domingo, 19 de abril de 2015

Patrulhamento feminino

Gente, que ninguém me ouça, mas apesar de ter muito homem insuportável nesse mundo, as mulheres chegam junto nesse sentido. Se fosse homem, virava gay, na boa.
Eu já comentei aqui que há uma nova geração de mães que idolatram as crianças e acham que qualquer comportamento longe disso é de uma mãe indigna. Sinceramente, só posso ler isso como muito agradecimento e deslumbramento com o fato de se tornar mãe, algo não tão garantido para as mulheres de hoje.
Pois é, não lembro dos nossos pais agirem assim com a gente. Naquela época, se dizia até que pé de galinha não mata pinto. Concordo. Acho que muito da ansiedade e da mal criação das crianças de hoje vem do fato de seus pais serem inseguros para desagradar. Filho não é amigo. Filho é alguém que precisa da sua tutela. Como ele vai confiar nos pais se nem eles confiam em si para fazer o que tem que ser feitoE eu agradeço muito por ter sido criada sem frescura.
Olha, eu reclamo da minha família, mas deixa eu explicar uma coisa. Eles foram ótimos comigo e minhas irmãs na infância. Tive uma infância de cuidados e diversões, se duvidar, melhor do que a da maioria dos meus amigos. Meus sobrinhos adoram os avós.
O problema deles foi quando deixamos de ser crianças, quando as filhas saíram daquela fase em que pai e mãe decidem tudo. Meus pais não sabem lidar com opiniões, rebeldias, vontades, enfim, com gente grande. Aliás, esse é um mal geral da família, que eu tento entender pelo prisma do abandono, já que eles foram criados por outras pessoas e logo ficaram responsáveis por si mesmos.
A nossa geração é que está desenvolvendo essa habilidade de lidar com filhos crescidos. Minhas primas dez, 15 anos mais velhas que eu, têm outra relação com a prole, mais de parceria e suporte. Graças a Deus...
Essas mães das quais falei mais acima são amorosas, não tenho dúvida, mas são quase umas fascistas quando tentam impor seu método de criação a outras que não pensam igual. Engraçado, soam muito como a patrulha antiaborto que a maioria delas, feministas, criticam.
É isso que eu não entendo.
Vamos por partes.
Todos nós fomos criados numa sociedade racista, machista e homofóbica. Esses valores tortos vivem dentro da gente. Não espero perfeição de ninguém. Mas espero desejo de melhorar. É assim que separo quem vale a pena e quem não vale ficar na minha vida.
Portanto, por mais que eu queira me "atualizar" e alcançar o nível de consciência dos meus amigos militantes por várias minorias, eu ainda me pego criticando uma mulher que faz o que não faço ou temendo um negro, com uma expressão nada amigável, perto de mim na rua. Mas eu me policio pra não levar esses reflexos do passado para o âmbito da ação.
O problema é que numa cultura passional como a nossa, "por amor", tudo é válido. Então quando se trata dos filhos, por exemplo, a porteira da intolerância fica aberta.
Gente, me corrija se eu não estiver correta, mas o feminismo não é sobre o direito de escolher? Então por que sendo eu uma pessoa em boas condições mentais, não posso criar o meu filho de acordo com as minhas possibilidades e visão de mundo? Daqui a pouco vão começar a culpar as mães da periferia por deixarem os filhos com outras mulheres para trabalhar.
A emancipação feminina, pelo visto, parece estar muito distante.
Caso 1 - Muita mulher, apesar de lutar por independência na sua própria vida, morre de medo de ser chamada de feminista. Acha que automaticamente será rotulada de "sapatão" ou "mulher que tem raiva dos homens". Feminismo não é odiar os homens, mas denunciar as condutas violentas. O machismo faz mal ao homem e à mulher. Precisa desenhar?
Caso 2 - A mulherada, que se diz feminista, fica patrulhando as outras se viram donas de casa ou se criam os filhos fora da cartilha do politicamente correto. Pode isso, Arnaldo?

Tá foda, viu, minha gente? Pelo visto, séculos de desunião não serão superados tão cedo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário