terça-feira, 4 de novembro de 2008

Legal-mente Loira

"On this perfect day,
Nothing's standing in my way
On this perfect day,
When nothing can go wrong"

Poucas pessoas que conheço são tão espontâneas quanto Fernanda. Tão espontânea que, por vezes, espanta. Com cinco minutos de conversa, ela te conta a vida inteira, como se fosse amiga(o) de infância. A mãe dela, "PhD" em auto-marketing, fica p. da vida com essa característica da filha [é curioso como as características pulam uma geração!hihi]. Mas ela é assim, mesmo. Sempre foi. Não vou dizer que se trata de uma santinha; eu diria, até, que é meio wild. Mas definitivamente não tem lá muita malícia, não. [risos] Sofre do Complexo de Chapeuzinho Vermelho. Mas como a nossa maior limitação muitas vezes é também o que a gente tem de melhor, que seja assim sempre, pois se um dia "matar" esse seu traço, vai pôr abaixo justo o eixo da sua personalidade.
Fernandinha não é só "gente inocente", mas principalmente "gente que faz". [risos] Pacas, eu diria! Tem mais histórias incríveis, se duvidar, que o próprio Forrest Gump! [risos] Eu dou risada com as estripulias dessa pessoa!... Ela possui um jeitão bem garota do interioorrrr, fala com uma voz fininha de criança, é assustadoramente entusiasmada [quando ela se empenha numa meta, saia de baixo!... É pior do que burro indo atrás da cenoura!], e isso, juntamente com essa cara de Moranguinho e as longas madeixas louras, abre portas e desfaz caras amarradas! Ô!... rsss

Eu falei que o nosso pior é às vezes o que nos põe pra frente, né? "Entãããão...". Fernanda sempre gostou dos aplausos - nem que seja do aplauso pelo aplauso. "Não sou proveito, sou pura famaaaa". Caê escreveu essa letra pensando em Fernandinha e em Alosa!hahaha
Acho que tudo teve início com as aulas de piano, aos sete anos. Mesmo tímida pra caramba, não se fazia de rogada quando a mãe pedia que tocasse para as visitas. Do piano, foi para o coral da igreja, onde cantou por anos [Nanda é católica fervorosa, desde criancinha. Acho isso bonito]. A partir daí, boa parte da sua timidez foi para o espaço e ela começou a se jogar em tudo quanto era atividade da escola: time de basquete, grupo de dança country [ela é goiana, né], peças de teatro, etc. Aos 14 anos, venceu uma disputada seleção para um curso de leitura teatral com dona Fernanda Montenegro, em Goiânia. Levou até um pito da primeira dama da dramaturgia por conta da sua dispersão, mas é que a xará famosa não sacou que a menina estava ali mais por conta do mito que do teatro.
Aos 15 anos, ganhou a tradicional viagem para a Disney. Por ela, teria ido para outro ponto dos EUA: Tulsa, Oklahoma, terra natal dos Hanson, seus ídolos da adolescência. Mas o grupo de debutantes, sem Fernanda, certamente não teria sido o mesmo. O que posso garantir, pelo menos, é que o vocalista do grupo "Só no sapatinho" teria tido férias mais sossegadas sem Fernanda em Miami! [risos] No auge do sucesso com o tema da personagem Sandrinha [Adriana Esteves], Bruno Coimbra teve o azar de ser visto por Fernanda no Wet´n´Wild. Com o berro que ela deu ao avistá-lo, o parque inteiro ficou sabendo que o rapaz também estava ali. hahaha
Depois da Disney e dos Hanson, o Brasil começou a ficar pequeno pra loira [que, até então, tinha cabelos castanho-claros]. Na época do vestibular, passou quatro meses no Rio de Janeiro, num albergue em Copacabana. Àquela altura, a até então cdf da turma já havia descoberto que esse era um crime que não compensava. Trocou, sem dó, as apostilas pelas aventuras no Rio. Não passou no vestiba, mas, definitivamente, mudou de vida - e de cor de cabelo. Melhor dizendo, mudou radicalmente de aparência [eis alguém cujas escolhas me intrigam...].
Com a turma de gringos e gringas, revirou a Cidade Maravilhosa. Por fim, chegou até a ir numa favela famosa [minha mãe, que é madrinha dela, passou mal quando soube disso. E ela?! Nem aí... "Uaaai, mas todo mundo vai. É sussa, tia"].
Com as amizades que fez, ganhou hospedagem em vários pontos do planeta. Um dos preferidos dela é o Canadá.
Por falar na terra de Alanis Morrisette, eis uma pessoa que realmente tem um anjo da guarda que faz hora-extra: Fernanda! Na primeira vez que foi pra lá, no dia de voltar ao Brasil, houve um baita black-out em Toronto. A cidade inteira ficou no escuro e, como ela não contava com um imprevisto desses, havia torrado quase todo o dinheiro. Caixa eletrônico, àquela altura, não era uma opção.
Filha única, quase matou a mãe de preocupação quando ligou para explicar o acontecido. A avó só não foi para o além porque não era hora. E ela?! Saiu pra dar uma voltinha com um grupo de amigos. Matou a fome com umas frutinhas que saiu catando, com eles, pelas árvores da cidade, comprou cachorro-quente e ainda descolou um hotel chiquérrimo por uma bagatela, pra passar a noite. Poderia ter acontecido de tudo, mas não houve nada. Voltou pra casa horas e horas depois, sã, salva e totalmente "sussa". hehe
Depois de rodar um bocadinho pelo exterior e de ter se aventurado em mais meia dúzia de projetos em prol da fama em Goiânia [adentrando-se, até, no Miss Goiás, onde perdeu, em uma das etapas, para uma típica cabocla da terra - ela ficou por meses esculhambando a menina, daquele jeito implicante que só ela tem, mas até que tinha razão, porque a criatura era altamente "meeira". Levou a melhor, obviamente, porque goiano tem um fraco por mulher de perna grossa... "Num credito que perdi pra aquela baranga", rosnava], resolveu ir pra Sampa, a pretexto de cursar uma faculdade de Direito.

