quarta-feira, 30 de maio de 2007

Fernandinho navega no meu mar

Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem achei

De tanto ser só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê
Quem sente não é quem é

Sou minha própria paisagem
Assisto à minha passagem
Diverso, móbil e só
Não sei sentir-me onde estou

Por isso, alheio vou lendo
Como páginas meu ser
O que segue não prevendo
O que passou a esquecer

Fernando Pessoa

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