segunda-feira, 23 de agosto de 2010

De olhos bem fechados

Hoje de manhã estava assistindo a Ana Maria Braga enquanto me arrumava (desculpe-me a equipe do Roda Baiana, que odeia a global, mas ela é a melhor opção pela manhã. hehehe). No sofá de Ana, falava-se sobre a morte da garotinha Joanna. Tudo indica que a pequena foi vítima de maus tratos paternos e por isso foi parar no hospital.
Conversa vai, conversa vem e a parceira do Louro José passou um VT da mãe da vítima, Cristiane, apelando a qualquer pessoa que saiba de algum evento envolvendo agressão entre o ex, André, e a filha para que se manifeste.
Não há nada comprovado, mas acredito que nesse caso se aplica aquela máxima "Coração de mãe não se engana". Essa mulher deve estar com os nervos em frangalhos por, entre outras coisas, ficar imaginando o que teria acontecido a filha no tempo em que viveu na casa paterna.
Nessas horas, é inevitável ficar zangada com o nosso judiciário, que comete desparates como o de dar a guarda de uma criança a um pai ausente, quase um desconhecido. É certo também que (quase) nunca esperamos um mal dessa proporção da parte de quem convivemos. Mas, convenhamos, essa mãe também teve a sua parcela de culpa. Parece desumano dizer isso, mas é verdade.
Em casos como esse, no fundo não há supresa. Nunca é uma grande surpresa. O outro sinalizou o tempo todo e a gente é que se recusou a dar a devida atenção aos sinais. É sempre assim. No final das contas, a gente nunca fica zangado com a esperteza do outro em nos iludir, mas sim com a nossa própria imprudência em ignorar os indícios da verdade. É a droga da vaidade sempre falando mais alto, afinal o azar só bate na porta do vizinho e nunca vai bater na nossa. Nós, sempre mais espertos que todo mundo, nunca nos enganamos, não é verdade?! Por que a gente é assim?...
No mínimo, André, o pai de Joanna, não era boa bisca desde a época em que Cristiane e ele eram casados, quiçá desde a época do namoro. O mal é que nós latinos, sempre muito passionais, nos recusamos a admitir que a maldade existe. Há sempre uma explicação para os deslizes alheios. Certamente, iludida de que se tratava de (mais) um homem apenas "difícil" (leia-se "sujeito machista, egoísta, que sempre deixa a mulher na mão, e torna-se agressivo a qualquer contrariedade"), a mãe de Joanna subestimou o potencial de produzir encrenca desse relacionamento. É sempre assim. Joanna morreu, mas quantos maridos/pais do tipo, quando não partem para a agressão física, matam seus filhos emocionalmente? Inúmeros. Alguém duvida de que a ausência desse cara na vida da filha, nos primeiros cinco anos, trouxe sequelas? Se não trouxe agora, certamente traria no futuro, quando ela passasse a entender a situação.
Sempre fui da opinião de que as mulheres brasileiras amam muito mal. São legítimas escravas de suas próprias carências e fãs de relacionamentos conturbados. Adoram uma causa perdida. O cara nunca quis trabalhar, já casou 3 vezes, tem 5 filhos com os quais nem tem contato e ainda aparece um monte de besta achando que com ela vai ser diferente, que ela é o que faltava a ele - uma espécie de pó de pirlimpimpim que faltava na vida do sujeito. Mas nunca é. Algumas ainda conseguem cair fora. Quando entram e saem dessa sozinhas, menos mal. Problema delas, já que são maiores e vacinadas. O mal é que muitas botam terceiros (quartos, quintos, etc) no meio dessa confusão. E coisas como essa que ocorreu com Joanna acontecem porque pai e mãe são para sempre. Uma vez que a mulher tem o filho de um sujeito desse, já era e então fica difícil proteger a criança.
Muitas vezes nem o próprio assassino imaginava que poderia um dia se tornar alguém perigoso. As pessoas precisam entender que as coisas não são simples assim, preto no branco. Tirando os psicopatas, ninguém gosta de matar. Essas  atitudes criminosas dependem da oportunidade certa para virem à tona. Duvido que o Alexandre Nardoni se achasse capaz de um dia matar alguém, que dirá a própria filha. Ameaçado, ele cometeu aquela crueldade contra a menina. Dizem que a motivação do crime foi justamente essa: livrar-se do corpo de Isabela para encobrir a crueldade de Ana Carolina Jatobá e, consequentemente, preservar a "harmonia familiar".
Esse é exatamente o xis dessa questão: basta estar lidando com um egoísta para correr perigo. É isso que sujeitos como Alexandre Nardoni, Bruno Souza e André Marins são acima de tudo: egoístas. Gente assim, quando vê seus interesses em jogo, indo por água abaixo, age por impulso e não se interessa em calcular qual será o impacto do seu ato nas vidas de outras pessoas. O importante é "defender os próprios interesses". Para essas "mentes presunçosas", ninguém nunca vai descobrir. Espertos são eles e ninguém mais. Sempre ficamos entre a pena e a admiração pela audácia dessas pessoas, mas deveríamos, mesmo, é tratar com cautela esse tipo de criatura de "gênio forte".
Pode soar exagerado e um tanto utópico pedir isso quando alguém está apaixonado, mas homens e mulheres deveriam prestar mais atenção nas pessoas com quem se relacionam. Antes de cair totalmente na paixão, é prudente abrir os olhos e ver com objetividade  quem é o outro. Atos corriqueiros dizem muito sobre uma pessoa: como trata a família, como lida c/ os amigos, se gosta de crianças ou animais, se sabe ceder quando o bem-estar do grupo está em jogo, se sabe lidar com frustração, se mente com frequência ou se é honesto, etc. Uma ilusão, um capricho, pode custar uma vida. É o caso de Joanna e também de Isabela e de tantas outras(os) Brasil afora que pagam o pato de uma situação que não criaram, da qual são mero produto. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Noblesse Oblige

