quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Cérebro masculino

Ok, aquilo foi medíocre, mas esse vai ser melhor!
O primeiro falou de como reconhecer sinais de uma possível roubada; o segundo, ele mostra as diferenças cerebrais; o terceiro é um olhar diferente sobre a guerra dos sexos (é o Pearl Harbor dessa trilogia. aguardem!).

Cacau, sua amiga, Dri Galisteu, está na capa de Nova, viu. Ela disse que desencalhar ou não desencalhar já não é mais a questão (minha irmã, quando souber, vai ficar inconsolável)! Ohhh!
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Giovana Lombardi

Nós comandamos empresas; eles pilotam o fogão com talento. Puxamos ferro na academia; eles usam hidratante. Segundo cientistas, a mente feminina é 99% igual à masculina! Mas esse 1% restante, responsável pelas diferenças entre o nosso jeito de ser e o deles, é o que mais nos interessa. Afinal, pode ser fonte tanto de alegrias como de mal-entendidos que ajudam nos desencontros. “Homens e mulheres têm atitudes opostas ao se comunicar e expressar carinho”, confirma a psiquiatra e neurocientista Mona Lisa Schulz. E é preciso saber como funciona o cérebro masculino, em comparação ao nosso, para entender por que dizem que eles são de Marte e nós, de Vênus.

MULHERES guardam detalhes de um encontro
HOMENS não se lembram de quase nada
Responda rápido: como foi o primeiro jantar com aquele gato da praia? Provavelmente, você vai descrever o programa do nome do vinho à cor da camiseta que ele usou. Agora, o bonitão... Se ele conseguir dizer o mês do encontro, já é uma grande coisa. Isso porque mulheres têm memória mais apurada para detalhes emocionais.“Há uma região no cérebro, chamada amígdala, que atua como um gatilho emocional. E ela é mais facilmente ativada por experiências afetivas”, explica a especialista em neurobiologia Louann Brizendine, autora de The Female Brain (O cérebro feminino). “Durante uma situação que mexe com os sentimentos, a amígdala registra os detalhes que serão arquivados na área da memória tardia”, fala a dra. Louann. Nos homens, o registro também acontece, mas não fica tão bem arquivado. Talvez você pergunte: se ele não guarda aniversários, como consegue dizer a escalação do time de futebol do campeonato de anos atrás? A mente masculina é um computador potente para registrar fatos, imagens e competição. “Homens usam melhor a parte esquerda do cérebro, que faz com que se recorde de informações simples e objetivas”, explica Mona Lisa.

MULHERES pensam em sexo uma vez por dia
HOMENS pensam em sexo a todo momento
Durante o papo com aquele paquera, ele insiste em mirar os seus seios em vez de manter o olho-no-olho. Grosseiro? Não necessariamente. A atitude dele é instintiva. De acordo com a dra. Louann, 85% dos homens entre 20 e 30 anos estão sintonizados naquilo a todo momento. Comparando, cenas mais excitantes surgem na mente feminina uma vez por dia. “Eles têm duas vezes mais lugar no cérebro para sentimentos sexuais”, fala o neurocientista clínico Daniel G. Amen, autor de Sex on the Brain (Sexo na cabeça). E contam com de dez a 100 vezes mais testosterona, hormônio que abastece a libido.

MULHERES traem para manter a conexão
HOMENS traem pelo tesão
Em relação à moral, ambos têm a mesma formação mental: há um sistema límbico, responsável pelo impulso sexual e emocional, e um lóbulo frontal, que coloca um freio em nossos desejos. Só que a testosterona faz com que os homens sejam mais impulsivos e deixem de considerar as conseqüências de uma pulada de cerca. Outro fator que os instiga a cometer o pior dos pecados: “A mente masculina é menos ativa, enquanto mulheres pensam constantemente. Por isso, eles estão sempre à procura de sensações excitantes”, fala o dr. Amen. Será que a ciência também explica o desejo feminino de trair? Saímos da linha quando sentimos que a ligação com o namorado foi quebrada. Quem dá esse alerta é a oxitocina, o hormônio da conexão, presente em grande quantidade em nosso organismo.

MULHERES percebem logo se alguém está triste
HOMENS não captam a tristeza facilmente
Homens perguntam "O que está errado, querida?” com a mesma freqüência que reparam em nosso novo corte de cabelo. Ou seja, raramente. E, por incrível que pareça, não fazem isso por descaso. Simplesmente não são bons na arte de perceber quando alguém está abalado emocionalmente. Nós, mulheres, somos melhores em ler sinais, expressões faciais e a linguagem corporal por duas grandes razões. A número 1: a área do cérebro que aciona o sexto sentido é maior e mais ativa na gente. E ainda contamos com neurônios-espelho. “O trabalho deles é refletir gestos, posturas corporais e expressões faciais dos outros inconscientemente”, explica a dra. Louann. Graças a eles nos colocarmos no lugar dos outros com facilidade. E o que fazer para que um homem perceba nossa mágoa? Pode parecer dramático, mas o jeito é chorar. Aliás, cientistas acreditam que as mulheres desenvolveram o hábito de se debulhar em lágrimas por ser o único sinal de tristeza que chama a atenção deles.
MULHERES têm olfato muito apurado
HOMENS não distinguem aromas tão bem
Ok, você não é tão forte quanto aquele gato da academia, mas seus instintos... Dão de 10 a zero nos dele. A vantagem fica maior quando falamos do olfato, sentido ligado às emoções, à memória e ao sexo. A sensibilidade do nariz, aliás, fica ainda mais aguçada nos dias que antecedem a ovulação. Nesse período, você identifica melhor cheiros — principalmente o do feromônio, hormônio liberado pelo homem ao transpirar. “A substância aumenta o desejo sexual da mulher justo quando ela está mais propensa a engravidar”, ressalta o dr. Amen. Há quem garanta que esse nosso talento para farejar venha do tempo das cavernas. “Os odores ajudaram as mulheres na sobrevivência, alertando dos perigos”, explica o psicólogo Allan Pease, autor de Why Men Don’t Listen and Women Can’t Read Maps (Por que homens não ouvem e mulheres não conseguem ler mapas). Vai ver que é por ter esse sentido menos desenvolvido que alguns integrantes da ala masculina exagerem no perfume, concorda?

MULHERES percebem quando a relação vai mal
HOMENS demoram para perceber algo errado
A mesma atividade cerebral que avisa quando alguém engana você também alerta se há problemas no relacionamento. É como se uma sirene tocasse toda vez que ele usa um tom de voz suspeito, desconversa, não consegue olhar nos seus olhos... Nesse momento, acontece uma descarga de reações hormonais negativas sinalizando que “há algo errado”. “Talvez seja por isso que 75% dos divórcios são pedidos pelas mulheres”, arrisca o dr. Amen. Mesmo quando a ficha cai, eles insistem em achar uma maneira de consertar o que não vai bem. “A ala masculina, dirigida pela área esquerda do cérebro, é mais otimista. Já a feminina pensa em termos emocionais e é mais complexa”, continua o neurocientista.

MULHERES enxergam problemas onde não existem
HOMENS ficam menos aflitos e ansiosos
De fato, temos maior propensão a ficar tensas do que eles por um motivo simples: somos geneticamente programadas para isso. O cérebro feminino foi feito para antecipar e identificar perigos a fim de que a mãe possa defender seu bebê. “Por isso, o centro das preocupações é maior e facilmente ativado nas mulheres”, explica a dra. Louann. Em alguns casos, porém, o medo de as coisas darem errado pode atrapalhar. Quando, por exemplo, ficamos ansiosas e prontas para rodar a baiana só porque ele não ligou em 24 horas ou disse que ia à happy hour com os amigos. Para completar, sentimos mais dificuldade que os homens para combater nossas aflições. Isso explica por que eles são mais corajosos que a gente.

MULHERES percebem logo que estão perdidas
HOMENS não se dão conta de que estão perdidos
Não há nada mais irritante do que um homem que dirige sem pedir informações. E até esse mau hábito pode ser explicado: como eles têm menos acesso ao hemisfério direito (emocional) do cérebro, que dá a habilidade de olhar o todo, demoram mais tempo para descobrir que erraram o caminho. Além disso, o instinto para resolver problemas faz com que se mantenham firmes ao mapa em vez de admitir que precisam de orientação. Outra razão, para alguns especialistas, é o fato de não acontecer freqüentemente, graças ao senso de direção deles. Pesquisas indicam que foram premiados com uma noção de espaço mais apurada que a nossa.
MULHERES sofrem depois de levar um fora
HOMENS não são bons em fazer drama
Após o fim do namoro, a maioria das mulheres fica arrasada. Chora, perde a concentração no trabalho, larga a academia... Os homens, por sua vez, tocam a vida normalmente, mesmo que seu coração esteja destroçado. Nós nos desmanchamos em situações tristes como essa porque liberamos mais oxitocina (hormônio ligado à capacidade de estabelecer vínculos, lembra?). “Um rompimento faz com que as químicas do bem-estar — dopamina, serotonina e oxitocina — despenquem”, diz a dra. Louann. Se há algum tipo de consolo, os machões se também abalam quando levam um fora... apenas não tanto quanto a gente. É que até nessa situação o lado emocional do cérebro deles perde para o racional.

O corpo dele fala

Gentem*, não estranhe os textos sobre os macho men que vocês verão, a partir de hoje, neste blog. É que se falar de Alosa foi a minha cruzada pessoal em 2007, salvar uma grande amiga de uma vida de devassidão, encontros fortuitos e gratuitos, caronas de motoqueiros, assédio nipônico, saídas com as primas e aulas de pole dance é a minha promessa de campanha para 2008. E tenho dito!
Meu empenho é tamanho que não hesitei nem em me adentrar no mundo cama-mesa-cama de Nova Cosmopolitan (argh!)para restaurar a fé dessa alma desgarrada no sexo oposto.

Vamos lá, vamos lá, que, como dizia o outro, o tempo ruge e a Sapucaí é grande!

* by Cissa Guimarães

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Texto: Luana Leme

Você sabe que há alguma coisa errada com ele, mas não faz idéia do que seja. É desesperador. "Como são encorajados a parecer durões, aprendem a guardar as emoções para si mesmos", diz o psicólogo Alon Gratch em A Essência do Amor(Campus). Felizmente, há um jeito de descobrir o que está consumindo seu homem: lendo as mensagens silenciosas que o corpo dele passa. "Quando um sujeito reprime um sentimento, a tendência é ele se revelar no rosto, nas mãos, nos pés e até na temperatura do corpo", explica o especialista em relacionamentos Kevin Hogan em A Psicologia da Persuasão (Record). Aqui estão algumas pistas para decifrar as mais íntimas emoções do seu amado e sugestões de como lidar com elas.

