domingo, 24 de junho de 2007

S.A.C.

Não sou o Maguila, mas gostaria de desejar um bom São João para meus amigos pedreiros, carpinteiros, enfim, para o meu fã-clube S.A.C. (Só o Amor Constrói) e agradecer a todos os trabalhadores da construção civil que nos meus piores dias me galantearam (com a sutileza de um elefante, mas xápralá).
O que seria de nós, mulheres, sem a peãozada, hein? Essencialíssimos!

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Give a little bit...






"... Give a little bit of your love to me".


Ah, eu adoro essa música do Supertramp! Integro a tribo do meu mais-do-que-nunca-amigo de fé e irmão camarada Lisboeta, e sou altamente vulnerável a uma melodia grudenta!

Porque ainda é o Dia dos Namorados e porque adoro Drew e Jimmy (ele no Saturday Night Live, que no cinema não é lá essas coisas), além de Nick Hornby, segue a letra e cenas do filme "Febre de bola".


Give a little bit
Give a little bit of your love to me
Give a little bit
I´ll give a little bit of my love to you
There´s so much that we need to share
So send a smile and show you care

I´ll give a little bit

I´ll give a little bit of my life for you
So give a little bit
Give a little bit of your time to me
See the man with the lonely eyes
Take his hand, you´ll be surprised

Give a little bit
Give a little bit of your love to me
I´ll give a little bit of my life for you
Now´s the time that we need to share
So find yourself, were on our way back home

Going home

Dont you need to feel at home?
Oh yeah, we gotta sing

terça-feira, 12 de junho de 2007

Extra! Extra! Extra!

Nosso amigo (de agora em diante, mais do que nunca amigo) Daniel Pereira Lisboa é o mais novo ofchan tchan tchan tchan tchan do Instituto Rio Branco!
O Xixi de Macaco não faz a mínima idéia do que isso significa, mas fica muito feliz em ver mais um faconiano mandando ver por aí!

Dia dos Namorados

"Drink to me only with thine eyes, and I will pledge with wine/ Or leave a kiss within the cup, and I´ll not look for wine"
("Beba para mim apenas com seus olhos, e eu me comprometerei com os meus/ Ou deixe um beijo no copo, e eu não vou querer vinho")

Dia dos Namorados... E também aniversário de casamento dos meus pais (36 anos juntos! Ave Maria!...), aniversário de Talita, a ovelhinha do exército mineiro, e o dia em que vou me reconciliar com Alosa, que cortou relações comigo desde que mandei o alosah@uol.com.br pros ares.

Alosa, "em nome do amor, vamos nos perdoar!"...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Mulher tem memória

