora caiu a minha ficha: vou viajar sozinha. Xiiii!...
Mas nem tudo está perdido. Há a esperança de arranjar companheiros de passeio no curso de francês.

domingo, 22 de maio de 2011

O lado de cá, o lado de lá


Daqui a oito dias, embarco rumo a Paris. É engraçado que quando comento o fato com alguém, já vem logo a "praga": "Olha, tomara que você arranje um francês lá, viu?". 
Pelo amor de Deus, né! Casar com estrangeiro não deve ser o auge da vida da mulher brasileira. Ai, ai...
No fundo, me dizem isso porque tá todo mundo desiludido com esse país, que nos estressa muito e nos oferece pouca perspectiva. Sim, confesso que tenho medo da volta. Mas vou voltar, sem dúvida. Já foi a época em que acreditava que minha vida seria lá fora. Coisa de menina, hoje eu sei. Coisa de intuição que meu destino é aqui no Brasil, mas não na Bahia (sinto que, não demora muito, vamos nos separar, após quase 20 anos juntas).
Minha intuição não apita nada sobre essa viagem ainda. Isso me angustia, pois geralmente ela canta algumas pedras pra mim. No entanto, do jeito que as coisas estão conspirando para que minha ida à Europa aconteça, começo a acreditar que algo importante deve me ocorrer por lá.
Enquanto isso, fico aqui às voltas com os últimos preparativos. E também com um livro de expressões para viagem que comprei. Tento decorar algumas frases em francês, sem muito sucesso. Ao final de cada tentativa com o livrinho, me bate a dúvida se vou conseguir aprender algo em francês. Vai ser fracasso geral voltar sem ao menos conseguir articular uma conversação. Já pensou? hahaha...Mas, de verdade? Eu só quero ser feliz enquanto estiver por lá. Torçam por mim. ;)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Shakira em Paris: Eu vou!!!!!!!!!!!

É gravação de DVD, pai! Uhuuuuuuuuuu!...

sábado, 14 de maio de 2011

Infeliz por quê?

Mais uma vez, o noticiário me gerou uma reflexão. Estava ontem vendo uma reportagem dessas sobre drogas, em que uma mãe lamentava a morte do filho de 18 anos, viciado, dizia que tinha feito tudo ao seu alcance para tira-lo disso, e já "se preparava" - se é que isso é possível - para o mesmo destino do seu caçula, de apenas 13 anos. Não aguentei, e questionei a minha mãe: "Qual o motivo de tamanha infelicidade?" Sim, pois quem tá feliz não se afunda em drogas. Agora, venha cá, me diga uma coisa, há realmente tanta gente infeliz assim? A vida de todas elas é realmente tão miserável para fazerem coisas absurdas, destrutivas?
Esse rapaz mesmo da reportagem tinha saúde (física, ao menos), mãe (tanta gente por aí nem tem ideia de quem o gerou...), irmã e juventude. O que faz uma pessoa com essas configurações querer morrer? Carambola, a vida nem começou e o sujeito já se julga tão derrotado a ponto de se afundar nas drogas para se matar (sim, porque é isso que deseja - inconscientemente, ao menos)!? Pense direito: isso faz sentido?

Alguns podem dizer que tal fenômeno é sinal da falta de Deus, de fé no coração. Crenças à parte, digo que isso é, sobretudo, falta de sensibilidade. Estamos todos visivelmente orientados para o que ainda falta. Ninguém se ocupa nem por um segundo do que já foi conquistado. Ninguém tem a sensibilidade de imaginar que teve sorte, uma vez que aquilo que parece ser uma conquista banal poderia não rolar mais ou simplesmente nunca ter rolado.
Aposto que o seu Luiz Alberto, um senhor conhecido meu recém-transplantado, adoraria ter 30% da saúde desses jovens que se drogam por aí. Entrar e sair de UTI, oscilando entre vida e morte, isso sim é sofrimento. E mesmo assim esse sujeito que vem passando um pedaço tem muito o que agradecer: de sangue raro, conseguiu, relativamente rápido, um doador compatível. Muitos queriam ao menos ter a chance de estar passando os mesmos perrengues, na tentativa de prolongar a vida.
A vida é difícil e milagrosa, ao mesmo tempo, para todo mundo. O que faz a diferença é a criatividade de cada um, pois, sim, viver bem é, acima de tudo, um desafio à criatividade. Isso é óbvio, é próprio do fato de estar vivo, neste mundo. Enigmático é estar faltando sensibilidade quase que generalizada para ver isso. Há definitivamente uma epidemia de "cegueira" na população mundial (quando ricos e pobres querem se matar em proporção quase igual, o problema não é mais social). E suponho que talvez o problema seja justamente o contrário do que se supõe: a vida desse povo anda muito boa. Se realmente tivessem um problema, não teriam espaço, na vida, pra pensar besteira. 
De uma coisa tenho certeza: a infelicidade humana anda super cotada.Não há por que ser tão miserável assim.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Irreflexão

"O que estão fazendo às crianças do nosso Brasil?", perguntou a loira que apresenta um programa matutino, recém-avó, a sua rede de milhões de telespectadores espalhados pelo País.
O apelo de Ana Maria Braga poderia ser tachado de sensacionalismo televisivo. Mas não era. Infelizmente, é impossível negar que, ultimamente, maus tratos infantis têm rendido mais noticiário do que gostaríamos. Não lembro de ter ouvido tantas histórias sobre bebês jogados no lixo como atualmente. É estranho perceber, de repente, que, no grosso, o nosso saber não serve para nos melhorar de jeito algum.
Na mesma semana, Drauzio Varella tocou no tema "aborto" em entrevista ao "Roda Viva".
De um certo modo, ambos os temas entrelaçam-se. Quando vemos bebês jogados no lixo, logo pensamos: "Por que deixa vir ao mundo, se é pra fazer isso?". Quando sabemos de alguém que fez aborto nos perguntamos:  "O que custava ter deixado nascer?".
Por trás de todas essas situações percebo irreflexão. As pessoas esqueceram que os atos têm desdobramentos.  O desespero total conduz a cenas bizarras que não tinham razão de ser.
No mesmo dia em que a loira se perguntava sobre a situação esquisita das crianças do Brasil, muito indignada, mandou o recado para as "loucas da lixeira":
- Olha, não querer ficar com o filho não é crime, não; não precisa largar em lixeira, com medo de ser pego. Para isso existe a adoção.
Pois é. Óbvio, não?
Contra o aborto, existe, além da adoção, a pílula, o planejamento familiar.

Qual é a dificuldade em poupar sofrimento para si mesmo e para os outros?
Não entendo...

terça-feira, 19 de abril de 2011

Do the evolution, babies!

Aviso aos navegantes: o tema é pop, o post é frívolo.

Por esses dias, saiu o novo clipe de Britney Spears, "Hold it Against Me", do álbum "Femme Fatale". Apesar do título, o repertório continua o mesmo de quando ela cantava pendurada num balanço de uma árvore. Uma fêmea fatal não perguntaria "Você usaria isso contra mim?". Muito beicinho, muito menininha ainda pra assinar um álbum com esse título. Eu gosto de Britney, mas ela não age com sinceridade nessa carreira há tempos. Faz o que sabe que dá certo desde que surgiu no show business. Por essas e outras que Madonna continua Madonna. Com exceção de uma breve fase garota, sempre se posicionou como mulher, sempre procurou não se repetir. Discípula dela, só Lady Gaga, realmente.
Um pouco mais ousada porém tão estagnada musicalmente quanto é Sandy. Teve peito pra ir para a carreira solo, ok, mas continua cantando letras adolescentes. Ela é ainda muito verde compondo. Nessas horas, é preciso ter humildade e praticidade. Sandy deveria desistir, por enquanto, de compor todo o material e priorizar a gravação de letras de outros compositores. Luiza Possi faz muito isso, e dá supercerto.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Animal

Por estes dias, Delfim Neto atiçou a turma do politicamente correto dizendo que o animal empregada doméstica estava entrando em extinção (não lembro exatamente a frase, mas era algo neste sentido). A turma se revoltou com o uso do termo "animal". Não acho que o politicamente correto seja histeria vazia. É patrulha com função. Mas às vezes, na ânsia de não deixar nada passar, acaba minando a credibilidade daquilo que defende. Este caso nem foi gritante. Mas, hipocrisia à parte, como é mesmo tratada essa classe no Brasil, hein? Animal de estimação se dá melhor com a patroa que muita trabalhadora doméstica. São exploradas, sim, tratadas como animais de carga. Por que o choque com a expressão utilizada pelo Delfim?!