quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Let Them

Hoje estava ouvindo uma coluna do Michel Alcoforado sobre a teoria Let Them, da americana Mel Robbins. Já vi vários cortes dela no Instagram, dizendo que é pro povo deixar quem quis ir embora, ir, e quem quiser fazer qualquer coisa, fazer. Toca o seu barco e deixe eles pra lá, ela diz. 

Alcoforado comentou algo que venho comentando em conversas com amigos mais próximos há tempos e por aqui também: essa gestão da vida de modo individualista é altamente mentirosa e alienante. Ou, melhor dizendo, é uma meia verdade.

Não dá pra andar pela vida se abstendo das nossas relações sociais/afetivas. Outro dia, conversando sobre autoestima com uma amiga, dizia a ela que isso não é só uma decisão, mas uma relação. Nos confirmamos através do outro, ou do contrário estamos loucos. Tanto que Freud advertiu: antes de achar que está com depressão, verifique se não está cercado de idiotas. Mudando a relação, quem sabe?, muda-se até a personalidade do indivíduo. 

Obviamente, há contextos mesmo em que o mais inteligente é deixar ir, pois nada se resolve unilateralmente. Mas as relações têm - é humano! - expectativas, desdobramentos e consequências. 

Martha Medeiros, uma figura que acho muito sensata, escreveu uma crônica, outro dia, dizendo que as pessoas têm dificuldade de serem devolvidas a elas mesmas depois de uma separação. Acredito que ela esteja se referindo a quem toma medidas drásticas ou desenvolveu dependência emocional. Porque se ela está falando das situações corriqueiras, pela primeira vez vou pensar que ela não foi razoável. As pessoas sentem, e isso não é demérito. E vamos combinar que raramente as pessoas se afastam de outras que lhes são significativas por nada. Muitas vezes houve mágoas envolvidas, cansaço. Não precisamos ser "civilizados" o tempo todo, acho até um atentado à própria saúde represar sempre as emoções. Uma colonialidade da alma. Os atos têm consequências e quem as cavou que lide com elas também. Aliás, observo que anda faltando um pouco disso no mundo atualmente, e penso que por isso vemos tantos comportamentos que beiram à sociopatia. 

Vou escrever um livro chamado "Let´s face". Que tal? Já aposto que não será best seller. 

 



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