Eu juro que não é arrogância ou simples impulsividade. De vez em quando, eu pondero e me pergunto se eu não estou exigindo demais, sendo dura, esperando por coisas irreais, mas sempre que estou à beira da compaixão, aparece alguma história de egoísmo e crueldade pra me fazer perder de novo a fé no ser humano e querer explodir todos os idiotas em uma ilha só.
É gente sacaneando quem sempre estendeu a mão.
É gente sendo escrota de 1001 maneiras. Acabei de descobrir que havia uma página no Facebook chamada "Gostosas que amamentam". O que esperar? Como não perder a paciência com a humanidade?
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Letargia
Um dia, uma amiga minha foi questionada sobre como se deixou permanecer em determinada situação por tanto tempo. Ela disse que estava ocupada tentando sobreviver, o que já é muita coisa de fato, ainda mais em tempos de falta de solidariedade e neoliberalismo.
A questão é que conseguir sair de situações adversas é possível, mas exige um nível de energia e persistência sobre-humanos. Quem sustenta essa atitude durante anos a fio, sem nada acontecer, sem resultado? É psicologicamente insustentável. Hollywood faz filmes sobre gente que excepcionalmente consegue justamente porque elas são poucas.
Eu entendo a letargia, só não entendo que isso dure uma vida inteira.
A questão é que conseguir sair de situações adversas é possível, mas exige um nível de energia e persistência sobre-humanos. Quem sustenta essa atitude durante anos a fio, sem nada acontecer, sem resultado? É psicologicamente insustentável. Hollywood faz filmes sobre gente que excepcionalmente consegue justamente porque elas são poucas.
Eu entendo a letargia, só não entendo que isso dure uma vida inteira.
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Juízo (final)
Olha, se eu fosse falar sinceramente, 90% dos homens que eu conheço não me inspiram como parceiros em relacionamentos (ainda bem que cada um tem seu padrão e há sempre preferência pra tudo nessa vida); alguns eu já vi agindo com as namoradas/esposas e me deram certeza mesmo.
De tanto relacionamento ruim, cheguei à conclusão que um bom par é loteria e acho mesmo que minhas chances nela são mínimas, até porque não sou das mais empenhadas. O amor é para os otimistas, coisa que cada vez sou menos.
Mas às vezes boto malícia em relação a mim mesma e fico me perguntando se, sendo a vida traiçoeira como ela é, não corro o risco de um dia me envolver com um "the best of" tudo que mais detesto em um homem. Sendo humana e estando viva, claro que sim. Sinceramente, quando mais jovem, tive mais medo disso, mas hoje sabe que nem tanto? Quer dizer, contanto que seja por desejo, porque por carência é triste demais.
De tanto relacionamento ruim, cheguei à conclusão que um bom par é loteria e acho mesmo que minhas chances nela são mínimas, até porque não sou das mais empenhadas. O amor é para os otimistas, coisa que cada vez sou menos.
Mas às vezes boto malícia em relação a mim mesma e fico me perguntando se, sendo a vida traiçoeira como ela é, não corro o risco de um dia me envolver com um "the best of" tudo que mais detesto em um homem. Sendo humana e estando viva, claro que sim. Sinceramente, quando mais jovem, tive mais medo disso, mas hoje sabe que nem tanto? Quer dizer, contanto que seja por desejo, porque por carência é triste demais.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Eu não disse?
Um amigo, puto com uma colega do jornal, finalmente descobriu que, na prática, a teoria é outra dentro das relações travadas naquela redação. Eu sempre disse isso. Na mesa de bar, é todo mundo ótimo e sensível, mas, no frigir dos ovos, cada um só quer ver o seu lado. Sem remorso, sem nem ao menos considerar o lado do outro, nem que seja pra constar. É nesse tipo de comportamento que reside a dificuldade em lidar com o ser humano hoje em dia.
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
24 horas
Ouvi falar muito mal de Andrea Dworkin, radfem americana, cuja máxima mais famosa é: "Mulheres, endureçam seus corações e aprendam a matar". Mas, lendo algumas frases dela, gostei de muitas, confesso. Encontrei até um discurso muito bom.
Lógico que ninguém gosta da ideia de uma Ramba, alguém que sai com uma bazuca exterminando qualquer potencial inimigo. Mas acho importante que as mulheres se defendam, que percam o medo de revide. E isso começa com as próprias mulheres. Experimente você, mulher, dizer a outra que está com raiva de algo. Vão dizer que isso é feio, que você tem que compreender, perdoar e etc. Ninguém acolhe a dor e a raiva feminina. Mas todo mundo passa do ponto de compreender esses sentimentos nos homens, mais até do que deveria.
Lógico que ninguém gosta da ideia de uma Ramba, alguém que sai com uma bazuca exterminando qualquer potencial inimigo. Mas acho importante que as mulheres se defendam, que percam o medo de revide. E isso começa com as próprias mulheres. Experimente você, mulher, dizer a outra que está com raiva de algo. Vão dizer que isso é feio, que você tem que compreender, perdoar e etc. Ninguém acolhe a dor e a raiva feminina. Mas todo mundo passa do ponto de compreender esses sentimentos nos homens, mais até do que deveria.
sábado, 16 de dezembro de 2017
Entendendo Paglia
Estou cursando uma disciplina do Neim sobre Gênero e Sexualidade que está sendo muito boa.
Como tem muito texto de antropologia, várias certezas vão sendo dissolvidas através de informações históricas, inclusive provenientes de diversas culturas. Uma das coisas tristes de ver é o papel disciplinador, culpabilizador da medicina, da biologia.
Sim, amigos, não há essencialismos, não há culpas. Mas a medicina tenta fazer parecer que sim.
Enfim, consegui compreender meu incômodo com Camille Paglia: ela considera pontos do feminismo que, por conveniência, ninguém quer tocar, mas esbarra num erro de achar que homens e mulheres (e as demais "gavetas" da sexualidade derivadas dos dois sexos) têm uma essência e que as diferenças são explicadas pela biologia, pelos hormônios.
