Hoje desabafei com um amigo que estou cansada desta vida tão difícil, em que tenho que fazer tanta força para obter o básico. E em certas circunstâncias nem o básico tá me rendendo.
E sobretudo estou muito esgotada das relações utilitaristas. Parece que é só o que há. E isto está me fazendo endurecer. As pessoas estão com você enquanto é útil, daí quando surge uma situação mais vantajosa (geralmente materialmente), elas pulam de galho descaradamente e te descartam que nem brinquedo velho. Tudo líquido demais, sensação da porra de patinar em gelo fino todo o tempo. Eu não tenho nervos pra lidar com isso.
Queria, pelo menos uma vez na vida, relaxar e descansar. Mas o que ou quem(ns) é meu pedaço de chão? Onde eu posso deitar a minha cabeça e confiar em dormir? Estou mais nômade que cigano. Não nasci pra isso. Eu quero criar raízes e ter condições de voar.
Veja, todos os meus movimentos e inclusive brigas nesta vida são pra ser tratada como ser humano, o que frequentemente não acontece. Eu não me sinto enxergada nem por quem é próximo, nem por quem me pôs no mundo. Eu não preciso que ninguém faça nada por mim, eu só queria ser vista e acolhida de vez em quando. Mas ninguém sabe mais como sair de dentro de si e se doar dois minutos ao outro. Me sinto sozinha o tempo todo e o pior, objetificação e ainda por cima, um objeto barato.
Meu amigo disse que o que eu quero não existe mais. Nunca achei que sou sonhadora. Eu acho que é o contrário: as pessoas estão nivelando por baixo demais. Ninguém mais tem ideais, valores e sentimentos. E há tempos venho denunciando o quanto isso é coletivamente perigoso.
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