Por Danuza Leão

VOCÊ É medrosa? E quem não é? E de que você tem medo? Bem, existem os medos básicos: de barata, de rato, de cobra, da escuridão.
Mas existem outros, nos quais quase não se pensa, mas dos quais se tem pânico -e esses são os piores.
São os medos subjetivos, quando se faz algo que não se deveria, de ser punida; por um pai imaginário, por Deus, por um alguém que não faz outra coisa a não ser olhar atentamente para tudo que você faz, para premiar ou castigar. De preferência, castigar.
Existem outros medos nos quais não se pensa mas que são permanentes: medo de ficar doente, de ficar velha e sozinha, de morrer. Quando se pensa em todos esses medos, chega a surpreender como podemos, às vezes, passar horas falando bobagem e dando risada.
Quando criança, você teve medo de seu pai? Se teve, vai passar a vida inteira tendo medo do marido e do patrão, símbolos da autoridade masculina.
E o medo da maldade? E do olho grande?
Medo tem a ver com culpa, e quem é culpada vive sempre com medo do castigo.
Existem as pessoas que não são culpadas de nada, e as que são culpadas de tudo. As primeiras passam pela vida felizes, felizes; já as outras acham que, se no lugar de terem comprado aquele batom tivessem mandado o dinheiro para os necessitados da África, teriam pelo menos feito sua parte. Como é difícil viver.
Mas é preciso não confundir o medo com a covardia, e às vezes - aliás, o tempo todo - é preciso se posicionar, sem medo. Se posicionar, no caso, é apenas organizar seus pensamentos e ter suas opiniões, o que, se para alguns é simples, para outros é quase impossível.
Por que será? Serão essas pessoas tão reprimidas que isso as impede não apenas de dar sua opinião mas até de terem uma? Ou será medo?
Existem alguns medos bem concretos: da reação daquele homem quando você anuncia que está indo embora. Com todas as conquistas que as mulheres conseguiram, nessa hora o medo é físico -afinal, os homens costumam ser agressivos, mais fortes que nós (fisicamente), e às vezes, quando feridos, passam dos limites. Outro medo é quando, já com o novo, você cruza pela primeira vez com o que foi abandonado.
Mas os homens também têm seus medos, sobretudo quando são eles que abandonam.
As mulheres - mais emocionais e menos civilizadas- são capazes de tudo, quando deixadas; mulher não esquece - nem perdoa.
Aconteceu com um casal de velhinhos - bem velhinhos mesmo - que estava visitando a filha, num domingo. Falavam sobre o passado, e num determinado momento ela perguntou - afinal, já havia tanto tempo - se ele havia tido um caso com uma determinada mulher, décadas atrás, o que na época ele negou com firmeza.
A conversa estava tão amena, a paz tão grande, com a família toda reunida, que ele disse que sim, era verdade. Ela avançou no pescoço dele e foi preciso a filha e o genro para separá-los. Apesar de já terem passado dos 80, ela passou meses sem falar com ele.
E é bom que os homens também tenham medo, pois uma mulher com raiva é muito mais perigosa do que um homem com um revólver na mão.

domingo, 10 de junho de 2007

Feira de Santana é o must!

Soteropolitana de coração e baiana não-praticante, nunca visitei lugares fora da região metropolitana de Salvador, com exceção de Mangue Seco e da Ilha de Itaparica. Claro, fazendo o trajeto Salvador-Brasília-Salvador, já dormi muitas vezes em Lençóis, Barreiras e Esplanada, mas conhecer mesmo, nada. Já visitei mais cidades em Goiás que na Bahia, acreditem.
Sábado passado, finalmente tomei vergonha na cara e fui a Feira de Santana. Minha guia foi ninguém menos que Viviane Andrade, filha e herdeira de uma das dez mais ricas e influentes famílias da cidade (uaaaaaaaau!). Paula Carzzi, quase tão estrangeira na cidade quanto moi, se juntou ao trio. Em tempo: Quase tão estrangeira porque a primeira vez que pisou na cidade foi na formatura de Vivanildo, irmão único e lendário de nossa guia Viviane. Na ocasião, a soteropolitana foi introduzida ao feirense way of making marketing, sendo surpreendida (assim como os demais formandos e suas famílias) por uma bandinha contratada pelo novo administrador de empresas para tocar o jingle do Mercadinho Serra, de propriedade da família Andrade. Vivanildo, sem sombra de dúvida, é gente que faz!
Paula e eu fomos em busca das novidades (a preços superconvidativos) da moda feirense. Sendo assim, invadimos as ruas da cidade, e fomos entrando de porta em porta, de loja em loja, em busca de boas promoções. Nossa guia não nos poupou de nenhum beco, exceto da Feiraguay, da qual ela só se lembrou - glória a Deus! - já muito tarde, quando estávamos indo embora. Demos azar, e o saldo da viagem foi, do ponto de vista material, ruim. Paula levou uma pulseira de madeira, eu comprei um par de blusas e quem saiu endividada mesmo foi quem menos queria comprar roupa: Viviane. É que era dia de forró na cidade, e 3/4 dos feirenses estavam à procura do que vestir no evento. Um fiasco para a dupla da capital. Ou quase...
Ir a Feira de Santana foi, apesar da sacola vazia, inesquecível. A seguir, um Top 5 - Porque amei Feira:

1) É fácil se sentir celebridade por lá. Segundo nossa guia, fazer qualquer coisa na cidade, sem que metade da população saiba, é impossível. Durante a ida, dentro do ônibus, ela já estava recebendo ligações da família, que munida de poderes telepáticos ou de um acordo com a Oi de instalação de um GPS secreto, havia descoberto sobre a sua chegada. Andando pelas ruas, Viviane se bateu com a tia, com a prima, com a irmã, o namorado desta e mais meia dúzia de conhecidos que, inclusive, não podiam saber do seu encontro com o ex-namorado (que ainda é atual), no início da tarde. Me senti como uma amiga de celebridade que a ajuda a esconder o affair da mídia. Muy chic, muy chic!... Pena que um flagra de Romilson Almeida e Viviane Andrade não renda capa de Contigo!, Quem Acontece ou People. Ohhhhh...
2) Tem emoções que só o povão te proporciona. A cidade, na minha primeira impressão, parece negar a máxima de Cazuza de que o tempo não pára. Isso pelo menos não se aplica de jeito nenhum a uma famosa rede feirense, a CAMYS. Rei Nelsinho, como se auto-intitula o dono do empreendimento, um senhor de uns 40 anos com ares de Sinhorizinho Malta que aparece nos cartazes espalhados pelas pilastras, vende à moda antiga. Enquanto circulávamos pela enorme loja, presenciei uma cena que nunca tinha visto ao vivo e que fez Paula Carzzi cair na gargalhada (me deixando sozinha à mercê da histeria consumista de Viviane, que, na boa, deve ter servido em alguma guerra na encarnação passada. Só isso explica a "liderança" demonstrada durante o episódio): anunciou-se uma promoção no microfone, o povão foi se juntando em torno do balaio, e quando começaram a despejar as mercadorias de R$ 9,90, via-se as peças de roupa voando por cima das cabeças, agarradas por mulheres em fúria, que não tinham a mínima idéia do que estavam se esforçando para reter, mas que, por menos de R$ 10, já achavam que compensaria o "vale-tudo".
3) A concorrência é fraca. Vivinha e demais nativos dessa cidade, peço desculpas de antemão, mas a verdade tem que ser dita: ô povo feio esse de Feira de Santana, meu Jesus Cristo! Ave Maria! Até eu, que sou de uma lucidez patológica sobre a minha pessoa, comecei a me achar gatchéénha perto do que vi nas ruas.
Por isso arrisco dizer que Vivi´s é a Paris Hilton da cidade: de família endinheirada e guapa.
4) Mini Brasília. As ruas do comércio me lembraram a W3, no Plano Piloto. Feira tem um "q" de Brasília, e só isso me fez simpatizar com ela. Exceto pelo trânsito, que é bem maluquinho. Sobre isso, me desagradou o grande número de motos. Distraída como sou, viraria "anjinho" em dois tempos se vivesse naquela cidade.
5) É fácil de ir embora. O melhor de Feira de Santana, no entanto, é que é muito fácil dar o fora de lá. Por R$ 12 e uma hora e meia de viagem, logo, logo estamos em casa. Êêê!!!...


Aritimética Younguiana

Para a outra escorpiana leitora cativa deste blog não ficar com ciúmes...

"Sabe qual é meu sonho secreto? Que um dia você perceba que poderia ter aproveitado melhor a minha companhia. Que um dia imagine o quanto teria sido ótimo estar ao meu lado, mesmo quando eu estava gripada. No entanto, sei que você está a cada dia que passa mais fugidio. E eu me limito a me surpreeender com as circunstâncias da vida. Que me levaram a viver esse papel: o da mulher que quer mais um pouquinho. Contrange-me existir nesse personagem Chico Buarque, dolorida, bonita sendo assim, meio tonta, meio insistente, até meio chata. Nunca precisei aborrecer ninguém antes, então atuo por instinto, cansando-me facilmente. E que fique claro que não é por estar você dessa forma, tão esquivo, que o desejo tanto. Desejo-o porque desejo. Estúpida. Latina. Bethânia. Ainda creio que você, quando eu menos esperar, possa me chegar com um verso em atitude".

(Fernanda Young - Aritimética)

Prece árabe

Em homenagem à Vossa Santidade, Ô Ingrid, que tem, entre seus objetos de reflexão, a influência dos árabes na Península Ibérica (wow!).

"Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes. Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos. Meu Deus!Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não enxergar a traição dos adversários, nem acusá-los com maior severidade do que a mim mesmo. Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido e nem desesperado quando sentir insucesso. Lembra-me que a experiência de um fracasso poderá proporcionar um progresso maior.Ó Deus! Faz-me sentir que o perdão é maior índice da força, e que a vingança é prova de fraqueza. Se me tirares a fortuna, deixe-me a esperança. Se me faltar a beleza da saúde, conforta-me com a graça da fé. E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força da desculpa e do perdão. E finalmente Senhor, se eu Te esquecer, te rogo mesmo assim, nunca Te esqueças de mim!”

Reflexão da meia-noite

Lula já teve o dedo preso, tem a língua presa e, há cinco anos, o rabo preso. Agora só falta ele mesmo ir preso...

Rumo à santidade!

Ingrid Campos aproveitou o feriado de Corpus Christi para distribuir sopão em Aracaju.
Com mais este ato de fé e bondade, Gri caminha rumo ao PAN, digo, rumo ao Vaticano.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Reflexão da meia-noite - O brilho da feiúra

Estava dentro do busú, quando avistei um chico guapo. Quer dizer, até ele sorrir e exibir aquele sorriso metálico do aparelho ortodôntico fixo. Lembrei dos meus cinco anos com aquilo na boca e tive um momento de epifania. Meus Deus, ô treco que "encãozeia" um cidadão é esse tal de aparelho!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

As perigosas frágeis

Gosto muito de Danuza Leão. Mulher de classe média, conseguiu se destacar na high society. Mas isso não é nada; o melhor foi que construiu uma trajetória interessante, fez parte da história. Não foi bela, mas sempre soube ser charmosa. Escreve muito bem. E ainda tem uma característica, que é o que também me cativa em Oscar Wilde: é profunda mas se faz passar por fútil.

Fiquem com Danuza! (pra variar, descobri mais uma coisa que minha mãe me ensinou errado!... tsc tsc)

Beijos...