Basicamente Camille diz que as mulheres estão atrapalhando as relações com os homens, pois mulher é assim e homem é assado. Genteeee... Por que eu demorei de entender isso? Vergonha de mim.
Basicamente Camille diz que as mulheres estão atrapalhando as relações com os homens, pois mulher é assim e homem é assado. Genteeee... Por que eu demorei de entender isso? Vergonha de mim.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
Vingança pedagógica
Conversando com um amigo com quem ando conversando muito, ele falou que o namorado, escorpiano (risos), acha que a vingança é pedagógica. Na verdade, ele falou "vingança", mas não é disso que se trata. Ele quis dizer "lei do retorno", o famoso "sentir na própria carne".
Eu também super defendo essa tese de que o ser humano só aprende quando ele mesmo experimenta na pele. Tanto que, hoje em dia, eu não acredito que alguém vai me entender a não ser que passe por situação semelhante. Poderia acontecer sem isso, mas quem se dá o trabalho? Então muitas vezes é se fudendo que a pessoa vai lembrar de você, daquilo pelo qual você chorou, mas na época a pessoa achou (escondido, porque é feio dizer) que era manha de gente fraca, abestalhada. Toma, distraído!rs... Eu sou danada pra estar nesse tipo de situação. Eu falo, ninguém me entende, o povo me ignora, eu me sinto injustiçada. Mais pra frente, a pessoa passa igual. Alguns pedem desculpas pela falta de empatia no passado, outros ficam sem graça, mas calados. Mas a gente vê na cara que a pessoa se lembrou do que houve com a gente. Eu não tenho prazer em ver ninguém sofrendo, embora lave a minha alma provar que eu tinha razão (injustiça não é algo fácil de lidar). Na verdade, quando vejo alguém no sufoco, apenas torço pra que o azar seja ao menos pedagógico, para que a pessoa aprenda um pouco. É o mínimo, já que sofrer é invariavelmente uma merda.
Eu também super defendo essa tese de que o ser humano só aprende quando ele mesmo experimenta na pele. Tanto que, hoje em dia, eu não acredito que alguém vai me entender a não ser que passe por situação semelhante. Poderia acontecer sem isso, mas quem se dá o trabalho? Então muitas vezes é se fudendo que a pessoa vai lembrar de você, daquilo pelo qual você chorou, mas na época a pessoa achou (escondido, porque é feio dizer) que era manha de gente fraca, abestalhada. Toma, distraído!rs... Eu sou danada pra estar nesse tipo de situação. Eu falo, ninguém me entende, o povo me ignora, eu me sinto injustiçada. Mais pra frente, a pessoa passa igual. Alguns pedem desculpas pela falta de empatia no passado, outros ficam sem graça, mas calados. Mas a gente vê na cara que a pessoa se lembrou do que houve com a gente. Eu não tenho prazer em ver ninguém sofrendo, embora lave a minha alma provar que eu tinha razão (injustiça não é algo fácil de lidar). Na verdade, quando vejo alguém no sufoco, apenas torço pra que o azar seja ao menos pedagógico, para que a pessoa aprenda um pouco. É o mínimo, já que sofrer é invariavelmente uma merda.
À beira do caminho
Hoje uma amiga da pós fez um texto bem autobiográfico falando da dor. Fiquei tocada, pois me pareceu um desabafo mesmo, um ato de vomitar uma emoção forte.
Concordo com ela que essa parece ser uma característica da vida; ao que tudo indica, vira e mexe vamos sentir dor. Nem todos vão conhecer o amor, mas a dor... Ô!... Em uma determinada hora a gente percebe que não é culpa de ninguém e que não há o que possa ser feito para exterminar - às vezes só para atenuar e olhe lá. Acho que a grande contribuição que a gente pode fazer para amenizar a dor do outro é não chutar cachorro morto, é não piorar mais. Por isso eu até concordo que se há alguém que pode fazer algo, é o dono da dor, mas às vezes é só Deus mesmo na causa. Nem todos são sortudos ou fortes ou espertos. É cruel culpar a pessoa pela própria dor. A gente erra por ignorância, não por vontade. De dor, ninguém gosta, mas alguns não conhecem outra coisa na vida.
Sei lá, me soa a uma economia neoliberalista da vida, é a mesma lógica de que todos precisamos criar nossos próprios empregos e sermos empreendedores só que aplicada à subjetividade. Empreender pode ser uma saída em situações de emergência, mas não é futuro de nenhuma coletividade, pelo contrário. Todos temos essa aptidão? Vá ver o ranking dos países mais empreendedores. Só tem países subdesenvolvidos. O que chamam de empreendedorismo é o antigo "vire-se". A esmagadora maioria dos empreendedores vão ter a subsistência, quase ninguém realmente criará um negócio. Do mesmo jeito nas coisas sentimentais: nascemos em circunstâncias que não escolhemos, enfrentamos circunstâncias que não controlamos e temos que ser responsáveis absolutos pelo que nos acontece, sendo que as nossas opções não são irrestritas assim: eu escolho entre as opções que me são apresentadas e não necessariamente há alguma boa; às vezes é o caso de escolher entre o menos pior.
Então, acho cruel esse negócio de apontar o dedo pra pessoa, como se circunstância e sorte não fizessem parte da equação. Recebemos as coisas da vida na caixa dos peitos e fazemos o melhor que podemos - alguns com mais ou menos boa vontade, com mais ou menos sabedoria -, quase sempre com pouca ajuda, já que tá todo mundo tentando resolver as próprias questões. Somos os únicos "obreiros" dessa empreitada, mas discordo completamente que somos os únicos responsáveis.
Concordo com ela que essa parece ser uma característica da vida; ao que tudo indica, vira e mexe vamos sentir dor. Nem todos vão conhecer o amor, mas a dor... Ô!... Em uma determinada hora a gente percebe que não é culpa de ninguém e que não há o que possa ser feito para exterminar - às vezes só para atenuar e olhe lá. Acho que a grande contribuição que a gente pode fazer para amenizar a dor do outro é não chutar cachorro morto, é não piorar mais. Por isso eu até concordo que se há alguém que pode fazer algo, é o dono da dor, mas às vezes é só Deus mesmo na causa. Nem todos são sortudos ou fortes ou espertos. É cruel culpar a pessoa pela própria dor. A gente erra por ignorância, não por vontade. De dor, ninguém gosta, mas alguns não conhecem outra coisa na vida.