Atitude suspeita 1 Ele tem uma confissão a fazer
As pistas Ele se inclina para a frente, ombros caídos, olhando para um ponto qualquer acima da sua cabeça. "Notei essa atitude muitas vezes quando um suspeito estava a ponto de fazer uma confissão importante", garante Stan Walters, psicólogo que trabalha para a polícia americana. "Ao se inclinar para a frente e olhar para cima como se rezasse, ele assume uma postura submissa de quem pede perdão." Mas não imagine logo que vem chumbo grosso. Ele pode estar apenas pensando em lhe fazer um pedido.
Estratégia para lidar com ele Num tom despreocupado, fale algo no gênero "Parece que você tem uma coisa para me dizer". E cale a boca. Na tentativa de arrancar informações de um homem, as mulheres costumam fazer perguntas e/ou tentar adivinhar o assunto, o que é um erro, pois tira dele a chance de se abrir. Se a grande revelação é que precisa viajar bem no dia do seu aniversário, provavelmente não fará rodeios. Mas, quanto mais demorar para contar, maior a possibilidade de você se aborrecer com a novidade. Portanto, prepare-se e tente não entrar em pânico. Assim será mais fácil lidar com o problema.

Atitude suspeita 2 Ele está inseguro
As pistas Coloca as mãos embaixo das pernas, como se estivesse sentado sobre elas. "As pessoas costumam gesticular quando se expressam sem reservas", lembra Hogan. "Portanto, se um sujeito faz o oposto, prendendo as mãos, é sinal de que está tentando se controlar para não falar o que não deve." É uma atitude infantil que adotamos sem perceber, como explica Jo-Ellan Dimitrius, que atuou como consultora em mais de 600 julgamentos. Mãos nos bolsos, embaixo da mesa ou debaixo dos braços cruzados podem indicar o mesmo tipo de insegurança ou preocupação em desagradá-la.
Estratégia para lidar com ele Cubra o rapaz de elogios. Outra sacada é usar a sua linguagem corporal. Tipo: adote uma postura aberta, sentando-se com o braço esticado no encosto da poltrona. Ao captar a mensagem de que você está relaxada, ele se sentirá mais confiante.

Atitude suspeita 3 Ele está uma fera
As pistas Punhos e maxilar cerrados, olhar distante. Como a raiva é difícil de esconder, seu homem evitará contato visual - sabe que, se seus olhares se cruzarem, você perceberá que está fervendo de ódio. Punho fechado e maxilar rígido também são indícios inconscientes de um humor de cão.
Estratégia para lidar com ele A maioria dos homens tem verdadeira fobia de um confronto com as mulheres - preferem engolir a raiva a brigar ou mesmo falar. Ficar cheia de dedos diante da irritação dele só servirá para confirmar que é melhor mesmo não abrir a boca. Para saber se a coisa é com você ou não, olhe nos olhos dele. Se desviar a vista, pode apostar que é o objeto da ira. Nesse caso, seja direta: "Já percebi que está zangado; então, por que não diz logo qual é o problema?" Isso mostra que se importa com ele e com a relação o suficiente para encarar qualquer dificuldade. Já se estiver furioso com outra pessoa, diga que vai se sentir muito melhor se botar a raiva para fora e lembre a última vez que você explodiu.

Atitude suspeita 4 Ele está estressadíssimo
As pistas Não pára de mexer no cabelo ou passar as mãos na cabeça. "Brincar com o cabelo alivia a tensão", explica Walters. "Ele está tentando manter o controle, mas precisa descarregar o nervosismo; por isso, leva as mãos à cabeça." Ficar mexendo na roupa (rodando um botão da camisa ou o relógio, por exemplo), dobrando e desdobrando um guardanapo, arrancando o rótulo da garrafa de cerveja, tudo isso sugere a mesma coisa: está uma pilha de nervos. E, quanto mais estressado, mais freqüentes serão os "sintomas". Também pode balançar as pernas ou tamborilar com os dedos na mesa.
Estratégia para lidar com ele Tente trazê-lo de volta à vida real. "Ficar obcecado por um problema impede que veja a situação com clareza", alerta a dra. Susan Campbell em Getting Real (Caindo na real). Sugere darem um passeio a pé ou de bicicleta, ou mesmo irem ao cinema. O importante é afastá-lo de seja o que for que o deixa ansioso. Quando relaxar, é bem provável que converse com você sobre o assunto.

Atitude suspeita 5 Ele está mentindo
As pistas Cobre a boca com a mão, coça o nariz e as orelhas. Se seu homem faz isso, abra o olho. "Quando um sujeito está enganando você, é comum o sangue fluir para o rosto", explica Hogan. "Nariz e orelhas ficam quentes e começam a coçar." E, se esconde os lábios, é sinal de que está tentando omitir a verdade. Outros indícios: a voz fica mais aguda ou grave e ele tropeça nas palavras. Pode ainda ficar com a boca seca e passar a língua nos lábios a toda hora, além de desviar o olhar para os lados e para baixo.
Estratégia para lidar com ele Como saber se é uma mentirinha à toa ou uma das grandes? Geralmente, gestos sutis, como um rápido puxar de orelha, significam que não há grande motivo para preocupação. Mas aquele tipo de mentira que os homens contam e que têm a ver com o relacionamento provocam mais desconforto, coceira e rubor. A melhor política nesse caso é não fazer acusações. Diga calmamente: "Pode ser honesto comigo". Mesmo que não seja verdade, é importante que ele entenda que não está magoada nem zangada. Se ainda assim o mentiroso não falar, fique alerta para outras pistas porque alguma coisa ele está escondendo.

Atitude suspeita 6 Ele está cansado de você
As pistas Não pára de olhar para os lados e evita contato físico. "Se ele olha em todas as direções, menos na sua, é porque está com o pensamento em outro lugar, provavelmente em outra mulher", explica Hogan. Sentar-se afastado, com a cabeça e o tronco inclinados para trás, também é um indício de que gostaria de estar longe. Assim como só responder às suas perguntas com um mínimo de palavras e não fazer o menor esforço para puxar ou manter uma conversa.
Estratégia para lidar com ele Percebendo que não está nem aí para o que você diz, pare de falar; dê a ele 30 ou 40 segundos para se tocar. Ou desvie a atenção para outra coisa e ignore-o. Provavelmente, estranhará sua atitude e dirá alguma coisa. Se não disser, considere a possibilidade de que essa relação não irá a lugar nenhum - esse homem não está dando tudo que você merece. Mas, como a linguagem do corpo não é uma ciência exata, melhor procurar outros indícios de desinteresse antes de mandá-lo passear.
"A maioria das pessoas pisca de oito a 12 vezes por minuto, mas quando está mentindo pisca duas vezes mais."Kevin Hhogan, em A Psicologia da Persuasão" 55% das informações que você consegue sobre seu homem vêm de contato visual e linguagem corporal; 38% do tom da voz dele. Apenas 7% do que ele diz." Dr. Albert Mehrabian, em Silent Messages (Mensagens Silenciosas)

Lendo lábios
Sinais gritantes de que ele está enganando você.
1. Se ele diz "Com certeza", "Sinceramente", "Para falar a verdade"... está apenas usando clichês para dar credibilidade a uma mentira deslavada.2. Se responde a uma pergunta sua com outra pergunta, está tentando ganhar tempo para encontrar uma boa desculpa.3. Se exagera ao negar alguma coisa - "Eu? De jeito nenhum! Nunca! Mas nem pensar, juro!" -, provavelmente está mentindo. Se fosse verdade, teria confiança e consciência tranqüila para negar só uma vez. Fonte: Dr. Stan Walters

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Mais um

Pois é, eis mais um membro do "quadrado mágico" de Claudinho ocupando o cyberespaço do Terra Magazine: André Setaro. Bela aquisição para o jornalismo cultural paulista!
Mas estou superdecepcionada com a Companheira. Cadê você, que ainda não foi beijar a mão do mais novo Dom Corleone do jornalismo on-line?! Camarada, ai, ai, ai!... Vamos tratar de cuidar da invasão desse latifúndio, aê!...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Ilhas desconhecidas

Para quem está interessado em pôr o pé na estrada e/ou tirar o coração da prateleira, em 2008!
(Fernanda, atenção para esse texto do Contardo Calligaris, hã! Bora descolar a cereja desse seu bolo!haha... Ajude-me: Capão ou México? rssss)

QUANDO ERA criança, um senhor canadense, Mr. Evans, foi contratado por meus pais para "treinar" meu inglês. O método de Mr. Evans consistia em narrar grandes eventos da História (com H maiúsculo) como se ele tivesse sido uma testemunha ocular. Conseqüência: há detalhes íntimos de várias cenas famosas que não sei mais se são fatos ou fantasias de Mr. Evans.
Uma fonte de inspiração de Mr. Evans era a expedição de Lewis e Clark, que, entre 1804 e 1806, abriu o caminho do Oeste americano. Segundo Mr. Evans, em 7 de abril de 1805, deixando Fort Mandan para se aventurar no território desconhecido das grandes planícies, Lewis, pensativo, teria dito a George Gibson (o melhor atirador da expedição): "New land, George" (uma nova terra, George).
Nunca pude confirmar a veracidade da dita conversa. Mas essa frase, aparentemente trivial, foi incorporada no meu léxico familiar. A cada vez que, numa viagem de férias, saíamos do país, meu irmão e eu não parávamos de repetir: "New land, George". Ainda hoje, quando chego num lugar desconhecido, penso em Lewis e Gibson.
Mais tarde, meu irmão e eu passamos a usar a mesma expressão quando - numa festa, por exemplo - avistávamos mulheres que despertavam nosso interesse. Um dos dois, invariavelmente, levantava a mão espalmada, como se quisesse proteger os olhos do sol, e dizia: "New land, George".
Na literatura, não é raro que um corpo amado e desejado seja comparado à paisagem de terras incógnitas. John Donne, num de seus mais lindos poemas (do século 17), chamou sua amada de "minha América, minha terra recém-descoberta". De fato, há mesmo uma relação entre o amor e a verdadeira viagem. Vamos ver qual.
De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens.
Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, "O Conto da Ilha Desconhecida" (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: "Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver". Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.
Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.
Exemplo: anos atrás, na França, um amigo se interessava pelas pessoas que desaparecem sem razão aparente e refazem sua vida alhures, sob outro nome, como se tivessem sido vítimas de uma amnésia repentina. Em todos os casos em que meu amigo conseguira entrevistar esses "desaparecidos", os mesmos constatavam que, depois de seu sumiço, em poucos anos, eles tinham reconstruído uma situação de vida parecida com aquela que tinha motivado sua fuga.
Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.
O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós. Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem.
Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

ABC...

