domingo, 11 de agosto de 2019

Pirando na batatinha (ou melhor, na militância)


Olha, tem uma galera bem equivocada na vida, viu? O povo está jogando todas as frustrações individuais no fato de participar de uma minoria social. Não que ocupar esses espaços não diga nada, muito pelo contrário, mas nem tudo se resume a isso.
Tenho uma colega num grupo que eu frequento que tem uma mania de achar que está sendo preterida, que beira a mania de perseguição. Ela vem se reconhecendo como mulher negra, mas, em muitos ambientes, se por um lado ela não vai ser lida como branca, ela também não vai ser lida como negra. Ela tem traços caucasianos, pele morena bem clara e o cabelo cacheado é a parte mais negra dela. Como diz Maíra, a gente sabe quem é negro pela reação do segurança da loja e, definitivamente, ela não é do tipo que faria o segurança do shopping segui-la. Débora Nascimento (foto) é claramente mestiça, mas será que o segurança seguiria ela? De cabelo alisado, em alguns espaços ela é lida até como branca. Uma coisa é ter sangue negro, outra é ser lida como negro/a. Eu e minhas irmãs somos filhas dos mesmos pais. Eu sou lida como negra, minha irmã mais velha nem na Europa é.
Claro, toda mulher que não é a mulher troféu vai ser preterida. E se, obviamente, por um lado quanto mais escura for a cor da pele, mais a mulher tende a se lascar, do outro tem muita branca, que não é essa mulher troféu, que também tá sendo preterida, pelo menos no mercado amoroso.
Os sofrimentos são multifatoriais, minha gente: tem a ver com a estrutura social, tem a ver com a estrutura familiar, tem a ver até com a estrutura psíquica. Freud, aliás, dizia isso em um dos seus livros, que ter uma psique mais resistente aos revezes da vida era uma sorte na loteria da existência. Às vezes o que faz a diferença é conseguir aguentar ou ser mais sensível psiquicamente.
Por favor, vamos evitar obsessões.

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