Sei lá, me soa a uma economia neoliberalista da vida, é a mesma lógica de que todos precisamos criar nossos próprios empregos e sermos empreendedores só que aplicada à subjetividade. Empreender pode ser uma saída em situações de emergência, mas não é futuro de nenhuma coletividade, pelo contrário. Todos temos essa aptidão? Vá ver o ranking dos países mais empreendedores. Só tem países subdesenvolvidos. O que chamam de empreendedorismo é o antigo "vire-se". A esmagadora maioria dos empreendedores vão ter a subsistência, quase ninguém realmente criará um negócio. Do mesmo jeito nas coisas sentimentais: nascemos em circunstâncias que não escolhemos, enfrentamos circunstâncias que não controlamos e temos que ser responsáveis absolutos pelo que nos acontece, sendo que as nossas opções não são irrestritas assim: eu escolho entre as opções que me são apresentadas e não necessariamente há alguma boa; às vezes é o caso de escolher entre o menos pior.
Então, acho cruel esse negócio de apontar o dedo pra pessoa, como se circunstância e sorte não fizessem parte da equação. Recebemos as coisas da vida na caixa dos peitos e fazemos o melhor que podemos - alguns com mais ou menos boa vontade, com mais ou menos sabedoria -, quase sempre com pouca ajuda, já que tá todo mundo tentando resolver as próprias questões. Somos os únicos "obreiros" dessa empreitada, mas discordo completamente que somos os únicos responsáveis.
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Luzinha
Três anos de Luluzinha.
Dos meus sobrinhos, ela é a mais carismática, mas, ao mesmo tempo, a mais difícil de lidar. Bia e Felipe são quase unanimidade, não há o que reclamar.
Sempre ouvi dizer que quem ama não se importa com os defeitos. Quando Luísa nasceu, eu finalmente vivi isso. Ia até colocar isso numa legenda do Instagram, mas achei pessoal demais. (É isso, não dá pra acreditar muito em grandes declarações online, porque o que realmente importa não é fácil de ser dito, a não ser numa situação de êxtase/novidade, da qual futuramente a pessoa iria se arrepender ou no mínimo ponderar)
Uma vidente, uma vez, me disse que minha irmã não deveria ter o segundo filho, ou seja, Luísa. Ela veio. Não sei o que vai ser dela, mas acho difícil a gente lamentar. Criança não resolve a vida - pelo contrário, complica -, criança não te dá nada - ao contrário, demanda muito -, mas é uma presença poderosa. Eu não sei como seria sem Beatriz, Felipe e Luísa. Na verdade, o ganho pode ser abstrato, mas muito valioso, em forma de carinho, esperança e renovação. Acreditar que eles podem ser melhores já melhora a expectativa do futuro. E eu espero não estar errada. 😍🙏
Teses
Há coisas que deveriam pular fora de qualquer discussão. Um exemplo? A contestação chavão: "Ah, isso é uma generalização, comigo não é assim" (Zzzzzz...). Fica difícil pensar a sociedade sem considerar tendências gerais, apenas porque um grupo é assim ou assado. Não é porque acontece mais que vai ser a regra para todo mundo. Nada serve para todos. Pra mim, ressaltar isso é até dispensável de tão óbvio. Vou cortar na minha própria carne, pra dar um exemplo: as mulheres ainda ligam muito pra ter filhos e um casamento. Não é a minha preocupação número 1, embora eu realmente perceba essa tendência nas mulheres do meu entorno e na internet. Eu sou mulher e não tô contemplada por essa afirmação. Por isso, a tese está automaticamente errada? Eu posso partir da minha excepcionalidade para dizer, necessariamente, que a tese está errada? Aliás, há uma diferença entre ter um lugar de fala e se pensar como o sujeito universal. Uma mulher negra tem um lugar de fala, que pode não ser o majoritário, mas seu relato é mesmo assim real, é o que ela vive e percebe. Uma mulher branca contestando essa fala a partir da experiência dela é querer se pensar como o sujeito universal. Isso é, com ou sem ciência disso, desonesto.
E é isso: a gente avalia de acordo com um ponto de vista, de um lugar na sociedade e da nossa amostragem da realidade. Nenhum de nós, nem os mais preparados e especialistas, vai dar conta de toda a experiência humana. Outro exemplo: um amigo muito inteligente basicamente defendeu a tese de que crises existenciais se resolvem com bons e sensatos amigos, que não há necessidade de terapia. Ele resolve assim, graças a Deus, mas um monte de gente precisa e melhora a partir de terapia. Há controvérsias sobre a eficácia da psicanálise, por exemplo, e com fé, até pílula de açúcar cura. Esse é o tipo de discussão que, por mais que eu tenha uma opinião, de fato, ninguém ganha. Mas eu, pela amostragem que tenho e própria experiência, acho que terapia, se não resolve, traz mais avanços na autoconsciência do que um papo com amigos. Tem que ter a sorte de ter alguém bem atento a você, sagaz, com repertório compatível com a questão e que seja honesto na opinião. Eu acho que o terapeuta preenche mais esses requisitos que um amigo, mas eu não vou invalidar a tese dele só por isso, porque não é desprovida de sentido, mesmo pra mim, que tenho opinião contrária. Vejo uma argumentação boa. Vai que ele encontrou mesmo essas amizades iluminadas ou ele é melhor de captar conselhos do que eu? Mas as pessoas não debatem, elas não olham pra ideia, mas pra o que aquilo tem a ver com elas, confirmando-as ou negando-as. Somos muito autocentrados. Fato. Meta para 2018: parar imediatamente a conversa quando eu perceber que a pessoa não tá pescando meu ponto de vista e não tentar argumentar e me fazer clara. Eu saio de chata e a criatura vai continuar vendo apenas o que convém ou consegue ver. Improdutivo demais.