"... Todo torcedor tem que aprender a ler e a escrever".
A língua portuguesa também foi parar na chon! O analfabetismo é tão agudo, que eles estão jogando praga neles mesmos e nem tchum!... hahaha
Davi, como você ainda torce pra um time que tem esses torcedores!? (risos)

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Vertigo

E por falar em amor, eis que tomei um susto - embora não tenha sido de fato surpreendida - quando fui checar a cobertura de meu "mano" Baixá no Terra Magazine e me deparei com um texto especial de Licomeno para o site.
Essa dupla me emociona, o amor fraterno ali é grande, e certamente teriam um lugar garantido caso eu resolvesse organizar um TOP 10. Gosto mais do que de O gordo e o magro, Mutley e Dick Vigarista!
Claro, não tenho condições de ler tudo que os meus amigos produzem, mas, quando dá, passo o olho, dou uma conferida. Meu lado "mãe de miss" aparece com vocês (risos).
Eliano, sinceramente, do que eu já li, esse foi o seu melhor texto. Seu relato da tragédia superou até a morte de Fernanda em "Mulheres Apaixonadas"! (Ok, isso foi uma piada, mas o elogio foi sério) Amigos, quando encontrarmos com Claudinho no Natal, aproveitem também para se despedirem do ex-filho da Pituba que, em breve, será mais um da Bahia a ser tragado pelo "portal magnético" do Aeroporto 2 de Julho (droga, perdi minha carona!...). MC Claudinho, o Habib´s de Sampa também serve suco de morango?! (risos)
(Companheira, não fique enciumada! Você certamente será a próxima e sabe disso - ou tá pensando que não saquei que a compra do automóvel foi com o intuito de barbarizar nas curvas da estrada de Santos?! Vruuuuuuum!...)
Sobre o Bahia e a Fonte Nova, prefiro nem fazer um comentário sério; não quero andar uma casa a frente no tabuleiro do Jogo do AVC. Há muito que divulgo a minha teoria de que existe um complô do Brasil para exterminar o brasileiro, mas ninguém me leva a sério...
O Bahia é um time hitchcockiano, e nos últimos anos, anda numa fase "Um corpo que cai". A gravidade anda tão forte por aquelas bandas, que, quando o time sobe, a arquibancada vai abaixo.
Eu sinto triplamente pelos mortos na tragédia: sinto pela morte em si; sinto pela negligência; e sinto por eles terem sido vítimas do amor ao Bahia (até a campanha "Salvem os patos" tem mais utilidade!...). Isso vale por uma ficha policial movimentada. Se fosse meu parente, ocultaria o motivo do óbito.
Mas poderia ser pior (sempre pode!). Houve uma vez, há uns dois anos atrás, em que uma menina morreu durante um show. Até aí, nada de novo. Agora sinta o que é uma morte baixo-astral: a garota morreu com 14 aninhos, afogada com a água das 3 garrafas que havia bebido, movida pela ansiedade pré-show. Não entendeu? Explico: ela desmaiou de emoção quando o grupo subiu ao palco, a água desceu toda para os pulmões e ela morreu afogada. Achou ridículo?! Tem mais... Sabe qual era o show? DO KLB!!! Ninguém merece um treco desses! Eu, se fosse a mãe, me sentiria devastada por ter criado uma filha pra morrer pelo KLB (isso se não chegasse ao ponto de esbofetear o cadáver em pleno velório! Aff!... Eu me ofendo com essas coisas...).

PS: Agora entendi Fante, com o seu "Pergunte ao pó". O pó está para o Universo assim como as obviedades estão para o pensamento. É incrível como, no êxito ou na tragédia, tudo o que nos resta são as obviedades. Bobô diz "Estava tudo tão bonito". So what?
Mas alguns seres humanos conseguem fugir da raia da bobagem.
Tenho antipatia por Fernanda Venturini desde que a vi na
Contigo!, sentada no colo de Maurício, na boate Limelight, quando reataram o namoro em 94, mas é dela, na minha opinião, uma das melhores frases de derrotado. Um repórter tentou consolá-la lembrando que o segundo lugar (Mundial de 94) era um ótimo resultado. Segurando as lágrimas (de raiva, pois havia acabado de perder o ouro pras cubanas, jogando em casa!), ela disparou o seguinte, em resposta: "Você, por acaso, já viu rua batizada com o nome de vice-campeão?". Depois seguiu que nem uma bala em direção ao ônibus, pra ser consolada por... Maurício! (grrr!...) Como diria Lion Wolf, "Escorpiana, né, meu bem!..." (risos)

A doçura que faz falta no relacionamento


À Ingrid e a Davi, pessoas doces por natureza e, principalmente, por determinação.


por Paula Taitelbaum

Vejo um casal de velhinhos sentado em um restaurante, cabecinhas brancas, mãozinhas dadas. A cena é encantadora, mas demoro alguns segundos para descobrir o porquê. Então percebo que eles possuem algo precioso: uma doçura no olhar. Sigo meu caminho, eles ficam pra trás, e a imagem permanece comigo. Ser doce no início do relacionamento é fácil, mas segurar a onda durante décadas de convivência parece realmente admirável. Ainda mais hoje em dia... Tenho uma certa tendência em culpar o estilo de vida moderna pela amargura nos relacionamentos que me cercam. Talvez seja injustiça. A vida anda dura, mas cabe a nós decidir com que astral vamos enfrentá-la e dar adeus à amargura que vai se instalando na mesa de jantar, no sofá da sala e sob nossos lençóis.

Eu, você, sua melhor amiga, sua prima, todas nós - e os homens também - temos um quê de abelha. Sabemos fabricar mel e, ao mesmo tempo, conservamos nossos ferrões escondidos. Faz parte da natureza, diria. Só que, às vezes, até por instinto de sobrevivência, alguns exageram nas ferroadas e esquecem de produzir o doce que alimenta os relacionamentos. Há doçura na vontade de ir correndo pra casa depois do trabalho só pra dar um beijo naquele que nos espera. Ou no interesse em perguntar como foi o dia dele e querer mesmo saber a resposta. Lembra daquelas palavrinhas mágicas que tanto tentamos ensinar aos nossos filhos? Pois eu acredito que há doçura quando sabemos dizer "com licença", "por favor" e "me desculpe". Sem exageros, é claro, pois tudo o que é melado enjoa. O excesso de cuidados e atenções sufoca, abafa, afasta, engasga. É aquela velha história de ficar repetindo "eu te amo" sem parar. Lá pelas tantas, banaliza e perde a graça. Sem contar que ninguém é tão carente a ponto de precisar escutar isso a cada dois segundos. Precisamos, sim, de quem nos compreenda, nos surpreenda, nos estimule em todos os sentidos. E precisamos devolver na mesma moeda. Doçura é uma via de mão dupla. A gente dá e a gente quer receber. Se não for assim, bem, aí as abelhas podem picar.

Algumas situações falam por si, não mentem. Por exemplo, a televisão sempre ligada, interagindo mais do que o casal. Ou um dormindo sozinho no quarto, enquanto o outro não sai da frente do computador. Quando imagens como essas se tornam corriqueiras, a relação já mergulhou na acidez. A gente percebe os sinais. Sentimos que falta tempo, vontade e dedicação, mas, muitas vezes, não chegamos a acreditar que o relacionamento esteja correndo perigo. Ficamos acostumadas com a falta de doçura, e a frieza instala-se no ambiente como se fosse um móvel de canto. Se você assistiu ao filme Beleza Americana, lembra da personagem interpretada por Annette Bening, um caso típico de como a amargura pode chegar ao casamento. A atriz vive uma mulher de relativo sucesso profissional que critica o marido em tudo, que o vê como um fracassado, que renega um carinho porque a cerveja pode cair no sofá. É a caricatura de muitas relações em que o ter está acima do ser, a famosa crise de valores que faz com que muitos casamentos mais pareçam uma sociedade com fins lucrativos. A parceria, o amor e o carinho, tudo isso fica nas cláusulas miúdas do contrato. E a doçura... Bem, essa coitada já nem faz parte da história.

A luta por conquistas materiais influencia, e muito, nosso nível de doçura. Há poucas gerações, as pessoas decidiam ficar juntas com expectativas diferentes das nossas. Vejo meus pais, por exemplo. O que eles mais queriam no início da vida de casados era uma casa própria e um automóvel econômico. O resto, se viesse, era lucro. Não que eu quisesse trocar de lugar com a minha mãe ou a minha vó. Não consigo me imaginar casando virgem ou sem ter um trabalho que eu ame. A questão é que, naquela época, havia mais paciência para se constituir um patrimônio. Hoje, nossa meta é muito mais do que um teto. Almejamos um apartamento de cobertura com vista para o mar. Não basta ter um carro que ande - precisamos daquele modelo com design arrojado, air bag duplo e motor 2.0. E tem ainda o aparelho celular último tipo, o computador que praticamente pensa sozinho, o DVD ultracompleto, a roupa de grife e a viagem à Europa nas férias de verão. Tudo para ontem, pois a vida é breve e ninguém tem tempo a perder. Sinto muito dizer, quem não herdar uma megafortuna terá que trabalhar pelo menos 20 horas por dia para conquistar tudo isso. Então, como arranjar tempo para preparar um jantar à luz de velas ou curtir um banho a dois bem demorado? Se você encontrou alguma semelhança entre essa história e a sua, é hora de repensar os valores. Existe muita coisa maravilhosa que não dá para comprar. E a doçura é uma delas.

Tenho um casal de amigos que está junto há mais de 20 anos. Ele é um advogado de prestígio; e ela, sócia de uma empresa de design. No início do casamento, no entanto, faltava tudo em casa, até dinheiro para pagar a luz. Vergonha, irritação, revolta com isso? Que nada. Eles lembram essa época com ternura. Aproveitavam o escuro para se divertir, criando um clima romântico com velas. Claro que a situação não durou muito, mas o legal é que eles faziam questão de encarar o problema com bom humor. Minha amiga conta que foi um período maravilhoso. Há pouco tempo, declarou que o marido era tão ou mais importante do que os filhos. Eu fiquei meio chocada, questionei a afirmação, e ela deu uma resposta muito clara: filhos crescem e vão embora de casa, o marido vai envelhecer com ela, é aquele que escolheu como companheiro. A lição que tirei dessa conversa toda foi a de que, quando sentimos que encontramos alguém especial, único e insubstituível, precisamos investir na doçura. Uma pessoa assim merece nossa admiração, respeito, carinho e atenção. É difícil determinar a dose certa de doçura. Alguns gostam de uma pitada de açúcar, outros de uma colher de sopa. Depende da personalidade e das expectativas de cada um. Pessoas meigas e tranqüilas são naturalmente mais doces, muito mais dadas a rompantes de romantismos. Já as de temperamento duro nem por isso são avessas à ternura. Apenas encaram tudo de uma forma mais racional. Mas nada impede que um tipo se relacione muito bem com o outro. O importante é estabelecer uma cumplicidade, cada um com o seu mundo, mas ambos pelo bem da relação.