DANUZA LEÃO

02/06/2007

Quem não quer ser forte? É o que todos desejamos, sobretudo, de um tempo para cá, nós, mulheres. E como seria essa mulher? Independente, capaz de se manter, que jamais vai atormentar seu homem com inseguranças nem ciúmes, capaz de segurar qualquer tranco (inclusive os dele) e com quem a família e os amigos sempre contam, em qualquer circunstância. É isso que qualquer homem quer, certo? Errado; homem não gosta de mulher assim.
Pode até admirar, mas de longe, e não na vida dele. Vamos combinar: os amores que eram para ser eternos -e qual não é?- se acabam cada vez com mais freqüência, e uma separação é sempre complicada e dolorosa, mesmo sendo de comum acordo. Depois dos primeiros tempos de sofrimento a vida continua, e cada um vai encontrar alguém para namorar, quem sabe até se apaixonar de novo.
Nessas separações de consenso, em que -teoricamente- ficam amigos, às vezes saem para almoçar (nunca jantar), conversam sobre a vida em geral (nunca a deles mesmos) e se acham muito civilizados. Mas logo, logo o homem arranja uma namorada, e adeus almoços e telefonemas para saber como vão as coisas. E quando a ex sabe, por mais que seja cuca fresca, moderna e esclarecida, sofre, e é aí que mostra se é forte ou frágil.
As fortes sofrem, mas como não demonstram, ninguém percebe (sobretudo eles); já as frágeis desmoronam com o fato de ele ter tão rapidamente se esquecido delas, como se houvesse um prazo estabelecido para poder viver de novo. E aí, começa. São telefonemas, cobranças e um princípio de depressão que não só assustam o ex como atrapalham o novo namoro, que é no fundo a finalidade subjetiva de tudo.
Algumas vão esperar o ex na porta de casa e são capazes de armar um barraco de tal ordem que chegam a assustar. E o homem geralmente se sensibiliza com a 'coitada' e começa a ter medo que ela cometa um ato tresloucado. Os novos encontros com a namorada passam a ter um único assunto: a ex. O que ela fez, que procurou um analista, que está tomando antidepressivos; ele fica tão preocupado que tem que ir vê-la depois do trabalho para dar um apoio -afinal, trata-se da mãe dos filhos dele. É uma preocupação sincera, mas nenhum namoro resiste a esse assunto, e um dia a namorada dá um tchau e vai procurar outro, mais livre e menos bobo, que não caia nesse joguinho de mulher frágil. Porque homem adora mulher frágil, que precise deles, que não possa viver sem eles.
De uma mulher forte é fácil esquecer; das outras é impossível, até porque elas não deixam. Como ser feliz se existe alguém sofrendo por nós? Por tudo isso, chego a pensar que as verdadeiras mulheres fortes são as fracas, que conseguem atrapalhar a vida de seus ex durante anos, até que encontram um novo homem e aí -e só aí- vão tratar de suas vidas e deixar em paz o que foi o passado.
Portanto, muito cuidado com as mulheres frágeis; elas são capazes de qualquer coisa, e pobres dos homens que se enganarem com sua aparente fragilidade. Porque um dia eles vão perceber que, ao contrário do que sempre pensaram, os verdadeiros frágeis são eles. E um conselho às fortes: se quiserem ter um homem na vida, finjam-se de fracas, pois são raros os homens que suportam ter ao lado uma mulher forte.

Reflexão da meia-noite

Assim caminha o capitalismo:

Os norte-americanos criam
Os japoneses encolhem
Os franceses teorizam sobre
A África recebe com 20 anos de defasagem
Os asiaticos produzem a mesma coisa por menos de cinco dólares
E os sul-americanos contrabandeiam

domingo, 3 de junho de 2007

There she goes...


Flávia foi embora hoje para Paris. Despedir-me dela, por mais "mala" (sem alça e sem rodinhas) que ela seja, não foi tão fácil quanto pensei que seria. Foi agridoce. É estranho olhar para uma irmã sem saber quando vai ser a próxima vez que vai vê-la; bate uma certa apreensão. Racionalmente sei que ela vai ter uma experiência de vida transformadora, quer seu objetivo vingue ou não. Mas no fundo senti como se tivesse dando a um estranho um cachorro que eu criei por anos (e quem me conhece sabe que essa comparação não é pejorativa uma vez que gosto pra caramba de cães).


PS: E como nada na minha casa se dá de forma tranqüila, o vôo da criatura de Madrid para Paris atrasou, deixando todo mundo aqui no Brasil - que não sabia que havia atrasado - com a orelha em pé. Mas já ligou e está tudo ok. Agüenta essa, Cláudio: ela disse que Paris é uma cidade veeeelha e cinzenta. Pobre é foda!kkkk



quarta-feira, 30 de maio de 2007

Fernandinho navega no meu mar

Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem achei

De tanto ser só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê
Quem sente não é quem é

Sou minha própria paisagem
Assisto à minha passagem
Diverso, móbil e só
Não sei sentir-me onde estou

Por isso, alheio vou lendo
Como páginas meu ser
O que segue não prevendo
O que passou a esquecer

Fernando Pessoa

Sigam-me os bons...

... amigos. Cansei da falta de companheirismo.
Agora vou me mandar pros lugares, e quem quiser, que me siga!

sábado, 26 de maio de 2007

Admiração, inveja e amor

Não gosto muito de postar textos dos outros por aqui. Sinto que deste jeito contrario o objetivo de ter um blog, que é mostrar a visão de mundo do seu dono - se bem que se você posta um texto com o qual se identifica, de um certo modo esse objetivo é confirmado.
O texto a seguir é do psicoterapeuta Flávio Gikovate. Pessoalmente, me identifico mais com o modo de pensar do Contardo Calligaris. FG é meio radical, mas talvez por isso mesmo goste do que escreve: mais do que confortar, ele procura provocar seu leitor. Esse artigo, por exemplo, diz coisas que eu também penso, mas não assinaria 100% embaixo. Como assim? Bem, nem tudo se resume a admiração, amor ou inveja; ele esqueceu de considerar também a indiferença e o desprezo - por que "esquecem" sempre de agregar essas duas hipóteses? hummm...


Admiração, Inveja e Amor


A busca de destaque social através do sucesso em alguma área de atividade (que é a forma usual da manifestação adulta do exibicionismo e que chamamos de vaidade) teria por finalidade atenuar a sensação de desamparo, solidão e insignificância, sensações geradoras de brutal desespero, especialmente para aquelas pessoas que, em virtude de sua inteligência, são mais conscientes destas propriedades da condição humana. Apenas algumas observações serão suficientes para demonstrar que este caminho não leva a parte alguma, a não ser para uma relativa neutralização da sensação de insignificância que, ainda assim, necessita permanentemente de reforços derivados de novos feitos, capazes de chamar a atenção das outras pessoas.
Se a intenção inicial das pessoas que buscam o destaque é, através dos seus desempenhos, acima da média, obter admiração e o amor dos que lhe são próximos, o resultado na prática é bastante diverso deste. O sentir-se amado pode efetivamente representar uma importante atenuação do desamparo original, sendo um remédio eficaz para o desespero que deriva da consciência da solidão, de modo que seria legítimo buscar esta solução, ainda mais que ela estaria na mesma direção da que determina o prazer erótico ligado ao sucesso. O que perturba esta solução, aparentemente muito boa porque resolve os dois anseios - afetivo e erótico -, é que a admiração determina o surgimento da inveja e não do amor.
Amor e inveja derivam da mesma fonte: a admiração. Porém, na prática, a inveja é a emoção que mais frequentemente se manifesta, especialmente quando as diferenças entre as pessoas são mais marcadas. Para que a admiração resultasse em amor seria necessário que as pessoas em geral estivessem relativamente bem consigo mesmas, de modo a não se sentirem humilhadas, agredidas pelas competências especiais das outras.
Acredito que a maioria das pessoas que buscam o destaque social só percebe muito tardiamente que seu sucesso desperta muito mais frequentemente a inveja do que o amor; e, mais, que vive esta constatação surpreendente como profundamente decepcionante e geradora de uma grave crise íntima. Não é fácil aceitar que o resultado de tanto esforço e dedicação a uma causa qualquer - desde as mais nobres até o simples sucesso material - seja a hostilidade sutil, manifestada principalmente pelas pessoas mais chegadas, amigos e familiares. E agora, o que fazer? Abandonar tudo e iniciar uma nova vida? Com que forças? E para onde dirigir essas energias, se o resultado de uma mudança de rota pode ser o mesmo, ou seja, a inveja?
Na maior parte das vezes, não há mais como existir uma reversão do processo, principalmente porque as pessoas já estão muito habituadas às gratificações eróticas derivadas do sucesso social. A vaidade funciona, nestes casos, como um vício qualquer: o indivíduo percebe que ela lhe é nociva - por causa da inveja que sua condição desperta - mas não consegue mais abrir mão dos prazeres que dela advém. O sentir-se hostilizado agrava a sensação de solidão e desamparo, o que costuma determinar um agravamento do desespero, agora acrescido de revolta contra as pessoas invejosas. O desespero e a revolta geram uma energia ainda maior, que é usada na direção de se obter um destaque mais acentuado, que agrava a solidão. A inveja é um sinal da admiração e do destaque obtido, de modo que passa a ser buscada ativamente, apesar da mágoa íntima que possa causar. Para continuar a ser admirado e destacado, terá que se comportar cada vez mais de acordo com o que o grupo social valoriza - ainda que já tenha percebido seu caráter absolutamente ilusório e, na prática, insatisfatório.
Desta forma o grau de liberdade individual se torna mínimo, ao mesmo tempo em que o indivíduo fica cada vez mais sozinho, apenas se gratificando - em doses cada vez maiores, como em qualquer vício - dos prazeres eróticos ligados ao exibicionismo.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Reflexão da meia-noite