Enfim, ou eu sou uma idiota, sem noção, que tá pagando mico, ou tem uma galera que não consegue/quer ver além das aparências ou não está prestando atenção. Eu acho que em algum grau acontece a primeira, mas sinto que é muito maior o peso da segunda hipótese. Desde cedo eu convivi com um nível de sinceridade que as pessoas não estão acostumadas. Hoje eu percebo. E sinto que existem questões sobre as quais as pessoas nem ousam pensar sobre com sinceridade. Cada um tem um limiar de verdade. Quem sou eu pra dizer qual é o de quem? Nem eu conheço o meu. O que será que eu ainda não vejo, mesmo com uma sensibilidade mais alta que a média? Mas assim como a diferença entre "bons" e "maus" é quem tá a fim de ser melhor e quem tá se lixando, essa é a mesma diferença entre quem se acomoda e quem quer saber mais de verdade, por mais que seja desconfortável.
Como eu prezo pensar com a minha própria cabeça, como eu fico pra lá e pra cá pesando minhas percepções, tentando ser objetiva na medida do humanamente possível e da minha compreensão, até que realmente algo que pareça um bom argumento apareça, eu fico com a minha opinião. Já mudei de opinião várias vezes. Acontece. Mas isso não vai acontecer através de uma ressalva rasa do tipo "Ah, não é assim com todo mundo". Grow up e mostre serviço, né, baby.
Uma delas é que eu não me esforço mais pelo afeto de ninguém, e tudo bem. O que tiver que ser, será espontâneo. Não me esforçar não significa ser negligente, mas não forçar o que tá difícil. Tem que ser recíproco e fluir, sem sofrimento. Hoje, um colega com quem simpatizo muito não me chamou pra uma reunião na casa dele. Eu já convidei ele pra uma reunião comigo e outro amigo, mas ele não se mostrou muito animado. Ele é gentil, mas eu acabei aprendendo um dia desses que gentileza não é amizade. Gentileza é mais pra si que conexão com os outros. Até segunda ordem, eu só espero e opero na gentileza. E todo mundo se adora e a história termina bem. Essa é uma tese minha que eu defendo de todo coração. Sabedoria de vida, nem venha! #pas
E é isso: a gente avalia de acordo com um ponto de vista, de um lugar na sociedade e da nossa amostragem da realidade. Nenhum de nós, nem os mais preparados e especialistas, vai dar conta de toda a experiência humana. Outro exemplo: um amigo muito inteligente basicamente defendeu a tese de que crises existenciais se resolvem com bons e sensatos amigos, que não há necessidade de terapia. Ele resolve assim, graças a Deus, mas um monte de gente precisa e melhora a partir de terapia. Há controvérsias sobre a eficácia da psicanálise, por exemplo, e com fé, até pílula de açúcar cura. Esse é o tipo de discussão que, por mais que eu tenha uma opinião, de fato, ninguém ganha. Mas eu, pela amostragem que tenho e própria experiência, acho que terapia, se não resolve, traz mais avanços na autoconsciência do que um papo com amigos. Tem que ter a sorte de ter alguém bem atento a você, sagaz, com repertório compatível com a questão e que seja honesto na opinião. Eu acho que o terapeuta preenche mais esses requisitos que um amigo, mas eu não vou invalidar a tese dele só por isso, porque não é desprovida de sentido, mesmo pra mim, que tenho opinião contrária. Vejo uma argumentação boa. Vai que ele encontrou mesmo essas amizades iluminadas ou ele é melhor de captar conselhos do que eu? Mas as pessoas não debatem, elas não olham pra ideia, mas pra o que aquilo tem a ver com elas, confirmando-as ou negando-as. Somos muito autocentrados. Fato. Meta para 2018: parar imediatamente a conversa quando eu perceber que a pessoa não tá pescando meu ponto de vista e não tentar argumentar e me fazer clara. Eu saio de chata e a criatura vai continuar vendo apenas o que convém ou consegue ver. Improdutivo demais.
Enfim, ou eu sou uma idiota, sem noção, que tá pagando mico, ou tem uma galera que não consegue/quer ver além das aparências ou não está prestando atenção. Eu acho que em algum grau acontece a primeira, mas sinto que é muito maior o peso da segunda hipótese. Desde cedo eu convivi com um nível de sinceridade que as pessoas não estão acostumadas. Hoje eu percebo. E sinto que existem questões sobre as quais as pessoas nem ousam pensar sobre com sinceridade. Cada um tem um limiar de verdade. Quem sou eu pra dizer qual é o de quem? Nem eu conheço o meu. O que será que eu ainda não vejo, mesmo com uma sensibilidade mais alta que a média? Mas assim como a diferença entre "bons" e "maus" é quem tá a fim de ser melhor e quem tá se lixando, essa é a mesma diferença entre quem se acomoda e quem quer saber mais de verdade, por mais que seja desconfortável.
Como eu prezo pensar com a minha própria cabeça, como eu fico pra lá e pra cá pesando minhas percepções, tentando ser objetiva na medida do humanamente possível e da minha compreensão, até que realmente algo que pareça um bom argumento apareça, eu fico com a minha opinião. Já mudei de opinião várias vezes. Acontece. Mas isso não vai acontecer através de uma ressalva rasa do tipo "Ah, não é assim com todo mundo". Grow up e mostre serviço, né, baby.
Uma delas é que eu não me esforço mais pelo afeto de ninguém, e tudo bem. O que tiver que ser, será espontâneo. Não me esforçar não significa ser negligente, mas não forçar o que tá difícil. Tem que ser recíproco e fluir, sem sofrimento. Hoje, um colega com quem simpatizo muito não me chamou pra uma reunião na casa dele. Eu já convidei ele pra uma reunião comigo e outro amigo, mas ele não se mostrou muito animado. Ele é gentil, mas eu acabei aprendendo um dia desses que gentileza não é amizade. Gentileza é mais pra si que conexão com os outros. Até segunda ordem, eu só espero e opero na gentileza. E todo mundo se adora e a história termina bem. Essa é uma tese minha que eu defendo de todo coração. Sabedoria de vida, nem venha! #pas
sábado, 11 de novembro de 2017
It´s hard
Eu tô desistindo.
Eu acho que duas ou três pessoas com as quais tenho mais contato me tratam como ser humano. E olha que tem é gente me cercando. O restante tá o tempo todo mais preocupado consigo do que conosco. Penso assim: devo ser o meu foco, já que sou a minha única companhia constante e, por isso mesmo, sou meu interesse maior e mesmo quando estou com os outros, só consigo pensar o mundo do meu lugar; mas, quando estou com outra pessoa ou em grupo, o interesse no que eu preciso, penso e quero tem que ser diluído entre os sentimentos e necessidades das minhas companhias. É assim que se troca, que todo mundo ganha um pouco e ninguém sai lesado da convivência.
Tenho claramente a visão de que não estou sendo vista, considerada e escutada pelas pessoas em meus relacionamentos.
E depois as pessoas reclamam da falta de amor, que só arranjam porcaria, etc. Mas como é que vai rolar coisa boa entre gente egoísta ou sem autoestima (em ambos os casos, o principal interesse é sugar dos outros, o que muda é se de forma ativa ou passiva)? Não rola, né?
Eu tô desistindo. É muito cansativo e pouco recompensador.
Eu acho que duas ou três pessoas com as quais tenho mais contato me tratam como ser humano. E olha que tem é gente me cercando. O restante tá o tempo todo mais preocupado consigo do que conosco. Penso assim: devo ser o meu foco, já que sou a minha única companhia constante e, por isso mesmo, sou meu interesse maior e mesmo quando estou com os outros, só consigo pensar o mundo do meu lugar; mas, quando estou com outra pessoa ou em grupo, o interesse no que eu preciso, penso e quero tem que ser diluído entre os sentimentos e necessidades das minhas companhias. É assim que se troca, que todo mundo ganha um pouco e ninguém sai lesado da convivência.
Tenho claramente a visão de que não estou sendo vista, considerada e escutada pelas pessoas em meus relacionamentos.
E depois as pessoas reclamam da falta de amor, que só arranjam porcaria, etc. Mas como é que vai rolar coisa boa entre gente egoísta ou sem autoestima (em ambos os casos, o principal interesse é sugar dos outros, o que muda é se de forma ativa ou passiva)? Não rola, né?
Eu tô desistindo. É muito cansativo e pouco recompensador.
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Nova portaria - Largando a síndrome de Mulher Maravilha
Este documento revoga o hábito de anos de se meter na vida dos outros sem ser solicitada, mesmo quando a vaca estiver visivelmente indo para o brejo, mesmo quando a visão da situação for clara. A partir de hoje, só mediante solicitação e análise prévia do caso. Afinal, a vida é só uma e eu tenho a minha para cuidar. E ninguém ajuda alguém que não deseja ser ajudado. Poupemos energia, elétrica e vital.
Salvador, 08 de novembro de 2017.
Salvador, 08 de novembro de 2017.
O homem invisível
Mas o que eu quero?! Só tenho uma noção pelos fragmentos, como nessa história, porque, confesso, nunca parei muito para pensar nisso. Mas deveria. Todos nós deveríamos, nem que fosse para reconhecer padrões negativos.
O que eu não quero (fica mais fácil pra começar):
Fume (inegociável)
Beba (além de socialmente)
"Beato" (e isso inclui só falar de futebol ou política)
Seja "descansado" demais, irresponsável, folgado
Seja estressado demais
Ganhe menos que eu, porque eu não consigo nem quero sustentar dois
Tenha problemas em assumir compromisso (que isso é coisa de gente superficial e eu odeio gente superficial)
Egoísmo
Seja desrespeitoso com as pessoas, especialmente com mulheres
Que não tenha valores sólidos
Que seja inflexível
Hipócrita
Que ache que tá me fazendo de besta, porque eu pesco de longe
Que não goste de ir pra restaurante ou não goste de viajar
Que odeie cachorro
Mesquinho
Sem higiene
Que fale muito ou não fale nada
Que seja ruim de toque, pouco carinhoso
Que seja de Direita e ache que não foi golpe (é sério)
Aceitamos burrinho, contanto que a bondade seja diretamente proporcional
Enfim, tô dispensando pobre de espírito, que todo o resto, estando vivo e disposto, dá-se um jeito
Quero...
Amor verdadeiro, porque é o único bom motivo
Bom caráter, porque eu sou
Atração física, que sou humana, não santa
Carinho, que eu gosto e sei fazer
Parceria, senão é melhor ficar só
Generosidade, que é pra não se ressentir no meio do caminho, porque eu sou generosa
Honestidade, afinal, é preciso confiar
Comunicação, já que "homens são de marte e mulheres, de vênus", é preciso querer se ajustar
Senso de humor, porque eu tenho
Valores parecidos, disso não abro mão
Responsabilidade, porque não sou mãe de ninguém
Sabedoria, pois eu preciso ter o que aprender
Sensibilidade, que ninguém merece "autista"
Atitude, porque, confesso, tenho desprezo por gente fraca
Ganha pontos: ser moreno, ter sorriso e mãos bonitos, cozinhar, ter voz bonita, trocar a resistência do chuveiro, tocar instrumento, fazer massagem, me dar carona, odiar Luciano Huck e Sandy e gostar de eventos culturais
Em suma, minha versão masculina, com a exceção dos opcionais, hehe.
Tudo isso aí é o ideal. Não sei se existe, onde mora e o que come. Mas uma coisa decidi: posso me decepcionar, estar até com um homem longe do ideal, mas ele vai ter que pelo menos me encher os olhos. Chega de dar bola a quem eu "deveria" e ainda quebrar a cara depois. Se é pra ter dor de barriga, que pelo menos a comida seja deliciosa. Mas eu gostaria mesmo é de um manjar dos deuses, de deixar a pança cheia e a alma satisfeita, hehe.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
The space between us
Parece bobagem, mas não é. A gente lida mal quando descobre que gente que a gente ama não compartilha do mesmo sentimento intenso sobre certas coisas. Parece que um cluster se apaga no outro, deixando ele um pouco menos luminoso aos nossos olhos. Com o tempo, a gente trabalha isso internamente, aprende a lidar, mas dá uma pontadinha de tristeza lááá no fundinho do coração.
Sabe o que cura isso? O amor. Só o amor.
Sim, tô ficando piegas e acho que sentir-se amado cura muita coisa, inclusive a distância entre duas pessoas. :)
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Fim de caso
Ontem, umas cinco pessoas do A TARDE foram postas na rua. A cidade, este nosso mercado, anda num desemprego só, então esse tipo de notícia dá um calafrio na espinha.
Isso e outras coisas me dão medo do futuro. Sério. E se a minha relação com a carreira já não andava gatinha, se já era desgastada, diante do que ando vendo este mercado fazer com os meus amigos, tô achando que o amor acabou. A atividade não é instigante mais, as empresas precarizam o trabalho - aliás, não tem trabalho - e até as pessoas do meio perderam a graça. Sabe aquela sensação de que já deu tudo que tinha que dar? Sou eu no Jornalismo.
Peço a Deus - e acho que ele vai me conceder - uma chance de começar de novo. Eu devia ter feito isso há dez anos. Paciência se só resolvi fazer isso agora. Mas vai ser legal. Recomeçar é trabalhoso, mas traz uma nova juventude à vida. Sinceramente, entendo, mas não entendo (risos) quem tem birra com reinícios. Ruim é ficar estagnado numa situação desestimulante.
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Sobre os nodos sul e vidas passadas
Eu gosto de Astrologia. Começou no ano em que fui pra Brasília e me sentia muito sozinha. Entrei numa comunidade do Orkut, encontrei mestre Alexey, e comecei a me interessar. Não acho que um mapa determina a sua vida. Um mapa te ajuda a se conhecer.
Há muita, muita coisa para estudar. Muita mesmo. Um dos elementos são os nodos.
Todo mapa traz um nodo sul (que por signo e casa nos ajuda a ver o que aquele espírito acumulou de experiências em outras vidas) e um nodo norte (aquilo que veio para esta vida desenvolver). Vou usar meu exemplo para explicar.
Eu tenho nodo sul em aquário na casa 8 e nodo norte em leão na casa 2. Claramente, por ter leão (identidade e autoestima) e casa 2 (autovalorização, recursos materiais, valores materiais e morais), que minha lição é de independência. Como leão está envolvido, preciso ter autoestima, independência e desenvolver minha própria identidade. Com um passado aquariano, eu só me sinto forte agindo em grupo, dissolvida no meio da multidão, fazendo algo pelo coletivo (signo de ar é basicamente relacional, intelectual). Como minha casa do passado é a 8, eu vivia dos recursos alheios e devia usar de manipulação sentimental e sexual pra isso, talentos bem da casa 8, que é a de Escorpião. Então um erro clássico meu nesta encarnação é ficar dependendo do valor que os outros me dão pra me sentir bem, depender das parcerias pra viver, não focar no que é importante para mim. Toda vez que isso acontecer, eu vou me dar mal. Mas sempre foi a minha tendência.
Vejo isso em muitas pessoas que já fiz o mapa. É impressionante, mas vida dando errado equivale a repetição dos padrões do nodo sul.
***
É uma pena que boa parte das pessoas não sejam abertas a experimentar coisas novas. Há tantos caminhos que podem ajudar as pessoas a superar dificuldades internas... Mas as pessoas são muito teimosas, exageradamente racionais às vezes e não se permitem. Você sugere uma coisa nova e elas já acham que sabem tudo, que você não tem nada a acrescentar, que é tudo besteira.
É uma pena que o ser humano seja tão medroso e limitado.
Há muita, muita coisa para estudar. Muita mesmo. Um dos elementos são os nodos.
Todo mapa traz um nodo sul (que por signo e casa nos ajuda a ver o que aquele espírito acumulou de experiências em outras vidas) e um nodo norte (aquilo que veio para esta vida desenvolver). Vou usar meu exemplo para explicar.
Eu tenho nodo sul em aquário na casa 8 e nodo norte em leão na casa 2. Claramente, por ter leão (identidade e autoestima) e casa 2 (autovalorização, recursos materiais, valores materiais e morais), que minha lição é de independência. Como leão está envolvido, preciso ter autoestima, independência e desenvolver minha própria identidade. Com um passado aquariano, eu só me sinto forte agindo em grupo, dissolvida no meio da multidão, fazendo algo pelo coletivo (signo de ar é basicamente relacional, intelectual). Como minha casa do passado é a 8, eu vivia dos recursos alheios e devia usar de manipulação sentimental e sexual pra isso, talentos bem da casa 8, que é a de Escorpião. Então um erro clássico meu nesta encarnação é ficar dependendo do valor que os outros me dão pra me sentir bem, depender das parcerias pra viver, não focar no que é importante para mim. Toda vez que isso acontecer, eu vou me dar mal. Mas sempre foi a minha tendência.
Vejo isso em muitas pessoas que já fiz o mapa. É impressionante, mas vida dando errado equivale a repetição dos padrões do nodo sul.
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É uma pena que boa parte das pessoas não sejam abertas a experimentar coisas novas. Há tantos caminhos que podem ajudar as pessoas a superar dificuldades internas... Mas as pessoas são muito teimosas, exageradamente racionais às vezes e não se permitem. Você sugere uma coisa nova e elas já acham que sabem tudo, que você não tem nada a acrescentar, que é tudo besteira.
É uma pena que o ser humano seja tão medroso e limitado.
Ho´oponopono
Jovens, não precisam envelhecer, apenas aprendam a meditar! Sério. Tem mudado a minha vida, e olha que só comecei há 45 dias.