"Noblesse Oblige" é uma expressão francesa que quer dizer "a nobreza manda". É  um tipo de atitude que mistura dignidade e altruísmo, com o objetivo de, geralmente, poupar o próximo de algum dissabor. Noblesse Oblige acontece, por exemplo, quando você sabe um podre de alguém e é discreto, não usando isso contra o outro, protegendo-o até de possíveis ataques. Ou quando você teria todas as razões do mundo para revidar contra um inimigo e segura seus instintos em nome do que é certo fazer. Ou simplesmente quando você faz o bem, mesmo que o alvo seja alguém que nunca vai saber disso ou que nunca vai saber agradecer pelo que recebeu. A nobreza manda quando você não teria nada a ganhar poupando o outro a não ser a sensação de dever cumprido.
Noblesse Oblige é um tipo de comportamento raramente visto entre seres humanos. É mais comum que pessoas discretas e mais velhas tenham esse tipo de atitude. Mas eu já vi isso, uma vez, em gente jovem - uma moça que estagiou comigo, pessoa elegantíssima, por dentro e por fora. É raro. Geralmente as pessoas não nascem assim, e vão desenvolvendo esse tipo de caridade ao longo da vida. 
Uma das pessoas mais elegantes na alma que conheço, apesar de sempre ter sido muito generosa, só desenvolveu essa noblesse oblige na maturidade. Na juventude - me confessou - levava as coisas muito "a ferro e fogo". Bem, em todo caso ela carregava consigo a matéria-prima desse tipo de comportamento: o altruísmo. Gente egoísta no máximo vai aprender a ser falsa com perfeição, mas nunca vai desenvolver noblesse oblige. Sorry. A nobreza manda se e somente se o comportamento nobre existir igualmente no "palco"  e nos "bastidores".

Eu ainda não sou assim; encontro-me no meio do caminho. Meu lado N.O. é, definitivamente, a  minha paciência de Jó (que geralmente só se esgota quando tenho certeza da falta de consideração total e absoluta da outra parte - depois de muito engolir sapo).

***
Bem, mas como nem só de pão vive o homem, vamos deixar o baixo-astral mandar um pouquinho nesse post (rs). O cofrinho da foto é de Shakira. Sorry, almas nobres, mas eu intimamente vibrei por ver que a endeusada cantora pop tem a pele de uma reles mortal (êêê, Shakira tem hematoma e estria! :P).


sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Neuroses Complementares

Li agora que a Maria da Penha (sim, aquela da lei) vai lançar o livro "Sobrevivi, posso contar".
Deus que me perdoe, mas tirando a parte que diz respeito a negligência, a morosidade da justiça no Brasil, que deixa esse tipo de homem maluco impune, eu não consigo ter pena de mulher que é "vítima" de violência doméstica (quer dizer, tenho compaixão pela fraqueza, mas não tenho dó dessa condição). Pra mim, rola uma espécie de gozo mútuo nesse tipo de situação. Do contrário, essas mulheres não se sujeitariam a isso anos a fio. 

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Adoção

Ouço muita gente falando em adotar. Cléo Pires, mesmo, disse a Istoé Gente dessa semana que deseja criar uma criança. Lindo. Nobre. Mas fico me perguntando se essas pessoas realmente sabem o que significa esse ato.
Convivi bem de perto, na infância, com duas famílias que adotaram - adoções irregulares, vale dizer, coisa muito comum até pouco tempo. Foram experiências difíceis. Delas, tirei uma conclusão: (parafraseando um pouco Djalma Argollo) "Se você quer ser feliz através da adoção, não adote; mas se você quer fazer alguém feliz através da adoção, então adote".
Porque ter um filho adotivo é diferente de ter um natural. Em uma ou duas coisinhas, é verdade, mas esse par de coisas são muito mais significativas do que as pessoas imaginam.