Um dia desses, participei de um encontro cultural com o tema maturidade feminina. Os relacionamentos e suas nuances foram o foco principal do bate-papo e, a certa hora, levantou-se a questão da tendência que temos em confundir os termos individualidade e individualismo. Enquanto o primeiro significa preservar as características pessoais, garantindo liberdade de movimento e pensamento, o segundo é a lei do eu em primeiro lugar. Uma senhora, casada há 40 anos, foi muito enfática ao dizer que, para a relação dar certo e a amargura não imperar, é vital que sejamos nós mesmas. Mas sem fazer tudo à nossa maneira. É isso. Doçura é como maturidade, exige flexibilidade e tolerância, equilíbrio entre o querer e o poder, entre o dar e o ceder. E, principalmente, necessita de muitos cuidados de manutenção. Todo cuidado é pouco, até com o que se diz sem pensar. Ainda que a TPM esteja elevada à potência máxima, que o vestido novo tenha manchado, que o chefe esteja com o diabo no corpo, mesmo assim, precisamos nos policiar para não despejar uma avalanche de raiva sobre o nosso companheiro. Geralmente ele não tem culpa de nada. Nem preciso dizer que palavras ferem fundo, mesmo sendo proferidas em um momento de destempero. Por isso, fique atenta. Frases e palavras impensadas podem ser o pontapé que a relação estava esperando para começar a rolar ladeira abaixo. Não ofender o próximo é um dos mandamentos do relacionamento tranqüilo, saudável e... doce. Vale a pena se conter. Se não tiver jeito, se for mais forte do que a razão, o pedido de desculpas deve chegar a tempo de consertar a besteira. Mas, se a poeira baixar e você continuar achando que aquelas palavras maldosas realmente descrevem a pessoa que estará ao seu lado, nesse caso provavelmente sua relação está com os dias contados.

É importante lembrar que açúcar não faz milagre. Quando o relacionamento está naufragando, a tendência é buscar um bote salva-vidas e tentar achar o pote de mel perdido. Nesse momento, alguns embarcam numa canoa furada. Como acreditar que um filho poderá resgatar a doçura do passado. Idéia que, com o perdão do trocadilho, é uma doce ilusão. Ter um filho é bastante complicado mesmo quando as coisas estão ótimas entre um casal. Crianças são uma fofura, a coisa mais maravilhosa do mundo, mas não consertam o inconsertável. Já vi mulheres estressadas, workaholics sem tempo pra nada, que um belo dia decidem que precisam de um bebê para a harmonia chegar ao lar. A criança nasce e o que acontece? A relação descamba de vez. Raciocine comigo: se não sobra tempo para a vida a dois, imagine para a vida a três... Se a mulher fica irritada com a camisa que o marido usa, terá um surto quando ele vestir o filho com a roupa errada. Se a relação é doce, crianças a transformam em melado. Se é azeda, aí vira puro limão. Até a culpa que a mãe ocupadíssima sente acaba respingando na relação amorosa.

Você está confusa, já não tem certeza de que há doçura entre seus lençóis? Que tal fazer um teste? Comecemos pelo sexo. Não importa a freqüência. Cabe analisar se há intimidade, carinho e aquela vontade de permanecer abraçados durante alguns segundos. E quando vocês saem para jantar? Conversam, trocam olhares, seguram na mão um do outro? Ou sentam, pedem, comem e vão embora correndo? Pense também em como anda a intensidade dos abraços e a freqüência das risadas juntos. E, se parece complicado rir com tanto problema para resolver, analise o quanto vocês andam sendo solidários um com o outro, o quanto de compreensão há nos gestos e nas expressões trocadas.

Para sermos felizes, precisamos prestar atenção nos pequenos detalhes que tornam a vida mais doce. Fiquei sabendo que aquele casal de velhinhos que citei no início da matéria almoça todo dia no mesmo restaurante. Brindam, sorriem e são sempre gentis um com o outro. Decidi que quero ser como eles. Ter a cabeça deles. Na verdade, agora é que eu entendi. Os cabelos brancos são puro algodão-doce.

domingo, 25 de novembro de 2007

Black or White

Monica, toda pimpona, com Walters

Ó pa isso, Alosa!...

Outro dia estava conversando com uma das minhas amigas blonde ambition, e ela me contou que vai virar assessora de um político. Sem querer, ela resolveu meu dilema sobre o que lhe dar de presente de Natal. Decidi: uma caixa de charutos, que, dizem, têm efeitos terapeuticos em situações em que há necessidade de ficar no escritório com o chefe, fazendo hora extra. Teoria testada e aprovada nos EUA (Bill e Monica Lewinsky que o digam!...).

Por falar nela, Alosa, à luz da semana, que celebrou duas afrodatas, fiquei pensando nas diferenças entre os escândalos de Monica e de Divine Brown (aquela prostituta negra que foi pega literalmente com a boca na botija, com Hugh Grant, dentro do carro do ator). Apelo à sua sapiência (croc! croc! croc!) para elucidar a questão.

Vejamos o caso, step by step ("oh baby!..."):

Monica (a branca):

- não é bonita
- é graduada em psicologia
- foi pega fazendo "aquilo", via charuto (ou seja, indiretamente), com o presidente, no confortável Salão Oval
- não foi presa pela falta de decoro
- ganhou reality show na tv
- escreveu um livro sobre o caso com Clinton
- "Lewinsky" virou uma das formas dos americanos se referirem ao sexo oral, hoje em dia
- sua bio aparece nas versões em inglês e português da Wikipedia
- foi entrevistada por Barbara Walters, a Marília Gabriela americana.

Divine (a negra):

- igualmente desengonçada
- não tem nenhuma especialidade, fora o sexo e ser fichada na polícia
- foi pega fazendo "aquilo" com um famoso ator inglês, apertada num automóvel, e metendo a mão na massa, sem "intermediários"
- foi presa pelo ato
- não ganhou seu próprio programa na tv e ninguém se interessou em publicar sua história
- voltou às ruas por falta de grana, anos mais tarde
- muita gente nem se lembra dela, tanto é que o Wikipedia Brasil não tem a sua bio
- não deu entrevista para Barbara (ohhhh!).

Dado relevante: Clinton negou (tá vendo, Gri, porque eu gosto dele: é um canalha com cara de Papai Noel. that´s fantástico! o caso não teria sido tão bom se ele não tivesse negado que brincar com o charuto não é sexo oral, até Madonna se divertiu com a saída pela tangente de Bill. ele é ótimo, o último presidente do tipo na América, infelizmente!); Hugh Grant assumiu o ocorrido e limpou a própria barra.

Entonces, that´s the question for you: Divine se ferrou porque Hugh admitiu e pediu perdão ou só porque ela é negra?

Por falar nisso - pra variar - outro dia lembrei de você. Estava numa das livrarias da UFBA, vendo títulos, e me deparei com um que dizia mais ou menos assim: "Mulher, negra, pobre e mãe solteira". Fiquei comovida com o azar dessa(s) pessoa(s) a quem o título se refere, mas consegui resistir ao golpe abaixo da cintura da editora (ufa!). Confesso, porém, que, se eles tivessem tido a malícia de acrescentar um "... e mora longe", eu não conseguiria, teria adquirido sem nem raciocinar, num lance abrupto de compaixão!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Close



Alice (Natalie Portman), de Closer, um dos melhores personagens femininos do cinema nos últimos anos!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Bodas de Prata

Finalmente, Ingrid mandou as fotos do seu 25º aniversário! Se dependêssemos dos registros de Fernanda, estaríamos lenhados! Cláudio até que foi bem gentil ao dizer que o clima das fotos dela era de inferninho; eu diria que ela comprou aquela câmera do próprio capeta, isso sim!
Pois é, pena que não deu pra pôr aqui a depressão pós-dry martini de O.J. Ingrid ("Poxa, nunca mais uma cena de cinema vai ser a mesma depois que descobri que dry martini é ruim"). Gri percebeu que foi ludibriada por Branca Letícia de Barros Mota. "Que puxa", né, Charlie?! (risos)
PSuspeita: Creio que fomos enganados, também, pela aniversariante, que, acho, nos levou à batataria pra ver Alessandro Timbó. Ok, Gri, como diria o lado gay de Vinícius de Moraes, "que me desculpem os loiros, mas os morenos são fundamentais". (risos)
Culpa da câmera de Fernanda não termos esse registro histórico! A síndica da Graça não tem a dimensão do estrago desse seu ato falho. Foi o último aniversário antes de Maria Luísa, que nasceu apenas dois dias depois. Sabe quando teremos um clique decente do niver da nossa amiga, Fernanda? Nem daqui a 25 anos, quando fará 50 (que vai coincidir com os 25 anos de Maria Luísa)!!! O máximo que iremos extrair, de agora em diante, é uma imagem da santa do IAPI brincando com a língua de sogra. (Poxa, Gri, promete que nos seus 30 anos - ou melhor, no 5º aniversário de Malu - teremos uma pichorra, vai! Parece tão legal!...)
Por falar em futuro, você, Fernanda, e Alosa vão batizar juntos a minha segunda ponte de safena; ela se chamará "Ferosa", em homenagem a vocês dois, as fraudes que mais me dão desgosto nessa vida! Por falar nisso, onde estava você, Alosa Bernardes??? Fique em falta com a Santa, pra você ver se Mãe Val vai continuar dando jeito na sua vida...
Bonus Track - Por último mas não menos importante (?!), bombei, no mau sentido, no antidoping de Eliano. Confesso que estava me sentindo toda-toda com a minha calça massa e meus sapatos vermelhos a la Dorothy. Dei uma paradinha, inconscientemente inspirada nos comerciais da C&A, com o quadril quebrado pra um lado e a cabeça, pro outro, sentindo o ventilador (imaginário) dando balanço às minhas madeixas e a voz de Sebastian anunciando as promoções da semana.
Estou eu lá, toda torta, olhando para o nada (normal), quando o Homem de Lata - que, by the way, anda em clima de lua-de-mel com o Leão e o Espantalho - veio de lá para acabar com a magia da minha amOZtração: "Juliana está fazendo pose. Tá parecendo aquelas crianças da Talentos Brilhantes". A essa nem o ego dos gatos nem das baratas sobreviveria, que dirá de uma pobre mortal do sexo feminino, como yo. Mas tudo bem, ele agora mora longe e isso já é castigo sufiente (aliás, duvido que nos tempos de morada na Pituba ele ousasse sair com uma dessas!...).
Bem, vou parar com o blábláblá. Seguem as imagens da comemoração - um patrocínio do programa JujuNews By Night!

Aquecimento: Ingrid, Martina e Fernanda vão ao jogo. Tá vendo no que dá deixar Fernanda freqüentar a familiar torcida do Vitória (mas pelo talento fotográfico, eu te perdôo, Nan, a pouca vergonha!)?!

Made in Brazil: Martina, hein, com esse jeitinho de escoteira, conseguiu flagrar o muso da noite, le garçon. O ângulo e a luz não colaboraram p/ fazer jus ao charme 100% brasileiro do rapaz, mas tá valendo.

Milagre: Nanda, eu, Tia Gri, Lu e Martina. Anote aí mais uma façanha ingridiana: fez Luize dar o ar da graça!

Brasil x Alemanha: Nanda, eu e a santa, no time das canarinhas.
Abaixo, Lico e Martina, representando a Alemanha.

Paparazzi: Eliano pede à fotógrafa um minuto de privacidade para conversar com Fernanda, mas tudo no maior respeito, garante (Cacau, não fique triste. É um clássico: quando o "titular" não joga direito, o melhor amigo sai do "banco de reservas" e "entra em campo" - olhe no post "Mulheres de Marte")

Síndrome de Piu-Piu: E não é que Fernanda conseguiu reconhecer Fábio Molejo (who???)??? Como cantava Andrezão, "Bom é ser feliz com o Molejão", né, Nandy?! hahaha... Sou mais o garçom!... risos

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ai, que inveja!


Enfim, nosso amigo Cacau Baixaria fez valer o seu diploma de Jornalismo. É com um 1,20 m de despeito que eu publico aqui a entrevista que Baixá fez com a socialite Narcisa Tamborindeguy, para o Terra Magazine, que saiu nessa quarta-feira.

Fiquei sabendo do ocorrido na véspera - lo siento, retardatários! Meus informantes me garantiram que o encontro foi entre almas gêmeas. "Você sabe: um sem-noção reconhece o outro. Narcisa ficou totally in love por Cláudio, inclusive já o avisou que estará em seu próximo livro, 'Ai, que absurdo!'", me garantiu uma fonte, que pediu para não ser identificada.

Naná TamTam tem opiniões quase sempre tão profundas quanto uma piscina de formiga. Mas who cares?! Ela é rica, ela é over, ela é despudorada, ela foi casada com o diretor do BBB!... W-O-W!

O fato mexeu tanto comigo, que sonhei com ela, noite passada, tendo um affair com... Alosa!

(minha amiga Karine, se estiver lendo isso aqui, largue essa tela, que o que vem a seguir é pra quem tem o estômago forte!)

Estava eu me dirigindo à banca de revistas que fica próxima à Cubana. De repente, avisto Karine lá. Antes que consiga cumprimentá-la, ela larga uma revista, se põe a chorar e sai correndo da banca. Impressionada, não me agüento de curiosidade e pego a publicação para ver do que se tratava. Escândalo!!! "Narcisa revela: eu sou neguinha!". É a capa de Caras. É uma frase de Narcisa. Peraí: é Alosa na mesma bóia-cama que Narcisa???!!! Hããã!!!... Miserável: ele foi na Ilha de Caras! [Fade off - eu vou cortar os pulsos e já volto...]
No meu sonho, o entrevistador era Alosa. Em determinado momento, La Fraude, empolgado até a unha, não se conteve: "Narcisa, esse seu batom carmim!... Desculpe a intimidade, mas você me lembra muito um personagem de uma peça que eu dirigi em Salvador. É que eu vim do teatro, sabe...".
Essas palavras foram suficientes para acender a chama olímpica da paixão. À incondicional Karine, Alosa mandou um torpedo: "Amor, fui comprar cigarros angolanos, volto assim que os achar". (Será que ela chorou na banca por ter visto Alosa com outra na Ilha de Caras? Ou será porque Narcisa disse que era neguinha? Ou será que foi porque só naquela hora lembrou que ele não fuma? Hummm... Kal é definitivamente uma alma branca!)
Voltemos à Caras. Abri na matéria. [Essa é a parte em que o estômago precisa ser forte] Só deu Alosa: Alosa + Sabrina Sato; Alosa + Amauri Jr.; Alosa + Adriana Bombom... Enfim, todo mundo que não importa mas que freqüenta a Ilha estava pendurado nele, que era só sorrisos (mais que o usual, believe!).
Em determinado momento, perguntam a Narcisa se o namoro com um afrodescendente significa a fase politicamente correta da socialite. Ela responde: "Nããão, meu bem. Que é isso? Você nunca vai me ver careta, é mais fácil eu ser pobre! (ela ri e em seguida bate na madeira) Eu sou uma mulher de vanguarda, já adotava o sistema de cotas séculos antes das universidades públicas. Foram tantos que eu já posso me considerar parte da turma. Eu sou neguinha, né, amor!? hahaha".
Daí em diante foi aquele mesmo blábláblá de romance veiculado em revista de fofoca. Vale destacar a conversa que Narcisa diz ter com Papai do Céu todo dia, quando agradece pelo seu Eros de Ébano: "Cara, valeu por ter mandado o bofe! Ai, que loucura!".
Bem, agora vou deixar vocês com a real entrevista da mais nova amiga de infância de Claudinho.
Ai, que luxo! (risos)
Narcisa: "Deviam comprar (ecstasy) na farmácia"

Quarta, 14 de novembro de 2007, 10h05
Claudio Leal

Um apocalipse. O mundo está de cabeça pra baixo. Em bom inglês, upside down. Espantada com a prisão de traficantes da classe média alta do Rio de Janeiro, a socialite carioca Narcisa Tamborindeguy se convenceu da inutilidade das palavras:
- O mundo está upside down. É um apocalipse. Virou um apocalipse. Não tenho mais opinião pra nada - desabafa em entrevista a Terra Magazine.

Na autobiografia "Ai, que loucura!", Narcisa se revelou viciada em drogas. Em 1998, procurou tratamento clínico. Ex-mulher de José Bonifácio Brasil de Oliveira (Boninho) e Carlos Gerdau, ela agora se dedica a um novo projeto editorial: "Ai, que absurdo!", no qual questionará os "absurdos do mundo". Pretende incluir o tráfico de drogas na lista das mazelas.

- Eu acho um absurdo esse negócio de tráfico, deviam comprar esses remédios na farmácia. Dane-se. Tem uns piores ainda vindo.

Semana passada, oito traficantes da classe média alta carioca - chamados por parte da imprensa de "jovens da Zona Sul" - foram detidos após investigação policial com 16 mil horas de escutas telefônicas. Em nova operação, a polícia prendeu ontem mais um membro do grupo: Sérgio Corlett, 19 anos. Bruno Pompeu D'Urso, 18, é apontado como o articulador do tráfico de ecstasy e de LSD na Zona Sul carioca.
A quadrilha comprava drogas no morro e revendia, no asfalto, a usuários da classe alta. A imagem que mais marcou Narcisa foi a da jovem Jéssica Albuquerque acuada pelas câmeras. Quase ingênua, 18 anos, dedo na boca, Jéssica ganhou as primeiras páginas dos jornais brasileiros.

- Ela tava linda. (silêncio) Ela não merecia passar por isso.

Para a socialite, apesar de os traficantes saberem o que fazem, Jéssica entrou "numa descoberta" e terminou mal.

- Às vezes, começa como uma brincadeira e tá na primeira página a foto da menina. Entrou numa descoberta... É uma crueldade o que estão fazendo com ela.

Leia a entevista completa de Narcisa Tamborindeguy:

Terra Magazine - Qual foi seu sentimento ao ver, nos jornais, as fotos de uma quadrilha de traficantes da classe média alta do Rio?
Narcisa Tamborindeguy - O mundo está upside down. É um apocalipse. Virou um apocalipse. Não tenho mais opinião pra nada. Normalíssimo isso ter acontecido. Essa mulher é linda, a da capa (Jéssica de Albuquerque Corrêa). Linda, a mulher.

O que os atraiu ao tráfico?
Saírem da realidade, que é muito chata.

Apesar de ricos, o mundo é chato?
Ah, não sei. Pergunta pros traficantes. Porque com o ecstasy dá um colorido a mais. Deve dar, né?

Mas eles não eram simples usuários. Eram traficantes.
Eram traficantes? Mas o que é traficar, depois de quantos quilos? Eu acho ridículo. Tem que liberar tudo.

Por que liberar?
Porque tudo que é proibido é melhor. Em vez de ficar esse tiroteio, essa guerra, esse negócio ridículo, essa hipocrisia, todo mundo faz o que quer e assume seus erros, paga impostos. Vende na tabacaria, na drogaria... Você paga imposto, você tem um médico que vai cuidar de você, entendeu? Melhor do que ficar em tiroteio, morte...

A senhora está escrevendo um livro novo?
"Ai, que absurdo!".

E vai falar sobre...
Os absurdos do mundo. Eu acho um absurdo esse negócio de tráfico, deviam comprar esses remédios na farmácia. Dane-se. Tem uns piores ainda vindo.

Quando viu a imagem...
Da menina?

Sim.
Ela tava linda. (silêncio) Ela não merecia passar por isso.

O mundo, então, está...
Upside down. De cabeça pra baixo. Não tem mais solução. Não dá pra comentar nada. Amanhã vai ser uma coisa pior ainda. Cada dia é uma coisa, você não pode mais ficar comentando. Deixa rolar. Eu acho que ela podia estar muito melhor, essa moça. Uma beleza. Perder a juventude dela nisso? Por quê? É uma bobagem. Eu argumento porque eu sou igual ao (Fernando) Gabeira, acho que o Gabeira tem razão (sobre a legalização das drogas).

A guerra do tráfico é por motivos banais?
Só pode ser, né? Isso interessa a quem? Pra mim, não interessa. Só interessa pra quem ganha nisso. Às vezes, começa como uma brincadeira e tá na primeira página a foto da menina. Entrou numa descoberta... É uma crueldade o que estão fazendo com ela. Ela entrou pra descobrir um negócio, a droga... Ou morria, ou caía fora. Com 18 anos já passar por isso...

Os membros da quadrilha sabiam o que faziam, não?
Sabem. E sabem muito bem o perigo que eles estão correndo.

Esse tema entra em seu livro?
É o melhor de todos, "Ai, que absurdo!". Sabe que não tinha pensado nesse assunto?
Faz a matéria que eu recopio em meu livro! (risos) Nem me lembrei desse caso. Vamos fazer uma controvérsia!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Até tu, Brutus!?


Pois é, até a bunda, hoje em dia, é falsa. Que o diga Beyoncé, desmascarada no excesso de derrière, usando um enchimento debaixo da calcinha. Baixaria!... Pra que diabos ela quer mais bunda???!!!

Intervenções estéticas são normais, é natural querer se ver melhor e em alguns casos elas são a porta para o início do amor próprio, mas tem gente que perde o limite e o senso de ridículo. Cultivar algumas "avarias de estimação" pode até fazer muito bem, elas nos ajudam a ter mais tolerância com a gente mesmo. Amadurecer não passa só pela determinação de mudar para melhor, ou seja, pôr em prática aquilo que você deseja, mas também pela experiência de se aceitar como é (porque certas mudanças beiram o impossível. e aí, vai fazer o quê? se jogar da ponte?). A meu ver, o lance é mudar sem se descaracterizar; é a diferença no campo da estética, por exemplo, entre ser Demi Moore e virar Michael Jackson.
Se você não muda nada ou muda tudo, provavelmente está com sérios problemas internos.

Uma coisa que me incomoda é esse negócio de toda artista midiática ter que tirar a roupa para ser bem-sucedida (por essas e outras que gosto de Malu Mader, Fernanda Lima, Patrícia Pillar e Letícia Sabatella...). O problema não é a exposição do corpo, mas a ditadura da exposição do corpo. Eu sou superinvocada com esses "tem que" sem consistência... Engulo o mínimo possível, o suficiente para não ficar totalmente marginal.

