Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem achei
De tanto ser só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê
Quem sente não é quem é
Sou minha própria paisagem
Assisto à minha passagem
Diverso, móbil e só
Não sei sentir-me onde estou
Por isso, alheio vou lendo
Como páginas meu ser
O que segue não prevendo
O que passou a esquecer
Fernando Pessoa
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