Um desses meninos adotados que conheci quando criança foi encontrado em um banco de ônibus por uma senhora, que o entregou a filha, à época casada e mãe de dois filhos. Perto dos 18 anos, teve uma crise psicótica. Nessa hora, a mãe adotiva sentiu a dificuldade que é tratar da saúde de alguém cujo passado é desconhecido (ouvi dizer que ela tentou encontrar a mãe biológica, mas não conseguiu).
Essa é a primeira coisinha que é preciso ter em mente quando se decide pela adoção: você está  lidando com alguém sem passado, de origem desconhecida e isso pode fazer falta em algum momento (eu sei que, por exemplo, sofro risco de morrer de infarto, pois na família paterna algumas pessoas já morreram assim. Sei o que tenho que cuidar e o que não preciso me preocupar em relação a minha saúde). Qualquer coisa pode vir daquele novo membro da família.
O mesmo aconteceu com a garota adotada pela outra família que conheci em Brasília. Aos 15 anos, disseram-lhe que era adotada. Ela não digeriu direito a descoberta. Desde então, é uma pessoa transtornada. Esse caso é um pouco diferente, pois a família adotiva conheceu, de relance por assim dizer, a mãe da garota. Sabia-se que ela tinha transtornos mentais. O garoto da outra família também apresentou problemas, não só psiquiátricos como psicológicos. Mesmo tendo sido criado com todo o amor e atenção, sempre foi uma criança chorona, com problemas de fala, muito dependente pra tudo dos pais, enfim, parecia ter uma espécie de retardo. Não saberia dizer se um recém-nascido é capaz de reter esse tipo de memória, mas sempre foi visível, para mim, que o abandono marcou muito esse menino, que ficou registrado no inconsciente dele aquele episódio do ônibus.
Essa é a segunda coisinha que as pessoas que pensam em adoção devem ter em mente: não raro, uma mãe que abandona um filho tem problemas mentais ou com drogas. Os traumas passados devem ser levados em consideração. Ser abandonado pelas duas pessoas que mais deveriam querer-lhe na vida não é algo fácil para muitas das crianças adotadas. Lógico, todas as crianças dão trabalho aos seus pais e representam um desafio de convivência. Mas filhos biológicos trazem problemas mais ou menos previsíveis e é inegável que há certas transferências automáticas de afeto, realizadas, por exemplo, quando se percebe que a filha tem o jeito da esposa, que o filho tem os traços da pai, o humor do avô, etc. Até muitos dos defeitos você é obrigado a "engolir calado" porque a criança puxou justamente a você. A paternidade biológica sai à frente "com um nariz de vantagem".
Uma terceira coisinha que se deve levar em conta é a possibilidade da criança adotada não se adaptar ao novo lar. Sabe esse menino adotado? Pois antes dele, havia chegado uma outra criança naquele lar. Houve rejeição mútua entre o garoto e o filho caçula da mulher. Não falo de birra entre crianças, mas de alergia. A criança foi encaminhada a um abrigo. Entregar uma criança a um abrigo, ainda que ela não seja sua, deve ser ruim, deve render aquela culpa, aquela dúvida sobre o que vai ser daquela pessoa dali por diante. Deve-se estar preparado para essa possibilidade antes de embarcar nesse tipo de experiência.
Há algum tempo, li uma matéria excelente de um jornal internacional falando sobre a adoção de crianças estrangeiras. No texto, histórias de famílias americanas que adotaram crianças originárias de regiões em guerra ou em dificuldade econômica. As famílias têm perfis variados. Em comum, o trauma de devolver uma criança. Alguns pais adotivos passaram o inferno com o filho adotivo e sofreram muito até reconhecerem que não poderiam continuar com a criança.
Não quero dizer com isso que a adoção seja uma experiência fadada ao fracasso. Conheço casos de sucesso, que transcorreram com muita harmonia. Esse menino, mesmo, que teve o surto psicótico foi justamente quem cuidou do pai adotivo quando esse esteve doente, foi a mão na cabeceira do pai até a morte dele. O ponto é que adotar um filho não é como levar um cão abandonado para casa. Gente é muito complexa. Adotar é um ato de amor incondicional a um completo estranho. A pergunta é: sinceramente, você é capaz de doar-se a outra pessoa dessa maneira?

Frase da Semana

"Sou uma ótima dona de casa: sempre que me divorcio, eu fico com a casa!"
(Zsa Zsa Gabor, atriz húngara)

Os meninos da quadra




Olha, eu não conheço os meninos da vila, mas daqui da minha janela, vejo um bando de  meninos boleiros, todos os dias. Todos os dias mesmo. Faça chuva ou faça sol, até em feriado, vejo-os, da janela do meu quarto, dando o sangue na pelada (por isso, brinco que essa quadra é a ala vip da Febem! hahaha).
Hoje deve estar havendo algo de importante pra essa garotada, algum campeonato ou alguma peneira (note que a arquibancada está preenchida).
Ê, como é bom ser criança!... Tudo é festa nessa idade... Mas, por outro lado, como brinca Medrado, eu não queria voltar de jeito algum a estudar o cateto da hipotenusa. rsrsrs

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Essa tal de assessoria de imprensa

A assessoria de imprensa é anti-jornalismo. No começo, essa ideia era apenas uma suspeita; hoje, é certeza. Esse cargo ficaria melhor na mão de publicitários e RPs, enfim, de gente habilidosa em vender (da série "Coisas que nunca diria, assim, para profissionais concorrentes").
Não que o jornalista de redação não faça isso. Jornalismo é imparcialidade e objetividade, certo? Mas quando um jornalista pega uma pauta, geralmente ele constrói a matéria com um dos lados da balança mais baixo que o outro (isso fica bem visível, por exemplo, em alguns pedidos de fontes que vejo no Twitter). Ainda assim é raro ver alguém distorcendo fatos em uma redação. Já na assessoria...
Não quero dizer com isso que jornalistas de redação sejam mais éticos. A questão é a própria natureza do trabalho, mesmo. Se fosse só vender, como disse um pouco atrás, até que estava bom, mas muitas vezes o assessor se vê obrigado a "jogar para ver se cola". 
Sim, porque já foi o tempo em que "o cliente tem sempre razão". Estava outro dia almoçando com uma colega advogada e ela falava que, atualmente, algumas empresas não se importam de iludir o consumidor se o custo disso for menor que dizer a verdade. Sobra para o departamento jurídico e também para o de comunicação limpar a sujeirada.
É esse o meu ponto: estão reduzindo o assessor, que é um cargo bacana, a uma espécie de gari(apesar de reconhecer que não levo muito jeito para isso, admiro quem leva. Há que ser um bom estrategista e é preciso ser bem articulado, também, para exercer tal função. Um dos meus ex-chefes é um exímio assessor; eu ficava impressionada vendo-o com a imprensa).
Vai ver foi sempre assim nessa atividade, e agora é mais visível, apenas. E, sim, é óbvio que quanto menor é a empresa/organização menos pressões desse tipo sofre o assessor de imprensa. Fico tão confusa com isso quanto quando penso que promotores de justiça e criminalistas são "servos" da mesma lei.
Acho que deveríamos pensar mais sobre isso, inclusive com a mediação dos sindicatos. O pessoal costuma debater o que se passa na redação e esquece-se do mundo das assessorias.

OBSIMP Acabei de ver a seguinte manchete em Veja: "A Força do Capim Talismo". Será que dá realmente pra brincar um pouco ou o jornalismo deve ser sério mesmo? Um título criativo é mais que bem-vindo, mas tenho minhas dúvidas quanto a esse tipo de trocadilho barato.

DROPS! Num final de expediente desses, resolvi espantar o tédio assistindo "Rent" no Youtube. A peça se passa na Nova Iorque dos anos 80, e os personagens são basicamente gays e drogados. Pensei, cá com os meus botões, que a peça poderia perfeitamente ser ambientada no Pelourinho. Mas daí teríamos que acrescentar um personagem a mais: o ladrão. :P

Casamento de Ticiana

Aí, Galba, as fotos do casamento ao qual você NÃO FOI! hahahaha
("Um oferecimento da comunidade ´Irritar também é carinho´")

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estupidez mútua

Outro dia estava assistindo a um programa na TV - A Liga, se não me engano -, no qual vi o Rafa Bastos conversando com um sujeito metrossexual, que estava saindo sábado à tarde de casa rumo ao salão. Chegando lá, gastou uma fortuna com limpeza de pele, sobrancelha, hidratação e etc (pra continuar igualmente horroroso, vale dizer). Fiquei desesperada ao ver aquilo. "Meus Deus, que cara burro! Uma das vantagens de ser homem é justamente estar livre de salão de beleza!..."
Mas daí fiquei refletindo, refletindo (zzzz...), e percebi que a metrossexualidade nada mais é do que o resultado de uma roda da estupidez envolvendo os 2 sexos: as mulheres começaram a achar bacana abordar os homens como eles faziam até então com elas, pois isso lhes dá poder, mas esquecem que, acima disso, passaram mesmo é a prestar um grande serviço para a ala masculina, que não precisa mais se esforçar muito para conseguir mulher. Os homens por sua vez, agora que são assediados, estão se preocupando consideravelmente mais com o visual do que costumavam fazer. Conclusão: ambos arrumaram mais sarna pra se coçar que qualquer outra coisa. Mas a mulherada foi mais burra. Por um nariz, eles ainda ganham  vantagem nesse placar. Afinal, além de nos preocuparmos com a aparência, agora temos que lidar com a preguiça masculina (gerada pela tal "mulher de atitude") e ir à caça.
(Oh, Deus, na próxima encarnação me faça em forma de girafa, viu?)

What ever happened to Javier Bardem?

Meu Deus, o que está acontecendo a Javier Bardem? De uma hora para outra, virou um bobo.
O cara, que até há pouco tempo era o Johnny Depp do cinema independente, ficou mais comercial que Coca-Cola - seu último filme é baseado no best-seller e a co-estrela é ninguém menos que Julia Roberts. Por último, andou declarando "coisas inapropriadas" a respeito de Brad Pitt - só faltou chamar de "gostoso". Assim não dá!
Eu sei o que anda acontecendo com ele: Penelope Cruz.
Achei ridículo culparem a Sara Carbonaro pelo fracasso do time da Espanha na 1ª fase da Copa, mas nesse caso de Javier, é Penelope, sim! Ela está arrastando o agora marido para a lama. Ela é quase uma Yoko.
(Julita, agora eu sei que você sempre teve razão!)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Mothern*

Quando era criança, existiam basicamente dois tipos de mães: as que trabalhavam e as que eram donas-de-casa. As primeiras formavam um grupo menor, até por ser recente, mas não menos expressivo na sociedade.
O engraçado é que as duas turmas não se estranhavam como agora. Estar em casa ou trabalhar eram opções de vida. Não, não. Minto: as mães que trabalhavam eram um pouquinho mal-vistas, sim.  O respeito que se tinha pela mãe trabalhadora era mais por dever que por apreço, propriamente. Além do "abandono" aos filhos, essas mulheres eram, não raramente, também sinônimo de escolhas amorosas ruins: ou se casaram mal ou "se perderam" com um qualquer. Naquela época, os homens de classe média ganhavam bem, então das três, uma: ou o marido da mãe trabalhadora não ganhava o suficiente para sustentar a família; ou ela era mãe solteira e tinha que correr atrás do dinheiro sozinha; ou ela era apenas uma (jovem) metida a moderna que entregava os filhos nas mãos da empregada em nome do capricho de ter uma carreira. 
Lembro de um loirinho, vizinho de quadra, filho único de uma mãe solteira. O garoto passava a tarde inteira a nos espiar brincando, pela grade da janela. A cena por vezes nos causava mal-estar. Para a quadra inteira, no fundo, a mãe daquela criança era uma desalmada. As mães em tempo integral faziam comentários à boca pequena: "Tadinho! Fica preso que nem um passarinho na gaiola. Pra que pôr filho no mundo, meu Deus?", lamentavam.
No íntimo, as mães trabalhadoras também tinham as críticas delas às donas-de-casa. Na infância, já presenciei insinuações - discretas, é verdade - de que essas seriam mulheres acomodadas na vida e submissas aos maridos. Mas ninguém ousava falar isso abertamente, até porque as que olhavam torto para elas eram filhas de mulheres iguais, e isso garantia algum respeito pela condição de mãe em tempo integral.
Imune a essa rixa velada, somente as professoras. Talvez porque, apesar de trabalharem fora de casa, assumissem ainda assim uma função maternal, tipicamente feminina.

Esse quadro mudou bastante nos últimos 20 anos. Hoje em dia, é difícil convencer uma mulher a cuidar dos filhos em casa. Mais difícil ainda é convencer as pessoas em volta dela quando esse desejo surge na mulher que se tornou mãe. 
Em um mundo que exige cada vez mais produtividade, é duro explicar à sociedade o desejo de "parar" - sim,  com aspas, porque filho também é uma produção e das mais importantes e trabalhosas. É complexo, nessa sociedade que prega o individualismo, explicar aos outros que alguém seja tão importante para você quanto você mesmo. Isso só emociona as pessoas quando está no papel ou quando é dito da boca para fora. Se posto em prática, ganha os rótulos da preguiça e da submissão.
Talvez esse conflito feminino não existisse se vivêssemos em um sistema mais humano.
Na Suécia, por exemplo, o pai pode tirar dois anos de licença para curtir a cria, sem retaliações no mercado de trabalho. Isso não ocorre de jeito algum no Brasil. Mas será que, se assim fosse, o brasileiro usaria essa licença para cuidar dos filhos? A própria Suécia demorou até convencer os seus homens e mulheres da importância dos cuidados paternos nos primeiros anos de vida da criança. A persistência do Estado gerou bons frutos, e hoje é comum ver naquele país os homens em cenas com os filhos que até há pouco tempo eram exclusivamente privativas das mulheres. O que antes era encarado com uma inferiorização, hoje é visto como o direito legítimo de estabelecer um vínculo com o bebê e uma tarefa de suma importância na vida de homens e mulheres.
Penso que todo mundo, antes de ter um filho, deveria se perguntar se por este ser humano que vai botar no mundo seria capaz de ficar até dois anos sem esquentar o traseiro em uma cadeira de escritório - mesmo que isso estivesse fora dos planos. Sim, ter filhos é renunciar a um pedaço da sua liberdade, mas parece que uma parte das pessoas anda desavisada disso ultimamente.
Essa renúncia é maior no caso das mães que optam por estender a assistência aos pequenos depois dos quatro meses de licença. Uma boa dose de ansiedade deve acompanhar tal decisão, que, em alguns momentos, pode se tornar uma escolha difícil de administrar internamente. Cuidar de uma criança é um trabalho braçal, repetitivo e por vezes monótono. Creio que, frequentemente, a mãe deve achar que está levando uma vida mais pobre que a das mães que trabalham. Isso sem contar a ansiedade em relação ao futuro, ao que pode acontecer quando as crianças crescerem e você tiver que "voltar ao mundo real". Não penso que essa seja uma decisão simples e confortável como muitos a consideram. É muito idealismo na veia.