Fazer aulas de teatro é como passar uma temporada na prisão: depois do que os seus companheiros fazem com você lá dentro, é impossível manter pudor de alguma coisa lá fora.

(Amigo, Alosa! Amigo!...)

sábado, 12 de maio de 2007

Ninguém tem paciência comigo!...

Tenho três traços de personalidade que, se pudesse, descreveria por escrito e entregaria às pessoas do meu convívio, como se fosse uma bula. Quem sabe assim elas teriam mais paciência comigo e me ajudariam, por tabela, a ser mais paciente comigo mesma.
O primeiro deles é a minha tendência à paranóia. E a minha paranóia mais acentuada é a de pegar doença (é, os sintomas me perseguem; sou o que chamam de hipocondríaca). Sempre digo aos amigos: podem até me contar os seus problemas, mas, pelo amor de JC, não me contem as suas doenças ("hoje eu quero paz, eu quero amoooor...").
Minha paranóia/hipocondria, com o perdão do trocadilho, tem nos meus 2 graus de miopia e 1 de astigmatismo a sua "menina dos olhos". Há um mês venho usando um par de lentes tão legal que nem percebo que são lentes. Mas é aí que vem o problema: justamente por isso, mesmo com elas, continuo me sentindo míope. Aliás, descobri que meu problema de visão transcende a questão física. Só isso explica o fato de não enxergar de frente para um livro e no computador, sendo que miopia é dificuldade para enxergar de longe e não de perto.
Sinta a minha agonia: não há um corpo físico perceptível, como é o caso de um par de óculos, então fico desconfiada de que as lentes caíram e não estão nos meus olhos. Por isso continuo a me sentir míope. E tomo susto quando percebo que estou vendo à distância, principalmente em pontos de ônibus. Num determinado momento, me convenço de que as lentes têm que estar nos meus olhos, e que me sinto míope porque devem estar desajeitadas. E daí fico metendo o dedo nos olhos para "estancar" a miopia - ou com a ajuda do espelhinho ou sem ele mesmo. A personagem de Scarlett Johansson em "Scoop" tem razão: é estranhíssimo meter o dedo no olho. Fico pensando o que uma pessoa do sec. XIX diria da imagem de alguém como eu, que fica metendo o dedo no olho enquanto anda na rua (e morrendo de medo de estar infeccionando a córnea por conta disso). No lugar dessa pessoa, diria ser um comportamento excêntrico, pra dizer o mínimo...
Por último, mas não menos importante, vivo imaginando besteiras o tempo inteiro, como essa com a pessoa do século retrasado. Isso nos leva ao meu terceiro traço: sou uma "viajante" crônica.
Conhecem aquela piada que conta como os signos reagem à falta de energia em casa, e Peixes responde "Como assim??! Acabou a luz, é??!". Eu não acho graça, pois já passei por isso e é mortificante. Meu pai é quem fica mais chocado com essa minha capacidade de me desligar da realidade. Minha mãe tenta fazer coro a indignação dele, mas acho que ela bem deveria ser mais humilde, pois essas coisas são genéticas e, se bem lembro, uma vez quase saiu de casa deixando a mala e levando para o aeroporto, no lugar dela, o saco de ração do cachorro. Fico chateada com a falta de paciência dele, mas no fundo compreendo sua frustração: é difícil para um geminiano, plugado em mil coisas ao mesmo tempo, entender como alguém, cujo corpo ocupa um considerável espaço no mundo, consegue estar em 90% do tempo ausente dele.
O povo pensa que é onda, mas não me canso de pedir: se assegurem de que me deram todas as informações que preciso para fazer o que querem que eu faça (para que não me sinta tão desesperada quando minha mente voltar a Terra e perceber que perdeu uma parte fundamental da história). E por escrito, que minha memória não é boa desde os 20 anos (pois é, eu sofri o temido bug do milênio; antes tivesse sido no meu computador!); dependo de agenda, bloquinho e gravador há muito tempo (antes dos 50 anos, tenho quase certeza que a filmadora vai integrar esse meu esquema de memória artificial)!

