quinta-feira, 25 de junho de 2015

A bolha

Ontem rolou, na internet, um bafáfá por conta da declaração da mãe do protagonista de "I love Paraisópolis" de que ela estava adorando ser sogra de Marquezine. Eu penso que onde há fumaça, há fogo, mas sei também que mãe é um bicho muito sem noção, que atira pra depois mirar. Half, half, concluí. Hoje a história já foi desmentida pelo pai do rapaz.
Nosso primeiro reflexo é achar que artista não tem mais o que fazer do que ficar mentindo pra todo mundo, mas, pensando bem, no lugar deles, também sairia com um "Somos apenas bons amigos". Porque, vamos combinar, a coisa é muito delicada para a gente ficar arrastando o sari na medina desse jeito. Todo mundo adora dar pitaco na vida dos outros, mas, quando se trata da vida íntima, parece que isso arranha a nossa carne mais profundamente, é muito mais irritante a intromissão. Sou da opinião de que relações íntimas deveriam ser vividas dentro de uma bolha ou pelo menos usando aquela capa que dá invisibilidade que Scheila, de "Caverna do Dragão", possuía.
As pessoas não fazem isso necessariamente por mal. É um instinto (mas você sempre pode escolher entre ser grosseiro ou não). Reparamos, especulamos sobre a vida alheia inclusive para nos entender. A gente se emociona ou se enerva em causa própria, no final das contas. Até porque esses repertórios são quase tão batidos quando a humanidade.
Mas que essa chacrinha tem poder de produzir caos, ah, isso tem. Sem resolver o problema, vale destacar. Porque ninguém sabe o que se passa dentro dos outros, simplesmente. As pessoas deveriam assistir a esse vídeo da Jout Jout a respeito dessa verdade universal (https://www.youtube.com/watch?v=dVi92F1SIto). Não ia resolver muita coisa, mas pelo menos garantiria, quem sabe?, alguma ressaca moral dos "universitários", o que já seria um indicativo de simpatia, que por sua vez, segundo dizem, é quase amor.
E tenho a impressão que quanto mais se mexe, mais porcaria se produz. Tiro pelos meus ex-empregos. Eu só trabalhei, até agora, em empresa-bomba, pré-falida. Em determinado momento, as pessoas começam a se desesperar com o futuro e só se fala nisso. Nesse meio tempo, elas começam a criar paranoias. Nada disso ajuda, mas é quase impossível parar. Isso piora o ambiente, faz o peru ir pro abate antes da hora, mas as pessoas ainda assim precisam prever, desabafar. É algo que acaba ficando maior que o bom senso delas.
Sim, de fato é melhor mesmo insistir na lorota do "não é nada disso".
E, por falar em paranoia, fica a dica de leitura do meu próximo post.

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