terça-feira, 18 de novembro de 2008

Para um amor de outro planeta

Não, não, amigos da Rede Globo, I´m not in love - embora venha aí um trígono de Plutão com a minha Vênus natal que promete abalar as estruturas de minha vida afetiva ["O amor e o poder"! Uhuuu!... Quero ver se esse tal de Plutão é "ão", realmente, ou se fizeram certo de rebaixar tal planeta a um mero "Plutinho"! hahaha]!
Mandaram-me este texto, pedindo que o postasse aqui. Tia Ju segue apenas ordens. De resto, a pessoa em questão me pediu, ainda, um último favor. Segue o recadinho do/a remetente, ipsi literis:
"Eu queria mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você!".
Beijoca pra você também, fofura! Smaacc! kkkk (foi Fernandinha quem me pediu, mas eu não vou contar-á! ;P)

Segue o tal texto [ó pra Hagamenon!... A propósito, o que será que ele quis dizer com "acredito também no amor que se compra"?! Na verdade, sei, mas prefiro não comentar! rsss]:



Hagamenon Brito - hbn@correiodabahia.com.br

No amor, nosso passado determina nosso porvir. Não porque os amores se assemelhem, nem porque tenhamos adquirido certa experiência, mas porque as angústias sofridas nos alertam, ainda que sem consciência disso, e nos obrigam a aproximar com maior prudência de amores que julgamos mais fáceis, menos complicados.

E então não nos colocamos inteiros sobre o tapete verde desde o princípio, antes avançamos com precaução, como o caçador que foi aprendendo, sem sentir, os costumes da presa e as leis, não muito mutáveis, da caça. E não adianta lamentar os amores passados ou as vezes em que a presa foi mais esperta. É tolice.
A plenitude do amor pode chegar a transformar-se numa dor inimaginável e numa humilhação por caminhos de fraudes, de ciladas, de espreitas, de adultérios. Ou pode transformar-se numa certa frieza positiva, que calcula por fim o que custa e o que nos traz; que percebe o desequilíbrio do pacto que firmamos.
Um grande homeboy disse que eu me tornei cético no amor cedo demais. Prefiro outro adjetivo, realista. Agora, acredito também no amor que se compra. De preferência, numa tarde agradável, como diria Gore Vidal. A brisa é uma boa companhia para os prazeres da carne, sempre mais agitados do que os do espírito.
O amor é como esses venenos que não imunizam, antes provocam efeitos acumulativos, e recaem sobre os envenenamentos anteriores, sobre as doses já assimiladas, até causar a morte. A maioria dos amantes não liga a mínima para os efeitos colaterais que toda paixão causa: quer vivê-la e pronto.
A passagem do amor à indiferença é um salto difícil: quase nunca acontece. Fica a mágoa ou a afeição indulgente e moderada. Há rejeitado que nunca esquece o amor que se foi. É um tipo obtuso. Geralmente, recorre ao orgulho ferido para disfarçar a sua incapacidade de autocrítica. O inferno não é o outro.

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