sexta-feira, 23 de março de 2018

Angústia

Tenho uma amiga que é terapeuta. Nós estávamos conversando sobre o caso da mãe de um amigo meu, sobre o equívoco de certas mulheres de se ferirem pra atingir o ex parceiro, quando, na verdade, faz-se uma grande homenagem ao traste. Concordamos que a melhor resposta é ser feliz. Quer deixar um ex puto? Viva feliz sem ele. Mata qualquer pessoa de recalque. Só cuidado porque ele pode querer voltar. Nesta hora, é bom apelar à lucidez pra não se iludir que isso é amor (spoiler: é posse, egoísmo puro). Quem ama, faz por onde... antes, não depois.
Minha amiga, que, claro, também atende homens, afirma que é outra cabeça, bem mais objetiva e pragmática. E isso às vezes dá angústia nela, pois a mulher é criada pra ficar super interpretando, perdoando (Quem nunca? Caí numa dessa para nunca mais. O pior é ver que se, na época, tivesse autoestima, isso nunca teria acontecido. Amor próprio salva a gente de tanta coisa ruim...). Contou o caso de uma paciente super apaixonada pelo namorado, já comprando tudo pra ir morar com a criatura, se gabando que ele cuidava dela e minha amiga, em conversa com ele, descobriu que o fulano não tá nem aí pra namorada. O cara disse, com todas as letras, que só é namorado dela, que não tem a ver com os problemas da criatura. O pai da mulher já sacou e briga com ela por causa do namorado furada, mas quem diz que ela quer acreditar? E minha amiga, que é a terapeuta, não pode contar, daí a angústia.
Eu conheço essa angústia. Quantas amigas, tias, primas, irmãs já caíram numa dessa, e não por falta de aviso, mas por falta de amor próprio mesmo? É angustiante você ver a criatura se diminuindo, sumindo pra caber na falta de grandeza do cara, comemorando migalha que o sujeito joga de vez em quando, se iludindo que é amor, que um dia vai mudar... Você quer até alertar, mas vai ser inútil. Temos, urgentemente, que aprender a usar a inteligência e a objetividade neste tipo de situação. Isso só gera dor, perda de tempo e a aniquilamento da autoestima. Temos que ter responsabilidade afetiva com os outros, mas principalmente com a gente. Quando as mulheres vão acordar, meu Deus? Espero estar viva pra ver esse dia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário