Come on hold my hand
I wanna contact the livingNot sure I understandThis role I've been givenI sit and talk to GodAnd he just laughs at my plansMy head speaks a language, I don't understandI just wanna feel real loveFill the home that I live in'Cause I got too much lifeRunning through my veins, going to wasteI don't wanna dieBut I ain't keen on living eitherBefore I fall in loveI'm preparing to leave herI scare myself to deathThat's why I keep on runningBefore I've arrived, I can see myself comingI just wanna feel real loveFill the home that I live in'Cause I got too much lifeRunning through my veins, going to wasteAnd I need to feel real loveAnd a life ever afterI cannot get enoughI just wanna feel real loveFill the home that I live inI got too much loveRunning through my veins, to go to wasteI just wanna feel real loveIn a life ever afterThere's a hole in my soulYou can see it in my face, it's a real big placeCome and hold my handI wanna contact the livingNot sure I understandThis role I've been given
Outro dia, parada estava esperando o uber na Feira de São Joaquim, com Daniela e seu Nildo, e um maluco, desses do Centro, tentou me vender uns colares bem rústicos com pedras ligadas aos orixás. Depois de dizer meu orixá (ele acertou Yemanja, mas errou Ogun), o homem disparou a dizer coisas sobre mim: disse que eu tinha cara de quieta, mas era barril, que eu ficava brava; que as coisas que eu quero vão rolar (isso ele não falou com muita convicção e fui eu que perguntei); disse que no amor eu digo que não quero, mas quero (acho que captei a crítica); mas principalmente me disse que tem muita gente falsa ao meu redor, inclusive na família. Disse que sou do tipo que me dedico ao povo, mas quando viro as costas, essas pessoas não estão nem aí pra mim. Me mandou, quase gritando, me valorizar. Joguei no Google "como me valorizar' e uma das respostas mais coerentes que ouvi é que pra isso você precisa se cercar de gente que goste de você.
Mas não é essa gente que eu ando procurando incessantemente, sem sucesso, a vida inteira? Quem me trata bem, logo sai da minha vida ou nunca rola um contato mais próximo. Quem eu aposto que vai dar bom comigo, uma hora mete a faca nas costas, sem eu entender por quê. Eu fui maltratada pelas pessoas mais próximas, a quem dei mais e de quem mais gostava. É de lascar, rasga a alma. É o desgosto de enterrar pessoas queridas vivas. Eu tenho um cemitério lotado. A minha vida inteira é lastreada nessas perdas. Eu praticamente só perdi até agora. O que eu tenho? Minha cultura, dois diplomas e saúde, graças a Deus. As minhas relações sociais/ afetivas são um acúmulo de decepções e rejeições: na família não salva ninguém, sem vida amorosa e sem amigos de fato. Quando digo que muita gente não aguentaria calçar os meus sapatos, é a isso que me refiro. É duríssimo viver sem afeto, sem ter com quem de fato contar. Eu não só não tenho, como nunca tive um afeto leal, dos bons. Pego umas migalinhas daqui, outras dali e tô com 'fome" há 45 anos. Racionalmente eu sei que a coisa tá feia pra muita gente, mas eu tenho a impressão que pouca gente se deu mal em todas as esferas como eu. E mesmo que eu esteja errada, o que eu posso fazer se a única coisa que eu sinto é o que se passa aqui dentro?
O que o cara da feira me disse combina com o que uma vidente me falou há alguns meses, de que eu não deveria dizer minhas coisas aos outros, pois nem todo mundo me quer bem.
Eu realmente, de verdade, não entendo qual é o problema das pessoas comigo. As pessoas agem como se eu fosse privilegiada, quando pra extrair o mínimo do mínimo da vida eu ralo pra porra, estou quase o tempo todo com medo que o pouco que eu tenho vá embora - e ainda tô esperando a tal colheita, pois o que tá aqui não é compatível com o que plantei. Tenho três hipóteses pra esse desamor gratuito:
1) As pessoas que ligam muito para as aparências me reconhecem como uma loser, de acordo com o que prega a sociedade, e tem medo de ser como eu, por isso me tratam como alguém de pouco valor;
2) Ou, por este mesmo motivo, as pessoas acham que eu não mereço ter coisas boas e que defender minha dignidade é metidez, e ficam botando olho gordo nas poucas coisas que, com muito esforço, eu consigo na vida. Porque elas, com muito mais, não vao pra frente (e eu faço até muito a partir de muito pouco);
3) Talvez seja algo inconsciente ou espiritual. Sei lá, uma maldição, um animus adoecido que puxa essa disputa, essas brigas.
Sinceramente, não sei... Não sou santa, mas não merecia tanto desamor nesta vida. Me diz: se somos relacionais, como me valorizar se ninguém me valorizou ao longo da vida? E com o tempo, você vai se isolando, porque, além de perder energia com o envelhecimento, rejeição dói (e demora pra curar).
Será que um dia vou encontrar a minha turma?
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