No intervalo da mudança, ela veio, pela primeira vez, passar o Carnaval em Salvador. Fiquei encumbida de levá-la, junto com uma amiga dela que é quase minha prima também, para um domingo no Campo Grande. Pra quê?!... Primeiro, que ela ficou entretida com um grupo inglês que estava no mesmo ônibus que a gente. Não deu sossego aos gringos e eu, que sou cordial porém nada sociável, já estava pra lá de sem graça com tamanho desembaraço. Segundo, que elas foram com uma roupa de malhação que era um convite para vocês-sabem-o-quê [eu expliquei, conversei, mas elas, teimosas, quiseram ir, né!... Acharam que eu estava exagerando... Gente, não é só o clima que muda de lugar pra lugar, não. A cabeça das pessoas, o tratamento homem-mulher também! Por que ninguém nunca me leva a sério?!...]. Dito e feito!...
Isso foi no ano em que Ivete inaugurou o "bendito" camarote da Casa de Itália. A cantora simplesmente entrou pelo intervalo que há entre um bloco e outro, e eu, por minha vez, nem considerei essa hipótese; pra mim, haveria, ainda, um intervalo. Conclusão: o Chiclete veio na cola e ficamos no meio do arrastão. Ela não quis deixar o dinheiro dela comigo. Foi assaltada e voltou murcha e às minhas custas [risos]. Não sei o que exatamente aconteceu com ela, mas creio que foi algo inenarrável. Ela não se fez de rogada: passado o susto, se dirigiu a dois policiais e esculhambou a falta de cavalheirismo dos baianos; jogou na cara que, em Goiás, os homens protegem as mulheres. Quando ouviram o sotaque, os dois caíram na gargalhada... Naquele dia, passei por um dos sufocos mais sem noção de toda a minha vida. A amiga de Fernanda desmaiou, ali na Carlos Gomes, e um maluco a recolheu do chão e saiu correndo com ela nos braços. A gente demorou uns 30 segundos para acreditar que aquilo REALMENTE estava acontecendo, e depois saímos, que nem duas loucas, correndo atrás do cara, gritando: "Ei, devolve ela! Cê pirou, foi?! Ei, pára de correr!...".
Esses caipiras, quando vêm pra cidade litorânea, são um problema!... risos

A universidade em Sampa é americana, e soube que lá havia uma bateria. Cantei a pedra de que Fernanda iria dar um jeito de estar no meio da bagunça, logo, logo. Bingo! - sou esperta pra cachorro!rsss... Ela começou também a, como dizem, modelar. Outro dia - tava até comentando com Ô Ingrid -, lembrei que ela já trabalhou nos bastidores de um GP do Brasil. Mas ao contrário da Galisteu, não deu a sorte de trombar com um Ayrton Senna da vida. :P
Não sei como, virou figurinha fácil na MTV. Sei que é amiga daquele VJ André [descobri do pior jeito: falando mal da criatura! :S]. Aliás, ela mesma já tentou ser VJ. Lembram daquele concurso do qual saíram Léo Madeira e Rafael?! Pois é, ela foi concorrer na etapa de Minas e "bateu na trave". Mas tenho certeza que ela já ficou feliz só de ter estado em meio àquela bagunça toda do concurso.
Já a vi em um monte de coisas da MTV. E ela não avisa, não: eu é que topo com ela por aí, na programação, e tomo susto! kkk... A mais engraçada foi a participação no "MTV Rock Gol". Ela foi representando a torcida do Atlético [a família paterna é mineira]. Na cara-de-pau total, que ela não sabia patavina do time; só deu fora! "Ótimo" foi no final. Aquele apresentador mais magrinho, sabendo que ela era goleira do time da Playboy [ainda teve essa...], perguntou se ela estava preparada para "agarrar todas as bolas". Fernandinha não entendeu o trocadilho, e soltou a seguinte pérola: "Uaaaiii, claro que tô! Vou agarrar tudinho!". Alt!... Meu pai, que é debochado, caiu na risada. Meu primo estava passando uns dias aqui. Eu olhei pra cara dele, ele olhou pra minha... Fala sério, Nan!... rsss
A ingenuidade dela tem lá, também, as suas vantagens e já até ajudou - creeiaam! - a gerar empregos na capital paulista. [risos] A mãe dela é executiva do ramo de call centers. Uma vez, foi negociar com uns americanos, em São Paulo, e Fernanda ficou esperando a reunião acabar, na sala de espera, para falar com a mãe. Não muito convencidos da viabilidade de instalar um call em Sampa, pediram a ela que chamasse a filha. Sabe como é, aquela coisa bem gringa, do tipo "Let´s hear the child". Ela foi sabatinada, sem desconfiar de nada [e a mãe rezando para ela falar bem da cidade]. Elogiou São Paulo e, no fim, sem mais dúvidas, os gringos se convenceram de que poderiam se instalar na cidade. ;)

Na verdade, Nanda quis defender a imagem do Brasil, porque ela não gosta muito de São Paulo, não. Sim, ela ama os amigos que fez por lá, adora a liberdade que a maior cidade da América Latina proporciona [você pode fazer o que quiser no completo anonimato] e gosta das oportunidades que tem tido, mas não se adaptou ao estilo paulistano. Pelas coisas que ela solta, quando nos falamos, é uma cidade muito impessoal. Só por isso, já sei que não é para mim. Também sentiria muita falta do mar [quando estive em Brasília, pude perceber como o sol e o mar fazem a diferença], por mais sem noção que isso possa soar.
Toda vez que falo com Fernanda, ela manifesta o desejo de voltar para Goiânia, mas sinto que o mal é que Gyn ficou pequena demais pra ela. Eu compreendo bem esse tipo de dilema... É uma sensação ruim, viu...
A temporada em BSB, há três anos, me abriu os olhos para meia dúzia de coisas, entre elas, para a roubada que é esse nosso deslumbramento com o "Sul Maravilha". Não digo que viver naquela região não tem lá as suas vantagens. O problema é que há algumas pré-condições envolvidas, das quais muita gente não se dá conta quando resolve "descer o morro". Eu só o faria se sentisse que as preencho. Acho que só é uma opção legal para quem as preenche [conheço casos de pessoas que já não trocam a cidade da garoa por nada nesse mundo; cada caso,um caso, como diz o senso comum]. É como venho dizendo há muito tempo: não basta querer; tem que ter estratégia... Ou se conformar em esperar a boa vontade do acaso. Ou melhor: talvez o negócio seja esperar sem esperar - morou, manô?
Sei lá, cada vez mais estou menos disposta a sacrificar a minha saúde - ou qualquer coisa da mesma importância - em prol dos signos do sucesso. Não querer nada, a essa altura do campeonato, até que vem sendo um facilitador dessa minha nova filosofia. É, acho que tô certa; até o dicionário põe a saúde antes do sucesso, também. [risos]
O importante, a meu ver, é se sentir bem! :)

Sabe, tem gente que não cresce nunca - no bom sentido. Se ferra, apanha, mas não deixa de ver o mundo cor-de-rosa, não perde a ternura. Eu até às vezes me reto com essas pessoas pela falta de cuidado, mas no fundo as admiro à beça. Bom coração não se vende a baciadas, na esquina. Ou você tem ou você não tem.
Ohhh!... Saudade grande dessa pessoa sem um pingo de juízo na cachola! :)

Nenhum comentário:

Postar um comentário