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Pardón, periferia!...







Hoje bateu saudade do meu amigo Claudinho Baixaria. Deve ser porque 1) Não o vejo "ao vivo" desde o ano passado e 2) Sem ele por aqui para contar histórias c/ deboche, distribuir alfinetadas e semear a discórdia, tudo fica muito monótono.

Nosso amigo finalmente pôs os pés na Europa - e dessa vez esperamos que seja de verdade, ao contrário daquela fraude da Argentina (por que vocês acham que eu pedi que me enviasse um cartão postal, hein?). Saiu do Aeroporto 2 de Julho que nem Madonna em "Evita": de braços abertos e cantando "Don´t envy me, periferia! Turururururururu...".

O roteiro da viagem de Baixá começou por Paris - onde encontrou Samuel, o francês. Ele vai passar ainda por Roma e um outro lugar que esqueci o nome, mas garanto que não é na Espanha, onde meia Facom se encontra no momento (e ninguém merece viajar tão distante para passar por isso, né! faz até mal ao coração se assustar com a presença repentina de conhecido brasileiro nas ruas do primeiro mundo). A comparação com o ícone argentino, agora vendo, veio a calhar, já que segundo Ôôôô Ingrid - editora do jornal Ôôôô Aurora da Rua - os argentinos nada mais são que italianos que falam espanhol e se acham franceses. (Desculpe, Gri, mas minha língua estava coçando para contar sua última grande tirada)

Intelectual que é, Cláudio fez dos comícios presidenciais na França sua EuroDisney. Tentou dar um flagra em Ségolène a la Lilian Ramos, mas foi em vão. Ségolène sim, Piriguetelene jamais! (Na França "Tudo pelo esporte" e slogans do tipo não funcionam muito, não...) E vejam bem, a candidata anda tão longe da esquerda que até está usando calcinha (longe de mim querer generalizar, mas tirando por uma certa pessoa que uma vez viajou comigo para Pernambuco - bate na madeira, que Deus é mais!... -, não é o forte da mulherada da esquerda ter certos "pudores" femininos - se bem que os sobreviventes das décadas de 60/70 dizem que o quadro melhorou muito de lá pra cá, e algumas até passaram a fazer as axilas).
Noveleiros, cá entre nós, a candidata francesa não é a cara da Renée de Vielmond, a Ana Luiza de "Paraíso Tropical"???

Apesar de ter feito até uma mulçumana desesperada segurar uma plaquinha de apoio - aonde que ela faria isso na terra de Maomé???... -, Ségô perdeu feio. É o machismo na terra de Simone de Beauvoir, minha gente! Mas esse menino, Gregório - o Ryan Phillippe dos Alagados -, que também é francês (eleitor de Sarkozy), disse que o problema não era Ségô, mas a sua base de aliados que anda em conflito. Ele achou melhor, na condição que o país se encontra, votar em Sassá, que tem mais experiência política e melhores propostas para a nação, a seu ver.


Pois bem, pobres (messsmo) mortais, se deliciem com as fotos de Ségolène Royal, do nosso enviado Cláudio Leal!!!

Até o próximo boletim sobre a ida de Baixá à França!
PS: E a pergunta que não quer calar: por onde anda Jacques Dupont?