Quase caí de costas quando vi pela primeira vez a versão USA de Shakira, chacoalhando a barriga (de fora) na MTV para fazer sucesso no mercado gringo. Logo ela que sempre foi tímida e discreta e vivia de calça e blusa na fase "en español" (e dá pra perceber que foi/é jogada de marketing, que não faz parte dela esse tipo de atitude, que, a meu ver, deveria ficar restrita a quem se enquadra naturalmente no estilo, como Pamela Anderson ou Jessica Simpson). Até Nelly Furtado entrou na onda... (Quando Maria Rita, Marisa Monte ou Norah Jones fizerem o mesmo, mandarei o mundo parar pra eu descer disso aqui...)
Alguém avisa pra elas que nem todo mundo nasceu para ser Madonna! Aliás, não foi pela nudez, não foi pelo sexo em si, que ela se tornou um ícone. No fundo, o que nos fascina em Madonna é a sua esperteza, seus insights em diferentes fases da carreira. Mad é uma raposa do ramo do entretenimento, sem dúvidas. Até uma burra lendária como Marilyn Monroe teve uma estratégia mais engenhosa (bem, não foi bem uma estratégia, foi mais uma atitude impulsionada pela rígida moral da época): expunha o corpo sem nunca revelar tudo. "Sede é tudo, imagem é nada", já dizia um comercial, e entenda-se "sede" aqui, obviamente, em seu sentido figurado. Isso: ainda não surgiu nada mais sexy do que saber usar a inteligência...
Uma coisa é ser sensual, outra é ser sexual gratuitamente. Você não vê Angelina Jolie tirando a roupa por aí e, no entanto, em qualquer enquete, é eleita a mais sexy. Como diria aquele outro das tardes de domingo, "quem sabe faz ao vivo".
Beyoncé, mesma, é enorme, pra cima e pros lados - como disse a prima de Ingrid, "um exagero". Que necessidade ela tem de usar roupas curtíssimas e se balançar de forma grosseira? É esteticamente feio, de mau gosto. (Ingrid, eu sei que você já lascou o dvd dela de tanto assisti-lo, mas a verdade tem que ser dita!) Roupa curta foi feita para quem, na falta do que exibir, precisa expor tudo pra chamar alguma atenção (por essas e outras é que a moda gosta das magricelas, pois, na ausência de curvas, até uma saia da espessura de um cinto não faz a criatura cair na vulgaridade).
Como diz minha irmã do meio, vulgaridade e celulite tem o mesmo pré-requisito: a presença de carne. Ah, essa é boa: "Já viu celulite aparecer em osso?", ela me respondeu quando disse que conhecia, sim, mulher sem celulite (uma fulana que pesava 20 quilos abaixo da altura). O mal é que o despeito da minha irmã geralmente tem algum fundamento. [Pois é, minha gente, percam as esperanças em relação a mim, que o veneno está no DNA! (risos)]

Lógico que não há só o apelo da carreira para essas mulheres do showbiz, existe ainda a questão da vaidade pessoal. Não precisa ir muito longe, não: qualquer garota comum, de 11 a 28 anos, com um corpo mais ou menos, se puder, sai de brinco e tapa-sexo. O mais chocante é que as mães incentivam, ignorando que estão, inclusive, colocando as filhas em risco (o Brasil, pelo menos, ainda é um país bem machista e agressivo; o rapaz que tentou beijar a força a Juliana Paes na praia, há alguns dias, é um exemplo disso). Gostaria de dizer a qualquer um "faça o que quiser que os outros não têm nada a ver com isso", mas não é verdade. O corpo comunica, o meio é a mensagem, e a mulherada, fisicamente mais frágil, tem que ficar de olho no que está dizendo aos homens. A gente não pode confiar na força do politicamente correto; há de se contar também com os loucos, com os ignorantes, com aqueles que vivem segundo suas próprias convicções absurdas (não é agradável mas é a realidade). Não é porque "tem que ser" que nós devemos fechar os olhos pro que "é na prática". É suicídio... Mulheres, protejam-se! (mas sem paranóias com os pobres machos comuns... quem vê assim, até pensa que mais de dez pessoas vão ler isso! hihi)
Nem a infância está mais imune a isso. Conheço meninas de 3 anos que são mais vaidosas que todas as minhas amigas juntas. Sério. Os adultos acham a maior graça, talvez, em parte, pela má vontade que eles têm em entrar e respeitar o universo infantil.
Sinto falta da época em que criança era um ser humano "café-com-leite", protegido das paranóias dos adultos. Qualquer forma de poder só tem serventia para quem está preparado para lidar com ele ou do contrário torna-se uma bomba. Vaidade física é também sinônimo de impulso erótico e isso não é para as crianças pequeninas, mesmo que elas sejam espertas demais neste século 21.
Eu só lembro do maluco que há uns dez anos assassinou uma garotinha, ex-miss mirim, no Colorado. Aos seis anos, JonBenet parecia uma mini-mulher, era bizarro de ver, mas fez o maior sucesso lá na terra do Tio Sam, os adultos achavam uma graça. E ela também, pois qual criança não gosta de atenção? Depois, quando o pedófilo ataca, os incentivadores desse tipo de aberração ainda se dizem chocados. Fala sério!... É antipático dizer isso, mas os próprios pais cavaram a cova da menina ao colocá-la nesse tipo de vida... Outro dia estava na sala de espera e vi Sasha na capa da Contigo!. Detalhe: Xuxa já tingiu os cabelos da menina de loiro. Pra que ela precisa tacar química nos fios aos oito anos de idade?! Eu sabia que isso ia acontecer, mas fiquei surpresa mesmo assim. Santa ignorância!...

Detesto esse tipo de conclusão-chavão, tenho calafrio quando ouço isso, mas nesse caso não tem pra onde correr: é culpa da mídia. Um dos grandes males do progresso é o bombardeio de informação e um dos desdobramentos disso é a imposição de uma única estética para todos. Qualquer que seja o produto midiático, vai ter pelo menos uma notinha te dando dica de beleza ou mostrando alguém em pose sensual. Eu queria de R$ 1 as vezes em que vi alguém nu ou seminu na mídia. Já estaria na lista da Forbes!... E eu escolho isso? Bem, é quase como a luz do sol: a gente abre a janela e ela vem logo batendo na nossa cara, invadindo o nosso espaço. Às vezes eu fico cheia disso tudo. Pode não parecer, por conta da embalagem e da velocidade, mas o mundo é repetitivo à beça. Será que em Marte é esse tédio também? (Poxa, gente, por falar nisso, leiam Ray Bradbury. Detesto ficção científica, mas o cara vale a pena ser lido)
Ainda não somos livres como pensamos ser... Queeee!...

Os homens são "heróis", na boa. Como é que conseguem manter o desejo em alta diante de tamanha exposição do corpo feminino? Não é à toa que existem tantos gays hoje em dia. No tempo do buraco da fechadura, eles deviam ser menos numerosos, aposto.

domingo, 11 de novembro de 2007

Morre Norman Mailer

ANÁLISE

Mailer repórter foi maior que o romancista

Com Tom Wolfe e Truman Capote, o polêmico Norman Mailer formou a santíssima trindade do "novo jornalismo"

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Norman Mailer prometeu a si mesmo e ao público que escreveria "o maior romance americano". Não cumpriu. Produziu muitos livros bastante longos, mas no terreno da ficção só um foi importante: o primeiro, "Os Nus e os Mortos", de 1948, fruto de suas experiências como combatente na Segunda Guerra Mundial. Se não inscreveu o seu nome entre os dos grandes romancistas do país, Mailer conquistou um lugar na história dos melhores jornalistas e dos mais intensos polemistas que os Estados Unidos conheceram.
Foi empurrado para o mundo dos ensaios e reportagens em revistas e jornais em parte a contragosto (precisava do dinheiro que a ficção não lhe proporcionava) e em parte por convicções políticas (tinha consciência de que os meios de comunicação lhe garantiriam mais proeminência no debate público do que os livros).
Com Tom Wolfe e Truman Capote, formou a santíssima trindade do "new journalism", o gênero literário que mesclou as técnicas da ficção com o factualismo da reportagem.
"Os Exércitos da Noite - Os Degraus do Pentágono" (1968), sobre os protestos contra a Guerra do Vietnã, e "A Canção do Carrasco" (1979), sobre Gary Gilmore, um assassino confesso que pediu para ser executado, estão entre os mais brilhantes espécimes desse tipo de literatura (ambos estão entre as cem melhores reportagens do século 20, selecionadas pela New York University).
Como um dos fundadores do jornal "Village Voice" e freqüente colaborador de excelentes periódicos como "The New York Review of Books", Mailer contribuiu enormemente para melhorar a qualidade do jornalismo americano e -por extensão- de todos os países que se deixaram influenciar por ele.
Mas Mailer foi muito além de simplesmente escrever. Tornou-se militante político e crítico ácido do estilo de vida americano, fascinado pelo papel preponderante que o sexo, a ambição e a violência exercem sobre a cultura nacional.
Iconoclasta, calculadamente agressivo, mas quase sempre instigante, talentoso, alcançava as manchetes da imprensa sensacionalista (ao esfaquear sua segunda mulher, por exemplo) com quase a mesma facilidade com que freqüentava o noticiário político, como ao se candidatar a prefeito de Nova York.
Apesar de ter sido tão famoso e importante, Mailer morreu ressentido por saber que seria lembrado na posteridade não pelos romances, mas pelo jornalismo.
Numa de suas últimas entrevistas, disse: "Eu acho que o romance é uma forma superior [ao jornalismo]. Como eu posso expressar isso? É muito mais difícil escrever um romance. Eu não concordo que eu vá ser mais lembrado como jornalista, embora eu concorde que muitos irão dizer isso. A ironia é que talvez eu tenha tido muito mais influência como jornalista do que como romancista."


CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA , livre-docente e doutor em jornalismo pela USP e mestre em comunicação pela Michigan State University, é diretor de relações institucionais da Patri Políticas Públicas.

sábado, 10 de novembro de 2007

Mulheres de Marte

(Post em homenagem aos 25 anos de Nandy! risos)
Como fase na vida de algumas pessoas, não vejo problema, mas anos e anos a fio de sexo casual é uma coisa estranha; a liberdade toma ares de vício, de síndrome de Peter Pan. Para os homens, essa é uma via mais tranqüila, diria até natural. Ao contrário das mulheres, só agora é que eles estão aprendendo a juntar as duas coisas, amor e sexo, e descobriram que a mulher não é bicho de estimação e que há vida além do coito. Aliás, não sei como conseguiam não misturar as estações, ma vá bé. [meus amigos do sexo masculino, não se traumatizem por conta do meu linguajar neste post. o tópico pede isso]
O que sempre me pergunto, quando ouço mulheres elogiando o sexo casual, como nessa matéria que verão a seguir, é se estão sendo sinceras, se são bem-resolvidas de fato, ou se essa é uma atitude pra atender a vaidade. Sim, porque entre a vaidade e a auto-estima existe um abismo, uma coisa não implica na outra. Conheço mulheres vaidosíssimas que o são justamente porque não têm auto-estima alguma e desejam demasiado o amor alheio pela falta de amor próprio. Desprender-se do próprio corpo, ainda mais no caso da reprimida classe feminina, é louvável (mulheres com o nível de liberdade de uma Leila Diniz são admiráveis, sem dúvida, e às vezes acho que Rita Lee viajou legal quando disse que "Toda mulher é meio Leila Diniz"; quem dera; eu acho que "toda mulher é meio Nicéia Pitta"! Sua tia é tão elegante quanto Jackie Kennedy!? Ah é, deixa ela se sentir traída, pra você ver se o espírito de Nicéia não baixará nela! kkk). Acho que entrar nessa, ou em qualquer outra, por pura vaidade, é muita estupidez.
É mais corajoso ser uma Sandy da vida do que uma falsa liberada. Não sei se tem a ver ou se é coisa minha, mas forçar a barra para parecer ser o que não é sempre me soou a humilhação, a perda de dignidade. Eu evito, embora - não vou mentir - a tentação de cair nessa esparrela seja grande, por vezes (todo mundo prefere ser aceito. a questão é: quanto você tá disposto sacrificar em nome disso?).
Por outro lado, a falta de recato, simplesmente, não leva junto a dignidade de uma mulher. Por essas e outras, não gosto da expressão "moça de família". É veladamente repressora. Equivale àquilo que as pessoas de boa-fé te dizem na época do vestibular: "Ah, você vai passar, você é inteligente". E se eu não passar, eu viro burra, de repente? Se a mulher quiser experimentar ou optar por isso, vira vagabunda, perde a boa formação moral? É cada uma... Nessas horas eu entendo quem inventou esse negócio de que "de boas intenções, o inferno está cheio"...
Esse negócio de pureza... Eu conheço umas aí que são que nem as latas de leite condensado que as mães escondem da gente (não é porque não foram abertas que ninguém tirou as suas lasquinhas... Cê conhece algum caso assim, Nandy?). Veja Ingrid. Santa, santa, santa, mas em pleno Carnaval (a festa da carne!), se mandou com um bando de gente pro Vale do Capão - e todos amontoados no mesmo quarto! Se uma moça que se diz "inocente" me conta que já foi pro Capão, eu já não coloco mais a minha mão no fogo por ela!...

Fico intrigada: Como será que esses homens com que elas ficam as encaram? Porque não são quaisquer mulheres, mas as de classe média, como suas primas e irmãs, se permitindo certas liberdades, digamos, historicamente masculinas. Rola um cinismo ou respeito mesmo?
Outra coisa que me intriga é essa ditadura do atletismo sexual (toco no assunto, pois, como vão perceber, a "pegada", o orgasmo, são a justificativa mais recorrente para o gosto por esse tipo de relação). Em que momento e por qual motivo isso se tornou mais importante que a troca de afeto? Até que ponto é desejo, é natural? Existe uma competição com o sexo oposto e onde ela começa? Nesses depoimentos das mulheres, abaixo, desconfio que nem com os namorados havia amor; era just sex coberto pela embalagem da relação estável. É como aquele amigo com quem a gente vai pros reggaes e um dia, quando precisa de algo mais que curtição, vê que não era amigo mas apenas alguém com quem era bacana estar junto na hora do bem bom. Isso me leva a um dos questionamentos que sempre me faço, na vida: é melhor qualquer coisa a nada ou nada a qualquer coisa? Cartas à Redação...
Falta especialmente para a mulherada a habilidade ThunderCats, a tal "visão além do alcance", porque essa miopia dos relacionamentos humanos tá f***!
Direitos iguais à parte, penso que também falta muita informação científica sobre o assunto. As pessoas teorizam sobre as relações, mas são ignorantes sobre o corpo humano. A dignidade de homens e mulheres deve ser a mesma, mas, sem dúvida, os corpos são diferentes, não tem feminismo certo nessas horas, assim como não há machismo certo com cólica e TPM, que não são desculpas esfarrapadas e são tão reais quanto a dor "naquelas partes" deles.
Qualquer especial sobre o tema, e lá vem a mesma ladainha da mulherada: "Eu tenho "x" anos e nunca tive um orgasmo. Não é triste?!" ou "Chego lá de vez quando". Não, madame, nunca é realmente esquisito, mas não tê-lo às vezes, isso é normal. Até porque os hormônios femininos são "de lua" e não somos abundantes em testosterona, que é a mola do desejo.
Li uma vez uma teoria que me convenceu: a vagina não é prioritariamente um órgão sexual e sim reprodutor. Se tivesse a sensibilidade do órgão masculino, o parto seria, das duas uma: ou a experiência mais dolorosa da face da Terra ou o maior orgasmo que um ser humano poderia ter. Por isso que ela não é facilmente estimulada, pois foi projetada para a passagem do bebê. [Mas como Deus é misericordioso, deu às suas filhas, como compensação pela lerdeza do equipamento, imaginação, muiiita imaginação. Só isso explica a proeza de mulheres, como a modelo Juliana, que conseguiu casar com o abominável homem dos gramados, Sir Amaral. Se eu fosse da alta cúpula da Globo, a contrataria para escrever novelas!... Acho que foi o dr. Gikovate que disse uma coisa tão engraçada quanto fundamentada: homens ficam atraídos pelo que passa pelos olhos, mulheres, com o que lhes atravessa as orelhas - algumas são sensíveis ao barulho de moeda, ao som da palavra "milionário", etc, fazer o quê?!... são uma minoria, felizmente, e cada dia são menos numerosas]
Se bem que até os casos de ausência podem ter uma explicação: o condicionamento ao longo da evolução. Se existe uma memória que pode ser transmitida através dos genes, é possível que as mulheres desenvolvam essa inibição sexual não só por conta da cultura, mas da memória evolutiva. Por muitos séculos, desde os tempos da caverna e se brincar até os dias de hoje, a equação foi assim: sexo = possibilidade de gravidez = risco de vida. Quantas mulheres não morreram por conta de uma gestação, antes do tremendo avanço médico nas últimas décadas?
Suspeito que nem Bruna Surfistinha saiba disso, o que prova que expert técnico não é tudo nessa vida...

Agora, eu acho interessante é essa relação entre atração sexual e inacessibilidade. Pense em alguns personagens com "pegada" - O Fantasma da Ópera, Zorro, Superman e Homem Aranha. Todos eles vivem rodeando suas respectivas amadas, mas nunca as deixam chegar muito perto, serem conhecidos intimamente. E elas se apaixonam perdidamente, parece, justamente por isso. A atração tem a ver com a existência do mistério, de uma zona nebulosa, nem que seja a dos olhos, cobertos por uma máscara (aliás, nada mais simbólico que esconder os olhos). O excesso de intimidade é a criptonita da atração física, pelo que observo...

Bem, deixemos as conjecturas. Segue a matéria.
(Hummm... Pelo tom caliente da matéria, acho que a repórter deve ter vindo do teatro!...)


Sexo casual - Elas só querem diversão

O número de mulheres que buscam o prazer pelo prazer só aumenta. cada vez menos, elas querem estabelecer compromisso. aqui elas contam suas experiências mais excitantes

por CAMILA DOURADO

A história é deliciosa. Sandra Germano (o nome é real), uma publicitária de São Paulo, 35 anos, charmosa e bonita, conta a seguinte história: “Ele não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda da pousada. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Adorei. Prefiro mesmo não saber o nome do cara, nem ele o meu.” Hoje é assim. Amor rápido, paixão sem o menor compromisso. Há muito que as mulheres não ficam tão loucas assim em pedir telefone, endereço, CIC, RG, comprovante de residência. Nada de amarras e muito menos de sentimentos que limitem. Paixão, agora, só se for por algumas horas. É o que muitas mulheres querem. Elas estão experimentando cada vez mais aquilo que os homens sempre conheceram: o prazer pelo prazer. E elas contam, sem qualquer pudor, suas aventuras despretensiosas.

RÁPIDA, FORTE E SUADA
“Eu costumava ficar com homens por apenas uma noite. Minhas amigas achavam absurdo. Eu não ligava. Até que comecei a namorar. No começo, era especial: ele era carinhoso, experiente, beijava bem, e tinha um fôlego, um fogo... fazia de tudo pra eu gozar. Para resumir, namorei, fiquei noiva e quase casamos. A história acabou porque ele passou a transar meio que por obrigação. Descobri, também, que ele ficava com outras. Ele chegou ao extremo de flertar com a minha irmã. Separei. Um tempo depois, voltei à minha vida de antes. Transei bêbada, fiz sexo com mulher e homem ao mesmo tempo, saí até com um amigo do meu ex. A melhor foi no quarto de uma festa, num apartamento. Eu estava na varanda, sozinha, bebendo. Um cara se aproximou. Disse que era um pecado ele e eu ficarmos a sós daquele jeito. Então, ele me beijou e me levou para o quarto dos donos da festa. Loucura. Transa rapidinha, mas forte, suada. A gente nem tirou a roupa direito. Ele só abaixou meus jeans. Transamos duas vezes, uma de pé e outra na cama. No final, ele saiu, disse que tinha sido maravilhoso e voltou pra festa, sem dar maiores explicações. O melhor de transa assim é a falta de regra, a despretensão, uma coisa meio adolescente. Dá tesão só de pensar. Um dia caso, mas antes vou transar muitas vezes desse jeito – como se fosse a última vez que vou ver a pessoa. Sou uma mulher realizada desse jeito.”Valeska, 25 anos, jornalista

“O MELHOR DE TRANSA ASSIM É A FALTA DE REGRA, A DESPRETENSÃO, UMA COISA MEIO ADOLESCENTE”
VALESKA, 25 ANOS, JORNALISTA

SEM NOME
“Eu fui casada por oito anos. Só traí quando descobri que ele começou a sair com uma amiga minha. Fiquei triste, mas era meio que previsível: a gente não se gostava mais, nem tinha aquele fogo de quando começamos a namorar. Como eu não transava, vivia mal-humorada. Me separei. Resolvi mudar a postura. Um dia, fui pra Florianópolis, fiquei com um garoto de uns 20 anos. Ele me levou de madrugada para a pousada dele. Não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda. Acordamos a pousada toda. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Depois pensei: foi exatamente a falta de compromisso que deu tesão na história. Tive várias transas assim. A maioria não pergunto nem o nome. Fiz sexo em motel, no capô do carro, na praia, escondido em cantos de uma festa num sítio. É uma delícia. Não sou do tipo que não quer se apaixonar mais. Até já namorei um cara nos últimos meses. Mas quero curtir sem ter obrigações. Pra que saber nome se o que busco é ter prazer, aproveitar?” Sandra Germano, 35 anos, publicitária

"GOZEI MUITO, INTENSO, COMO HÁ MUITO TEMPO NÃO ACONTECIA. QUANDO ACORDEI, ELE TINHA IDO EMBORA. NÃO DEU NEM NOME”
SANDRA, 35 ANOS, PUBLICITÁRIA

SÓ QUEREM GOZAR MAS NÃO PENSE QUE A MULHER ESTÁ ADOTANDO UMA POSTURA MASCULINA E NEM QUE ELA ESTÁ PERDENDO O ROMANTISMO E A SENSIBILIDADE
Mulheres que transam sem compromisso parecem (ou pensam) agir como homens. Não é bem assim. “As mulheres não deveriam achar que adotam a mesma postura do homem no que diz respeito a sexo casual inconseqüente”, diz J. A. Gaiarsa, psicoterapeuta. “Mulher e homem são biologicamente diferentes. A mulher precisa inventar um novo orgasmo. Não adianta ela querer gozar como ele. O homem ejacula para a fertilização. A mulher, não”, completa. Não quer dizer que ela perdeu sua capacidade de se envolver emocionalmente. A mulher ainda é romântica e sensível, mesmo no sexo casual. Só está mais livre. Elas só querem gozar. Que gozem e sejam felizes.

NADA DE CULPA
“Há uns dois anos, disse para um amigo que invejava os homens, porque transam por transar e não estão nem aí para o que vão dizer. Ele falou que bastava fazer sem culpa. Demorei algum tempo para levar isso a sério. Numa noite em São Paulo, num pub, fiquei muito a fim de um cara que estava na minha mesa. Ele se sentou ao meu lado. Passou a mão na minha perna. Depois enfiou a mão por baixo da minha blusa. Aí saí da mesa com ele, para um canto do bar. Depois do amasso meio adolescente, fomos para o apartamento dele. Fizemos a loucura de transar antes de chegar lá – na garagem, dentro do carro. Depois, rolou na casa do cara. Dormi lá. Acordei, ele tinha feito até café da manhã. Mas eu não estava mais a fim dele. Agradeci, dei um telefone falso e fui embora. Lembro dessa noite como uma das melhores da minha vida. Já repeti isso, de sair, transar e nunca mais ver. Experimentei umas fantasias – tipo sair com amigo de ex-namorado. Agora, falta transar com dois caras de uma vez. Vou conseguir. Quero me divertir muito.” Renata, 29 anos, advogada

“AGORA QUERO TRANSAR COM DOIS CARAS DE UMA VEZ”
RENATA, 29 ANOS, ADVOGADA

DE TIRAR O FÔLEGO
“Ninguém me ensinou a transar sem compromisso. Aprendi numa escapada do meu casamento. Era apaixonada. Mas o ciúme dele aumentou tanto que passei a fazer o que ele desconfiava – sair com outros. A primeira vez foi numa ocasião em que meu marido – hoje ex – viajou. Tinha ido jantar num restaurante perto do meu trabalho. Estava esperando uma amiga. Antes de ela chegar, um cara da mesa ao lado veio até mim. Disse uma besteira do tipo: ‘como uma mulher tão bonita está sozinha’. Fiz cara de descaso. E ele: ‘Posso melhorar a cantada conversando com você ?’ Deixei. Ele era charmoso, bom de papo. E logo eu já estava abraçada ao cara. Depois, fui com ele pra um motel. Estava excitadíssima. No motel, ele nem falava – só me puxava, me agarrava com tesão. Transas longas, de tirar fôlego. Gozei muitas vezes. Depois ele me deixou num ponto de táxi. Não me pediu pra ligar no dia seguinte. Só falou um ‘a gente se vê’. Não nos vimos. Fiquei apaixonada naquela noite – umas quatro horas, acho. Hoje, prefiro essas paixões rápidas. Uma hora vou amar alguém. Não é prioridade.” Alessandra, 31 anos, analista financeira

“ME APAIXONO POR QUATRO HORAS – É O LIMITE”
ALESSANDRA, 31 ANOS, ANALISTA FINANCEIRA


OS LADOS DA QUESTÃO
Vantagens e desvantagens dos relacionamentos descompromissados

• As relações descompromissadas não incentivam o ciúme e a posse.
• Há a possibilidade de experimentar diferentes sensações, com pessoas de universos diferentes.
• Favorece a intensidade, pois é muito mais fácil se soltar numa relação em que você não tem preocupação nenhuma.
• Pode acontecer uma inversão: “Sexo é uma oferta tão fácil de se encontrar, que deixou de ser um atrativo”, diz a psicoterapeuta Carmita Abdo.
• Descrença nos relacionamentos sólidos, pois as pessoas se questionam se toda essa liberdade é boa ou ruim, principalmente pela questão da fidelidade, da exclusividade. Será que isso vai deixar de existir?
• Mesmo que seja só sexo casual, isso não significa que você não pode procurá-la no dia seguinte ou depois. Vocês podem aprimorar a transa ou até namorar.

SEXO DELIVERY
“Eu sempre faço sexo casual. E eu gosto de sexo pelo sexo, sem vínculo, apenas uma troca e tchau. Já fiz muito, sou desencanada. Tenho uma lista de amigos que basta ligar que eles vêm à minha casa. Não temos envolvimento nenhum, apenas sexo. Quando estou sozinha em casa, carente, eu telefono. Não quero namorar agora, quero pensar e focar no meu trabalho. Quando você se envolve acaba dispersando seus objetivos. Assim, tenho quem eu quero, na hora em que eu quero. Só me aproveito do momento e não tenho mais problemas.” Giselly, 31, stylist
“TENHO UMA LISTA DE AMIGOS. É SÓ LIGAR E PRONTO!”
GISELLY, 31, STYLIST

PAGUE PRA VER FILMES COM MULHERES QUE FAZEM
SEXO POR DIVERSÃO, SÓ PELO PRAZER DE FAZER

Instinto Selvagem (1992): Sharon Stone interpreta a escritora Catherine Tramell, suspeita de assassinato e que deixa investigadores sem ar na célebre cena da cruzada de pernas sem calcinha. Catherine tem a vida sexual movimentada, com homens e mulheres, e enlouquece o detetive Nick Curran (Michael Douglas), que se vê seduzido pela escritora meio ninfomaníaca.
A Útlima Ceia (2001): Leticia (Halle Berry) faz uma cena tórrida, com detalhes que parecem reais, com Hank (Billy Bob Thorton), o guarda de prisão que executou o marido condenado dela. Leticia transa sem amor, sem compromisso, só para se satisfazer.
O Último Tango em Paris (1972): no filme de Bernardo Bertolucci, Maria Schneider procura um apartamento para alugar em Paris. Pede a chave pro síndico, encontra outro cara (Marlon Brando) e transa enlouquecidamente com ele. Sem romance. Sexo pelo sexo.
Rainha Margot (1994): Isabelle Adjani faz a monarca que sai alucinada pelas ruas de uma cidade na França, na época das guerras religiosas (século 16), e transa com um desconhecido até numa estrebaria.
Uma Relação Pornográfica (1999): Uma mulher transa e não quer nem saber o nome. Nem se falam. Quando se apaixona, ela vai embora.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
Pelo estudo da vida sexual do brasileiro, no livro Descobrimento Sexual do Brasil, de Carmita Abdo, a idade de iniciação da vida sexual vem diminuindo nas últimas quatro décadas. As mulheres começavam a transar por volta dos 22 anos. Hoje, iniciam aos 15. O compromisso, no entanto, foi adiado. Antes, a mulher casava lá pelos 23 anos. Hoje, aos 28. O mesmo aconteceu com os homens. “Abriu-se uma lacuna entre o início da vida sexual e o casamento. E a mulher ficou sem ter com quem firmar compromisso”, explica Carmita. Por isso, também ficou difícil encontrar pessoas com o mesmo plano de vida. Hoje, jovens recebem essa informação de namoros rápidos desde o início de sua vida sexual. E assim eles lidam mais facilmente com essa fórmula.

COM MUITA AUTORIDADE
FRASES SOBRE SEXO CASUAL
DITAS POR GRANDES MULHERES

“NÃO HOUVE PREÂMBULOS; NÃO DISSEMOS NOSSOS NOMES NEM CONTAMOS NOSSAS VIDAS. ACONTECEU O QUE ERA PARA ACONTECER, E ÀS SETE DA MANHÃ, QUANDO SAÍ, ELE DORMIA”
Danuza Leão em seu livro Quase Tudo, sobre uma noite de sexo casual que experimentou, num quarto de hotel, em Paris, no auge dos seus 70 anos. Sim, aos 70 anos.

“VOCÊ PODE MUITO BEM AMAR UMA PESSOA E IR PARA CAMA COM OUTRA. JÁ ACONTECEU COMIGO.”
Leila Diniz, atriz

“TRANSO COM MUITOS HOMENS, MAS NÃO É COM QUALQUER UM”.
Leila Diniz

“O QUE É VERDADEIRAMENTE IMORAL É TER DESISTIDO DE SI MESMA”
Clarice Lispector

“EU APENAS QUERIA VER COMO É ESTAR COM PESSOAS DIFERENTES. NÃO PENSE QUE UMA GAROTA É UMA VAGABUNDA SÓ PORQUE GOSTA DE SEXO”
Jessica Alba, atriz

“PASSEI A VIDA TODA PROCURANDO OS HOMENS CERTOS. MAS ME DIVERTI MUITO COM OS ERRADOS”
Cher, cantora.

“GOSTARIA DE NAMORAR TAMBÉM O PRÍNCIPE WILLIAM. SERÁ QUE ALGUÉM PODE PROVIDENCIAR?”
Renée Zellweger, atriz

“FICO FELIZ PELAS PESSOAS QUE QUEREM SE CASAR, MAS ISSO NÃO É PARA MIM”
Charlize Theron, atriz, na revista Isto É Gente 324 (Outubro de 2005)

Consultoria: Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Projeto de Sexualidade da USP (ProSex), autora do livro Descobrimento Sexual do Brasil. (ed. Summus), e José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta e autor de Meio Século de Psicoterapia Verbal e Corporal (ed. Summus).


EVOLUÇÃO


Mulher não está adaptada para o sexo casual, diz estudo

DO "INDEPENDENT"

A ciência -pelo menos um estudo divulgado pela revista "Human Nature"- poderá ser usada a partir de agora como álibi pelos homens praticantes do sexo casual.
É tudo culpa da evolução. Ela não preparou a mulher para se sentir contente após uma única noite com um parceiro inédito, dizem os autores do trabalho.
A pesquisa conduzida por Anne Campbell, da Universidade de Durham (Reino Unido), ouviu 1.743 pessoas. Todas tiveram relacionamentos de uma única noite.
Entre os homens, 80% afirmaram felizes com a experiência. Entre as mulheres, apenas 54% afirmaram a mesma coisa. As demais entrevistadas confessaram um sentimento de terem sido usadas pelos homens.
"A evolução oferece comportamentos por meio dos quais temos sentimentos positivos e negativos. A partir disso é que desenvolvemos certas adaptações", diz Campbell. "Se os nossos ancestrais do sexo feminino estivessem adaptados para os relacionamentos curtos, eles iriam desfrutar disso assim como o sexo masculino."
Os homens, diz a pesquisadora, são biologicamente capazes de se reproduzir com várias mulheres, o que pode explicar sua aparente felicidade com as relações casuais. "Mas para as mulheres a qualidade, e não a quantidade, que é realmente importante", diz Campbell.