Confesso que gostaria de ficar integralmente com os meus filhos no primeiro ano de vida deles e que  acharia perfeito se pudesse, ainda, trabalhar um turno só (ou menos de 8 horas) até que o mais velho completasse sete anos. Ficaria muito mais sossegada se pudesse garantir que saberiam gritar por socorro, ler a embalagem dos produtos da despensa ou ligar para os bombeiros, antes de voltar a assumir uma jornada integral de trabalho (risos). Com quatro meses de vida, dá uma pena danada de deixar um bichinho indefeso desses nas mãos dos outros. Mas sei que, a não ser que case com um homem que ganhe muito dinheiro ou arranje um emprego privilegiado, isso não vai ocorrer. Nessas horas, me consolo pensando em um grupo que está numa situação zilhões de vezes pior: as mulheres de baixa-renda, que muitas vezes largam os próprios filhos para cuidar das crianças dos outros (esse quadro só não é mais deprimente porque as abençoadas avós salvam a pátria dos netos abandonados em nome da necessidade).

Um amigo meu - pessoa muito inteligente cuja opinião considero bastante - é professor do ginásio em um conceituado colégio particular do Rio de Janeiro. Ele, outro dia, me contou algo que já desconfiava acontecer nas escolas brasileiras: os alunos chegam ao colégio com uma pobre base familiar (pais ausentes, que não têm paciência para educar os filhos e basicamente se preocupam em proporcionar conforto material a prole) e muito sabichões devido a internet. A escola, diante disso, fica de mãos e pés atados. Enfim, a juventude de hoje está absolutamente entregue a própria sorte, à deriva em um mar de informações e de pressões do seu grupo etário. Que sociedade vamos  formar desse jeito?

Além do fator sociedade, existe ainda o afetivo. As pessoas esquecem de um detalhe fundamental nessa história toda: são nesses primeiros sete anos que as conquistas mais importantes da criança acontecem. Nunca mais esses momentos vão se repetir. 

O que me deixa quase tão triste quanto saber que vou ser mais uma mãe trabalhadora a largar os pimpolhos em casa, é saber que, mesmo que pudesse abrir mão de trabalhar (tanto) durante a infância dos meus filhos, seria discriminada por essa escolha. Adquirimos direitos que nos tiraram outros direitos, mas estamos na ilusão de que não perdemos nada. Isso é perigoso. Precisamos rever o que realmente vale a pena na vida de um ser humano; e mais: precisamos investigar esse conceito contemporâneo de liberdade, que a muitos tem deixado aprisionados e infelizes. Precisamos garantir que efetivamente as pessoas tenham o direito de escolha.


* Mothern - mãe moderna

terça-feira, 27 de julho de 2010

Frase da Semana

"... mas, doutor, uma esmola para um homem que é são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão."
(Luiz Gonzaga)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Por quê?

Onde nascem as almas? Por que Deus nos criou?

Sempre pensei nisso. E tanto nos dizem sobre energia, alma, reencarnação, etc, mas até agora ninguém me ofereceu  essas respostas.

Cadê minha gurua cineasta, nessa hora, pra "iluminar" as minhas idéias? :P

"Situação ridícula"

Pra quem não soube ainda (impossível, mas vá lá), Massa, que estava liderando o GP de ontem, passou a liderança ao colega Fernando Alonso, por "sugestão" da Ferrari, a equipe para qual ambos trabalham. Entendo a situação do piloto brasileiro e até mesmo o pedido da equipe italiana, mas, pô, que situação deprimente. 
Fiquei pensando se um Piquet ou um Ayrton Senna da vida se sujeitaria a isso, e duvido muito. "No way!" (adoro essa expressão americana!hehe) Os atuais pilotos brasileiros podem ter até talento equivalente ao dos que os antecederam, mas falta garra, fome de vitória, espírito de campeão.
Onde foram parar os homens de atitude deste Brasil, meu Deus! :(

terça-feira, 20 de julho de 2010

6 amigas que toda mulher deveria ter

Regina Valadares
Fonte: Revista CLAUDIA

A que diz verdades, a que coloca você para cima, a que gosta de fazer compras... Há amigas de todos os jeitos e todas são bem-vindas. Mas com este mix você faz a festa e pode se considerar a pessoa mais sortuda do mundo!

Com afinidades e diferenças, elas são a família que escolhemos. Fiéis escudeiras, conhecem nossos gostos e desgostos e sabem exatamente o que fazer quando precisamos delas. Embora a gente possa contar com as amigas nas piores enrascadas, sempre tem aquela que se encaixa melhor numa determinada situação: a que ama viajar, a que consulta os astros antes de dar palpites reveladores, a que ressuscita a auto-estima... Se você tem essas companheiras, dê graças aos céus pela linha de frente poderosa! Se não tem, vá atrás das que "faltam" - porque certamente elas tornam o dia-a-dia muito mais colorido.

