Eu nem gosto de esportes, mas, por algum motivo que nem lembro, parei no documentário "The Playbook", da Netflix. Acho que fui para ver quem era esse tal de Mourinho, mas gostei mesmo foi do depoimento de Patrick Mouratoglou. Trata-se de um francês que treina as maiores estrelas do tênis, entre elas Serena Williams.
A própria história de autossuperação de Mouratoglou já é por si interessante, mas o melhor da meia hora de conversa com esse técnico são os depoimentos sobre como superou problemas com os seus atletas. O cara aparentemente tem uma inteligência emocional de dar inveja a muito guru da autoajuda (e a origem disso está justamente na história de autossuperação dele, ocorrida na infância).
A história que eu mais gosto é a de Irena, uma adolescente que era a grande promessa do tênis francês quando ele se tornou o treinador dela. A tenista, primeira do ranking, estava com a autoconfiança abalada após ter perdido algumas partidas e, a partir daí, quando ela via que as coisas não estavam indo bem no jogo, passou a entregá-lo. "Ela nem tentava", resumiu Mouratoglou.
Um dia, após ter visto Irena entregando o jogo de forma impressionante, o técnico resolveu entender a razão de alguém jogar a toalha depois de ter trabalhado tanto por aquele objetivo. "Racionalmente não faz sentido", disse. Foi então que, refletindo sobre o assunto, chegou à seguinte conclusão:
"A maioria dos tenistas que entrega é talentosa. Mas a maioria não confia em si mesmo. Não sabem se conseguem, têm dúvidas. Mas há uma coisa de que têm certeza: eles têm talento. E isso é muito bom. É como se lhe dissessem o dia todo: ´Você está bonito. É lindo.' É bom ouvir isso. E se tem uma coisa que eles não querem perder é isso. E o que acontece quando você é um tenista talentoso jogando contra um não tão talentoso assim e começa a perder? Será que você é tão talentoso assim? Não vai se arriscar, vai preferir desistir. Depois vai poder dizer: ´Foi porque eu entreguei´." E então Mouratoglou conclui: "É o medo de perder a única coisa que conta para você, o seu talento." Bingo!...
O técnico conta que foi tirar a limpo o que houve com Irena. Mas, ao invés de culpá-la, resolveu se responsabilizar pelo ocorrido (para espanto total da atleta). Disse estar com ela, ressaltou que ela não estava só. Ele afirma que, dali em diante, Irena nunca mais entregou uma partida.
De agora em diante, reflita sempre que você sentir que está perdendo a partida: de fato não está rolando ou estou entregando o jogo para defender o meu orgulho? Orai e vigiai a autossabotagem nossa de cada dia, irmãos!

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