Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
terça-feira, 16 de junho de 2020
Perdidos no espaço
Eu estou lendo um livro sobre terapia de vidas passadas, de um especialista holandês. Ele fala que quando entra um trauma ou algo do tipo, um pedaço seu é "ejetado". O vazio, a solidão seria falta de si mesmo, dessa parte perdida por aí.
Hoje estava conversando com um amigo sobre uma amiga em comum que sofre muito, embora seja uma boa pessoa. Vive com problemas de depressão. Negra, de família pobre, lésbica. E gente delicada não sabe se defender direito e se for inteligente piorou, porque ainda por cima vai sacar a situação. Eu acho que boa parte dela foi ejetada.
Daí, mais tarde, lembrei de uma aluna de jornalismo muito inteligente, mas a rainha da ausência de corpo presente, eterno ar de entediada. Ia chamar de preguiçosa quando lembrei das linhas gerais dela: negra, da periferia, lésbica, militante, gorda.
E como elas penso em um monte de gente que faz parte de minorias, que enfrentaram violência na vida, com dificuldade de estar presente, com eterno ar de Escrava Isaura, caminhando meia boca pela vida. Um cansaço de alma que não passa. Feridas de guerra que, inconscientes, não vão cicatrizar.
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