A princípio, vai sentir que o texto é ridículo, uma perda de tempo. Mas vá, mesmo sem acreditar, mesmo sem sentimento. Aos poucos, os resultados vão aparecendo. Façam essa meditação, pra ontem!
A princípio, vai sentir que o texto é ridículo, uma perda de tempo. Mas vá, mesmo sem acreditar, mesmo sem sentimento. Aos poucos, os resultados vão aparecendo. Façam essa meditação, pra ontem!
domingo, 24 de setembro de 2017
A grande tentação de não precisar ser você mesmo
Frequentemente a gente acha que ter beleza, dinheiro e poder são bençãos. Minha amiga Ingrid, católica não tão praticante mas de essência (não tem jeito, hehe), sempre achou que são tentações fortíssimas. Ingrid tem razão.
É uma forte tentação, especialmente porque, superficiais que são, as pessoas julgam os outros pelo ter e não pelo ser. Quem tem o que eu quero - ou melhor, o que aprendi a querer - não pode ser infeliz. Ou pelo menos ninguém vai perceber. E, para quem tem, deve ser uma tentação e tanto deixar o que possui falar por si e poder se dar ao luxo de não crescer enquanto ser humano, de não precisar ser além das coisas que se tem. Porque ser dói e dá um trabalho dos infernos, que, aliás, nunca pára, apenas fica menos pesado, vai ganhando mais sentido.
Sim, pois nem beleza física é algo que realmente se tem, porque muitas vezes ela vai pelo ralo com a idade e a nossa sociedade não valoriza o pós-juventude, a sabedoria.
Desconfio que as tragédias que vemos no meio artístico, de gente sensacional que se suicida, tem a ver com esse abafamento do ser por causa do ter. Você quer ser visto, mas a sua imagem é suplantada pela sua carreira, pelo seu status e ninguém lhe trata como ser humano, mas como um mito, uma marca, duas coisas desprovidas de coração.
Eu já vinha com essa percepção por causa de gente próxima que mudou muito depois de ter melhorado (um pouco, nem foi algo "Uau") de vida. Mas isso ficou mais evidente a partir do caso de Ticiana. Em nome do aplauso alheio e de uma grande vaidade criada a partir desse reforço positivo da alta sociedade, ela se apagou como ser humano (porque alguém com vida interior teria percebido e reagido à situação na qual ela se meteu) e focou no status, nas coisas que o dinheiro e a fama podem proporcionar e que a distinguiam dos meros mortais. Ficou tão cega que nem calculou a aposta e agora quebrou a cara. Se ela tiver sorte, pode rever sua postura na vida e passar a investir em ser em vez de ter, mas daí vai depender do quanto essa preguiça de ser e a vontade de ter está enraizada na alma dela e do quanto ela é capaz de perceber que o que ela tem não é ela.
Muitas vezes a gente é o que ninguém vê, para o bem e para o mal.
Acho que não é coincidência que as pessoas mais fantásticas que conheço foram pessoas que passaram por privações, que, longe de receber reconhecimento, se viram obrigadas a apostar no "ser", a se desenvolver "na cara e na coragem". Raramente vi gente que viveu na bonança e obtendo reforço social positivo procurando se desenvolver como ser humano. É mais fácil acreditar no personagem e se acomodar. A gente tende à inércia; quem gosta de movimento é a alma, não o corpo ao contrário do que dizem. Só uns gatos pingados, sem talento para a autoenganação, que correm do prejuízo. Mas é raro, muito raro e começo a pensar que não é mesmo por acaso.
É uma forte tentação, especialmente porque, superficiais que são, as pessoas julgam os outros pelo ter e não pelo ser. Quem tem o que eu quero - ou melhor, o que aprendi a querer - não pode ser infeliz. Ou pelo menos ninguém vai perceber. E, para quem tem, deve ser uma tentação e tanto deixar o que possui falar por si e poder se dar ao luxo de não crescer enquanto ser humano, de não precisar ser além das coisas que se tem. Porque ser dói e dá um trabalho dos infernos, que, aliás, nunca pára, apenas fica menos pesado, vai ganhando mais sentido.
Sim, pois nem beleza física é algo que realmente se tem, porque muitas vezes ela vai pelo ralo com a idade e a nossa sociedade não valoriza o pós-juventude, a sabedoria.
Desconfio que as tragédias que vemos no meio artístico, de gente sensacional que se suicida, tem a ver com esse abafamento do ser por causa do ter. Você quer ser visto, mas a sua imagem é suplantada pela sua carreira, pelo seu status e ninguém lhe trata como ser humano, mas como um mito, uma marca, duas coisas desprovidas de coração.
Eu já vinha com essa percepção por causa de gente próxima que mudou muito depois de ter melhorado (um pouco, nem foi algo "Uau") de vida. Mas isso ficou mais evidente a partir do caso de Ticiana. Em nome do aplauso alheio e de uma grande vaidade criada a partir desse reforço positivo da alta sociedade, ela se apagou como ser humano (porque alguém com vida interior teria percebido e reagido à situação na qual ela se meteu) e focou no status, nas coisas que o dinheiro e a fama podem proporcionar e que a distinguiam dos meros mortais. Ficou tão cega que nem calculou a aposta e agora quebrou a cara. Se ela tiver sorte, pode rever sua postura na vida e passar a investir em ser em vez de ter, mas daí vai depender do quanto essa preguiça de ser e a vontade de ter está enraizada na alma dela e do quanto ela é capaz de perceber que o que ela tem não é ela.
Muitas vezes a gente é o que ninguém vê, para o bem e para o mal.
Acho que não é coincidência que as pessoas mais fantásticas que conheço foram pessoas que passaram por privações, que, longe de receber reconhecimento, se viram obrigadas a apostar no "ser", a se desenvolver "na cara e na coragem". Raramente vi gente que viveu na bonança e obtendo reforço social positivo procurando se desenvolver como ser humano. É mais fácil acreditar no personagem e se acomodar. A gente tende à inércia; quem gosta de movimento é a alma, não o corpo ao contrário do que dizem. Só uns gatos pingados, sem talento para a autoenganação, que correm do prejuízo. Mas é raro, muito raro e começo a pensar que não é mesmo por acaso.
Se o homem amasse mulher como ama futebol
Xico Sá
23.09.13 - FSP
O que aconteceria se o homem, aqui vale o homem normal, a média dos homens -aquele cara simples, tarado por mulher, cerveja e futebol – gostasse tanto da sua amada como gosta do seu time do peito?
Seria uma revolução. Mudaria tudo. Tudo mesmo. Repare:
Para começar, o macho jamais deixaria a sua fêmea. Nunca, never. Homem que é homem muda de sexo mas não muda de time.
Mesmo quando ela se sentisse a pior das criaturas, por baixo mesmo, mesmo quando ela blasfemasse aos céus e se queixasse ao espelho que estava gorda e autoestima despencara.
Muito pelo contrário. Isso seria motivo para aumentar ainda mais o amor e até para renovar a paixão, com garantia eterna de fidelidade, como ocorre quando o time do homem cai para a Segundona do campeonato –“Eu nunca vou te abandonar, Corinthians”.
Se o homem gostasse da mulher pelo menos 50% como ama o seu time, nem uma bola nas costas, uma traição, como uma derrota incompreensível, seria motivo para o fim do relacionamento. No futebol, assim como no amor, tudo seria perdoável.
Se o macho normal gostasse da cria da sua costela como quem aprecia um Flu, um Fla,um São Paulo, um Peixe, um Palmeiras, um Bahia, um Santa Cruz, um Galo, um Grêmio, arranjaria tempo para ir com ela ao cinema ou jantar fora pelo menos duas vezes por semana –no mínimo empataria com o tempo que dedica ao clube.
Apreciasse sua mulher como é chegado ao futebol, o sujeito trocaria pelo menos uma mesa-redonda na tv por um conversa com a dama. Em vez da crise no Vasco, tentaria entender a derrota que virou seu casamento.
Se o Cruzeiro anda tão bem, brilha na dianteira do firmamento, por que não melhorar também, amigo, a posição na tabela no jogo dentro e casa? Deixar tudo mais celeste, o amor azulzinho em um céu de brigadeiro?
Não sejamos exagerados. Bastaria dedicar 30% do que se devota ao time do peito. Teríamos uma mudança radical na vida dos casais.
Imagina se o torcedor do Goiás, caro Rogério Bueno, cantasse assim para aa namorada, como canta para o time esmeraldino: “Pra vencer tem que ser guerreiro/ Pra te ver sou sempre o primeiro…”
O cara é capaz de morrer por um triunfo do Furacão, do Coxa ou do Sport, o cara chora pelo Botafogo, o cara come toda a água do planeta pelo Vitória, o timbu deixa o lar doce lar para ir sofrer em São Lourenço da Mata…
Se o homem gostasse tanto da sua mulher como gosta do seu clube o domingo seria outro. Quando o time fosse derrotado, ele se confortaria no amor e no sexo da princesa. Não é o que acontece. A desgraça no futebol o inviabiliza na cama. É batata.
No caso da mulher doente por futebol, mesmo uma corintiana, creio que a relação seja outra. Na alegria ou na tristeza clubística, ela é a mesma. Consegue separar o desejo com o amado do placar domingueiro.
Como diria meu amigo Nick Hornby, não há termômetro que entenda o macho e essa febre de bola.
domingo, 17 de setembro de 2017
Não tem nada a ver
As pessoas veem as coisas como naturalmente excludentes. Nem sempre. Estar mal emocionalmente não quer dizer que sua capacidade de julgamento esteja comprometida. É possível estar mal e pensar bem. Uma vez, se não me engano, dr. Contardo Calligaris escreveu sobre isso e eu postei aqui no blog.
Na verdade, a gente recebe agressões e baques o tempo inteiro. Acontece que quando alguém está emocionalmente forte, cria uma barreira entre a percepção e a reação. Ou seja, algo o atinge, mas está forte para segurar a própria onda. Quando a gente é criança, não seguramos a nossa reação. Ser adulto é apenas aprender a sentir sem reagir, a manter a compostura e apanhar com dignidade. Uma pessoa depressiva, por exemplo, vai perder essa couraça de adulto, vai voltar a ter a sensibilidade, a fragilidade de criança, mas isso não necessariamente (arrisco dizer que não acontece na maioria dos casos) inabilita a percepção dela da realidade. Se formos fazer um flashback, vamos nos recordar que em situações com gente nesse estado, o que realmente choca é a fragilidade emocional da figura, não a incapacidade dela de julgar a realidade. Alguém que chega ao extremo do suicídio não está errado em achar que a vida é uma merda. Verdade: a gente mais tem problema que recompensa. O que choca é a falta de resistência emocional pra lidar com isso.
O que aprendemos hoje, turma? Que cabeça e coração não estão necessariamente ligados. Saber não implica em sentir.
Na verdade, a gente recebe agressões e baques o tempo inteiro. Acontece que quando alguém está emocionalmente forte, cria uma barreira entre a percepção e a reação. Ou seja, algo o atinge, mas está forte para segurar a própria onda. Quando a gente é criança, não seguramos a nossa reação. Ser adulto é apenas aprender a sentir sem reagir, a manter a compostura e apanhar com dignidade. Uma pessoa depressiva, por exemplo, vai perder essa couraça de adulto, vai voltar a ter a sensibilidade, a fragilidade de criança, mas isso não necessariamente (arrisco dizer que não acontece na maioria dos casos) inabilita a percepção dela da realidade. Se formos fazer um flashback, vamos nos recordar que em situações com gente nesse estado, o que realmente choca é a fragilidade emocional da figura, não a incapacidade dela de julgar a realidade. Alguém que chega ao extremo do suicídio não está errado em achar que a vida é uma merda. Verdade: a gente mais tem problema que recompensa. O que choca é a falta de resistência emocional pra lidar com isso.
O que aprendemos hoje, turma? Que cabeça e coração não estão necessariamente ligados. Saber não implica em sentir.
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