AMIGA QUE DIZ A VERDADE

1. É aquela que interrompe o seu discurso cheio de razão, olha bem nos seus olhos e diz: "Não, você não está certa". Sem meias palavras, mostra um ângulo da questão que não era óbvio e pronto: você ouve os argumentos e acaba reconsiderando. Porque, quase sempre,ela tem razão. De vez em quando vocês se estranham, mas logo passa. Afinal, não é qualquer pessoa que está falando. Márcia Torvelo, economista, sabe muito bem a quem recorrer quando quer ouvir a verdade. "Se me sinto injustiçada, procuro aquela amiga que não vai concordar comigo só para me agradar. Muitas vezes fico arrasada com o que ouço, mas estabelecemos uma relação de confiança tão grande que ela tem a liberdade de me dizer coisas que outras pessoas não ousariam." Para questões menos graves, essa amiga é igualmente eficaz. Quer saber se o novo corte de cabelo ficou bom? Pergunte a ela. Detalhe: amiga que diz verdades também é capaz de ouvir verdades. Isso lhe dá o mesmo direito de ser absolutamente sincera com ela. Afinal, amiga é para essas coisas.

AMIGA CHEIA DE SABEDORIA

2. Ela conhece uma taróloga ótima, freqüenta um massagista japonês e entende um pouco de astrologia, numerologia, I Ching e cabala. Se bobear, tem ainda linha direta com Deus. Acredita que o que fazemos com o outro volta para a gente e que tudo pode dar certo se quisermos de verdade. Essa amiga realmente tem fé na energia cósmica e passa essa certeza para você. Por isso, quando sente que está pessimista, a pediatra Alice Pedroso recorre a sua amiga zen. "Sei que ela vai pegar o meu mapa e descobrir qual quadratura de astros está me deixando assim. Só conversar com ela já me tranqüiliza." Mesmo sem entender bem o que significa "entregar para o Universo", você segue seus conselhos: toma um banho de sal grosso, pinga algumas gotinhas de lavanda no lençol e vai dormir. E não é que no dia seguinte você acorda melhor?

AMIGA QUE É SUPERPRÁTICA

3. Ela sempre lembra de alguém que pode quebrar o seu galho, seja um contato de trabalho, um candidato a namorado ou uma ótima costureira. Prática por natureza e generosa por vocação, ela tem expediente e adora adotar uma alma perdida. Não sabe a que médico ir? Ela indica. Precisa organizar uma festa? Ela conhece os melhores fornecedores. Está em dúvida sobre o que escolher no cardápio do restaurante? Ela decide por você. É um pouco mandona, mas deixe claro quando não desejar sua interferência e nunca terá problemas com ela. Essa amiga quer sinceramente que você seja feliz e não poupa esforços para ajudá-la. Para melhorar o clima do seu casamento, é capaz de pegar seus filhos no fim de semana só para deixar os pombinhos sozinhos. Mas atenção: essa boa samaritana não suporta a ingratidão. Tudo que espera de você (e ela merece!) é reconhecimento. Então, agradeça, agradeça, agradeça.

AMIGA QUE LEVANTA A AUTO-ESTIMA

4. Ao menor sinal de abatimento, ela entra em ação. Lembra todas as suas conquistas, enumera suas qualidades e só falta dar uma salva de palmas para animá-la. Se percebe que você está preocupada com grana, oferece dinheiro emprestado antes de você pedir. Se acha que está triste, marca uma tarde no cabeleireiro para as duas. Sempre olha a metade do copo que está cheia e tem o dom de fazê-la sentir-se querida e admirada. Se você encerrou um relacionamento ou acaba de ser demitida, convoque-a. Como um espelho, ela devolve a sua melhor imagem: a de uma pessoa que ela admira e que, se não existisse, deixaria o mundo bem sem graça.

AMIGA DE BALADA

5. Se o forte das suas outras amigas é conversar, essa prefere ação. Uma festa a fantasia, uma noitada sem hora para acabar, uma viagem bate-e-volta... Como uma adolescente, esbanja disposição para fazer coisas, não importa muito o que nem a que horas. O tempo que passam juntas é só lazer. Esqueça crises ou inseguranças - esses assuntos são da seara de outra amiga. Essa é parceira de balada. É ela que inventa uma festa-surpresa no seu aniversário, se oferece para organizar o amigo-secreto do fim do ano e fica horas na fila para comprar ingressos para o show da sua banda preferida. Tudo o que você curte ela curte também. Assim, estão fadadas a se divertir muito, sempre. Quer companhia melhor que essa?

AMIGA FANÁTICA POR COMPRAS

6. Para ela, fazer compras é uma festa. Está sempre pronta para conhecer uma loja nova, não importa se fica numa ruazinha escondida lá no fim do mundo. Endereços descolados são a sua especialidade. E adora companhia para bater perna e consumir, seja na Daslu, seja na feirinha hippie. Sem preconceito. E jamais, em hipótese alguma, perde a paciência numa liquidação. Tem olho clínico para achar peças maravilhosas no meio de tranqueira e divide seus achados de bom grado com as amigas. Não vai se incomodar se você levar horas experimentando mil sapatos para no fim escolher mais uma bota. Mesmo sabendo que você já tem três pares, ela não a recrimina. Fica solidária com a sua súbita paixão pelo novo modelo e endossa a escolha repetindo que a bota ficou o máximo. "É a sua cara", diz, animada, deixando você ainda mais feliz.

domingo, 18 de julho de 2010

Arroz com feijão também é bom!

Ontem, para a minha surpresa, passou "Harry e Sally" na tv. Peguei do comecinho e me deliciei com a comédia romântica protagonizada por Meg Ryan e Billy Cristal (roteiro perfeito!... ). Nem parecia que já tinha assistido aquilo zilhões de vezes. Desfrutei muito mais do filme do que há 15 anos atrás. Vi outras coisas nele que anteriormente não havia percebido. Talvez isso tenha acontecido porque outra pessoa estava ali, diante da tela, e não a menina de 12, 15, 17, 21 anos. 
(Uma vez, quando eu era adolescente, meu pai me perguntou pra que gastava meu dinheiro comprando livros, se só apresentam novidade até terminá-los. Acho que vou apresentar esse argumento a ele.) 
Falem o que quiserem, mas uma boa comédia romântica tem o seu valor. Ô!...

Cegonha workaholic

Ano agitado para a cegonha! Meses de muita (re)produção para os coleguinhas de 2000.1.
Em março, nasceu Maria, de Luciana.
Quinta passada (15/7) nasceu Tales, de Jorginho.
Está para chegar, a qualquer momento, Camilinha, de Luize (ou melhor, da irmã de Luize... ainda assim, é de Luize).
Don já encomendou mais um(a).
Só falta dona Elen, que vai casar dia 6 de agosto, aparecer grávida também daqui a algumas semanas.



quinta-feira, 15 de julho de 2010

Frase da Semana

Kundera e Martha Medeiros deveriam se casar!

Estava apaixonado por seu próprio destino e sua caminhada para a ruína parecia-lhe nobre e bela. Compreendam-me bem: eu não disse que ele estava apaixonado por si mesmo, mas por seu destino. São duas coisas totalmente diferentes. [...] É assim que, na minha opinião, a vida se transforma em destino. O destino não tem intenção de levantar nem ao menos o dedo mindinho por Mirek [...]. enquanto Mirek está pronto a fazer tudo por seu destino."

(Milan Kundera, "O Livro do Riso e do Esquecimento")

domingo, 11 de julho de 2010

Sobre o caso Eliza Samudio

Estou sem tempo de fazer aquele discurso de costume sobre esse episódio, mas 3 considerações não posso deixar de registrar aqui:

1) É um absurdo que, em pleno século 21, "a movimentação da perseguida" de uma mulher seja a única medida do seu valor. Entre os disse-que-disses dessa história, disseram que Eliza deu queixa na polícia sobre as ameaças de Bruno, mas que nem ligaram por se tratar de uma atriz de filme pornô. Por ser promíscua ela merece morrer? Policial tem que trabalhar, ora. Ok, preconceito é algo que todo mundo tem (quem disser que não estará mentindo ou se enganando), mas isso não dá a ninguém o direito de exercê-lo.

2) A mulherada, que anda muito metida a retada, precisa ficar mais esperta. Uma coisa é a teoria; outra é a realidade. Em tese, eu deveria poder andar pelas ruas usando ouro; na prática, se fizer isso, voltarei pra casa sem minhas jóias e quiçá bem machucada por algum pivete que tentará arrancá-las. Cabe a mim ser prudente e evitar ameaças a minha própria integridade, não?
Bruno deu a entender que é um sujeito perigoso; antes do crime, várias vezes ele a ameaçou. Por que Eliza continou a bancar a cri cri? Por que não se afastou desse psico e foi cuidar da vida? A gente tem que se meter com um adversário compatível. Brigar com quem não usa as mesmas armas é burrice. Ele tinha um monte de gente em torno dele; ela era uma mulher sem poder e sozinha. Era evidente quem sairia perdendo nessa "queda de braços" (às vezes, perder é na verdade ganhar e, a bem da verdade, uma hora cada um tem o que merece; Deus não precisa da gente para exercer a justiça).
As pessoas precisam ter em mente que a lei não cobre toda a extensão da maldade humana; na melhor das hipóteses, a pune. Cabia a ela ter "se tirado de problema". Se uma alma caridosa não tivesse denunciado o caso, a morte de Eliza teria passado em branco. A moça, sem dúvida, foi vítima, também, da sua própria imprudência. 

3) Uma boa base familiar faz falta. Essa é a uma lição que podemos tirar, sem dúvidas, desse episódio. Quanto ao futebol, está mais que evidente após esse caso, o de Adriano e a namorada no baile funk e o de Felipe Melo na Copa, que esses caras chegam ao sucesso altamente despreparados emocionalmente. Os clubes precisam investir em acompanhamento psicológico, urgentemente!

Nessa história toda, fiquei com muita pena do bebê Bruninho. Coitado, não tem um parente decente com quem possa ficar. E ainda vai ser apontado na escola como o filho do goleiro assassino. É hard, viu!

Ser Feliz Por Nada

Martha Medeiros



Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.
Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.
Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.
Feliz por nada, nada mesmo?
Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?
Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo?
Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.  
Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.
Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?
A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.
Ser feliz por nada talvez seja isso.